Gostava de ver o que teria dito a comunicação social, mais o seu ordenado rebanho de "modernos", se esta triste ópera-bufa da entrega do Orçamento de Estado tivesse sucedido com um ministro de Santana Lopes.
Esquerdalha das redacções, se tiverem consciência, envergonhem-se apenas e não tentem justificar nada.
2008/10/18
"Escuta, vai mas é trabalhar, pá!"
Esqueçam o "Gato Fedorento"; o animal começou a morrer no dia em que deixou a SIC Radical, e agora definha tristemente aos nossos olhos - ou aos de quem os vê, que para esse peditório já dei. Há, de resto, uma excelente forma, para além da nossa percepção sensorial, para perceber o que é comercial, et pour cause, mau em 99,9% dos casos: se muita gente gosta, como Paulo Coelho, a TVI ou o "Mamma Mia", certamente não deve ser grande coisa...
Se também vos apetece vomitar quando aparecem aqueles anúncios indigentes da MEO, não digam que fui eu quem vos disse, mas experimentem antes ver "Os Contemporâneos" enquanto eles são marginais (ou marginalizados...), mesmo dentro da RTP.
Tenho pena daqueles que, ao começarem a ler este post, desde logo começaram a preparar a justificação política para o meu enjôo com o "Gato Fedorento", mas o facto de adorar Bruno Nogueira & C.ª não veio ajudar nada, não é?
Se também vos apetece vomitar quando aparecem aqueles anúncios indigentes da MEO, não digam que fui eu quem vos disse, mas experimentem antes ver "Os Contemporâneos" enquanto eles são marginais (ou marginalizados...), mesmo dentro da RTP.
Tenho pena daqueles que, ao começarem a ler este post, desde logo começaram a preparar a justificação política para o meu enjôo com o "Gato Fedorento", mas o facto de adorar Bruno Nogueira & C.ª não veio ajudar nada, não é?
Força Tozé!

Uma história simples: o Tozé Rodrigues é um jovem transmontano de Murça, licenciado pelo Conservatório e professor de música em Vila Real. É também viciado em Dave Matthew's Band, bom rapaz, meu amigo, e seguramente o melhor piloto nacional da sua geração.
O seu pai, o Zé Rodrigues, faz o favor de ser um grande amigo meu. É funcionário da Câmara Municipal de Murça e tem um dos mais ricos palmarés do automobilismo Nacional, conquistado a pulso e à custa de muito sacrifício. Um dia percebeu que o dom para "mexer na regueifa" (calão automobilístico para "conduzir depressa") era hereditário e, como bom pai que é, moveu montanhas para encontrar os apoios que permitiram ao Tozé mostrar todo o seu valor aos adeptos Nacionais. O Tozé é, por isso, o piloto de ralis que provavelmente reúne maior quantidade de apoiantes espontâneos e desinteressados na beira de estrada, com faixas de apoio, buzinas, e toda a panóplia que faz parte duma claque que se preze.
No princípio de 2007 pareciam estar finalmente reunidas as condições para o Tozé brilhar mais alto, e conseguir lutar pelo Campeonato Nacional com um carro de topo. Contudo, interesses obscuros movimentaram-se e, depois de cumprida a primeira prova (com um terceiro lugar fenomenal, se tivermos em conta que era a primeira vez que conduzia o carro, estava um lamaçal inenarrável, teve problemas de turbo e andavam lá muitos pilotos com carros melhores e mais experiência), para a qual dei a minha modesta contribuição como batedor da equipa, alguém deu o dito por não dito, deixando o Tozé apeado e, pior, a família com uma série de dívidas decorrentes dos compromissos assumidos e que contavam saldar com o dinheiro dos patrocínios, agora gorados.
Seria motivo de desânimo para muitos, mas não para estes transmontanos que, apesar de apenas viverem dos seus ordenados de funcionários públicos, fizeram das tripas coração para honrar os seus compromissos, fazendo orelhas moucas a quem nas corridas lhes dava palmadinhas nas costas e cobardemente andava nas suas costas a regozijar-se com a infelicidade.
Entretanto outro problema subsistia: todo o capital de talento do Tozé enquanto piloto apenas poderia ser capitalizado se aproveitado numa faixa etária estreita e, nestes casos como em outros, a inactividade não ajuda nada. Com os meios possíveis o Tozé lá foi participando em provas de montanha e outras, enquanto o incansável Zé procurava resolver a vida e, simultaneamente, encontrar uma solução de condução para o filho.
Parte dois: No princípio de 2008 a Pirelli, conhecida marca de pneus italiana, anunciou que pretendia criar um concurso internacional que permitisse a vários jovens pilotos de diversos países fazerem a época de 2009 do PWRC (Production World Rally Championship, ie, Campeonato do Mundo de Ralis, Agrupamento de Produção) com todas as despesas pagas. Para tal, todos os candidatos, seleccionados pelas respectivas Federações Nacionais - um por país - , deveriam comparecer com os seus carros habituais e equipa na Áustria, perto de Linz, no próximo fim de semana, para disputar um mini rali (shoot out) que, a par com outras avaliações, como a atitude ou a aptidão para os relacionaments, iria definir quais os bafejados pela sorte.
A Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) decidiu, numa primeira hora, seleccionar o piloto madeirense Bernardo Sousa para representar as cores portuguesas nesta iniciativa. O Bernardo é um rapaz com boas possibilidades económicas (felizmente), que se encontra a disputar já este ano o PWRC com alguns resultados assinaláveis, assim como o Campeonato de Portugal de Ralis. No entanto, o Bernardo teve que ser submetido a uma operação cirúrgica recentemente, cuja convalescença o impede de conduzir em competição por alturas do shoot out. Disso mesmo deu conhecimento à FPAK que, face aos novos dados, e consciente dos movimentos crescentes na net a favor do Tozé (lobby em que, modesta mas orgulhosamente, me envolvi pessoalmente), acabou por indicar o seu nome como representante Português na iniciativa.
Um corolário feliz, pensarão alguns. Mas falta alguma coisa: lembram-se de lá em cima ter dito que seriam necessários os meios de cada um para disputar o shoot out? Pois, e o Tozé apenas tem os meios para ir de Murça a Vila Real todos os dias trabalhar. Mas aqui entra o toque de cavalheirismo e desportivismo que nos faz adorar este desporto mais do que qualquer outro: o Bernardo Sousa, o concorrente que declinou, fez questão de, ao saber que seria o Tozé o nomeado, colocar toda a sua estrutura - carro, mecânicos, assistência, logística (e só um carro destes pode valer mais de 200.000,00€...) - à disposição do Tozé para a disputa das provas de selecção, e isto gratuitamente! Ontem e hoje decorreram, de resto, os únicos testes preliminares do Tozé, com direito a reportagem televisiva e tudo!
Não será um conto de fadas, mas é certamente uma história bonita, que merece um final feliz. E é por isso que o Tozé e o Zé sabem que para a semana, na Áustria, levarão naquele carro a esperança e a motivação de centenas de adeptos, que decerto lhe dará potência suplementar. Mas também sabem que vitória é o que estão a viver desde já, e ninguém lhes exigirá mais do que a representação digna do nossos país, independentemente dos resultados. Algo que, por exemplo, uma selecção de futebol paga a peso de ouro não consegue fazer.
Como costuma dizer muitas vezes o Zé, Deus não só é grande como é justo!
2008/10/10
Uma não-questão
A dúvida é pertinente: o que levará a esquerda, outrora tão rebelde em relação a instituições pequeno-burguesas, como o casamento ("apenas um papel"), a reclamar agora esse inalienável direito, especialmente para quem quer casar com uma pessoa do mesmo sexo? E o que os faz achar que esse é o assunto mais importante da actualidade, a ponto de poder eclipsar crises mundiais sucessivas?
Não arriscarei respostas, apesar de as imaginar - a esquerda vai perdendo, aos poucos, a capacidade romântica de nos surpreender, de tanto estafar os mesmos estribilhos. Mas sempre digo que, para mim, e penso que para a generalidade dos portugueses razoáveis, a legalização do casamento gay tem mais ou menos o mesmo grau de urgência que a construção do aeroporto internacional de Freixo de Espada à Cinta (o que, com a imprevisibilidade deste Governo, que até desilude os próprios deputados, provavelmente já está contemplado nalgum futuro Orçamento de Estado).
Não arriscarei respostas, apesar de as imaginar - a esquerda vai perdendo, aos poucos, a capacidade romântica de nos surpreender, de tanto estafar os mesmos estribilhos. Mas sempre digo que, para mim, e penso que para a generalidade dos portugueses razoáveis, a legalização do casamento gay tem mais ou menos o mesmo grau de urgência que a construção do aeroporto internacional de Freixo de Espada à Cinta (o que, com a imprevisibilidade deste Governo, que até desilude os próprios deputados, provavelmente já está contemplado nalgum futuro Orçamento de Estado).
Migrações
Curioso: em texto publicado no blog, e indicado como sendo cópia do que saíu na revista "Sábado" de hoje, Pacheco Pereira faz uma dissertação correcta sobre o direito à opinião de toda a gente sobre a "imigração". Lida a peça até se percebe facilmente que o termo se refere às pessoas que vêm para o nosso país, em busca de melhores condições de vida e, nesse contexto, está correcto o uso da palavra "imigração". O problema é que, na versão impressa da revista, está grafado por todo o lado "emigração" ou "emigrantes" o que, como deveria ser do conhecimento básico de qualquer pessoa que tenha frequentado a educação primária, designa pessoas que daqui partem para viver e trabalhar noutros locais.
Dada a generalização do analfabetismo cultural, já não estranho que tal confusão surja amiúde nos rodapés dos telejornais onde, face à profusão de bacoradas, esta até passa despercebida. Mas ver uma pessoa que gosta tanto de se colar à imagem de "intelectual" a escrever erros deste calibre é... curioso.
Dada a generalização do analfabetismo cultural, já não estranho que tal confusão surja amiúde nos rodapés dos telejornais onde, face à profusão de bacoradas, esta até passa despercebida. Mas ver uma pessoa que gosta tanto de se colar à imagem de "intelectual" a escrever erros deste calibre é... curioso.
2008/10/06
Enjoy the silence!
2008/10/02
Um raio que os parta!
Sempre foi assim: aqueles que têm coragem para afirmar alto e bom som aquilo que todos pensam ou dizem em surdina, rapidamente são apodados dos mais diversos epítetos, normalmente por outros que sempre se remeteram ao confortável silêncio das lesmas, mas que aproveitam desde logo a oportunidade para se colocarem em bicos de pés.
Desta vez os protagonistas foram políticos. O CDS apresentou hoje um conjunto de iniciativas destinadas a combater a criminalidade, pegando precisamente naquilo que todos comentam mas ninguém assume: que é uma evidência que, cada vez mais, os crimes violentos de que todos ouvimos constantemente notícias, são praticados por cidadãos estrangeiros que, legal ou ilegalmente, se encontram a residir no nosso país.
É fácil perceber que, com problemas de desemprego, fronteiras abertas e atitudes culturais substancialmente diferentes, nomeadamente no que toca à violência, se torna mais natural para um desenraizado enveredar pelo crime, do que para um nativo. Não quero com isto dizer que não haja portugueses que sejam párias da pior espécie, ou que não existam imigrantes honestos e empreendedores - mas, precisamente para separar as águas, é essencial que algumas das medidas hoje propostas, como a possibilidade de expulsão liminar do país de todos os cidadãos estrangeiros condenados por um crime ou a retirada do Rendimento Social de Inserção a beneficiários (neste caso portugueses ou não) condenados pela prática de crimes como “roubo ou tráfico de droga” se tornem urgentemente efectivas. A mensagem subliminar é simples: quem vier por bem, é bem vindo, mas quem vier com má intenção não é cá desejado.
O outro protagonista da história, o crítico militante, é o palavroso Bloco de Esquerda que, de tão prolixo, pouco tempo acaba por ter para actos. Luís Fazenda acusou desde logo o CDS de "xenofobia" e de "instigar ao ódio social". A mim pouco se me importa que levem o carro do Sr. Fazenda num semáforo ou que assaltem a casa do Sr. Louçã. O que me preocupa, e o que deve preocupar a maior parte dos portugueses, é o clima de insegurança que se começa a viver, e o país que eu quero deixar aos meus fihos. Mas o que preocupa o folclórico Bloco é perceber precisamente isso: que, face aos factos, os portugueses estão pouco disponíveis para divagações poéticas sobre vidas em harmonia com os que são diferentes. E, ou todos estes imigrantes que nos entopem a segurança social (o primeiro local que eles descobrem em Portugal) para requerer subsídios diversos, enquanto trabalham clandestinamente noutras áreas - muitas vezes sem ter sequer o pudor de o disfarçar - ou todos eles, dizia, arrepiam caminho e assumem a atitude educada de respeitar quem os acolhe, ou, pelo menos aqueles que não derem sinais de um mínimo de postura, poderão ir recambiados rapidamente para os seus países, de onde nunca deviam ter saído.
Xenófobo, eu? Só com quem não me respeita. Não será afinal a xenofobia segregar pessoas de diferentes nacionalidades? E o que fazem, no fim de contas, esses imigrantes que assaltam e matam portugueses sem escrúpulos? Quem será mais xenófobo?
Desta vez os protagonistas foram políticos. O CDS apresentou hoje um conjunto de iniciativas destinadas a combater a criminalidade, pegando precisamente naquilo que todos comentam mas ninguém assume: que é uma evidência que, cada vez mais, os crimes violentos de que todos ouvimos constantemente notícias, são praticados por cidadãos estrangeiros que, legal ou ilegalmente, se encontram a residir no nosso país.
É fácil perceber que, com problemas de desemprego, fronteiras abertas e atitudes culturais substancialmente diferentes, nomeadamente no que toca à violência, se torna mais natural para um desenraizado enveredar pelo crime, do que para um nativo. Não quero com isto dizer que não haja portugueses que sejam párias da pior espécie, ou que não existam imigrantes honestos e empreendedores - mas, precisamente para separar as águas, é essencial que algumas das medidas hoje propostas, como a possibilidade de expulsão liminar do país de todos os cidadãos estrangeiros condenados por um crime ou a retirada do Rendimento Social de Inserção a beneficiários (neste caso portugueses ou não) condenados pela prática de crimes como “roubo ou tráfico de droga” se tornem urgentemente efectivas. A mensagem subliminar é simples: quem vier por bem, é bem vindo, mas quem vier com má intenção não é cá desejado.
O outro protagonista da história, o crítico militante, é o palavroso Bloco de Esquerda que, de tão prolixo, pouco tempo acaba por ter para actos. Luís Fazenda acusou desde logo o CDS de "xenofobia" e de "instigar ao ódio social". A mim pouco se me importa que levem o carro do Sr. Fazenda num semáforo ou que assaltem a casa do Sr. Louçã. O que me preocupa, e o que deve preocupar a maior parte dos portugueses, é o clima de insegurança que se começa a viver, e o país que eu quero deixar aos meus fihos. Mas o que preocupa o folclórico Bloco é perceber precisamente isso: que, face aos factos, os portugueses estão pouco disponíveis para divagações poéticas sobre vidas em harmonia com os que são diferentes. E, ou todos estes imigrantes que nos entopem a segurança social (o primeiro local que eles descobrem em Portugal) para requerer subsídios diversos, enquanto trabalham clandestinamente noutras áreas - muitas vezes sem ter sequer o pudor de o disfarçar - ou todos eles, dizia, arrepiam caminho e assumem a atitude educada de respeitar quem os acolhe, ou, pelo menos aqueles que não derem sinais de um mínimo de postura, poderão ir recambiados rapidamente para os seus países, de onde nunca deviam ter saído.
Xenófobo, eu? Só com quem não me respeita. Não será afinal a xenofobia segregar pessoas de diferentes nacionalidades? E o que fazem, no fim de contas, esses imigrantes que assaltam e matam portugueses sem escrúpulos? Quem será mais xenófobo?
2008/09/30
Mais valia terem ficado em casa!
Na sequência do último post: será que a energia se gastou toda no aeroporto, ainda em Portugal?
Mas pronto, aqui está a prova de que existe uma espécie de justiça divina. O Porto, se houvesse justiça e seriedade, não deveria sequer ter posto os pés na Champion's. Fizeram os números do costume para conseguir furar sistemas e atingir, por meios obscuros, o que a legalidade não lhes permitia, mas para quê? Para fazerem estas figuras tristes?
Mas pronto, aqui está a prova de que existe uma espécie de justiça divina. O Porto, se houvesse justiça e seriedade, não deveria sequer ter posto os pés na Champion's. Fizeram os números do costume para conseguir furar sistemas e atingir, por meios obscuros, o que a legalidade não lhes permitia, mas para quê? Para fazerem estas figuras tristes?
2008/09/29
Ser portista
Cristian Rodriguez, o mais recente Judas do futebol português, aprendeu rapidamente os rudimentos do que é ser portista: a um jovem, provavelmente benfiquista (não é relevante, até porque eu próprio não o sou), que no Aeroporto Francisco Sá Carneiro lhe chamou "traidor", respondeu com o argumento dos burros: agredindo-o.
Profissional e digno, na senda de Bruno Alves, esse modelo de fair play que, na última temporada, nem sequer viu cartões amarelos...
Profissional e digno, na senda de Bruno Alves, esse modelo de fair play que, na última temporada, nem sequer viu cartões amarelos...
Embirrações de estimação
Duas, logo para começar a série:
Alarves que se riem das próprias piadas, principalmente quando estas são cretinas e sem graça, como no caso, por exemplo, de José Carlos Malato.
Condomínios, condóminos e sucedâneos; o meu tirocínio nesta área, em pequenos prédios de província, não me poderia preparar nunca para o que viria encontrar num edifício com dois dígitos de fogos, ás portas ocidentais de Lisboa. Gente sem vida própria, que faz da manutenção dos elevadores ou da substituição das caixas de correio a missão de uma vida, como se daí dependesse a retoma económica dos Estados Unidos ou a sentença do caso Casa Pia. Gentinha com vidas pequeninas, normalmente reformados com saudades das mangas de alpaca e burocracias subsequentes, que acham que o facto de terem vislumbrado uma barata no átrio do prédio ou terem detectado um jantar de adolescentes (não autorizado formalmente) no terraço do prédio é motivo mais que suficiente para tocarem à campainha de um desgraçado às oito e meia, nada se compadecendo com o facto de, consabidamente, nos estarem a interromper o jantar. Uma história de terror.
Alarves que se riem das próprias piadas, principalmente quando estas são cretinas e sem graça, como no caso, por exemplo, de José Carlos Malato.
Condomínios, condóminos e sucedâneos; o meu tirocínio nesta área, em pequenos prédios de província, não me poderia preparar nunca para o que viria encontrar num edifício com dois dígitos de fogos, ás portas ocidentais de Lisboa. Gente sem vida própria, que faz da manutenção dos elevadores ou da substituição das caixas de correio a missão de uma vida, como se daí dependesse a retoma económica dos Estados Unidos ou a sentença do caso Casa Pia. Gentinha com vidas pequeninas, normalmente reformados com saudades das mangas de alpaca e burocracias subsequentes, que acham que o facto de terem vislumbrado uma barata no átrio do prédio ou terem detectado um jantar de adolescentes (não autorizado formalmente) no terraço do prédio é motivo mais que suficiente para tocarem à campainha de um desgraçado às oito e meia, nada se compadecendo com o facto de, consabidamente, nos estarem a interromper o jantar. Uma história de terror.
2008/09/28
1925-2008

Paul Newman morreu. Vi "The Sting" com 10 anos, e mudou para sempre a minha perspectiva sobre o cinema. Talvez tivesse sido o primeiro filme para adultos (no sentido intelectual) que vi - pelo menos é o primeiro de que guardo recordações. Paul Newman era também um homem dos automóveis. Com 70 anos, tornou-se no mais idosos piloto a vencer as 24 horas de Daytona. Depois de James Dean e Steve McQueen, acabou hoje a geração dos actores verdadeiros.
2008/09/15
Coisas simples
2008/09/14
O elefante e os burros
Enquanto os holofotes Europeus apenas se preocupavam com a luta entre democratas, e tudo o que nos aparecia na caixinha sobre as eleições americanas eram os avanços e recuos de Obama e Hillary, a esquerda lusa, com a companhia de alguns "modernos" (explicarei noutra altura quem são os "modernos", mas abaixo, no post "Sheep", já vai uma pista) regozijava-se. Pensavam que, por não terem informação sobre a candidatura Republicana, esta não existia - um pouco como a avestruz. Agora, passado o folclore, e quando se percebe que McCain tem tantas ou mais hipóteses reais de ser o próximo Presidente dos Estados Unidos do que Obama, o candidato preferido pelos apreciadores de telenovelas, a esquerda começa a mexer-se incomodada na cadeira. Os exemplos são muitos na blogosfera, e até na imprensa dita de referência, e agora não me apetece pesquisar, mas é sintomático que se ataque Sarah Palin em termos pessoais. A baixeza do método reflecte bem o desespero de causa.
2008/09/13
O som do cristal

É bem verdade que a beleza está nas coisas simples. Soará a snob, eu sei, mas já nem me importo, dizer que este é um cliché tão óbvio que se torna um enigma perceber por que razão a maioria das pessoas não o segue e disfruta. Em lugar disso preferem, na linha do que tenho vindo a dizer ultimamente, seguir ordeiramente por caminhos formatados, procurando produtos que não cansem os seus estafados neurónios. Só assim se percebe que se troquem horas e horas de mau cinema, em centros comerciais coloridos e estupidificantes, por aquelas duas horas e meia num cinema "de verdade", a ver, como num espelho, "Aquele querido mês de Agosto", de Miguel Gomes. Como já li algures, certamente o melhor filme português desde "Alice".
2008/09/12
Sheep, part 2

Por estes dias dizem-me que é praticamente "obrigatório" ir ver o concerto de Madonna - toda a gente vai, acrescentam-me. Triste, esta forma ordenada de ir onde nos mandam. Gastar dinheiro com música má, enlatada, quando há tanta coisa boa para se ver e ouvir por aí. Mas ainda bem que a maioria não se importa de ir, obedientemente, venerar um objecto de marketing - já os vejo com lágrimas nos olhos, como há uns anos, a dizer com ar de quem regressa de uma experiência esotérica, "foi o melhor concerto que vi na minha vida". Incomodar-me-ia, isso sim, se todos esses fãs de trash music aparecessem perto de mim a ver um concerto de Portishead ou de Kings of Convenience, por exemplo.
(Sim, lá em cima são duas imagens da mesma pessoa...)
2008/09/09
Sheep
Normalmente é mais fácil repetir o que se ouve, sem averiguar da sua veracidade, ou pelo menos da sua verosimilhança, do que tentar usar os neurónios e questionar o que nos é enfiado todos os dias pela cabeça. A vida dos nossos dias predispõe-nos para o ready made, sem sentimentos de culpa ou de qualquer outra espécie. A tendência não será tão antiga como a imagem que a ela associo, mas esta espécie de alienação voluntária leva-me sempre ao desenho animado de "Another brick in the wall", quando um maquiavélico professor harmoniza os pensamentos de alunos passando-os por um triturador de carne. Hoje são os alunos, toda a gente, que amavelmente se atira para o dito triturador, a fim de que alguém lhe faça o favor de formar uma opinião no seu lugar.
A ladaínha sobre Pedro Santana Lopes e as "trapalhadas" foi uma manobra de tal forma bem criada, que todo o rebanho continua a repetir o estribilho, ainda que nem uma pessoa consiga apontar, de forma objectiva, uma das ditas "trapalhadas". George W. Bush também se tornou uma presa fácil do anedotário internacional; duvido que alguém me consiga estruturar, mesmo que disponha de mais do que um dia para o fazer, uma razão para achar o Presidente Americano o incapaz que, no sábio entender das conversas de café das redacções, nem um café saberia tirar numa máquina - mas toda a gente usa e abusa da piada pronta a usar.
Agora vejo algumas agitações por movimentos internos no CDS: Paulo Portas não quis aceitar desde logo a demissão de Nobre Guedes, alguém fez a história sair para fora do partido e, como de costume, já temos o coro de carpideiras à porta a chorar - pela 830ª vez! - o "fim definitivo" do partido. Mas a questão que alguém com um mínimo do indispensável espírito crítico deveria colocar era a seguinte: mas a quem é que isto interessa a não ser aos militantes do partido? O que é que eu tenho a ver com a maneira como os responsáveis do restaurante onde vou escolhem o gerente ou os funcionários? O que é que me interessa a mim que os deputados do BE andem constantemente numa roda viva de substituições, sem que eu conheça os critérios para as mesmas? Quem é que escolhe, ou escolheu, o incontornável Louçã para ser o eterno presidente do partido, assim uma espécie de "querido líder"? E o que é que eu quero saber disso? E por que raio é que lhes interessa tanto o que se passa dentro do CDS?
Get a life!
P.S.: Obrigado aos Pink Floyd pelas duas inspirações para este post.
2008/09/08
2008/08/19
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