A dúvida é pertinente: o que levará a esquerda, outrora tão rebelde em relação a instituições pequeno-burguesas, como o casamento ("apenas um papel"), a reclamar agora esse inalienável direito, especialmente para quem quer casar com uma pessoa do mesmo sexo? E o que os faz achar que esse é o assunto mais importante da actualidade, a ponto de poder eclipsar crises mundiais sucessivas?
Não arriscarei respostas, apesar de as imaginar - a esquerda vai perdendo, aos poucos, a capacidade romântica de nos surpreender, de tanto estafar os mesmos estribilhos. Mas sempre digo que, para mim, e penso que para a generalidade dos portugueses razoáveis, a legalização do casamento gay tem mais ou menos o mesmo grau de urgência que a construção do aeroporto internacional de Freixo de Espada à Cinta (o que, com a imprevisibilidade deste Governo, que até desilude os próprios deputados, provavelmente já está contemplado nalgum futuro Orçamento de Estado).
2008/10/10
Migrações
Curioso: em texto publicado no blog, e indicado como sendo cópia do que saíu na revista "Sábado" de hoje, Pacheco Pereira faz uma dissertação correcta sobre o direito à opinião de toda a gente sobre a "imigração". Lida a peça até se percebe facilmente que o termo se refere às pessoas que vêm para o nosso país, em busca de melhores condições de vida e, nesse contexto, está correcto o uso da palavra "imigração". O problema é que, na versão impressa da revista, está grafado por todo o lado "emigração" ou "emigrantes" o que, como deveria ser do conhecimento básico de qualquer pessoa que tenha frequentado a educação primária, designa pessoas que daqui partem para viver e trabalhar noutros locais.
Dada a generalização do analfabetismo cultural, já não estranho que tal confusão surja amiúde nos rodapés dos telejornais onde, face à profusão de bacoradas, esta até passa despercebida. Mas ver uma pessoa que gosta tanto de se colar à imagem de "intelectual" a escrever erros deste calibre é... curioso.
Dada a generalização do analfabetismo cultural, já não estranho que tal confusão surja amiúde nos rodapés dos telejornais onde, face à profusão de bacoradas, esta até passa despercebida. Mas ver uma pessoa que gosta tanto de se colar à imagem de "intelectual" a escrever erros deste calibre é... curioso.
2008/10/06
Enjoy the silence!
2008/10/02
Um raio que os parta!
Sempre foi assim: aqueles que têm coragem para afirmar alto e bom som aquilo que todos pensam ou dizem em surdina, rapidamente são apodados dos mais diversos epítetos, normalmente por outros que sempre se remeteram ao confortável silêncio das lesmas, mas que aproveitam desde logo a oportunidade para se colocarem em bicos de pés.
Desta vez os protagonistas foram políticos. O CDS apresentou hoje um conjunto de iniciativas destinadas a combater a criminalidade, pegando precisamente naquilo que todos comentam mas ninguém assume: que é uma evidência que, cada vez mais, os crimes violentos de que todos ouvimos constantemente notícias, são praticados por cidadãos estrangeiros que, legal ou ilegalmente, se encontram a residir no nosso país.
É fácil perceber que, com problemas de desemprego, fronteiras abertas e atitudes culturais substancialmente diferentes, nomeadamente no que toca à violência, se torna mais natural para um desenraizado enveredar pelo crime, do que para um nativo. Não quero com isto dizer que não haja portugueses que sejam párias da pior espécie, ou que não existam imigrantes honestos e empreendedores - mas, precisamente para separar as águas, é essencial que algumas das medidas hoje propostas, como a possibilidade de expulsão liminar do país de todos os cidadãos estrangeiros condenados por um crime ou a retirada do Rendimento Social de Inserção a beneficiários (neste caso portugueses ou não) condenados pela prática de crimes como “roubo ou tráfico de droga” se tornem urgentemente efectivas. A mensagem subliminar é simples: quem vier por bem, é bem vindo, mas quem vier com má intenção não é cá desejado.
O outro protagonista da história, o crítico militante, é o palavroso Bloco de Esquerda que, de tão prolixo, pouco tempo acaba por ter para actos. Luís Fazenda acusou desde logo o CDS de "xenofobia" e de "instigar ao ódio social". A mim pouco se me importa que levem o carro do Sr. Fazenda num semáforo ou que assaltem a casa do Sr. Louçã. O que me preocupa, e o que deve preocupar a maior parte dos portugueses, é o clima de insegurança que se começa a viver, e o país que eu quero deixar aos meus fihos. Mas o que preocupa o folclórico Bloco é perceber precisamente isso: que, face aos factos, os portugueses estão pouco disponíveis para divagações poéticas sobre vidas em harmonia com os que são diferentes. E, ou todos estes imigrantes que nos entopem a segurança social (o primeiro local que eles descobrem em Portugal) para requerer subsídios diversos, enquanto trabalham clandestinamente noutras áreas - muitas vezes sem ter sequer o pudor de o disfarçar - ou todos eles, dizia, arrepiam caminho e assumem a atitude educada de respeitar quem os acolhe, ou, pelo menos aqueles que não derem sinais de um mínimo de postura, poderão ir recambiados rapidamente para os seus países, de onde nunca deviam ter saído.
Xenófobo, eu? Só com quem não me respeita. Não será afinal a xenofobia segregar pessoas de diferentes nacionalidades? E o que fazem, no fim de contas, esses imigrantes que assaltam e matam portugueses sem escrúpulos? Quem será mais xenófobo?
Desta vez os protagonistas foram políticos. O CDS apresentou hoje um conjunto de iniciativas destinadas a combater a criminalidade, pegando precisamente naquilo que todos comentam mas ninguém assume: que é uma evidência que, cada vez mais, os crimes violentos de que todos ouvimos constantemente notícias, são praticados por cidadãos estrangeiros que, legal ou ilegalmente, se encontram a residir no nosso país.
É fácil perceber que, com problemas de desemprego, fronteiras abertas e atitudes culturais substancialmente diferentes, nomeadamente no que toca à violência, se torna mais natural para um desenraizado enveredar pelo crime, do que para um nativo. Não quero com isto dizer que não haja portugueses que sejam párias da pior espécie, ou que não existam imigrantes honestos e empreendedores - mas, precisamente para separar as águas, é essencial que algumas das medidas hoje propostas, como a possibilidade de expulsão liminar do país de todos os cidadãos estrangeiros condenados por um crime ou a retirada do Rendimento Social de Inserção a beneficiários (neste caso portugueses ou não) condenados pela prática de crimes como “roubo ou tráfico de droga” se tornem urgentemente efectivas. A mensagem subliminar é simples: quem vier por bem, é bem vindo, mas quem vier com má intenção não é cá desejado.
O outro protagonista da história, o crítico militante, é o palavroso Bloco de Esquerda que, de tão prolixo, pouco tempo acaba por ter para actos. Luís Fazenda acusou desde logo o CDS de "xenofobia" e de "instigar ao ódio social". A mim pouco se me importa que levem o carro do Sr. Fazenda num semáforo ou que assaltem a casa do Sr. Louçã. O que me preocupa, e o que deve preocupar a maior parte dos portugueses, é o clima de insegurança que se começa a viver, e o país que eu quero deixar aos meus fihos. Mas o que preocupa o folclórico Bloco é perceber precisamente isso: que, face aos factos, os portugueses estão pouco disponíveis para divagações poéticas sobre vidas em harmonia com os que são diferentes. E, ou todos estes imigrantes que nos entopem a segurança social (o primeiro local que eles descobrem em Portugal) para requerer subsídios diversos, enquanto trabalham clandestinamente noutras áreas - muitas vezes sem ter sequer o pudor de o disfarçar - ou todos eles, dizia, arrepiam caminho e assumem a atitude educada de respeitar quem os acolhe, ou, pelo menos aqueles que não derem sinais de um mínimo de postura, poderão ir recambiados rapidamente para os seus países, de onde nunca deviam ter saído.
Xenófobo, eu? Só com quem não me respeita. Não será afinal a xenofobia segregar pessoas de diferentes nacionalidades? E o que fazem, no fim de contas, esses imigrantes que assaltam e matam portugueses sem escrúpulos? Quem será mais xenófobo?
2008/09/30
Mais valia terem ficado em casa!
Na sequência do último post: será que a energia se gastou toda no aeroporto, ainda em Portugal?
Mas pronto, aqui está a prova de que existe uma espécie de justiça divina. O Porto, se houvesse justiça e seriedade, não deveria sequer ter posto os pés na Champion's. Fizeram os números do costume para conseguir furar sistemas e atingir, por meios obscuros, o que a legalidade não lhes permitia, mas para quê? Para fazerem estas figuras tristes?
Mas pronto, aqui está a prova de que existe uma espécie de justiça divina. O Porto, se houvesse justiça e seriedade, não deveria sequer ter posto os pés na Champion's. Fizeram os números do costume para conseguir furar sistemas e atingir, por meios obscuros, o que a legalidade não lhes permitia, mas para quê? Para fazerem estas figuras tristes?
2008/09/29
Ser portista
Cristian Rodriguez, o mais recente Judas do futebol português, aprendeu rapidamente os rudimentos do que é ser portista: a um jovem, provavelmente benfiquista (não é relevante, até porque eu próprio não o sou), que no Aeroporto Francisco Sá Carneiro lhe chamou "traidor", respondeu com o argumento dos burros: agredindo-o.
Profissional e digno, na senda de Bruno Alves, esse modelo de fair play que, na última temporada, nem sequer viu cartões amarelos...
Profissional e digno, na senda de Bruno Alves, esse modelo de fair play que, na última temporada, nem sequer viu cartões amarelos...
Embirrações de estimação
Duas, logo para começar a série:
Alarves que se riem das próprias piadas, principalmente quando estas são cretinas e sem graça, como no caso, por exemplo, de José Carlos Malato.
Condomínios, condóminos e sucedâneos; o meu tirocínio nesta área, em pequenos prédios de província, não me poderia preparar nunca para o que viria encontrar num edifício com dois dígitos de fogos, ás portas ocidentais de Lisboa. Gente sem vida própria, que faz da manutenção dos elevadores ou da substituição das caixas de correio a missão de uma vida, como se daí dependesse a retoma económica dos Estados Unidos ou a sentença do caso Casa Pia. Gentinha com vidas pequeninas, normalmente reformados com saudades das mangas de alpaca e burocracias subsequentes, que acham que o facto de terem vislumbrado uma barata no átrio do prédio ou terem detectado um jantar de adolescentes (não autorizado formalmente) no terraço do prédio é motivo mais que suficiente para tocarem à campainha de um desgraçado às oito e meia, nada se compadecendo com o facto de, consabidamente, nos estarem a interromper o jantar. Uma história de terror.
Alarves que se riem das próprias piadas, principalmente quando estas são cretinas e sem graça, como no caso, por exemplo, de José Carlos Malato.
Condomínios, condóminos e sucedâneos; o meu tirocínio nesta área, em pequenos prédios de província, não me poderia preparar nunca para o que viria encontrar num edifício com dois dígitos de fogos, ás portas ocidentais de Lisboa. Gente sem vida própria, que faz da manutenção dos elevadores ou da substituição das caixas de correio a missão de uma vida, como se daí dependesse a retoma económica dos Estados Unidos ou a sentença do caso Casa Pia. Gentinha com vidas pequeninas, normalmente reformados com saudades das mangas de alpaca e burocracias subsequentes, que acham que o facto de terem vislumbrado uma barata no átrio do prédio ou terem detectado um jantar de adolescentes (não autorizado formalmente) no terraço do prédio é motivo mais que suficiente para tocarem à campainha de um desgraçado às oito e meia, nada se compadecendo com o facto de, consabidamente, nos estarem a interromper o jantar. Uma história de terror.
2008/09/28
1925-2008

Paul Newman morreu. Vi "The Sting" com 10 anos, e mudou para sempre a minha perspectiva sobre o cinema. Talvez tivesse sido o primeiro filme para adultos (no sentido intelectual) que vi - pelo menos é o primeiro de que guardo recordações. Paul Newman era também um homem dos automóveis. Com 70 anos, tornou-se no mais idosos piloto a vencer as 24 horas de Daytona. Depois de James Dean e Steve McQueen, acabou hoje a geração dos actores verdadeiros.
2008/09/15
Coisas simples
2008/09/14
O elefante e os burros
Enquanto os holofotes Europeus apenas se preocupavam com a luta entre democratas, e tudo o que nos aparecia na caixinha sobre as eleições americanas eram os avanços e recuos de Obama e Hillary, a esquerda lusa, com a companhia de alguns "modernos" (explicarei noutra altura quem são os "modernos", mas abaixo, no post "Sheep", já vai uma pista) regozijava-se. Pensavam que, por não terem informação sobre a candidatura Republicana, esta não existia - um pouco como a avestruz. Agora, passado o folclore, e quando se percebe que McCain tem tantas ou mais hipóteses reais de ser o próximo Presidente dos Estados Unidos do que Obama, o candidato preferido pelos apreciadores de telenovelas, a esquerda começa a mexer-se incomodada na cadeira. Os exemplos são muitos na blogosfera, e até na imprensa dita de referência, e agora não me apetece pesquisar, mas é sintomático que se ataque Sarah Palin em termos pessoais. A baixeza do método reflecte bem o desespero de causa.
2008/09/13
O som do cristal

É bem verdade que a beleza está nas coisas simples. Soará a snob, eu sei, mas já nem me importo, dizer que este é um cliché tão óbvio que se torna um enigma perceber por que razão a maioria das pessoas não o segue e disfruta. Em lugar disso preferem, na linha do que tenho vindo a dizer ultimamente, seguir ordeiramente por caminhos formatados, procurando produtos que não cansem os seus estafados neurónios. Só assim se percebe que se troquem horas e horas de mau cinema, em centros comerciais coloridos e estupidificantes, por aquelas duas horas e meia num cinema "de verdade", a ver, como num espelho, "Aquele querido mês de Agosto", de Miguel Gomes. Como já li algures, certamente o melhor filme português desde "Alice".
2008/09/12
Sheep, part 2

Por estes dias dizem-me que é praticamente "obrigatório" ir ver o concerto de Madonna - toda a gente vai, acrescentam-me. Triste, esta forma ordenada de ir onde nos mandam. Gastar dinheiro com música má, enlatada, quando há tanta coisa boa para se ver e ouvir por aí. Mas ainda bem que a maioria não se importa de ir, obedientemente, venerar um objecto de marketing - já os vejo com lágrimas nos olhos, como há uns anos, a dizer com ar de quem regressa de uma experiência esotérica, "foi o melhor concerto que vi na minha vida". Incomodar-me-ia, isso sim, se todos esses fãs de trash music aparecessem perto de mim a ver um concerto de Portishead ou de Kings of Convenience, por exemplo.
(Sim, lá em cima são duas imagens da mesma pessoa...)
2008/09/09
Sheep
Normalmente é mais fácil repetir o que se ouve, sem averiguar da sua veracidade, ou pelo menos da sua verosimilhança, do que tentar usar os neurónios e questionar o que nos é enfiado todos os dias pela cabeça. A vida dos nossos dias predispõe-nos para o ready made, sem sentimentos de culpa ou de qualquer outra espécie. A tendência não será tão antiga como a imagem que a ela associo, mas esta espécie de alienação voluntária leva-me sempre ao desenho animado de "Another brick in the wall", quando um maquiavélico professor harmoniza os pensamentos de alunos passando-os por um triturador de carne. Hoje são os alunos, toda a gente, que amavelmente se atira para o dito triturador, a fim de que alguém lhe faça o favor de formar uma opinião no seu lugar.
A ladaínha sobre Pedro Santana Lopes e as "trapalhadas" foi uma manobra de tal forma bem criada, que todo o rebanho continua a repetir o estribilho, ainda que nem uma pessoa consiga apontar, de forma objectiva, uma das ditas "trapalhadas". George W. Bush também se tornou uma presa fácil do anedotário internacional; duvido que alguém me consiga estruturar, mesmo que disponha de mais do que um dia para o fazer, uma razão para achar o Presidente Americano o incapaz que, no sábio entender das conversas de café das redacções, nem um café saberia tirar numa máquina - mas toda a gente usa e abusa da piada pronta a usar.
Agora vejo algumas agitações por movimentos internos no CDS: Paulo Portas não quis aceitar desde logo a demissão de Nobre Guedes, alguém fez a história sair para fora do partido e, como de costume, já temos o coro de carpideiras à porta a chorar - pela 830ª vez! - o "fim definitivo" do partido. Mas a questão que alguém com um mínimo do indispensável espírito crítico deveria colocar era a seguinte: mas a quem é que isto interessa a não ser aos militantes do partido? O que é que eu tenho a ver com a maneira como os responsáveis do restaurante onde vou escolhem o gerente ou os funcionários? O que é que me interessa a mim que os deputados do BE andem constantemente numa roda viva de substituições, sem que eu conheça os critérios para as mesmas? Quem é que escolhe, ou escolheu, o incontornável Louçã para ser o eterno presidente do partido, assim uma espécie de "querido líder"? E o que é que eu quero saber disso? E por que raio é que lhes interessa tanto o que se passa dentro do CDS?
Get a life!
P.S.: Obrigado aos Pink Floyd pelas duas inspirações para este post.
2008/09/08
2008/08/19
2008/08/08
Oito coisas oito!
Apesar da dificuldade na selecção, que nem sequer foi muito criteriosa, achei engraçada a ideia de desafiar outros bloggers a enunciar oito coisas que gostariam de fazer antes de ir desta para melhor. Em resposta ao meu amigo Ricardo, e para quem se interessar por estas coisas, aqui vai:
1 - Ver os meus filhos crescer, tirarem cursos, progredirem e estabilizarem, para que eu possa partir em paz;
2 - Fazer umas férias de sonho on the road, tipo Jack Kerouac mas com dinheiro no bolso, sem limite de tempo. Irlanda e Açores ficariam certamente nos roteiros;
3 - Emagrecer;
4 - Ler todos os livros, ouvir todos os CD's que gostaria - mas esta é irrealista, pelo menos enquanto as vidas humanas não durarem no mínimo mil anos;
5 - Ver o Vitória campeão e o CDS a disputar a vitória em eleições;
6 - Acabar a minha licenciatura em Arquitectura (e falta tão pouco...) e fazer mais algumas pós graduações em países nórdicos, por exemplo;
7 - Participar em alguns ralis mas desta vez sentado atrás do volante, para variar;
8 - Aprender a jogar golf e fazer o meu baptismo de mergulho, mas estas resolvo dentro de pouco tempo.
Para passar este inquérito, apesar de andar meio desviado da blogosfera, escolho o Paulo, o Francisco, o Zé Carlos, o Jorge (a quem aproveito para agradecer tardiamente os parabéns aquando do aniversário) e o Fernando.
1 - Ver os meus filhos crescer, tirarem cursos, progredirem e estabilizarem, para que eu possa partir em paz;
2 - Fazer umas férias de sonho on the road, tipo Jack Kerouac mas com dinheiro no bolso, sem limite de tempo. Irlanda e Açores ficariam certamente nos roteiros;
3 - Emagrecer;
4 - Ler todos os livros, ouvir todos os CD's que gostaria - mas esta é irrealista, pelo menos enquanto as vidas humanas não durarem no mínimo mil anos;
5 - Ver o Vitória campeão e o CDS a disputar a vitória em eleições;
6 - Acabar a minha licenciatura em Arquitectura (e falta tão pouco...) e fazer mais algumas pós graduações em países nórdicos, por exemplo;
7 - Participar em alguns ralis mas desta vez sentado atrás do volante, para variar;
8 - Aprender a jogar golf e fazer o meu baptismo de mergulho, mas estas resolvo dentro de pouco tempo.
Para passar este inquérito, apesar de andar meio desviado da blogosfera, escolho o Paulo, o Francisco, o Zé Carlos, o Jorge (a quem aproveito para agradecer tardiamente os parabéns aquando do aniversário) e o Fernando.
2008/08/06
It´s the oil, stupid!
Se há coisa absolutamente deprimente entre aquelas a que temos assistido nos últimos tempos, é a candura, quase ingenuidade, com que as gasolineiras pensam que enganam e iludem os consumidores. Até um certo nível parece um insulto à nossa inteligência, se esperam que alguém engula as suas descaradas patranhas. Mas, a partir de uma certa altura, e inebriados pela facilidade com que pensavam estar a fazer passar as suas manobras de simplórios, deixaram de passar a considerar-nos estúpidos, e a assumirem eles mesmo uma estupidez e uma descontração completamente irrealistas.
Foi estupidez pensar que ninguém repararia que as oscilações no preço do combustível só se verificavam quando o preço do petróleo subia. Foi estupidez pensar que ninguém repararia na discrepância e desproporção entre os aumentos e as poucas diminuições. Foi estupidez, também, pensar que ninguém questionaria essa abstrusa dualidade de critérios, que faz com que os reflexos dos aumentos do preço do petróleo no do combustível sejam imediatos, enquanto que as descidas terão que ser diferidas vários meses, sempre devido a algo difuso e mal explicado, que é a reserva de stocks, que curiosamente só funciona como justificação quando interessa, e sempre no mesmo sentido. Também pensaram, estupidamente, que ninguém perceberia que, apesar de negarem com ar de virgens ofendidas a existência de cartel ou concertação, os aumentos de preços aconteciam sempre e inevitavelmente à mesma hora do mesmo dia, e com o mesmo valor. Isto não é facilitismo, nem sequer gestão de mercearia; é estupidez várias vezes, apenas.
Quando, finalmente, acordaram da sua letargia, estes gestores de pacotilha acabaram por dar novas mostras da sua infinita estupidez. Não podiam ser mais directas e óbvias as manobras: queixavam-se de que os preços só subiam, e que não baixavam quando o petróleo baixa? Então aqui vão uns amendoins para os macaquinhos, alguns cêntimos de descida. Esqueceram-se que, apesar de este ser um país de fracas matemáticas, ainda há quem saiba fazer contas e perceber que, se fossem aplicados os mesmos coeficientes para as descidas que têm sido aquando dos aumentos, neste momento o gasóleo estaria em cerca de 1,15€ o litro - mas está em 1,37€... Esqueceram-se que seria demasiado óbvio e a tresandar a combinação que, dum momento para o outro, os aumentos dos combustíveis passassem a ser anunciados com diferenças de dias e décimas de cêntimo pelas diferentes gasolineiras - isto logo após negarem veementemente que a coincidência de datas que antes se verificava era apenas... coincidência.
E a prova da linearidade e limitação de raciocínio de quem estava habituado a apenas encher os bolsos com conversas que nem crianças enganariam, veio hoje; depois de terem percebido que estavam a "colocar-se na boca do lobo" ao anunciarem aumentos desmesurados nos seus lucros do primeiro trimestre, isto quando por outro lado argumentavam que apenas efectuavam os acertos estritamente necessários no preço do combustível, depois desse "gato escondido com (enorme) rabo de fora", dizia, aparece-me hoje o administrador da Galp a anunciar na TV com ar pesaroso a descida dos lucros da sua companhia, no segundo trimestre do ano. A mensagem já era embaraçosa de tão óbvia, mas no final, para que não houvesse dúvidas de que o indígena percebia onde se queria chegar, o tal administrador ainda acrescentou qualquer coisa como "isto é a prova de que, contrariamente ao que se dizia, a Galp não está a ter lucros astronómicos à custa das oscilações do preço do petróleo". Estúpido demais...
Foi estupidez pensar que ninguém repararia que as oscilações no preço do combustível só se verificavam quando o preço do petróleo subia. Foi estupidez pensar que ninguém repararia na discrepância e desproporção entre os aumentos e as poucas diminuições. Foi estupidez, também, pensar que ninguém questionaria essa abstrusa dualidade de critérios, que faz com que os reflexos dos aumentos do preço do petróleo no do combustível sejam imediatos, enquanto que as descidas terão que ser diferidas vários meses, sempre devido a algo difuso e mal explicado, que é a reserva de stocks, que curiosamente só funciona como justificação quando interessa, e sempre no mesmo sentido. Também pensaram, estupidamente, que ninguém perceberia que, apesar de negarem com ar de virgens ofendidas a existência de cartel ou concertação, os aumentos de preços aconteciam sempre e inevitavelmente à mesma hora do mesmo dia, e com o mesmo valor. Isto não é facilitismo, nem sequer gestão de mercearia; é estupidez várias vezes, apenas.
Quando, finalmente, acordaram da sua letargia, estes gestores de pacotilha acabaram por dar novas mostras da sua infinita estupidez. Não podiam ser mais directas e óbvias as manobras: queixavam-se de que os preços só subiam, e que não baixavam quando o petróleo baixa? Então aqui vão uns amendoins para os macaquinhos, alguns cêntimos de descida. Esqueceram-se que, apesar de este ser um país de fracas matemáticas, ainda há quem saiba fazer contas e perceber que, se fossem aplicados os mesmos coeficientes para as descidas que têm sido aquando dos aumentos, neste momento o gasóleo estaria em cerca de 1,15€ o litro - mas está em 1,37€... Esqueceram-se que seria demasiado óbvio e a tresandar a combinação que, dum momento para o outro, os aumentos dos combustíveis passassem a ser anunciados com diferenças de dias e décimas de cêntimo pelas diferentes gasolineiras - isto logo após negarem veementemente que a coincidência de datas que antes se verificava era apenas... coincidência.
E a prova da linearidade e limitação de raciocínio de quem estava habituado a apenas encher os bolsos com conversas que nem crianças enganariam, veio hoje; depois de terem percebido que estavam a "colocar-se na boca do lobo" ao anunciarem aumentos desmesurados nos seus lucros do primeiro trimestre, isto quando por outro lado argumentavam que apenas efectuavam os acertos estritamente necessários no preço do combustível, depois desse "gato escondido com (enorme) rabo de fora", dizia, aparece-me hoje o administrador da Galp a anunciar na TV com ar pesaroso a descida dos lucros da sua companhia, no segundo trimestre do ano. A mensagem já era embaraçosa de tão óbvia, mas no final, para que não houvesse dúvidas de que o indígena percebia onde se queria chegar, o tal administrador ainda acrescentou qualquer coisa como "isto é a prova de que, contrariamente ao que se dizia, a Galp não está a ter lucros astronómicos à custa das oscilações do preço do petróleo". Estúpido demais...
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