2007/10/01
Irra!
Homem, pode parar com essa choradeira, que parece-me que já toda a gente, incluindo a pastorinha da SIC, o Tino de Rans e o emplastro, percebeu o que é que você acha da eleição de Luís Filipe Menezes para a liderança do PSD, ou ainda lhe dá uma apoplexia. Bolas, que eu não sou do seu partido, mas não embirro tanto com ele e com o que lá se passa como você. Conhece aquela anedota, do fulano que segue na auto-estrada e ouve na rádio dizer que, na via em que segue, anda um condutor em sentido contrário, e logo responde em voz alta: "Um? São todos!"? Pois, já pensou se estará mesmo no lugar certo?
2007/09/29
Sonhos adiados:
A piada é que saía mais barato comprar um bom Jaguar XJS, recondicioná-lo até ficar "de lamber" (como se diz entre os amantes dos clássicos), e usá-lo, do que comprar alguns carros "desportivo-familiares" - seja lá isso o que fôr - que a publicidade nos impinge, e que povoam os sonhos de muita gente. E há lá coisa que se compare com o som daquele V12...
Laranjas espremidas
Luís Filipe Menezes parece ser o novo líder do PSD, segundo oiço agora nas várias estações noticiosas. Do ponto de vista de um militante do CDS/PP, ainda que a coisa possa parecer relativamente indiferente, seria de supôr que este seria o resultado menos bom, dada a maior tendência para o mediatismo de Menezes. Correr-se-ia assim o risco de ver a agenda política da direita, normalmente marcada pelo CDS/PP, face à passividade de Marques Mendes, escorregar ligeiramente para o PSD, diminuindo o espaço de manobra à direita. Mas, como bem lembra o 31 da Armada, Menezes tem agora outro problema pela frente, antes de chegar à ribalta - melhor, tem dois (pelo menos), e trazem sempre a sombra do que aconteceu recentemente a Ribeiro e Castro: primeiro, é mais que certo que Menezes não vai deixar a Câmara de Gaia, como Castro não deixou o Parlamento Europeu, mas vai ter que suportar as acusações de falta de entrega total, e até de não ter querido largar a segurança da "rede" daí decorrentes. Por outro lado, tal como Castro, está na oposição mas não no Parlamento, ie, falta-lhe algo essencial em política: palco. Com certeza que a bancada será mexida, e que a sua liderança deverá passar rapidamente para Santana Lopes, que nunca deixou de "andar por aí"; mas tal só vai servir de rápido trampolim para Lopes brilhar na oposição a Sócrates (e ofuscar Menezes), e para ele próprio, o enfant terrible, preparar o assalto ao poder daqui a um ano e tal. Não auguro tarefa fácil para Menezes, mas isso não me preocupa nem um bocadinho, para ser sincero.
2007/09/28
Erro de casting
Depois de um "assobiar para o lado" que durou vinte anos, durante os quais o petróleo e o gás sairam da Birmânia satisfatoriamente, foi precisa agora a morte de um jornalista japonês para que o ocidente comece a perceber que algo tem que ser feito ali. Mas certamente ainda muitos monges e outros civis serão mortos em nome dessa causa, antes que a pesada máquina ocidental comece a mostrar algum serviço - se chegar a mostrar.
Azar dos tibetanos, não terem petróleo nem gás.
Quem, eu?
Há pouco vi, e ouvi, o inefável Alberto João Jardim, num telejornal, dizer que não se identificava com "este PSD", presumo que o dos últimos dias, da campanha para as directas. Calculo que a falta de empatia do senhor se aplica especialmente às atitudes truculentas e aos excessos linguísticos. Sim, realmente Jardim não tem nada a ver com isso...
2007/09/27
Mas está tudo doido?
Este nosso país tem um povo consumista, habituado a "comer" sem questionar muito aquilo que lhe é "empurrado", seja pela publicidade, seja por supostos opinion makers, nem sempre inocentes nos seus desígnios. Foi assim que, há cerca de três anos, um grupo de sociais-democratas desejosos de ver Cavaco na cadeira presidencial, com os socialistas a aproveitar o "jeito", e mais a comunicação social bem canhota a apanhar o comboio, puseram, à sua vontade, o país todo encarneiradamente a repetir que Santana Lopes era um "trapalhão", ideia que lhe conseguiram colar até hoje, sem que contudo ninguém, em plena consciência e honestidade, consiga apontar objectivamente uma única "trapalhada" de Santana durante o tempo em que esteve em São Bento. Mas a imagem já estava convenientemente criada, e a opinião "culta" (se entendermos por "culto" ler o Expresso, e mandar uns "bitaites" em seguida) não se preocupou muito em questionar os fundamentos do pressuposto e, no fundo, até sabia bem atirar uns tomates podres a quem parecia ter uma carreira tão irritantemente bem sucedida!
Mas a vida dá muitas voltas, e o homem continua a "andar por aí", para desespero de muitos. E continua a mostrar a dignidade que fez dele o enfant terrible que se sabe, como o mostra a atitude na SIC Notícias há uns dias. Há que ter noção do ridículo, e interromper a entrevista de um ex-primeiro ministro para transmitir em directo a chegada de um treinador de futebol, por muito respeito que Mourinho nos mereça, faz-nos crer que a estação televisiva perde por vezes (secalhar demasiadas...) essa noção. Chapeau, Santana!
Mas a vida dá muitas voltas, e o homem continua a "andar por aí", para desespero de muitos. E continua a mostrar a dignidade que fez dele o enfant terrible que se sabe, como o mostra a atitude na SIC Notícias há uns dias. Há que ter noção do ridículo, e interromper a entrevista de um ex-primeiro ministro para transmitir em directo a chegada de um treinador de futebol, por muito respeito que Mourinho nos mereça, faz-nos crer que a estação televisiva perde por vezes (secalhar demasiadas...) essa noção. Chapeau, Santana!
Então?
O blog está de volta, repararam? Pois, podem escrever comentários, se quiserem. Era só para lembrar...
Pequenas infâmias
Por respeito, e porque não quero fazer a mal educada figura de intrometido de toda a gente que se achou no direito de opinar e preconizar futuros mais ou menos sombrios, ou mesmo apocalípticos, aquando das eleições directas no CDS/PP, não me irei pronunciar sobre a qualidade do debate (em) público a que estamos a assistir no processo das directas do PSD. Mas também não me parece que qualquer coisa que eu diga vá adiantar muito, e até arrisco que a maior parte das pessoas sabe o que penso sobre isso, mesmo sem o escrever.
Onde é que existe um rio azul igual ao meu?
No domingo fui a Alvalade, e ontem acompanhei as eliminatórias da liga. Mesmo sem Mourinho, e jogando invariavelmente contra as outras doze pessoas em campo, o Vitória continua a dar-me grandes alegrias - e tristezas a muitas outras pessoas, pelo menos às mais distraídas.
And now for something completly different...
Não tenciono ir, e não irei certamente, ver o espectáculo de suposta "recriação" dos sketches dos Monty Python que um punhado de humoristas portugueses puseram em cena recentemente - e não irei simplesmente porque considero que não se pode imitar o que é inimitável. Ir ver aquilo, estou certo, apenas contribuiria para aumentar a minha tristeza por ver que há quem tenha a petulância de querer repetir algo que é único. Já alguém imaginou uma imitação de Nureyev ou de Aldous Huxley, ou de qualquer outro génio?
Só poderá achar piada a pindéricas imitações quem não cresceu com o flying circus.
Só poderá achar piada a pindéricas imitações quem não cresceu com o flying circus.
2007/09/21
Paixão
Vou ouvindo, como todo o mundo de resto, as evoluções recentes de José Mourinho, meu ex-colega dos corredores do Liceu de Setúbal. Não é preciso procurar muito para que as notícias venham ter connosco, e foi assim que, depois de jantar, acabei por prestar alguma atenção a uma entrevista que o self called "Special One" dava a um canal nacional, dando conta da separação do Chelsea, numa atitude mista de alívio e emoção, pelo que me pareceu. Dizia ele, por outras palavras, que neste momento procurava alguma distância dos factos recentes, e também tempo para se reencontrar - luxo a que, como todos sabemos, se pode dar sem que os recursos financeiros disso se ressintam. E disse, no meio desses desabafos de alguém que afinal é apenas um ser humano, que, depois da adrenalina despertada pela experiência na Velha Albion, só aceitaria novamente desafios com algum grau de dificuldade.
Pois bem, Zé Mário: é pouco provável - para não dizer bastante improvável - que alguma vez venhas a tropeçar neste espaço da blogosfera. Mas se, por eventual acaso, isso se vier a verificar, não será de esperar que te lembres de mim, apesar de eu me lembrar muito bem de ti, do Conde de Arcos, do Seagull, e de todos os lugares que frequentávamos em Setúbal há mais de vinte anos. Mas se aqui vieste parar, e se ainda te encontras a ler isto, então é porque os deuses quiseram que acontecesse e, nesse caso, tenho um pedido a fazer-te, que é meu e de todos os vitorianos: esquece o dinheiro por um ano, ou mais - afinal pouca falta te faz mais milhão ou menos milhão - e vem treinar e ajudar o clube da tua terra. A felicidade às vezes custa bem pouco.
2007/09/19
Segredos mal guardados:
O Restaurante Afonso, em Mora: as entradas, o arroz de lebre, os vinhos, a simpatia, a terra, e tudo o resto!
Coisas simples...
Decadência
Pedaços de sonho:
Uma noite da semana passada a olhar para a tempestade sobre a planície, da janela do meu quarto na Mina Juliana, Santa Vitória, Beja.
2007/09/17
Interpretações
A passagem do Dalai Lama pelo nosso país causou muitos e notórios embaraços, ainda que concorde que o mais mediático foi o do próprio Governo, vergonhosamente subserviente à China (talvez ainda à espera dos investimentos dos empresários chineses, em busca dos tais "baixos ordenados" aqui praticados); não obstante, esse mesmo pudor não impediu o suposto licenciado em engenharia José Sócrates de receber oficialmente Bob Geldof, cantor de méritos discutíveis mas, principalmente, mentor de grandes camapanhas de auxílio aos países do terceiro mundo, sendo que, pelo que consta, os portadores das verbas angariadas nem sempre têm conseguido encontrar esse tal "terceiro mundo", confundindo-o bastas vezes com as montanhas suíças e as suas apelativas instituições bancárias.
Mas houve mais quem tivesse andado "às aranhas", sem saber o que fazer ao Dalai Lama, tendo achado providencial a atrapalhação do ministro Luís Amado, e a consequente distracção da opinião pública: os comunistas portugueses, ainda a sonhar com os "amanhãs que cantam" vindos de algum dos últimos bastiões mais ou menos comunistas, como a China, acharam coerente não darem, com a sua presença, razão a quem acha que o Tibete foi indecentemente ocupado pela China, pelo que apenas participaram, para manter a face, numa recepção em que o senhor se apresentou como "líder religioso", já que, em boa verdade, e face à ocupação chinesa, ele não é chefe de estado nenhum! Curioso, no entanto, é notar que esse rigor e preciosismo apenas são utilizados pelos comunistas quando interessa, já que ao acolherem, na sua festa anual, partidos com ligações directas a grupos terroristas, conseguem arranjar, candidamente, forma de nos mostrar que as "coisas não são exactamente como se dizem" - mesmo quando quem o diz, que as FARC são perigosas forças terroristas, são as principais organizações de segurança mundiais!
Mas houve mais quem tivesse andado "às aranhas", sem saber o que fazer ao Dalai Lama, tendo achado providencial a atrapalhação do ministro Luís Amado, e a consequente distracção da opinião pública: os comunistas portugueses, ainda a sonhar com os "amanhãs que cantam" vindos de algum dos últimos bastiões mais ou menos comunistas, como a China, acharam coerente não darem, com a sua presença, razão a quem acha que o Tibete foi indecentemente ocupado pela China, pelo que apenas participaram, para manter a face, numa recepção em que o senhor se apresentou como "líder religioso", já que, em boa verdade, e face à ocupação chinesa, ele não é chefe de estado nenhum! Curioso, no entanto, é notar que esse rigor e preciosismo apenas são utilizados pelos comunistas quando interessa, já que ao acolherem, na sua festa anual, partidos com ligações directas a grupos terroristas, conseguem arranjar, candidamente, forma de nos mostrar que as "coisas não são exactamente como se dizem" - mesmo quando quem o diz, que as FARC são perigosas forças terroristas, são as principais organizações de segurança mundiais!
2007/09/09
Fénix
A SIC Notícias não pára de me surpreender, normalmente pela positiva. É bem verdade que há ali coisas dispensáveis, como a polivalência e prosápia de Moita Flores no caso da criança inglesa desaparecida, por exemplo, se bem que as suas declarações pouco passem do óbvio - mesmo para leigos. Mais eficazes, para uma razoável percepção da evolução do caso, com objectividade, são as visões lúcidas de Barra da Costa na RTP.
Mas há muitas coisas mais que meritórias, a principal das quais, sem dúvida, o renascimento de Mário Crespo no grande jornalismo, depois da travessia do deserto que lhe foi imposta na RTP, e que quase o atirou para a prateleira de recordações, da qual pouco mais reteríamos do que o transatlântico "F...-se!" em directo, aqui há uns anos - de resto tema de uma oportuna e brilhante (como sempre) crónica de Miguel Esteves Cardoso. Isto, evidentemente, se não tivesse acontecido o seu resgate pela SIC, e que nos proporciona actualmente o melhor jornal televisivo - com a vantagem adicional de encostar às cordas muita "esperteza saloia" deste nosso rectângulo.
Mas há muitas coisas mais que meritórias, a principal das quais, sem dúvida, o renascimento de Mário Crespo no grande jornalismo, depois da travessia do deserto que lhe foi imposta na RTP, e que quase o atirou para a prateleira de recordações, da qual pouco mais reteríamos do que o transatlântico "F...-se!" em directo, aqui há uns anos - de resto tema de uma oportuna e brilhante (como sempre) crónica de Miguel Esteves Cardoso. Isto, evidentemente, se não tivesse acontecido o seu resgate pela SIC, e que nos proporciona actualmente o melhor jornal televisivo - com a vantagem adicional de encostar às cordas muita "esperteza saloia" deste nosso rectângulo.
"Agarrem-me..."
Conhecem aqueles cartoons, maioritariamente da época de ouro da Warner, tipo Tex Avery e quejandos, que parecem ter uma personalidade muito calma e sisuda e depois, de repente, por um qualquer motivo estapafúrdio e pífio, se descontrolam subitamente, esbugalhando olhos, gritando, dando saltos descontrolados? Pois é o que Pacheco Pereira me lembra de cada vez que alguém murmura sequer os nomes de Paulo Portas ou Santana Lopes perto de si. É absolutamente desconcertante ver aquela figura de inteligência e capacidade de raciocínio enormes, qualidades de dimensão apenas comparável, de resto, à vaidade que o próprio tem nas mesmas, a debater com lucidez e conhecimento de causa impressionantes qualquer tema chamado à colação n'"A Quadratura do Círculo", e depois ler uma crónica como a sua na "Sábado" da semana passada, em que se consegue até adivinhar a espuma nos cantos da boca enquanto gasta cerca de meia crónica - que é de duas páginas - a criticar Portas pela (incorrecta, na sua opinião) utilização do YouTube na rentrée, ou pela não criação de um blog próprio, e não alimentado por zelosos assessores, como no caso de Luis Filipe Menezes - e aqui até concordo. Mas a paranóia da perseguição aqui reside no facto de Pacheco Pereira criticar o putativo blog que Paulo Portas podia ter, presumindo que, a existir, ele seria feito em moldes não capazes de cativar os habitués da net. Ou seja, não feliz por atacar de forma descontrolada e obsessiva Paulo Portas pelo que faz, agora resolve atacá-lo pelo que não faz mas podia fazer. Patético. Paulo Portas, presumo, agradece.
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