2007/10/08

Sonhos adiados:


Galeão em tempos usado para o transporte do sal nas águas do Sado, actualmente adquirido e restaurado pela Câmara Municipal de Cascais, e utilizado para passeios com quem quiser ao largo da baía da vila. O sonho aqui passaria por poder adquirir um veleiro antigo, obrigatoriamente de madeira, e dispôr do tempo, da habilidade e das possibilidades para o conseguir restaurar e usufruir dele. Os sonhos amadurecem mas não morrem

2007/10/07

AA's & bêbedos conhecidos


Abstémios, façam um favor às vossas almas e às vossas vidas: comprem este livro, leiam-no, bebam-no...

2007/10/05

A má consciência da república

Neste dia, em que alguns comemoram o aniversário da implantação da república em Portugal, é bom lembrar que este regime apenas foi introduzido no nosso país na sequência de um crime hediondo perpetrado a mando dos seus partidários, e do subsequente golpe de estado que completou a urdidura. Antes disso, o regime monárquico e democrático vigente permitia a realização de eleiçõs livres, às quais concorria regularmente o partido republicano, não tendo ultrapassado contudo, em nenhuma ocasião, a barreira dos 10%. No entanto, se por acaso este partido alguma vez tivesse ganho eleições há cem anos atrás, teria tido nas mãos de imediato os instrumentos para acabar com o regime monárquico e implantar naquela altura a república em Portugal, de forma legal e honesta e não com as mãos sujas de sangue, até de menores, como sucedeu; já a "nossa" república apresenta características bem mais ditatoriais, uma vez que tratou, desde o princípio, de vetar através da constituição a possibilidade de o país evoluir para uma monarquia, bem como de proibir liminarmente qualquer hipotético referendo ou consulta que viessem a ser feitos nesse sentido.

É uma questão de consciência e justiça elementar: se condenamos Chavez, os militares birmaneses ou os chineses por terem tomado, ou mantido, o poder pela força, com que moral nos podemos afirmar republicanos, sabendo de antemão como o país chegou aqui?

2007/10/02

Lesmas

Aos poucos vamos vendo que, afinal, a famosa carapaça de arrogância e autismo deste malfadado governo é apenas uma maquilhagem para consumo interno - um pouco como aquele fulano frustrado, vítima de um patrão déspota ao qual não tem coragem de responder, e que se vinga da sua miséria em casa, batendo na mulher e nos filhos. Querem evidências? A China rosna, e aí surge o primeiro ministro candidamente, qual menino bem comportado, a dizer que o Tibete não é um país, que nunca foi invadido, e que o Dalai Lama não merece a (duvidosa) honraria de ser recebido por membros do governo luso.

Agora é um casal inglês, de hábitos mais que questionáveis, mas apoiados num marketing monstruoso (é este o melhor termo) e, principalmente, nos seus conhecimentos ao nível do governo inglês, casal esse que não gostou de ser "espremido" pela nossa Judiciária - vai daí queixa-se aos outros beefs, estes puxam novamente as orelhas ao "menino" Sócrates, e este, vergonhosamente subserviente, logo demite (ou manda demitir) o inspector encarregado da investigação do caso, Gonçalo Amaral, que tanto incomoda os ingleses.

O problema não é que este governo não tenha pingo de dignidade; o problema é que confunde, lá fora, a imagem do português com coluna vertebral, com a sua própria imagem de molusco invertebrado.

Navegar é preciso!


Enquanto não vou ao Faial, a marina de Oeiras vai-me dando para sonhar...

2007/10/01

Rally Magic


Gosto de ver o Vitória a ganhar, gosto de ir aos jogos, e até admito que me sinto envolvido pelo entusiasmo do povo, logo eu que sou um céptico militante, do mais difícil de convencer que existe - agora o que eu não consigo descobrir, por mais que tente, é a tal "magia" das imagens de futebol. Admito que exista, e que a dificuldade seja minha, assim como aceitarei se a maior parte dos meus leitores não descortinar ponta de magia nesta foto. Afinal as coisas são como são.

P.S.: Obrigado ao JAM pela foto.

Irra!

Homem, pode parar com essa choradeira, que parece-me que já toda a gente, incluindo a pastorinha da SIC, o Tino de Rans e o emplastro, percebeu o que é que você acha da eleição de Luís Filipe Menezes para a liderança do PSD, ou ainda lhe dá uma apoplexia. Bolas, que eu não sou do seu partido, mas não embirro tanto com ele e com o que lá se passa como você. Conhece aquela anedota, do fulano que segue na auto-estrada e ouve na rádio dizer que, na via em que segue, anda um condutor em sentido contrário, e logo responde em voz alta: "Um? São todos!"? Pois, já pensou se estará mesmo no lugar certo?

2007/09/29

Sonhos adiados:


A piada é que saía mais barato comprar um bom Jaguar XJS, recondicioná-lo até ficar "de lamber" (como se diz entre os amantes dos clássicos), e usá-lo, do que comprar alguns carros "desportivo-familiares" - seja lá isso o que fôr - que a publicidade nos impinge, e que povoam os sonhos de muita gente. E há lá coisa que se compare com o som daquele V12...

Laranjas espremidas

Luís Filipe Menezes parece ser o novo líder do PSD, segundo oiço agora nas várias estações noticiosas. Do ponto de vista de um militante do CDS/PP, ainda que a coisa possa parecer relativamente indiferente, seria de supôr que este seria o resultado menos bom, dada a maior tendência para o mediatismo de Menezes. Correr-se-ia assim o risco de ver a agenda política da direita, normalmente marcada pelo CDS/PP, face à passividade de Marques Mendes, escorregar ligeiramente para o PSD, diminuindo o espaço de manobra à direita. Mas, como bem lembra o 31 da Armada, Menezes tem agora outro problema pela frente, antes de chegar à ribalta - melhor, tem dois (pelo menos), e trazem sempre a sombra do que aconteceu recentemente a Ribeiro e Castro: primeiro, é mais que certo que Menezes não vai deixar a Câmara de Gaia, como Castro não deixou o Parlamento Europeu, mas vai ter que suportar as acusações de falta de entrega total, e até de não ter querido largar a segurança da "rede" daí decorrentes. Por outro lado, tal como Castro, está na oposição mas não no Parlamento, ie, falta-lhe algo essencial em política: palco. Com certeza que a bancada será mexida, e que a sua liderança deverá passar rapidamente para Santana Lopes, que nunca deixou de "andar por aí"; mas tal só vai servir de rápido trampolim para Lopes brilhar na oposição a Sócrates (e ofuscar Menezes), e para ele próprio, o enfant terrible, preparar o assalto ao poder daqui a um ano e tal. Não auguro tarefa fácil para Menezes, mas isso não me preocupa nem um bocadinho, para ser sincero.

Desanuviemos

2007/09/28

Erro de casting


Depois de um "assobiar para o lado" que durou vinte anos, durante os quais o petróleo e o gás sairam da Birmânia satisfatoriamente, foi precisa agora a morte de um jornalista japonês para que o ocidente comece a perceber que algo tem que ser feito ali. Mas certamente ainda muitos monges e outros civis serão mortos em nome dessa causa, antes que a pesada máquina ocidental comece a mostrar algum serviço - se chegar a mostrar.

Azar dos tibetanos, não terem petróleo nem gás.

Quem, eu?

Há pouco vi, e ouvi, o inefável Alberto João Jardim, num telejornal, dizer que não se identificava com "este PSD", presumo que o dos últimos dias, da campanha para as directas. Calculo que a falta de empatia do senhor se aplica especialmente às atitudes truculentas e aos excessos linguísticos. Sim, realmente Jardim não tem nada a ver com isso...

2007/09/27

Mas está tudo doido?

Este nosso país tem um povo consumista, habituado a "comer" sem questionar muito aquilo que lhe é "empurrado", seja pela publicidade, seja por supostos opinion makers, nem sempre inocentes nos seus desígnios. Foi assim que, há cerca de três anos, um grupo de sociais-democratas desejosos de ver Cavaco na cadeira presidencial, com os socialistas a aproveitar o "jeito", e mais a comunicação social bem canhota a apanhar o comboio, puseram, à sua vontade, o país todo encarneiradamente a repetir que Santana Lopes era um "trapalhão", ideia que lhe conseguiram colar até hoje, sem que contudo ninguém, em plena consciência e honestidade, consiga apontar objectivamente uma única "trapalhada" de Santana durante o tempo em que esteve em São Bento. Mas a imagem já estava convenientemente criada, e a opinião "culta" (se entendermos por "culto" ler o Expresso, e mandar uns "bitaites" em seguida) não se preocupou muito em questionar os fundamentos do pressuposto e, no fundo, até sabia bem atirar uns tomates podres a quem parecia ter uma carreira tão irritantemente bem sucedida!

Mas a vida dá muitas voltas, e o homem continua a "andar por aí", para desespero de muitos. E continua a mostrar a dignidade que fez dele o enfant terrible que se sabe, como o mostra a atitude na SIC Notícias há uns dias. Há que ter noção do ridículo, e interromper a entrevista de um ex-primeiro ministro para transmitir em directo a chegada de um treinador de futebol, por muito respeito que Mourinho nos mereça, faz-nos crer que a estação televisiva perde por vezes (secalhar demasiadas...) essa noção. Chapeau, Santana!

Então?

O blog está de volta, repararam? Pois, podem escrever comentários, se quiserem. Era só para lembrar...

Pequenas infâmias

Por respeito, e porque não quero fazer a mal educada figura de intrometido de toda a gente que se achou no direito de opinar e preconizar futuros mais ou menos sombrios, ou mesmo apocalípticos, aquando das eleições directas no CDS/PP, não me irei pronunciar sobre a qualidade do debate (em) público a que estamos a assistir no processo das directas do PSD. Mas também não me parece que qualquer coisa que eu diga vá adiantar muito, e até arrisco que a maior parte das pessoas sabe o que penso sobre isso, mesmo sem o escrever.

Onde é que existe um rio azul igual ao meu?

No domingo fui a Alvalade, e ontem acompanhei as eliminatórias da liga. Mesmo sem Mourinho, e jogando invariavelmente contra as outras doze pessoas em campo, o Vitória continua a dar-me grandes alegrias - e tristezas a muitas outras pessoas, pelo menos às mais distraídas.

And now for something completly different...

Não tenciono ir, e não irei certamente, ver o espectáculo de suposta "recriação" dos sketches dos Monty Python que um punhado de humoristas portugueses puseram em cena recentemente - e não irei simplesmente porque considero que não se pode imitar o que é inimitável. Ir ver aquilo, estou certo, apenas contribuiria para aumentar a minha tristeza por ver que há quem tenha a petulância de querer repetir algo que é único. Já alguém imaginou uma imitação de Nureyev ou de Aldous Huxley, ou de qualquer outro génio?

Só poderá achar piada a pindéricas imitações quem não cresceu com o flying circus.

2007/09/21

Paixão


Vou ouvindo, como todo o mundo de resto, as evoluções recentes de José Mourinho, meu ex-colega dos corredores do Liceu de Setúbal. Não é preciso procurar muito para que as notícias venham ter connosco, e foi assim que, depois de jantar, acabei por prestar alguma atenção a uma entrevista que o self called "Special One" dava a um canal nacional, dando conta da separação do Chelsea, numa atitude mista de alívio e emoção, pelo que me pareceu. Dizia ele, por outras palavras, que neste momento procurava alguma distância dos factos recentes, e também tempo para se reencontrar - luxo a que, como todos sabemos, se pode dar sem que os recursos financeiros disso se ressintam. E disse, no meio desses desabafos de alguém que afinal é apenas um ser humano, que, depois da adrenalina despertada pela experiência na Velha Albion, só aceitaria novamente desafios com algum grau de dificuldade.

Pois bem, Zé Mário: é pouco provável - para não dizer bastante improvável - que alguma vez venhas a tropeçar neste espaço da blogosfera. Mas se, por eventual acaso, isso se vier a verificar, não será de esperar que te lembres de mim, apesar de eu me lembrar muito bem de ti, do Conde de Arcos, do Seagull, e de todos os lugares que frequentávamos em Setúbal há mais de vinte anos. Mas se aqui vieste parar, e se ainda te encontras a ler isto, então é porque os deuses quiseram que acontecesse e, nesse caso, tenho um pedido a fazer-te, que é meu e de todos os vitorianos: esquece o dinheiro por um ano, ou mais - afinal pouca falta te faz mais milhão ou menos milhão - e vem treinar e ajudar o clube da tua terra. A felicidade às vezes custa bem pouco.

2007/09/19

Segredos mal guardados:

O Restaurante Afonso, em Mora: as entradas, o arroz de lebre, os vinhos, a simpatia, a terra, e tudo o resto!

Coisas simples...







Estas três imagens foram tiradas no mesmo lugar, à mesma hora, por mim, em Junho deste ano. Não existe muito mais que possa ser dito.