2008/07/28

Toca a todos!

Irónicas, as coisas; ainda de manhã falava sobre problemas de carácter e de postura em forças partidárias opostas à minha, e eis que ao almoço voz amiga me alerta para as notícias, que dão conta da próxima desfiliação de cerca de trinta pessoas, no partido e no distrito em que tenho responsabilidades dirigentes. Conhececendo as pessoas envolvidas, não posso dizer que tenha sido grande a minha admiração; fiquei, outrosim, admirado com a dimensão da manobra, já que os seus promotores afirmavam, há já algum tempo, que seriam 120, no mínimo, os dissidentes nesta acção, que se queria mediática. Mas, mais do que dissecar as motivações de quem dizia professar determinada ideologia, e que no momento a seguir assume estratégias para atingir o único partido que as defende, interessa personalizar um pouco o caso, pois só assim poderemos perceber o que está, realmente, em causa.

Carlos Dantas, último presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal, que cessou funções em Abril, e meu amigo pessoal, não obstante profundas discordâncias que com ele mantenho no campo partidário, declarou aos media que «não compreendo que não haja rotatividade dos deputados do CDS/PP na Assembleia da República, tal como acontece com o Bloco de Esquerda». Deixando de lado a embaraçosa comparação com o Bloco (pelos vistos, isto é guerra em que não se pugna pela seriedade da argumentação), faltou dizer que Setúbal elegeu um deputado, o meu querido amigo Nuno Magalhães, e que o segundo na lista era precisamente o Dr. Carlos Dantas. Em aritmética simples, a rotatividade anunciada apenas iria beneficiar directamente o reclamante, ficando por provar os benefícios que tal pudesse trazer aos militantes ou à população do distrito.

Existem mais declarações avulsas, todas elas resumíveis no descontentamento com a ausência de colocações para boys e girls (não é só na canção dos Blur ou nos outros partidos que os há) de Setúbal e arredores nos lugares a que se acham com direito. No entanto, e salvo a existência de eventuais raras excepções (não sei exactamente quem são estes trinta, e duvido que a maior parte deles tenha alguma vez estado presente para o partido em mais do que um jantar de campanha), é curioso notar a desfaçatez de quem assim reclama direitos, sem ter cumprido, já não digo deveres, mas as mais elementares noções de lealdade. Com efeito, as pessoas que agora se queixam, votaram contra Telmo Correia e a favor de Ribeiro e Castro, numa recente divisão do partido, e com isso alcandoraram-se a lugares de relevo na direcção do penúltimo líder. Mais, patearam, e vi-o eu com os meus olhos, intervenções de quem defendia a candidatura de Telmo, como mais tarde o fizeram, em Torres Novas, a quem era adepto da moção de João Almeida. Para os mais distraídos, isto significa que estiveram sistematicamente contra as candidaturas mais próximas de Paulo Portas, pelo menos enquanto Ribeiro e Castro parecia manter o controle do partido. No entanto, quando Portas anunciou a sua intenção de desafiar Ribeiro e Castro em directas, e se percebeu que o partido iria mudar, em três tempos (tantos quantos o galo cantou) renegaram Castro e passaram a anunciar, a quem os quisesse ouvir, a sua devoção a Portas desde o berço. Foi ingenuidade, pensarão agora, pensar que ninguém teria reparado no seu sinuoso percurso, e que este desapareceria por artes mágicas; mas houve outros, que fizeram a travessia do deserto com o partido, e que esperavam também o momento da justiça, e esses mostraram aos agora demissionários o quão perigoso é acreditarmos única e exclusivamente na nossa inteligência, subestimando a alheia.

Como corolário, soube, de forma privada, que muitos desses demissionários não pretendem afastar-se da política, equacionando alguns a filiação no PSD, e outros até no PS - ou seja, de forma cínica, em partidos que podem mais facilmente garantir lugares do que um partido pequeno, mas de ideais, como o CDS. So much para as ideologias. Mas ainda alguém acreditava em almoços grátis?

P.S.: Depois de escrever o desabafo supra, pesquisei um pouco mais na net para tentar perceber o que afinal não tem muito que perceber, e deparei com nova notícia sobre o assunto, desta vez no "Diário Digital": nesta, Tiago Cabanas Alves, um jovem barreirense com uma carreira tão curta como meteórica dentro do partido, ainda que com alguns sobressaltos, possivelmente fruto da juventude e inexperiência, faz-nos o favor de "anunciar o fim do partido naquele distrito (Setúbal)". Agradecemos, naturalmente, a informação, mas pensamos que ela peca por desconhecimento de causa, desculpável a quem tão superficialmente tocou o partido, e dele saíu com tanta mágoa e desilusão. O partido já cá estava muito antes de chegarem estes novos messias, já sobreviveu a piores ataques (apesar de quem o ataca pensar sempre, na sua imodéstia, que o feriu de morte), e certamente sobreviverá, mesmo a nível local, a algo que dificilmente poderá ser condiderado algo mais do que um mero amuo. Menos surpreendido fiquei com a admissão de que "alguns dos demissionários possam aderir a outros partidos no futuro". A previsibilidade desta gente é algo de absolutamente tocante.

8 comentários:

Francisco Canelas de Melo disse...

Não deixa de ser curioso que hoje acordei as 08:06 com uma mensagem que passo a citar: "Compra o DN." O remetente da mensagem não era menos que o Dr. Carlos Dantas, ilustríssimo conhecido de todos os militantes do Distrito de Setúbal. Mais me espantou na noticia foi o numero de desistências, sendo apontado na ordem dos 120, ficou-se por um mero quarto.

A breve alusão ao Deputado Nuno Magalhães é totalmente surreal.Para bom entendedor "meia-palavra" basta. Mais não é preciso dizer do que ler com atenção o artigo "jornalístico", esta la tudo, até a hipocrisia dos media que se ocupam com tão pouco.


Felizmente o CDS é um partido com princípios,doutrinado contra aos "jobs for the boys and girls". Portugal não precisa de "tachistas", precisa de homens com princípios, com vontade de mudar. O Estado é para ser servido e não para se servirem...

Espero que se entenda que qualquer membro da Juventude Popular não é obrigatoriamente membro do Centro Democrático Social. São duas instituições autónomas ligadas sobre o mesmo principio, mas não deixam de ser autónomas.

Espero que após os 30 que sairão da J.P. os "poucos e bons que cá ficarem" façam um pouco mais do que os outros, quee esse pouco será sempre muito mais!

Anónimo disse...

Só faz falta quem está. A análise do Aldino Brito está correcta.
Ao longo deste mandato da distrital nunca a CPC de Palmela da qual sou Vice Presidente foi tida ou achada.
O CDS não pode dar "tachos" a todos, e quem anda à procura dos ditos sem sucesso mais vale cá não estar. Aliás face À triste comparação talvez o BE, os espere.

Viva o CDS
Futuro Concelho de Pinhal Novo

José Madeira Amorim disse...

Peço desculpa por o meu comentário anterior ir anónimo.
Detesto anonimatos.

Futuro Concelho de Pinhal Novo

José Madeira Amorim disse...

In DPortas enfrenta crise cada vez mais grave no CDS de Setúbal...


ROBERTO DORES, Setúbal
Lugares. Militantes contestam escolha de 'pára-quedistas'

A desfiliação de Carlos Dantas do CDS-PP, ex-presidente da distrital de Setúbal, está a gerar uma imensa onda de solidariedade entre os militantes da região. Mais de uma centena, de um total de 895, também já manifestaram ao antigo dirigente sadino a sua intenção de abandonar o partido nos próximos dias, juntando-se, como o DN avançou ontem, a outros 30 membros da Juventude Popular. Entretanto, Manuela Soeiro, um nome histórico de Santiago do Cacém, demitiu-se do Conselho Nacional, onde tinha sido eleita nas listas de Paulo Portas.

Tem sido um autêntico corrupio de reuniões, e-mails e telefonemas entre os militantes do CDS no distrito de Setúbal, que nas últimas horas decidiram juntar-se a Carlos Dantas, a quem garantiram que também vão abandonar o partido contra o que dizem ser o "clientelismo político" promovido pela liderança de Paulo Portas na hora de escolher os candidatos para as listas da região.

"Nós temos gente válida no distrito, mas as escolhas recaem sempre sobre pessoas de fora, o que começa a ser insustentável", explica Raquel Leal, ex-presidente da Juventude Popular de Setúbal, que cita o caso do actual deputado Nuno Magalhães como um exemplo das últimas legislativas. Como tal, até sexta--feira esta militante vai apresentar a sua desfiliação. "Atrás de mim vêm mais 30 pessoas", assegura.

O efeito bola de neve não se fez esperar: "Estimamos que além dos 30 elementos da JP, pelo menos cem pessoas entreguem o cartão, mas deverão ser mais", diz Carlos Dantas, congratulando-se com o apoio recebido, onde se encontra o nome da histórica militante de Santiago do Cacém Manuela Soeiro, que se mantém filiada no CDS, mas que já escreveu ao presidente do Conselho Nacional, António Pires de Lima, a renunciar ao cargo de conselheira para o qual foi eleita no último congresso, na equipa de Paulo Portas.

Garante ter sido uma decisão em solidariedade com Carlos Dantas "muito pensada, porque era a única saída", revela. Segundo a militante, "não houve reconhecimento do mérito de quem tanto trabalhou", considerando que Carlos Dantas seria a "pessoa certa" para encabeçar a próxima lista do CDS às legislativas. "Mas o partido não respondeu bem a isso", denuncia.

Contactada pelo DN, fonte da direcção nacional disse que até ontem apenas oito militantes tinham solicitado a sua desfiliação, sublinhando que nenhum era actual dirigente do partido, o que "retira peso" a este processo.

A mesma fonte referiu que quando Dantas concluiu o mandato não havia o suficiente número de concelhias para eleger nova distrital: "O único vazio foi criado por ele por razões administrativas." Em Setembro deverão ocorrer eleições para as concelhias de Setúbal.

E siga a dança.

Fururo Concelho de Pinhal Novo

Aldino Brito disse...

É a velha história de uma mentira repetida muitas vezes poder tornar-se realidade. Estou farto de ouvir falar em "desfiliações em massa", um leva trinta, outro cem, etc., etc., mas de concreto, até agora a única coisa que soube foi que o Carlos Dantas se demitiu, a Raquel Leal DIZ que se vai demitir (eu, normalmente, quando tenciono fazer alguma coisa, faço-a e informo depois...), e a D. Manuela Soeiro não se desfilia mas renunciou ao cargo de conselheira nacional. Aliás, esta senhora, que me merece muita estima e respeito, tomou a atitude mais razoável das que já ouvi relatar: conhecidas as diferenças ideológicas tão grandes existentes entre Portas e Ribeiro e Castro, não me paree de todo razoável que os apoiantes deste último tivessem o golpe de rins para passar de armas e bagagens para o campo ideológico daquele (que ainda uns dias antes criticavam ferozmente). Foi essa atitude de coerência que manteve o Martim Borges de Freitas, que se manteve dentro do partido, mas mantendo uma saudável oposição interna à direcção, naquilo que é normal em democracia. E, pelos vistos, foi a essa conclusão também que chegou a D. Manuela Soeiro, que felicito pela coragem. Outros, que apenas se quiseram desesperadamente integrar em quaisquer "listas", nem que fossem as das compras do supermercado, estarão agora certamente tontos e confusos com os seus percursos erráticos - tão confusos que, arrisco-me a prognosticar, não tarda os veremos em fileiras de partidos cujos estatutos só têm em comum com os do CDS o facto de serem impressos em papel.

Entretanto ficamos à espera dessas "desfiliações maciças" (com nomes e pessoas, evidentemente), e do novamente anunciado "fim do partido em Setúbal".

Já estou há suficiente tempo no partido para ter visto manobras piores, algumas vezes bem urdidas, ao contrário desta. E as pessoas vêm e vão, a mastigar ressentimentos, mas os que interessam têm-se mantido sempre.

Todos a Faro no sábado!

Anónimo disse...

Os "dissidentes" já teriam aderido ao bloco de esquerda?


Futuro Concelho de Pinhal Novo.

Aldino Brito disse...

Pouco me interessa, desculpe a franqueza; ando mais curioso sobre os "magotes" de gente que dizem, dizem, que vão entregar o cartão, mas actos que era bom, nem vê-los. Até agora, dos cento e não sei quantos, desfiliaram-se doze do CDS (incluindo, em alguns casos, vários familiares do demissionário), e zero (repito, zero) da JP. Tem havido, isso sim, alguma preocupação de ditos apoiantes do movimento dissidente, que não foram tidos nem achados para que se considerasse o seu nome como "desfiliável", e que, de diversas formas, têm contactado a Secretaria para desmentir essas informações, veiculadas por outros sem o seu conhecimento e aval.

Só e pena que isto não seja notícia para a imprensa que para aí anda, carregadinha de esquerdalha. Deve ser mais chamativo escrever "desfiliações em massa em Setúbal", mesmo que isso não se confirme e, portanto, configure mau jornalismo, do que "desfiliações em massa em Setúbal: já são doze e com tendência para aumentar".

Desespero e desconhecimento de causa revela também quem acusa o Nuno Magalhães de não se encontrar filiado em Setúbal. Há já muitos anos que ele é militante da CPC de Setúbal, da qual sou vice-presidente, mas talvez se esteja aqui a confundir "militância" com "recenseamento", o que é estranho de observar em quem tem tão importantes responsabilidades políticas e partidárias. E foi, aliás, por pedido nosso que ele acedeu a candidatar-se à Câmara Municipal de Setúbal nas últimas autárquicas, e não por qualquer imposição da Nacional. E, para quem o acusa de nunca vir a Setúbal, um episódio curioso: ainda ontem o Nuno, empedernido "lampião", sabendo que eu ia ver o jogo de treino entre o Vitória e o Belenenses, me ligou à tarde, a perguntar se me importava com a sua companhia, e veio ter comigo e com o Francisco Canelas (trazendo o também amigo João Almeida) e juntos assistimos ao jogo.

E não é só pela bola que ele vem a Setúbal, posso garantir, mas o comentário já vai longo.

José Madeira Amorim disse...

Eis o aproveitamento dos Anti-CDS

Do Correio da Manhã de hoje:


Coisas do Circo

O CDS não existe

“É uma espécie de partido virtual [...] e na Assembleia da República apronta números de circo”.

O CDS não existe. Projecta ainda uma sombra avantajada na parede, mas é um simples fenómeno de refracção da luz. É uma ilusão de óptica. Foi-se desagregando com o tempo e ficou sem causa de existir depois de Manuela Ferreira Leite assumir a liderança do PSD. O que é hoje o CDS? Como se define? Que princípios defende?

Ninguém de boa-fé tem resposta para estas perguntas. Perdeu os princípios que o definiam, faltam as balizas que ajustam qualquer formação política e é óbvio que está à deriva e já não reconhece o território em que se movimenta. Paulo Portas é o fantasma que vagueia sem bússola pela cidade.

Ninguém dá importância a estes movimentos. A começar pelos seus ‘históricos’, que na generalidade já saíram. Os reservistas que entraram em campo desertaram pouco tempo depois, como ficou demonstrado em Setúbal e noutras distritais. O CDS entra assim em estado de decomposição, como se viu em Marco de Canaveses com a aceitação do regresso de Avelino Ferreira Torres. São liberais? São democratas-cristãos? Ninguém sabe.

É uma salada russa à moda de Portas. Vive exclusivamente de uma trapaça. Qual é a trapaça? Simples. Portas e um amigo qualquer resolvem ir visitar um hospital, uma escola, uma empresa, enfim... Não sei com que talentos, conseguem levar as televisões atrás. O homem ajusta-se no cenário e debita a quantidade de discurso que acertou para sair nos telejornais. Os directores de Informação, cada vez que fazem este ‘negócio’ com Portas dão uma triste imagem do que são e do jornalismo que executam. Vão enganando os públicos até as pessoas perceberem que se trata de uma manobra/fraude jornalística.

Há dias, ouvi com muita graça Narana Coissaró desmistificar esta estratégia. Se Narana, que não é jornalista, percebe o jogo, e é do CDS, como é que os directores fazem vista grossa a este embuste?!

O CDS é uma espécie de partido virtual, não faz comícios nem trabalho político no terreno e na Assembleia da República apronta alguns números de circo para o espectáculo da televisão. Vive da voz e do teatro de Paulo Portas. Mas já não há espectadores para este teatro nem paciência para tanta manipulação. Por isso o CDS devia fechar as portas e enterrar os mortos. Não precisa de cuidar dos vivos porque esses foram andando.

Emídio Rangel, Jornalista



José Madeira Amorim, Futuro concelho de Pinhal Novo