2008/10/20

Campeão adormecido


Da última vez que fui ao Estádio do Bonfim levei um lenço branco no bolso, confesso. A derrota contra o Marítimo roçou a anedota, e vínhamos de uma humilhação holandesa em que nem quero pensar mas, mesmo assim, acabei por ter pena do homem e manter o lenço no bolso. Outros não o fizeram, e provavelmente estavam mais certos do que eu.

Ontem passámos à fase seguinte da Taça de Portugal, eliminando o poderoso Ribeirão de Braga, por um a zero, com golo de penalty. Mas, continua a dizer-me quem viu, a estratégia continua a ser a mesma, empastelada, encostada à defesa, sem jogadas construídas, uma estratégia apenas a pensar em evitar derrotas e garantir a manutenção.

Dizem-me alguns, aqueles que acham que em Portugal só existem três clubes de que se pode ser adepto, que o objectivo de qualquer outra equipa que, não as do costume, só pode ser a manutenção. Deixarei para depois a discussão sobre a pobreza de espírito subjacente a tal afirmação, apenas própria de quem nunca sofreu pelos seus gostos - e não pelos que lhe são incutidos. Mas garanto, e discuto com quem vier, que o Vitória é uma equipa que ganha jogos, que envergonha milionários preguiçosos, e que tem os melhores adeptos do mundo!

Isso viu-se o ano passado com um técnico que acreditou no clube, e que conseguiu pôr os jogadores a acreditar (os sócios não precisam porque sempre acreditaram). E o contrário vê-se este ano, com um técnico a tentar impôr uma táctica que ainda ninguém percebeu (duvido que o próprio a perceba...), mas que já se viu que não funciona, mesmo para a sua humilhante técnica de apenas defender.

Por isso, Daúto, aqui te deixo o grito de revolta dos vitorianos: da próxima vez voltarei a levar o lenço branco para o Bonfim, mas não creio que o vá deixar no bolso...