2008/01/08

O libertino já não passeia!



Não sei porque tropecei em Luiz Pacheco, logo eu, que nunca liguei muito a surrealistas. Talvez por ser de Setúbal, não sei - nem interessa agora. Sei que fiquei viciado, que comprei e li tudo o que o homem escrevia, e que andei anos a planear ir ter com ele ao lar de idosos onde estava, em Palmela, a meia dúzia de quilómetros da minha antiga casa, para lhe pedir um autógrafo e, sabe-se lá, talvez trocar umas impressões com ele.

Mas ele não esperou por mim; morreu no passado sábado, dia 5, e foi hoje cremado no Alto de São João. Fico com pena, por ele, mas também (perdoem-me o egoísmo) por mim, que vou perdendo as minhas referências.

Resta-me agora esperar pelo livro de entrevistas que estava prevista para este mês, por João Pedro George, chamada "O Crocodilo que voa", acho eu. Aliás, já li a maior parte delas no blog de JPG (o famoso processado por Margarida Rebelo Pinto, por ter denunciado os seus auto-plágios), e só não faço o justo e merecido link por me ter esquecido do nome do blog. Peço desculpa pela minha péssima memória, e entretanto, deixo aqui, numa espécie de compensação, o link para a entrevista que ele deu à precocemente falecida revista "Kapa" - provavelmente foi aí que me deu o clique...

2007/12/07

Barracas em Lisboa (ou em São Julião da Barra)

Se por absurda hipótese eu fosse o Presidente do Zimbabwe (cruzes, canhoto!), decerto estaria espantado com toda a polémica que antecedeu, e decerto vai acompanhar, a minha estadia em Lisboa para a cimeira com os países africanos, ou lá como se chama.

De facto, não consigo perceber por que raio Mugabe se pode destacar tão especialmente num catálogo de facínoras, ditadores e tiranos como o que por estes dias passeia por Lisboa as suas assustadoras taras, atravancando-nos alarvemente o trânsito, qual freak show de pacotilha.

2007/11/01

Sonhos adiados


Isto, e mais a garagem para guardar tanto oldtimer, que já começam a ser muitos, e tempo para os usar, dinheiro para os manter...

O melhor jogador do Benfica foi o árbitro!

Como bom vitoriano que me orgulho de ser, também ontem rumei ao estádio do Bonfim para confirmar o excelente momento de forma que o Vitória está a atravessar (e, contrariamente ao que dizem alguns ressabiados, com tendência claramente ascendente), para ver uma equipa unida e honesta a derrotar com toda a justiça um grupo de pseudo-vedetas, que auferem salários milionários, mas que amiúde se esquecem de que têm que jogar à bola, preferindo esperar pelo sempre presente auxílio do árbitro para chegar ao golo. Como vitoriano sofri com as injustiças e aberrações que se passaram impunemente em frente aos nossos olhos, e como vitoriano festejei a merecida vitória. Não falarei aqui da qualidade do adepto português que, na sua esmagadora maioria, tem que "encarneiradamente" pertencer a um dos três ditos "grandes", o que levou a que muitos - provavelmente a maioria - dos que comigo partilharam a alegria o fizessem mais como anti-benfiquistas do que como vitorianos. É pena, mas cada um saberá escolher os seus caminhos.

Também não me apetece aqui perder demasiado tempo a comentar o atávico mau perder dos benfiquistas, que depressa se apressaram a escavar as mais rebuscadas justificações para o resultado. Antes do jogo já se falava da opção dum espanhol, mais palavroso do que actuante, de colocar a jogar os seus ditos reservas, sem ninguém se lembrar de que, provavelmente alguns desses "reservas" ganham mais do que quase o plantel completo do Vitória. De qualquer forma, a desculpa soa a pífia: o que diríamos se Lewis Hamilton tivesse participado no último Grande Prémio da temporada ao volante do seu utilitário de ir às compras, alegadamente para poupar o seu Mercedes de Fórmula 1? Possivelmente que tinha medo de perder, e que já estava à partida a criar a justificação perfeita para o seu mau resultado, não era? Pois, tal e qual como o Benfica: se ganhasse com a equipa de reservas (os tais apresentados como "coxos", e que fizeram jus ao epíteto), diriam que bastava a equipa de segunda escolha para arrumar o Vitória; no entanto, se perdesse, como esperava, diriam que tal tinha apenas acontecido por não terem usado a equipa principal. Simples e demasiado óbvio para ser aceite como desculpa. Ainda existem os que, agora, depois do duche em Setúbal, desvalorizam o objectivo. A táctica também está estafada, mas há sempre quem, em desespero de causa, ache que vai convencer alguém utilizando-a: um dos casos nacionais mais recentes foi o de Luís Filipe Menezes e a sua sombra, Ribau Esteves, que, perante a irredutibilidade de António Capucho relativamente à ocupação do lugar destinado ao PSD no Conselho de Estado, se multiplicaram em contra argumentar com a "pouca importância do cargo", e o desinteresse que o mesmo teria para o recém eleito presidente do partido. La Fontaine resumiu este comportamento com a frase lapidar "estão verdes, não prestam!", na fábula "A raposa e as uvas”. Trata-se, simplesmente, de, na impossibilidade de alcançar demasiado objectivo, desvalorizá-lo, como fazem agora alguns benfiquistas “considerando” que a Taça da Liga não é um objectivo suficientemente importante para o seu clube. Previsível e apenas digno de um sorriso de comiseração.

Mas já falei mais do que me apetecia da triste saga duma equipa que não rentabiliza os seus milionários investimentos, e agora há coisas bem mais importantes para referir sobre o futebol em Portugal: as várias visitas que tenho feito aos estádios nacionais mostraram-me cabalmente que não há de todo imparcialidade por parte dos árbitros em Portugal. Não falo exclusivmente do Vitória, mas de qualquer equipa dita "pequena" em confronto com os tais três ditos "grandes". A presença de uma destas equipas causa, intencionalmete ou não, mas inevitavelmente, uma tal inibição ao árbitro, qualquer que ele seja, que o impede de tomar qualquer tipo de decisão contra a equipa "grande", compensando com um excesso de iniciativas contra a outra equipa, a dita "pequena", por exclusão de partes. Normalmente tal comportamento fica restrito ao espaço físico de um campo de futebol, e testemunhado apenas pelas rvoltadas pessoas que se sentam nas bancadas, principlmente quando não há transmissão televisiva. Só que ontem, uma criatura de servilismo aviltante, de nome Paulo Costa, teve azar: foi-lhe manifestamente incumbida a tarefa de levar o Benfica "ao colo" até à vitória na eliminatória, fosse qual fosse o preço. Mas esqueceu-se de que o seu lamentável favorecimento estava a ser transmitido para todo o país, numa véspera de feriado, num canal de sinal aberto, e com uma grande assistência curiosa por conhecer o resultado do confronto. Assim, a sua parcialidade, os seus penalties inventados a favor do Benfica, os outros "não vistos" a favor do Vitória, e toda a panóplia de situações a favorecerem permanentemente os vermelhos (provavelmente do seu "coração"...) foram testemunhadas por um país inteiro que só não viu as injustiças se não quis, ou se a sua "clubite" fosse daquelas que provoca cegueira. Mas houve outros azares para esse tal Paulo Costa: por mais que tentasse, por mais que se esforçasse, a equipa de primas donnas do Benfica não foi capaz de fazer o resto, e Deus acabou por escrever direito por linhas tortas!

O triste espectáculo de arbitragem a que assistimos ontem não é, infelizmente, caso único, mas um fulano tão descarado, que em pleno jogo chegou a dizer a um jogador do Vitória (noutra ocasião) que "detestava o clube", e que o mesmo "merecia era estar na segunda divisão", não é um árbitro, nem sequer um homem, e devia ser irradiado da arbitragem liminar e imediatamente.

Não falarei também da ausência de brio profissional dos comentadores televisivos, que os leva a fazer em directo tendenciosos comentários que deveriam manter restritos às imperiais com os amigos, porque também aqui a esperança é pouca e a incompetência muita!

Mas é o futebol que temos, e ainda agora estou apenas a descobrir a pontinha do iceberg...

2007/10/23

Quarenta e quatro aninhos


Já não é a primeira vez que publico esta foto no blog, e por isso me penitencio, mas a culpa é só vossa, leitores. Nos quatro anos e picos de vida que leva este blog, tenho-vos recordado, quase sempre, do dia do meu aniversário, e tenho também aproveitado para, subtilmente, vos lembrar da minha predilecção pelos modelos british, como este Morgan Aero 8. Mas a subtileza tem sido provavelmente demasiada, pelo que tenho que passar a ser mais descarado e sugerir-vos que hoje, dia 23, dia do meu aniversário, até às vinte e quatro horas, me comprem uma prenda - e , já agora, se não tiverem ideias, aproveitem a minha!

P.S.: Não é parecido, eu sei, mas também ando a sonhar com uma coisa destas:

2007/10/22

Actualização da "Galeria dos Contorcionistas"


Na senda de outros personagens, sem pingo de vergonha nem pudor, capazes de renegarem por trinta dinheiros o que ainda ontem defendiam com unhas e dentes, sem sequer tomarem o tempo para um respeitoso nojo, vemos agora (bom, não é bem agora, mas ela vai-nos relembrando...) Zita Seabra assumir o seu merecido lugar ao lado de vultos como José Miguel Júdice ou Maria José Nogueira Pinto!

2007/10/21

Ao redor desta fogueira


Vi ontem, ou anteontem, já não me lembro, na RTP2, "Brava Dança", o documentário sobre os Heróis do Mar que por aí anda. E lá voltaram os anos e a nostalgia da adolescência e da juventude, no deslumbramento que senti ao ouvir os primeiros acordes do so called "rock militar". Primeiro os Spandau Ballet, no fabuloso "Journeys to Glory", e logo depois os nacionalíssimos Heróis do Mar, com o seu primeiro álbum homónimo - e estes com a vantagem de serem portugueses, de terem uma atitude frontalmente a romper com as estéticas supostamente alternativas mas que, de tão implantadas, se tornavam mainstream, e, principalmente, a enaltecerem a nossa terra, os feitos de quem por cá andou antes de nós. Tudo novo, era o fascínio perfeito, e apenas pensava por que raio não fazem uma estátua a estes gajos?

Resta dizer que os segundos álbuns de ambos os grupos (aliás, no caso dos Heróis foi um maxi-single, "Amor") me desiludiram, não por não serem bons, mas por desistirem aparentemente do estilo que me fez repensar a abordagem à música.

2007/10/19

Lá como cá

Como alguns saberão, não sou militante, nem sequer simpatizante, do PSD, mas factos recentes passados naquele partido deixaram-me particularmente incomodado, com uma sensação de dejá vu, como se estivesse a assistir ao remake de um mau filme.

A história é pública e conhecida: Menezes discorda da linha da direcção do seu partido traçada por Mendes, concorre contra ele em eleições directas em que disputam a liderança do partido, e ganha. A ignomínia começa no momento seguinte: das mais abjectas tocas surgem os especialistas em contorcionismo, que até ao dia antes eram mendistas convictos, e que, de um momento para o outro, se transfiguram em menezistas "desde o dia em que nasceram". Em alguns casos até, por ser demasiado descarado o oportunismo e a colagem, recorrem à pífia metáfora de não serem como "o dono da bola, que ao perder leva a bola para casa", ou outra coisa parecida e igualmente cretina. Conseguem assim, duma forma que dificilmente conseguirei adjectivar (se bem que me baile na cabeça a expressão, ainda assim benévola, "esperteza saloia"), tentar passar a peregrina ideia de que são indispensáveis ao partido, e de que fazem o especial favor de, apesar de ser algo que os deveria horrorizar, esquecer as diferenças e aceitar um qualquer "tachito" na nova direcção. Disse "tentar" e friso, porque, na verdade, tudo o que conseguem passar para fora é a imagem canina e ignóbil de quem, por um penacho qualquer, está disposto a engolir qualquer ponta de dignidade.

Depois há outros, aqueles que cometeram erros de avaliação graves, principalmente em pessoas com as suas auto apregoadas capacidades de análise e antecipação, como o ubíquo e polivalente "professor Marcelo" (parece nome artistíco de um qualquer entertainer brasileiro), ou o especialista em nos informar, avant la lettre, sobre tudo o que nos vai acontecer, incluindo a ementa do jantar, Pacheco Pereira. Do primeiro, Marcelo, não tenho ouvido grandes justificações, e parece-me que, para além dos seus acrobáticos comentários televisivos dominicais, a roçar o óbvio primário, se remeteu a um prudente silêncio, que deverá utilizar para meditar sobre as "barracas" que os excessos de confiança (e egos inchados) nos proporcionam, bem como para calibrar melhor as suas capacidades de cartomante. Já Pacheco Pereira não consegue, por mais que tente, disfarçar a azia provocada e destila bílis por todo o lado: mesmo antes de Menezes ter alcançado a vitória, já JPP punha as suas capacidades adivinhatórias ao nosso serviço para nos informar de que com ele surgiria aí de novo o fantasma do "populismo" - expressão, aliás, que, em crónica na revista "Sábado", nos faz o favor de informar que, se não é da sua invenção, anda lá perto, mas que será a ele, JPP, que inequivocamente deveremos agradecer a contribuição desinteressada de ter trazido a sua utilização para o léxico político cá do burgo. Depois da vitória de Menezes, a infantilidade tornou-se risível e merecedora de comiseração: desde concordar e andar por todo o lado a chamar a atenção para o discurso de Jardim no Congresso, algo inédito para quem conhece minimamente os antecedentes da relação entre os dois polémicos militantes, até à encenação de colocar os símbolos do seu partido em situação invertida, tentando com tal indigno procedimento chamar a atenção da direcção do seu partido, para que esta lhe fizesse o favor de lhe colocar, no mínimo, um processo disciplinar, e o ajudasse a atingir o ambicionado estatuto de vítima pelo qual suspira. Mas nem nisso o homem tem sorte, e tudo o que conseguiu foi que tal fosse intentado, sim, mas por um anónimo militante de Braga, o que é manifestamente insuficiente para quem tem tão altas pretensões de protagonismo.

Em suma, no PSD parece-me que existem os que levam a bola para casa quando perdem, os que perdem mas não levam a bola para casa (e passam rapidamente para o lado de quem ganha), e ainda os que, vendo que estão a perder, tentam escaqueirar a bola, a baliza, os adversários, tudo o que aparecer à frente, no mais puro estilo "se não for para mim, não é para ninguém". Mas, infelizmente, não é só no PSD que tal acontece...

2007/10/15

Olha, boa ideia! (*)


Duchamp (acima), Man Ray e Picabia na Tate Modern, lá para Fevereiro do ano que vem.

(*): Como diz o Lourenço quando nos quer convencer de alguma coisa.

O Algarve e eu

A minha relação com a província mais a sul do país é antiga, e assemelha-se muito a um romance de cordel, com amores, zangas, amuos, e toda a demais panóplia de situações comuns às grandes paixões; metade da minha família é algarvia, não "das praias" mas "da serra", como se usa na região, e isso fez-me começar a visitar a zona quase desde o berço, numa altura em que as torres por todo o lado ainda eram um projecto, infelizmente já não muito distante. Tudo era simples, como se é simples quando se é criança ou pré-adolescente, e vivia sistematicamente as minhas férias estivais à beira mar algarvia, sem mais preocupações do que guardar o tempo das digestões antes de mais um banho. Depois, veio a fase da adolescência, das férias sozinho, ou pelo menos já sem os pais. O Algarve manteve-se o destino regular, mais por hábito do que por qualquer outro motivo, mas o gosto pela terra começou a esbater-se na proporção inversa da quantidade de pessoas que demandavam aquelas terras, lusos ou etrangeiros. Foi o tempo da construção desenfreada, das lojecas de souvenirs por todo o lado, dos restaurantes com péssima qualidade de comida e serviços e altos preços, das discotecas onde se tinha que ir para se ser alguém, e depois gente, gente demais por todo o lado... Enfim, demasiados condicionamentos para a minha veia alternativa, e assim acabei por colocar uma grande cruz no mapa sobre o Algarve. Fim do primeiro acto, cai o pano.

Mal sabia então que, passados alguns anos, iria aceitar um emprego em que teria que me deslocar praticamente todas as semanas ao Algarve, com estadia de alguns dias. Pensei desde logo que dificilmente me manteria muito tempo em funções em tal cenário mas, como de costume, os factos surpreederam-me: as idas ao Algarve fora da época estival fizeram-me olhar para a terra com outros olhos, e até as ruas carregadas de lojas de souvenirs e marroquinaria, que anteriormente me pareciam descaracterizar as terras, passaram a concorrer, aos meus olhos, para o novo aspecto típico do Algarve, com o seu quê de kitsch. Voltei a apreciar a terra, depois de muitos anos, mudando apenas a perspectiva estética com que olhava para ela. E agora, é a nostalgia que me guia nas viagens ao Algarve.

Epílogo: esta semana voltei ao Algarve, em lazer. Fui para um desses hotéis de apartamentos, de sistema "tudo incluído", que tanto facilitam a vida das pessoas, principalmente a de quem tem filhos. Vim de lá completamente reconciliado com o Algarve, mesmo com as suas partes mais "plásticas", mas com uma nova embirração de estimação - ou melhor, não é nova mas reacendeu-se. Os turistas estrangeiros que nos visitam, sempre com um ar de sobranceria como se estivessem a visitar uma reserva indígena, mas que não passam, em mais de 90% dos casos, de perfeitos selvagens, com níveis de educação comparáveis aos dos primatas do Zoo. Usando o tal sistema "tudo incluído" pedem coisas que não consumirão e que deixam intocadas em cima das mesas, atropelam-se, e a nós, para atafulhar alarvemente os pratos de comida, deixam as suas pestinhas de 4 e 5 anos andarem livremente sem vigilância, a fazerem todo o tipo de asneiras e a colocarem-se, a elas próprias, em situações bem arriscadas. Enfim, a lista seria longa, e acredito que alguns dos que me lêem já conhecem o estilo; os ruidosos espanhóis, principalmente, mas também bastantes ingleses com formação de aborígene. E ainda sentimos nós alguma preocupação relativamente àquilo que de nós é dito lá fora. Tem tudo a ver com o nível de civismo de quem escreve ou fala. Para mim, ingleses javardos, como os que vi, virem dizer que Portugal é isto ou aquilo, equivale a ouvir Mugabe dizer que a Birmânia é uma ditadura. Credibilidade, ou a sua ausência, só isso.

2007/10/08

Sonhos adiados:


Galeão em tempos usado para o transporte do sal nas águas do Sado, actualmente adquirido e restaurado pela Câmara Municipal de Cascais, e utilizado para passeios com quem quiser ao largo da baía da vila. O sonho aqui passaria por poder adquirir um veleiro antigo, obrigatoriamente de madeira, e dispôr do tempo, da habilidade e das possibilidades para o conseguir restaurar e usufruir dele. Os sonhos amadurecem mas não morrem

2007/10/07

AA's & bêbedos conhecidos


Abstémios, façam um favor às vossas almas e às vossas vidas: comprem este livro, leiam-no, bebam-no...

2007/10/05

A má consciência da república

Neste dia, em que alguns comemoram o aniversário da implantação da república em Portugal, é bom lembrar que este regime apenas foi introduzido no nosso país na sequência de um crime hediondo perpetrado a mando dos seus partidários, e do subsequente golpe de estado que completou a urdidura. Antes disso, o regime monárquico e democrático vigente permitia a realização de eleiçõs livres, às quais concorria regularmente o partido republicano, não tendo ultrapassado contudo, em nenhuma ocasião, a barreira dos 10%. No entanto, se por acaso este partido alguma vez tivesse ganho eleições há cem anos atrás, teria tido nas mãos de imediato os instrumentos para acabar com o regime monárquico e implantar naquela altura a república em Portugal, de forma legal e honesta e não com as mãos sujas de sangue, até de menores, como sucedeu; já a "nossa" república apresenta características bem mais ditatoriais, uma vez que tratou, desde o princípio, de vetar através da constituição a possibilidade de o país evoluir para uma monarquia, bem como de proibir liminarmente qualquer hipotético referendo ou consulta que viessem a ser feitos nesse sentido.

É uma questão de consciência e justiça elementar: se condenamos Chavez, os militares birmaneses ou os chineses por terem tomado, ou mantido, o poder pela força, com que moral nos podemos afirmar republicanos, sabendo de antemão como o país chegou aqui?

2007/10/02

Lesmas

Aos poucos vamos vendo que, afinal, a famosa carapaça de arrogância e autismo deste malfadado governo é apenas uma maquilhagem para consumo interno - um pouco como aquele fulano frustrado, vítima de um patrão déspota ao qual não tem coragem de responder, e que se vinga da sua miséria em casa, batendo na mulher e nos filhos. Querem evidências? A China rosna, e aí surge o primeiro ministro candidamente, qual menino bem comportado, a dizer que o Tibete não é um país, que nunca foi invadido, e que o Dalai Lama não merece a (duvidosa) honraria de ser recebido por membros do governo luso.

Agora é um casal inglês, de hábitos mais que questionáveis, mas apoiados num marketing monstruoso (é este o melhor termo) e, principalmente, nos seus conhecimentos ao nível do governo inglês, casal esse que não gostou de ser "espremido" pela nossa Judiciária - vai daí queixa-se aos outros beefs, estes puxam novamente as orelhas ao "menino" Sócrates, e este, vergonhosamente subserviente, logo demite (ou manda demitir) o inspector encarregado da investigação do caso, Gonçalo Amaral, que tanto incomoda os ingleses.

O problema não é que este governo não tenha pingo de dignidade; o problema é que confunde, lá fora, a imagem do português com coluna vertebral, com a sua própria imagem de molusco invertebrado.

Navegar é preciso!


Enquanto não vou ao Faial, a marina de Oeiras vai-me dando para sonhar...

2007/10/01

Rally Magic


Gosto de ver o Vitória a ganhar, gosto de ir aos jogos, e até admito que me sinto envolvido pelo entusiasmo do povo, logo eu que sou um céptico militante, do mais difícil de convencer que existe - agora o que eu não consigo descobrir, por mais que tente, é a tal "magia" das imagens de futebol. Admito que exista, e que a dificuldade seja minha, assim como aceitarei se a maior parte dos meus leitores não descortinar ponta de magia nesta foto. Afinal as coisas são como são.

P.S.: Obrigado ao JAM pela foto.

Irra!

Homem, pode parar com essa choradeira, que parece-me que já toda a gente, incluindo a pastorinha da SIC, o Tino de Rans e o emplastro, percebeu o que é que você acha da eleição de Luís Filipe Menezes para a liderança do PSD, ou ainda lhe dá uma apoplexia. Bolas, que eu não sou do seu partido, mas não embirro tanto com ele e com o que lá se passa como você. Conhece aquela anedota, do fulano que segue na auto-estrada e ouve na rádio dizer que, na via em que segue, anda um condutor em sentido contrário, e logo responde em voz alta: "Um? São todos!"? Pois, já pensou se estará mesmo no lugar certo?

2007/09/29

Sonhos adiados:


A piada é que saía mais barato comprar um bom Jaguar XJS, recondicioná-lo até ficar "de lamber" (como se diz entre os amantes dos clássicos), e usá-lo, do que comprar alguns carros "desportivo-familiares" - seja lá isso o que fôr - que a publicidade nos impinge, e que povoam os sonhos de muita gente. E há lá coisa que se compare com o som daquele V12...

Laranjas espremidas

Luís Filipe Menezes parece ser o novo líder do PSD, segundo oiço agora nas várias estações noticiosas. Do ponto de vista de um militante do CDS/PP, ainda que a coisa possa parecer relativamente indiferente, seria de supôr que este seria o resultado menos bom, dada a maior tendência para o mediatismo de Menezes. Correr-se-ia assim o risco de ver a agenda política da direita, normalmente marcada pelo CDS/PP, face à passividade de Marques Mendes, escorregar ligeiramente para o PSD, diminuindo o espaço de manobra à direita. Mas, como bem lembra o 31 da Armada, Menezes tem agora outro problema pela frente, antes de chegar à ribalta - melhor, tem dois (pelo menos), e trazem sempre a sombra do que aconteceu recentemente a Ribeiro e Castro: primeiro, é mais que certo que Menezes não vai deixar a Câmara de Gaia, como Castro não deixou o Parlamento Europeu, mas vai ter que suportar as acusações de falta de entrega total, e até de não ter querido largar a segurança da "rede" daí decorrentes. Por outro lado, tal como Castro, está na oposição mas não no Parlamento, ie, falta-lhe algo essencial em política: palco. Com certeza que a bancada será mexida, e que a sua liderança deverá passar rapidamente para Santana Lopes, que nunca deixou de "andar por aí"; mas tal só vai servir de rápido trampolim para Lopes brilhar na oposição a Sócrates (e ofuscar Menezes), e para ele próprio, o enfant terrible, preparar o assalto ao poder daqui a um ano e tal. Não auguro tarefa fácil para Menezes, mas isso não me preocupa nem um bocadinho, para ser sincero.

Desanuviemos