2008/03/18

Lugares #8


São Pedro de Moel, Junho de 2007, ao sol do fim da tarde.

2008/03/17

Lugares #7


Alcochete, visto da Ponte das Enguias, anteontem ao entardecer.

Lugares #6


Setúbal, dia 14 de Março de 2008.

2008/03/13

Serviço Público...


...especialmente dedicado aos "Sebastien Loeb lá da rua deles" que teimam em contornar as rotundas pelo exterior, e ainda reclamam com quem circula da forma correcta. Brevemente também poderei tentar acrescentar algo ao civismo e ao conhecimento de outros "especialistas", designadamente os que não fazem pisca, os que circulam sistematicamente pela faixa do meio ou da esquerda da auto-estrada - conforme esta tenha, respectivamente, três ou duas faixas - e ainda, os mais difíceis de converter: são aqueles que interiorizaram esse sentimento estranho "Schumacher, Schumacher; dessem-me um carro igual ao do Schumacher e iam ver a aviadela que eu lhe dava!", e reconhecemo-los quando se colam atrás de nós a fazer furiosos sinais de luzes (em alguns casos relatados, até se pode ver a espuma no canto da boca do espécime), exactamente quando vamos a ultrapassar um condutor mais lento e não temos a mínima hipótese de nos desviarmos. Normalmente andam em veículos comerciais mas, nos casos com patologias mais sérias, é possível observar elementos deste bestiário a conduzir carrinhas familiares, por vezes até com as crias no banco de trás!

2008/03/11

Lugares #5


Esta noite em Carnaxide.

Viva o Rei!

O prometido é devido, e aqui estou a comentar o debate de ontem no "Prós e Contras" sobre a pertinência de se questionar o tipo de regime português. Isto quase cem anos volvidos sobre o golpe de estado, assente num crime hediondo, que instalou a república até aos dias de hoje, vetando constitucionalmente ao povo a possibilidade de avaliar essa escolha. Nada de muito surpreendente, a não ser, talvez apenas para mim que não andava suficientemente atento, a pujança e tendência de crescimento do movimento monárquico, mas já lá irei nas notas breves que a seguir deixo:

1. Como seria previsível, os argumentos republicanos careciam tristemente de fundamento, e foi confrangedor observar algumas figuras de algum relevo nacional a tentarem defender a falta de democracia da Constituição no seu artigo 288, que blinda a república como único tipo de regime e impede o escrutínio dessa decisão pelo povo. A ironia de Medeiros Ferreira, usada recorrentemente como manobra de diversão do cerne da questão, apenas pode ter surpreendido quem não se lembra de tempos mais "revolucionários" da personagem. Mas desta vez apenas lhe conseguiu retirar credibilidade, pelo que não me deterei sobre este interlocutor, por não lhe reconhecer suficiente conteúdo (atributo comum a mais contendores, de resto), mas, principalmente, pela postura pouco respeitadora do adversário ideológico.

2. Já António Reis optou, avisadamente, por uma postura mais cautelosa, mas não conseguiu evitar a "casca de banana" que é o abuso que os republicanos fazem da primeira pessoa do singular, apropriando-se indevidamente do direito a uma decisão que não é sua, mas de todo um povo. Quando António Reis diz "eu acho que não faz sentido outro sistema de regime em Portugal que não a república", está a emitir a sua opinião, que apenas é respeitável enquanto tal. Mas não pode, como gostaria, torná-la numa espécie de orientação espiritual, menorizando vários milhões de portugueses com direito à mesma. António Reis é um, como eu, como o leitor, e como mais alguns milhões de portugueses. Em democracia contamos todos.

3. O Bloco de Esquerda, ou os seus simpatizantes e/ou militantes continuam a ter a "parte de leão" no divertimento público, principalmente nos números de malabarismo para moldarem os factos à sua opinião (e não o natural inverso), soltando de vez em quando estrondosos flique-flaques para chamarem de demagogos os que defendem opiniões sustentadas. Um espectáculo circense convenientemente disfarçado com "ruído" qb, para afastar as visões do essencial e focá-las no muito mais mediático acessório. Daniel Oliveira não desmereceu, e apresentou-se impante de melodramatismos, na defesa de uma causa que, rápida mas desonestamente, transferiu para mais uma guerra esquerda direita. A manobra passa despercebida à maioria, mas não é de todo inocente; ao transfomar uma questão institucional numa questão política, o Bloco conta arregimentar mais forças para a sua causa e, principalmente, tenta servir-se ilegitimamente de uma causa supra partidária para as suas guerrinhas particulares. Isso ficou bem patente quando, com ar teatral, defendeu a liberdade de qualquer pessoa, em república, poder chegar ao topo da hierarquia do Estado, com recurso à caricata rábula cindereliana do "filho do gasolineiro". A razoabilidade do argumento convenceu tanto quem o ouvia como o próprio, creio eu. Talvez num mundo ideal isso fosse verdade, mas, muito a montante, era mais importante que essa tão querida liberdade fosse extensível a outros aspectos da vida pública, como por exemplo a liberdade para decidirmos em que tipo de regime queremos viver. Patética e sem merecer comentários fica a atabalhoada explicação para o veto ao voto de pesar por El Rei D. Carlos, proposto por deputados no dia do centenário do seu assassinato. Quanto a isto, e voltando à obsessão da guerra entre esquerda e direita, D.O. não conseguiu justificar mais do que com o argumento de que, se se passa na Assembleia da República, é porque tem uma mensagem política, ainda que eles não saibam qual é; então, se foi proposto por um deputado de um partido dito de direita, vamos votar contra por princípio, que não por convicção. Um pouco como o marido supostamente enganado, que bate na mulher enquanto diz "eu posso não saber porque lhe bato, mas ela sabe porque está a levar". Demasiado simplório para ser levado a sério.

4. Por fim, e ainda naqueles que gostariam da manipular a questão para a transformar numa mera querela política, tenho a dizer que Rui Tavares me desiludiu bastante. Leio amiúde as suas publicações no "Público" (e, penso agora, não tem saído muita coisa ultimamente...), ainda que não concorde naturalmente com elas, mas por lhe reconhecer alguma capacidade de argumentação para além do facciosismo que o atormenta. Mas não esperava, de todo, que fosse cometer a desonestidade de dizer que o tipo de regime já foi suficientemente sufragado, por existir um partido político que incorpora no seu programa esse tipo de alteração à Constituição Portuguesa. Como é evidente, há muitos monárquicos que não se reveêm no programa do PPM, e até aceito que existam muitos republicanos que o apoiam; talvez esse facto não seja tão notório agora, mas decerto verificou-se claramente quando Gonçalo Ribeiro Telles presidiu ao mesmo, com as suas políticas de ordenamento do território e de defesa ambiental e ecológica. Mas ao votar numas eleições políticas, não é suposto estarmos a escolher um tipo de regime, como todos sabemos, e Rui Tavares melhor que ninguém, mais que não seja pela sua formação académica e percurso pessoal e profissional. Daí não compreender a defesa consciente da falácia, com a quebra de crédito intelectual que tal, inevitavelmente, acarreta.

Como nota final, fiquei evidentemente feliz por ver um movimento coeso, objectivo e sereno e, principalmente, por perceber que existe uma crescente consciencialização da população para algumas injustiças gritantes, e que as mesmas estão a ocupar um espaço cada vez maior no debate público. A Causa está viva e recomenda-se, e o referendo será o próximo objectivo. Quem não deve, não teme!

É evidente que um referendo efectuado entre uma população desinteressada de quase 90% do seu passado, e quase exclusivamente nascida em meio republicano, dificilmente atingirá o sucesso desejável; mas é, desde já, mais uma forma de acordar consciências. E, se a esquerda não se importar de utilizar o seu peculiar sistema referendário, de fazer tantos referendos quantos os necessários até que o resultado seja o desejado, podemos estar no início de algo de muito bom para a identidade do nosso povo e de Portugal!

2008/03/10

A não perder:

Esta noite, na RTP1, debate no "Prós e Contras" subordinado ao tema "Rei ou Presidente". A seguir com atenção por todo o português que se orgulhe de o ser. Amanhã falamos.

Tempos difíceis


Armindo Araújo é, sem grande margem para discussão, o melhor piloto de ralis português actualmente em acção, e um dos melhores em todo o mundo - e não sou (só) eu que o digo, mas sim quem com ele compete directamente. Mas o Armindo é, também, uma das mais correctas, educadas e humildes pessoas com quem já tive o privilégio de privar, designadamente quando fomos colegas de equipa na Competisport, corria o ano de 2002. Quem não sabia ainda que tipo de pessoa estava por detrás da imagem estereotipada que a comunicação social sensacionalisticamente nos impingiu por alturas do Rali de Portugal do ano passado, teve hoje oportunidade de acrescentar algo ao seu conhecimento, isto se ouviu a entrevista dada à TSF, no programa "Mais Cedo ou Mais Tarde".

Lúcido e sóbrio, como é seu timbre, o Armindo lá foi desfiando os pormenores da sua carreira a um jornalista razoavelmente preparado (pelo menos em relação a outros programas que já ouvi), explicando ao auditório quais os motivos por que, injustamente, só à beira dos trinta lhe foi dada a oportunidade de mostrar ao mundo o seu talento. A conversa corre fluida, até ao momento em que falamos de quantias. Aí, o Armindo diz que, para fazer um Campeonato Mundial no PWRC (Campeonato de Produção do Campeonato do Mundo de Ralis - World Rally Championship), é necessário cerca de um milhão de euros. A quantia é realmente fabulosa, e poucos de nós temos esperanças de alguma vez dispormos de algo parecido. Mas a quantia é manifestamente irrisória se a compararmos com a que vários jogadores de futebol auferem a título de vencimento, por darem uns pontapés numa bola e comparecerem a umas conferências de imprensa em que a frase mais bem construída que sabem proferir é "boa tarde". E, nunca é demais relembrar, o milhão de euros de que o Armindo necessita para fazer uma temporada no Mundial não vai para o seu bolso, como nos casos dos futebolistas. Vai antes para toda uma logística que tem que ser montada, com testes, treinos, alojamentos, inscrições, viagens, transportes de material, alugueres, manutenção, peças, pneus, honorários de colaboradores, e tudo o mais relativo - duvido mesmo, e sei do que falo, que o Armindo consiga guardar alguma coisa no fim, e até que não tenha que muitas vezes "compôr" as contas a partir da sua carteira.

Porque acontece, então, esta desproporção de meios entre o futebol e qalquer outra actividade, também meritória, e com tanto ou mais empenho por parte dos seus praticantes? A resposta é muito simples: a nossa comunicação social está inquinada de morte. Dos conhecedores e sábios jornalistas, com orgulho na profissão e na escrita, que a praticavam há menos de vinte anos atrás, regredimos, devido às leis do mercado, para uma massa amorfa de pseudo-jornalistas, debitados por universidades com um claro superavit de cursos da especialidade, dispostos a trabalhar por qualquer preço, mas incapazes, muitas vezes, de escrever o próprio nome sem erros de ortografia. Para esta espécie de novos escribas, que julgam que a sua cultura geral se mede pelo número de bares no Bairro Alto que conhecem, o conhecimento de causa é irrelevante, e a informação correcta transmitida ao receptor idem, pelo que se podem ouvir atoardas como, por exemplo, um "jornalista", também da TSF, que um destes dias falava directamente da Praça do "Quevedo" (Quebedo) em Setúbal, para avisar que a linha estava cortada devido às cheias, e que havia também notícia de uma morte em Vila "Nova" (Nogueira) de Azeitão. Quando falamos de espécimes, que estão no próprio local, mas que nem ler correctamente um papel sabem, é difícil manter a esperança.

Mas voltemos ao desporto, e à falta de destaque aos feitos do Armindo; a verdade é que não seria de esperar muito mais de uma imprensa que usa palas, como os animais de carga, e que acha que desporto é sinónimo de futebol. Mas, num ainda maior afunilamento das suas curtas, mas pretensiosas, vistas, entendem futebol como os jogos - ou as lesões, os espirros, qualquer coisa - de apenas três equipas, mesmo que, pelo menos duas delas, joguem um futebol bem abaixo de medíocre.

Mas a oferta relaciona-se directamente com o grau de exigência - e quem sabe este povo não terá apenas o que merece?

Lugares #4


Hoje em Algés.

Lugares #3


Carnaxide, esta manhã.

Ricky Gervais


Ainda é um pouco alternativo, principalmente neste país mainstream, mas não me parece possível que o seu talento lhe permita muito mais tempo de desconhecimento. Este homem é um génio!

2008/03/09

Lugares #2


Barragem de Penha Garcia, 4 de Dezembro de 2007.

Lugares #1


Hoje à tarde na Ericeira.

2008/03/08

Fácil, fácil


Esta noite, Vitória um, Marítimo zero. E já estamos em terceiros. Há sonhos que continuam, mesmo depois de abrirmos os olhos.

2008/03/07

Neura


Hoje começa o Campeonato de Portugal de Ralis (ex-Campeonato Nacional de Ralis) em Vieira do Minho, e eu aqui...

2008/03/05

Marcar na agenda:


A guerra entre duas irmãs pelo privilégio de desposar um homem, um rei, por sinal. As irmãs Bolena são Natalie Portman e Scarlett Johansson. Eu disse privilégio de quem?

Ainda a ASAE e o PS, farinha (normalizada) do mesmo saco

Contra toda a evidência, os yesmen, e women, mais necessitados do PS continuam a insistir que a ASAE existe para a protecção dos portugueses. Mas protecção de quê? De comprar uma Lacoste falsa e ficar com alergias no corpo? De comer um bife duro e ficar com dores de dentes? Não insultem a minha inteligência, por favor; se querem mesmo proteger os portugueses, canalizem essa parafernália de recursos, cuja desproporção entre meios e resultados lembra um batalhão mobilizado em busca de um condutor que estacionou em local proibido, para onde a segurança e a protecção (as verdadeiras, não essa invenção de precisarmos de sermos protegidos de nós próprios) são realmente necessárias.

Agradeço a ajuda, mas dispenso-a. Se me derem um enchido caseiro como entrada numa tasca, agradecerei. Se me apresentarem um prato requentado, saberei reclamar - mas não morrerei por isso. Já não tenho, no entanto, tanta certeza do mesmo se me derem um tiro num parque de estacionamento.

Mas não, para o governo não existe criminalidade violenta e a grande prioridade do país é fechar tascas. Ser forte com os fracos e servil com os fortes só tem um nome na minha terra: cobardia!

Wonderland

O Parlamento debate hoje uma recomendação do CDS-PP no sentido de prevenir os excessos na actuação da ASAE, a autoridade para as actividades económicas que tem ficado tristemente célebre nos últimos tempos pela sua fúria esterilizadora, tentando entrar dentro da cabeça de cada português e ensinar-lhe o que deve fazer, comer, vestir e tudo o resto. Uma entidade que não conhece o significado da expressão "bom senso", mas apenas a de "stricto sensu", confundindo-a, no entanto, com "non sense" demasiadas vezes. Para a ASAE, e para o seu Director, figura de ar patusco saída de esconsos corredores socialistas, mas à procura de um rápido protagonismo que lhe dê, a breve trecho, o lugar governativo que (acha que) merece, para a ASAE, dizia, a tarefa não estará completa enquanto não existir neste país um selo em cada ervilha, e todos os protugueses estiverem condicionados para apenas fazer o que lhes é mandado, como em "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley. Uma perfeição asséptica, assim a meio caminho entre a terra da Barbie e a aldeia do Noddy.

Nesta sanha regularizadora, alguns acham razoáveis casos como o relatado esta manhã no Fórum da TSF (infelizmente só consegui ouvir alguns minutos), de uma senhora que terá sido multada em 3.000,00€ por fabricar em casa rissóis, que depois vendia a restaurantes ou a outras pessoas. A memória é curta, pois quem defende agora a aplicação de leis aberrantes de forma cega e insensível, ainda há pouco tempo se congratulava pela visão humanista dos juízes que, nos casos de aborto, sempre se regeram por uma apreciação enquadrada e social, e sempre mandaram em paz e absolvidas as mulheres que abortaram.

Como de costume, o Governo, muito palavroso mas pouco ou nada actuante, assobia para o lado, e delegou (eufemismo para "despachou") para o Parlamento, designadamente para a Comissão de Assuntos Constitucionais, a criação de um Grupo de Trabalho que se dedique ao recenseamento das actividades tradicionais não enquadradas neste espartilho que nos querem vestir, para, presume-se, as regulamentar posteriormente com o seu carácter excepcional. Tenta assim o Governo lavar as mãos, depois de se ter tornado insustentável a continuação na defesa do absurdo, mas "esquece-se" de referir que poderia ele próprio, Governo, poupar tempo e possíveis falências e outras perdas irreparáveis, regulamentando desde já essa área, uma vez que existem regulamentos europeus que já prevêem a possibilidade de adequar as normas gerais à produção tradicional em cada país.

Nada, infelizmente, a que não estejamos já habituados por parte de quem tanto investe na forma que não tem tempo para pensar em conteúdos!

Nota: Texto tambem publicado no blog CDS Setúbal

2008/03/04

Obrigado, Vitória!


Para quem, como eu, adepto antigo mas torcedor recente (e não por isso menos empenhado), para quem, dizia, não poucas vezes saíu, ainda na época passada, daquele estádio do Bonfim, com vontade de entrar na primeira tasca que encontrasse e beber um barril de imperial para esquecer a desgraça, não há palavras para descrever a alegria que é ver a sua equipa a ensinar todas as outras, em Portugal, a jogar futebol. O Benfica já foi subjugado por nós, principalmente para a Taça da Liga, o Sporting ainda vai jogar essa final, mas ficou atrás de nós na fase de grupos, e em três jogos sofreu duas derrotas e um empate (em Alvalade, bem ajudado pelo árbitro), e até já dominámos o Guimarães, uma fotocópia de Vitória, mas a preto e branco (original há só um!), o maior embuste deste Campeonato, que tem sido "levado ao colo" durante toda a época pelos árbitros - ele são golos em falta, em fora de jogo, sarrafada com fartura, e toda a panóplia, que o árbitro há-de resolver. Mas mesmo esses já levaram a sua dose, repetindo o duche de água fria de há dois anos, quando foram eliminados para a Taça de Portugal em Setúbal, dessa vez nas meias-finais.

Os detractores diziam-me que o Vitória só jogava bem com o Benfica, que crescia. Depois, face às evidências, já só não afrontava o Porto, porque supostamente este ajudava aquele. Mas, desta vez, são os próprios adeptos do Porto que unanimemente comentam, por todos os fóruns, que o Vitória foi a pior equipa que lhes podia sair em sorte para as meias-finais da Taça de Portugal, e há até alguns portistas que vaticinam a eliminação da sua própria equipa - e as alternativas eram o Benfica ou o Sporting!

Por mim, já cá canta o bilhetinho para ir ao Algarve dar algum uso àquela construção à entrada de Faro, dia 22 de Março. E, estou seguro, daqui a uns meses descerei aqui ao Jamor para ter nova alegria futebolística.

Os 99,9% de portugueses que são adeptos do Benfica, Sporting e Porto, mesmo aqueles que dizem que o Vitória, o Belenenses ou a Académica são a sua "segunda equipa" (seja lá isso o que for...), não sabem as alegrias que perdem por não sentir esta força que não vem do dinheiro nem do tráfico de influências, mas do fundo do coração!

Para quem ainda não percebeu que foi a comunicação social e o sistema quem lhes mandou andarem a gritar "Porto!" ou "Benfica!" quando a sua cidade é Setúbal ou Coimbra, e ainda tiver paciência para tentar compreender a aberração que protagonizam, recupero aqui este belíssimo texto de "Candeia", publicado em 2004 (mas nem por isso desactualizado) no seu blog, entretanto, infelizmente, abandonado:

"A discussão é antiga e sempre acesa. Argumentos esgrimem-se em torno desta temática. Os adeptos mais fervorosos e indefectíveis do Vitória não compreendem como se pode ser adepto ou sócio do Vitória e poder-se sequer gostar de um outro clube que tenha uma equipa de futebol profissional, principalmente um daqueles clubes cujo número de adeptos lhes conferem uma dimensão nacional.

Mas a paixão que os vitorianos sentem pelo Vitória acaba por ter, como qualquer paixão forte, tal como acontece quando se ama, razões que a própria razão não consegue explicar.

Setúbal e o Vitória estão intimamente ligados desde o aparecimento do seu mais representativo clube, em 1910.

Setúbal, cidade também ela arrebatadora de paixões por quem nela vive ou passa, acaba por vincar forte a necessidade dos seus filhos e enteados se entregarem de corpo e alma a essa paixão e por tudo o que a representa. O Vitória não é excepção. Assim se explica que com o passar dos anos os muitos adeptos que aprenderam a gostar do Vitória não fossem sentindo necessidade em gostar de qualquer outro clube. O Vitória preenchia os sonhos, as alegrias, as desilusões desportivas... enquanto crescia no panorama nacional... enquanto subia até à primeira divisão, enquanto conquistava a Europa e os mais altos lugares da classificação do principal campeonato de futebol e se debatia de igual para igual em cada série da Taça de Portugal.

O Vitória dominava a vida desportiva da cidade. Aglutinava em seu redor os atletas setubalenses. A vida social da cidade retribuía com uma forte dedicação no apoio ao seu Clube. Um tempo de maior disponibilidade e entrega das pessoas a causas comuns, que hoje a vida não permite por haver demasiados centros de dispersão e diversão, desde a televisão 24 horas até aos grandes centros de consumo, passando pela infinidade de possibilidades para ocupação de tempos livres.

E o Vitória conquistava quem cá estava e quem para cá vinha. Um amor que foi facilmente passado de geração em geração. Um amor que exigia exclusividade porque desde cedo os principais clubes portugueses se tornaram rivais... os ladrões dos nossos sonhos de chegar cada vez mais alto, ou simplesmente pelo prazer que os setubalenses sentiam por se ganhar aos clubes de Lisboa, já nessa época uma capital que queria puxar a si todas as atenções, cuja imprensa "nacional" aprendia a ignorar tudo o resto.

E quem chegava migrado aprendia rápido a gostar do Vitória. E muitos dos que foram povoando Setúbal ao longo do último século, oriundos de um Alentejo que não disponibilizava esta paixão, ou de outras zonas do país que não ofereciam a beleza que Setúbal tinha (e tem), tornaram-se em alguns dos maiores defensores do Clube setubalense, cuja entrega passou para as gerações vindouras.

Mas ao mesmo tempo que chegavam mais "forasteiros" para assentarem arraiais em Setúbal, ao mesmo tempo que a sociedade portuguesa ia pintando o país com três cores clubistas, e onde a comunicação social nacional apenas dava atenção a três clubes em Portugal, a força do adepto setubalense 100% vitoriano perdia algum do seu fulgor.

Paralelamente, os cada vez em maior número centros de diversão e a cada vez maior variedade de ocupação de tempos livres, começaram aos poucos a desviar a atenção de alguns setubalenses, que se começaram a desabituar do gosto pelo futebol ou pelo desporto, direccionando-se para outras "artes". E é através deste facto que hoje se conseguem encontrar muitos filhos desta terra cujo clube de preferência é o Vitória, mas que não se interessam por desporto em geral, futebol em particular, não acompanhando a vida do Clube, nem como associados nem como simples adeptos.

Entretanto, a obrigatoriedade imposta pela sociedade em se ser adepto neste país de um clube da dimensão nacional criada pela própria sociedade, cujo cúmulo termina na pergunta ridícula: "Mas qual é que é o teu segundo clube?" ou na "Mas afinal de qual dos grandes é que és?", aliada à migração já referida, e contínua, de gentes de outras terras para os grandes centros urbanos, acabou por introduzir nas fileiras de sócios do Vitória uma grande percentagem de pessoas que gostam de futebol, gostam do Vitória... mas que têm uma paixão vinda de trás por um dos tais emblemas "nacionais", alimentada pela facciosa e comprometida comunicação social.

E será que tal situação é condenável? Pergunta difícil esta... de resposta ainda com maior índice de dificuldade!

A resposta..., melhor: Uma resposta (!), passa, ainda que ambígua, por redundar num simples... talvez! Dependerá dos setubalenses, no caso do Vitória, dos bracarenses, no caso do Sporting de Braga, dos conimbricenses, no caso da Académica de Coimbra, dos aveirenses, no caso do Beira-Mar, etc., i.e., passará em muito pelos adeptos das várias equipas nacionais que se entreguem em exclusividade ao apoio à equipa da sua cidade.

Dentro de cada clube, os adeptos de duas cores, que tanta falta fazem em número e no pagamento de quotas, terão que compreender que não são adeptos de primeira desse clube. (Acho lógico esse auto-reconhecimento). Mais, deverão compreender, aceitar e respeitar que os adeptos a 100% de um clube têm uma paixão maior, porque exclusiva! Mas, e acima de tudo, deverão saber preservar a sua condição de sócio e adepto, de uma forma muito simples: em caso de um jogo em casa do clube da terra onde vive, com o clube do seu coração, deverá saber abandonar a sua condição de sócio, e acompanhar o jogo a partir de um local neutro no estádio, adquirindo um bilhete normal para adepto visitante! Ou seja, deverão saber respeitar o clube do qual são sócios e deverão respeitar os restantes sócios de um emblema que a eles, teoricamente, também muito lhes diz.

Mas se esses adeptos são importantes na vertente financeira para o clube, acabam por ser um cancro que se não for combatido, com o passar do tempo, tenderá a fazer perder a identidade dos sócios a 100% desse clube, reduzindo o número de clubes em Portugal com essa identidade, levando a que o marasmo do futebol português se reduza à insignificância de uma paixão por três clubes inventados por uma comunicação social irresponsável onde a maioria dos profissionais desse sector não são simplesmente profissionais.

Os adeptos a 100%, por sua vez, deverão reconhecer a importância de um clube com muitos sócios, ainda que alguns não sofram como eles pelo emblema a que dedicam exclusividade. Deverão também reconhecer que muitos desses sócios têm uma história de vida que explica a paixão por outro emblema, e valorizar aqueles que aprenderam também a gostar, a amar, a roer as unhas, a incentivar permanentemente a equipa, a acompanhá-la e a dedicar-lhe muito da sua vida... muitas vezes com tanta ou mais emoção como os adeptos a 100%, perfeitamente visível nos jogos que não interferem com o sucesso da sua outra equipa.

Uma coisa é certa... não ajudará que aqueles que nasceram numa terra como Setúbal, e sejam de descendência sadina, incompreensivelmente sejam adeptos de um dos tais clubes de "dimensão nacional", promovida pela também ela pela facciosa imprensa "nacional".

Não vejo um português, residente desde sempre em Portugal, ser um adepto convicto da selecção espanhola, alemã ou inglesa, apenas porque já ganharam mais títulos, porque têm melhores jogadores ou porque têm mais adeptos... nem o vejo gostar primeiro de Portugal e depois de outro país, a não ser por motivos de afinidades familiares. Nós portugueses "reduzimo-nos" à nossa "insignificante" paixão lusitana, mas orgulhosamente! Nós setubalenses, também orgulhosamente, "elevamo-nos" à nossa convincente paixão sadina, à nossa paixão pelo Vitória, porque amar-se o Vitória é amar-se Setúbal!

E ainda há alguns, muitos, que apelam à questão do bairrismo para denegrir a paixão que os setubalenses sentem pelo seu Vitória! Bairrismo? Mas há gente que sabe o que diz? Para mim um bairro é Benfica. Um bairro de Lisboa... essa cidade mongolóide de um país amorfo. Um bairro elevado à dimensão nacional pela tal comunicação social facciosa, comprometida perante empresários, política e sistemas! Um bairro elevado à condição de dimensão nacional, onde gente sem força interior e sem orgulho das suas origens se deixou conquistar pela glória alheia!

Setúbal é uma cidade, capital de Distrito, com uma história que lhe dá paixão! Não é um bairro, mas sim uma cidade que reúne filhos de uma vasta região portuguesa, nas várias repovoações de que foi alvo, conseguindo sempre transmitir o mesmo orgulho a quem por cá se instalava.

Mas porque raio se nasci em Setúbal vou-me pôr a gritar num estádio por uma cidade que não a minha? Porquê gritar "Porto! Porto!" ou por um bairro de Lisboa, tipo "Benfica! Benfica!", ou por um clube com nome inglês, tipo "Sporting! Sporting!"!

Ganharam mais títulos? Têm melhores equipas? São promovidos pela sociedade ou pela comunicação social? Têm mais tempo de antena? Não são de onde nasci... e ponto final!... Confesso: também só consigo gritar por Portugal!

Há quem apele à democracia... à liberdade de escolha! Mas que liberdade? Àquela que é condicionada pela comunicação social enquanto grupo de pressão camuflado? Àquela que nos é imposta por uma sociedade decadente e onde que nem carneirinhos todos seguem a teoria dos mais fortes? Dos mais ricos? Pergunto eu se essa gente também escolheu ser portuguesa? Porque torcem por Portugal? Não os vejo torcer por França, ou pela Holanda! Onde está a congruência?

Sou português, torço por Portugal! Sou setubalense, torço pelo Vitória! (Única colectividade setubalense que nasceu do esforço conjunto de toda a cidade). Esta é a congruência! A única excepção aceitável é a que é justificável pelos movimentos migratórios.

Mas não sejamos mais papistas que ao Papa... se existem sócios no Vitória que não o sejam a 100%, deixemo-los existirem... apenas peço que o sejam respeitando a instituição e os vitorianos a 100%.

Resta deixar uma palavra aos vitorianos que não nasceram em Setúbal. Não serão muitos certamente. Pelo teor das minhas palavras também não compreenderei porque o são, se não tiverem uma história que os ligue de alguma forma a Setúbal, por migrações ou por afinidades. Mas, e pelo teor igualmente do que referi, serão certamente pessoas com uma personalidade muito forte, que conseguiram manter a sua integridade por terem conseguido enfrentar e contrariar o sórdido mundo da comunicação social e fugir aos tentáculos de uma sociedade que se diz democrata! Certamente serão vitorianos porque se revêem na força dos adeptos sadinos e na paixão que estes sentem pelo Vitória!

A terminar, apenas o grito que apetece deixar:

VITÓRIA! VITÓRIA! VITÓRIA!"

Ser do contra

Tem sido anedótico observar como a esquerda cá do burgo se desdobra no apoio aos candidatos Democratas às eleições Norte Americanas, apenas e tão só porque eles concorrem contra os candidatos Republicanos. O raciocínio é tocante, de tão básico: se os Republicanos são de direita, nós apoiamos quem está contra eles porque, por exclusão de partes, devem ser de esquerda. A esquerda que nos calhou em sorte apenas aparenta ter o exclusivo da sabedoria, mas na prática pouco mais faz do que contrariar, por princípio, o que a direita aprecia - uma coisa assim meio infantil, se nós queremos sair, eles querem ficar em casa, com a agravante de arranjarem logo mil razões para condenar e achar ofensiva e opressora uma saída.

À esquerda falta perceber o óbvio: os valores americanos - que eu não aprecio especialmente, note-se - não se regem pela europeia dicotomia política da esquerda-direita clássica. Mas, se fosse possível enquadrá-los, ambos seriam sem dúvida de direita, de tão liberais que são nas economias, e tão conservadores nos costumes - e ambos, também, tão doentiamente nacionalistas que fariam o PNR parecer uns meninos de coro!

Mas a esquerda tem esta costela masoquista: festejaria, sem pensar, uma hipotética vitória de Obama ou de Hillary (mais do primeiro do que da segunda, pela iconoclastia), para daí a uns meses, quando eles mandassem tropas para um qualquer país terceiro mundista com cheiro a petróleo, terem que fazer malabarimos para dar o dito por não dito. Mas, tal como o Rui Castro, não me apetece estar aqui a explicar algo a quem já sabe tudo.

2008/03/03

Uau!

Parece que ainda ontem nasceu, mas já tem um blog, o Lourenço!

2008/03/02

Egoísmo



A única coisa que me deixa pesaroso nesta agonia lenta de Fidel Castro, e de todo um regime, é saber que em breve acabarão os fabulosos José Lambrid Piedra a 6,25€ uma caixa de Cazadores (quase oferecidos, como diria o Miguel Esteves Cardoso), assim que os infelizes cubanos conseguirem ter acesso aos encantos do capitalismo - o que, evidentemente, sucederá rapidamente, como sucedeu em todas as outras pré-histórias políticas em que o comunismo provou cabalmente ser uma ideologia falhada.

Também lamentarei não ter ido nunca a Cuba, não aos resorts de plástico, que certamente continuarão a existir, mas à Havana de Wim Wenders, se bem que saiba que aqueles Buicks dos anos 50 e 60 já quase só servem para os postais, pois partilham as ruas com muitos modelos bem actuais de origem coreana.

2008/02/11

Sonhos adiados



E, para desanuviar de tanta escrita, aqui fica mais um oldtimer para a minha putativa garagem de sonho; com a vantagem de desta vez se tratar de um projecto mais modesto, económico e, pour cause, exequível - assim as coisas se comecem a endireitar...

A ponte é uma passagem...



Nesta discussão sobre pontes e aeroportos, com uma enchente de pedidos de pareceres a encherem de trabalho os funcionários do LNEC (infelizmente "esqueceram-se" apenas de pedir um parecer sobre o interesse de gastar muitos milhões de euros num comboio TGV, num país onde um Alfa Pendular já ultrapassa os 200km/h e onde a auto-estrada A6, de Setúbal a Badajoz, está permanentemente sem trânsito...), parece-me, dizia e desculpem-me a petulância, que se está a esquecer o óbvio: é que, se olharmos para um mapa da Estremadura e nos fixarmos na parte Norte do distrito de Setúbal, reparamos que os concelhos de Almada e do Seixal já estão servidos pela Ponte ex-Salazar, agora 25 de Abril, enquanto que qualquer residente nos concelhos do Montijo ou Alcochete está agora muito satisfatoriamente servido, nas suas viagens de e para Lisboa, pela Ponte Vasco da Gama. Aliás, a construção desta ponte aumentou visivelmente a densidade demográfica naquelas zonas, principalmente por parte de quem procurou preços mais atractivos no imobiliário e melhor ambiente, continuando a trabalhar em Lisboa. Por outro lado, quem conhece a zona sabe bem que, antes da existência da ponte, eram poucos os montijenses ou alcochetanos que trabalhavam em Lisboa, tantas eram as dificuldades de deslocação, tendo esse fluxo aumentado exponencialmente depois de 1998 por motivos óbvios. Curiosamente, alguns dos concelhos que forneceram, desde sempre, maior quantidade de mão de obra para Lisboa são o Barreiro e a Moita, bastando, para confirmar o que digo, atentar nos milhares de pessoas que diariamente atravessam o Tejo de barco (no Barreiro ainda há quem lhes chame "vapores") - mas, paradoxalmente, são actualmente os concelhos, com estas características demográficas, mais mal servidos em termos de acessibilidades. Ora, se é verdade que na elaboração do estudo deverão ser levados em linha de conta os factores técnicos (facilidade de construção) e económicos (principalmente o custo das obras, mas também a sua rentabilização), parece-me, contudo, da mais óbvia justiça que a primeira pergunta a fazer seja precisamente qual a localização que melhor serve as populações. Decerto seria mais barato e tecnicamente mais simples fazer uma nova travessia do Tejo em Vila Velha de Rodão, mas certamente isso não resolveria o problema de um único habitante da margem Sul que tivesse que se deslocar diariamente para Lisboa.

Assim sendo, e sabendo que os concelhos mais a Sul da península, ie, Palmela, Setúbal e Sesimbra, se encontram equidistantes de Lisboa, seja qual for a opção tomada, que os habitantes dos concelhos de Almada, Seixal, Montijo e Alcochete estão, todos, a escassos minutos de uma das pontes actualmente existentes (sem considerar problemas de trânsito, presentes em qualquer caso), e que os habitantes dos concelhos do Barreiro ou da Moita, apesar de se encontrarem junto ao Tejo, encontram-se sempre a mais de trinta quilómetros da capital, e ainda que as opções em cima da mesa são a construção de uma nova ponte no Barreiro ou no Montijo (surgindo ainda agora uma ainda mais lunática de construir mais uma ponte em Alcochete), pergunto-me, e pergunto-vos, qual seria a ponte de utilidade mais efectiva?

Triste aniversário

Passa hoje exactamente um ano sobre a data em que a maioria dos portugueses que se deram ao trabalho de ir votar escolheram a legalização da IVG, eufemismo para aborto, desde que praticada até às dez semanas de vida do feto. Segundo tenho ouvido, e se tenho interpretado bem, parece que os "objectivos" estão a ser cumpridos, ou talvez não, nem é isso o que mais me interessa. O que me choca é a forma como se podem estabelecer "objectivos" quando é da morte de seres humanos que falamos, como se fossem generais a determinar qual o número de baixas a infligir ao adversário. Tudo, realço como fiz há um ano, decidido por quem cá anda, e que o pode agradecer a quem decidiu pela sua vida, mas que agora se arroga o direito divino de decidir sobre a vida alheia.

Bom, mas passada que está esta batalha dura para tão galvanizados lutadores, outras se aproximam. Não falo ainda da abolição, tout court, das toiradas, previsível próxima etapa de quem defende sem dúvidas a morte de seres humanos indefesos, por decisão da mãe, mas que se indigna com o sofrimento infligido a um toiro de quatro anos. Continuo ainda no tema do aborto (desculpem lá, mas não usarei o vosso querido eufemismo de "Interrupção blá blá blá", apenas e tão só porque ele representa uma mentira nos próprios termos, já que uma interrupção pressupõe um reatamento posterior), para dar conta de uma nova reclamação que o Movimento Democrático das Mulheres (MDM) passou largos minutos a defender, em tempo de antena pago pelos contribuintes, há bocado, antes do Telejornal na RTP1. Regozijando-se com o sucesso da nova lei, sucesso esse consubstanciado no número de mortes de bebés, estas mulheres não se encontram ainda satisfeitas, e reclamam agora uma maior urgência no atendimento de um caso de aborto a pedido. Não reivindicam, curiosamente, mais consultas de apoio psicológico e de aconselhamento a quem quer abortar, mas sim que as pessoas que atravancam os hospitais com os seus extravagantes pedidos de ser tratados a cancros ou fracturas, tenham respeito pelos casos muito mais graves e prioritários de quem engravidou porque não lhe apeteceu estar a pensar muito no assunto, e agora precisa rápida e urgentemente de matar a vida que traz no ventre.

Os defensores do "sim" sempre se ofenderam muito por ser tratados como criminosos, mas para mim é difícil pensar noutro nome para quem, conscientemente, defende a morte de vidas humanas.

Balanço



Este blog tem andado meio parado, não só por falta de disposição - que não de tempo, infelizmente - do seu autor para nele escrever, mas também por me ter dado conta, de há uns tempos para cá, de que os blogs perderam a sua força da altura do lançamento, em que éramos apenas uns poucos (perdoem-me o pretensiosismo, mas a verdade é que este espaço fará em breve seis anos). Agora os blogs estão demasiado banalizados e servem para tudo, desde colocar fotos de um casamento até aos resultados de uma equipa de futsal lá da empresa, e esta dispersão acabou por ter efeitos práticos nefastos para o núcleo que se mantinha: apenas uma meia dúzia se aguentou com leitores fiéis, precisamente aqueles que mais vezes eram actualizados ou citados em órgãos de comunicação mais abrangentes. A este propósito, e perdoem-me desviar a conversa, não posso deixar de me sentir intrigado com os critérios que o "Público" utiliza para os seus destaques diários do que é escrito em blogs; a verdade é que aparecem sempre meia dúzia de blogs absolutamente desconhecidos, as opiniões neles expressas são incipientes e revelam frequentemente desconhecimento de causa, e até se conseguem encontrar vezes demasiadas erros crassos de ortografia e de outro tipo (lembro-me, por exemplo, de um "especialista", que viu o seu blog transcrito no "Público", referir-se a um jogo de futebol entre o Porto e o Sporting como um derby!). Não sou adivinhador, mas não deverei andar muito longe da verdade se imaginar que aqueles retalhos de blogs são da responsabilidade de algum estagiário a quem se diz, por exemplo, para fazer um apanhado do que dizem os blogs sobre o atentado a Ramos Horta. Vai daí, o esperto estagiário faz uma pesquisa no Google com as palavras "Ramos Horta atentado blog", e faz um copy/paste dos cinco ou seis primeiro blogs que encontrar, sem cuidar sequer de averiguar da relevância do seu conteúdo. Fácil, prático e nada profissional.

Mas desviei-me do assunto que aqui trazia, a minha actualização cultural e de lazer nestes dias de forçada inactividade, como forma de manter o espírito tão são quanto possível. Não serei exaustivo, e desde já espero que os meus leitores relevem a petulância de lhes dizer o que ando a fazer como forma de guia espiritual. Mas, se não acharem necessário este aconselhamento, sem qualquer finalidade comercial, sabem que são livres de clicar lá em cima num botão qualquer e saltar para outro site tão depressa como aqui vieram parar.

Posto isto, ficam a saber que, descoberta a minha veia monárquica recentemente, ando a ler a biografia dessa grande personagem portuguesa que foi D. Carlos, cobarde e infamemente assassinado. A propósito, há dias, nas comemorações do centenário do regicídio, ouvi a troupe do costume, ie, o Bloco de Esquerda e os seus "artistas" justificarem o voto contra um voto de pesar por D. Carlos proposto por um deputado do PSD, por alegadamente se estar assim a branquear a imagem de uma pessoa e de um regime que "já na altura eram alvo de grande contestação popular". Dando de barato que a pessoa que pronunciou isto, penso que o inefável Dr. Fernando Rosas, não estava a confundir monarquia com a ditadura que sucedeu pouco depois da instauração da república - esta sim, culpa dos republicanos, que depois de tomarem o poder com um criminoso golpe de estado, não souberam conduzir o país - aceitando que não há confusão, dizia, só podemos concluir que a afirmação é dolosa e intencionalmente mentirosa, já que a contestação partia apenas de um limitado grupo de revoltados, incluindo Aquilino Ribeiro, cuja memória - essa sim - se tenta branquear agora. A "contestação popular" a que alude o BE era tanta que, nas eleições democráticas que já durante a monarquia se realizavam em Portugal, nunca o Partido Republicano atingiu sequer os 10%! Mas também pouco mais se poderia esperar de quem não tem dignidade nem honra: bastava observar meia dúzia de provocadores disfarçados de palhaços (uma redundância, o disfarce era desnecessário...) que foram nesse mesmo dia para o Terreiro do Paço provocar quem relembrava a memória do Rei e do Príncipe Real, dando vivas ao Buiça no verso de faixas usadas anteriormente noutros "números artísticos" do bloco.

Hoje estou para divagar, como João Bénard da Costa nas suas lindas crónicas de domingo no "Público", desculpem outra vez a imodéstia de me comparar a tão grande figura. Voltemos pois ao livro que ando a ler, "D. Carlos", da autoria de Rui Ramos, edição do Círculo de Leitores (o que eu penei para arranjar este livro, já que eles mantêm aquela abstrusa regra de só vender a sócios - obrigado, cunhada!), apesar de recentemente ter surgido numa outra edição mais portátil (pelo menos não tem capa dura) e fácil de adquirir, da Temas e Debates. Entretanto, já está ali em fila de espera "D. Carlos - a vida e o assassinato de um Rei", de José M. de Castro Pinto, da Plátano Editora. Aparentemente trata-se de uma versão menos aprofundada mas mais objectiva do reinado e da morte da mesma personagem marcante da nossa nacionalidade, bem como das nossas ciências e artes.

Mudando de tema, mas ainda na leitura, também ali está já "O Crocodilo que voa", série de entrevistas ao recém falecido Luiz Pacheco por João Pedro George, livro a que aludi no post anterior. Não vai demorar muito a chegar à mesinha de cabeceira, palpita-me. Lá vai encontrar a companhia do "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, extraordinário exercício de antecipação, que só não tem tido a merecida rapidez de leitura devido à concorrência de outras obras. E vai encontrar também a Autobiografia dos Monty Python, algo que ninguém nascido nas décadas de sessenta ou setenta devia perder. De saída há uns dias veio "A Vida de Pi", de Yann Martel, lido com algum atraso relativamente à sua saída, mas que nada perdeu com o tempo. Vivamente aconselhado.

Ainda nas leituras, mas passando à imprensa, continuo, malgré tout, a ler o "Público", a "Sábado" idem, e a recusar-me terminantemente a passar os olhos sequer por pasquins como o "Expresso", o "Sol" ou o "24 Horas", o que, contudo, não me impede de ir acompanhando à distância as divertidas acrobacias do arquitecto para rebaptizar as ofertas. Leio de ponta a ponta a "Atlântico" todos os meses, assim como a "Retro Course" e a "Motor Clássico" - estas são, de resto, as únicas duas revistas de automóveis que compro, já que no que toca aos modelos actuais e às corridas, de que tanto gosto, a qualidade da oferta é abaixo de medíocre e mais vale actualizar-me na net.

Passemos à música, só para dar conta, sem grandes comentários, dos dois últimos power play do meu carro: "Versus", dos Kings of Convenience (& amigos) e "Distortion", dos Magnetic Fields. Ouçam e digam qualquer coisa depois.

A minha condição caseira, que eu muito prezo, também me levou a aumentar levemente os meus tempos de visualização de televisão. Na "caixinha" recomendo, pois, "A Quadratura do Círculo" sempre, "Conta-me como foi" e "Men in Trees" série americana que vale especialmente pelas paisagens e pelos ambientes, estupidamente "traduzida" em português para "O Amor no Alasca". Aliás, já que falo nisto, e perdoem-me outro desvio, sempre achei que havia uma atitude generalizada de quem traduz títulos de filmes, no sentido de nos tentarem explicar, logo no título, pelo menos metade do enredo, não vá o portuguesinho típico não saber do que se trata. Haveria milhares de exemplos, mas lembro por exempo a "tradução" de "Little Miss Sunshine" para um muito mais explícito "Uma família à beira de um ataque de nervos" - para mais plagiando, ou copiando quase, um título famoso de Pedro Almodovar. E, como as cerejas, falo-vos ainda dos "Devotchka", autores da banda sonora do filme. Um espanto. Voltando, no entanto, à televisão, de destacar a mais linda sitcom romântica que me lembro de ver: é inglesa, passa aos domingos à noite na "Britcom", por enquanto, tem paisagens maravilhosas de Gales, e chama-se "Gavin and Stacey".

De resto continuo a ir sempre que posso ver o Vitória de Setúbal (ainda ontem lá estive, a ver como se coloca o Guimarães, uma equipa que tem sido "levada ao colo" pelos árbitros, no seu devido sítio), os ralis, e só tenho faltado aos toiros porque toiros decentes só para lá da fronteira.

E pronto: a Madalena e o Lourenço estão cada vez maiores e mais bonitos, e falta-me muito pouco para estar completamente feliz!

2008/01/08

O libertino já não passeia!



Não sei porque tropecei em Luiz Pacheco, logo eu, que nunca liguei muito a surrealistas. Talvez por ser de Setúbal, não sei - nem interessa agora. Sei que fiquei viciado, que comprei e li tudo o que o homem escrevia, e que andei anos a planear ir ter com ele ao lar de idosos onde estava, em Palmela, a meia dúzia de quilómetros da minha antiga casa, para lhe pedir um autógrafo e, sabe-se lá, talvez trocar umas impressões com ele.

Mas ele não esperou por mim; morreu no passado sábado, dia 5, e foi hoje cremado no Alto de São João. Fico com pena, por ele, mas também (perdoem-me o egoísmo) por mim, que vou perdendo as minhas referências.

Resta-me agora esperar pelo livro de entrevistas que estava prevista para este mês, por João Pedro George, chamada "O Crocodilo que voa", acho eu. Aliás, já li a maior parte delas no blog de JPG (o famoso processado por Margarida Rebelo Pinto, por ter denunciado os seus auto-plágios), e só não faço o justo e merecido link por me ter esquecido do nome do blog. Peço desculpa pela minha péssima memória, e entretanto, deixo aqui, numa espécie de compensação, o link para a entrevista que ele deu à precocemente falecida revista "Kapa" - provavelmente foi aí que me deu o clique...

2007/12/07

Barracas em Lisboa (ou em São Julião da Barra)

Se por absurda hipótese eu fosse o Presidente do Zimbabwe (cruzes, canhoto!), decerto estaria espantado com toda a polémica que antecedeu, e decerto vai acompanhar, a minha estadia em Lisboa para a cimeira com os países africanos, ou lá como se chama.

De facto, não consigo perceber por que raio Mugabe se pode destacar tão especialmente num catálogo de facínoras, ditadores e tiranos como o que por estes dias passeia por Lisboa as suas assustadoras taras, atravancando-nos alarvemente o trânsito, qual freak show de pacotilha.

2007/11/01

Sonhos adiados


Isto, e mais a garagem para guardar tanto oldtimer, que já começam a ser muitos, e tempo para os usar, dinheiro para os manter...

O melhor jogador do Benfica foi o árbitro!

Como bom vitoriano que me orgulho de ser, também ontem rumei ao estádio do Bonfim para confirmar o excelente momento de forma que o Vitória está a atravessar (e, contrariamente ao que dizem alguns ressabiados, com tendência claramente ascendente), para ver uma equipa unida e honesta a derrotar com toda a justiça um grupo de pseudo-vedetas, que auferem salários milionários, mas que amiúde se esquecem de que têm que jogar à bola, preferindo esperar pelo sempre presente auxílio do árbitro para chegar ao golo. Como vitoriano sofri com as injustiças e aberrações que se passaram impunemente em frente aos nossos olhos, e como vitoriano festejei a merecida vitória. Não falarei aqui da qualidade do adepto português que, na sua esmagadora maioria, tem que "encarneiradamente" pertencer a um dos três ditos "grandes", o que levou a que muitos - provavelmente a maioria - dos que comigo partilharam a alegria o fizessem mais como anti-benfiquistas do que como vitorianos. É pena, mas cada um saberá escolher os seus caminhos.

Também não me apetece aqui perder demasiado tempo a comentar o atávico mau perder dos benfiquistas, que depressa se apressaram a escavar as mais rebuscadas justificações para o resultado. Antes do jogo já se falava da opção dum espanhol, mais palavroso do que actuante, de colocar a jogar os seus ditos reservas, sem ninguém se lembrar de que, provavelmente alguns desses "reservas" ganham mais do que quase o plantel completo do Vitória. De qualquer forma, a desculpa soa a pífia: o que diríamos se Lewis Hamilton tivesse participado no último Grande Prémio da temporada ao volante do seu utilitário de ir às compras, alegadamente para poupar o seu Mercedes de Fórmula 1? Possivelmente que tinha medo de perder, e que já estava à partida a criar a justificação perfeita para o seu mau resultado, não era? Pois, tal e qual como o Benfica: se ganhasse com a equipa de reservas (os tais apresentados como "coxos", e que fizeram jus ao epíteto), diriam que bastava a equipa de segunda escolha para arrumar o Vitória; no entanto, se perdesse, como esperava, diriam que tal tinha apenas acontecido por não terem usado a equipa principal. Simples e demasiado óbvio para ser aceite como desculpa. Ainda existem os que, agora, depois do duche em Setúbal, desvalorizam o objectivo. A táctica também está estafada, mas há sempre quem, em desespero de causa, ache que vai convencer alguém utilizando-a: um dos casos nacionais mais recentes foi o de Luís Filipe Menezes e a sua sombra, Ribau Esteves, que, perante a irredutibilidade de António Capucho relativamente à ocupação do lugar destinado ao PSD no Conselho de Estado, se multiplicaram em contra argumentar com a "pouca importância do cargo", e o desinteresse que o mesmo teria para o recém eleito presidente do partido. La Fontaine resumiu este comportamento com a frase lapidar "estão verdes, não prestam!", na fábula "A raposa e as uvas”. Trata-se, simplesmente, de, na impossibilidade de alcançar demasiado objectivo, desvalorizá-lo, como fazem agora alguns benfiquistas “considerando” que a Taça da Liga não é um objectivo suficientemente importante para o seu clube. Previsível e apenas digno de um sorriso de comiseração.

Mas já falei mais do que me apetecia da triste saga duma equipa que não rentabiliza os seus milionários investimentos, e agora há coisas bem mais importantes para referir sobre o futebol em Portugal: as várias visitas que tenho feito aos estádios nacionais mostraram-me cabalmente que não há de todo imparcialidade por parte dos árbitros em Portugal. Não falo exclusivmente do Vitória, mas de qualquer equipa dita "pequena" em confronto com os tais três ditos "grandes". A presença de uma destas equipas causa, intencionalmete ou não, mas inevitavelmente, uma tal inibição ao árbitro, qualquer que ele seja, que o impede de tomar qualquer tipo de decisão contra a equipa "grande", compensando com um excesso de iniciativas contra a outra equipa, a dita "pequena", por exclusão de partes. Normalmente tal comportamento fica restrito ao espaço físico de um campo de futebol, e testemunhado apenas pelas rvoltadas pessoas que se sentam nas bancadas, principlmente quando não há transmissão televisiva. Só que ontem, uma criatura de servilismo aviltante, de nome Paulo Costa, teve azar: foi-lhe manifestamente incumbida a tarefa de levar o Benfica "ao colo" até à vitória na eliminatória, fosse qual fosse o preço. Mas esqueceu-se de que o seu lamentável favorecimento estava a ser transmitido para todo o país, numa véspera de feriado, num canal de sinal aberto, e com uma grande assistência curiosa por conhecer o resultado do confronto. Assim, a sua parcialidade, os seus penalties inventados a favor do Benfica, os outros "não vistos" a favor do Vitória, e toda a panóplia de situações a favorecerem permanentemente os vermelhos (provavelmente do seu "coração"...) foram testemunhadas por um país inteiro que só não viu as injustiças se não quis, ou se a sua "clubite" fosse daquelas que provoca cegueira. Mas houve outros azares para esse tal Paulo Costa: por mais que tentasse, por mais que se esforçasse, a equipa de primas donnas do Benfica não foi capaz de fazer o resto, e Deus acabou por escrever direito por linhas tortas!

O triste espectáculo de arbitragem a que assistimos ontem não é, infelizmente, caso único, mas um fulano tão descarado, que em pleno jogo chegou a dizer a um jogador do Vitória (noutra ocasião) que "detestava o clube", e que o mesmo "merecia era estar na segunda divisão", não é um árbitro, nem sequer um homem, e devia ser irradiado da arbitragem liminar e imediatamente.

Não falarei também da ausência de brio profissional dos comentadores televisivos, que os leva a fazer em directo tendenciosos comentários que deveriam manter restritos às imperiais com os amigos, porque também aqui a esperança é pouca e a incompetência muita!

Mas é o futebol que temos, e ainda agora estou apenas a descobrir a pontinha do iceberg...

2007/10/23

Quarenta e quatro aninhos


Já não é a primeira vez que publico esta foto no blog, e por isso me penitencio, mas a culpa é só vossa, leitores. Nos quatro anos e picos de vida que leva este blog, tenho-vos recordado, quase sempre, do dia do meu aniversário, e tenho também aproveitado para, subtilmente, vos lembrar da minha predilecção pelos modelos british, como este Morgan Aero 8. Mas a subtileza tem sido provavelmente demasiada, pelo que tenho que passar a ser mais descarado e sugerir-vos que hoje, dia 23, dia do meu aniversário, até às vinte e quatro horas, me comprem uma prenda - e , já agora, se não tiverem ideias, aproveitem a minha!

P.S.: Não é parecido, eu sei, mas também ando a sonhar com uma coisa destas:

2007/10/22

Actualização da "Galeria dos Contorcionistas"


Na senda de outros personagens, sem pingo de vergonha nem pudor, capazes de renegarem por trinta dinheiros o que ainda ontem defendiam com unhas e dentes, sem sequer tomarem o tempo para um respeitoso nojo, vemos agora (bom, não é bem agora, mas ela vai-nos relembrando...) Zita Seabra assumir o seu merecido lugar ao lado de vultos como José Miguel Júdice ou Maria José Nogueira Pinto!

2007/10/21

Ao redor desta fogueira


Vi ontem, ou anteontem, já não me lembro, na RTP2, "Brava Dança", o documentário sobre os Heróis do Mar que por aí anda. E lá voltaram os anos e a nostalgia da adolescência e da juventude, no deslumbramento que senti ao ouvir os primeiros acordes do so called "rock militar". Primeiro os Spandau Ballet, no fabuloso "Journeys to Glory", e logo depois os nacionalíssimos Heróis do Mar, com o seu primeiro álbum homónimo - e estes com a vantagem de serem portugueses, de terem uma atitude frontalmente a romper com as estéticas supostamente alternativas mas que, de tão implantadas, se tornavam mainstream, e, principalmente, a enaltecerem a nossa terra, os feitos de quem por cá andou antes de nós. Tudo novo, era o fascínio perfeito, e apenas pensava por que raio não fazem uma estátua a estes gajos?

Resta dizer que os segundos álbuns de ambos os grupos (aliás, no caso dos Heróis foi um maxi-single, "Amor") me desiludiram, não por não serem bons, mas por desistirem aparentemente do estilo que me fez repensar a abordagem à música.

2007/10/19

Lá como cá

Como alguns saberão, não sou militante, nem sequer simpatizante, do PSD, mas factos recentes passados naquele partido deixaram-me particularmente incomodado, com uma sensação de dejá vu, como se estivesse a assistir ao remake de um mau filme.

A história é pública e conhecida: Menezes discorda da linha da direcção do seu partido traçada por Mendes, concorre contra ele em eleições directas em que disputam a liderança do partido, e ganha. A ignomínia começa no momento seguinte: das mais abjectas tocas surgem os especialistas em contorcionismo, que até ao dia antes eram mendistas convictos, e que, de um momento para o outro, se transfiguram em menezistas "desde o dia em que nasceram". Em alguns casos até, por ser demasiado descarado o oportunismo e a colagem, recorrem à pífia metáfora de não serem como "o dono da bola, que ao perder leva a bola para casa", ou outra coisa parecida e igualmente cretina. Conseguem assim, duma forma que dificilmente conseguirei adjectivar (se bem que me baile na cabeça a expressão, ainda assim benévola, "esperteza saloia"), tentar passar a peregrina ideia de que são indispensáveis ao partido, e de que fazem o especial favor de, apesar de ser algo que os deveria horrorizar, esquecer as diferenças e aceitar um qualquer "tachito" na nova direcção. Disse "tentar" e friso, porque, na verdade, tudo o que conseguem passar para fora é a imagem canina e ignóbil de quem, por um penacho qualquer, está disposto a engolir qualquer ponta de dignidade.

Depois há outros, aqueles que cometeram erros de avaliação graves, principalmente em pessoas com as suas auto apregoadas capacidades de análise e antecipação, como o ubíquo e polivalente "professor Marcelo" (parece nome artistíco de um qualquer entertainer brasileiro), ou o especialista em nos informar, avant la lettre, sobre tudo o que nos vai acontecer, incluindo a ementa do jantar, Pacheco Pereira. Do primeiro, Marcelo, não tenho ouvido grandes justificações, e parece-me que, para além dos seus acrobáticos comentários televisivos dominicais, a roçar o óbvio primário, se remeteu a um prudente silêncio, que deverá utilizar para meditar sobre as "barracas" que os excessos de confiança (e egos inchados) nos proporcionam, bem como para calibrar melhor as suas capacidades de cartomante. Já Pacheco Pereira não consegue, por mais que tente, disfarçar a azia provocada e destila bílis por todo o lado: mesmo antes de Menezes ter alcançado a vitória, já JPP punha as suas capacidades adivinhatórias ao nosso serviço para nos informar de que com ele surgiria aí de novo o fantasma do "populismo" - expressão, aliás, que, em crónica na revista "Sábado", nos faz o favor de informar que, se não é da sua invenção, anda lá perto, mas que será a ele, JPP, que inequivocamente deveremos agradecer a contribuição desinteressada de ter trazido a sua utilização para o léxico político cá do burgo. Depois da vitória de Menezes, a infantilidade tornou-se risível e merecedora de comiseração: desde concordar e andar por todo o lado a chamar a atenção para o discurso de Jardim no Congresso, algo inédito para quem conhece minimamente os antecedentes da relação entre os dois polémicos militantes, até à encenação de colocar os símbolos do seu partido em situação invertida, tentando com tal indigno procedimento chamar a atenção da direcção do seu partido, para que esta lhe fizesse o favor de lhe colocar, no mínimo, um processo disciplinar, e o ajudasse a atingir o ambicionado estatuto de vítima pelo qual suspira. Mas nem nisso o homem tem sorte, e tudo o que conseguiu foi que tal fosse intentado, sim, mas por um anónimo militante de Braga, o que é manifestamente insuficiente para quem tem tão altas pretensões de protagonismo.

Em suma, no PSD parece-me que existem os que levam a bola para casa quando perdem, os que perdem mas não levam a bola para casa (e passam rapidamente para o lado de quem ganha), e ainda os que, vendo que estão a perder, tentam escaqueirar a bola, a baliza, os adversários, tudo o que aparecer à frente, no mais puro estilo "se não for para mim, não é para ninguém". Mas, infelizmente, não é só no PSD que tal acontece...

2007/10/15

Olha, boa ideia! (*)


Duchamp (acima), Man Ray e Picabia na Tate Modern, lá para Fevereiro do ano que vem.

(*): Como diz o Lourenço quando nos quer convencer de alguma coisa.

O Algarve e eu

A minha relação com a província mais a sul do país é antiga, e assemelha-se muito a um romance de cordel, com amores, zangas, amuos, e toda a demais panóplia de situações comuns às grandes paixões; metade da minha família é algarvia, não "das praias" mas "da serra", como se usa na região, e isso fez-me começar a visitar a zona quase desde o berço, numa altura em que as torres por todo o lado ainda eram um projecto, infelizmente já não muito distante. Tudo era simples, como se é simples quando se é criança ou pré-adolescente, e vivia sistematicamente as minhas férias estivais à beira mar algarvia, sem mais preocupações do que guardar o tempo das digestões antes de mais um banho. Depois, veio a fase da adolescência, das férias sozinho, ou pelo menos já sem os pais. O Algarve manteve-se o destino regular, mais por hábito do que por qualquer outro motivo, mas o gosto pela terra começou a esbater-se na proporção inversa da quantidade de pessoas que demandavam aquelas terras, lusos ou etrangeiros. Foi o tempo da construção desenfreada, das lojecas de souvenirs por todo o lado, dos restaurantes com péssima qualidade de comida e serviços e altos preços, das discotecas onde se tinha que ir para se ser alguém, e depois gente, gente demais por todo o lado... Enfim, demasiados condicionamentos para a minha veia alternativa, e assim acabei por colocar uma grande cruz no mapa sobre o Algarve. Fim do primeiro acto, cai o pano.

Mal sabia então que, passados alguns anos, iria aceitar um emprego em que teria que me deslocar praticamente todas as semanas ao Algarve, com estadia de alguns dias. Pensei desde logo que dificilmente me manteria muito tempo em funções em tal cenário mas, como de costume, os factos surpreederam-me: as idas ao Algarve fora da época estival fizeram-me olhar para a terra com outros olhos, e até as ruas carregadas de lojas de souvenirs e marroquinaria, que anteriormente me pareciam descaracterizar as terras, passaram a concorrer, aos meus olhos, para o novo aspecto típico do Algarve, com o seu quê de kitsch. Voltei a apreciar a terra, depois de muitos anos, mudando apenas a perspectiva estética com que olhava para ela. E agora, é a nostalgia que me guia nas viagens ao Algarve.

Epílogo: esta semana voltei ao Algarve, em lazer. Fui para um desses hotéis de apartamentos, de sistema "tudo incluído", que tanto facilitam a vida das pessoas, principalmente a de quem tem filhos. Vim de lá completamente reconciliado com o Algarve, mesmo com as suas partes mais "plásticas", mas com uma nova embirração de estimação - ou melhor, não é nova mas reacendeu-se. Os turistas estrangeiros que nos visitam, sempre com um ar de sobranceria como se estivessem a visitar uma reserva indígena, mas que não passam, em mais de 90% dos casos, de perfeitos selvagens, com níveis de educação comparáveis aos dos primatas do Zoo. Usando o tal sistema "tudo incluído" pedem coisas que não consumirão e que deixam intocadas em cima das mesas, atropelam-se, e a nós, para atafulhar alarvemente os pratos de comida, deixam as suas pestinhas de 4 e 5 anos andarem livremente sem vigilância, a fazerem todo o tipo de asneiras e a colocarem-se, a elas próprias, em situações bem arriscadas. Enfim, a lista seria longa, e acredito que alguns dos que me lêem já conhecem o estilo; os ruidosos espanhóis, principalmente, mas também bastantes ingleses com formação de aborígene. E ainda sentimos nós alguma preocupação relativamente àquilo que de nós é dito lá fora. Tem tudo a ver com o nível de civismo de quem escreve ou fala. Para mim, ingleses javardos, como os que vi, virem dizer que Portugal é isto ou aquilo, equivale a ouvir Mugabe dizer que a Birmânia é uma ditadura. Credibilidade, ou a sua ausência, só isso.

2007/10/08

Sonhos adiados:


Galeão em tempos usado para o transporte do sal nas águas do Sado, actualmente adquirido e restaurado pela Câmara Municipal de Cascais, e utilizado para passeios com quem quiser ao largo da baía da vila. O sonho aqui passaria por poder adquirir um veleiro antigo, obrigatoriamente de madeira, e dispôr do tempo, da habilidade e das possibilidades para o conseguir restaurar e usufruir dele. Os sonhos amadurecem mas não morrem

2007/10/07

AA's & bêbedos conhecidos


Abstémios, façam um favor às vossas almas e às vossas vidas: comprem este livro, leiam-no, bebam-no...

2007/10/05

A má consciência da república

Neste dia, em que alguns comemoram o aniversário da implantação da república em Portugal, é bom lembrar que este regime apenas foi introduzido no nosso país na sequência de um crime hediondo perpetrado a mando dos seus partidários, e do subsequente golpe de estado que completou a urdidura. Antes disso, o regime monárquico e democrático vigente permitia a realização de eleiçõs livres, às quais concorria regularmente o partido republicano, não tendo ultrapassado contudo, em nenhuma ocasião, a barreira dos 10%. No entanto, se por acaso este partido alguma vez tivesse ganho eleições há cem anos atrás, teria tido nas mãos de imediato os instrumentos para acabar com o regime monárquico e implantar naquela altura a república em Portugal, de forma legal e honesta e não com as mãos sujas de sangue, até de menores, como sucedeu; já a "nossa" república apresenta características bem mais ditatoriais, uma vez que tratou, desde o princípio, de vetar através da constituição a possibilidade de o país evoluir para uma monarquia, bem como de proibir liminarmente qualquer hipotético referendo ou consulta que viessem a ser feitos nesse sentido.

É uma questão de consciência e justiça elementar: se condenamos Chavez, os militares birmaneses ou os chineses por terem tomado, ou mantido, o poder pela força, com que moral nos podemos afirmar republicanos, sabendo de antemão como o país chegou aqui?

2007/10/02

Lesmas

Aos poucos vamos vendo que, afinal, a famosa carapaça de arrogância e autismo deste malfadado governo é apenas uma maquilhagem para consumo interno - um pouco como aquele fulano frustrado, vítima de um patrão déspota ao qual não tem coragem de responder, e que se vinga da sua miséria em casa, batendo na mulher e nos filhos. Querem evidências? A China rosna, e aí surge o primeiro ministro candidamente, qual menino bem comportado, a dizer que o Tibete não é um país, que nunca foi invadido, e que o Dalai Lama não merece a (duvidosa) honraria de ser recebido por membros do governo luso.

Agora é um casal inglês, de hábitos mais que questionáveis, mas apoiados num marketing monstruoso (é este o melhor termo) e, principalmente, nos seus conhecimentos ao nível do governo inglês, casal esse que não gostou de ser "espremido" pela nossa Judiciária - vai daí queixa-se aos outros beefs, estes puxam novamente as orelhas ao "menino" Sócrates, e este, vergonhosamente subserviente, logo demite (ou manda demitir) o inspector encarregado da investigação do caso, Gonçalo Amaral, que tanto incomoda os ingleses.

O problema não é que este governo não tenha pingo de dignidade; o problema é que confunde, lá fora, a imagem do português com coluna vertebral, com a sua própria imagem de molusco invertebrado.

Navegar é preciso!


Enquanto não vou ao Faial, a marina de Oeiras vai-me dando para sonhar...

2007/10/01

Rally Magic


Gosto de ver o Vitória a ganhar, gosto de ir aos jogos, e até admito que me sinto envolvido pelo entusiasmo do povo, logo eu que sou um céptico militante, do mais difícil de convencer que existe - agora o que eu não consigo descobrir, por mais que tente, é a tal "magia" das imagens de futebol. Admito que exista, e que a dificuldade seja minha, assim como aceitarei se a maior parte dos meus leitores não descortinar ponta de magia nesta foto. Afinal as coisas são como são.

P.S.: Obrigado ao JAM pela foto.

Irra!

Homem, pode parar com essa choradeira, que parece-me que já toda a gente, incluindo a pastorinha da SIC, o Tino de Rans e o emplastro, percebeu o que é que você acha da eleição de Luís Filipe Menezes para a liderança do PSD, ou ainda lhe dá uma apoplexia. Bolas, que eu não sou do seu partido, mas não embirro tanto com ele e com o que lá se passa como você. Conhece aquela anedota, do fulano que segue na auto-estrada e ouve na rádio dizer que, na via em que segue, anda um condutor em sentido contrário, e logo responde em voz alta: "Um? São todos!"? Pois, já pensou se estará mesmo no lugar certo?

2007/09/29

Sonhos adiados:


A piada é que saía mais barato comprar um bom Jaguar XJS, recondicioná-lo até ficar "de lamber" (como se diz entre os amantes dos clássicos), e usá-lo, do que comprar alguns carros "desportivo-familiares" - seja lá isso o que fôr - que a publicidade nos impinge, e que povoam os sonhos de muita gente. E há lá coisa que se compare com o som daquele V12...

Laranjas espremidas

Luís Filipe Menezes parece ser o novo líder do PSD, segundo oiço agora nas várias estações noticiosas. Do ponto de vista de um militante do CDS/PP, ainda que a coisa possa parecer relativamente indiferente, seria de supôr que este seria o resultado menos bom, dada a maior tendência para o mediatismo de Menezes. Correr-se-ia assim o risco de ver a agenda política da direita, normalmente marcada pelo CDS/PP, face à passividade de Marques Mendes, escorregar ligeiramente para o PSD, diminuindo o espaço de manobra à direita. Mas, como bem lembra o 31 da Armada, Menezes tem agora outro problema pela frente, antes de chegar à ribalta - melhor, tem dois (pelo menos), e trazem sempre a sombra do que aconteceu recentemente a Ribeiro e Castro: primeiro, é mais que certo que Menezes não vai deixar a Câmara de Gaia, como Castro não deixou o Parlamento Europeu, mas vai ter que suportar as acusações de falta de entrega total, e até de não ter querido largar a segurança da "rede" daí decorrentes. Por outro lado, tal como Castro, está na oposição mas não no Parlamento, ie, falta-lhe algo essencial em política: palco. Com certeza que a bancada será mexida, e que a sua liderança deverá passar rapidamente para Santana Lopes, que nunca deixou de "andar por aí"; mas tal só vai servir de rápido trampolim para Lopes brilhar na oposição a Sócrates (e ofuscar Menezes), e para ele próprio, o enfant terrible, preparar o assalto ao poder daqui a um ano e tal. Não auguro tarefa fácil para Menezes, mas isso não me preocupa nem um bocadinho, para ser sincero.

Desanuviemos

2007/09/28

Erro de casting


Depois de um "assobiar para o lado" que durou vinte anos, durante os quais o petróleo e o gás sairam da Birmânia satisfatoriamente, foi precisa agora a morte de um jornalista japonês para que o ocidente comece a perceber que algo tem que ser feito ali. Mas certamente ainda muitos monges e outros civis serão mortos em nome dessa causa, antes que a pesada máquina ocidental comece a mostrar algum serviço - se chegar a mostrar.

Azar dos tibetanos, não terem petróleo nem gás.

Quem, eu?

Há pouco vi, e ouvi, o inefável Alberto João Jardim, num telejornal, dizer que não se identificava com "este PSD", presumo que o dos últimos dias, da campanha para as directas. Calculo que a falta de empatia do senhor se aplica especialmente às atitudes truculentas e aos excessos linguísticos. Sim, realmente Jardim não tem nada a ver com isso...

2007/09/27

Mas está tudo doido?

Este nosso país tem um povo consumista, habituado a "comer" sem questionar muito aquilo que lhe é "empurrado", seja pela publicidade, seja por supostos opinion makers, nem sempre inocentes nos seus desígnios. Foi assim que, há cerca de três anos, um grupo de sociais-democratas desejosos de ver Cavaco na cadeira presidencial, com os socialistas a aproveitar o "jeito", e mais a comunicação social bem canhota a apanhar o comboio, puseram, à sua vontade, o país todo encarneiradamente a repetir que Santana Lopes era um "trapalhão", ideia que lhe conseguiram colar até hoje, sem que contudo ninguém, em plena consciência e honestidade, consiga apontar objectivamente uma única "trapalhada" de Santana durante o tempo em que esteve em São Bento. Mas a imagem já estava convenientemente criada, e a opinião "culta" (se entendermos por "culto" ler o Expresso, e mandar uns "bitaites" em seguida) não se preocupou muito em questionar os fundamentos do pressuposto e, no fundo, até sabia bem atirar uns tomates podres a quem parecia ter uma carreira tão irritantemente bem sucedida!

Mas a vida dá muitas voltas, e o homem continua a "andar por aí", para desespero de muitos. E continua a mostrar a dignidade que fez dele o enfant terrible que se sabe, como o mostra a atitude na SIC Notícias há uns dias. Há que ter noção do ridículo, e interromper a entrevista de um ex-primeiro ministro para transmitir em directo a chegada de um treinador de futebol, por muito respeito que Mourinho nos mereça, faz-nos crer que a estação televisiva perde por vezes (secalhar demasiadas...) essa noção. Chapeau, Santana!

Então?

O blog está de volta, repararam? Pois, podem escrever comentários, se quiserem. Era só para lembrar...

Pequenas infâmias

Por respeito, e porque não quero fazer a mal educada figura de intrometido de toda a gente que se achou no direito de opinar e preconizar futuros mais ou menos sombrios, ou mesmo apocalípticos, aquando das eleições directas no CDS/PP, não me irei pronunciar sobre a qualidade do debate (em) público a que estamos a assistir no processo das directas do PSD. Mas também não me parece que qualquer coisa que eu diga vá adiantar muito, e até arrisco que a maior parte das pessoas sabe o que penso sobre isso, mesmo sem o escrever.

Onde é que existe um rio azul igual ao meu?

No domingo fui a Alvalade, e ontem acompanhei as eliminatórias da liga. Mesmo sem Mourinho, e jogando invariavelmente contra as outras doze pessoas em campo, o Vitória continua a dar-me grandes alegrias - e tristezas a muitas outras pessoas, pelo menos às mais distraídas.

And now for something completly different...

Não tenciono ir, e não irei certamente, ver o espectáculo de suposta "recriação" dos sketches dos Monty Python que um punhado de humoristas portugueses puseram em cena recentemente - e não irei simplesmente porque considero que não se pode imitar o que é inimitável. Ir ver aquilo, estou certo, apenas contribuiria para aumentar a minha tristeza por ver que há quem tenha a petulância de querer repetir algo que é único. Já alguém imaginou uma imitação de Nureyev ou de Aldous Huxley, ou de qualquer outro génio?

Só poderá achar piada a pindéricas imitações quem não cresceu com o flying circus.

2007/09/21

Paixão


Vou ouvindo, como todo o mundo de resto, as evoluções recentes de José Mourinho, meu ex-colega dos corredores do Liceu de Setúbal. Não é preciso procurar muito para que as notícias venham ter connosco, e foi assim que, depois de jantar, acabei por prestar alguma atenção a uma entrevista que o self called "Special One" dava a um canal nacional, dando conta da separação do Chelsea, numa atitude mista de alívio e emoção, pelo que me pareceu. Dizia ele, por outras palavras, que neste momento procurava alguma distância dos factos recentes, e também tempo para se reencontrar - luxo a que, como todos sabemos, se pode dar sem que os recursos financeiros disso se ressintam. E disse, no meio desses desabafos de alguém que afinal é apenas um ser humano, que, depois da adrenalina despertada pela experiência na Velha Albion, só aceitaria novamente desafios com algum grau de dificuldade.

Pois bem, Zé Mário: é pouco provável - para não dizer bastante improvável - que alguma vez venhas a tropeçar neste espaço da blogosfera. Mas se, por eventual acaso, isso se vier a verificar, não será de esperar que te lembres de mim, apesar de eu me lembrar muito bem de ti, do Conde de Arcos, do Seagull, e de todos os lugares que frequentávamos em Setúbal há mais de vinte anos. Mas se aqui vieste parar, e se ainda te encontras a ler isto, então é porque os deuses quiseram que acontecesse e, nesse caso, tenho um pedido a fazer-te, que é meu e de todos os vitorianos: esquece o dinheiro por um ano, ou mais - afinal pouca falta te faz mais milhão ou menos milhão - e vem treinar e ajudar o clube da tua terra. A felicidade às vezes custa bem pouco.

2007/09/19

Segredos mal guardados:

O Restaurante Afonso, em Mora: as entradas, o arroz de lebre, os vinhos, a simpatia, a terra, e tudo o resto!

Coisas simples...







Estas três imagens foram tiradas no mesmo lugar, à mesma hora, por mim, em Junho deste ano. Não existe muito mais que possa ser dito.

Decadência


Que saudades dos Grandes Prémios, quando eram disputados por homens verdadeiros, ao volante de carros verdadeiros...

Pedaços de sonho:

Uma noite da semana passada a olhar para a tempestade sobre a planície, da janela do meu quarto na Mina Juliana, Santa Vitória, Beja.

2007/09/17

Interpretações

A passagem do Dalai Lama pelo nosso país causou muitos e notórios embaraços, ainda que concorde que o mais mediático foi o do próprio Governo, vergonhosamente subserviente à China (talvez ainda à espera dos investimentos dos empresários chineses, em busca dos tais "baixos ordenados" aqui praticados); não obstante, esse mesmo pudor não impediu o suposto licenciado em engenharia José Sócrates de receber oficialmente Bob Geldof, cantor de méritos discutíveis mas, principalmente, mentor de grandes camapanhas de auxílio aos países do terceiro mundo, sendo que, pelo que consta, os portadores das verbas angariadas nem sempre têm conseguido encontrar esse tal "terceiro mundo", confundindo-o bastas vezes com as montanhas suíças e as suas apelativas instituições bancárias.

Mas houve mais quem tivesse andado "às aranhas", sem saber o que fazer ao Dalai Lama, tendo achado providencial a atrapalhação do ministro Luís Amado, e a consequente distracção da opinião pública: os comunistas portugueses, ainda a sonhar com os "amanhãs que cantam" vindos de algum dos últimos bastiões mais ou menos comunistas, como a China, acharam coerente não darem, com a sua presença, razão a quem acha que o Tibete foi indecentemente ocupado pela China, pelo que apenas participaram, para manter a face, numa recepção em que o senhor se apresentou como "líder religioso", já que, em boa verdade, e face à ocupação chinesa, ele não é chefe de estado nenhum! Curioso, no entanto, é notar que esse rigor e preciosismo apenas são utilizados pelos comunistas quando interessa, já que ao acolherem, na sua festa anual, partidos com ligações directas a grupos terroristas, conseguem arranjar, candidamente, forma de nos mostrar que as "coisas não são exactamente como se dizem" - mesmo quando quem o diz, que as FARC são perigosas forças terroristas, são as principais organizações de segurança mundiais!

Obrigado, Colin!


Não sei se foi o melhor, mas tinha de certeza o maior coração de todos!

2007/09/09

Fénix

A SIC Notícias não pára de me surpreender, normalmente pela positiva. É bem verdade que há ali coisas dispensáveis, como a polivalência e prosápia de Moita Flores no caso da criança inglesa desaparecida, por exemplo, se bem que as suas declarações pouco passem do óbvio - mesmo para leigos. Mais eficazes, para uma razoável percepção da evolução do caso, com objectividade, são as visões lúcidas de Barra da Costa na RTP.

Mas há muitas coisas mais que meritórias, a principal das quais, sem dúvida, o renascimento de Mário Crespo no grande jornalismo, depois da travessia do deserto que lhe foi imposta na RTP, e que quase o atirou para a prateleira de recordações, da qual pouco mais reteríamos do que o transatlântico "F...-se!" em directo, aqui há uns anos - de resto tema de uma oportuna e brilhante (como sempre) crónica de Miguel Esteves Cardoso. Isto, evidentemente, se não tivesse acontecido o seu resgate pela SIC, e que nos proporciona actualmente o melhor jornal televisivo - com a vantagem adicional de encostar às cordas muita "esperteza saloia" deste nosso rectângulo.

"Agarrem-me..."

Conhecem aqueles cartoons, maioritariamente da época de ouro da Warner, tipo Tex Avery e quejandos, que parecem ter uma personalidade muito calma e sisuda e depois, de repente, por um qualquer motivo estapafúrdio e pífio, se descontrolam subitamente, esbugalhando olhos, gritando, dando saltos descontrolados? Pois é o que Pacheco Pereira me lembra de cada vez que alguém murmura sequer os nomes de Paulo Portas ou Santana Lopes perto de si. É absolutamente desconcertante ver aquela figura de inteligência e capacidade de raciocínio enormes, qualidades de dimensão apenas comparável, de resto, à vaidade que o próprio tem nas mesmas, a debater com lucidez e conhecimento de causa impressionantes qualquer tema chamado à colação n'"A Quadratura do Círculo", e depois ler uma crónica como a sua na "Sábado" da semana passada, em que se consegue até adivinhar a espuma nos cantos da boca enquanto gasta cerca de meia crónica - que é de duas páginas - a criticar Portas pela (incorrecta, na sua opinião) utilização do YouTube na rentrée, ou pela não criação de um blog próprio, e não alimentado por zelosos assessores, como no caso de Luis Filipe Menezes - e aqui até concordo. Mas a paranóia da perseguição aqui reside no facto de Pacheco Pereira criticar o putativo blog que Paulo Portas podia ter, presumindo que, a existir, ele seria feito em moldes não capazes de cativar os habitués da net. Ou seja, não feliz por atacar de forma descontrolada e obsessiva Paulo Portas pelo que faz, agora resolve atacá-lo pelo que não faz mas podia fazer. Patético. Paulo Portas, presumo, agradece.

2007/09/03

Sonhos ou disparates?


Anda aí novamente um bichinho, mas há tanta coisa pela frente antes...