2008/07/29

O Céu pode esperar!


É minha sina, está visto, gostar daquilo a quem toda a gente gosta de vaticinar a morte próxima. É assim na política, há quase trinta anos (25 de militância) sempre a ouvir que o meu partido vai desaparecer nas próximas eleições. É assim, também, no futebol: sócio há poucos anos do Vitória, mas seu adepto há muito, foi com agrado que soube do "fumo branco" que espantou abutres e outras aves agoirentas que (outra vez) profetizavam o apocalipse do clube. Luís Lourenço é um homem de Setúbal, um vitoriano e, apesar de não ser o fundamental, amigo íntimo de José Mourinho, o "Zé Mário", para quem com ele partilhou a geração e os lugares de Setúbal e da Arrábida. Pode não querer dizer nada, eu sei, até porque nem "creo en brujas", mas no futebol, como na política, normalmente o que parece, é. E amanhã lá estarei, no lugar do costume, a ver o jogo com o Belenenses.

Como dizia um anúncio televisivo, "grandes para quê"?

2008/07/28

Toca a todos!

Irónicas, as coisas; ainda de manhã falava sobre problemas de carácter e de postura em forças partidárias opostas à minha, e eis que ao almoço voz amiga me alerta para as notícias, que dão conta da próxima desfiliação de cerca de trinta pessoas, no partido e no distrito em que tenho responsabilidades dirigentes. Conhececendo as pessoas envolvidas, não posso dizer que tenha sido grande a minha admiração; fiquei, outrosim, admirado com a dimensão da manobra, já que os seus promotores afirmavam, há já algum tempo, que seriam 120, no mínimo, os dissidentes nesta acção, que se queria mediática. Mas, mais do que dissecar as motivações de quem dizia professar determinada ideologia, e que no momento a seguir assume estratégias para atingir o único partido que as defende, interessa personalizar um pouco o caso, pois só assim poderemos perceber o que está, realmente, em causa.

Carlos Dantas, último presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal, que cessou funções em Abril, e meu amigo pessoal, não obstante profundas discordâncias que com ele mantenho no campo partidário, declarou aos media que «não compreendo que não haja rotatividade dos deputados do CDS/PP na Assembleia da República, tal como acontece com o Bloco de Esquerda». Deixando de lado a embaraçosa comparação com o Bloco (pelos vistos, isto é guerra em que não se pugna pela seriedade da argumentação), faltou dizer que Setúbal elegeu um deputado, o meu querido amigo Nuno Magalhães, e que o segundo na lista era precisamente o Dr. Carlos Dantas. Em aritmética simples, a rotatividade anunciada apenas iria beneficiar directamente o reclamante, ficando por provar os benefícios que tal pudesse trazer aos militantes ou à população do distrito.

Existem mais declarações avulsas, todas elas resumíveis no descontentamento com a ausência de colocações para boys e girls (não é só na canção dos Blur ou nos outros partidos que os há) de Setúbal e arredores nos lugares a que se acham com direito. No entanto, e salvo a existência de eventuais raras excepções (não sei exactamente quem são estes trinta, e duvido que a maior parte deles tenha alguma vez estado presente para o partido em mais do que um jantar de campanha), é curioso notar a desfaçatez de quem assim reclama direitos, sem ter cumprido, já não digo deveres, mas as mais elementares noções de lealdade. Com efeito, as pessoas que agora se queixam, votaram contra Telmo Correia e a favor de Ribeiro e Castro, numa recente divisão do partido, e com isso alcandoraram-se a lugares de relevo na direcção do penúltimo líder. Mais, patearam, e vi-o eu com os meus olhos, intervenções de quem defendia a candidatura de Telmo, como mais tarde o fizeram, em Torres Novas, a quem era adepto da moção de João Almeida. Para os mais distraídos, isto significa que estiveram sistematicamente contra as candidaturas mais próximas de Paulo Portas, pelo menos enquanto Ribeiro e Castro parecia manter o controle do partido. No entanto, quando Portas anunciou a sua intenção de desafiar Ribeiro e Castro em directas, e se percebeu que o partido iria mudar, em três tempos (tantos quantos o galo cantou) renegaram Castro e passaram a anunciar, a quem os quisesse ouvir, a sua devoção a Portas desde o berço. Foi ingenuidade, pensarão agora, pensar que ninguém teria reparado no seu sinuoso percurso, e que este desapareceria por artes mágicas; mas houve outros, que fizeram a travessia do deserto com o partido, e que esperavam também o momento da justiça, e esses mostraram aos agora demissionários o quão perigoso é acreditarmos única e exclusivamente na nossa inteligência, subestimando a alheia.

Como corolário, soube, de forma privada, que muitos desses demissionários não pretendem afastar-se da política, equacionando alguns a filiação no PSD, e outros até no PS - ou seja, de forma cínica, em partidos que podem mais facilmente garantir lugares do que um partido pequeno, mas de ideais, como o CDS. So much para as ideologias. Mas ainda alguém acreditava em almoços grátis?

P.S.: Depois de escrever o desabafo supra, pesquisei um pouco mais na net para tentar perceber o que afinal não tem muito que perceber, e deparei com nova notícia sobre o assunto, desta vez no "Diário Digital": nesta, Tiago Cabanas Alves, um jovem barreirense com uma carreira tão curta como meteórica dentro do partido, ainda que com alguns sobressaltos, possivelmente fruto da juventude e inexperiência, faz-nos o favor de "anunciar o fim do partido naquele distrito (Setúbal)". Agradecemos, naturalmente, a informação, mas pensamos que ela peca por desconhecimento de causa, desculpável a quem tão superficialmente tocou o partido, e dele saíu com tanta mágoa e desilusão. O partido já cá estava muito antes de chegarem estes novos messias, já sobreviveu a piores ataques (apesar de quem o ataca pensar sempre, na sua imodéstia, que o feriu de morte), e certamente sobreviverá, mesmo a nível local, a algo que dificilmente poderá ser condiderado algo mais do que um mero amuo. Menos surpreendido fiquei com a admissão de que "alguns dos demissionários possam aderir a outros partidos no futuro". A previsibilidade desta gente é algo de absolutamente tocante.

"O Zé (ainda) faz falta(?)"

É algo dramático, mas quando acontece a quem mostrou tanta arrogância e sobranceria, dá vontade de rir bem alto. Como quando um tipo armado em "pintas" pisa uma casca de banana.

Depois de andarem a apregoar aos sete ventos que José Sá Fernandes, um desses irmãos em que a vontade de protagonismo está anos luz à frente das suas capacidades efectivas, "fazia falta" à cidade de Lisboa, eis agora que o dito acha que "faz mais falta" ao PS do que aos bloquistas que lá o puseram. E, além disso, deve achar que "faz mais falta" à sua conta bancária a garantia de surgir em 2009 como candidato a uma qualquer Câmara Metropolitana pelos sociaistas, do que a insegurança de voltar a concorrer por um BE que, depois do fogacho, inicia agora a sua curva descendente. Por enquanto o tom do BE é contido, para não passarem pela vergonha de se assumir como parte traída, com a humilhação inerente, mas as explicações de JSF para os seus ternos convívios com os seus novos amiguinhos do Rato são para lá de caricatas. Por exemplo, o vereador quase-quase a ficar independente, diz que participou numa reunião da Concelhia do PS, para "ir lá dar contas do meu pelouro". Ou sou eu que ando muito desactualizado, ou as reuniões entre diferentes pelouros, atribuídos a diferentes partidos, fazem-se em sede camarária, seja em reuniões ou assembleias. Excepto, pelos vistos, para JSF, que acha o regaço do PS mais aconchegadinho para explicar - a quem o quiser ouvir - por onde anda a gastar o dinheiro dos lisboetas. O Bloco, qual esposa que não quer acreditar nas evidências, continua a negar que existam divergências, mas dentro de casa vai tentando dar os seus puxões de orelhas a JSF. Mas, como no fado, "eles sabem bem, que ele vai para outra...".

Chá

Curiosa, a forma como toleramos ou não determinadas situações: José Mourinho foi treinar para Itália, e preocupou-se em aprender o italiano suficiente para dar a primeira conferência de imprensa na língua do país para onde emigrou. Recusou, até, falar em português (se bem que não tenha tido o mesmo grau de exigência para com quem o interpelou em inglês), para não confundir o seu italiano recente com outra língua latina. Hoje, no final de um jogo meio "a feijões", em Vila Real de Santo António, vimos (não fui só eu) o novo treinador do Benfica, um fulano bronzeado de olhar esbugalhado, a falar o seu espanhol materno, sem sequer se preocupar em introduzir, de forma educada, algumas expressões em português - e não acredito que não as conheça, assim como qualquer um de nós sabe pelo menos meia dúzia de palavras em castelhano.

Não sou benfiquista, como todos sabem, e por isso não me incomoda minimamente que esta equipa, de orçamento milionário, ande a fazer jogos mais próprios de protagonizar a "Liga dos Últimos". Mas sou português, e acho de uma arrogância extrema que este tipo não se dê sequer ao trabalho de simular algum esforço. Decerto, se fosse benfiquista, queixar-me-ia a quem de direito pela falta de educação. Mas, como não sou, fico a apreciar o profissionalismo e inteligência de Mourinho, por oposição ao seu colega acima citado, e a orgulhar-me de que ele seja um português de Setúbal.

2008/07/16

Mais um..


Pois é, nem me teria lembrado se não fossem estes tipos, mas a verdade é que este blog fez por estes dias cinco aninhos.

2008/07/13

Bons ventos


Não consigo partilhar euforias daquelas que me são apresentadas como inevitáveis. Bandeirinhas portuguesas nas janelas, concertos de Verão "obrigatórios" e outras coisas que fazem quem não delirar com as mesmas sentir-se um excluído social. Tiago Monteiro é um bom piloto, mas já há algum tempo se percebeu que não é tão bom como os portugueses gostariam que fosse. E não tem sido por falta de oportunidades, se bem que haja quem sustente o contrário.

Por outro lado, o WTCC é um campeonato feito para o público e, para manter este interessado, a fórmula correcta é fazer com que os carros rodem juntos, promovendo os despiques. Isto é conseguido à custa de um regulamento enviezado, com lastros para uns carros e não para outros, e inversão da grelha de partida entre as duas mangas, entre outras "habilidades" que fazem com que o virtuosismo e as capacidades dos pilotos sejam muitas vezes relegadas para segundo plano. Foi muito devido a esse conjunto de factores que Tiago Monteiro conseguiu hoje a vitória na segunda manga da prova que se disputou no Autódromo do Estoril. Mas teve a sua quota-parte de mérito no resultado, e como português que gosta de o ser, não deixo também de dar os parabéns ao Tiago.

Mas soube-me bem voltar ao autódromo, passar lá o dia. Lembrei-me das minhas "aventuras" de há trinta anos, em que ia sozinho para lá, apanhando pelo menos quatro transportes diferentes no percurso, e sem saber bem como voltaria. O problema do lugar é o vento; este "tratamento" de hoje, a somar à "tareia" de ontem na praia do Baleal, não prognosticam nada de bom para a semana que começa.

Outras alforrecas

Já há muito que não via o sermão dominical de Marcelo Rebelo de Sousa. A sua grandiloquência que, de tão profunda, só o próprio e alguns iniciados conseguem atingir, a mim provocava-me alergias. O seu carácter, sempre pronto a insultar e ofender, mas nunca disponível para o contraditório, não se enquadrava no tipo de carácter de pessoa que me mereça um módico de consideração. Os jogos de cintura, o "toca-e-foge" próprio de quem não consegue manter a coerência ou a frontalidade, não me suscitavam mais que um sorriso de comiseração pelo desejo patético de ser ouvido. A jactância e a petulância seriam adequadas e admissíveis num adepto de tuning ou num cantor pimba, mas pelos vistos eram estas as referências, em termos de atitude, do "professor".

No entanto, recordava ainda com divertimento o arrazoado que a personagem sempre fazia sobre os 1.870 livros que tinha lido nessa semana, e que alegremente passava em frente à câmara no final de cada programa. Normalmente calhamaços com temas e graus de interesses díspares, promovendo algumas obras de qualidade razoável, simultaneamente com arrobas de refugo que lhe ia chegando à caixa de correio. O modus operandi pouco mudou, a não ser por dizer que a apresentação "literária" passou para o princípio da palestra. Mas o lixo que o homem continua a passar, os "jeitos" a amigos que continua a fazer, retiram qualquer ponta de credibilidade que os mais bondosos pudessem associar-lhe.

Como é possível que um homem manifestamente inteligente - das poucas qualidades que não lhe nego - promova publicamente um livro de Margarida Rebelo Pinto, "Português Suave", (ainda por cima misturado com obras realmente boas, de Valter Hugo Mãe ou Francisco José Viegas) e pretenda ser levado a sério em seguida?

2008/07/07

Lugares #16


Figueira da Foz, anteontem ao fim do dia.

2008/07/02

Mortos e era pouco!

Alguns chamar-me-ão reaccionário, outros apenas conservador, mas gostava que os esquerdistas convictos, aqueles que advogam valores como "tolerância", "reintegração", "adaptação", e quejandos (desde que longe da sua porta, evidentemente...), me dissessem qual a medida assertiva (se existir alguma, do que desde já duvido) que aplicariam a quem faz isto.

2008/06/29

Y viva España!


A alguns minutos do início da final, e na ausência da selecção portuguesa (o que tem, pelo menos, a higiénica vantagem de nos permitir fazer um zapping de vez em quando sem apanhar com um emigrante a prognosticar dez a zero), é evidente que todo o nosso apoio, ou pelo menos o meu, tem que ir para a Espanha, por vários motivos: são nossos vizinhos, não têm vergonha de gostar de toiros nem de assumir a sua tradição secular monárquica e, principalmente, jogam bem. Pronto, está bem, também confiemos que serão eles a vingar todos aqueles, tugas incluídos, que sucumbiram a uma Alemanha com um dos futebóis mais detestáveis que me lembro de ver nos últimos tempos.

Força, hermanos!

2008/06/27

Deve ser isto o "reconhecimento internacional"...

Os governantes do Zimbabué, uma "democracia" com muitos pontos de contacto com Portugal, que hoje por acaso está em votações (a propósito, não deixa de ser curioso referir que Mugabe, na hora de depositar o voto na urna, se declarou "confiante nos resultados", o que, para quem corre sozinho, revela índices de confiança... discutíveis, digamos assim), os governantes daquele pedaço de desgraça no mundo, dizia, revelaram hoje o reconhecimento que guardam a Portugal por "ter recebido o Presidente Robert Mugabe em Lisboa, durante a recente Cimeira UE/África, o que embaraçou o Reino Unido".

2008/06/19

Sanxenxo


A contar os dias que faltam para chegar Setembro...

2008/06/18

Pausa de Verão

A estátua do Bocage (engraçado, como em Setúbal toda a gente diz "do", e não "de", Bocage, provavelmente devido ao seu nome ser "du Bocage"), a estátua, dizia, sita na Praça homónima, representa o grande poeta sadino com uma peça de tecido às costas. Em Setúbal não é necessário explicar a ninguém o que tal imagem significa, mas apercebi-me recentemente que a história da original carga não é muito conhecida fora dali. Ora bem, para simplificar, reza a história que Bocage andava sempre com uma peça (um rolo) de fazenda às costas e, quando interpelado, dizia que era para fazer um fato. No entanto, quando o voltavam a ver, ainda carregado com o seu volume, os amigos admiravam-se e perguntavam-lhe por que razão não tinha ele ainda dado o trabalho ao alfaiate, ao que Bocage invariavelmente respondia: "estou à espera da última moda!"

Lembrei-me disto ao aperceber-me de que existem pessoas cuja vida é passada à espera de algo que nem sabem se vão conseguir. É aceitável que um jovem, ao entrar para a universidade, no fulgor da rebeldia e pensando que é ele quem vai mudar o mundo, escolha um daqueles cursos absolutamente improváveis, ou um outro mais corrente mas com um conhecido superavit de formados. Pensa o jovem formando que, já que vai ter que trabalhar a maior parte da sua vida, ao menos escolherá fazer aquilo que deseja. Quando acaba o curso, percebe o que ninguém lhe disse antes: que não existe procura para "engenheiros de Bonsai", ou que existem 50 vagas de jornalista para os 1000 licenciados na área que procuram emprego. E então cai na realidade: apenas menos de 1% da população trabalhadora faz exactamente aquilo que sempre desejou e que gostava de fazer (o que é diferente de se gostar - ou não - do que se faz), enquanto que a esmagadora maioria aceita trabalhos em áreas nunca sonhadas como forma de sobrevivência e evolução natural. Mas existem os outros, aqueles de quem queria falar neste post: normalmente jovens recém licenciados, sem grandes encargos financeiros a seu custo (leia-se a viver em casa dos pais), que recusam qualquer tipo de trabalho que não seja na área escolhida, para lá de toda a razoabilidade. Destes existem os que, ao fim de alguns anos de pouca pesquisa e muita pressão, capitulam e se adaptam às ofertas do mercado, e os outros: aqueles que, para lá duma idade razoável - trinta anos, digamos - continuam a perseguir a quimera de fazer apenas o que querem, aceitando ocasionalmente, quando a isso são obrigados, funções noutras áreas, mas sempre deixando bem claro o seu descontentamento e a sua situação transitória no lugar, mesmo que daí lhe possam advir prejuízos profissinais graves.

Este raciocínio também pode ser aplicado, por exemplo, às relações sentimentais: quantos de nós não conhecemos pessoas que, apesar de todas as propostas muito razoáveis que já puderam aceitar, continuam a recusar tudo e todos, de olhar fito no horizonte, onde há-de surgir um cavaleiro ou uma princesa - conforme o género e a opção, evidentemente?

A questão é: serão estas pessoas inadaptadas, infelizes que nunca encontrarão a plenitude ou o caminho para ela, ou antes sonhadores, às quais os objectivos estipulados, mesmo que virtualmente impossíveis, continuam a dar a força para seguir em frente?

2008/06/16

Lugares #15


Chelas, hoje à tarde.

2008/06/11

Divina justiça!

No meio de toda esta confusão que nos tolhe os movimentos, não deixa de ser deliciosamente irónico notar que, precisamente quando Sócrates já antecipava o descanso que umas semanas de Europeu iriam proporcionar-lhe a si y a sus muchachos, se tenha desencadeado talvez a mais séria e efectiva operação de contestação ao seu governo - e, ainda por cima, de uma forma aparentemente espontânea!

Mas ele merece isto, e pior ainda.

2008/06/02

Lugares #14


O meu cantinho de trabalho, Carnaxide, esta manhã.

2008/05/29

Lugares #13


São Pedro de Moel, 2005.

2008/05/12

May the force be with you, Portugal!

Certamente o problema é meu, e da minha capacidade de entendimento que já se deixa transcender demasiadas vezes, talvez como prenúncio da minha fase mais reaccionária que inevitavelmente chegará com a idade. Mas, mesmo assim, ainda concederia uma oportunidade a algum "génio" da publicidade para me explicar por que raio é que num anúncio televisivo da Galp, em que surgem uma série de supostos adeptos a empurrar o autocarro da selecção Nacional até à Áustria ou à Suiça (dois países pobres, como se sabe, que, contrariamente a Portugal, que recusou a colaboração com Espanha no seu Euro por ser um país rico, se juntaram para organizar um campeonato), por que raio, dizia, é que num anúncio que deveria apelar ao patriotismo, até ao nacionalismo, a banda sonora é uma pirosa música country americana?

2008/05/06

Eles conhecem-se uns aos outros...


O deputado do PND-M, José Manuel Coelho, usou hoje, durante os trabalhos da Assembleia Legislativa da Madeira, um relógio de cozinha (!) pendurado ao pescoço, como forma de protesto pelas limitações de tempo impostas aos deputados da oposição. Alegava o deputado insular que só dessa forma poderia controlar eficazmente a duração do seu discurso.

Há dias todo o "rectângulo" se indignou quando Alberto João Jardim desaconselhou o Presidente da República, aka "Sr. Silva", a visitar aquele hemiciclo, a pretexto de se tratar do refúgio de "um bando de loucos". Afinal o homem tinha conhecimento de causa, e não falava em sentido figurado.

Bicycle Race


Gosto deste tipo. Não sei se Londres vai ficar melhor ou não depois da sua eleição para mayor, mas é sempre mais fácil apreciarmos alguém que comunga das fraquezas do homem comum, do que políticos em poses estudadas, rodeados de assessores que lhe dizem como deve agir, como se deve vestir, até os falsetes que deve ensaiar.

Esta primeira apreciação nem tem sequer a ver com política mas, on the other hand, a sua vitória em Londres pode bem ser prenúncio de um sentimento muito mais europeu: a saturação que se começa a sentir por estes socialistas que se dizem de esquerda, mas que agem de forma equívoca e ziguezagueante, tendo sempre como fito único a manipulação de quem vota. E depois os "demagogos" e os "populistas" são sempre os outros!

Lugares #12


Torre de Belém, ponte sobre o Tejo, Cristo Rei, etc., etc., tudo visto de Algés no dia 2 de Março de 2008.

2008/05/05

Arte pop


Fantásticas, as possibilidades do "Paint". Se os meus leitores quiserem, e se relevarem a minha imodéstia, ofereço-vos esta primeira tentativa de arte "pop" - no sentido (o único possível) de popular, evidentemente. Se tiverem uma impressora melhor que a minha, imprimam-no e pendurem-no na sala.

Porque somos portugueses:

E, principalmente, porque estamos em Portugal e porque falamos Português - e temos orgulho nisso - ninguém deve deixar de assinar esta petição.

"Crime, disse ela"

Quanta bílis para aí vai, Dr.ª Ana Gomes; já agora, quando diz que existe "crime" no gesto do Dr. Paulo Portas de trazer cópias de documentação para casa, procedimento que, aliás, foi assumidamente seguido por diversos outros governantes de diversos partidos (seria de uma ingenuidade tocante desempenhar cargos de tanta importância, e não reter os meios para, a posteriori, ripostar a ataques bem direccionados e mal explicados,como este, que a doutora agora tristemente protagoniza), quando fala em "crime", dizia, importa-se de ser mais específica e qualificar o mesmo à luz da legislação portuguesa, da qual, não duvido, V.ª Ex.ª perceberá infinitamente mais do que eu?

Lugares #11


São Pedro de Moel, 2 de Maio de 2008.

2008/04/23

A marcha dos lémingues, parte II


Alberto João Jardim para a liderança do PSD? Será possível que ali ninguém perceba que o maior (por enquanto) partido da oposição não pode ser liderado por alguém que, após cada almoço, ganha uma tendência para as atoardas apenas comparável ao pós prandial de Mário Lino? Que não pode ser alguém que, em cada coisa que diz, cria uma anedota e dá pretextos aos opositores para se tornar motivo de gozo, quando não de censura? É que esse folclore pode funcionar bem num meio limitado e cacicado como a Madeira, mas aqui ele não pode andar a alcatroar estradas todos os dias, e a beber ponchas com os eleitores.

Mas seria engraçado ver se ele iria ao Carnaval de Loulé ou ao de Sines.

2008/04/22

Quem quer ser burro que nem uma porta?

Vejo, de vez em quando, nestas noites ainda pouco convidativas a saídas, um programa da RTP1 em que o apresentador vai fazendo perguntas a concorrentes, de escolha múltipla, cabendo a estes escolher, de entre as opções apresentadas, a única correcta. Mas isto está-me a deprimir demasiado, e acho que vou desistir; é absolutamente confrangedor ver os graus de ignorância das pessoas que lá aparecem, quase se diria directamente aterrados de Marte, onde passaram os últimos milénios. Certo, eu não esperava que num programa de entretenimento me surgissem novos Einsteins, mas seria o mínimo esperar que, quem se candidatasse a este programa, tivesse ao menos lido o jornal da véspera.

Espero que tudo isto não passe apenas de uma perversa estratégia da RTP que, para poupar nos prémios, sujeita os candidatos a concorrentes a uns testes prévios de cultura geral e depois escolhe os piores. Porque, se não for assim, e se estas alimárias forem o exemplo da cultura média do portuguesinho, dá vontade de chorar.

2008/04/21

Filosofia de fim de tarde

Há algo de perverso - masoquista até! - em ser-se de um clube dito dos "grandes": as alegrias são efémeras e as tristezas são tão profundas...

2008/04/19

A marcha dos lémingues

Não é a primeira vez que falo do PSD, e provavelmente não será a última, mas a culpa é só deles, que não conseguem deixar de me surpreender. A sanha com que alguns militantes (quase sempre os mesmos, Pacheco Pereira, o "Professor" Marcelo, o Sr. Silva...) se lançam contra quem está na direcção do partido em cada momento faz-me lembrar aquela história do tipo que está empoleirado na árvore, a serrar o ramo sentado na sua ponta, a parte precisamente que vai cair. No entanto, quando conseguem o desiderato de afastar quem lá está e chega a altura de poderem provar, através da sua candidatura, quais as vantagens que podiam trazer para o partido, todos metem as mãos nos bolsos e assobiam para o ar. Mas, pelo canto do olho, vão espreitando as candidaturas, na certeza de que, mal chegue nova vítima ao poleiro, se atirarão a ela qual matilha esfomeada. Um exercício perverso e certamente digno de mais aprofundados estudos, designadamente sobre as pulsões suicidas que levam os próprios militantes a atacarem mais ferozmente o seu partido do que os outros.

De qualquer forma, esta demissão mais ou menos extemporânea de Menezes trouxe-nos a higiénica vantagem de nos passar a poupar a figuras surpreendentes e desconcertantes, como o improvável Ribau Esteves ou Marco António, este com o seu novo look "Zara" apprés la lettre.

2008/04/15

"Forever young..."


Quem diria que, aos 44 anos, ainda estaria em condições de ganhar a Taça dos Junior num rali do Open? Mas aconteceu este fim de semana que passou, no Rally Vidreiro. Ainda por cima numa zona tão especial para mim, como é a de São Pedro de Moel.

2008/03/23

"Viva o Vitória, gritemos todos bem alto..."


Obrigado, Vitória, da parte de todos os que te fomos apoiar ontem ao Algarve, e dos muitos mais que não puderam ir, mas que sofreram tanto como nós. Ninguém, a não ser nós, conhece a alegria que é ser adepto da equipa com o orçamento mais baixo da Super Liga, e ver como somos capazes de ganhar com o coração sempre que queremos - e ainda bem que não sabem.

Faz mais quem quer do que quem pode, é bem verdade.

2008/03/21

Lugares #10


Farol do Bugio, visto do lado Nascente do passeio marítimo de Algés, ontem à tarde.

2008/03/20

Lugares #9


Cascais, hoje, por volta do meio-dia.

2008/03/18

Lugares #8


São Pedro de Moel, Junho de 2007, ao sol do fim da tarde.

2008/03/17

Lugares #7


Alcochete, visto da Ponte das Enguias, anteontem ao entardecer.

Lugares #6


Setúbal, dia 14 de Março de 2008.

2008/03/13

Serviço Público...


...especialmente dedicado aos "Sebastien Loeb lá da rua deles" que teimam em contornar as rotundas pelo exterior, e ainda reclamam com quem circula da forma correcta. Brevemente também poderei tentar acrescentar algo ao civismo e ao conhecimento de outros "especialistas", designadamente os que não fazem pisca, os que circulam sistematicamente pela faixa do meio ou da esquerda da auto-estrada - conforme esta tenha, respectivamente, três ou duas faixas - e ainda, os mais difíceis de converter: são aqueles que interiorizaram esse sentimento estranho "Schumacher, Schumacher; dessem-me um carro igual ao do Schumacher e iam ver a aviadela que eu lhe dava!", e reconhecemo-los quando se colam atrás de nós a fazer furiosos sinais de luzes (em alguns casos relatados, até se pode ver a espuma no canto da boca do espécime), exactamente quando vamos a ultrapassar um condutor mais lento e não temos a mínima hipótese de nos desviarmos. Normalmente andam em veículos comerciais mas, nos casos com patologias mais sérias, é possível observar elementos deste bestiário a conduzir carrinhas familiares, por vezes até com as crias no banco de trás!

2008/03/11

Lugares #5


Esta noite em Carnaxide.

Viva o Rei!

O prometido é devido, e aqui estou a comentar o debate de ontem no "Prós e Contras" sobre a pertinência de se questionar o tipo de regime português. Isto quase cem anos volvidos sobre o golpe de estado, assente num crime hediondo, que instalou a república até aos dias de hoje, vetando constitucionalmente ao povo a possibilidade de avaliar essa escolha. Nada de muito surpreendente, a não ser, talvez apenas para mim que não andava suficientemente atento, a pujança e tendência de crescimento do movimento monárquico, mas já lá irei nas notas breves que a seguir deixo:

1. Como seria previsível, os argumentos republicanos careciam tristemente de fundamento, e foi confrangedor observar algumas figuras de algum relevo nacional a tentarem defender a falta de democracia da Constituição no seu artigo 288, que blinda a república como único tipo de regime e impede o escrutínio dessa decisão pelo povo. A ironia de Medeiros Ferreira, usada recorrentemente como manobra de diversão do cerne da questão, apenas pode ter surpreendido quem não se lembra de tempos mais "revolucionários" da personagem. Mas desta vez apenas lhe conseguiu retirar credibilidade, pelo que não me deterei sobre este interlocutor, por não lhe reconhecer suficiente conteúdo (atributo comum a mais contendores, de resto), mas, principalmente, pela postura pouco respeitadora do adversário ideológico.

2. Já António Reis optou, avisadamente, por uma postura mais cautelosa, mas não conseguiu evitar a "casca de banana" que é o abuso que os republicanos fazem da primeira pessoa do singular, apropriando-se indevidamente do direito a uma decisão que não é sua, mas de todo um povo. Quando António Reis diz "eu acho que não faz sentido outro sistema de regime em Portugal que não a república", está a emitir a sua opinião, que apenas é respeitável enquanto tal. Mas não pode, como gostaria, torná-la numa espécie de orientação espiritual, menorizando vários milhões de portugueses com direito à mesma. António Reis é um, como eu, como o leitor, e como mais alguns milhões de portugueses. Em democracia contamos todos.

3. O Bloco de Esquerda, ou os seus simpatizantes e/ou militantes continuam a ter a "parte de leão" no divertimento público, principalmente nos números de malabarismo para moldarem os factos à sua opinião (e não o natural inverso), soltando de vez em quando estrondosos flique-flaques para chamarem de demagogos os que defendem opiniões sustentadas. Um espectáculo circense convenientemente disfarçado com "ruído" qb, para afastar as visões do essencial e focá-las no muito mais mediático acessório. Daniel Oliveira não desmereceu, e apresentou-se impante de melodramatismos, na defesa de uma causa que, rápida mas desonestamente, transferiu para mais uma guerra esquerda direita. A manobra passa despercebida à maioria, mas não é de todo inocente; ao transfomar uma questão institucional numa questão política, o Bloco conta arregimentar mais forças para a sua causa e, principalmente, tenta servir-se ilegitimamente de uma causa supra partidária para as suas guerrinhas particulares. Isso ficou bem patente quando, com ar teatral, defendeu a liberdade de qualquer pessoa, em república, poder chegar ao topo da hierarquia do Estado, com recurso à caricata rábula cindereliana do "filho do gasolineiro". A razoabilidade do argumento convenceu tanto quem o ouvia como o próprio, creio eu. Talvez num mundo ideal isso fosse verdade, mas, muito a montante, era mais importante que essa tão querida liberdade fosse extensível a outros aspectos da vida pública, como por exemplo a liberdade para decidirmos em que tipo de regime queremos viver. Patética e sem merecer comentários fica a atabalhoada explicação para o veto ao voto de pesar por El Rei D. Carlos, proposto por deputados no dia do centenário do seu assassinato. Quanto a isto, e voltando à obsessão da guerra entre esquerda e direita, D.O. não conseguiu justificar mais do que com o argumento de que, se se passa na Assembleia da República, é porque tem uma mensagem política, ainda que eles não saibam qual é; então, se foi proposto por um deputado de um partido dito de direita, vamos votar contra por princípio, que não por convicção. Um pouco como o marido supostamente enganado, que bate na mulher enquanto diz "eu posso não saber porque lhe bato, mas ela sabe porque está a levar". Demasiado simplório para ser levado a sério.

4. Por fim, e ainda naqueles que gostariam da manipular a questão para a transformar numa mera querela política, tenho a dizer que Rui Tavares me desiludiu bastante. Leio amiúde as suas publicações no "Público" (e, penso agora, não tem saído muita coisa ultimamente...), ainda que não concorde naturalmente com elas, mas por lhe reconhecer alguma capacidade de argumentação para além do facciosismo que o atormenta. Mas não esperava, de todo, que fosse cometer a desonestidade de dizer que o tipo de regime já foi suficientemente sufragado, por existir um partido político que incorpora no seu programa esse tipo de alteração à Constituição Portuguesa. Como é evidente, há muitos monárquicos que não se reveêm no programa do PPM, e até aceito que existam muitos republicanos que o apoiam; talvez esse facto não seja tão notório agora, mas decerto verificou-se claramente quando Gonçalo Ribeiro Telles presidiu ao mesmo, com as suas políticas de ordenamento do território e de defesa ambiental e ecológica. Mas ao votar numas eleições políticas, não é suposto estarmos a escolher um tipo de regime, como todos sabemos, e Rui Tavares melhor que ninguém, mais que não seja pela sua formação académica e percurso pessoal e profissional. Daí não compreender a defesa consciente da falácia, com a quebra de crédito intelectual que tal, inevitavelmente, acarreta.

Como nota final, fiquei evidentemente feliz por ver um movimento coeso, objectivo e sereno e, principalmente, por perceber que existe uma crescente consciencialização da população para algumas injustiças gritantes, e que as mesmas estão a ocupar um espaço cada vez maior no debate público. A Causa está viva e recomenda-se, e o referendo será o próximo objectivo. Quem não deve, não teme!

É evidente que um referendo efectuado entre uma população desinteressada de quase 90% do seu passado, e quase exclusivamente nascida em meio republicano, dificilmente atingirá o sucesso desejável; mas é, desde já, mais uma forma de acordar consciências. E, se a esquerda não se importar de utilizar o seu peculiar sistema referendário, de fazer tantos referendos quantos os necessários até que o resultado seja o desejado, podemos estar no início de algo de muito bom para a identidade do nosso povo e de Portugal!

2008/03/10

A não perder:

Esta noite, na RTP1, debate no "Prós e Contras" subordinado ao tema "Rei ou Presidente". A seguir com atenção por todo o português que se orgulhe de o ser. Amanhã falamos.

Tempos difíceis


Armindo Araújo é, sem grande margem para discussão, o melhor piloto de ralis português actualmente em acção, e um dos melhores em todo o mundo - e não sou (só) eu que o digo, mas sim quem com ele compete directamente. Mas o Armindo é, também, uma das mais correctas, educadas e humildes pessoas com quem já tive o privilégio de privar, designadamente quando fomos colegas de equipa na Competisport, corria o ano de 2002. Quem não sabia ainda que tipo de pessoa estava por detrás da imagem estereotipada que a comunicação social sensacionalisticamente nos impingiu por alturas do Rali de Portugal do ano passado, teve hoje oportunidade de acrescentar algo ao seu conhecimento, isto se ouviu a entrevista dada à TSF, no programa "Mais Cedo ou Mais Tarde".

Lúcido e sóbrio, como é seu timbre, o Armindo lá foi desfiando os pormenores da sua carreira a um jornalista razoavelmente preparado (pelo menos em relação a outros programas que já ouvi), explicando ao auditório quais os motivos por que, injustamente, só à beira dos trinta lhe foi dada a oportunidade de mostrar ao mundo o seu talento. A conversa corre fluida, até ao momento em que falamos de quantias. Aí, o Armindo diz que, para fazer um Campeonato Mundial no PWRC (Campeonato de Produção do Campeonato do Mundo de Ralis - World Rally Championship), é necessário cerca de um milhão de euros. A quantia é realmente fabulosa, e poucos de nós temos esperanças de alguma vez dispormos de algo parecido. Mas a quantia é manifestamente irrisória se a compararmos com a que vários jogadores de futebol auferem a título de vencimento, por darem uns pontapés numa bola e comparecerem a umas conferências de imprensa em que a frase mais bem construída que sabem proferir é "boa tarde". E, nunca é demais relembrar, o milhão de euros de que o Armindo necessita para fazer uma temporada no Mundial não vai para o seu bolso, como nos casos dos futebolistas. Vai antes para toda uma logística que tem que ser montada, com testes, treinos, alojamentos, inscrições, viagens, transportes de material, alugueres, manutenção, peças, pneus, honorários de colaboradores, e tudo o mais relativo - duvido mesmo, e sei do que falo, que o Armindo consiga guardar alguma coisa no fim, e até que não tenha que muitas vezes "compôr" as contas a partir da sua carteira.

Porque acontece, então, esta desproporção de meios entre o futebol e qalquer outra actividade, também meritória, e com tanto ou mais empenho por parte dos seus praticantes? A resposta é muito simples: a nossa comunicação social está inquinada de morte. Dos conhecedores e sábios jornalistas, com orgulho na profissão e na escrita, que a praticavam há menos de vinte anos atrás, regredimos, devido às leis do mercado, para uma massa amorfa de pseudo-jornalistas, debitados por universidades com um claro superavit de cursos da especialidade, dispostos a trabalhar por qualquer preço, mas incapazes, muitas vezes, de escrever o próprio nome sem erros de ortografia. Para esta espécie de novos escribas, que julgam que a sua cultura geral se mede pelo número de bares no Bairro Alto que conhecem, o conhecimento de causa é irrelevante, e a informação correcta transmitida ao receptor idem, pelo que se podem ouvir atoardas como, por exemplo, um "jornalista", também da TSF, que um destes dias falava directamente da Praça do "Quevedo" (Quebedo) em Setúbal, para avisar que a linha estava cortada devido às cheias, e que havia também notícia de uma morte em Vila "Nova" (Nogueira) de Azeitão. Quando falamos de espécimes, que estão no próprio local, mas que nem ler correctamente um papel sabem, é difícil manter a esperança.

Mas voltemos ao desporto, e à falta de destaque aos feitos do Armindo; a verdade é que não seria de esperar muito mais de uma imprensa que usa palas, como os animais de carga, e que acha que desporto é sinónimo de futebol. Mas, num ainda maior afunilamento das suas curtas, mas pretensiosas, vistas, entendem futebol como os jogos - ou as lesões, os espirros, qualquer coisa - de apenas três equipas, mesmo que, pelo menos duas delas, joguem um futebol bem abaixo de medíocre.

Mas a oferta relaciona-se directamente com o grau de exigência - e quem sabe este povo não terá apenas o que merece?

Lugares #4


Hoje em Algés.

Lugares #3


Carnaxide, esta manhã.

Ricky Gervais


Ainda é um pouco alternativo, principalmente neste país mainstream, mas não me parece possível que o seu talento lhe permita muito mais tempo de desconhecimento. Este homem é um génio!

2008/03/09

Lugares #2


Barragem de Penha Garcia, 4 de Dezembro de 2007.

Lugares #1


Hoje à tarde na Ericeira.

2008/03/08

Fácil, fácil


Esta noite, Vitória um, Marítimo zero. E já estamos em terceiros. Há sonhos que continuam, mesmo depois de abrirmos os olhos.

2008/03/07

Neura


Hoje começa o Campeonato de Portugal de Ralis (ex-Campeonato Nacional de Ralis) em Vieira do Minho, e eu aqui...

2008/03/05

Marcar na agenda:


A guerra entre duas irmãs pelo privilégio de desposar um homem, um rei, por sinal. As irmãs Bolena são Natalie Portman e Scarlett Johansson. Eu disse privilégio de quem?

Ainda a ASAE e o PS, farinha (normalizada) do mesmo saco

Contra toda a evidência, os yesmen, e women, mais necessitados do PS continuam a insistir que a ASAE existe para a protecção dos portugueses. Mas protecção de quê? De comprar uma Lacoste falsa e ficar com alergias no corpo? De comer um bife duro e ficar com dores de dentes? Não insultem a minha inteligência, por favor; se querem mesmo proteger os portugueses, canalizem essa parafernália de recursos, cuja desproporção entre meios e resultados lembra um batalhão mobilizado em busca de um condutor que estacionou em local proibido, para onde a segurança e a protecção (as verdadeiras, não essa invenção de precisarmos de sermos protegidos de nós próprios) são realmente necessárias.

Agradeço a ajuda, mas dispenso-a. Se me derem um enchido caseiro como entrada numa tasca, agradecerei. Se me apresentarem um prato requentado, saberei reclamar - mas não morrerei por isso. Já não tenho, no entanto, tanta certeza do mesmo se me derem um tiro num parque de estacionamento.

Mas não, para o governo não existe criminalidade violenta e a grande prioridade do país é fechar tascas. Ser forte com os fracos e servil com os fortes só tem um nome na minha terra: cobardia!

Wonderland

O Parlamento debate hoje uma recomendação do CDS-PP no sentido de prevenir os excessos na actuação da ASAE, a autoridade para as actividades económicas que tem ficado tristemente célebre nos últimos tempos pela sua fúria esterilizadora, tentando entrar dentro da cabeça de cada português e ensinar-lhe o que deve fazer, comer, vestir e tudo o resto. Uma entidade que não conhece o significado da expressão "bom senso", mas apenas a de "stricto sensu", confundindo-a, no entanto, com "non sense" demasiadas vezes. Para a ASAE, e para o seu Director, figura de ar patusco saída de esconsos corredores socialistas, mas à procura de um rápido protagonismo que lhe dê, a breve trecho, o lugar governativo que (acha que) merece, para a ASAE, dizia, a tarefa não estará completa enquanto não existir neste país um selo em cada ervilha, e todos os protugueses estiverem condicionados para apenas fazer o que lhes é mandado, como em "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley. Uma perfeição asséptica, assim a meio caminho entre a terra da Barbie e a aldeia do Noddy.

Nesta sanha regularizadora, alguns acham razoáveis casos como o relatado esta manhã no Fórum da TSF (infelizmente só consegui ouvir alguns minutos), de uma senhora que terá sido multada em 3.000,00€ por fabricar em casa rissóis, que depois vendia a restaurantes ou a outras pessoas. A memória é curta, pois quem defende agora a aplicação de leis aberrantes de forma cega e insensível, ainda há pouco tempo se congratulava pela visão humanista dos juízes que, nos casos de aborto, sempre se regeram por uma apreciação enquadrada e social, e sempre mandaram em paz e absolvidas as mulheres que abortaram.

Como de costume, o Governo, muito palavroso mas pouco ou nada actuante, assobia para o lado, e delegou (eufemismo para "despachou") para o Parlamento, designadamente para a Comissão de Assuntos Constitucionais, a criação de um Grupo de Trabalho que se dedique ao recenseamento das actividades tradicionais não enquadradas neste espartilho que nos querem vestir, para, presume-se, as regulamentar posteriormente com o seu carácter excepcional. Tenta assim o Governo lavar as mãos, depois de se ter tornado insustentável a continuação na defesa do absurdo, mas "esquece-se" de referir que poderia ele próprio, Governo, poupar tempo e possíveis falências e outras perdas irreparáveis, regulamentando desde já essa área, uma vez que existem regulamentos europeus que já prevêem a possibilidade de adequar as normas gerais à produção tradicional em cada país.

Nada, infelizmente, a que não estejamos já habituados por parte de quem tanto investe na forma que não tem tempo para pensar em conteúdos!

Nota: Texto tambem publicado no blog CDS Setúbal

2008/03/04

Obrigado, Vitória!


Para quem, como eu, adepto antigo mas torcedor recente (e não por isso menos empenhado), para quem, dizia, não poucas vezes saíu, ainda na época passada, daquele estádio do Bonfim, com vontade de entrar na primeira tasca que encontrasse e beber um barril de imperial para esquecer a desgraça, não há palavras para descrever a alegria que é ver a sua equipa a ensinar todas as outras, em Portugal, a jogar futebol. O Benfica já foi subjugado por nós, principalmente para a Taça da Liga, o Sporting ainda vai jogar essa final, mas ficou atrás de nós na fase de grupos, e em três jogos sofreu duas derrotas e um empate (em Alvalade, bem ajudado pelo árbitro), e até já dominámos o Guimarães, uma fotocópia de Vitória, mas a preto e branco (original há só um!), o maior embuste deste Campeonato, que tem sido "levado ao colo" durante toda a época pelos árbitros - ele são golos em falta, em fora de jogo, sarrafada com fartura, e toda a panóplia, que o árbitro há-de resolver. Mas mesmo esses já levaram a sua dose, repetindo o duche de água fria de há dois anos, quando foram eliminados para a Taça de Portugal em Setúbal, dessa vez nas meias-finais.

Os detractores diziam-me que o Vitória só jogava bem com o Benfica, que crescia. Depois, face às evidências, já só não afrontava o Porto, porque supostamente este ajudava aquele. Mas, desta vez, são os próprios adeptos do Porto que unanimemente comentam, por todos os fóruns, que o Vitória foi a pior equipa que lhes podia sair em sorte para as meias-finais da Taça de Portugal, e há até alguns portistas que vaticinam a eliminação da sua própria equipa - e as alternativas eram o Benfica ou o Sporting!

Por mim, já cá canta o bilhetinho para ir ao Algarve dar algum uso àquela construção à entrada de Faro, dia 22 de Março. E, estou seguro, daqui a uns meses descerei aqui ao Jamor para ter nova alegria futebolística.

Os 99,9% de portugueses que são adeptos do Benfica, Sporting e Porto, mesmo aqueles que dizem que o Vitória, o Belenenses ou a Académica são a sua "segunda equipa" (seja lá isso o que for...), não sabem as alegrias que perdem por não sentir esta força que não vem do dinheiro nem do tráfico de influências, mas do fundo do coração!

Para quem ainda não percebeu que foi a comunicação social e o sistema quem lhes mandou andarem a gritar "Porto!" ou "Benfica!" quando a sua cidade é Setúbal ou Coimbra, e ainda tiver paciência para tentar compreender a aberração que protagonizam, recupero aqui este belíssimo texto de "Candeia", publicado em 2004 (mas nem por isso desactualizado) no seu blog, entretanto, infelizmente, abandonado:

"A discussão é antiga e sempre acesa. Argumentos esgrimem-se em torno desta temática. Os adeptos mais fervorosos e indefectíveis do Vitória não compreendem como se pode ser adepto ou sócio do Vitória e poder-se sequer gostar de um outro clube que tenha uma equipa de futebol profissional, principalmente um daqueles clubes cujo número de adeptos lhes conferem uma dimensão nacional.

Mas a paixão que os vitorianos sentem pelo Vitória acaba por ter, como qualquer paixão forte, tal como acontece quando se ama, razões que a própria razão não consegue explicar.

Setúbal e o Vitória estão intimamente ligados desde o aparecimento do seu mais representativo clube, em 1910.

Setúbal, cidade também ela arrebatadora de paixões por quem nela vive ou passa, acaba por vincar forte a necessidade dos seus filhos e enteados se entregarem de corpo e alma a essa paixão e por tudo o que a representa. O Vitória não é excepção. Assim se explica que com o passar dos anos os muitos adeptos que aprenderam a gostar do Vitória não fossem sentindo necessidade em gostar de qualquer outro clube. O Vitória preenchia os sonhos, as alegrias, as desilusões desportivas... enquanto crescia no panorama nacional... enquanto subia até à primeira divisão, enquanto conquistava a Europa e os mais altos lugares da classificação do principal campeonato de futebol e se debatia de igual para igual em cada série da Taça de Portugal.

O Vitória dominava a vida desportiva da cidade. Aglutinava em seu redor os atletas setubalenses. A vida social da cidade retribuía com uma forte dedicação no apoio ao seu Clube. Um tempo de maior disponibilidade e entrega das pessoas a causas comuns, que hoje a vida não permite por haver demasiados centros de dispersão e diversão, desde a televisão 24 horas até aos grandes centros de consumo, passando pela infinidade de possibilidades para ocupação de tempos livres.

E o Vitória conquistava quem cá estava e quem para cá vinha. Um amor que foi facilmente passado de geração em geração. Um amor que exigia exclusividade porque desde cedo os principais clubes portugueses se tornaram rivais... os ladrões dos nossos sonhos de chegar cada vez mais alto, ou simplesmente pelo prazer que os setubalenses sentiam por se ganhar aos clubes de Lisboa, já nessa época uma capital que queria puxar a si todas as atenções, cuja imprensa "nacional" aprendia a ignorar tudo o resto.

E quem chegava migrado aprendia rápido a gostar do Vitória. E muitos dos que foram povoando Setúbal ao longo do último século, oriundos de um Alentejo que não disponibilizava esta paixão, ou de outras zonas do país que não ofereciam a beleza que Setúbal tinha (e tem), tornaram-se em alguns dos maiores defensores do Clube setubalense, cuja entrega passou para as gerações vindouras.

Mas ao mesmo tempo que chegavam mais "forasteiros" para assentarem arraiais em Setúbal, ao mesmo tempo que a sociedade portuguesa ia pintando o país com três cores clubistas, e onde a comunicação social nacional apenas dava atenção a três clubes em Portugal, a força do adepto setubalense 100% vitoriano perdia algum do seu fulgor.

Paralelamente, os cada vez em maior número centros de diversão e a cada vez maior variedade de ocupação de tempos livres, começaram aos poucos a desviar a atenção de alguns setubalenses, que se começaram a desabituar do gosto pelo futebol ou pelo desporto, direccionando-se para outras "artes". E é através deste facto que hoje se conseguem encontrar muitos filhos desta terra cujo clube de preferência é o Vitória, mas que não se interessam por desporto em geral, futebol em particular, não acompanhando a vida do Clube, nem como associados nem como simples adeptos.

Entretanto, a obrigatoriedade imposta pela sociedade em se ser adepto neste país de um clube da dimensão nacional criada pela própria sociedade, cujo cúmulo termina na pergunta ridícula: "Mas qual é que é o teu segundo clube?" ou na "Mas afinal de qual dos grandes é que és?", aliada à migração já referida, e contínua, de gentes de outras terras para os grandes centros urbanos, acabou por introduzir nas fileiras de sócios do Vitória uma grande percentagem de pessoas que gostam de futebol, gostam do Vitória... mas que têm uma paixão vinda de trás por um dos tais emblemas "nacionais", alimentada pela facciosa e comprometida comunicação social.

E será que tal situação é condenável? Pergunta difícil esta... de resposta ainda com maior índice de dificuldade!

A resposta..., melhor: Uma resposta (!), passa, ainda que ambígua, por redundar num simples... talvez! Dependerá dos setubalenses, no caso do Vitória, dos bracarenses, no caso do Sporting de Braga, dos conimbricenses, no caso da Académica de Coimbra, dos aveirenses, no caso do Beira-Mar, etc., i.e., passará em muito pelos adeptos das várias equipas nacionais que se entreguem em exclusividade ao apoio à equipa da sua cidade.

Dentro de cada clube, os adeptos de duas cores, que tanta falta fazem em número e no pagamento de quotas, terão que compreender que não são adeptos de primeira desse clube. (Acho lógico esse auto-reconhecimento). Mais, deverão compreender, aceitar e respeitar que os adeptos a 100% de um clube têm uma paixão maior, porque exclusiva! Mas, e acima de tudo, deverão saber preservar a sua condição de sócio e adepto, de uma forma muito simples: em caso de um jogo em casa do clube da terra onde vive, com o clube do seu coração, deverá saber abandonar a sua condição de sócio, e acompanhar o jogo a partir de um local neutro no estádio, adquirindo um bilhete normal para adepto visitante! Ou seja, deverão saber respeitar o clube do qual são sócios e deverão respeitar os restantes sócios de um emblema que a eles, teoricamente, também muito lhes diz.

Mas se esses adeptos são importantes na vertente financeira para o clube, acabam por ser um cancro que se não for combatido, com o passar do tempo, tenderá a fazer perder a identidade dos sócios a 100% desse clube, reduzindo o número de clubes em Portugal com essa identidade, levando a que o marasmo do futebol português se reduza à insignificância de uma paixão por três clubes inventados por uma comunicação social irresponsável onde a maioria dos profissionais desse sector não são simplesmente profissionais.

Os adeptos a 100%, por sua vez, deverão reconhecer a importância de um clube com muitos sócios, ainda que alguns não sofram como eles pelo emblema a que dedicam exclusividade. Deverão também reconhecer que muitos desses sócios têm uma história de vida que explica a paixão por outro emblema, e valorizar aqueles que aprenderam também a gostar, a amar, a roer as unhas, a incentivar permanentemente a equipa, a acompanhá-la e a dedicar-lhe muito da sua vida... muitas vezes com tanta ou mais emoção como os adeptos a 100%, perfeitamente visível nos jogos que não interferem com o sucesso da sua outra equipa.

Uma coisa é certa... não ajudará que aqueles que nasceram numa terra como Setúbal, e sejam de descendência sadina, incompreensivelmente sejam adeptos de um dos tais clubes de "dimensão nacional", promovida pela também ela pela facciosa imprensa "nacional".

Não vejo um português, residente desde sempre em Portugal, ser um adepto convicto da selecção espanhola, alemã ou inglesa, apenas porque já ganharam mais títulos, porque têm melhores jogadores ou porque têm mais adeptos... nem o vejo gostar primeiro de Portugal e depois de outro país, a não ser por motivos de afinidades familiares. Nós portugueses "reduzimo-nos" à nossa "insignificante" paixão lusitana, mas orgulhosamente! Nós setubalenses, também orgulhosamente, "elevamo-nos" à nossa convincente paixão sadina, à nossa paixão pelo Vitória, porque amar-se o Vitória é amar-se Setúbal!

E ainda há alguns, muitos, que apelam à questão do bairrismo para denegrir a paixão que os setubalenses sentem pelo seu Vitória! Bairrismo? Mas há gente que sabe o que diz? Para mim um bairro é Benfica. Um bairro de Lisboa... essa cidade mongolóide de um país amorfo. Um bairro elevado à dimensão nacional pela tal comunicação social facciosa, comprometida perante empresários, política e sistemas! Um bairro elevado à condição de dimensão nacional, onde gente sem força interior e sem orgulho das suas origens se deixou conquistar pela glória alheia!

Setúbal é uma cidade, capital de Distrito, com uma história que lhe dá paixão! Não é um bairro, mas sim uma cidade que reúne filhos de uma vasta região portuguesa, nas várias repovoações de que foi alvo, conseguindo sempre transmitir o mesmo orgulho a quem por cá se instalava.

Mas porque raio se nasci em Setúbal vou-me pôr a gritar num estádio por uma cidade que não a minha? Porquê gritar "Porto! Porto!" ou por um bairro de Lisboa, tipo "Benfica! Benfica!", ou por um clube com nome inglês, tipo "Sporting! Sporting!"!

Ganharam mais títulos? Têm melhores equipas? São promovidos pela sociedade ou pela comunicação social? Têm mais tempo de antena? Não são de onde nasci... e ponto final!... Confesso: também só consigo gritar por Portugal!

Há quem apele à democracia... à liberdade de escolha! Mas que liberdade? Àquela que é condicionada pela comunicação social enquanto grupo de pressão camuflado? Àquela que nos é imposta por uma sociedade decadente e onde que nem carneirinhos todos seguem a teoria dos mais fortes? Dos mais ricos? Pergunto eu se essa gente também escolheu ser portuguesa? Porque torcem por Portugal? Não os vejo torcer por França, ou pela Holanda! Onde está a congruência?

Sou português, torço por Portugal! Sou setubalense, torço pelo Vitória! (Única colectividade setubalense que nasceu do esforço conjunto de toda a cidade). Esta é a congruência! A única excepção aceitável é a que é justificável pelos movimentos migratórios.

Mas não sejamos mais papistas que ao Papa... se existem sócios no Vitória que não o sejam a 100%, deixemo-los existirem... apenas peço que o sejam respeitando a instituição e os vitorianos a 100%.

Resta deixar uma palavra aos vitorianos que não nasceram em Setúbal. Não serão muitos certamente. Pelo teor das minhas palavras também não compreenderei porque o são, se não tiverem uma história que os ligue de alguma forma a Setúbal, por migrações ou por afinidades. Mas, e pelo teor igualmente do que referi, serão certamente pessoas com uma personalidade muito forte, que conseguiram manter a sua integridade por terem conseguido enfrentar e contrariar o sórdido mundo da comunicação social e fugir aos tentáculos de uma sociedade que se diz democrata! Certamente serão vitorianos porque se revêem na força dos adeptos sadinos e na paixão que estes sentem pelo Vitória!

A terminar, apenas o grito que apetece deixar:

VITÓRIA! VITÓRIA! VITÓRIA!"

Ser do contra

Tem sido anedótico observar como a esquerda cá do burgo se desdobra no apoio aos candidatos Democratas às eleições Norte Americanas, apenas e tão só porque eles concorrem contra os candidatos Republicanos. O raciocínio é tocante, de tão básico: se os Republicanos são de direita, nós apoiamos quem está contra eles porque, por exclusão de partes, devem ser de esquerda. A esquerda que nos calhou em sorte apenas aparenta ter o exclusivo da sabedoria, mas na prática pouco mais faz do que contrariar, por princípio, o que a direita aprecia - uma coisa assim meio infantil, se nós queremos sair, eles querem ficar em casa, com a agravante de arranjarem logo mil razões para condenar e achar ofensiva e opressora uma saída.

À esquerda falta perceber o óbvio: os valores americanos - que eu não aprecio especialmente, note-se - não se regem pela europeia dicotomia política da esquerda-direita clássica. Mas, se fosse possível enquadrá-los, ambos seriam sem dúvida de direita, de tão liberais que são nas economias, e tão conservadores nos costumes - e ambos, também, tão doentiamente nacionalistas que fariam o PNR parecer uns meninos de coro!

Mas a esquerda tem esta costela masoquista: festejaria, sem pensar, uma hipotética vitória de Obama ou de Hillary (mais do primeiro do que da segunda, pela iconoclastia), para daí a uns meses, quando eles mandassem tropas para um qualquer país terceiro mundista com cheiro a petróleo, terem que fazer malabarimos para dar o dito por não dito. Mas, tal como o Rui Castro, não me apetece estar aqui a explicar algo a quem já sabe tudo.

2008/03/03

Uau!

Parece que ainda ontem nasceu, mas já tem um blog, o Lourenço!

2008/03/02

Egoísmo



A única coisa que me deixa pesaroso nesta agonia lenta de Fidel Castro, e de todo um regime, é saber que em breve acabarão os fabulosos José Lambrid Piedra a 6,25€ uma caixa de Cazadores (quase oferecidos, como diria o Miguel Esteves Cardoso), assim que os infelizes cubanos conseguirem ter acesso aos encantos do capitalismo - o que, evidentemente, sucederá rapidamente, como sucedeu em todas as outras pré-histórias políticas em que o comunismo provou cabalmente ser uma ideologia falhada.

Também lamentarei não ter ido nunca a Cuba, não aos resorts de plástico, que certamente continuarão a existir, mas à Havana de Wim Wenders, se bem que saiba que aqueles Buicks dos anos 50 e 60 já quase só servem para os postais, pois partilham as ruas com muitos modelos bem actuais de origem coreana.

2008/02/11

Sonhos adiados



E, para desanuviar de tanta escrita, aqui fica mais um oldtimer para a minha putativa garagem de sonho; com a vantagem de desta vez se tratar de um projecto mais modesto, económico e, pour cause, exequível - assim as coisas se comecem a endireitar...

A ponte é uma passagem...



Nesta discussão sobre pontes e aeroportos, com uma enchente de pedidos de pareceres a encherem de trabalho os funcionários do LNEC (infelizmente "esqueceram-se" apenas de pedir um parecer sobre o interesse de gastar muitos milhões de euros num comboio TGV, num país onde um Alfa Pendular já ultrapassa os 200km/h e onde a auto-estrada A6, de Setúbal a Badajoz, está permanentemente sem trânsito...), parece-me, dizia e desculpem-me a petulância, que se está a esquecer o óbvio: é que, se olharmos para um mapa da Estremadura e nos fixarmos na parte Norte do distrito de Setúbal, reparamos que os concelhos de Almada e do Seixal já estão servidos pela Ponte ex-Salazar, agora 25 de Abril, enquanto que qualquer residente nos concelhos do Montijo ou Alcochete está agora muito satisfatoriamente servido, nas suas viagens de e para Lisboa, pela Ponte Vasco da Gama. Aliás, a construção desta ponte aumentou visivelmente a densidade demográfica naquelas zonas, principalmente por parte de quem procurou preços mais atractivos no imobiliário e melhor ambiente, continuando a trabalhar em Lisboa. Por outro lado, quem conhece a zona sabe bem que, antes da existência da ponte, eram poucos os montijenses ou alcochetanos que trabalhavam em Lisboa, tantas eram as dificuldades de deslocação, tendo esse fluxo aumentado exponencialmente depois de 1998 por motivos óbvios. Curiosamente, alguns dos concelhos que forneceram, desde sempre, maior quantidade de mão de obra para Lisboa são o Barreiro e a Moita, bastando, para confirmar o que digo, atentar nos milhares de pessoas que diariamente atravessam o Tejo de barco (no Barreiro ainda há quem lhes chame "vapores") - mas, paradoxalmente, são actualmente os concelhos, com estas características demográficas, mais mal servidos em termos de acessibilidades. Ora, se é verdade que na elaboração do estudo deverão ser levados em linha de conta os factores técnicos (facilidade de construção) e económicos (principalmente o custo das obras, mas também a sua rentabilização), parece-me, contudo, da mais óbvia justiça que a primeira pergunta a fazer seja precisamente qual a localização que melhor serve as populações. Decerto seria mais barato e tecnicamente mais simples fazer uma nova travessia do Tejo em Vila Velha de Rodão, mas certamente isso não resolveria o problema de um único habitante da margem Sul que tivesse que se deslocar diariamente para Lisboa.

Assim sendo, e sabendo que os concelhos mais a Sul da península, ie, Palmela, Setúbal e Sesimbra, se encontram equidistantes de Lisboa, seja qual for a opção tomada, que os habitantes dos concelhos de Almada, Seixal, Montijo e Alcochete estão, todos, a escassos minutos de uma das pontes actualmente existentes (sem considerar problemas de trânsito, presentes em qualquer caso), e que os habitantes dos concelhos do Barreiro ou da Moita, apesar de se encontrarem junto ao Tejo, encontram-se sempre a mais de trinta quilómetros da capital, e ainda que as opções em cima da mesa são a construção de uma nova ponte no Barreiro ou no Montijo (surgindo ainda agora uma ainda mais lunática de construir mais uma ponte em Alcochete), pergunto-me, e pergunto-vos, qual seria a ponte de utilidade mais efectiva?

Triste aniversário

Passa hoje exactamente um ano sobre a data em que a maioria dos portugueses que se deram ao trabalho de ir votar escolheram a legalização da IVG, eufemismo para aborto, desde que praticada até às dez semanas de vida do feto. Segundo tenho ouvido, e se tenho interpretado bem, parece que os "objectivos" estão a ser cumpridos, ou talvez não, nem é isso o que mais me interessa. O que me choca é a forma como se podem estabelecer "objectivos" quando é da morte de seres humanos que falamos, como se fossem generais a determinar qual o número de baixas a infligir ao adversário. Tudo, realço como fiz há um ano, decidido por quem cá anda, e que o pode agradecer a quem decidiu pela sua vida, mas que agora se arroga o direito divino de decidir sobre a vida alheia.

Bom, mas passada que está esta batalha dura para tão galvanizados lutadores, outras se aproximam. Não falo ainda da abolição, tout court, das toiradas, previsível próxima etapa de quem defende sem dúvidas a morte de seres humanos indefesos, por decisão da mãe, mas que se indigna com o sofrimento infligido a um toiro de quatro anos. Continuo ainda no tema do aborto (desculpem lá, mas não usarei o vosso querido eufemismo de "Interrupção blá blá blá", apenas e tão só porque ele representa uma mentira nos próprios termos, já que uma interrupção pressupõe um reatamento posterior), para dar conta de uma nova reclamação que o Movimento Democrático das Mulheres (MDM) passou largos minutos a defender, em tempo de antena pago pelos contribuintes, há bocado, antes do Telejornal na RTP1. Regozijando-se com o sucesso da nova lei, sucesso esse consubstanciado no número de mortes de bebés, estas mulheres não se encontram ainda satisfeitas, e reclamam agora uma maior urgência no atendimento de um caso de aborto a pedido. Não reivindicam, curiosamente, mais consultas de apoio psicológico e de aconselhamento a quem quer abortar, mas sim que as pessoas que atravancam os hospitais com os seus extravagantes pedidos de ser tratados a cancros ou fracturas, tenham respeito pelos casos muito mais graves e prioritários de quem engravidou porque não lhe apeteceu estar a pensar muito no assunto, e agora precisa rápida e urgentemente de matar a vida que traz no ventre.

Os defensores do "sim" sempre se ofenderam muito por ser tratados como criminosos, mas para mim é difícil pensar noutro nome para quem, conscientemente, defende a morte de vidas humanas.

Balanço



Este blog tem andado meio parado, não só por falta de disposição - que não de tempo, infelizmente - do seu autor para nele escrever, mas também por me ter dado conta, de há uns tempos para cá, de que os blogs perderam a sua força da altura do lançamento, em que éramos apenas uns poucos (perdoem-me o pretensiosismo, mas a verdade é que este espaço fará em breve seis anos). Agora os blogs estão demasiado banalizados e servem para tudo, desde colocar fotos de um casamento até aos resultados de uma equipa de futsal lá da empresa, e esta dispersão acabou por ter efeitos práticos nefastos para o núcleo que se mantinha: apenas uma meia dúzia se aguentou com leitores fiéis, precisamente aqueles que mais vezes eram actualizados ou citados em órgãos de comunicação mais abrangentes. A este propósito, e perdoem-me desviar a conversa, não posso deixar de me sentir intrigado com os critérios que o "Público" utiliza para os seus destaques diários do que é escrito em blogs; a verdade é que aparecem sempre meia dúzia de blogs absolutamente desconhecidos, as opiniões neles expressas são incipientes e revelam frequentemente desconhecimento de causa, e até se conseguem encontrar vezes demasiadas erros crassos de ortografia e de outro tipo (lembro-me, por exemplo, de um "especialista", que viu o seu blog transcrito no "Público", referir-se a um jogo de futebol entre o Porto e o Sporting como um derby!). Não sou adivinhador, mas não deverei andar muito longe da verdade se imaginar que aqueles retalhos de blogs são da responsabilidade de algum estagiário a quem se diz, por exemplo, para fazer um apanhado do que dizem os blogs sobre o atentado a Ramos Horta. Vai daí, o esperto estagiário faz uma pesquisa no Google com as palavras "Ramos Horta atentado blog", e faz um copy/paste dos cinco ou seis primeiro blogs que encontrar, sem cuidar sequer de averiguar da relevância do seu conteúdo. Fácil, prático e nada profissional.

Mas desviei-me do assunto que aqui trazia, a minha actualização cultural e de lazer nestes dias de forçada inactividade, como forma de manter o espírito tão são quanto possível. Não serei exaustivo, e desde já espero que os meus leitores relevem a petulância de lhes dizer o que ando a fazer como forma de guia espiritual. Mas, se não acharem necessário este aconselhamento, sem qualquer finalidade comercial, sabem que são livres de clicar lá em cima num botão qualquer e saltar para outro site tão depressa como aqui vieram parar.

Posto isto, ficam a saber que, descoberta a minha veia monárquica recentemente, ando a ler a biografia dessa grande personagem portuguesa que foi D. Carlos, cobarde e infamemente assassinado. A propósito, há dias, nas comemorações do centenário do regicídio, ouvi a troupe do costume, ie, o Bloco de Esquerda e os seus "artistas" justificarem o voto contra um voto de pesar por D. Carlos proposto por um deputado do PSD, por alegadamente se estar assim a branquear a imagem de uma pessoa e de um regime que "já na altura eram alvo de grande contestação popular". Dando de barato que a pessoa que pronunciou isto, penso que o inefável Dr. Fernando Rosas, não estava a confundir monarquia com a ditadura que sucedeu pouco depois da instauração da república - esta sim, culpa dos republicanos, que depois de tomarem o poder com um criminoso golpe de estado, não souberam conduzir o país - aceitando que não há confusão, dizia, só podemos concluir que a afirmação é dolosa e intencionalmente mentirosa, já que a contestação partia apenas de um limitado grupo de revoltados, incluindo Aquilino Ribeiro, cuja memória - essa sim - se tenta branquear agora. A "contestação popular" a que alude o BE era tanta que, nas eleições democráticas que já durante a monarquia se realizavam em Portugal, nunca o Partido Republicano atingiu sequer os 10%! Mas também pouco mais se poderia esperar de quem não tem dignidade nem honra: bastava observar meia dúzia de provocadores disfarçados de palhaços (uma redundância, o disfarce era desnecessário...) que foram nesse mesmo dia para o Terreiro do Paço provocar quem relembrava a memória do Rei e do Príncipe Real, dando vivas ao Buiça no verso de faixas usadas anteriormente noutros "números artísticos" do bloco.

Hoje estou para divagar, como João Bénard da Costa nas suas lindas crónicas de domingo no "Público", desculpem outra vez a imodéstia de me comparar a tão grande figura. Voltemos pois ao livro que ando a ler, "D. Carlos", da autoria de Rui Ramos, edição do Círculo de Leitores (o que eu penei para arranjar este livro, já que eles mantêm aquela abstrusa regra de só vender a sócios - obrigado, cunhada!), apesar de recentemente ter surgido numa outra edição mais portátil (pelo menos não tem capa dura) e fácil de adquirir, da Temas e Debates. Entretanto, já está ali em fila de espera "D. Carlos - a vida e o assassinato de um Rei", de José M. de Castro Pinto, da Plátano Editora. Aparentemente trata-se de uma versão menos aprofundada mas mais objectiva do reinado e da morte da mesma personagem marcante da nossa nacionalidade, bem como das nossas ciências e artes.

Mudando de tema, mas ainda na leitura, também ali está já "O Crocodilo que voa", série de entrevistas ao recém falecido Luiz Pacheco por João Pedro George, livro a que aludi no post anterior. Não vai demorar muito a chegar à mesinha de cabeceira, palpita-me. Lá vai encontrar a companhia do "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, extraordinário exercício de antecipação, que só não tem tido a merecida rapidez de leitura devido à concorrência de outras obras. E vai encontrar também a Autobiografia dos Monty Python, algo que ninguém nascido nas décadas de sessenta ou setenta devia perder. De saída há uns dias veio "A Vida de Pi", de Yann Martel, lido com algum atraso relativamente à sua saída, mas que nada perdeu com o tempo. Vivamente aconselhado.

Ainda nas leituras, mas passando à imprensa, continuo, malgré tout, a ler o "Público", a "Sábado" idem, e a recusar-me terminantemente a passar os olhos sequer por pasquins como o "Expresso", o "Sol" ou o "24 Horas", o que, contudo, não me impede de ir acompanhando à distância as divertidas acrobacias do arquitecto para rebaptizar as ofertas. Leio de ponta a ponta a "Atlântico" todos os meses, assim como a "Retro Course" e a "Motor Clássico" - estas são, de resto, as únicas duas revistas de automóveis que compro, já que no que toca aos modelos actuais e às corridas, de que tanto gosto, a qualidade da oferta é abaixo de medíocre e mais vale actualizar-me na net.

Passemos à música, só para dar conta, sem grandes comentários, dos dois últimos power play do meu carro: "Versus", dos Kings of Convenience (& amigos) e "Distortion", dos Magnetic Fields. Ouçam e digam qualquer coisa depois.

A minha condição caseira, que eu muito prezo, também me levou a aumentar levemente os meus tempos de visualização de televisão. Na "caixinha" recomendo, pois, "A Quadratura do Círculo" sempre, "Conta-me como foi" e "Men in Trees" série americana que vale especialmente pelas paisagens e pelos ambientes, estupidamente "traduzida" em português para "O Amor no Alasca". Aliás, já que falo nisto, e perdoem-me outro desvio, sempre achei que havia uma atitude generalizada de quem traduz títulos de filmes, no sentido de nos tentarem explicar, logo no título, pelo menos metade do enredo, não vá o portuguesinho típico não saber do que se trata. Haveria milhares de exemplos, mas lembro por exempo a "tradução" de "Little Miss Sunshine" para um muito mais explícito "Uma família à beira de um ataque de nervos" - para mais plagiando, ou copiando quase, um título famoso de Pedro Almodovar. E, como as cerejas, falo-vos ainda dos "Devotchka", autores da banda sonora do filme. Um espanto. Voltando, no entanto, à televisão, de destacar a mais linda sitcom romântica que me lembro de ver: é inglesa, passa aos domingos à noite na "Britcom", por enquanto, tem paisagens maravilhosas de Gales, e chama-se "Gavin and Stacey".

De resto continuo a ir sempre que posso ver o Vitória de Setúbal (ainda ontem lá estive, a ver como se coloca o Guimarães, uma equipa que tem sido "levada ao colo" pelos árbitros, no seu devido sítio), os ralis, e só tenho faltado aos toiros porque toiros decentes só para lá da fronteira.

E pronto: a Madalena e o Lourenço estão cada vez maiores e mais bonitos, e falta-me muito pouco para estar completamente feliz!

2008/01/08

O libertino já não passeia!



Não sei porque tropecei em Luiz Pacheco, logo eu, que nunca liguei muito a surrealistas. Talvez por ser de Setúbal, não sei - nem interessa agora. Sei que fiquei viciado, que comprei e li tudo o que o homem escrevia, e que andei anos a planear ir ter com ele ao lar de idosos onde estava, em Palmela, a meia dúzia de quilómetros da minha antiga casa, para lhe pedir um autógrafo e, sabe-se lá, talvez trocar umas impressões com ele.

Mas ele não esperou por mim; morreu no passado sábado, dia 5, e foi hoje cremado no Alto de São João. Fico com pena, por ele, mas também (perdoem-me o egoísmo) por mim, que vou perdendo as minhas referências.

Resta-me agora esperar pelo livro de entrevistas que estava prevista para este mês, por João Pedro George, chamada "O Crocodilo que voa", acho eu. Aliás, já li a maior parte delas no blog de JPG (o famoso processado por Margarida Rebelo Pinto, por ter denunciado os seus auto-plágios), e só não faço o justo e merecido link por me ter esquecido do nome do blog. Peço desculpa pela minha péssima memória, e entretanto, deixo aqui, numa espécie de compensação, o link para a entrevista que ele deu à precocemente falecida revista "Kapa" - provavelmente foi aí que me deu o clique...

2007/12/07

Barracas em Lisboa (ou em São Julião da Barra)

Se por absurda hipótese eu fosse o Presidente do Zimbabwe (cruzes, canhoto!), decerto estaria espantado com toda a polémica que antecedeu, e decerto vai acompanhar, a minha estadia em Lisboa para a cimeira com os países africanos, ou lá como se chama.

De facto, não consigo perceber por que raio Mugabe se pode destacar tão especialmente num catálogo de facínoras, ditadores e tiranos como o que por estes dias passeia por Lisboa as suas assustadoras taras, atravancando-nos alarvemente o trânsito, qual freak show de pacotilha.