2008/12/16

Coerência

Uma das coisas mais tristes e deploráveis de observar nesta triste figura dos deputados que passam a independentes, como já se viu com a patética saga de Luísa Mesquita, e agora se pode observar com José Paulo Carvalho no CDS, é que todos tomam a decisão, auto-proclamada de corajosa e frontal (leiam-se as tiradas tragicómicas de Carvalho sobre as "conversas olhos nos olhos com Portas"), de pedirem a sua demissão, mas não são minimamente consequentes com essa suposta rectidão de carácter na hora de tomarem a única decisão decente que podiam tomar a seguir: renunciar ao cargo de deputados!

Nada disso; sabem-lhes muito bem os Euros garantidos no fim do mês, a imunidade, as mordomias. E assim mandam às malvas a vergonha e a decência e continuam a baixar - ainda mais - a perspectiva que o povo tem da política e dos políticos, se bem que aqui se possa reconhecer um módico de razão a quem os acha uns interesseiros sem princípios.

Eu, pessoalmente, não votei no Sr. José Paulo Carvalho, mas sim nas ideias do partido que ele, até hoje, representava. Se ele já não representa esse partido, e consequentemente as suas ideias, eu não me encontro na disposição de lhe sustentar a gula e a ambição pessoal, e penso que comigo qualquer pessoa que também tenha votado num modelo de política, e não numa qualquer vontade de protagonismo bacoco pessoal!

Carpideiras a metro

O CDS, vá-se lá saber porquê, sempre teve o dom de congregar em atenta observação do que se passa no seu interior muita gentinha, aparentemente sem nada de mais útil para fazer. Será razoável que os seus militantes, entre os quais me incluo há mais de vinte anos com orgulho, se interessem pelas movimentações cirúrgicas que avulsos materialistas desiludidos vão protagonizando no seu interior em cada momento; já será mais estranho que pessoas de outros partidos revelem uma obsessão a raiar a patologia, salivando pavlovianamente de cada vez que existe algum tipo de questão interna no CDS. Eu, pelo menos, não tenho essa tara voyeurista de me fascinar com o que se passa na casa do vizinho.

Há uns meses eram "centenas" os militantes de Setúbal que iriam protagonizar uma "desfiliação maciça"
, e as carpideiras do costume não se esqueceram de dar disso eco suficiente em tudo o que fosse suporte para tal. Infelizmente já não tiveram a mesma disponibilidade para proporcionar destaque idêntico ao facto de apenas se terem vindo a confirmar cerca de dez desfiliações, de pessoas pertencentes às mesmas famílias, com o toque irónico de os supostos "líderes" do processo, aqueles que vociferavam raios e coriscos contra tão ingrata madrasta, não se terem afinal desfiliado ou, em casos mais flagrantes, terem deixado um conveniente "pézinho" dentro do partido.

Agora novamente surgem as maciças desfiliações natalícias
, e novamente também os outros partidos babam-se de êxtase, para ver se é desta que o vizinho de cima parte mesmo um braço à mulher ou, quem sabe, lhe espeta uma faca. Para já a dimensão da tragédia já vai em dois dirigentes, mas tudo indica que os números poderão ser catastróficos, e de novo poderão ser atingidos os níveis de destruição de Julho passado.

2008/12/12

Os equivocados da política

Já há dias falei dos "salta-pocinhas" da política, sempre prontos a renegar princípios por trinta dinheiros, e falo agora de outra espécie que, se bem que não ostente tão vergonhoso comportamento, também me deixa especialmente confuso: falo desta gente, como Manuel Alegre, Pacheco Pereira ou Marcelo Rebelo de Sousa, que são militantes de determinados partidos, mas não perdem uma oportunidade de atacar os mesmos - e, com a honrosa excepção de entre os citados de Manuel Alegre, na hora de poderem avançar e demonstrar a valia das suas opiniões, preferem assobiar para o lado, mantendo confortável silêncio e indisponibilidade, a raiar a cobardia do cão que ladra mas foge a sete pés quando enxotado.

Que diabo, a mim não me incomoda nada que cada qual tenha a ideia política que muito bem entender, e até entendo que seria desejável que toda a gente tivesse a sua; o que me confunde são estes comportamentos esquizofrénicos de se pertencer a um partido e defender sistematicamente ideias de outros.

2008/12/11

Lugares Comuns

Existe alguma distinção para um blog que tenha conseguido atravessar estes últimos dias sem ter falado na morte de Alçada Baptista ou nos cem anos de Manoel de Oliveira?

Fobias

Cada um tem as suas; a minha são condomínios, condóminos e tudo o que se aparente, ainda que vagamente, com o tema. Não consigo evitar ataques de ansiedade quando os reformados lá de cima me apanham à má fila na entrada, para me chatearem com a mudança das caixas de correio ou a revisão dos elevadores - e tudo com o ar conspirativo e solene de quem está a presidir à Assembleia Geral da ONU ou coisa parecida.

2008/12/08

O homem que ia mudar o mundo!

«Sou a favor de uma lei de bom senso sobre a segurança relativa às armas, e sou a favor da segunda emenda», disse Obama, em conferência de imprensa.

«Por conseguinte, os proprietários de armas em regra não têm nada a temer», acrescentou.


Ainda bem que este homem não é, como Sarah Palin, a favor da posse de armas por particulares. Olha se fosse...

Posso providenciar talvez alguma mayonnaise para ajudar a engolir este primeiro sapo, se precisarem, mas parece-me melhor começarem a preparar-se: este homem é um americano como os outros, não é o vosso messias - e a fome vai continuar em África, o tratado de Quioto vai continuar por assinar, os Marines vão continuar a intervir (apenas) onde cheire a petróleo e o buraco de ozono não vai diminuir.

Curioso e sintomático é verificar que esta notícia aparece envergonhada num rodapé da televisão, e depois passo quase uma hora a fazer buscas para encontrar alguma confirmação que me permita o link. A esquerdalha das redacções, tão manipuladora como manipulada, assobia agora para o lado, envergonhada depois das loas que teceu, em rebanho, ao homem. E escamoteiam, vergonhosamente, as notícias que não lhe interessam. Maus hábitos propagandísticos de uma classe que já pouco pugna pela dignidade...

2008/12/02

Da pobreza de espírito:

Há coisas curiosas: ontem, quase no fim dum jogo de futebol ali para os lados da Segunda Circular, Anderson marcou um golo soberbo "de bicicleta", só não tendo reposto a justiça no jogo porque o Vitória merecia ganhar. Se o mesmo golo tivesse sido marcado por um jogador do Benfica na baliza adversária, hoje não teriam faltado manchetes e notícias a perorar sobre o "excelente recorte técnico" e outras banalidades semelhantes com que os jornalistas desportivos costumam "encher chouriços". Como foi um golo do Vitória, foi apenas um frango de Quim.

De uma maneira ou de outra, pela positiva ou pela negativa, o protagonista continua a ser o Benfica; os outros são meros figurantes que ajudam as coreografias.

Pobre país este, que não consegue destapar as tacanhas palas que há décadas lhe tapam futebolisticamente os olhos, e que continua a acreditar que apenas existem por aqui três clubes.

2008/11/29

Quanto valem os princípios?

A patética e triste saga recente de José Sá Fernandes, renegando quem lhe proporcionou o ambicionado tacho, numa sabuja busca das migalhas que o PS lhe possa dar e prometer, prestar-se-ia facilmente a várias graçolas e picardias para chatear os bloquistas, mas o nível do protagonista provoca-me um tão forte nó no estômago que se me vai a vontade de brincar.

Sempre me chocou a falta de carácter de quem abandona um partido num dia, e no dia seguinte (às vezes até no mesmo) já diz cobras e lagartos de quem até há pouco tempo o acolhia e lhe dava benefícios objectivos. Zita Seabra, Freitas do Amaral, Helena Roseta ou, mais recentemente, José Miguel Júdice ou Maria José Nogueira Pinto ilustram bem a falta de princípios a que me refiro. Pessoas que não guardam sequer o nojo da viuvez recente, e já dançam em cima do caixão antes do enterro, sem perceberem que a imagem que anda pela lama não é a do partido que largam, mas sim a sua, de oportunistas sem escrúpulos.

Sá Fernandes não merece, pela sua ínfima importância e competência, o espaço destas linhas, mas serve bem para mostrar, de novo, que nem toda a gente está disposta a manter a dignidade de olhar todos de frente, desde que lhes acenem com a mais raquítica cenoura.

Neste quadro triste e deprimente, também não sai nada bem o PS; como o abutre, aproveita necrofagamente as excrescências doutros partidos, sem sinais de pudor ou problemas de consciência, o que, no entanto, e tratando-se de socialistas, já dificilmente surpreende alguém.

2008/11/25

Lugares #23


Rio Arade, Portimão, anteontem de manhã.

2008/11/04

O Monopólio das Causas

Paulo Tunhas, no Atlântico, diz que é "a costela de esquerda" que o leva a simpatizar com um candidato "preto". À primeira vista a ideia iconoclasta até parece bem atribuída: normalmente, por vício, atribui-se à esquerda o exclusivo da defesa das minorias - e, se bem que a raça negra não seja propriamente uma minoria, o seu acesso a lugares de destaque continua a ser demasiado escasso.

A mesma coisa com a homossexualidade; a esquerda considera-se assim uma espécie de patriarca compreensivo, que alberga no seu regaço todos os comportamentos que, desejavelmente, seriam alvo de crítica pela direita, conservadora e intolerante. O problema está no pressuposto que a esquerda quer, falaciosamente, impingir: a verdade é que a direita não condena comportamentos, não distingue raças e, apesar de maioritariamente cristã, continua a ser tolerante com todas as religiões, pelo menos com os seus representantes que não apresentem instintos bélicos.

Por isso é que a esquerda fica desorientada quando percebe a grandeza do gesto de Stefan Petzner, que ao herdar a liderança de um dos maiores partidos de direita (não direi extrema-direita porque tal me obrigaria a chamar extremistas de esquerda ao BE, por exemplo) da Europa, assume a sua homossexualidade e a sua paixão pelo líder falecido, Jorg Haider. E, esquecendo-se da dignidade que aparenta quando fala dos seus "grupos de trabalho", logo desata numa chacota pegada sobre o assunto. Do tipo: uma relação homossexual só é digna e respeitável se se verificar entre duas pessoas de esquerda - se for entre dois "fascistas" já é paneleirice.

E ninguém lembra já Pim Fortuyn, assumidamente gay, assumidamente de direita, e não completamente branco, que foi assassinado em 2002 por Volkert Van Der Graaf, um activista de esquerda radical.

As causas dão muito jeito quando as conseguimos tomar como nossas, mas há sempre uns chatos inconvenientes dispostos a mostrar que não existe exclusividade para o pensamento.

Fazer a festa, lançar os foguetes e apanhar as canas!

A melhor parte, para além da ideológica, de ver Obama perder, seria assistir às crises subsequentes em toda esta intelligentzia lusa, que, contudo, precavidamente já preparou essa remota hipótese deixando por tudo quanto é lado a mensagem (assim meio a raiar o paranóico avant la lettre) de que, se McCain ganhar, é porque houve fraude eleitoral.

Se eles assim já o asseguram, quem somos nós para nos intrometermos em tão doutas opiniões?

Esperemos antes tranquilos que ganhe aquele que eles agoram pensam tratar-se de um novo messias, e sorríamos de soslaio quando, daqui a um ano ou menos, eles começarem a perceber que afinal elegeram um americano, as usual.

2008/11/03

Parabéns, Campeão!


Serei eu o único que ficou genuinamente contente com a vitória de Lewis Hamilton no Campeonato do Mundo de Fórmula 1?

E serei também o único que não acredita em abstrusas teorias da conspiração sobre a forma como Timo Glock (em slicks, à chuva, o que não é despiciendo) se deixou passar quase na praia?

Nunca confiei muito nesse pessoal que só vê Ferraris, nem que ao seu volante esteja sentado um alemão sem pingo de carácter.

P.S.: Bem sei que Hamilton não é brasileiro mas, quando o vejo conduzir, consigo mais facilmente lembrar-me de Ayrton Senna do que quando vejo Massa, que o é - e isso para mim é suficiente.

2008/11/02

Elogio da Mediocridade

O BPN vai ser nacionalizado, devido a graves irregularidades detectadas e acumuladas no seu funcionamento. Nada que surpreenda o cidadão comum, pelo menos aquele que, no mínimo, costumava conversar com outros exemplares da espécie e observava com um mínimo de atenção o funcionamento da coisa.

No entanto, houve quem ficasse surpreendido: um fulano, que por acaso é Governador do Banco de Portugal, funções pelas quais aufere um vencimento superior ao de Alan Greenspan - mas que mais parece um mostruário ambulante das últimas novidades em termos de colorações capilares - não encontrou coisa melhor para dizer, frente aos jornalistas, do que alegar que não podia suspeitar porque "não tinha indícios".

2008/10/28

Para devorar:


Não há como dizer isto sem sentir que estou a repetir algo que já disse antes, mas vou tentar mesmo assim: este tipo é genial!

Viram? Eu já tinha dito que ele é genial, de certeza absoluta. Ler este livro dá vontade de pedir um Visa Gold, percorrer os restaurantes do país durante uns meses, e depois, quando começarem a chover os extractos, deixar crescer barba (para os do género masculino, em princípio) e tentar comprar uma identidade falsa a uma rede de imigração ilegal. A seguir mais do mesmo: pedir novo cartão de crédito, e ir aos restaurantes a que não tínhamos ido ainda!

2008/10/26

Coisas realmente impressionantes:

A quantidade de posts que o jovem "Jugular" dedica a Sarah Palin, sempre com o ataque pessoal como fito exclusivo e sem comentar políticas uma única vez. Nada de admirar, e bastante dejá vu entre a seita, mas impressionante, mesmo assim...

O Vitória não é tubo de ensaio!


Bolas, que uma pessoa nem tem tempo para saborear devidamente a derrota do Porto, árbitro incluído.

Mas para a semana podem ter a certeza de que um dos lenços brancos no Bonfim é meu (sim, a saída é por ali...)!

2008/10/25

Bichos Papões

Que fique desde já bem claro: para mim, que até me confesso um entusiasta de automóveis e de corridas, a mera hipótese de pensar em ir passar uma tarde de fim de semana para a Avenida da Liberdade a ver uma promoção - ainda que disfarçada de "demonstração" - de Fórmula 1, apresentar-se-me-ia tão razoável como pensar em ir ver um concerto do Tony Carreira.

No entanto, os argumentos normalmente aduzidos contra estas iniciativas por outros são pouco menos que risíveis, e apenas vão tendo alguma injusta visibilidade por mexerem com valores ditos politicamente correctos, ainda que manipulando-os e adulterando-os de acordo com as suas conveniências.

Recuperando um argumento falacioso e estafadíssimo dos ecologistas & C.ª para a sua campanha contra as corridas, José Carlos Mendes, d'"O Carmo e a Trindade", indigna-se com a iniciativa, não devido aos transtornos causados no trânsito, por exemplo, mas sim devido à poluição produzida, utilizando mesmo de inusitado dramatismo para falar em "poluir tudo até ao limite". Esquece-se, contudo, de calcular quantos carros particulares teriam passado no mesmo local durante as horas em que a Avenida esteve fechada para a dita "demonstração", e quantas toneladas de CO2 teriam sido libertadas para a atmosfera durante esse tempo. É que, mesmo dando de barato a orgulhosa ignorância que alguns gostam de alardear sobre aquilo que condenam, é do mais elementar bom senso saber que um carro de Fórmula 1 não é um reactor nuclear com rodas - é um carro com um motor de explosão a gasolina, como os de milhões de pessoas, com a diferença de ser mais potente e, por isso, emitir um pouco mais de CO2, mas não deixa de ser um carro...

P.S.: É inútil quando se fala de pessoas com conhecimento zero mas pretensão cem; logo depois de ter escrito o que se lê acima volto ao blog da sua proveniência e vejo escrita a pérola "aqueles carrinhos a darem cabo do pavimento de alcatrão...", por MP (Margarida Pardal, presumo). Vou antes tentar ensinar o meu cão a catalogar-me os livros por temas e não por ordem alfabética - não deve ser necessária tanta paciência nem devo ter que aturar tanta ignorância petulante.

Motivações

Vital Moreira tem sido, porventura, o mais activo defensor e propagandista do Governo e do PS na blogosfera. Já por várias vezes esbocei um sorriso ao lê-lo, tal a forma clonada e obediente como surge em tempo útil, inevitavelmente, a acrescentar a nota de propaganda que faltava às trapalhadas dos chefes (Ops, não devia ter dito "trapalhadas", não era? Isso só se aplicava em determinada pessoa...). No entanto, o discurso encontra-se de tal forma colado ao cliché das campanhas eleitorais que dificilmente alguém poderia pensar em pegar nele para contestar ou polemizar - seria mais ou menos como discutir com os bonecos dos gelados "Olá".

A previsibilidade estende-se, de resto, às causas e simpatias dos seus gurus e, nesta época em que o duelo Obama-McCain ocupa o lugar do Benfica-Sporting para alguns, não poderia deixar de vir fazer a amplificação do apoio do PS ao candidato da sua simpatia. E começa por nos lembrar que, como é hábito por lá (e como já houve umas tentativas de memória esquisita e descontextualizada por cá), o "New York Times" veio ontem declarar o seu apoio a Obama. No entanto, o pobre da história é quando Vital Moreira acha que escrever "this country needs sensible leadership, compassionate leadership, honest leadership and strong leadership. Barack Obama has shown that he has all of those qualities" é o "mais convicto e motivador" que se pode arranjar. A mim parece-me uma frase vazia e redundante que qualquer "jota" com aspirações poderia ter escrito sobre o candidato à sua Câmara Municipal, mas pelos visto há quem verta uma emocionada lágrima por lugares comuns.

2008/10/20

Campeão adormecido


Da última vez que fui ao Estádio do Bonfim levei um lenço branco no bolso, confesso. A derrota contra o Marítimo roçou a anedota, e vínhamos de uma humilhação holandesa em que nem quero pensar mas, mesmo assim, acabei por ter pena do homem e manter o lenço no bolso. Outros não o fizeram, e provavelmente estavam mais certos do que eu.

Ontem passámos à fase seguinte da Taça de Portugal, eliminando o poderoso Ribeirão de Braga, por um a zero, com golo de penalty. Mas, continua a dizer-me quem viu, a estratégia continua a ser a mesma, empastelada, encostada à defesa, sem jogadas construídas, uma estratégia apenas a pensar em evitar derrotas e garantir a manutenção.

Dizem-me alguns, aqueles que acham que em Portugal só existem três clubes de que se pode ser adepto, que o objectivo de qualquer outra equipa que, não as do costume, só pode ser a manutenção. Deixarei para depois a discussão sobre a pobreza de espírito subjacente a tal afirmação, apenas própria de quem nunca sofreu pelos seus gostos - e não pelos que lhe são incutidos. Mas garanto, e discuto com quem vier, que o Vitória é uma equipa que ganha jogos, que envergonha milionários preguiçosos, e que tem os melhores adeptos do mundo!

Isso viu-se o ano passado com um técnico que acreditou no clube, e que conseguiu pôr os jogadores a acreditar (os sócios não precisam porque sempre acreditaram). E o contrário vê-se este ano, com um técnico a tentar impôr uma táctica que ainda ninguém percebeu (duvido que o próprio a perceba...), mas que já se viu que não funciona, mesmo para a sua humilhante técnica de apenas defender.

Por isso, Daúto, aqui te deixo o grito de revolta dos vitorianos: da próxima vez voltarei a levar o lenço branco para o Bonfim, mas não creio que o vá deixar no bolso...

Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

Ainda sobre as eleições nos Açores, e sobre o resultado do CDS nas mesmas (em boa verdade os únicos que se podem considerar vencedores, apesar de a comunicação social assobiar para o lado), constato que, a posteriori, vários são os blogs e outros opinadores que atribuem o excelente resultado ao trabalho desenvolvido por Paulo Portas, que amiúde visitou o arquipélago.

É uma constatação inevitável, e só me espanta que a oposição não se tenha apercebido disso em tempo útil; mais ou menos a mesma coisa do que quando o CDS andava pelas feiras, junto ao país real, e os outros troçavam, de croquete e Martini em punho. Também aí, quando acordaram já era tarde, e não lhes restou solução melhor do que imitar o que antes criticavam.

Humildade, onde andas tu?

Sondagens?

Quando chão é torto e até o dançarino dança bem.

Sondagem para o CDS nos Açores - 4,8%. Resultado: 8,7%

Sondagem para mandatos 2/3. Resultado: 5.


Valem o que valem, como diz o outro...

Humor selectivo

Engraçados, estes tipos; passam a vida a carpir o enterro do CDS, com sentido de humor assinalável, mas agora, face aos resultados nos Açores (quase 9% para o CDS), tudo o que se lhes apraz dizer é que "o Bloco triplicou a sua votação", o que, traduzindo por miúdos, quer dizer que cerca de 3,3% dos açorianos que expressaram a sua opinião, o fizeram no dito...

2008/10/19

Apenas factos:

Para arrefecer um bocadinho esta esquerda que saliva alegremente pela vitória de Obama, deixo uma breve compilação de desfechos anteriores, roubada daqui, que por sua vez os retirou daqui:

"1976 - no final do Verão, as sondagens davam 62% a Carter e 30% a Ford. Carter venceu mesmo, mas com 58.1% dos votos contra 48% de Ford.

1980 - Já em Novembro, as sondagens davam 44% Carter, 41% Reagan. Ganhou Reagan com 50.7%, contra 41%.

1988 - Neste caso ainda em Maio, Dukakis 49%, Bush 39%. Bush venceu com 53.4% contra 45.6%.

1992 - Em Junho, o candidato independente Ross Perot tinha 37% nas sondagens contra 24% de Bush e Clinton. Clinton venceu com 43%, Bush teve 37.4% e Perot 18.9%.

2000 - Setembro, Gore 49% GW Bush 39%. Bush ganhou com 47.9% contra 48.4% de Gore."


Mas mesmo que o resultado venha a ser o indicado pelas sondagens, ficar-nos-á a imagem desta infantil alegria da esquerda lusa, incapaz de perceber que nos E.U. a dicotomia não é entre esquerda e direita, mas sim entre "mais à direita" e "menos à direita" - aliás, os instintos nacionalistas dos democratas fariam os "nossos" skinheads parecerem uns meninos de coro.

Daqui a uns meses já estarão a lamentar o "equívoco" em que foram induzidos, como quando levaram o "Zé" ao colo para a Câmara de Lisboa e ele lhes fez um belo dum manguito!

2008/10/18

Consciência

Gostava de ver o que teria dito a comunicação social, mais o seu ordenado rebanho de "modernos", se esta triste ópera-bufa da entrega do Orçamento de Estado tivesse sucedido com um ministro de Santana Lopes.

Esquerdalha das redacções, se tiverem consciência, envergonhem-se apenas e não tentem justificar nada.

"Escuta, vai mas é trabalhar, pá!"

Esqueçam o "Gato Fedorento"; o animal começou a morrer no dia em que deixou a SIC Radical, e agora definha tristemente aos nossos olhos - ou aos de quem os vê, que para esse peditório já dei. Há, de resto, uma excelente forma, para além da nossa percepção sensorial, para perceber o que é comercial, et pour cause, mau em 99,9% dos casos: se muita gente gosta, como Paulo Coelho, a TVI ou o "Mamma Mia", certamente não deve ser grande coisa...

Se também vos apetece vomitar quando aparecem aqueles anúncios indigentes da MEO, não digam que fui eu quem vos disse, mas experimentem antes ver "Os Contemporâneos" enquanto eles são marginais (ou marginalizados...), mesmo dentro da RTP.

Tenho pena daqueles que, ao começarem a ler este post, desde logo começaram a preparar a justificação política para o meu enjôo com o "Gato Fedorento", mas o facto de adorar Bruno Nogueira & C.ª não veio ajudar nada, não é?

Força Tozé!


Uma história simples: o Tozé Rodrigues é um jovem transmontano de Murça, licenciado pelo Conservatório e professor de música em Vila Real. É também viciado em Dave Matthew's Band, bom rapaz, meu amigo, e seguramente o melhor piloto nacional da sua geração.

O seu pai, o Zé Rodrigues, faz o favor de ser um grande amigo meu. É funcionário da Câmara Municipal de Murça e tem um dos mais ricos palmarés do automobilismo Nacional, conquistado a pulso e à custa de muito sacrifício. Um dia percebeu que o dom para "mexer na regueifa" (calão automobilístico para "conduzir depressa") era hereditário e, como bom pai que é, moveu montanhas para encontrar os apoios que permitiram ao Tozé mostrar todo o seu valor aos adeptos Nacionais. O Tozé é, por isso, o piloto de ralis que provavelmente reúne maior quantidade de apoiantes espontâneos e desinteressados na beira de estrada, com faixas de apoio, buzinas, e toda a panóplia que faz parte duma claque que se preze.

No princípio de 2007 pareciam estar finalmente reunidas as condições para o Tozé brilhar mais alto, e conseguir lutar pelo Campeonato Nacional com um carro de topo. Contudo, interesses obscuros movimentaram-se e, depois de cumprida a primeira prova (com um terceiro lugar fenomenal, se tivermos em conta que era a primeira vez que conduzia o carro, estava um lamaçal inenarrável, teve problemas de turbo e andavam lá muitos pilotos com carros melhores e mais experiência), para a qual dei a minha modesta contribuição como batedor da equipa, alguém deu o dito por não dito, deixando o Tozé apeado e, pior, a família com uma série de dívidas decorrentes dos compromissos assumidos e que contavam saldar com o dinheiro dos patrocínios, agora gorados.

Seria motivo de desânimo para muitos, mas não para estes transmontanos que, apesar de apenas viverem dos seus ordenados de funcionários públicos, fizeram das tripas coração para honrar os seus compromissos, fazendo orelhas moucas a quem nas corridas lhes dava palmadinhas nas costas e cobardemente andava nas suas costas a regozijar-se com a infelicidade.

Entretanto outro problema subsistia: todo o capital de talento do Tozé enquanto piloto apenas poderia ser capitalizado se aproveitado numa faixa etária estreita e, nestes casos como em outros, a inactividade não ajuda nada. Com os meios possíveis o Tozé lá foi participando em provas de montanha e outras, enquanto o incansável Zé procurava resolver a vida e, simultaneamente, encontrar uma solução de condução para o filho.

Parte dois: No princípio de 2008 a Pirelli, conhecida marca de pneus italiana, anunciou que pretendia criar um concurso internacional que permitisse a vários jovens pilotos de diversos países fazerem a época de 2009 do PWRC (Production World Rally Championship, ie, Campeonato do Mundo de Ralis, Agrupamento de Produção) com todas as despesas pagas. Para tal, todos os candidatos, seleccionados pelas respectivas Federações Nacionais - um por país - , deveriam comparecer com os seus carros habituais e equipa na Áustria, perto de Linz, no próximo fim de semana, para disputar um mini rali (shoot out) que, a par com outras avaliações, como a atitude ou a aptidão para os relacionaments, iria definir quais os bafejados pela sorte.

A Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) decidiu, numa primeira hora, seleccionar o piloto madeirense Bernardo Sousa para representar as cores portuguesas nesta iniciativa. O Bernardo é um rapaz com boas possibilidades económicas (felizmente), que se encontra a disputar já este ano o PWRC com alguns resultados assinaláveis, assim como o Campeonato de Portugal de Ralis. No entanto, o Bernardo teve que ser submetido a uma operação cirúrgica recentemente, cuja convalescença o impede de conduzir em competição por alturas do shoot out. Disso mesmo deu conhecimento à FPAK que, face aos novos dados, e consciente dos movimentos crescentes na net a favor do Tozé (lobby em que, modesta mas orgulhosamente, me envolvi pessoalmente), acabou por indicar o seu nome como representante Português na iniciativa.

Um corolário feliz, pensarão alguns. Mas falta alguma coisa: lembram-se de lá em cima ter dito que seriam necessários os meios de cada um para disputar o shoot out? Pois, e o Tozé apenas tem os meios para ir de Murça a Vila Real todos os dias trabalhar. Mas aqui entra o toque de cavalheirismo e desportivismo que nos faz adorar este desporto mais do que qualquer outro: o Bernardo Sousa, o concorrente que declinou, fez questão de, ao saber que seria o Tozé o nomeado, colocar toda a sua estrutura - carro, mecânicos, assistência, logística (e só um carro destes pode valer mais de 200.000,00€...) - à disposição do Tozé para a disputa das provas de selecção, e isto gratuitamente! Ontem e hoje decorreram, de resto, os únicos testes preliminares do Tozé, com direito a reportagem televisiva e tudo!

Não será um conto de fadas, mas é certamente uma história bonita, que merece um final feliz. E é por isso que o Tozé e o Zé sabem que para a semana, na Áustria, levarão naquele carro a esperança e a motivação de centenas de adeptos, que decerto lhe dará potência suplementar. Mas também sabem que vitória é o que estão a viver desde já, e ninguém lhes exigirá mais do que a representação digna do nossos país, independentemente dos resultados. Algo que, por exemplo, uma selecção de futebol paga a peso de ouro não consegue fazer.

Como costuma dizer muitas vezes o Zé, Deus não só é grande como é justo!

2008/10/10

Uma não-questão

A dúvida é pertinente: o que levará a esquerda, outrora tão rebelde em relação a instituições pequeno-burguesas, como o casamento ("apenas um papel"), a reclamar agora esse inalienável direito, especialmente para quem quer casar com uma pessoa do mesmo sexo? E o que os faz achar que esse é o assunto mais importante da actualidade, a ponto de poder eclipsar crises mundiais sucessivas?

Não arriscarei respostas, apesar de as imaginar - a esquerda vai perdendo, aos poucos, a capacidade romântica de nos surpreender, de tanto estafar os mesmos estribilhos. Mas sempre digo que, para mim, e penso que para a generalidade dos portugueses razoáveis, a legalização do casamento gay tem mais ou menos o mesmo grau de urgência que a construção do aeroporto internacional de Freixo de Espada à Cinta (o que, com a imprevisibilidade deste Governo, que até desilude os próprios deputados, provavelmente já está contemplado nalgum futuro Orçamento de Estado).

Migrações

Curioso: em texto publicado no blog, e indicado como sendo cópia do que saíu na revista "Sábado" de hoje, Pacheco Pereira faz uma dissertação correcta sobre o direito à opinião de toda a gente sobre a "imigração". Lida a peça até se percebe facilmente que o termo se refere às pessoas que vêm para o nosso país, em busca de melhores condições de vida e, nesse contexto, está correcto o uso da palavra "imigração". O problema é que, na versão impressa da revista, está grafado por todo o lado "emigração" ou "emigrantes" o que, como deveria ser do conhecimento básico de qualquer pessoa que tenha frequentado a educação primária, designa pessoas que daqui partem para viver e trabalhar noutros locais.

Dada a generalização do analfabetismo cultural, já não estranho que tal confusão surja amiúde nos rodapés dos telejornais onde, face à profusão de bacoradas, esta até passa despercebida. Mas ver uma pessoa que gosta tanto de se colar à imagem de "intelectual" a escrever erros deste calibre é... curioso.

2008/10/06

Enjoy the silence!


Aos poucos o silêncio desta líder do PSD começa a extravazar o anedotário Nacional e a assumir foros de patologia.

2008/10/02

Um raio que os parta!

Sempre foi assim: aqueles que têm coragem para afirmar alto e bom som aquilo que todos pensam ou dizem em surdina, rapidamente são apodados dos mais diversos epítetos, normalmente por outros que sempre se remeteram ao confortável silêncio das lesmas, mas que aproveitam desde logo a oportunidade para se colocarem em bicos de pés.

Desta vez os protagonistas foram políticos. O CDS apresentou hoje um conjunto de iniciativas destinadas a combater a criminalidade, pegando precisamente naquilo que todos comentam mas ninguém assume: que é uma evidência que, cada vez mais, os crimes violentos de que todos ouvimos constantemente notícias, são praticados por cidadãos estrangeiros que, legal ou ilegalmente, se encontram a residir no nosso país.

É fácil perceber que, com problemas de desemprego, fronteiras abertas e atitudes culturais substancialmente diferentes, nomeadamente no que toca à violência, se torna mais natural para um desenraizado enveredar pelo crime, do que para um nativo. Não quero com isto dizer que não haja portugueses que sejam párias da pior espécie, ou que não existam imigrantes honestos e empreendedores - mas, precisamente para separar as águas, é essencial que algumas das medidas hoje propostas, como a possibilidade de expulsão liminar do país de todos os cidadãos estrangeiros condenados por um crime ou a retirada do Rendimento Social de Inserção a beneficiários (neste caso portugueses ou não) condenados pela prática de crimes como “roubo ou tráfico de droga” se tornem urgentemente efectivas. A mensagem subliminar é simples: quem vier por bem, é bem vindo, mas quem vier com má intenção não é cá desejado.

O outro protagonista da história, o crítico militante, é o palavroso Bloco de Esquerda que, de tão prolixo, pouco tempo acaba por ter para actos. Luís Fazenda acusou desde logo o CDS de "xenofobia" e de "instigar ao ódio social". A mim pouco se me importa que levem o carro do Sr. Fazenda num semáforo ou que assaltem a casa do Sr. Louçã. O que me preocupa, e o que deve preocupar a maior parte dos portugueses, é o clima de insegurança que se começa a viver, e o país que eu quero deixar aos meus fihos. Mas o que preocupa o folclórico Bloco é perceber precisamente isso: que, face aos factos, os portugueses estão pouco disponíveis para divagações poéticas sobre vidas em harmonia com os que são diferentes. E, ou todos estes imigrantes que nos entopem a segurança social (o primeiro local que eles descobrem em Portugal) para requerer subsídios diversos, enquanto trabalham clandestinamente noutras áreas - muitas vezes sem ter sequer o pudor de o disfarçar - ou todos eles, dizia, arrepiam caminho e assumem a atitude educada de respeitar quem os acolhe, ou, pelo menos aqueles que não derem sinais de um mínimo de postura, poderão ir recambiados rapidamente para os seus países, de onde nunca deviam ter saído.

Xenófobo, eu? Só com quem não me respeita. Não será afinal a xenofobia segregar pessoas de diferentes nacionalidades? E o que fazem, no fim de contas, esses imigrantes que assaltam e matam portugueses sem escrúpulos? Quem será mais xenófobo?

2008/09/30

Mais valia terem ficado em casa!

Na sequência do último post: será que a energia se gastou toda no aeroporto, ainda em Portugal?

Mas pronto, aqui está a prova de que existe uma espécie de justiça divina. O Porto, se houvesse justiça e seriedade, não deveria sequer ter posto os pés na Champion's. Fizeram os números do costume para conseguir furar sistemas e atingir, por meios obscuros, o que a legalidade não lhes permitia, mas para quê? Para fazerem estas figuras tristes?

2008/09/29

Ser portista

Cristian Rodriguez, o mais recente Judas do futebol português, aprendeu rapidamente os rudimentos do que é ser portista: a um jovem, provavelmente benfiquista (não é relevante, até porque eu próprio não o sou), que no Aeroporto Francisco Sá Carneiro lhe chamou "traidor", respondeu com o argumento dos burros: agredindo-o.

Profissional e digno, na senda de Bruno Alves, esse modelo de fair play que, na última temporada, nem sequer viu cartões amarelos...

Embirrações de estimação

Duas, logo para começar a série:

Alarves que se riem das próprias piadas, principalmente quando estas são cretinas e sem graça, como no caso, por exemplo, de José Carlos Malato.

Condomínios, condóminos e sucedâneos; o meu tirocínio nesta área, em pequenos prédios de província, não me poderia preparar nunca para o que viria encontrar num edifício com dois dígitos de fogos, ás portas ocidentais de Lisboa. Gente sem vida própria, que faz da manutenção dos elevadores ou da substituição das caixas de correio a missão de uma vida, como se daí dependesse a retoma económica dos Estados Unidos ou a sentença do caso Casa Pia. Gentinha com vidas pequeninas, normalmente reformados com saudades das mangas de alpaca e burocracias subsequentes, que acham que o facto de terem vislumbrado uma barata no átrio do prédio ou terem detectado um jantar de adolescentes (não autorizado formalmente) no terraço do prédio é motivo mais que suficiente para tocarem à campainha de um desgraçado às oito e meia, nada se compadecendo com o facto de, consabidamente, nos estarem a interromper o jantar. Uma história de terror.

2008/09/28

1925-2008


Paul Newman morreu. Vi "The Sting" com 10 anos, e mudou para sempre a minha perspectiva sobre o cinema. Talvez tivesse sido o primeiro filme para adultos (no sentido intelectual) que vi - pelo menos é o primeiro de que guardo recordações. Paul Newman era também um homem dos automóveis. Com 70 anos, tornou-se no mais idosos piloto a vencer as 24 horas de Daytona. Depois de James Dean e Steve McQueen, acabou hoje a geração dos actores verdadeiros.

2008/09/15

Coisas simples


Painel de um Jaguar XJ/S, de 1991, provavelmente o meu carro favorito. Ainda por cima um modelo subvalorizado. Coisa linda de se ver, num modelo convertible, enquanto se passeia numa tarde de Outono pela marginal.

2008/09/14

O elefante e os burros

Enquanto os holofotes Europeus apenas se preocupavam com a luta entre democratas, e tudo o que nos aparecia na caixinha sobre as eleições americanas eram os avanços e recuos de Obama e Hillary, a esquerda lusa, com a companhia de alguns "modernos" (explicarei noutra altura quem são os "modernos", mas abaixo, no post "Sheep", já vai uma pista) regozijava-se. Pensavam que, por não terem informação sobre a candidatura Republicana, esta não existia - um pouco como a avestruz. Agora, passado o folclore, e quando se percebe que McCain tem tantas ou mais hipóteses reais de ser o próximo Presidente dos Estados Unidos do que Obama, o candidato preferido pelos apreciadores de telenovelas, a esquerda começa a mexer-se incomodada na cadeira. Os exemplos são muitos na blogosfera, e até na imprensa dita de referência, e agora não me apetece pesquisar, mas é sintomático que se ataque Sarah Palin em termos pessoais. A baixeza do método reflecte bem o desespero de causa.

2008/09/13

O som do cristal


É bem verdade que a beleza está nas coisas simples. Soará a snob, eu sei, mas já nem me importo, dizer que este é um cliché tão óbvio que se torna um enigma perceber por que razão a maioria das pessoas não o segue e disfruta. Em lugar disso preferem, na linha do que tenho vindo a dizer ultimamente, seguir ordeiramente por caminhos formatados, procurando produtos que não cansem os seus estafados neurónios. Só assim se percebe que se troquem horas e horas de mau cinema, em centros comerciais coloridos e estupidificantes, por aquelas duas horas e meia num cinema "de verdade", a ver, como num espelho, "Aquele querido mês de Agosto", de Miguel Gomes. Como já li algures, certamente o melhor filme português desde "Alice".

Lugares #22


Praia de Lanzada, Galiza, um fim de tarde da semana passada.

2008/09/12

Sheep, part 2


Por estes dias dizem-me que é praticamente "obrigatório" ir ver o concerto de Madonna - toda a gente vai, acrescentam-me. Triste, esta forma ordenada de ir onde nos mandam. Gastar dinheiro com música má, enlatada, quando há tanta coisa boa para se ver e ouvir por aí. Mas ainda bem que a maioria não se importa de ir, obedientemente, venerar um objecto de marketing - já os vejo com lágrimas nos olhos, como há uns anos, a dizer com ar de quem regressa de uma experiência esotérica, "foi o melhor concerto que vi na minha vida". Incomodar-me-ia, isso sim, se todos esses fãs de trash music aparecessem perto de mim a ver um concerto de Portishead ou de Kings of Convenience, por exemplo.

(Sim, lá em cima são duas imagens da mesma pessoa...)

2008/09/09

Sheep


Normalmente é mais fácil repetir o que se ouve, sem averiguar da sua veracidade, ou pelo menos da sua verosimilhança, do que tentar usar os neurónios e questionar o que nos é enfiado todos os dias pela cabeça. A vida dos nossos dias predispõe-nos para o ready made, sem sentimentos de culpa ou de qualquer outra espécie. A tendência não será tão antiga como a imagem que a ela associo, mas esta espécie de alienação voluntária leva-me sempre ao desenho animado de "Another brick in the wall", quando um maquiavélico professor harmoniza os pensamentos de alunos passando-os por um triturador de carne. Hoje são os alunos, toda a gente, que amavelmente se atira para o dito triturador, a fim de que alguém lhe faça o favor de formar uma opinião no seu lugar.

A ladaínha sobre Pedro Santana Lopes e as "trapalhadas" foi uma manobra de tal forma bem criada, que todo o rebanho continua a repetir o estribilho, ainda que nem uma pessoa consiga apontar, de forma objectiva, uma das ditas "trapalhadas". George W. Bush também se tornou uma presa fácil do anedotário internacional; duvido que alguém me consiga estruturar, mesmo que disponha de mais do que um dia para o fazer, uma razão para achar o Presidente Americano o incapaz que, no sábio entender das conversas de café das redacções, nem um café saberia tirar numa máquina - mas toda a gente usa e abusa da piada pronta a usar.

Agora vejo algumas agitações por movimentos internos no CDS: Paulo Portas não quis aceitar desde logo a demissão de Nobre Guedes, alguém fez a história sair para fora do partido e, como de costume, já temos o coro de carpideiras à porta a chorar - pela 830ª vez! - o "fim definitivo" do partido. Mas a questão que alguém com um mínimo do indispensável espírito crítico deveria colocar era a seguinte: mas a quem é que isto interessa a não ser aos militantes do partido? O que é que eu tenho a ver com a maneira como os responsáveis do restaurante onde vou escolhem o gerente ou os funcionários? O que é que me interessa a mim que os deputados do BE andem constantemente numa roda viva de substituições, sem que eu conheça os critérios para as mesmas? Quem é que escolhe, ou escolheu, o incontornável Louçã para ser o eterno presidente do partido, assim uma espécie de "querido líder"? E o que é que eu quero saber disso? E por que raio é que lhes interessa tanto o que se passa dentro do CDS?

Get a life!


P.S.: Obrigado aos Pink Floyd pelas duas inspirações para este post.

Lugares #21


Interior de bar de tapas em Santiago de Compostela, manhã chuvosa de 3 de Setembro.

2008/09/08

Lugares #20


Sanxenxo, Galiza, ontem à noite.

2008/08/19

Lugares #19


Marés vivas em São Pedro de Moel, esta tarde.

2008/08/08

Oito coisas oito!

Apesar da dificuldade na selecção, que nem sequer foi muito criteriosa, achei engraçada a ideia de desafiar outros bloggers a enunciar oito coisas que gostariam de fazer antes de ir desta para melhor. Em resposta ao meu amigo Ricardo, e para quem se interessar por estas coisas, aqui vai:

1 - Ver os meus filhos crescer, tirarem cursos, progredirem e estabilizarem, para que eu possa partir em paz;
2 - Fazer umas férias de sonho on the road, tipo Jack Kerouac mas com dinheiro no bolso, sem limite de tempo. Irlanda e Açores ficariam certamente nos roteiros;
3 - Emagrecer;
4 - Ler todos os livros, ouvir todos os CD's que gostaria - mas esta é irrealista, pelo menos enquanto as vidas humanas não durarem no mínimo mil anos;
5 - Ver o Vitória campeão e o CDS a disputar a vitória em eleições;
6 - Acabar a minha licenciatura em Arquitectura (e falta tão pouco...) e fazer mais algumas pós graduações em países nórdicos, por exemplo;
7 - Participar em alguns ralis mas desta vez sentado atrás do volante, para variar;
8 - Aprender a jogar golf e fazer o meu baptismo de mergulho, mas estas resolvo dentro de pouco tempo.

Para passar este inquérito, apesar de andar meio desviado da blogosfera, escolho o Paulo, o Francisco, o Zé Carlos, o Jorge (a quem aproveito para agradecer tardiamente os parabéns aquando do aniversário) e o Fernando.

Lugares #18


Foz do Arelho, hoje por volta do meio dia.

2008/08/06

It´s the oil, stupid!

Se há coisa absolutamente deprimente entre aquelas a que temos assistido nos últimos tempos, é a candura, quase ingenuidade, com que as gasolineiras pensam que enganam e iludem os consumidores. Até um certo nível parece um insulto à nossa inteligência, se esperam que alguém engula as suas descaradas patranhas. Mas, a partir de uma certa altura, e inebriados pela facilidade com que pensavam estar a fazer passar as suas manobras de simplórios, deixaram de passar a considerar-nos estúpidos, e a assumirem eles mesmo uma estupidez e uma descontração completamente irrealistas.

Foi estupidez pensar que ninguém repararia que as oscilações no preço do combustível só se verificavam quando o preço do petróleo subia. Foi estupidez pensar que ninguém repararia na discrepância e desproporção entre os aumentos e as poucas diminuições. Foi estupidez, também, pensar que ninguém questionaria essa abstrusa dualidade de critérios, que faz com que os reflexos dos aumentos do preço do petróleo no do combustível sejam imediatos, enquanto que as descidas terão que ser diferidas vários meses, sempre devido a algo difuso e mal explicado, que é a reserva de stocks, que curiosamente só funciona como justificação quando interessa, e sempre no mesmo sentido. Também pensaram, estupidamente, que ninguém perceberia que, apesar de negarem com ar de virgens ofendidas a existência de cartel ou concertação, os aumentos de preços aconteciam sempre e inevitavelmente à mesma hora do mesmo dia, e com o mesmo valor. Isto não é facilitismo, nem sequer gestão de mercearia; é estupidez várias vezes, apenas.

Quando, finalmente, acordaram da sua letargia, estes gestores de pacotilha acabaram por dar novas mostras da sua infinita estupidez. Não podiam ser mais directas e óbvias as manobras: queixavam-se de que os preços só subiam, e que não baixavam quando o petróleo baixa? Então aqui vão uns amendoins para os macaquinhos, alguns cêntimos de descida. Esqueceram-se que, apesar de este ser um país de fracas matemáticas, ainda há quem saiba fazer contas e perceber que, se fossem aplicados os mesmos coeficientes para as descidas que têm sido aquando dos aumentos, neste momento o gasóleo estaria em cerca de 1,15€ o litro - mas está em 1,37€... Esqueceram-se que seria demasiado óbvio e a tresandar a combinação que, dum momento para o outro, os aumentos dos combustíveis passassem a ser anunciados com diferenças de dias e décimas de cêntimo pelas diferentes gasolineiras - isto logo após negarem veementemente que a coincidência de datas que antes se verificava era apenas... coincidência.

E a prova da linearidade e limitação de raciocínio de quem estava habituado a apenas encher os bolsos com conversas que nem crianças enganariam, veio hoje; depois de terem percebido que estavam a "colocar-se na boca do lobo" ao anunciarem aumentos desmesurados nos seus lucros do primeiro trimestre, isto quando por outro lado argumentavam que apenas efectuavam os acertos estritamente necessários no preço do combustível, depois desse "gato escondido com (enorme) rabo de fora", dizia, aparece-me hoje o administrador da Galp a anunciar na TV com ar pesaroso a descida dos lucros da sua companhia, no segundo trimestre do ano. A mensagem já era embaraçosa de tão óbvia, mas no final, para que não houvesse dúvidas de que o indígena percebia onde se queria chegar, o tal administrador ainda acrescentou qualquer coisa como "isto é a prova de que, contrariamente ao que se dizia, a Galp não está a ter lucros astronómicos à custa das oscilações do preço do petróleo". Estúpido demais...

2008/07/31

Lugares #17


Cernache do Bonjardim, esta manhã.

2008/07/29

O Céu pode esperar!


É minha sina, está visto, gostar daquilo a quem toda a gente gosta de vaticinar a morte próxima. É assim na política, há quase trinta anos (25 de militância) sempre a ouvir que o meu partido vai desaparecer nas próximas eleições. É assim, também, no futebol: sócio há poucos anos do Vitória, mas seu adepto há muito, foi com agrado que soube do "fumo branco" que espantou abutres e outras aves agoirentas que (outra vez) profetizavam o apocalipse do clube. Luís Lourenço é um homem de Setúbal, um vitoriano e, apesar de não ser o fundamental, amigo íntimo de José Mourinho, o "Zé Mário", para quem com ele partilhou a geração e os lugares de Setúbal e da Arrábida. Pode não querer dizer nada, eu sei, até porque nem "creo en brujas", mas no futebol, como na política, normalmente o que parece, é. E amanhã lá estarei, no lugar do costume, a ver o jogo com o Belenenses.

Como dizia um anúncio televisivo, "grandes para quê"?

2008/07/28

Toca a todos!

Irónicas, as coisas; ainda de manhã falava sobre problemas de carácter e de postura em forças partidárias opostas à minha, e eis que ao almoço voz amiga me alerta para as notícias, que dão conta da próxima desfiliação de cerca de trinta pessoas, no partido e no distrito em que tenho responsabilidades dirigentes. Conhececendo as pessoas envolvidas, não posso dizer que tenha sido grande a minha admiração; fiquei, outrosim, admirado com a dimensão da manobra, já que os seus promotores afirmavam, há já algum tempo, que seriam 120, no mínimo, os dissidentes nesta acção, que se queria mediática. Mas, mais do que dissecar as motivações de quem dizia professar determinada ideologia, e que no momento a seguir assume estratégias para atingir o único partido que as defende, interessa personalizar um pouco o caso, pois só assim poderemos perceber o que está, realmente, em causa.

Carlos Dantas, último presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal, que cessou funções em Abril, e meu amigo pessoal, não obstante profundas discordâncias que com ele mantenho no campo partidário, declarou aos media que «não compreendo que não haja rotatividade dos deputados do CDS/PP na Assembleia da República, tal como acontece com o Bloco de Esquerda». Deixando de lado a embaraçosa comparação com o Bloco (pelos vistos, isto é guerra em que não se pugna pela seriedade da argumentação), faltou dizer que Setúbal elegeu um deputado, o meu querido amigo Nuno Magalhães, e que o segundo na lista era precisamente o Dr. Carlos Dantas. Em aritmética simples, a rotatividade anunciada apenas iria beneficiar directamente o reclamante, ficando por provar os benefícios que tal pudesse trazer aos militantes ou à população do distrito.

Existem mais declarações avulsas, todas elas resumíveis no descontentamento com a ausência de colocações para boys e girls (não é só na canção dos Blur ou nos outros partidos que os há) de Setúbal e arredores nos lugares a que se acham com direito. No entanto, e salvo a existência de eventuais raras excepções (não sei exactamente quem são estes trinta, e duvido que a maior parte deles tenha alguma vez estado presente para o partido em mais do que um jantar de campanha), é curioso notar a desfaçatez de quem assim reclama direitos, sem ter cumprido, já não digo deveres, mas as mais elementares noções de lealdade. Com efeito, as pessoas que agora se queixam, votaram contra Telmo Correia e a favor de Ribeiro e Castro, numa recente divisão do partido, e com isso alcandoraram-se a lugares de relevo na direcção do penúltimo líder. Mais, patearam, e vi-o eu com os meus olhos, intervenções de quem defendia a candidatura de Telmo, como mais tarde o fizeram, em Torres Novas, a quem era adepto da moção de João Almeida. Para os mais distraídos, isto significa que estiveram sistematicamente contra as candidaturas mais próximas de Paulo Portas, pelo menos enquanto Ribeiro e Castro parecia manter o controle do partido. No entanto, quando Portas anunciou a sua intenção de desafiar Ribeiro e Castro em directas, e se percebeu que o partido iria mudar, em três tempos (tantos quantos o galo cantou) renegaram Castro e passaram a anunciar, a quem os quisesse ouvir, a sua devoção a Portas desde o berço. Foi ingenuidade, pensarão agora, pensar que ninguém teria reparado no seu sinuoso percurso, e que este desapareceria por artes mágicas; mas houve outros, que fizeram a travessia do deserto com o partido, e que esperavam também o momento da justiça, e esses mostraram aos agora demissionários o quão perigoso é acreditarmos única e exclusivamente na nossa inteligência, subestimando a alheia.

Como corolário, soube, de forma privada, que muitos desses demissionários não pretendem afastar-se da política, equacionando alguns a filiação no PSD, e outros até no PS - ou seja, de forma cínica, em partidos que podem mais facilmente garantir lugares do que um partido pequeno, mas de ideais, como o CDS. So much para as ideologias. Mas ainda alguém acreditava em almoços grátis?

P.S.: Depois de escrever o desabafo supra, pesquisei um pouco mais na net para tentar perceber o que afinal não tem muito que perceber, e deparei com nova notícia sobre o assunto, desta vez no "Diário Digital": nesta, Tiago Cabanas Alves, um jovem barreirense com uma carreira tão curta como meteórica dentro do partido, ainda que com alguns sobressaltos, possivelmente fruto da juventude e inexperiência, faz-nos o favor de "anunciar o fim do partido naquele distrito (Setúbal)". Agradecemos, naturalmente, a informação, mas pensamos que ela peca por desconhecimento de causa, desculpável a quem tão superficialmente tocou o partido, e dele saíu com tanta mágoa e desilusão. O partido já cá estava muito antes de chegarem estes novos messias, já sobreviveu a piores ataques (apesar de quem o ataca pensar sempre, na sua imodéstia, que o feriu de morte), e certamente sobreviverá, mesmo a nível local, a algo que dificilmente poderá ser condiderado algo mais do que um mero amuo. Menos surpreendido fiquei com a admissão de que "alguns dos demissionários possam aderir a outros partidos no futuro". A previsibilidade desta gente é algo de absolutamente tocante.

"O Zé (ainda) faz falta(?)"

É algo dramático, mas quando acontece a quem mostrou tanta arrogância e sobranceria, dá vontade de rir bem alto. Como quando um tipo armado em "pintas" pisa uma casca de banana.

Depois de andarem a apregoar aos sete ventos que José Sá Fernandes, um desses irmãos em que a vontade de protagonismo está anos luz à frente das suas capacidades efectivas, "fazia falta" à cidade de Lisboa, eis agora que o dito acha que "faz mais falta" ao PS do que aos bloquistas que lá o puseram. E, além disso, deve achar que "faz mais falta" à sua conta bancária a garantia de surgir em 2009 como candidato a uma qualquer Câmara Metropolitana pelos sociaistas, do que a insegurança de voltar a concorrer por um BE que, depois do fogacho, inicia agora a sua curva descendente. Por enquanto o tom do BE é contido, para não passarem pela vergonha de se assumir como parte traída, com a humilhação inerente, mas as explicações de JSF para os seus ternos convívios com os seus novos amiguinhos do Rato são para lá de caricatas. Por exemplo, o vereador quase-quase a ficar independente, diz que participou numa reunião da Concelhia do PS, para "ir lá dar contas do meu pelouro". Ou sou eu que ando muito desactualizado, ou as reuniões entre diferentes pelouros, atribuídos a diferentes partidos, fazem-se em sede camarária, seja em reuniões ou assembleias. Excepto, pelos vistos, para JSF, que acha o regaço do PS mais aconchegadinho para explicar - a quem o quiser ouvir - por onde anda a gastar o dinheiro dos lisboetas. O Bloco, qual esposa que não quer acreditar nas evidências, continua a negar que existam divergências, mas dentro de casa vai tentando dar os seus puxões de orelhas a JSF. Mas, como no fado, "eles sabem bem, que ele vai para outra...".

Chá

Curiosa, a forma como toleramos ou não determinadas situações: José Mourinho foi treinar para Itália, e preocupou-se em aprender o italiano suficiente para dar a primeira conferência de imprensa na língua do país para onde emigrou. Recusou, até, falar em português (se bem que não tenha tido o mesmo grau de exigência para com quem o interpelou em inglês), para não confundir o seu italiano recente com outra língua latina. Hoje, no final de um jogo meio "a feijões", em Vila Real de Santo António, vimos (não fui só eu) o novo treinador do Benfica, um fulano bronzeado de olhar esbugalhado, a falar o seu espanhol materno, sem sequer se preocupar em introduzir, de forma educada, algumas expressões em português - e não acredito que não as conheça, assim como qualquer um de nós sabe pelo menos meia dúzia de palavras em castelhano.

Não sou benfiquista, como todos sabem, e por isso não me incomoda minimamente que esta equipa, de orçamento milionário, ande a fazer jogos mais próprios de protagonizar a "Liga dos Últimos". Mas sou português, e acho de uma arrogância extrema que este tipo não se dê sequer ao trabalho de simular algum esforço. Decerto, se fosse benfiquista, queixar-me-ia a quem de direito pela falta de educação. Mas, como não sou, fico a apreciar o profissionalismo e inteligência de Mourinho, por oposição ao seu colega acima citado, e a orgulhar-me de que ele seja um português de Setúbal.

2008/07/16

Mais um..


Pois é, nem me teria lembrado se não fossem estes tipos, mas a verdade é que este blog fez por estes dias cinco aninhos.

2008/07/13

Bons ventos


Não consigo partilhar euforias daquelas que me são apresentadas como inevitáveis. Bandeirinhas portuguesas nas janelas, concertos de Verão "obrigatórios" e outras coisas que fazem quem não delirar com as mesmas sentir-se um excluído social. Tiago Monteiro é um bom piloto, mas já há algum tempo se percebeu que não é tão bom como os portugueses gostariam que fosse. E não tem sido por falta de oportunidades, se bem que haja quem sustente o contrário.

Por outro lado, o WTCC é um campeonato feito para o público e, para manter este interessado, a fórmula correcta é fazer com que os carros rodem juntos, promovendo os despiques. Isto é conseguido à custa de um regulamento enviezado, com lastros para uns carros e não para outros, e inversão da grelha de partida entre as duas mangas, entre outras "habilidades" que fazem com que o virtuosismo e as capacidades dos pilotos sejam muitas vezes relegadas para segundo plano. Foi muito devido a esse conjunto de factores que Tiago Monteiro conseguiu hoje a vitória na segunda manga da prova que se disputou no Autódromo do Estoril. Mas teve a sua quota-parte de mérito no resultado, e como português que gosta de o ser, não deixo também de dar os parabéns ao Tiago.

Mas soube-me bem voltar ao autódromo, passar lá o dia. Lembrei-me das minhas "aventuras" de há trinta anos, em que ia sozinho para lá, apanhando pelo menos quatro transportes diferentes no percurso, e sem saber bem como voltaria. O problema do lugar é o vento; este "tratamento" de hoje, a somar à "tareia" de ontem na praia do Baleal, não prognosticam nada de bom para a semana que começa.

Outras alforrecas

Já há muito que não via o sermão dominical de Marcelo Rebelo de Sousa. A sua grandiloquência que, de tão profunda, só o próprio e alguns iniciados conseguem atingir, a mim provocava-me alergias. O seu carácter, sempre pronto a insultar e ofender, mas nunca disponível para o contraditório, não se enquadrava no tipo de carácter de pessoa que me mereça um módico de consideração. Os jogos de cintura, o "toca-e-foge" próprio de quem não consegue manter a coerência ou a frontalidade, não me suscitavam mais que um sorriso de comiseração pelo desejo patético de ser ouvido. A jactância e a petulância seriam adequadas e admissíveis num adepto de tuning ou num cantor pimba, mas pelos vistos eram estas as referências, em termos de atitude, do "professor".

No entanto, recordava ainda com divertimento o arrazoado que a personagem sempre fazia sobre os 1.870 livros que tinha lido nessa semana, e que alegremente passava em frente à câmara no final de cada programa. Normalmente calhamaços com temas e graus de interesses díspares, promovendo algumas obras de qualidade razoável, simultaneamente com arrobas de refugo que lhe ia chegando à caixa de correio. O modus operandi pouco mudou, a não ser por dizer que a apresentação "literária" passou para o princípio da palestra. Mas o lixo que o homem continua a passar, os "jeitos" a amigos que continua a fazer, retiram qualquer ponta de credibilidade que os mais bondosos pudessem associar-lhe.

Como é possível que um homem manifestamente inteligente - das poucas qualidades que não lhe nego - promova publicamente um livro de Margarida Rebelo Pinto, "Português Suave", (ainda por cima misturado com obras realmente boas, de Valter Hugo Mãe ou Francisco José Viegas) e pretenda ser levado a sério em seguida?

2008/07/07

Lugares #16


Figueira da Foz, anteontem ao fim do dia.

2008/07/02

Mortos e era pouco!

Alguns chamar-me-ão reaccionário, outros apenas conservador, mas gostava que os esquerdistas convictos, aqueles que advogam valores como "tolerância", "reintegração", "adaptação", e quejandos (desde que longe da sua porta, evidentemente...), me dissessem qual a medida assertiva (se existir alguma, do que desde já duvido) que aplicariam a quem faz isto.

2008/06/29

Y viva España!


A alguns minutos do início da final, e na ausência da selecção portuguesa (o que tem, pelo menos, a higiénica vantagem de nos permitir fazer um zapping de vez em quando sem apanhar com um emigrante a prognosticar dez a zero), é evidente que todo o nosso apoio, ou pelo menos o meu, tem que ir para a Espanha, por vários motivos: são nossos vizinhos, não têm vergonha de gostar de toiros nem de assumir a sua tradição secular monárquica e, principalmente, jogam bem. Pronto, está bem, também confiemos que serão eles a vingar todos aqueles, tugas incluídos, que sucumbiram a uma Alemanha com um dos futebóis mais detestáveis que me lembro de ver nos últimos tempos.

Força, hermanos!

2008/06/27

Deve ser isto o "reconhecimento internacional"...

Os governantes do Zimbabué, uma "democracia" com muitos pontos de contacto com Portugal, que hoje por acaso está em votações (a propósito, não deixa de ser curioso referir que Mugabe, na hora de depositar o voto na urna, se declarou "confiante nos resultados", o que, para quem corre sozinho, revela índices de confiança... discutíveis, digamos assim), os governantes daquele pedaço de desgraça no mundo, dizia, revelaram hoje o reconhecimento que guardam a Portugal por "ter recebido o Presidente Robert Mugabe em Lisboa, durante a recente Cimeira UE/África, o que embaraçou o Reino Unido".

2008/06/19

Sanxenxo


A contar os dias que faltam para chegar Setembro...

2008/06/18

Pausa de Verão

A estátua do Bocage (engraçado, como em Setúbal toda a gente diz "do", e não "de", Bocage, provavelmente devido ao seu nome ser "du Bocage"), a estátua, dizia, sita na Praça homónima, representa o grande poeta sadino com uma peça de tecido às costas. Em Setúbal não é necessário explicar a ninguém o que tal imagem significa, mas apercebi-me recentemente que a história da original carga não é muito conhecida fora dali. Ora bem, para simplificar, reza a história que Bocage andava sempre com uma peça (um rolo) de fazenda às costas e, quando interpelado, dizia que era para fazer um fato. No entanto, quando o voltavam a ver, ainda carregado com o seu volume, os amigos admiravam-se e perguntavam-lhe por que razão não tinha ele ainda dado o trabalho ao alfaiate, ao que Bocage invariavelmente respondia: "estou à espera da última moda!"

Lembrei-me disto ao aperceber-me de que existem pessoas cuja vida é passada à espera de algo que nem sabem se vão conseguir. É aceitável que um jovem, ao entrar para a universidade, no fulgor da rebeldia e pensando que é ele quem vai mudar o mundo, escolha um daqueles cursos absolutamente improváveis, ou um outro mais corrente mas com um conhecido superavit de formados. Pensa o jovem formando que, já que vai ter que trabalhar a maior parte da sua vida, ao menos escolherá fazer aquilo que deseja. Quando acaba o curso, percebe o que ninguém lhe disse antes: que não existe procura para "engenheiros de Bonsai", ou que existem 50 vagas de jornalista para os 1000 licenciados na área que procuram emprego. E então cai na realidade: apenas menos de 1% da população trabalhadora faz exactamente aquilo que sempre desejou e que gostava de fazer (o que é diferente de se gostar - ou não - do que se faz), enquanto que a esmagadora maioria aceita trabalhos em áreas nunca sonhadas como forma de sobrevivência e evolução natural. Mas existem os outros, aqueles de quem queria falar neste post: normalmente jovens recém licenciados, sem grandes encargos financeiros a seu custo (leia-se a viver em casa dos pais), que recusam qualquer tipo de trabalho que não seja na área escolhida, para lá de toda a razoabilidade. Destes existem os que, ao fim de alguns anos de pouca pesquisa e muita pressão, capitulam e se adaptam às ofertas do mercado, e os outros: aqueles que, para lá duma idade razoável - trinta anos, digamos - continuam a perseguir a quimera de fazer apenas o que querem, aceitando ocasionalmente, quando a isso são obrigados, funções noutras áreas, mas sempre deixando bem claro o seu descontentamento e a sua situação transitória no lugar, mesmo que daí lhe possam advir prejuízos profissinais graves.

Este raciocínio também pode ser aplicado, por exemplo, às relações sentimentais: quantos de nós não conhecemos pessoas que, apesar de todas as propostas muito razoáveis que já puderam aceitar, continuam a recusar tudo e todos, de olhar fito no horizonte, onde há-de surgir um cavaleiro ou uma princesa - conforme o género e a opção, evidentemente?

A questão é: serão estas pessoas inadaptadas, infelizes que nunca encontrarão a plenitude ou o caminho para ela, ou antes sonhadores, às quais os objectivos estipulados, mesmo que virtualmente impossíveis, continuam a dar a força para seguir em frente?

2008/06/16

Lugares #15


Chelas, hoje à tarde.

2008/06/11

Divina justiça!

No meio de toda esta confusão que nos tolhe os movimentos, não deixa de ser deliciosamente irónico notar que, precisamente quando Sócrates já antecipava o descanso que umas semanas de Europeu iriam proporcionar-lhe a si y a sus muchachos, se tenha desencadeado talvez a mais séria e efectiva operação de contestação ao seu governo - e, ainda por cima, de uma forma aparentemente espontânea!

Mas ele merece isto, e pior ainda.

2008/06/02

Lugares #14


O meu cantinho de trabalho, Carnaxide, esta manhã.

2008/05/29

Lugares #13


São Pedro de Moel, 2005.

2008/05/12

May the force be with you, Portugal!

Certamente o problema é meu, e da minha capacidade de entendimento que já se deixa transcender demasiadas vezes, talvez como prenúncio da minha fase mais reaccionária que inevitavelmente chegará com a idade. Mas, mesmo assim, ainda concederia uma oportunidade a algum "génio" da publicidade para me explicar por que raio é que num anúncio televisivo da Galp, em que surgem uma série de supostos adeptos a empurrar o autocarro da selecção Nacional até à Áustria ou à Suiça (dois países pobres, como se sabe, que, contrariamente a Portugal, que recusou a colaboração com Espanha no seu Euro por ser um país rico, se juntaram para organizar um campeonato), por que raio, dizia, é que num anúncio que deveria apelar ao patriotismo, até ao nacionalismo, a banda sonora é uma pirosa música country americana?

2008/05/06

Eles conhecem-se uns aos outros...


O deputado do PND-M, José Manuel Coelho, usou hoje, durante os trabalhos da Assembleia Legislativa da Madeira, um relógio de cozinha (!) pendurado ao pescoço, como forma de protesto pelas limitações de tempo impostas aos deputados da oposição. Alegava o deputado insular que só dessa forma poderia controlar eficazmente a duração do seu discurso.

Há dias todo o "rectângulo" se indignou quando Alberto João Jardim desaconselhou o Presidente da República, aka "Sr. Silva", a visitar aquele hemiciclo, a pretexto de se tratar do refúgio de "um bando de loucos". Afinal o homem tinha conhecimento de causa, e não falava em sentido figurado.

Bicycle Race


Gosto deste tipo. Não sei se Londres vai ficar melhor ou não depois da sua eleição para mayor, mas é sempre mais fácil apreciarmos alguém que comunga das fraquezas do homem comum, do que políticos em poses estudadas, rodeados de assessores que lhe dizem como deve agir, como se deve vestir, até os falsetes que deve ensaiar.

Esta primeira apreciação nem tem sequer a ver com política mas, on the other hand, a sua vitória em Londres pode bem ser prenúncio de um sentimento muito mais europeu: a saturação que se começa a sentir por estes socialistas que se dizem de esquerda, mas que agem de forma equívoca e ziguezagueante, tendo sempre como fito único a manipulação de quem vota. E depois os "demagogos" e os "populistas" são sempre os outros!

Lugares #12


Torre de Belém, ponte sobre o Tejo, Cristo Rei, etc., etc., tudo visto de Algés no dia 2 de Março de 2008.

2008/05/05

Arte pop


Fantásticas, as possibilidades do "Paint". Se os meus leitores quiserem, e se relevarem a minha imodéstia, ofereço-vos esta primeira tentativa de arte "pop" - no sentido (o único possível) de popular, evidentemente. Se tiverem uma impressora melhor que a minha, imprimam-no e pendurem-no na sala.

Porque somos portugueses:

E, principalmente, porque estamos em Portugal e porque falamos Português - e temos orgulho nisso - ninguém deve deixar de assinar esta petição.

"Crime, disse ela"

Quanta bílis para aí vai, Dr.ª Ana Gomes; já agora, quando diz que existe "crime" no gesto do Dr. Paulo Portas de trazer cópias de documentação para casa, procedimento que, aliás, foi assumidamente seguido por diversos outros governantes de diversos partidos (seria de uma ingenuidade tocante desempenhar cargos de tanta importância, e não reter os meios para, a posteriori, ripostar a ataques bem direccionados e mal explicados,como este, que a doutora agora tristemente protagoniza), quando fala em "crime", dizia, importa-se de ser mais específica e qualificar o mesmo à luz da legislação portuguesa, da qual, não duvido, V.ª Ex.ª perceberá infinitamente mais do que eu?

Lugares #11


São Pedro de Moel, 2 de Maio de 2008.

2008/04/23

A marcha dos lémingues, parte II


Alberto João Jardim para a liderança do PSD? Será possível que ali ninguém perceba que o maior (por enquanto) partido da oposição não pode ser liderado por alguém que, após cada almoço, ganha uma tendência para as atoardas apenas comparável ao pós prandial de Mário Lino? Que não pode ser alguém que, em cada coisa que diz, cria uma anedota e dá pretextos aos opositores para se tornar motivo de gozo, quando não de censura? É que esse folclore pode funcionar bem num meio limitado e cacicado como a Madeira, mas aqui ele não pode andar a alcatroar estradas todos os dias, e a beber ponchas com os eleitores.

Mas seria engraçado ver se ele iria ao Carnaval de Loulé ou ao de Sines.

2008/04/22

Quem quer ser burro que nem uma porta?

Vejo, de vez em quando, nestas noites ainda pouco convidativas a saídas, um programa da RTP1 em que o apresentador vai fazendo perguntas a concorrentes, de escolha múltipla, cabendo a estes escolher, de entre as opções apresentadas, a única correcta. Mas isto está-me a deprimir demasiado, e acho que vou desistir; é absolutamente confrangedor ver os graus de ignorância das pessoas que lá aparecem, quase se diria directamente aterrados de Marte, onde passaram os últimos milénios. Certo, eu não esperava que num programa de entretenimento me surgissem novos Einsteins, mas seria o mínimo esperar que, quem se candidatasse a este programa, tivesse ao menos lido o jornal da véspera.

Espero que tudo isto não passe apenas de uma perversa estratégia da RTP que, para poupar nos prémios, sujeita os candidatos a concorrentes a uns testes prévios de cultura geral e depois escolhe os piores. Porque, se não for assim, e se estas alimárias forem o exemplo da cultura média do portuguesinho, dá vontade de chorar.

2008/04/21

Filosofia de fim de tarde

Há algo de perverso - masoquista até! - em ser-se de um clube dito dos "grandes": as alegrias são efémeras e as tristezas são tão profundas...

2008/04/19

A marcha dos lémingues

Não é a primeira vez que falo do PSD, e provavelmente não será a última, mas a culpa é só deles, que não conseguem deixar de me surpreender. A sanha com que alguns militantes (quase sempre os mesmos, Pacheco Pereira, o "Professor" Marcelo, o Sr. Silva...) se lançam contra quem está na direcção do partido em cada momento faz-me lembrar aquela história do tipo que está empoleirado na árvore, a serrar o ramo sentado na sua ponta, a parte precisamente que vai cair. No entanto, quando conseguem o desiderato de afastar quem lá está e chega a altura de poderem provar, através da sua candidatura, quais as vantagens que podiam trazer para o partido, todos metem as mãos nos bolsos e assobiam para o ar. Mas, pelo canto do olho, vão espreitando as candidaturas, na certeza de que, mal chegue nova vítima ao poleiro, se atirarão a ela qual matilha esfomeada. Um exercício perverso e certamente digno de mais aprofundados estudos, designadamente sobre as pulsões suicidas que levam os próprios militantes a atacarem mais ferozmente o seu partido do que os outros.

De qualquer forma, esta demissão mais ou menos extemporânea de Menezes trouxe-nos a higiénica vantagem de nos passar a poupar a figuras surpreendentes e desconcertantes, como o improvável Ribau Esteves ou Marco António, este com o seu novo look "Zara" apprés la lettre.

2008/04/15

"Forever young..."


Quem diria que, aos 44 anos, ainda estaria em condições de ganhar a Taça dos Junior num rali do Open? Mas aconteceu este fim de semana que passou, no Rally Vidreiro. Ainda por cima numa zona tão especial para mim, como é a de São Pedro de Moel.

2008/03/23

"Viva o Vitória, gritemos todos bem alto..."


Obrigado, Vitória, da parte de todos os que te fomos apoiar ontem ao Algarve, e dos muitos mais que não puderam ir, mas que sofreram tanto como nós. Ninguém, a não ser nós, conhece a alegria que é ser adepto da equipa com o orçamento mais baixo da Super Liga, e ver como somos capazes de ganhar com o coração sempre que queremos - e ainda bem que não sabem.

Faz mais quem quer do que quem pode, é bem verdade.

2008/03/21

Lugares #10


Farol do Bugio, visto do lado Nascente do passeio marítimo de Algés, ontem à tarde.

2008/03/20

Lugares #9


Cascais, hoje, por volta do meio-dia.

2008/03/18

Lugares #8


São Pedro de Moel, Junho de 2007, ao sol do fim da tarde.

2008/03/17

Lugares #7


Alcochete, visto da Ponte das Enguias, anteontem ao entardecer.

Lugares #6


Setúbal, dia 14 de Março de 2008.

2008/03/13

Serviço Público...


...especialmente dedicado aos "Sebastien Loeb lá da rua deles" que teimam em contornar as rotundas pelo exterior, e ainda reclamam com quem circula da forma correcta. Brevemente também poderei tentar acrescentar algo ao civismo e ao conhecimento de outros "especialistas", designadamente os que não fazem pisca, os que circulam sistematicamente pela faixa do meio ou da esquerda da auto-estrada - conforme esta tenha, respectivamente, três ou duas faixas - e ainda, os mais difíceis de converter: são aqueles que interiorizaram esse sentimento estranho "Schumacher, Schumacher; dessem-me um carro igual ao do Schumacher e iam ver a aviadela que eu lhe dava!", e reconhecemo-los quando se colam atrás de nós a fazer furiosos sinais de luzes (em alguns casos relatados, até se pode ver a espuma no canto da boca do espécime), exactamente quando vamos a ultrapassar um condutor mais lento e não temos a mínima hipótese de nos desviarmos. Normalmente andam em veículos comerciais mas, nos casos com patologias mais sérias, é possível observar elementos deste bestiário a conduzir carrinhas familiares, por vezes até com as crias no banco de trás!

2008/03/11

Lugares #5


Esta noite em Carnaxide.

Viva o Rei!

O prometido é devido, e aqui estou a comentar o debate de ontem no "Prós e Contras" sobre a pertinência de se questionar o tipo de regime português. Isto quase cem anos volvidos sobre o golpe de estado, assente num crime hediondo, que instalou a república até aos dias de hoje, vetando constitucionalmente ao povo a possibilidade de avaliar essa escolha. Nada de muito surpreendente, a não ser, talvez apenas para mim que não andava suficientemente atento, a pujança e tendência de crescimento do movimento monárquico, mas já lá irei nas notas breves que a seguir deixo:

1. Como seria previsível, os argumentos republicanos careciam tristemente de fundamento, e foi confrangedor observar algumas figuras de algum relevo nacional a tentarem defender a falta de democracia da Constituição no seu artigo 288, que blinda a república como único tipo de regime e impede o escrutínio dessa decisão pelo povo. A ironia de Medeiros Ferreira, usada recorrentemente como manobra de diversão do cerne da questão, apenas pode ter surpreendido quem não se lembra de tempos mais "revolucionários" da personagem. Mas desta vez apenas lhe conseguiu retirar credibilidade, pelo que não me deterei sobre este interlocutor, por não lhe reconhecer suficiente conteúdo (atributo comum a mais contendores, de resto), mas, principalmente, pela postura pouco respeitadora do adversário ideológico.

2. Já António Reis optou, avisadamente, por uma postura mais cautelosa, mas não conseguiu evitar a "casca de banana" que é o abuso que os republicanos fazem da primeira pessoa do singular, apropriando-se indevidamente do direito a uma decisão que não é sua, mas de todo um povo. Quando António Reis diz "eu acho que não faz sentido outro sistema de regime em Portugal que não a república", está a emitir a sua opinião, que apenas é respeitável enquanto tal. Mas não pode, como gostaria, torná-la numa espécie de orientação espiritual, menorizando vários milhões de portugueses com direito à mesma. António Reis é um, como eu, como o leitor, e como mais alguns milhões de portugueses. Em democracia contamos todos.

3. O Bloco de Esquerda, ou os seus simpatizantes e/ou militantes continuam a ter a "parte de leão" no divertimento público, principalmente nos números de malabarismo para moldarem os factos à sua opinião (e não o natural inverso), soltando de vez em quando estrondosos flique-flaques para chamarem de demagogos os que defendem opiniões sustentadas. Um espectáculo circense convenientemente disfarçado com "ruído" qb, para afastar as visões do essencial e focá-las no muito mais mediático acessório. Daniel Oliveira não desmereceu, e apresentou-se impante de melodramatismos, na defesa de uma causa que, rápida mas desonestamente, transferiu para mais uma guerra esquerda direita. A manobra passa despercebida à maioria, mas não é de todo inocente; ao transfomar uma questão institucional numa questão política, o Bloco conta arregimentar mais forças para a sua causa e, principalmente, tenta servir-se ilegitimamente de uma causa supra partidária para as suas guerrinhas particulares. Isso ficou bem patente quando, com ar teatral, defendeu a liberdade de qualquer pessoa, em república, poder chegar ao topo da hierarquia do Estado, com recurso à caricata rábula cindereliana do "filho do gasolineiro". A razoabilidade do argumento convenceu tanto quem o ouvia como o próprio, creio eu. Talvez num mundo ideal isso fosse verdade, mas, muito a montante, era mais importante que essa tão querida liberdade fosse extensível a outros aspectos da vida pública, como por exemplo a liberdade para decidirmos em que tipo de regime queremos viver. Patética e sem merecer comentários fica a atabalhoada explicação para o veto ao voto de pesar por El Rei D. Carlos, proposto por deputados no dia do centenário do seu assassinato. Quanto a isto, e voltando à obsessão da guerra entre esquerda e direita, D.O. não conseguiu justificar mais do que com o argumento de que, se se passa na Assembleia da República, é porque tem uma mensagem política, ainda que eles não saibam qual é; então, se foi proposto por um deputado de um partido dito de direita, vamos votar contra por princípio, que não por convicção. Um pouco como o marido supostamente enganado, que bate na mulher enquanto diz "eu posso não saber porque lhe bato, mas ela sabe porque está a levar". Demasiado simplório para ser levado a sério.

4. Por fim, e ainda naqueles que gostariam da manipular a questão para a transformar numa mera querela política, tenho a dizer que Rui Tavares me desiludiu bastante. Leio amiúde as suas publicações no "Público" (e, penso agora, não tem saído muita coisa ultimamente...), ainda que não concorde naturalmente com elas, mas por lhe reconhecer alguma capacidade de argumentação para além do facciosismo que o atormenta. Mas não esperava, de todo, que fosse cometer a desonestidade de dizer que o tipo de regime já foi suficientemente sufragado, por existir um partido político que incorpora no seu programa esse tipo de alteração à Constituição Portuguesa. Como é evidente, há muitos monárquicos que não se reveêm no programa do PPM, e até aceito que existam muitos republicanos que o apoiam; talvez esse facto não seja tão notório agora, mas decerto verificou-se claramente quando Gonçalo Ribeiro Telles presidiu ao mesmo, com as suas políticas de ordenamento do território e de defesa ambiental e ecológica. Mas ao votar numas eleições políticas, não é suposto estarmos a escolher um tipo de regime, como todos sabemos, e Rui Tavares melhor que ninguém, mais que não seja pela sua formação académica e percurso pessoal e profissional. Daí não compreender a defesa consciente da falácia, com a quebra de crédito intelectual que tal, inevitavelmente, acarreta.

Como nota final, fiquei evidentemente feliz por ver um movimento coeso, objectivo e sereno e, principalmente, por perceber que existe uma crescente consciencialização da população para algumas injustiças gritantes, e que as mesmas estão a ocupar um espaço cada vez maior no debate público. A Causa está viva e recomenda-se, e o referendo será o próximo objectivo. Quem não deve, não teme!

É evidente que um referendo efectuado entre uma população desinteressada de quase 90% do seu passado, e quase exclusivamente nascida em meio republicano, dificilmente atingirá o sucesso desejável; mas é, desde já, mais uma forma de acordar consciências. E, se a esquerda não se importar de utilizar o seu peculiar sistema referendário, de fazer tantos referendos quantos os necessários até que o resultado seja o desejado, podemos estar no início de algo de muito bom para a identidade do nosso povo e de Portugal!