2003/09/14

Fórmula 1

Michael Schumacher acabou de vencer mais uma corrida; mais uma vez, este alemão - que deve ter nascido "com o cu virado para a lua" - beneficiou do azar de um adversário, neste caso o colombiano Juan Pablo Montoya, para obter um bom resultado. Aliás, quem sabe de automóveis consegue ver quem se esforçou mais sem dificuldade: bastava ver os comissários, na volta de desaceleração, a saudarem muito mais efusivamente J.P.M., do que o próprio M.S., apesar de este conduzir um italianíssimo Ferrari, e de a corrida ter sido em Monza.

Só tive dois ídolos na Fórmula 1: Gilles Villeneuve e Ayrton Senna, cuja carreira acompanhei desde 1977, quando veio a Portugal disputar o Campeonato do Mundo de karting, e eu acampei com um amigo (éramos as duas únicas pessoas em toda a área!) em frente ao Autódromo do Estoril. De momento, não tenho nenhum piloto especialmente favorito, mas confesso-me um anti-Schumacher primário. Aliás, em relação a este alemão emproado, só posso dizer, como decerto dirá qualquer apreciador do desportivismo, que se trata de um bluff. M.S. é um piloto de categoria razoável, mas, como ser humano, é abaixo de escroque!

Digo que é um piloto razoável, porque M.S. apenas consegue "aparecer" num contexto de relativa crise de valores na Fórmula 1; agora se ele discutisse posições com génios como Alain Prost, Niki Lauda, Jackie Stewart, Nigell Mansell, ou mesmo com um Jacques Villeneuve (o melhor piloto da Fórmula 1 actual) bem "montado", ou com Damon Hill (um dos mais brilhantes, mais azarados, e mais subestimados pilotos de todos os tempos), se ele discutisse corridas com pilotos desta cêpa, dizia, decerto não teria a vida tão facilitada. E, para além disso, ainda fica por explicar a razão por que, sendo ele um piloto tão "dotado", é o único na moderna Fórmula 1 que obriga os seus companheiros de equipa a ter um estatuto explícito de segundo piloto; se ele é assim tão bom, porque é que teve medo de Eddie Irvine, que não se intimidou (e a quem a Ferrari, numa atitude revanchista inqualificável, "roubou" um Campeonato do Mundo), ou porque é que não sugere que vá para o segundo carro - mas em estatuto de verdadeira igualdade - o jovem Fernando Alonso, que ainda há semanas o humilhou estrondosamente na Hungria? Sabem porquê? Porque depois acabava-se o "ídolo com pés de barro".

E é um escroque, porque não tem a ponta de dignidade ou desportivismo que devia ser inerente a qualquer desportista. Riu-se e festejou a vitória em Imola em 1994, quando Ayrton Senna tinha acabado de morrer (há quem diga que ele perguntou a alguém "how bad is he?", ao que lhe terão respondido "he's dead!", mas M.S. percebeu "he's bad!" - mas, numa hipótese ou noutra, não mandaria a decência alguma contenção?), lançou o seu carro contra o de Damon Hill em Adelaide, contra o de Jacques Villeneuve em Jerez de la Frontera, sempre quando se viu em risco de ser ultrapassado. Querem mais histórias pouco edificantes da personagem? Como dizia Italo Calvino, "se isto é um homem...".

P.S.: Vá lá que Montoya e Raikkonen terminaram perto, para que o Campeonato possa ser decidido até ao fim.

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