Fernanda Câncio publica, no seu blog (ou no blog em que escreve, para ser exacto), um post em que critica ferozmente Mário Crespo pela sua suposta falta de imparcialidade numa crónica publicada hoje, em que o jornalista desfia uma série de verdades - e que por acaso até está reproduzida aqui abaixo.
Mas, nessa réplica, Fernanda Câncio, que não faz declaração de interesse (talvez por a achar supérflua) para tal defesa da honra, nem possui, que se saiba, cargo directivo ou sequer cartão do PS, consegue ser bem mais parcial do que aquele que critica, o que não deixa de ser assinalável.
Neste universo socialista, de e para socialistas e seus protegidos, ficamos de novo a saber que a liberdade de opinião é coisa muito bonita, mas desde que devidamente controlada.
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2009/02/09
Chapeau!
Mário Crespo, nesta sua feliz ressurreição para o bom jornalismo (que tão de rastos anda nas mãos de Santos Silvas e outros ditadorzinhos de pacotilha), já nos tinha mostrado que a fasquia se encontra muito mais alta agora. Mas este texto é absolutamente sublime. Com a devida vénia, aqui fica:
"Está bem... façamos de conta
Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos."
"Está bem... façamos de conta
Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos."
2009/02/07
Sondagens em profundidade
É curioso perceber como a comunicação social institucionalizada, assim como todo o aparelho alinhado, manipula de forma aparentemente inócua a informação que nos chega. Numa sondagem recente da Eurosondagem (não encontrei link), a propósito do "caso Freeport", uma das hipóteses de resposta à questão que os inquiridores colocavam sobre o grau de envolvimento de Sócrates no assunto, era qualquer coisa como "Sócrates não tem culpa do que a família faz". Consegue-se assim, de forma tosca (mas pretensamente subtil), insinuar o duvidoso pressuposto de que tudo isto não passa de um problema de terceiros, a que o primeiro ministro é completamente alheio.
Aproveitando o ensejo, e nesta tendência laudatória e desculpabilizante, gostaria desde já de deixar à Eurosondagem sugestões de perguntas para próximas inquiriçoes:
- Acha que o nosso competentíssimo primeiro ministro tem alguma culpa das asneiras que fazem os seus ministros?
- Com que percentagem de votos é que acha que Sócrates vai conquistar a próxima maioria absoluta?
- Considera o desempenho do nosso primeiro ministro: a) Excelente, b) Excepcional, c) Brilhante.
Aproveitando o ensejo, e nesta tendência laudatória e desculpabilizante, gostaria desde já de deixar à Eurosondagem sugestões de perguntas para próximas inquiriçoes:
- Acha que o nosso competentíssimo primeiro ministro tem alguma culpa das asneiras que fazem os seus ministros?
- Com que percentagem de votos é que acha que Sócrates vai conquistar a próxima maioria absoluta?
- Considera o desempenho do nosso primeiro ministro: a) Excelente, b) Excepcional, c) Brilhante.
2009/02/05
Quantos são, quantos são?
Vital Moreira, para quem não sabe, é aquela figura que se tem desdobrado na defesa de Sócrates neste caso Freeport, mais até do que o próprio, se tal é possível. A genuina raiva que VM nutre por quem quer que seja que lhe tente atingir o impoluto líder, leva-o a escrever pérolas como esta: "Manuel Pedro, associado da Smith & Pedro, em comunicado enviado à Lusa, afirma que nunca procedeu a «pagamentos ilícitos» e que a única vez que se encontrou com Sócrates foi no Ministério do Ambiente numa reunião pedida pela autarquia de Alcochete. Ficam assim categoricamente desmentidas pelos próprios as suspeitas de reuniões "clandestinas" e de pagamento de "luvas" (o mesmo desmentido já tinha sido feito por Charles Smith)". O itálico é citado de outro lado, mas o rosa (não foi de propósito...), incluindo o bold, é do próprio que, na sua ingenuidade, aguarda ainda que os criminosos ou suspeitos emitam comunicados "categóricos" a assumir o seu envolvimento em ilícitos.
No entanto, VM, apesar da lealdade apenas comparável à do ministro iraquiano da propaganda de há uns anos, também é humano, e certamente a sua tensão arterial não lhe permitirá passar 24 sobre 24 horas a escrever posts chamados "Freeport número não sei quantos" - e, nesses intervalos, preocupa-se solidariamente com acontecimentos fortuitos que possam prejudicar outros percursos, como o cruzamento com Sócrates tem prejudicado o seu.
Mas, com o devido respeito pelo seu estado de nervos actual, que se deve afigurar calamitoso, não lhe ocorrerá que há coisas que dirão respeito a outros e não a si - ainda que lhe fique bem a preocupação?
No entanto, VM, apesar da lealdade apenas comparável à do ministro iraquiano da propaganda de há uns anos, também é humano, e certamente a sua tensão arterial não lhe permitirá passar 24 sobre 24 horas a escrever posts chamados "Freeport número não sei quantos" - e, nesses intervalos, preocupa-se solidariamente com acontecimentos fortuitos que possam prejudicar outros percursos, como o cruzamento com Sócrates tem prejudicado o seu.
Mas, com o devido respeito pelo seu estado de nervos actual, que se deve afigurar calamitoso, não lhe ocorrerá que há coisas que dirão respeito a outros e não a si - ainda que lhe fique bem a preocupação?
2009/02/01
Termómetro
Na sua edição de ontem, o "Semanário Económico" apresenta os resultados de uma nova sondagem de opinião relativa às eleições que terão local este ano. Como são forretas, no link para a notícia não incluiram os resultados da dita auscultação, para obrigar os curiosos a comprar o jornal, mas o "Margens de Erro" fez-nos o favor de transcrever o que lá vem escrito, que reproduzimos com a devida vénia:
PS: 39,6%
PSD: 24,9%
CDU: 11,9%
BE: 10,1%
CDS-PP: 9,7%
Três notas breves sobre o assunto, uma específica e duas genéricas, se bem que todas factuais e não subjectivas:
1. Como bem nota o autor do post linkado, o trabalho de inquirição terminou a 23 de Janeiro, pelo que não poderá reflectir o evidente decréscimo de confiança, justo ou injusto, que o "caso Freeport" e as "forças ocultas" trouxeram ao primeiro ministro e, por arrastamento, ao seu governo;
2. Desde sempre que nas sondagens o BE surge com uma simpática votação, que em muitos casos lhe dá a terceira posição nas preferências dos eleitores, mas nunca, na sua curta carreira, atingiu melhor que o quinto lugar em eleições - sempre a considerável distância do quarto, normalmente menos de metade;
3. Ao invés, o CDS é normalmente "massacrado" nas sondagens, onde amiúde surge com votações residuais de 2 ou 3%, para gáudio do exército de carpideiras que salivam com este tipo de exercícios. Contudo, e felizmente, na realidade o partido oscila entre o terceiro e o quarto lugares no escalonamento das forças políticas em Portugal, e obtém sistematicamente votações bastante superiores às sondagens - em alguns casos, como recentemente nos Açores, quase o triplo do anunciado. E não me lembro de uma única ocasião em que o resultado efectivo do partido tenha sido inferior a qualquer sondagem que tenha visto antes.
PS: 39,6%
PSD: 24,9%
CDU: 11,9%
BE: 10,1%
CDS-PP: 9,7%
Três notas breves sobre o assunto, uma específica e duas genéricas, se bem que todas factuais e não subjectivas:
1. Como bem nota o autor do post linkado, o trabalho de inquirição terminou a 23 de Janeiro, pelo que não poderá reflectir o evidente decréscimo de confiança, justo ou injusto, que o "caso Freeport" e as "forças ocultas" trouxeram ao primeiro ministro e, por arrastamento, ao seu governo;
2. Desde sempre que nas sondagens o BE surge com uma simpática votação, que em muitos casos lhe dá a terceira posição nas preferências dos eleitores, mas nunca, na sua curta carreira, atingiu melhor que o quinto lugar em eleições - sempre a considerável distância do quarto, normalmente menos de metade;
3. Ao invés, o CDS é normalmente "massacrado" nas sondagens, onde amiúde surge com votações residuais de 2 ou 3%, para gáudio do exército de carpideiras que salivam com este tipo de exercícios. Contudo, e felizmente, na realidade o partido oscila entre o terceiro e o quarto lugares no escalonamento das forças políticas em Portugal, e obtém sistematicamente votações bastante superiores às sondagens - em alguns casos, como recentemente nos Açores, quase o triplo do anunciado. E não me lembro de uma única ocasião em que o resultado efectivo do partido tenha sido inferior a qualquer sondagem que tenha visto antes.
2009/01/28
E a Deborah assinou?
A comissão independente que avaliou a invulgar celeridade com que foram deferidos os projectos assinados pelo "engenheiro" Sócrates na Câmara da Guarda, alguns nuns fantásticos três dias, concluiu que tal não constitui novidade nem excepção nos procedimentos habituais daquela autarquia e, pelos vistos, na amostragem de dezoito processos que consultou, encontrou até algumas situações idênticas. Só eu, que assinei (e fiz, de facto) incontáveis projectos para Câmaras Municipais, nunca tive a felicidade de esperar menos de um mês, mesmo que se tratasse do mais insignificante projecto de alterações - mas, em contrapartida, em vários casos esperei mais de um ano.
Terá esta investigação sido também feita seguindo a "metodologia da OCDE"?
Terá esta investigação sido também feita seguindo a "metodologia da OCDE"?
2009/01/24
Sinais de desespero socialista ou "Fuga, Parte II"
1. Sócrates, ao ser confrontado com os óbvios indícios de irregularidades no caso Freeport, que agora voltam à baila, achou que o mais importante a destacar era o facto de o aparecimento de novos dados suceder normalmente em anos eleitorais. Das duas uma: ou acha que a sua oposição manipula o Ministério Público, ou acha que este é oposição ao PS. Uma e outra a raiar a paranóia, diga-se de passagem.
2. Ontem foi novamente votado na Assembleia da República um projecto de Decreto-Lei apresentado pelo CDS visando a suspensão do actual sistema de avaliação de professores, e a sua substituição por um modelo mais justo. O PS, que quando todos olham para a lua prefere olhar para o dedo que aponta, achou que a congregação de esforços de toda a oposição, e até de alguns deputados seus, em defesa desta proposta, constituia uma estranha aliança contra o governo. Ou seja, pouco lhes importou o conteúdo da coisa, mas sim a forma. Como se fosse verosímil esperar que o BE ou o PCP votassem ao lado do CDS apenas para fazer o jeito a este último, mesmo que não acreditassem ou concordassem com a matéria da votação.
O último de que nos lembramos assim, começou por ver fantasmas - que por acaso até lhe dava jeito ver - e acabou por se "refugiar" na ONU.
2. Ontem foi novamente votado na Assembleia da República um projecto de Decreto-Lei apresentado pelo CDS visando a suspensão do actual sistema de avaliação de professores, e a sua substituição por um modelo mais justo. O PS, que quando todos olham para a lua prefere olhar para o dedo que aponta, achou que a congregação de esforços de toda a oposição, e até de alguns deputados seus, em defesa desta proposta, constituia uma estranha aliança contra o governo. Ou seja, pouco lhes importou o conteúdo da coisa, mas sim a forma. Como se fosse verosímil esperar que o BE ou o PCP votassem ao lado do CDS apenas para fazer o jeito a este último, mesmo que não acreditassem ou concordassem com a matéria da votação.
O último de que nos lembramos assim, começou por ver fantasmas - que por acaso até lhe dava jeito ver - e acabou por se "refugiar" na ONU.
2009/01/21
Crise de imaginação
A Standard & Poor's é, provavelmente, a mais importante empresa de rating a nível mundial, o que, contudo, não é suficente para a transformar necessariamente numa instituição fiável, como infelizmente os seus graves falhanços têm vindo a demonstrar pelo mundo fora. Não obstante, é a agência que temos, e é a que avalia a performance das diversas economias espalhadas pelo globo.
Foi essa mesma Standard & Poor's que decidiu hoje aumentar o nível de risco Português de AA- para A+, concedendo mais uma machadada à nossa imagem internacional. Na prática isto significa que, da próxima vez que Sócrates e a sua comitiva forem tentar angariar um empréstimozito lá fora, no intervalo dos mediáticos joggings e das calinadas de "Piño & Lino", o seu interlocutor consultará a avaliação de risco disponível, e far-lhe-á a cara do tipo do banco quando lá vamos pedir mais um empréstimo para um aspirador especial de corrida, e o monitor mostra que ainda lá se encontram por pagar as prestações da viagem ao Brasil, do plasma que ocupa uma parede da sala ou do leasing do BMW.
Interessante, no entanto, é ouvir a naturalidade com que o Governo, pela boca de Teixeira dos Santos, explica tudo com esta crise de tão largas costas. Só falta explicar por que razão, se é de uma crise internacional que se trata, apenas Portugal e mais dois países foram penalizados, e apenas um país europeu, a Grécia, apresenta um rating inferior ao nosso. A crise, pelos vistos, não é para todos.
Foi essa mesma Standard & Poor's que decidiu hoje aumentar o nível de risco Português de AA- para A+, concedendo mais uma machadada à nossa imagem internacional. Na prática isto significa que, da próxima vez que Sócrates e a sua comitiva forem tentar angariar um empréstimozito lá fora, no intervalo dos mediáticos joggings e das calinadas de "Piño & Lino", o seu interlocutor consultará a avaliação de risco disponível, e far-lhe-á a cara do tipo do banco quando lá vamos pedir mais um empréstimo para um aspirador especial de corrida, e o monitor mostra que ainda lá se encontram por pagar as prestações da viagem ao Brasil, do plasma que ocupa uma parede da sala ou do leasing do BMW.
Interessante, no entanto, é ouvir a naturalidade com que o Governo, pela boca de Teixeira dos Santos, explica tudo com esta crise de tão largas costas. Só falta explicar por que razão, se é de uma crise internacional que se trata, apenas Portugal e mais dois países foram penalizados, e apenas um país europeu, a Grécia, apresenta um rating inferior ao nosso. A crise, pelos vistos, não é para todos.
Donde saíu este cromo?
José Saramago, um dos espanhóis que melhor domina a língua portuguesa, manifestou, no seu blog, perplexidade por Obama ser "uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida". A minha perplexidade é outra mas decorre dessa: mas qual será o político, seja de que quadrante for, que não invoca estes valores ao falar em público? Onde é que está a novidade? Até Hitler deve ter defendido a memória dos seus antecessores.
Até quando vai durar a adoração? Pouco faltará para vermos debates empolgados sobre o que Obama jantou, a marca de pasta de dentes que usa ou, ainda mais transcendente, o número que calça - e tudo isso passarão a ser novas referências mundiais, provindas que são do messias.
Até quando vai durar a adoração? Pouco faltará para vermos debates empolgados sobre o que Obama jantou, a marca de pasta de dentes que usa ou, ainda mais transcendente, o número que calça - e tudo isso passarão a ser novas referências mundiais, provindas que são do messias.
2009/01/20
Histeria
A crer na enjoativa irracionalidade que contagiou meio mundo relativamente à eleição de Obama, espero bem que amanhã, quando me levantar, já tenha acabado a fome em África, que o messias já tenha deixado cair a dívida, que alguém já tenha tapado o buraco da camada de ozono, e que os soldados americanos no Afeganistão e Iraque já tenham sido chamados de volta. En passant, não me admirarei também se a América, com o seu potencial bélico, expulsar amanhã os israelitas do seu país, que os palestinianos há tanto cobiçam - tanto que não hesitam em matar os seus filhos! - de forma a que estes pacíficos e razoáveis palestinianos, vítimas de uma perseguição injusta que apenas o HAMAS combate, possam finalmente viver em paz, sem ouvir a palavra "judeu".
O estado de demência que assola metade da população mundial lembra-me aqueles transes colectivos das plateias frente a um "pastor" brasileiro, que lhes vai curar todas as maleitas - mas para pior.
Como ouvi hoje, não deixa de ser curioso notar que esta esquerda sem rumo nem coerência que por aqui passeia o seu folclore, sempre condenou a influência dos Estados Unidos nos restantes países mundiais, mas agora, babados que estão com a chegada do seu salvador, já acham que ele traz no saco de golf as soluções para todo o mundo.
Lavem a cara, vejam-se ao espelho, ganhem juízo!
2008/12/16
Coerência
Uma das coisas mais tristes e deploráveis de observar nesta triste figura dos deputados que passam a independentes, como já se viu com a patética saga de Luísa Mesquita, e agora se pode observar com José Paulo Carvalho no CDS, é que todos tomam a decisão, auto-proclamada de corajosa e frontal (leiam-se as tiradas tragicómicas de Carvalho sobre as "conversas olhos nos olhos com Portas"), de pedirem a sua demissão, mas não são minimamente consequentes com essa suposta rectidão de carácter na hora de tomarem a única decisão decente que podiam tomar a seguir: renunciar ao cargo de deputados!
Nada disso; sabem-lhes muito bem os Euros garantidos no fim do mês, a imunidade, as mordomias. E assim mandam às malvas a vergonha e a decência e continuam a baixar - ainda mais - a perspectiva que o povo tem da política e dos políticos, se bem que aqui se possa reconhecer um módico de razão a quem os acha uns interesseiros sem princípios.
Eu, pessoalmente, não votei no Sr. José Paulo Carvalho, mas sim nas ideias do partido que ele, até hoje, representava. Se ele já não representa esse partido, e consequentemente as suas ideias, eu não me encontro na disposição de lhe sustentar a gula e a ambição pessoal, e penso que comigo qualquer pessoa que também tenha votado num modelo de política, e não numa qualquer vontade de protagonismo bacoco pessoal!
Nada disso; sabem-lhes muito bem os Euros garantidos no fim do mês, a imunidade, as mordomias. E assim mandam às malvas a vergonha e a decência e continuam a baixar - ainda mais - a perspectiva que o povo tem da política e dos políticos, se bem que aqui se possa reconhecer um módico de razão a quem os acha uns interesseiros sem princípios.
Eu, pessoalmente, não votei no Sr. José Paulo Carvalho, mas sim nas ideias do partido que ele, até hoje, representava. Se ele já não representa esse partido, e consequentemente as suas ideias, eu não me encontro na disposição de lhe sustentar a gula e a ambição pessoal, e penso que comigo qualquer pessoa que também tenha votado num modelo de política, e não numa qualquer vontade de protagonismo bacoco pessoal!
2008/12/12
Os equivocados da política
Já há dias falei dos "salta-pocinhas" da política, sempre prontos a renegar princípios por trinta dinheiros, e falo agora de outra espécie que, se bem que não ostente tão vergonhoso comportamento, também me deixa especialmente confuso: falo desta gente, como Manuel Alegre, Pacheco Pereira ou Marcelo Rebelo de Sousa, que são militantes de determinados partidos, mas não perdem uma oportunidade de atacar os mesmos - e, com a honrosa excepção de entre os citados de Manuel Alegre, na hora de poderem avançar e demonstrar a valia das suas opiniões, preferem assobiar para o lado, mantendo confortável silêncio e indisponibilidade, a raiar a cobardia do cão que ladra mas foge a sete pés quando enxotado.
Que diabo, a mim não me incomoda nada que cada qual tenha a ideia política que muito bem entender, e até entendo que seria desejável que toda a gente tivesse a sua; o que me confunde são estes comportamentos esquizofrénicos de se pertencer a um partido e defender sistematicamente ideias de outros.
Que diabo, a mim não me incomoda nada que cada qual tenha a ideia política que muito bem entender, e até entendo que seria desejável que toda a gente tivesse a sua; o que me confunde são estes comportamentos esquizofrénicos de se pertencer a um partido e defender sistematicamente ideias de outros.
2008/12/08
O homem que ia mudar o mundo!
«Sou a favor de uma lei de bom senso sobre a segurança relativa às armas, e sou a favor da segunda emenda», disse Obama, em conferência de imprensa.
«Por conseguinte, os proprietários de armas em regra não têm nada a temer», acrescentou.
Ainda bem que este homem não é, como Sarah Palin, a favor da posse de armas por particulares. Olha se fosse...
Posso providenciar talvez alguma mayonnaise para ajudar a engolir este primeiro sapo, se precisarem, mas parece-me melhor começarem a preparar-se: este homem é um americano como os outros, não é o vosso messias - e a fome vai continuar em África, o tratado de Quioto vai continuar por assinar, os Marines vão continuar a intervir (apenas) onde cheire a petróleo e o buraco de ozono não vai diminuir.
Curioso e sintomático é verificar que esta notícia aparece envergonhada num rodapé da televisão, e depois passo quase uma hora a fazer buscas para encontrar alguma confirmação que me permita o link. A esquerdalha das redacções, tão manipuladora como manipulada, assobia agora para o lado, envergonhada depois das loas que teceu, em rebanho, ao homem. E escamoteiam, vergonhosamente, as notícias que não lhe interessam. Maus hábitos propagandísticos de uma classe que já pouco pugna pela dignidade...
«Por conseguinte, os proprietários de armas em regra não têm nada a temer», acrescentou.
Ainda bem que este homem não é, como Sarah Palin, a favor da posse de armas por particulares. Olha se fosse...
Posso providenciar talvez alguma mayonnaise para ajudar a engolir este primeiro sapo, se precisarem, mas parece-me melhor começarem a preparar-se: este homem é um americano como os outros, não é o vosso messias - e a fome vai continuar em África, o tratado de Quioto vai continuar por assinar, os Marines vão continuar a intervir (apenas) onde cheire a petróleo e o buraco de ozono não vai diminuir.
Curioso e sintomático é verificar que esta notícia aparece envergonhada num rodapé da televisão, e depois passo quase uma hora a fazer buscas para encontrar alguma confirmação que me permita o link. A esquerdalha das redacções, tão manipuladora como manipulada, assobia agora para o lado, envergonhada depois das loas que teceu, em rebanho, ao homem. E escamoteiam, vergonhosamente, as notícias que não lhe interessam. Maus hábitos propagandísticos de uma classe que já pouco pugna pela dignidade...
2008/11/29
Quanto valem os princípios?
A patética e triste saga recente de José Sá Fernandes, renegando quem lhe proporcionou o ambicionado tacho, numa sabuja busca das migalhas que o PS lhe possa dar e prometer, prestar-se-ia facilmente a várias graçolas e picardias para chatear os bloquistas, mas o nível do protagonista provoca-me um tão forte nó no estômago que se me vai a vontade de brincar.
Sempre me chocou a falta de carácter de quem abandona um partido num dia, e no dia seguinte (às vezes até no mesmo) já diz cobras e lagartos de quem até há pouco tempo o acolhia e lhe dava benefícios objectivos. Zita Seabra, Freitas do Amaral, Helena Roseta ou, mais recentemente, José Miguel Júdice ou Maria José Nogueira Pinto ilustram bem a falta de princípios a que me refiro. Pessoas que não guardam sequer o nojo da viuvez recente, e já dançam em cima do caixão antes do enterro, sem perceberem que a imagem que anda pela lama não é a do partido que largam, mas sim a sua, de oportunistas sem escrúpulos.
Sá Fernandes não merece, pela sua ínfima importância e competência, o espaço destas linhas, mas serve bem para mostrar, de novo, que nem toda a gente está disposta a manter a dignidade de olhar todos de frente, desde que lhes acenem com a mais raquítica cenoura.
Neste quadro triste e deprimente, também não sai nada bem o PS; como o abutre, aproveita necrofagamente as excrescências doutros partidos, sem sinais de pudor ou problemas de consciência, o que, no entanto, e tratando-se de socialistas, já dificilmente surpreende alguém.
Sempre me chocou a falta de carácter de quem abandona um partido num dia, e no dia seguinte (às vezes até no mesmo) já diz cobras e lagartos de quem até há pouco tempo o acolhia e lhe dava benefícios objectivos. Zita Seabra, Freitas do Amaral, Helena Roseta ou, mais recentemente, José Miguel Júdice ou Maria José Nogueira Pinto ilustram bem a falta de princípios a que me refiro. Pessoas que não guardam sequer o nojo da viuvez recente, e já dançam em cima do caixão antes do enterro, sem perceberem que a imagem que anda pela lama não é a do partido que largam, mas sim a sua, de oportunistas sem escrúpulos.
Sá Fernandes não merece, pela sua ínfima importância e competência, o espaço destas linhas, mas serve bem para mostrar, de novo, que nem toda a gente está disposta a manter a dignidade de olhar todos de frente, desde que lhes acenem com a mais raquítica cenoura.
Neste quadro triste e deprimente, também não sai nada bem o PS; como o abutre, aproveita necrofagamente as excrescências doutros partidos, sem sinais de pudor ou problemas de consciência, o que, no entanto, e tratando-se de socialistas, já dificilmente surpreende alguém.
2008/11/04
O Monopólio das Causas
Paulo Tunhas, no Atlântico, diz que é "a costela de esquerda" que o leva a simpatizar com um candidato "preto". À primeira vista a ideia iconoclasta até parece bem atribuída: normalmente, por vício, atribui-se à esquerda o exclusivo da defesa das minorias - e, se bem que a raça negra não seja propriamente uma minoria, o seu acesso a lugares de destaque continua a ser demasiado escasso.
A mesma coisa com a homossexualidade; a esquerda considera-se assim uma espécie de patriarca compreensivo, que alberga no seu regaço todos os comportamentos que, desejavelmente, seriam alvo de crítica pela direita, conservadora e intolerante. O problema está no pressuposto que a esquerda quer, falaciosamente, impingir: a verdade é que a direita não condena comportamentos, não distingue raças e, apesar de maioritariamente cristã, continua a ser tolerante com todas as religiões, pelo menos com os seus representantes que não apresentem instintos bélicos.
Por isso é que a esquerda fica desorientada quando percebe a grandeza do gesto de Stefan Petzner, que ao herdar a liderança de um dos maiores partidos de direita (não direi extrema-direita porque tal me obrigaria a chamar extremistas de esquerda ao BE, por exemplo) da Europa, assume a sua homossexualidade e a sua paixão pelo líder falecido, Jorg Haider. E, esquecendo-se da dignidade que aparenta quando fala dos seus "grupos de trabalho", logo desata numa chacota pegada sobre o assunto. Do tipo: uma relação homossexual só é digna e respeitável se se verificar entre duas pessoas de esquerda - se for entre dois "fascistas" já é paneleirice.
E ninguém lembra já Pim Fortuyn, assumidamente gay, assumidamente de direita, e não completamente branco, que foi assassinado em 2002 por Volkert Van Der Graaf, um activista de esquerda radical.
As causas dão muito jeito quando as conseguimos tomar como nossas, mas há sempre uns chatos inconvenientes dispostos a mostrar que não existe exclusividade para o pensamento.
A mesma coisa com a homossexualidade; a esquerda considera-se assim uma espécie de patriarca compreensivo, que alberga no seu regaço todos os comportamentos que, desejavelmente, seriam alvo de crítica pela direita, conservadora e intolerante. O problema está no pressuposto que a esquerda quer, falaciosamente, impingir: a verdade é que a direita não condena comportamentos, não distingue raças e, apesar de maioritariamente cristã, continua a ser tolerante com todas as religiões, pelo menos com os seus representantes que não apresentem instintos bélicos.
Por isso é que a esquerda fica desorientada quando percebe a grandeza do gesto de Stefan Petzner, que ao herdar a liderança de um dos maiores partidos de direita (não direi extrema-direita porque tal me obrigaria a chamar extremistas de esquerda ao BE, por exemplo) da Europa, assume a sua homossexualidade e a sua paixão pelo líder falecido, Jorg Haider. E, esquecendo-se da dignidade que aparenta quando fala dos seus "grupos de trabalho", logo desata numa chacota pegada sobre o assunto. Do tipo: uma relação homossexual só é digna e respeitável se se verificar entre duas pessoas de esquerda - se for entre dois "fascistas" já é paneleirice.
E ninguém lembra já Pim Fortuyn, assumidamente gay, assumidamente de direita, e não completamente branco, que foi assassinado em 2002 por Volkert Van Der Graaf, um activista de esquerda radical.
As causas dão muito jeito quando as conseguimos tomar como nossas, mas há sempre uns chatos inconvenientes dispostos a mostrar que não existe exclusividade para o pensamento.
2008/10/02
Um raio que os parta!
Sempre foi assim: aqueles que têm coragem para afirmar alto e bom som aquilo que todos pensam ou dizem em surdina, rapidamente são apodados dos mais diversos epítetos, normalmente por outros que sempre se remeteram ao confortável silêncio das lesmas, mas que aproveitam desde logo a oportunidade para se colocarem em bicos de pés.
Desta vez os protagonistas foram políticos. O CDS apresentou hoje um conjunto de iniciativas destinadas a combater a criminalidade, pegando precisamente naquilo que todos comentam mas ninguém assume: que é uma evidência que, cada vez mais, os crimes violentos de que todos ouvimos constantemente notícias, são praticados por cidadãos estrangeiros que, legal ou ilegalmente, se encontram a residir no nosso país.
É fácil perceber que, com problemas de desemprego, fronteiras abertas e atitudes culturais substancialmente diferentes, nomeadamente no que toca à violência, se torna mais natural para um desenraizado enveredar pelo crime, do que para um nativo. Não quero com isto dizer que não haja portugueses que sejam párias da pior espécie, ou que não existam imigrantes honestos e empreendedores - mas, precisamente para separar as águas, é essencial que algumas das medidas hoje propostas, como a possibilidade de expulsão liminar do país de todos os cidadãos estrangeiros condenados por um crime ou a retirada do Rendimento Social de Inserção a beneficiários (neste caso portugueses ou não) condenados pela prática de crimes como “roubo ou tráfico de droga” se tornem urgentemente efectivas. A mensagem subliminar é simples: quem vier por bem, é bem vindo, mas quem vier com má intenção não é cá desejado.
O outro protagonista da história, o crítico militante, é o palavroso Bloco de Esquerda que, de tão prolixo, pouco tempo acaba por ter para actos. Luís Fazenda acusou desde logo o CDS de "xenofobia" e de "instigar ao ódio social". A mim pouco se me importa que levem o carro do Sr. Fazenda num semáforo ou que assaltem a casa do Sr. Louçã. O que me preocupa, e o que deve preocupar a maior parte dos portugueses, é o clima de insegurança que se começa a viver, e o país que eu quero deixar aos meus fihos. Mas o que preocupa o folclórico Bloco é perceber precisamente isso: que, face aos factos, os portugueses estão pouco disponíveis para divagações poéticas sobre vidas em harmonia com os que são diferentes. E, ou todos estes imigrantes que nos entopem a segurança social (o primeiro local que eles descobrem em Portugal) para requerer subsídios diversos, enquanto trabalham clandestinamente noutras áreas - muitas vezes sem ter sequer o pudor de o disfarçar - ou todos eles, dizia, arrepiam caminho e assumem a atitude educada de respeitar quem os acolhe, ou, pelo menos aqueles que não derem sinais de um mínimo de postura, poderão ir recambiados rapidamente para os seus países, de onde nunca deviam ter saído.
Xenófobo, eu? Só com quem não me respeita. Não será afinal a xenofobia segregar pessoas de diferentes nacionalidades? E o que fazem, no fim de contas, esses imigrantes que assaltam e matam portugueses sem escrúpulos? Quem será mais xenófobo?
Desta vez os protagonistas foram políticos. O CDS apresentou hoje um conjunto de iniciativas destinadas a combater a criminalidade, pegando precisamente naquilo que todos comentam mas ninguém assume: que é uma evidência que, cada vez mais, os crimes violentos de que todos ouvimos constantemente notícias, são praticados por cidadãos estrangeiros que, legal ou ilegalmente, se encontram a residir no nosso país.
É fácil perceber que, com problemas de desemprego, fronteiras abertas e atitudes culturais substancialmente diferentes, nomeadamente no que toca à violência, se torna mais natural para um desenraizado enveredar pelo crime, do que para um nativo. Não quero com isto dizer que não haja portugueses que sejam párias da pior espécie, ou que não existam imigrantes honestos e empreendedores - mas, precisamente para separar as águas, é essencial que algumas das medidas hoje propostas, como a possibilidade de expulsão liminar do país de todos os cidadãos estrangeiros condenados por um crime ou a retirada do Rendimento Social de Inserção a beneficiários (neste caso portugueses ou não) condenados pela prática de crimes como “roubo ou tráfico de droga” se tornem urgentemente efectivas. A mensagem subliminar é simples: quem vier por bem, é bem vindo, mas quem vier com má intenção não é cá desejado.
O outro protagonista da história, o crítico militante, é o palavroso Bloco de Esquerda que, de tão prolixo, pouco tempo acaba por ter para actos. Luís Fazenda acusou desde logo o CDS de "xenofobia" e de "instigar ao ódio social". A mim pouco se me importa que levem o carro do Sr. Fazenda num semáforo ou que assaltem a casa do Sr. Louçã. O que me preocupa, e o que deve preocupar a maior parte dos portugueses, é o clima de insegurança que se começa a viver, e o país que eu quero deixar aos meus fihos. Mas o que preocupa o folclórico Bloco é perceber precisamente isso: que, face aos factos, os portugueses estão pouco disponíveis para divagações poéticas sobre vidas em harmonia com os que são diferentes. E, ou todos estes imigrantes que nos entopem a segurança social (o primeiro local que eles descobrem em Portugal) para requerer subsídios diversos, enquanto trabalham clandestinamente noutras áreas - muitas vezes sem ter sequer o pudor de o disfarçar - ou todos eles, dizia, arrepiam caminho e assumem a atitude educada de respeitar quem os acolhe, ou, pelo menos aqueles que não derem sinais de um mínimo de postura, poderão ir recambiados rapidamente para os seus países, de onde nunca deviam ter saído.
Xenófobo, eu? Só com quem não me respeita. Não será afinal a xenofobia segregar pessoas de diferentes nacionalidades? E o que fazem, no fim de contas, esses imigrantes que assaltam e matam portugueses sem escrúpulos? Quem será mais xenófobo?
2008/09/14
O elefante e os burros
Enquanto os holofotes Europeus apenas se preocupavam com a luta entre democratas, e tudo o que nos aparecia na caixinha sobre as eleições americanas eram os avanços e recuos de Obama e Hillary, a esquerda lusa, com a companhia de alguns "modernos" (explicarei noutra altura quem são os "modernos", mas abaixo, no post "Sheep", já vai uma pista) regozijava-se. Pensavam que, por não terem informação sobre a candidatura Republicana, esta não existia - um pouco como a avestruz. Agora, passado o folclore, e quando se percebe que McCain tem tantas ou mais hipóteses reais de ser o próximo Presidente dos Estados Unidos do que Obama, o candidato preferido pelos apreciadores de telenovelas, a esquerda começa a mexer-se incomodada na cadeira. Os exemplos são muitos na blogosfera, e até na imprensa dita de referência, e agora não me apetece pesquisar, mas é sintomático que se ataque Sarah Palin em termos pessoais. A baixeza do método reflecte bem o desespero de causa.
2008/07/28
Toca a todos!
Irónicas, as coisas; ainda de manhã falava sobre problemas de carácter e de postura em forças partidárias opostas à minha, e eis que ao almoço voz amiga me alerta para as notícias, que dão conta da próxima desfiliação de cerca de trinta pessoas, no partido e no distrito em que tenho responsabilidades dirigentes. Conhececendo as pessoas envolvidas, não posso dizer que tenha sido grande a minha admiração; fiquei, outrosim, admirado com a dimensão da manobra, já que os seus promotores afirmavam, há já algum tempo, que seriam 120, no mínimo, os dissidentes nesta acção, que se queria mediática. Mas, mais do que dissecar as motivações de quem dizia professar determinada ideologia, e que no momento a seguir assume estratégias para atingir o único partido que as defende, interessa personalizar um pouco o caso, pois só assim poderemos perceber o que está, realmente, em causa.
Carlos Dantas, último presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal, que cessou funções em Abril, e meu amigo pessoal, não obstante profundas discordâncias que com ele mantenho no campo partidário, declarou aos media que «não compreendo que não haja rotatividade dos deputados do CDS/PP na Assembleia da República, tal como acontece com o Bloco de Esquerda». Deixando de lado a embaraçosa comparação com o Bloco (pelos vistos, isto é guerra em que não se pugna pela seriedade da argumentação), faltou dizer que Setúbal elegeu um deputado, o meu querido amigo Nuno Magalhães, e que o segundo na lista era precisamente o Dr. Carlos Dantas. Em aritmética simples, a rotatividade anunciada apenas iria beneficiar directamente o reclamante, ficando por provar os benefícios que tal pudesse trazer aos militantes ou à população do distrito.
Existem mais declarações avulsas, todas elas resumíveis no descontentamento com a ausência de colocações para boys e girls (não é só na canção dos Blur ou nos outros partidos que os há) de Setúbal e arredores nos lugares a que se acham com direito. No entanto, e salvo a existência de eventuais raras excepções (não sei exactamente quem são estes trinta, e duvido que a maior parte deles tenha alguma vez estado presente para o partido em mais do que um jantar de campanha), é curioso notar a desfaçatez de quem assim reclama direitos, sem ter cumprido, já não digo deveres, mas as mais elementares noções de lealdade. Com efeito, as pessoas que agora se queixam, votaram contra Telmo Correia e a favor de Ribeiro e Castro, numa recente divisão do partido, e com isso alcandoraram-se a lugares de relevo na direcção do penúltimo líder. Mais, patearam, e vi-o eu com os meus olhos, intervenções de quem defendia a candidatura de Telmo, como mais tarde o fizeram, em Torres Novas, a quem era adepto da moção de João Almeida. Para os mais distraídos, isto significa que estiveram sistematicamente contra as candidaturas mais próximas de Paulo Portas, pelo menos enquanto Ribeiro e Castro parecia manter o controle do partido. No entanto, quando Portas anunciou a sua intenção de desafiar Ribeiro e Castro em directas, e se percebeu que o partido iria mudar, em três tempos (tantos quantos o galo cantou) renegaram Castro e passaram a anunciar, a quem os quisesse ouvir, a sua devoção a Portas desde o berço. Foi ingenuidade, pensarão agora, pensar que ninguém teria reparado no seu sinuoso percurso, e que este desapareceria por artes mágicas; mas houve outros, que fizeram a travessia do deserto com o partido, e que esperavam também o momento da justiça, e esses mostraram aos agora demissionários o quão perigoso é acreditarmos única e exclusivamente na nossa inteligência, subestimando a alheia.
Como corolário, soube, de forma privada, que muitos desses demissionários não pretendem afastar-se da política, equacionando alguns a filiação no PSD, e outros até no PS - ou seja, de forma cínica, em partidos que podem mais facilmente garantir lugares do que um partido pequeno, mas de ideais, como o CDS. So much para as ideologias. Mas ainda alguém acreditava em almoços grátis?
P.S.: Depois de escrever o desabafo supra, pesquisei um pouco mais na net para tentar perceber o que afinal não tem muito que perceber, e deparei com nova notícia sobre o assunto, desta vez no "Diário Digital": nesta, Tiago Cabanas Alves, um jovem barreirense com uma carreira tão curta como meteórica dentro do partido, ainda que com alguns sobressaltos, possivelmente fruto da juventude e inexperiência, faz-nos o favor de "anunciar o fim do partido naquele distrito (Setúbal)". Agradecemos, naturalmente, a informação, mas pensamos que ela peca por desconhecimento de causa, desculpável a quem tão superficialmente tocou o partido, e dele saíu com tanta mágoa e desilusão. O partido já cá estava muito antes de chegarem estes novos messias, já sobreviveu a piores ataques (apesar de quem o ataca pensar sempre, na sua imodéstia, que o feriu de morte), e certamente sobreviverá, mesmo a nível local, a algo que dificilmente poderá ser condiderado algo mais do que um mero amuo. Menos surpreendido fiquei com a admissão de que "alguns dos demissionários possam aderir a outros partidos no futuro". A previsibilidade desta gente é algo de absolutamente tocante.
Carlos Dantas, último presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal, que cessou funções em Abril, e meu amigo pessoal, não obstante profundas discordâncias que com ele mantenho no campo partidário, declarou aos media que «não compreendo que não haja rotatividade dos deputados do CDS/PP na Assembleia da República, tal como acontece com o Bloco de Esquerda». Deixando de lado a embaraçosa comparação com o Bloco (pelos vistos, isto é guerra em que não se pugna pela seriedade da argumentação), faltou dizer que Setúbal elegeu um deputado, o meu querido amigo Nuno Magalhães, e que o segundo na lista era precisamente o Dr. Carlos Dantas. Em aritmética simples, a rotatividade anunciada apenas iria beneficiar directamente o reclamante, ficando por provar os benefícios que tal pudesse trazer aos militantes ou à população do distrito.
Existem mais declarações avulsas, todas elas resumíveis no descontentamento com a ausência de colocações para boys e girls (não é só na canção dos Blur ou nos outros partidos que os há) de Setúbal e arredores nos lugares a que se acham com direito. No entanto, e salvo a existência de eventuais raras excepções (não sei exactamente quem são estes trinta, e duvido que a maior parte deles tenha alguma vez estado presente para o partido em mais do que um jantar de campanha), é curioso notar a desfaçatez de quem assim reclama direitos, sem ter cumprido, já não digo deveres, mas as mais elementares noções de lealdade. Com efeito, as pessoas que agora se queixam, votaram contra Telmo Correia e a favor de Ribeiro e Castro, numa recente divisão do partido, e com isso alcandoraram-se a lugares de relevo na direcção do penúltimo líder. Mais, patearam, e vi-o eu com os meus olhos, intervenções de quem defendia a candidatura de Telmo, como mais tarde o fizeram, em Torres Novas, a quem era adepto da moção de João Almeida. Para os mais distraídos, isto significa que estiveram sistematicamente contra as candidaturas mais próximas de Paulo Portas, pelo menos enquanto Ribeiro e Castro parecia manter o controle do partido. No entanto, quando Portas anunciou a sua intenção de desafiar Ribeiro e Castro em directas, e se percebeu que o partido iria mudar, em três tempos (tantos quantos o galo cantou) renegaram Castro e passaram a anunciar, a quem os quisesse ouvir, a sua devoção a Portas desde o berço. Foi ingenuidade, pensarão agora, pensar que ninguém teria reparado no seu sinuoso percurso, e que este desapareceria por artes mágicas; mas houve outros, que fizeram a travessia do deserto com o partido, e que esperavam também o momento da justiça, e esses mostraram aos agora demissionários o quão perigoso é acreditarmos única e exclusivamente na nossa inteligência, subestimando a alheia.
Como corolário, soube, de forma privada, que muitos desses demissionários não pretendem afastar-se da política, equacionando alguns a filiação no PSD, e outros até no PS - ou seja, de forma cínica, em partidos que podem mais facilmente garantir lugares do que um partido pequeno, mas de ideais, como o CDS. So much para as ideologias. Mas ainda alguém acreditava em almoços grátis?
P.S.: Depois de escrever o desabafo supra, pesquisei um pouco mais na net para tentar perceber o que afinal não tem muito que perceber, e deparei com nova notícia sobre o assunto, desta vez no "Diário Digital": nesta, Tiago Cabanas Alves, um jovem barreirense com uma carreira tão curta como meteórica dentro do partido, ainda que com alguns sobressaltos, possivelmente fruto da juventude e inexperiência, faz-nos o favor de "anunciar o fim do partido naquele distrito (Setúbal)". Agradecemos, naturalmente, a informação, mas pensamos que ela peca por desconhecimento de causa, desculpável a quem tão superficialmente tocou o partido, e dele saíu com tanta mágoa e desilusão. O partido já cá estava muito antes de chegarem estes novos messias, já sobreviveu a piores ataques (apesar de quem o ataca pensar sempre, na sua imodéstia, que o feriu de morte), e certamente sobreviverá, mesmo a nível local, a algo que dificilmente poderá ser condiderado algo mais do que um mero amuo. Menos surpreendido fiquei com a admissão de que "alguns dos demissionários possam aderir a outros partidos no futuro". A previsibilidade desta gente é algo de absolutamente tocante.
2008/07/13
Outras alforrecas
Já há muito que não via o sermão dominical de Marcelo Rebelo de Sousa. A sua grandiloquência que, de tão profunda, só o próprio e alguns iniciados conseguem atingir, a mim provocava-me alergias. O seu carácter, sempre pronto a insultar e ofender, mas nunca disponível para o contraditório, não se enquadrava no tipo de carácter de pessoa que me mereça um módico de consideração. Os jogos de cintura, o "toca-e-foge" próprio de quem não consegue manter a coerência ou a frontalidade, não me suscitavam mais que um sorriso de comiseração pelo desejo patético de ser ouvido. A jactância e a petulância seriam adequadas e admissíveis num adepto de tuning ou num cantor pimba, mas pelos vistos eram estas as referências, em termos de atitude, do "professor".
No entanto, recordava ainda com divertimento o arrazoado que a personagem sempre fazia sobre os 1.870 livros que tinha lido nessa semana, e que alegremente passava em frente à câmara no final de cada programa. Normalmente calhamaços com temas e graus de interesses díspares, promovendo algumas obras de qualidade razoável, simultaneamente com arrobas de refugo que lhe ia chegando à caixa de correio. O modus operandi pouco mudou, a não ser por dizer que a apresentação "literária" passou para o princípio da palestra. Mas o lixo que o homem continua a passar, os "jeitos" a amigos que continua a fazer, retiram qualquer ponta de credibilidade que os mais bondosos pudessem associar-lhe.
Como é possível que um homem manifestamente inteligente - das poucas qualidades que não lhe nego - promova publicamente um livro de Margarida Rebelo Pinto, "Português Suave", (ainda por cima misturado com obras realmente boas, de Valter Hugo Mãe ou Francisco José Viegas) e pretenda ser levado a sério em seguida?
No entanto, recordava ainda com divertimento o arrazoado que a personagem sempre fazia sobre os 1.870 livros que tinha lido nessa semana, e que alegremente passava em frente à câmara no final de cada programa. Normalmente calhamaços com temas e graus de interesses díspares, promovendo algumas obras de qualidade razoável, simultaneamente com arrobas de refugo que lhe ia chegando à caixa de correio. O modus operandi pouco mudou, a não ser por dizer que a apresentação "literária" passou para o princípio da palestra. Mas o lixo que o homem continua a passar, os "jeitos" a amigos que continua a fazer, retiram qualquer ponta de credibilidade que os mais bondosos pudessem associar-lhe.
Como é possível que um homem manifestamente inteligente - das poucas qualidades que não lhe nego - promova publicamente um livro de Margarida Rebelo Pinto, "Português Suave", (ainda por cima misturado com obras realmente boas, de Valter Hugo Mãe ou Francisco José Viegas) e pretenda ser levado a sério em seguida?
2008/06/27
Deve ser isto o "reconhecimento internacional"...
Os governantes do Zimbabué, uma "democracia" com muitos pontos de contacto com Portugal, que hoje por acaso está em votações (a propósito, não deixa de ser curioso referir que Mugabe, na hora de depositar o voto na urna, se declarou "confiante nos resultados", o que, para quem corre sozinho, revela índices de confiança... discutíveis, digamos assim), os governantes daquele pedaço de desgraça no mundo, dizia, revelaram hoje o reconhecimento que guardam a Portugal por "ter recebido o Presidente Robert Mugabe em Lisboa, durante a recente Cimeira UE/África, o que embaraçou o Reino Unido".
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