2007/09/09

"Agarrem-me..."

Conhecem aqueles cartoons, maioritariamente da época de ouro da Warner, tipo Tex Avery e quejandos, que parecem ter uma personalidade muito calma e sisuda e depois, de repente, por um qualquer motivo estapafúrdio e pífio, se descontrolam subitamente, esbugalhando olhos, gritando, dando saltos descontrolados? Pois é o que Pacheco Pereira me lembra de cada vez que alguém murmura sequer os nomes de Paulo Portas ou Santana Lopes perto de si. É absolutamente desconcertante ver aquela figura de inteligência e capacidade de raciocínio enormes, qualidades de dimensão apenas comparável, de resto, à vaidade que o próprio tem nas mesmas, a debater com lucidez e conhecimento de causa impressionantes qualquer tema chamado à colação n'"A Quadratura do Círculo", e depois ler uma crónica como a sua na "Sábado" da semana passada, em que se consegue até adivinhar a espuma nos cantos da boca enquanto gasta cerca de meia crónica - que é de duas páginas - a criticar Portas pela (incorrecta, na sua opinião) utilização do YouTube na rentrée, ou pela não criação de um blog próprio, e não alimentado por zelosos assessores, como no caso de Luis Filipe Menezes - e aqui até concordo. Mas a paranóia da perseguição aqui reside no facto de Pacheco Pereira criticar o putativo blog que Paulo Portas podia ter, presumindo que, a existir, ele seria feito em moldes não capazes de cativar os habitués da net. Ou seja, não feliz por atacar de forma descontrolada e obsessiva Paulo Portas pelo que faz, agora resolve atacá-lo pelo que não faz mas podia fazer. Patético. Paulo Portas, presumo, agradece.

2007/09/03

Sonhos ou disparates?


Anda aí novamente um bichinho, mas há tanta coisa pela frente antes...

2007/09/02

O meu regresso, parte CCXLIV

Gostava de poder prometer agora que os meus escritos vão retomar uma mais sadia regularidade - e prometê-lo-ia sem hesitações, se fosse um membro do governo - mas a verdade é que as sucessivas "falsas partidas" dos últimos meses me retiraram quase toda a credibilidade. Por isso, tudo o que posso garantir é que é essa, de momento, a minha firme intenção, mas quem sabe o que eu pensarei amanhã? Assim, só posso continuar a pedir aos estóicos dois vírgula quarenta e seis leitores que insistem em passar de vez em quando por este espaço, que mantenham essa paciência mandarim, que eu tentarei não vos desiludir (demasiado).

Nesta rentrée, depois de férias de nada, existiriam muitos temas que gostava de abordar: a minha estadia maravilhosa de Junho, em São Pedro de Moel (as hordas que só "conhecem" o Algarve não sabem o que perdem - nem saberão nunca, felizmente!); o excelente início de época do Vitória, que surpreenderá mais que um esta época - e não sou só eu que o afirmo, mas pessoas que realmente sabem; a minha progressiva e irreversível conversão à causa monárquica, por descobrir cada vez mais as injustiças, prepotências e faltas de democracia do regime republicano; a minha lenta adaptação à vida urbana de Lisboa, depois de mais de quatro décadas em meio rural; os meus contactos recentes com serviços públicos, pejados de estrangeiros que "entopem" qualquer sistema, e em que funcionários aberrantes - como só podem ser funcionários públicos - embirram com quem traz os seus pedidos de forma objectiva e organizada, e missionariamente encaminham quem não traz um único papel, mal sabe o seu nome e muito menos o que anda ali a fazer; as minhas dificuldades em voltar ao mercado laboral, não obstante enviar centenas de Curricula Vitae, numa demonstração prática de que as vistas de largura discutível das empresas preferem um qualquer recém-licenciado, mesmo daqueles que não sabem sequer qual é o maior oceano do mundo, desde que tenha 28 a 30 anos, do que alguém com comprovados conhecimentos, formação e experiência, mas cuja idade já ultrapassou os 40 anos; a condescendência, quase romantismo, com que a imprensa (não toda, graças a Deus...) designa por "activistas" um bando de energúmenos com graus de intoxicação diversos que, a pretexto de zelarem pelo "bem público" (A propósito, quem os investiu nessa qualidade? Eu não, de certeza...), destroem criminosamente propriedade privada, num gesto "simbólico" - tão "simbólico", de resto, como a quebra de montras e vandalismos avulsos desta cambada de imberbes (que mais não mereciam que um bom e profiláctico par de estalos, e de seguida fechados no quarto, normalmente em casa dos paizinhos) aquando de uma anterior manifestação em Lisboa contra skinheads e neo-nazis, não reparando, en passant, que os seus actos são tão vis ou piores do que os daqueles contra os quais protestam; a morte de Eduardo Prado Coelho, espécie de "salta-pocinhas" ideológico que várias vezes critiquei neste blog, mas cuja coluna no "Público" lia sempre - e essa assunção é a melhor homenagem póstuma que lhe posso prestar; a evolução política nacional, e a "coincidência" da desinformação nunca confirmada mas sempre generalizada, de cada vez que o CDS assume uma caminhada de retoma (leia-se, quando a liderança de Paulo Portas começa a ameaçar poderes instituídos); os meus novos projectos na área automobilística, para já dependentes de muitas coisas, mas principalmente deixando para os mais "jovens" as participações nos ralis e corridas mais competitivas dos campeonatos nacionais, e orientando agulhas para os clássicos, minha paixão de sempre e coisa bem mais social e civilizada, e assim mais adequada à minha idade e atitude; o quarto aniversário deste blog, um dos primeiros do país, passado há uns meses; e muitos, muitos outros assuntos. A alguns destes certamente voltarei, mas procurarei pincipalmente "despejar" com maior frequência aquilo que me vai na alma em cada momento - pelo menos aquilo que pode ser publicamente "despejado".

Agora, contudo, a novidade é bem pequenina - mais concretamente com 48 cm, 3,010 Kg, isto segundo medições efectuadas no passado dia 07 de Agosto, data de nascimento, no Hospital da Estefânia, da Maria Madalena, a minha segunda filha, a menina mais bonita do mundo!

2007/05/21

Paixão

Há algo que me faz alguma confusão em Portugal: é que é mais difícil encontrar alguém cujo clube favorito não seja um dos ditos três "grandes", do que acertar duas semanas consecutivas nos números do Euromilhões. Lá fora, noutros países de hábitos talvez mais excêntricos, é possível encontrar quem goste do Sevilha, do Marselha, do Milão, do Liverpool, e podia ficar aqui eternamente a dar exemplos de clubes descentralizados, mas com verdadeira aficción, se a minha cultura futebolística mo permitisse. Cá, se não se é do Benfica, é-se do Sporting ou do Porto. Quem não for adepto de um destes três é, futebolisticamente falando, órfão. Se um marciano de repente aqui aterrasse, seria difícil fazê-lo acreditar, sem provas factuais, que existem mais de três clubes em Portugal. Conheço até pessoas cuja afinidade com o Porto não vai além de saber indicar razoavelmente a cidade num mapa, que nunca foram sequer lá, mas que não hesitam em indicar o Futebol Clube do Porto como o seu "clube do coração". Normalmente há também a variação politicamente correcta de se ser do clube da terra, seja ela Coimbra, Barcelos, Faro, Campo Maior, ou outra qualquer, como se se cumprisse uma espécie de obrigação moral, mas salvaguardano inevitavelmente a verdadeira admiração por um dos malfadados três que lhe podem garantir a segurança, quase freudiana, de lhe irem fornecendo regularmente vitórias: o Porto, o Benfica ou o Sporting!

Não era grande adepto de futebol, e só recentemente assumi o gosto, reconheço. No entanto, se existia clube que me despertava fortes simpatias, esse clube sempre foi o Vitória de Setúbal, desde os tempos em que alguns colegas de liceu me convidavam para assistir aos seus treinos nos intervalos das aulas. De ténue interesse, passei recentemente a sócio interessado e sofredor, e agora não concebo sequer a hipótese de apoiar outro clube, pelo menos enquanto o Vitória existir - e tanto se me faria que ele tivesse descido à segunda divisão, pois a minha intenção de o continuar a apoiar já estava decidida. Preparados para o pior, eis que hoje, no final de noventa minutos que pareceram novecentos, temos a feliz notícia: a equipa com o orçamento mais baixo da primeira divisão, em que o conjunto dos ordenados de todos os jogadores, do treinador e seus adjuntos, poderiam ser facilmente pagos com o ordenado de apenas um jogador das equipas de tôpo, conseguiu o milagre da permanência, subindo dois lugares na última jornada. São eles, para mim, os heróis da época, e não produtos de marketing, primas donnas, que apenas conseguem jogar se encontrarem a conjugação de uma série infinda de condições ideais.

E é por isso que me dá alguma vontade de rir - ou de chorar, já nem sei - quando alguém me pergunta qual o clube da minha simpatia e, confrontado com a resposta óbvia de que se trata da equipa sadina, insiste para saber, para além disso, qual dos "outros", dos tais três, é, "de verdade", o meu favorito. Normalmente olham-me com um ar assim meio condescendente e até pesaroso, como se soubessem de algo que eu não sei, quando respondo convicto que, tirando o Vitória, nada mais me interessa.

No domingo passado, José Diogo Quintela, talvez o menos "interventivo-justiceiro" da troupe humorística Gato Fedorento (e, talvez por isso, o único que ainda consegue manter alguma piada em anúncios e quejandos), na sua crónica habitual no "Público" corporizava o pensamento de quase dez milhões de portugueses, ao afirmar que não compreendia como era possível que alguém fosse de um clube que nunca ganhava nada. Tenho pena, mas quem não compreende isto, não compreende nada...

Economia de inteligência

Este fim de semana o CDS voltou aos seus Congressos interessantes, com mensagem para fora, e eu com ele. Não que entretanto me tivesse afastado das lides partidárias, mas fiz também a minha travessia do deserto, deixando os holofotes por conta de quem pensa que se pode andar eternamente na ribalta, sem que ninguém repare nos seus ziguezagues constantes. Afinal parece que nem todos andam distraídos, e surgem agora os primeiros sinais, tristes, por sinal, de anunciadas derrocadas e implosões diversas entre quem se pensava, impunemente, a chegar ao Céu. Mas não me adiantarei muito mais sobre assuntos que se passaram nos bastidores de um Congresso que apenas pareceu morno, preferindo esperar, no meu camarote, pelas cenas dos próximos capítulos.

Se falei aqui do Congresso, foi, primeiramente, e antes de começar alguns desvios políticos, por questões fundamentalmete urbanísticas, outra das minhas paixões: como alguns saberão, o Congresso decorreu numa excelente infraestrutura de Torres Novas, o Pavilhão dosDesportos. Trata-se de uma construção aparentemente bastante recente, com capacidade para receber eventos desportivos de modalidades diversas, mas encontrando-se também prevista, como se viu esta semana, a sua utilização para outros fins, tais como precisamente congressos, aos quais comparecem milhares de congressistas, convidados, jornalistas, e muitas outras pessoas. Ora é aqui precisamente que começa a aberração urbanística: não sei como se faz em Torres Novas, mas asseguro que, no resto do país, é usual as pessoas percorrerem trajectos de alguns quilómetros nos seus carros, e até, pasme-se, tentar estacioná-lo nas imediações do local de destino. Pois, o tal Pavilhão de Torres Novas esté preparado para receber milhares de pessoas, mas apenas o carro de umas cinquenta delas, já que o projectista, os promotores (penso que municipais, o que não admira...), e toda a gente que geriu este empreendimento nunca deve ter previsto que, no futuro, existiriam pessoas a levarem carro para as imediações deste espaço. Disse "nunca" e reforço, porque me parece que ainda hoje em dia os responsáveis não perceberam o aborto urbanístico que conceberam nas imediações de uma obra arquitectónica de indubitável interesse, sejamos justos. Só assim se justifica que, nos dias antes do Congresso, temendo afluências superiores a trinta carros, tenham andado a "semear" pequenos pilares metálicos nos passeios, a fim de evitar que os energúmenos que se atrasassem e não conseguissem ocupar a meia dúzia de lugares de estacionamento previstos, largassem as suas viaturas em cima dos imaculados passeios da área!

2007/04/22

Alternativo

O defeito é meu, assumo; nada com que não consiga viver, e até se trata de algo que não deveria incomodar ninguém - deixem-me apenas ser feliz com as minhas idiossincrasias. Mas, desde que comecei a tomar consciência de mim, que me tornei um bocado "bicho do mato" nos gostos. Se toda a gente gosta de algo, normalmente dá-me para desconfiar - e até já me desinteressei de coisas depois de ver que elas começavam a andar na boca do mundo: foi assim na música, nas leituras, e em muitas outros aspectos. O ponto aqui, contudo, é saber se foram essas coisas que mudaram, ou apenas eu, snob semi-assumido, que não gosto de me misturar com gostos populares.

Não gostaria de perder coisas boas apenas por estúpido preconceito, mas deixei de me sentir verdadeiramente confortável há uns anos, por exemplo, a ouvir Oasis, depois de ter comprado o seu primeiro álbum um ano antes, quase clandestinamente, em Londres. E não queria que fosse o meu preconceito também a impedir-me de usufruir do Gato Fedorento, que tanto me fez rir antes. Por isso voltei hoje a vê-los na tv, mas é escusado: uma sucessão de clichés, muita produção, piada óbvia (os matarruanos locais não percebem o non sense, não estamos em Inglaterra), e a mensagem política e, pior, ferozmente tendenciosa, sempre presente. Aprecie quem quiser - parece que agora é toda a gente - que eu já dei para esse peditório.

2007/04/09

Desta é que é mesmo!

Os Rolling Stones voltarão este ano a Portugal para tocar, outra vez, o seu último concerto de sempre em Portugal!

Ele há com cada uma...

Ainda bem que há gente conhecedora, como Mariano Gago ou António Vitorino, entre outros, que nos concedem a graça de iluminar os nossos espíritos com aquilo que, afinal, tem estado desde sempre à frente dos nossos olhos: afinal é público e notório, como se diz em Direito, que os serviços da Universidade Independente foram satisfatórios até cerca de 1996, data da suposta licenciatura de Sócrates, mas a sua qualidade veio a degradar-se progressivamente depois dessa data. Eu até arriscaria que a degradação começou logo na segunda-feira seguinte à data da licenciatura do nosso Primeiro Ministro, e que o responsável por essa espiral de rebaldaria foi precisamente o Sr. Costa dos arquivos que, depois de ter utilizado os papéis comprovativos da formação do "engenheiro" para finalidades menos próprias, se viu forçado a compor um novo e criativo dossier, possivelmente com o fito de, daí a mais de dez anos, induzir os jornais e os portugueses em crasso erro!

2007/03/27

O melhor de dois mundos

Alguns de vós saberão que já desde o ano passado resido mais perto de Lisboa, mais concretamente em Carnaxide, no concelho de Oeiras. A minha capacidade de adaptação a novas situações não me tem deixado mal ao longo da vida, e por isso nunca me coloquei objectivamente a questão sobre se preferia esta nova morada ou a anterior, em Vila Nogueira de Azeitão - nunca me tinha passado pela cabeça, pronto. Mas este fim de semana o meu amigo Paulo colocou-me directamente a questão, em conversa casual e descontraída, e fez-me pensar.

É verdade que quem mora perto da cidade tem uma quantidade de infraestruturas disponíveis que não podem ombrear com as de uma aldeia que ainda mantém algumas características de rusticidade: aqui, à distância de alguns passos, existem famácias, táxis, bancos, supermercados, tabacarias, quiosques, e apenas falo de algumas coisas a que posso aceder sem sequer mexer no carro (aliás, a partir de certa hora é melhor nem pensar nisso, pois seguramente no regresso não terei lugar para o estacionar). Mas, em contrapartida, existe aqui uma impessoalidade a que um assumido rústico, como eu, talvez não se habitue facilmente. De acordo que os simpáticos empregados do café aqui de baixo, um dos principais e mais movimentados cá da terra, me cumprimentam com cordialidade quando lá passo a tomar o pequeno almoço - e que excelentes croissants eles lá têm. Mas em Azeitão tudo é diferente, mais lento, já com um cheirinho a Alentejo (que ainda não é, contrariamente ao que se pensa): não há lugar a que se vá em que não encontremos meia dúzia de pessoas conhecidas, com tudo o que isso tem de bom e de mau. E depois há o trânsito, mas disso falarei noutra altura.

Mas, balanço feito, e voltando sempre que posso a Azeitão, não me estou a dar nada mal com esta nova experiência - até porque não falei dos motivos por que aqui estou, e esses fazem toda a diferença. Afinal, acho que me vou habituar a isto.

Os "engenheiros" deste Governo

Se eu fosse engenheiro civil, se além diso defendesse a aberrante localização do novo aeroporto de Lisboa na Ota, se tivesse sido convidado para defender esta posição no programa "Prós e Contras" da RTP1, ontem, e se tivesse um pingo, pelo menos, de ética profissional não me parece que tivesse muitas soluções a não ser declinar a proposta. É que tornou-se absolutamente confrangedor ver profissionais, alguns deles certamente com grande capacidade e conhecimentos técnicos, a "embatucarem" na defesa do indefensável, sem quaisquer dados de engenharia a sustentarem as suas teses - e com os poucos arremedos de números a serem de imediato arrasados, para mais com o ridículo acrescido de os estarem a tentar justificar perante uma plateia de colegas, assim um pouco como se um médico quisesse justificar, num congresso ou simpósio, a eficácia da Aspirina contra o cancro da pele. E, por fim, foi triste ver estes profissionais a enveredarem envergonhados, mas na flagrante ausência de algo mais para dizer, pela argumentação política, mostrando inequivocamente os seus interesses em algo que só politicamente poderia ter alguma justificação.

2007/03/23

Constança, Júdice & outros "Zandingas"

Estaria rico se as sentenças de todos os "especialistas" que, desde há muitos anos, se dedicam, de forma quase obsessiva, a vaticinar a morte do CDS/PP e/ou do Vitória de Setúbal tivessem algum tipo de fiabilidade e eu ganhasse, digamos, um Euro por palpite certo. Infelizmente para essa minha putativa bolsa, mas felizmente para as instituições de que gosto, nenhum deles tem a capacidade de Garcia Marquez para anunciar mortes!

P.S.: Lúcida (sem trocadilhos), é a apreciação de hoje, no "Público", de Vasco Pulido Valente (não faço link para o jornal porque é pago, mas o Paulo Pinto Mascarenhas deu-se ao trabalho de scannerizar o artigo, o que desde já agradeço).

2007/03/21

Talvez durem mais um ano...

Há uns anos, fui dos primeiros a reconhecer-lhes o talento, ainda eles andavam por aqui, na blogosfera. Agora parece-me que o fedor se deve à putrefacção do bichano. O Gato Fedorento, como seria de esperar, rendeu-se ao mercado e adaptou-se a ele. A piada agora é formatada, repetitiva, quase revisteira em alguns casos. A subtileza perdeu-se para dar lugar ao riso fácil, ao trocadilho esperado, quase alarve, e os quatro jovens irreverentes que em tempos não muito distantes me fizeram rir às lágrimas, aburguesaram-se. Mudam-se os tempo, mudam-se os alvos...

Além disso, os rapazes têm ideias políticas, como é natural e desejável, especialmente numa época de tanto desinteresse social; discutível é, porém, o facto de não se coibirem de as misturar com o seu programa de entretenimento, numa promiscuidade aparentemente inocente, mas à qual subjaz uma perfeita consciência do seu efeito sobre o telespectador. Porque será que, do actual espectro político, apenas o Bloco de Esquerda é sistematicamente poupado às caricaturas da trupe? Só os ingénuos acreditam em acasos.

2007/03/19

Patético

A história é velha mas repete-se sempre; Fernando Nogueira, Ferro Rodrigues ou Marques Mendes sabem contá-la bem. Mas há sempre ingénuos para cair nela. To cut a long story short, nos períodos em que é pouco previsível que os partidos cheguem perto do poder, surge fatalmente alguém cheio de ambição e ingenuidade que pensa que vai fazer a diferença, e impor um novo rumo até às próximas eleições. Depois, quando se apercebe que apenas serviu para "cozer em lume brando", revolta-se contra o sistema de que voluntariamente fez parte e, numa estratégia de lémingue, apenas passa a acreditar na fuga em frente.

Como já alguns terão percebido, falo de Ribeiro e Castro; numa primeira fase, pós anúncio de candidatura à liderança de Paulo Portas, pensou que iria vender cara a pele, e até acreditou, nos seus sonhos cor de rosa, que se poderia manter líder do partido. Depois, ao ver os ratos, que antes o idolatravam, a abandonar o barco, percebeu que a sua única dúvida existencial seria se perderia o partido em directas, com 10%, ou em congresso, com 20%. Nessa altura, em desespero de causa, regrediu aos piores tempos da sua infância e pensou: "se não pode ser para mim, não será para ninguém!". E, na impossibilidade de deformar o partido com um ataque de ácido sulfúrico, resolveu destrui-lo por dentro com patéticas e desesperadas manobras que apenas visam protelar o seu inevitável declínio - uma política de terra queimada, muito aquém do que se pensaria ser expectável de alguém com este tipo de formação.

Só não esperava, confesso,que Maria José Nogueira Pinto se prestasse a este tipo de comportamentos perversos e manipuladores. Mas a senhora ainda não esqueceu o congresso de Braga em 1998, e acha que a vingança é um prato que se serve frio - e não se importa de prejudicar milhares de militantes e simpatizantes, na sua sanha de repôr a (sua) justiça.

Dignidade, por onde é que andas?

2007/03/15

Vou ser mãe!

Afinal não é menino - é menina! Vai-se chamar Madalena e vai ser linda! Eu disse "vai ser"? Já é!

Círculo empenado

Parece impossível; tanta associação de protecção disto e daquilo, e não há uma única liga de defesa de qualquer coisa que impeça o massacre público e sádico a que Jorge Coelho é sujeito semanalmente n'"A Quadratura do Círculo". As pessoas não têm culpa de ser como são, e é feio gozar com os outros...

2007/03/14

"A vida é sempre a perder" (*)

Estranha sensação esta, de percebermos que temos mais passado que futuro, e ainda assim não nos sentirmos tristes...

(*): Parte da letra de "O Homem do Leme", dos Xutos e Pontapés; o título deste post também poderia ter sido "Je ne regrette rien", de Edith Piaf.

2007/03/13

Domingo

O meu amigo E. tem razão: a política anda especialmente desinteressante, a maior parte da gente que lá anda ainda mais e a pachorra começa a faltar-me. Desinteressante por desinteressante, falo da minha vida, que essa ao menos interessa pelo menos a uma pessoa!

E falo de domingo passado, um dia que podia ser passado em casa, a ver as janelas do prédio em frente, e a acumular aquela neura do fim de semana a escoar-se. Mas reagimos, fomos comer umas belas tostas ao Bar do Guincho, e eu aproveitei para beber a primeira caipirinha deste ano. Havia gente a mais, um pouco de sol a mais, e faltava-me um livro - mas foi bom, muito bom.

Mas o sol e o calor não abrandavam, os guarda-sóis desta temporada ainda não haviam sido fornecidos pelos especialistas de merchandising, e lembrei-me de algo que já há muito andava a adiar: uma visita ao Palácio Anjos, em Algés, para ver a colecção de Manuel de Brito - os seus Paula Rego, Vieira da Silva, Hogan, Rui Chafes e tantas, tantas mais coisas lindas. Algés, numa tarde solarenga de domingo, estava entregue aos velhos no banco do jardim, e a poucas mais pessoas, tudo situações a apelar à minha costela "estético-depressiva" - a tal coisa de saber apreciar um pôr do sol reflectido numa marquise de Moscavide, lembram-se?

Há muito que não me lembro de passar um domingo tão bom...

2007/03/12

"Roma não paga a traidores!"

Para já é tudo o que me apetece dizer sobre as manobras de bastidores no meu partido de há vinte anos, o CDS/PP, na perspectiva da próxima mudança de liderança. De repente, todos aqueles que "cacicaram" congressos para levar Ribeiro e Castro ao colo, se tornaram "portistas" desde pequeninos.

Mas pode-se enganar muita gente durante pouco tempo, ou pouca gente durante muito tempo, mas nunca ninguém conseguiu enganar toda a gente o tempo todo...

2007/02/12

O tosco

Os últimos dias deste nosso cantinho trouxeram ao conhecimento da população uma espécie que andava meio hibernada desde que abandonou os bancos da escola e começou a tratar da vidinha. Trata-se dos "Tipos que Optaram Sim Com Orgulho", ie, os T.O.S.C.O ou, para maior simplicidade deste post, os toscos. Também existem os T.O.S.S.E., os que optaram pelo sim "Semi Envergonhados", mas como o argumentário de ambas as sub-espécies é muito similar, e está todo profusamente descrito na cartilha do Guru Francisco Louçã, apenas descreverei de seguida os toscos com que me cruzei nos últimos dias, e que me fazem temer pelo futuro deste país.

Ora bem, o tosco reapareceu agora, depois de há uns anos ter querido partir a Indonésia aos bocadinhos e de ter chorado emocionado com os resultados da selecção Nacional nos Campeonatos Internacionais de futebol, isso sim, um facto digno de orgulho Nacional e merecedor dos maiores encómios. É exactamente a mesma pessoa que passa os serões no sofá a indignar-se com a fome em África e com o aumento da temperatura do planeta, mas que sistematicamente adia a sua redentora intervenção em áreas tao prementes. Tambem há a variante mais humanitária do tosco que partilha a sua visão solidária para com os que sofrem, com os seus colegas de balcão, num qualquer estabelecimento nocturno da moda, enquanto os dedos arrefecem agarrados ao copo. Mas agora chegou a altura de, com pouco esforço, o tosco poder contribuir para o avanço do país; trata-se de uma criatura que sempre sofreu um bocadinho da nostalgia de não ter estado presente nos grandes acontecimentos recentes da sua raça, designadamente por não ter atirado uns calhaus aos gendarmes no Maio de 1968, ou de não ter fumado umas belas "ganzas" e ter agido em consonância com o espírito do Woodstock. Contudo, interiorizou as conquistas dos bravos que lutaram nessa altura, e agora é a sua vez (do tosco), de fazer algo para preservar o património herdado, como por exemplo o amor livre sem consequências - a não ser para o bébé, mas isso são pormenores, ate porque ele - o bébé - não se queixa.

O tosco sente-se, pois, um justiceiro, alguém especialmente iluminado para resolver, através do seu voto-Excalibur, os grandes problemas da humanidade, especialmente o das pessoas que gostam de ir para a cama sem precauções, mas depois não querem assumir as consequências do que fizeram. Aqui vem também uma outra faceta do tosco à superfície: a de yuppie-de-trazer-por-casa, o fulano que acha que o prosseguimento de uma carreira que lhe permita ter um carro em leasing, um T3 em Telheiras, e ir de vez em quando ao Brasil, não é compaginável com um filho, e que é um argumento suficiente para se matar alguem. O tosco, infelizmente, anda um pouco atrasado nos seus ideais: ele quer ser um incurável romântico, mas as causas soixante-huitardes, hippies ou yuppies já ficaram para trás e ninguém lhe disse.

No entanto, estudos recentes provaram que, apesar de se tratar de algo de difícil detecção, os toscos parecem possuir uma consciência, ou um seu arremedo. É por isso que o tosco não consegue responder quando o questionam sobre a justiça de matar alguém, sobre o facto de eles, toscos, andarem neste mundo porque alguém decidiu pela sua vida, mas agora arrogarem-se o direito de brincarem aos deuses e decidirem o futuro, a vida ou a morte de outras pessoas. É por isso que fogem à discussão como gato escaldado de água fria, e apenas discutem o tema em auto-apologéticas reuniões somente dedicadas a toscos, como quem consome pornografia mas naturalmente tem vergonha de o assumir. Normalmente sao reuniões pouco produtivas, onde apenas se usam as palavras "mata" e "esfola", nos seus sentidos mais literais. Mas é a única hipótese de o fazerem, já que, quando discutem com quem defende a vida, os argumentos que antes lhes pareciam tão fortes e definitivos, lhes soam agora, a eles próprios, pífios e ridículos, sentindo vergonha e frustração por não serem capazes de dizer, num fiozinho de voz, algo mais importante e consistente do que o reaccionário chavão "apenas as mulheres deviam votar", ou "a opção é apenas da mulher" (de certa forma é uma triste verdade, pois a outra pessoa que poderia ter interesse em dar opinião infelizmente não consegue falar, e nem sabe o que a espera - mas não seria difícil imaginar o que diria, se pudesse. E garanto que nem o patético Rui Rio, agora tão moderno ao lado dos "okupas", ou coisa parecida, teria querido ser abortado se interrogado no ventre materno!).

Não obstante, o tosco continua a sentir-se um incompreendido pelas pessoas que defendem a vida humana. Pensa que já está num patamar mais avançado de evolução, o que lhe permite ver que a solução para o futuro da humanidade está na morte dos seus, mas tem dificuldade em mostrá-lo a quem não partilha a sua transcendência. Não consegue, infelizmente, ver que este é um retrocesso civilizacional de séculos, e que, por este andar, qualquer dia, quando velho, será abandonado pelos seus filhos num qualquer monte, apenas com um cobertor.

Depois de ter lutado e conseguido que a morte de bébés se tornasse legal, o tosco sente-se agora cheio de energia para as novas batalhas que se avizinham: tornar ilegais as corridas de toiros (principalmente com a morte do animal) e a caça à raposa!

O tosco acha-se um tipo moderno, avant la lettre. Mas para fora só consegue passar a impressão de uma pessoa que, para colocar algum movimento na sua vida triste, decidiu polemizar (poucochinho) e mudar o mundo - da pior maneira!

Deus tenha piedade dos toscos.

2007/02/09

Scoop

Noutros realizadores não seria mau, mas vindo de Woody Allen, estava à espera de bem melhor.