
É bem verdade que a beleza está nas coisas simples. Soará a
snob, eu sei, mas já nem me importo, dizer que este é um
cliché tão óbvio que se torna um enigma perceber por que razão a maioria das pessoas não o segue e disfruta. Em lugar disso preferem, na linha do que tenho vindo a dizer ultimamente, seguir ordeiramente por caminhos formatados, procurando produtos que não cansem os seus estafados neurónios. Só assim se percebe que se troquem horas e horas de mau cinema, em centros comerciais coloridos e estupidificantes, por aquelas duas horas e meia num cinema "de verdade", a ver, como num espelho, "Aquele querido mês de Agosto", de Miguel Gomes. Como já li algures, certamente o melhor filme português desde "Alice".