2006/07/06
Lá se foi a taça!
Os comerciantes de móveis de Paços de Ferreira já podem respirar fundo; não ganharam para o susto!
2006/07/03
O apelo
Depois de ler, sem parar sequer para respirar, "As Duas Águas do Mar", do Francisco José Viegas (a propósito, parabéns atrasados pelo prémio APE), é que percebi que a minha vida não estará completa enquanto não for a Finisterra!
Oportunidade única
A falta de visão estratégica do nosso Primeiro Ministro vê-se mais nas oportunidades que deixa escapar do que no (pouco) que faz; com o país de olhos postos no Mundial de Futebol, Sócrates podia aumentar o IVA para 50%, vender o Algarve a uma empresa offshore (com transporte incluído até às instalações do cliente) e até nomear Zézé Camarinha para ministro de qualquer coisa, que ninguém dava por isso.
2006/07/01
Fairplay
A julgar pela reportagem apresentada na versão online do Daily Mirror, escassos minutos após o término da partida dos quartos de final do Mundial de Futebol 2006, que opôs Portugal à Inglaterra, é de supôr que as televisões inglesas não passaram o mesmo jogo que os portugueses viram. Senão, porquê escrever isto?
"But Simao scored the first and Cristiano Ronaldo hit the fifth after Jamie Carragher failed to put England back on terms. The shoot-out was particularly harsh on the Liverpool man, who had been brought on as substitute in the dying minutes of extra time with penalties in mind, as his first effort easily beat Ricardo in the Portugal goal. However, the referee decided he wasn't ready and ordered Carragher to re-take the kick."
(Estará o jornalista, quando diz que "bateu facilmente Ricardo", a referir-se a um penalty que Carragher marcou antes do apito do árbitro, e para o qual Ricardo nem se mexeu?)
E isto?
"Wayne Rooney - alone and upfront for much of the match - was given a straight red card in the 62nd minute as he reacted while being challenged and hacked by three Portuguese players in the centre of the pitch. It felt another harsh decision against England by the Argentinian referee. (...) The most remarkable incident of the second period was Rooney's sending off - not helped by Ronaldo running over to the referee in a blatant attempt to get him to take action against his Manchester United colleague. With the excellent Gary Neville and impeccable Rio Ferdinand also on the pitch, it's hard to see how Ronaldo can be assured a warm reception when he next returns to training at Carrington. If he does. He has said he wants to join Real Madrid - as far as many English fans are concerned (not to mention Manchester United's own) that might not be a bad idea."
(Gostei especialmente da candura com que se diz que Rooney levou um cartão vermelho directo "por ter reagido enquanto estava a ser pressionado por três jogadores portugueses...")
Há mais coisas giras na imprensa inglesa, mas o tom não varia muito. A dôr de cotovelo é uma coisa do arco da velha...
"But Simao scored the first and Cristiano Ronaldo hit the fifth after Jamie Carragher failed to put England back on terms. The shoot-out was particularly harsh on the Liverpool man, who had been brought on as substitute in the dying minutes of extra time with penalties in mind, as his first effort easily beat Ricardo in the Portugal goal. However, the referee decided he wasn't ready and ordered Carragher to re-take the kick."
(Estará o jornalista, quando diz que "bateu facilmente Ricardo", a referir-se a um penalty que Carragher marcou antes do apito do árbitro, e para o qual Ricardo nem se mexeu?)
E isto?
"Wayne Rooney - alone and upfront for much of the match - was given a straight red card in the 62nd minute as he reacted while being challenged and hacked by three Portuguese players in the centre of the pitch. It felt another harsh decision against England by the Argentinian referee. (...) The most remarkable incident of the second period was Rooney's sending off - not helped by Ronaldo running over to the referee in a blatant attempt to get him to take action against his Manchester United colleague. With the excellent Gary Neville and impeccable Rio Ferdinand also on the pitch, it's hard to see how Ronaldo can be assured a warm reception when he next returns to training at Carrington. If he does. He has said he wants to join Real Madrid - as far as many English fans are concerned (not to mention Manchester United's own) that might not be a bad idea."
(Gostei especialmente da candura com que se diz que Rooney levou um cartão vermelho directo "por ter reagido enquanto estava a ser pressionado por três jogadores portugueses...")
Há mais coisas giras na imprensa inglesa, mas o tom não varia muito. A dôr de cotovelo é uma coisa do arco da velha...
2006/06/30
Novidades da medicina:
Diogo Freitas do Amaral apresentou hoje a demissão do cargo que ocupava no Governo devido a problemas na coluna vertebral que, segundo o seu porta-voz, se têm vindo a agravar nos últimos tempos. Duas informações curiosas podemos extrair inequivocamente desta notícia:
Afinal o professor sempre tem coluna vertebral.
O contorcionismo, como já se calculava, é bastante prejudicial à dita.
Afinal o professor sempre tem coluna vertebral.
O contorcionismo, como já se calculava, é bastante prejudicial à dita.
2006/06/28
Dependências
É sabido que nem tudo o que dá prazer nos é permitido; aliás, a maior parte das coisas que sabem bem são proibidas, engordam, ou ambas.
Há muitos anos que não dispensava a compra do jornal "Blitz", mas isto apenas até à altura em que percebi o quão pernicioso esse hábito se andava a tornar para a minha carteira - não pela parca quantia que custava o jornal em si, mas pelas excursões que logo em seguida fazia à FNAC para adquirir CD's que, face à crítica, se apresentavam como simplesmente indispensáveis. São desta fase as minhas "descobertas" de muitas bandas, tais como os Mansun, Mercury Rev, ou, mais recentemente, os Ordinary Boys, Delays ou The Libertines, e isto só para citar alguns. A decisão teve que ser drástica: deixar de comprar o jornal, com apenas algumas recaídas ocasionais, tão frequentes nos viciados. Olhos que não veêm, coração que não sente.
As finanças reorganizaram-se, até ao dia em que apareceram estes tipos a perturbar-me o espírito. Também lhes vou enviar, em breve as facturas referentes a despesas não previstas, se bem que gratificantes. Desta fase recordo, ainda a semana passada, a compra do álbum dos Final Fantasy, com o mentor dos Arcade Fire, cujo nome agora não recordo (e estou demasiado preguiçoso para pesquisas).
Agora a tentação voltou: o Blitz deixou o seu formato de pasquim semanal e passou a apresentar-se numa revista mensal que é impossível não comprar. Tempos difíceis se aproximam. A propósito, sabiam que Richard Hawley (o que eu penei à espera do primeiro CD, "Lowedges") já tem um novo álbum? E que Thom Yorke, dos Radiohead, lançou um álbum a solo? E que Neil Hannon, aka The Divine Comedy, também tem novo trabalho? Ai, ai...
Há muitos anos que não dispensava a compra do jornal "Blitz", mas isto apenas até à altura em que percebi o quão pernicioso esse hábito se andava a tornar para a minha carteira - não pela parca quantia que custava o jornal em si, mas pelas excursões que logo em seguida fazia à FNAC para adquirir CD's que, face à crítica, se apresentavam como simplesmente indispensáveis. São desta fase as minhas "descobertas" de muitas bandas, tais como os Mansun, Mercury Rev, ou, mais recentemente, os Ordinary Boys, Delays ou The Libertines, e isto só para citar alguns. A decisão teve que ser drástica: deixar de comprar o jornal, com apenas algumas recaídas ocasionais, tão frequentes nos viciados. Olhos que não veêm, coração que não sente.
As finanças reorganizaram-se, até ao dia em que apareceram estes tipos a perturbar-me o espírito. Também lhes vou enviar, em breve as facturas referentes a despesas não previstas, se bem que gratificantes. Desta fase recordo, ainda a semana passada, a compra do álbum dos Final Fantasy, com o mentor dos Arcade Fire, cujo nome agora não recordo (e estou demasiado preguiçoso para pesquisas).
Agora a tentação voltou: o Blitz deixou o seu formato de pasquim semanal e passou a apresentar-se numa revista mensal que é impossível não comprar. Tempos difíceis se aproximam. A propósito, sabiam que Richard Hawley (o que eu penei à espera do primeiro CD, "Lowedges") já tem um novo álbum? E que Thom Yorke, dos Radiohead, lançou um álbum a solo? E que Neil Hannon, aka The Divine Comedy, também tem novo trabalho? Ai, ai...
Olé!

Sexta passada, por las ocho de la tarde, retomei um dos meus maiores prazeres: os toiros no único lugar onde podem ser vistos - em Espanha, claro.
A corrida foi mediana, com um El Juli razoavelmente inspirado e um Miguel Angel Perera numa das piores exibições que já lhe vi, ambos a terem que se defrontar com a nova estrela ascendente do toureio espanhol e, por inerência, mundial: Alejandro Talavante!
Há já dois anos, desde que vi César Jimenez em Almendralejo, que não tinha tamanha surpresa ao ver uma lide. Talavante, de apenas dezoito anos, e que tomou a alternativa há apenas duas semanas numa praça de nome impronunciável, confirmou todas as críticas que já tinha conhecido, e que o tornam no maior fenómeno da temporada, pelo menos até ver. Certo que algumas impetuosidades, a par com alguma dificuldade na avaliação da aprendizagem dos toiros durante a lide, pechas apenas imputáveis à sua juventude, o impediram de colher como troféus mais do que duas discutíveis orelhas na segunda lide. Mas a forma corajosa e elegante como executa as estatuárias, as gaoneras perfeitas, e a maestria com a muleta tornam-no, para já, num matador que aconselho vivamente aos aficcionados. Eu fiquei admirador, e decerto tudo farei para voltar a assistir a uma corrida onde ele conste no cartel - de preferência na Real Maestranza, em Sevilha, afinal a verdadeira "catedral" do toureio!
2006/06/26
Delírio duma noite quente
A minha vida bem que poderia ser um longo fim de semana, com ar condicionado em todos os lugares, bons restaurantes, cheios de coisas boas que não engordassem nem fizessem mal (incluindo charutos), livros por todo o lado, varandas sobre o mar, boas conversas, boas companhias, aqueles CD's que nos arrepiam, os jornais do dia espalhados pelo chão da sala, dinheiro no bolso, estrada para rolar, e o meu filho sempre perto de mim...
2006/06/20
O dinheiro afinal não compra tudo!
Ontem, ao folhear uma revista que se encontrava na mesa do café onde parei ao fim da tarde, daquelas que saem como suplemento num jornal qualquer, dei com uma entrevista de um tal Renato Berardo, filho de um famoso coleccionador de arte moderna com o mesmo apelido. A minha costela voyeur não me poupou, e lá acabei por dar comigo a ler as declarações do herdeiro. Não comentarei agora a maior parte do que lá ficou dito, mas não consegui conter um enorme arrepio quando li a descrição, pelo próprio, das suas primeiras tentativas de comprar arte. Segundo o entrevistado, só depois de ter adquirido, há alguns anos, um quadro, é que teve conhecimento de que este era uma reprodução, e isto por amável esclarecimento da esposa. Indignado, perguntou então a quem lhe facultou a informação por que motivo não tinham comprado o original, ao que a sua consorte conselheira o voltou a informar de que tal teria sido muito, mas mesmo muito difícil, já que o original se encontra no Louvre e se chama Mona Lisa. E ele contou isto, assim, numa revista.
Pensando bem, acho que também não vou comentar esta parte da entrevista.
Pensando bem, acho que também não vou comentar esta parte da entrevista.
2006/06/18
Carta aberta a Sílvia Alberto
Existem, definitivadamente, duas épocas no jornalismo escrito português: antes e depois de Miguel Esteves Cardoso (MEC). Para além da informalidade e paródia que introduziu na escrita, desde os seus tempos do "Se7e", passando pelas crónicas no "Expresso" (assim de repente lembro-me da "Causa das Coisas", "As minhas aventuras na República Portuguesa", "Os meus problemas"...), e culminando nos excelentes textos e legendas de "O Independente", que comprei desde o número 1, para além disso, dizia, MEC tinha ainda uma outra capacidade extraordinária: a de nos pôr a sofrer os seus próprios problemas, tal a forma como expunha despudoradamente os seus estados de espírito pessoais nas páginas das publicações em que escrevia. Foi talvez por isso que me veio há bocado à memória um artigo (mais à frente já perceberão porque me lembrei disto agora) em que o autor, tanto quanto sabemos encantado com as belezas de uma apresentadora de um programa televisivo de surf - também isto uma novidade naqueles dias - de sua graça Rita Seguro, dedicava toda uma crónica, em jeito de declaração pública, a confessar-nos o seu deslumbramento e paixão pela radical diva; aliás, se não estou em erro, o autor dirigia-se directamente à visada, isto apesar de, aparentemente, nunca terem sido sequer apresentados. Nunca percebi ao certo se a coisa era mesmo sentida ou se havia ali uma pequena pontinha de ironia, mas fascinou-me absolutamente a forma como escarrapachou nas páginas de um jornal coisas que até aí só se diziam em privado ao melhor amigo - e, mesmo assim, nunca antes do segundo gin tónico!
Lembrei-me disto há bocado quando, depois de jantar em casa da minha mãe com o meu filho, acabei por ceder às insistências de ambas as gerações para assistir a um programa televisivo, aparentemente de grande popularidade, chamado "Dança comigo". Curiosamente, foi a primeira vez que assisti a tal coisa (quem me conhece melhor já sabe da minha obstinada abstinência - tentem lá dizer isto depressa - em relação à televisão), e foi também, feliz ou infelizmente, o último programa exibido ("desta série", conforme nos foi dito, o que não augura nada de bom). O programa em si é banalíssimo, apelando permanentemente à palmadinha nas costas entre intervenientes e às emoções facilmente manipuladas de uma plateia já convenientemente instruída para assistir ao espectáculo das suas vidas, com muita lagriminha marota à mistura. Nada a acrescentar, portanto.
Contudo, algo ali me fez assistir ao programa com redobrada atenção até ao seu final: o "reencontro" com Sílvia Alberto, agora mulher, mas com o mesmo ar de menina que, há já alguns anos, me fazia levantar de manhã aos domingos para assistir ao "Clube dos Amigos Disney"! Sim, já sei, não esperavam isto de mim, mas também nunca vos garanti que não vos iria desiludir, pois não?
Bom, mas voltando ao assunto, e aproveitando a introdução sobre a desavergonhada atitude de MEC, e transpondo-a para este micro-espaço, vou, eu também, aproveitar a prolixidade e o desaforo que tenho na escrita para fazer aqui um convite público: convido-a, pois, a si, Sílvia Alberto, caso eventualmente faça uma pesquisa no Google e venha aqui parar, para dois almoços ou jantares por estes dias, preferencialmente depois de Outubro, altura em que a temperatura começa a voltar a níveis civilizados. Relativamente à escolha dos lugares, e como bom cavalheiro que prezo ser, deixarei este agradável assunto ao seu cuidado, Sílvia, certo aliás de que o seu leque de conhecimentos nesta área é muito superior ao meu. No entanto, se tiver a amabilidade de me incumbir dessa tarefa, poderei sugerir alguns que fujam ao óbvio de Lisboa como, por exemplo, o "Mar do Peixe" no Meco, o "Ribamar" em Sesimbra, o "Sacas" na Zambujeira do Mar, o "Aqui há peixe" no Carvalhal, o "Trinca-Espinhas" em São Torpes, ou outros em que pensarei se se dignar aceitar este convite duplo. Por fim, calculo que esteja intrigada pelo preciosismo de a convidar para duas refeições, e não simplesmente para almoçar ou jantar; bom, é que, conhecendo-me como me conheço, sei que no primeiro deles não conseguirei dizer mais que "pois...", "ah..." e "ia dizer qualquer coisa mas passou-me" - assim, só o segundo servirá para conversarmos normalmente. Está explicado?
Lembrei-me disto há bocado quando, depois de jantar em casa da minha mãe com o meu filho, acabei por ceder às insistências de ambas as gerações para assistir a um programa televisivo, aparentemente de grande popularidade, chamado "Dança comigo". Curiosamente, foi a primeira vez que assisti a tal coisa (quem me conhece melhor já sabe da minha obstinada abstinência - tentem lá dizer isto depressa - em relação à televisão), e foi também, feliz ou infelizmente, o último programa exibido ("desta série", conforme nos foi dito, o que não augura nada de bom). O programa em si é banalíssimo, apelando permanentemente à palmadinha nas costas entre intervenientes e às emoções facilmente manipuladas de uma plateia já convenientemente instruída para assistir ao espectáculo das suas vidas, com muita lagriminha marota à mistura. Nada a acrescentar, portanto.
Contudo, algo ali me fez assistir ao programa com redobrada atenção até ao seu final: o "reencontro" com Sílvia Alberto, agora mulher, mas com o mesmo ar de menina que, há já alguns anos, me fazia levantar de manhã aos domingos para assistir ao "Clube dos Amigos Disney"! Sim, já sei, não esperavam isto de mim, mas também nunca vos garanti que não vos iria desiludir, pois não?
Bom, mas voltando ao assunto, e aproveitando a introdução sobre a desavergonhada atitude de MEC, e transpondo-a para este micro-espaço, vou, eu também, aproveitar a prolixidade e o desaforo que tenho na escrita para fazer aqui um convite público: convido-a, pois, a si, Sílvia Alberto, caso eventualmente faça uma pesquisa no Google e venha aqui parar, para dois almoços ou jantares por estes dias, preferencialmente depois de Outubro, altura em que a temperatura começa a voltar a níveis civilizados. Relativamente à escolha dos lugares, e como bom cavalheiro que prezo ser, deixarei este agradável assunto ao seu cuidado, Sílvia, certo aliás de que o seu leque de conhecimentos nesta área é muito superior ao meu. No entanto, se tiver a amabilidade de me incumbir dessa tarefa, poderei sugerir alguns que fujam ao óbvio de Lisboa como, por exemplo, o "Mar do Peixe" no Meco, o "Ribamar" em Sesimbra, o "Sacas" na Zambujeira do Mar, o "Aqui há peixe" no Carvalhal, o "Trinca-Espinhas" em São Torpes, ou outros em que pensarei se se dignar aceitar este convite duplo. Por fim, calculo que esteja intrigada pelo preciosismo de a convidar para duas refeições, e não simplesmente para almoçar ou jantar; bom, é que, conhecendo-me como me conheço, sei que no primeiro deles não conseguirei dizer mais que "pois...", "ah..." e "ia dizer qualquer coisa mas passou-me" - assim, só o segundo servirá para conversarmos normalmente. Está explicado?
2006/06/17
Orçamento
Apesar de, graças a Deus, nunca ter passado dificuldades financeiras por aí além, noto em mim, por vezes e cada vez mais, uma tendência para o "forretismo", se bem que, na maior parte dos casos, a consiga justificar com a simples invocação da razão.
Para ilustrar o que digo, não consigo conceber como, por exemplo, se gastam fortunas abissais em peças de roupa quando, muitas vezes, apenas estamos a comprar o emblema ou a griffe. Como diz com alguma graça e muita razão o meu amigo P.R., é absolutamente despudorado comprar uma peça de vestuário, seja ela qual for, cujo custo seja superior ao ordenado mínimo nacional. Claro que este raciocínio não poderá valer, por exemplo, para uma camisa, em que o plafond terá que ser forçosamente muito mais baixo, e cujo valor razoável de aquisição não poderá exceder nunca os cinquenta ou sessenta euros, e isto para casos de comprovada qualidade.
O mesmo para os automóveis: por muitos Euromilhões que me pudessem sair, não me veria em caso algum a comprar aqueles carros estranhos que os príncipes árabes ou o Vítor Baía compram, com preços superiores a meio milhão de euros. Acho que é um desrespeito a todas as pessoas com necessidades este tipo de desperdícios e, apesar de ser um grande adepto de automóveis em muitas das suas vertentes, considero que existem excelentes carros com todas as comodidades exigíveis muito abaixo dos cinquenta mil euros.
Por fim, um fenómeno recente: os telemóveis. Observo frequentemente, mesmo no meu círculo de amigos mais restrito, mudanças frequentes e dispendiosas de aparelhos cujo único defeito é não serem os últimos do catálogo, por forma a dispor permanentemente de toda a parafernália dos gadgets mais recentes que estes aparelhos oferecem, tais como máquina fotográfica, berbequim, cortadora de fiambre, máquina de café, e sei lá mais o quê. Esta mentalidade impressiona-me e arrepia-me, a mim que só compro um telemóvel quando o anterior está mesmo kaput. Aconteceu há dias e, contrariado, dirigi-me a uma loja da especialidade para adquirir um novo telemóvel. O vendedor bem me queria convencer da utilidade de comprar um modelo que podia receber e-mails, telegramas e correio azul, mas os meus olhos desde a entrada na loja recaíram num singelo aparelho que, por cerca de cinquenta euros, me oferece a possibilidade de fazer e receber chamadas, afinal tudo aquilo para que eu quero um telemóvel!
Em adenda às reflexões expressas acima, gostaria ainda de informar que o anterior aparelho, talvez ressabiado com a sua troca por uma unidade mais jovem e pujante, se recusou a colaborar na hora de passagem do testemunho, isto é, quando tentei salvar os números que possuía em agenda. É, pois, por esse motivo, que aproveito a amplitude deste espaço blogosférico para solicitar a todos os meus leitores e amigos, principalmente àqueles que ainda não incomodei através de e-mail ou mensagem de Hi5, o favor de me reenviarem os vossos números, usando para o efeito o endereço electrónico situado ao lado (em "Recados"), ou, caso o possuam já, o meu número de telemóvel, que não sofreu alterações.
Para ilustrar o que digo, não consigo conceber como, por exemplo, se gastam fortunas abissais em peças de roupa quando, muitas vezes, apenas estamos a comprar o emblema ou a griffe. Como diz com alguma graça e muita razão o meu amigo P.R., é absolutamente despudorado comprar uma peça de vestuário, seja ela qual for, cujo custo seja superior ao ordenado mínimo nacional. Claro que este raciocínio não poderá valer, por exemplo, para uma camisa, em que o plafond terá que ser forçosamente muito mais baixo, e cujo valor razoável de aquisição não poderá exceder nunca os cinquenta ou sessenta euros, e isto para casos de comprovada qualidade.
O mesmo para os automóveis: por muitos Euromilhões que me pudessem sair, não me veria em caso algum a comprar aqueles carros estranhos que os príncipes árabes ou o Vítor Baía compram, com preços superiores a meio milhão de euros. Acho que é um desrespeito a todas as pessoas com necessidades este tipo de desperdícios e, apesar de ser um grande adepto de automóveis em muitas das suas vertentes, considero que existem excelentes carros com todas as comodidades exigíveis muito abaixo dos cinquenta mil euros.
Por fim, um fenómeno recente: os telemóveis. Observo frequentemente, mesmo no meu círculo de amigos mais restrito, mudanças frequentes e dispendiosas de aparelhos cujo único defeito é não serem os últimos do catálogo, por forma a dispor permanentemente de toda a parafernália dos gadgets mais recentes que estes aparelhos oferecem, tais como máquina fotográfica, berbequim, cortadora de fiambre, máquina de café, e sei lá mais o quê. Esta mentalidade impressiona-me e arrepia-me, a mim que só compro um telemóvel quando o anterior está mesmo kaput. Aconteceu há dias e, contrariado, dirigi-me a uma loja da especialidade para adquirir um novo telemóvel. O vendedor bem me queria convencer da utilidade de comprar um modelo que podia receber e-mails, telegramas e correio azul, mas os meus olhos desde a entrada na loja recaíram num singelo aparelho que, por cerca de cinquenta euros, me oferece a possibilidade de fazer e receber chamadas, afinal tudo aquilo para que eu quero um telemóvel!
Em adenda às reflexões expressas acima, gostaria ainda de informar que o anterior aparelho, talvez ressabiado com a sua troca por uma unidade mais jovem e pujante, se recusou a colaborar na hora de passagem do testemunho, isto é, quando tentei salvar os números que possuía em agenda. É, pois, por esse motivo, que aproveito a amplitude deste espaço blogosférico para solicitar a todos os meus leitores e amigos, principalmente àqueles que ainda não incomodei através de e-mail ou mensagem de Hi5, o favor de me reenviarem os vossos números, usando para o efeito o endereço electrónico situado ao lado (em "Recados"), ou, caso o possuam já, o meu número de telemóvel, que não sofreu alterações.
2006/06/12
Problemas de hardware
Ontem, enquanto tentava criar um manjerico para o Lourenço, utilizando, como me mandaram no infantário, papel crepe e um copo de plástico, deixei cair umas grossas gotas de cola-tudo UHU aqui em cima do computador portátil (e agora perguntam vocês: mas para que raio usaste cola UHU numa coisa que se resolve só com agrafos e jeito, e eu, em vez de vos responder, mostro-vos as minhas notas do secundário em trabalhos manuais, ou oficinais, ou lá o que lhes chamam agora). Bom, mas voltando aqui ao meu fiel companheiro, tentei limpá-lo de imediato com um lenço de papel, mas só consegui espalhar mais o visco. Agora, a coisa já secou e o plástico apresenta uma textura como que "arrepanhada" junto ao mouse digital - mas o aparelhómetro vai funcionando na mesma.
Será grave, doutor?
Será grave, doutor?
Lindo!
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(Alexandre O'Neill by M.G.)
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(Alexandre O'Neill by M.G.)
A ternura dos quarenta
Este blog teve a característica original de acompanhar o final da minha quarta década de vida (os "trintas") e a entrada na quinta (os "quarentas"). Se bem que pareça um lugar comum, a verdade, verdadinha mesmo, é que muita coisa mudou "aqui dentro" com este franquear.
Houve diversos e importantíssimos factos que aconteceram nestes quase três anos que modificaram de forma irreversível a minha vida, mas houve também mudanças de atitude importantes, quando percebi que me estava irremediavelmente a afastar da minha juventude. Uma das principais diferenças que noto, e pela qual já me fizeram pagar a incoerência, foi o meu súbito interesse pelo futebol, quiçá por falta de coisas mais apelativas por que me interessar. Mas nada de precipitações! Consigo ver um jogo de princípio ao fim mas, em relação por exemplo aos lugares que cada jogador ocupa em campo, continuo a apenas distinguir o guarda-redes e todos os outros. Isto para grande desespero de quem me acompanha ao estádio (do Vitória de Setúbal, claro!), e que, com grande paciência, me vai elucidando sobre mudanças de flanco, faltas de ânimo e outras preciosidades do género (obrigado, F.C., grande amigo!).
Mas, se há coisa para que ainda não consegui a devida garra (e, nesta fase, duvido que venha a obtê-la já), é para embandeirar (literalmente) em relação à selecção Nacional. Que me desculpem os mais nacionalistas, e acreditem que gostaria tanto que os portugueses ganhassem este Mundial como qualquer um de vós - apesar de confessar que, se tivesse dinheiro para apostar, o faria no Brasil, ou melhor, na sua selecção. Talvez a coisa melhore, mas para me galvanizarem têm que passar a jogar bem melhor do que fizeram esta noite. Depois falaremos.
Entretanto, lembrem-me um destes dias de postar aqui qualquer coisa sobre outras mudanças fundamentais que chegaram com os quarentas - as que já chegaram e as que podem estar para vir.
Houve diversos e importantíssimos factos que aconteceram nestes quase três anos que modificaram de forma irreversível a minha vida, mas houve também mudanças de atitude importantes, quando percebi que me estava irremediavelmente a afastar da minha juventude. Uma das principais diferenças que noto, e pela qual já me fizeram pagar a incoerência, foi o meu súbito interesse pelo futebol, quiçá por falta de coisas mais apelativas por que me interessar. Mas nada de precipitações! Consigo ver um jogo de princípio ao fim mas, em relação por exemplo aos lugares que cada jogador ocupa em campo, continuo a apenas distinguir o guarda-redes e todos os outros. Isto para grande desespero de quem me acompanha ao estádio (do Vitória de Setúbal, claro!), e que, com grande paciência, me vai elucidando sobre mudanças de flanco, faltas de ânimo e outras preciosidades do género (obrigado, F.C., grande amigo!).
Mas, se há coisa para que ainda não consegui a devida garra (e, nesta fase, duvido que venha a obtê-la já), é para embandeirar (literalmente) em relação à selecção Nacional. Que me desculpem os mais nacionalistas, e acreditem que gostaria tanto que os portugueses ganhassem este Mundial como qualquer um de vós - apesar de confessar que, se tivesse dinheiro para apostar, o faria no Brasil, ou melhor, na sua selecção. Talvez a coisa melhore, mas para me galvanizarem têm que passar a jogar bem melhor do que fizeram esta noite. Depois falaremos.
Entretanto, lembrem-me um destes dias de postar aqui qualquer coisa sobre outras mudanças fundamentais que chegaram com os quarentas - as que já chegaram e as que podem estar para vir.
2006/06/09
Secção "No gira-discos do meu carro":
Comecemos pelo mais óbvio: o álbum "At War with the Mystics" dos The Flaming Lips, e não me parece que seja necessário falar muito dele, pois toda a gente já deve conhecer, por esta hora, pelo menos a canção do Yeah, Yeah, Yeah... Se não conhecem, ainda vão a horas - se já conhecem, aproveitem para ouvir o resto do álbum que, apesar de algumas críticas menos favoráveis, é muito, mas mesmo muito bom. É claro que não podemos esperar que os rapazes agora criem um "Yoshimi battles the pink robot" em cada álbum que façam - Da Vinci também só criou uma Gioconda, o que não significa que os seus restantes trabalhos fossem maus. De qualquer forma este último trabalho chegou ao sexto lugar de vendas no Reino Unido, mas presumo que cá teria muita dificuldade em combater a qualidade melódica de um Tony Carreira!

Passando a "Here come the Tears" dos... The Tears, trata-se de nomes provavelmente desconhecidos da maior parte dos leitores, e - digo-o por experiência própria - mesmo da maior parte dos empregados da FNAC, até daqueles "especializados" nas prateleiras do "Alternativos". Mas se eu disser que na formação desta banda entram Brett Anderson, ex-vocalista dos defuntos Suede, bem como Bernard Butler, guitarrista dos dois primeiros álbuns da mesma banda (os melhores, de longe), a sobrancelha já começa a levantar, não é? Então oiçam lá as músicas e depois digam qualquer coisa.
Por fim temos os Babyshambles: o seu vocalista constitui uma das maiores fontes de rendimento dos tablóides britânicos, e já começa também a aparecer com frequência nas secções de curiosidade das publicações portuguesas - infelizmente nunca é por razões relacionadas com a música que produz, nem sequer é por boas razões: Pete Doherty, assim se chama o rapaz, foi suspenso da sua anterior banda, os magistrais The Libertines, devido à sua grande adição às drogas, e resolveu formar esta banda onde nos continua a encantar com a sua voz rouca. Infelizmente, apenas o faz nos intervalos entre as suas detenções, que começam a ser cada vez mais frequentes. Mas as notícias nunca referem a qualidade do trabalho produzido, razão porque este blog de espírito missionário vem asseverar aos seus estimados leitores que vale a pena deixar de pensar por um pouco nos problemas pessoais do jovem e escutar as suas palavras cantadas, com atenção, neste álbum, "Down in Albion". Para os curiosos das referências mais famosas, ainda posso deixar aqui a informação extraordinária de que esta personagem foi namorado da modelo Kate Moss a qual, de resto, faz um sensual coro logo na primeira faixa do álbum.
Passando a "Here come the Tears" dos... The Tears, trata-se de nomes provavelmente desconhecidos da maior parte dos leitores, e - digo-o por experiência própria - mesmo da maior parte dos empregados da FNAC, até daqueles "especializados" nas prateleiras do "Alternativos". Mas se eu disser que na formação desta banda entram Brett Anderson, ex-vocalista dos defuntos Suede, bem como Bernard Butler, guitarrista dos dois primeiros álbuns da mesma banda (os melhores, de longe), a sobrancelha já começa a levantar, não é? Então oiçam lá as músicas e depois digam qualquer coisa.
Por fim temos os Babyshambles: o seu vocalista constitui uma das maiores fontes de rendimento dos tablóides britânicos, e já começa também a aparecer com frequência nas secções de curiosidade das publicações portuguesas - infelizmente nunca é por razões relacionadas com a música que produz, nem sequer é por boas razões: Pete Doherty, assim se chama o rapaz, foi suspenso da sua anterior banda, os magistrais The Libertines, devido à sua grande adição às drogas, e resolveu formar esta banda onde nos continua a encantar com a sua voz rouca. Infelizmente, apenas o faz nos intervalos entre as suas detenções, que começam a ser cada vez mais frequentes. Mas as notícias nunca referem a qualidade do trabalho produzido, razão porque este blog de espírito missionário vem asseverar aos seus estimados leitores que vale a pena deixar de pensar por um pouco nos problemas pessoais do jovem e escutar as suas palavras cantadas, com atenção, neste álbum, "Down in Albion". Para os curiosos das referências mais famosas, ainda posso deixar aqui a informação extraordinária de que esta personagem foi namorado da modelo Kate Moss a qual, de resto, faz um sensual coro logo na primeira faixa do álbum.
2006/06/06
Desinteressante
Sei bem que o que vou escrever não tem o mínimo interesse para quem quer que seja, mas mesmo assim deixo aqui registado que vou aproveitar o pôr do sol deste dia cansativo para fumar um Romeo y Julieta n.º 2 aqui, no meu terraço.
2006/06/05
A pergunta:
Numa vanguardista iniciativa de antecipação da legislação Portuguesa, inédita para já e ao que sei, apresenta hoje este blog o presente post, que pretende ser um percursor da lei da paridade aplicada à blogosfera - com efeito, trata-se do primeiro post destinado exclusivamente a mulheres, se bem que não se possa, naturalmente, impedir os homens de o ler. Outras acções de justiça social decerto se seguirão.
Mas, voltando ao tema do post, trata-se de apresentar às minhas queridas leitoras uma questão muito simples, mas que poderá ajudar-nos a todos a definir onde se situa exactamente a fronteira entre o que é politicamente correcto e o que se sente na realidade. Então é assim: é um facto insofismável e conhecido que praticamente todas as mulheres afirmam, quando questionadas e com razoável convicção, que preferem como companheiro um homem não necessariamente bonito, mas sensível, culto, com sentido de humor, e com outros atributos similares, que fica sempre bem apresentar como quesitos a quem não quer passar por fútil ou superficial.
Mas a prática mostra-nos muitas vezes o contrário, ou seja: entre um tipo gorducho, careca, de mediana aparência física, mas que seja capaz de proporcionar uma conversa agradável e uma boa companhia, ou um loiro bronzeado, praticante de surf, que pensa que Beckett é o novo central do Chelsea e que Modigliani é o nome de uma pizzaria da linha, nem vale a pena perguntar para que lado vai o coração feminino pender, não é?
Bom, exposta a verificação, e apelando à honestidade das minhas leitoras que poderão, sem remorsos ou sentimentos de culpa, refugiar-se no anonimato, para mais numa questão tão delicada como é a presente, deixo aqui a questão: onde fica, exactamente, a ponderação entre o aspecto estético e os restantes aspectos de um homem na altura de escolher?
Posso deixar aqui mais umas pistas para uma possível resposta: da minha observação pessoal, penso que há uma altura em todas as mulheres em que, devido às experiências passadas bem como à maturidade adquirida, os pratos da balança se começam a equilibrar. Não gostaria de balizar, mas acredito que tal tenda a suceder por volta dos trinta anos. Estarei correcto, ou pelo menos a aproximar-me da realidade?
No entanto, penso que não existe mulher imune ao aspecto exterior do homem, seja qual for a sua idade e estágio de maturidade, e muitas, inclusive, dispostas a arriscar tudo numa relação que a conduza a anos de sofrimento, desde que ao lado de um sósia de George Clooney. Será isto uma reacção genética, ou tem a ver com algo que nos é imposto pela sociedade consumista? Afinal, trata-se da velha história de comprar um mau produto num bom embrulho...
P.S.: Antes que me acusem de machista, desde já deixo aqui bem claro que sei muito bem que, com a devida inversão dos termos, toda esta teoria é igualmente aplicável ao género masculino, em alguns casos com sérias agravantes. Afinal, serão muito poucos os homens que desdenhariam pavonear-se na Expo de braço dado com a Isabel Figueira, se bem que a cachopa já tenha declarado publicamente que "não leva livros para férias, porque as férias são para descansar" (in revista "Maxmen" há uns meses atrás).
Mas, voltando ao tema do post, trata-se de apresentar às minhas queridas leitoras uma questão muito simples, mas que poderá ajudar-nos a todos a definir onde se situa exactamente a fronteira entre o que é politicamente correcto e o que se sente na realidade. Então é assim: é um facto insofismável e conhecido que praticamente todas as mulheres afirmam, quando questionadas e com razoável convicção, que preferem como companheiro um homem não necessariamente bonito, mas sensível, culto, com sentido de humor, e com outros atributos similares, que fica sempre bem apresentar como quesitos a quem não quer passar por fútil ou superficial.
Mas a prática mostra-nos muitas vezes o contrário, ou seja: entre um tipo gorducho, careca, de mediana aparência física, mas que seja capaz de proporcionar uma conversa agradável e uma boa companhia, ou um loiro bronzeado, praticante de surf, que pensa que Beckett é o novo central do Chelsea e que Modigliani é o nome de uma pizzaria da linha, nem vale a pena perguntar para que lado vai o coração feminino pender, não é?
Bom, exposta a verificação, e apelando à honestidade das minhas leitoras que poderão, sem remorsos ou sentimentos de culpa, refugiar-se no anonimato, para mais numa questão tão delicada como é a presente, deixo aqui a questão: onde fica, exactamente, a ponderação entre o aspecto estético e os restantes aspectos de um homem na altura de escolher?
Posso deixar aqui mais umas pistas para uma possível resposta: da minha observação pessoal, penso que há uma altura em todas as mulheres em que, devido às experiências passadas bem como à maturidade adquirida, os pratos da balança se começam a equilibrar. Não gostaria de balizar, mas acredito que tal tenda a suceder por volta dos trinta anos. Estarei correcto, ou pelo menos a aproximar-me da realidade?
No entanto, penso que não existe mulher imune ao aspecto exterior do homem, seja qual for a sua idade e estágio de maturidade, e muitas, inclusive, dispostas a arriscar tudo numa relação que a conduza a anos de sofrimento, desde que ao lado de um sósia de George Clooney. Será isto uma reacção genética, ou tem a ver com algo que nos é imposto pela sociedade consumista? Afinal, trata-se da velha história de comprar um mau produto num bom embrulho...
P.S.: Antes que me acusem de machista, desde já deixo aqui bem claro que sei muito bem que, com a devida inversão dos termos, toda esta teoria é igualmente aplicável ao género masculino, em alguns casos com sérias agravantes. Afinal, serão muito poucos os homens que desdenhariam pavonear-se na Expo de braço dado com a Isabel Figueira, se bem que a cachopa já tenha declarado publicamente que "não leva livros para férias, porque as férias são para descansar" (in revista "Maxmen" há uns meses atrás).
2006/06/03
Parar para pensar
Depois de mais uma relativamente longa hibernação, cá estou eu de novo, caro leitor, mas desta vez para lhe falar de um assunto que apenas poderá interessar a alguns - contudo, é essa uma das principais vantagens deste espaço blogosférico: a possibilidade de gastarmos milhares de caracteres a divagar sobre o nosso umbigo, se for essa a nossa vontade, aceitando tacitamente as regras do jogo, isto é que, do outro lado, qualquer pessoa é livre de saltar por cima deste post (ou de todo o blog, até!), se nele não vislumbrar qualquer interesse ou mais valia para a sua informação ou cultura pessoal.
Pois bem, apresentado este intróito, passo então a falar do CDS-Partido Popular, e da sua situação actual, basicamente aquilo que me traz aqui. Desde já ressalvo que me considero insuspeito para o fazer nos termos que se seguem, pois sou seu militante há mais de vinte anos (a que deverei juntar mais de sete de Juventude Popular, então Juventude Centrista), e em todo este tempo nunca esperei, mendiguei ou obtive qualquer tipo de colocação ou vantagem decorrentes da minha condição de filiado e dirigente - no entanto, durante estes muitos anos, pude observar muito "pára-quedista" a chegar às fileiras do partido, sem qualquer tipo de coerência ideológica (em relação a muitos deles duvido mesmo que tenham algum tipo de ideia política de todo), mas com uma devoção canina a quem está na liderança em cada momento (e, na sua única atitude coerente com o seu grau de dignidade, apresentando rapidamente um olímpico desprezo por aqueles que ontem aparentemente idolatravam, desde que já não ocupem lugares de poder), e tudo isto com o único fito de arranjarem "tachinhos" para si e para os seus. Este fenómeno, não exclusivo do meu partido, teve no entanto, e durante muito tempo, uma dimensão marginal e os "penduras" eram identificáveis à légua e facilmente mantidos a uma adequada distância higiénica. Contudo, com a subida do partido ao Governo, há poucos anos atrás, a coisa precipitou-se e foi com um misto de estupefacção, repulsa e até vergonha que, de um momento para o outro, começo a ver por todo o lado à minha volta a saída dos seus buracos dos tais boys que tanto condenava nos outros partidos, todos eles a alcandorar-se a lugares de alguma responsabilidade, a maior parte das vezes sem capacidades sequer para gerir uma mercearia de bairro, e frequentemente sendo alvo recorrente da chacota de quem com eles trabalhava. Mas o fundamental, para este tipo de criaturas, não é o seu desempenho, mas sim esse conceito vago que designam de "aparecer": "aparecer" num jornal, "aparecer" numa cerimónia pública ou - suprema realização pessoal! - "aparecer" numa reportagem de televisão.
Bom, saltemos agora, cronologicamente falando, por cima do espaço de governação do CDS-Partido Popular até chegarmos aos dias de hoje, em que o país é governado por uma personagem de valor dúbio, mas que tenta disfarçar as suas muitas insuficiências culturais, políticas e cívicas através de grandes doses de arrogância e petulância, com algumas citações de filósofos pelo meio (recorrente, esta forma pífia de mostrar suposta cultura política). Neste cenário encontramos também um CDS-Partido Popular que mudou de direcção, encontrando-se a presente equipa à frente dos destinos do partido há pouco mais de um ano. No entanto, não obstante a sua juventude, e devido a aparentes problemas de auto-estima, complexos de perseguição e outras teorias da conspiração avulsas, foi já esta direcção sufragada internamente por três (!) vezes neste curto espaço de tempo. Curiosamente, e apesar de algumas leituras enviezadas do assunto por parte de quem tem interesse em manipular a informação, a verdade é que a opinião do interior do partido não tem coincidido de todo com a do eleitorado, já que esta direcção também foi entretanto julgada pelo voto Nacional por duas vezes - contudo, em ambas as vezes resultados desastrosos foram convertidos em confortáveis vitórias morais ou coisa que o valha, ao melhor estilo comunista! Na segunda das eleições em que estivémos envolvidos, de resto, para a Presidência da República, decidiu-se até o partido pelo apoio a um candidato cujas únicas negociações conhecidas com o CDS-Partido Popular ficaram confinadas ao auricular do telemóvel do Dr. José Ribeiro e Castro, e em que o candidato demonstrou durante a quase totalidade da campanha um desrespeito pelo nosso partido (que sistemática e intencionalmente designava por "o outro partido que me apoia"), desrespeito esse que, com uma direcção digna desse nome e dos pergaminhos do partido, teria merecido no mínimo uma veemente chamada de atenção e até, em caso de reincidência, a retirada do apoio. Medo de quê? Eu, pela parte que me toca, orgulho-me de afirmar que não votei no Prof. Aníbal Cavaco Silva, tendo sido esta a primeira vez que não votei no CDS-Partido Popular, nos seus candidatos ou de acordo com as suas indicações de voto, e isto desde o longínquo dia do meu recenseamento.
Mas voltemos ao país: vivem-se dias difíceis, os impostos sobem, o Governo anuncia megalómanas e dispendiosas formas de, à custa do já pouco dinheiro dos contribuintes, satisfazer as suas clientelas - vide casos da Ota e do TGV, entre outros - e, não obstante, o que acontece nas sondagens? O PS desce, como seria lógico e expectável num país civilizado e inteligente? Não, a popularidade do Eng. Sócrates continua a subir. Estranho, não é? Nem nos tempos do despesismo populista do Eng. Guterres, outro subproduto felizmente já exportado, o trabalho de propaganda demagógica do PS foi tão fácil. Mas tudo isto, é bom que se diga, não se deve a mérito do PS, mas sim a um evidente e constrangedor demérito por parte das oposições.
A direcção do CDS-Partido Popular adoptou, neste último ano da sua vida, um discurso beato, quase a raiar o reaccionário até em alguns pontos, com o qual o eleitorado moderno, mesmo que de direita, não se identifica; entretanto, as poucas boas ideias que vão surgindo simplesmente não passam para a opinião pública porque o líder apenas o é às quintas, sextas e sábados - devemos ser precavidos, pois ninguém sabe o que nos espera no futuro. Desconhecerá, talvez, esta gente que a política não é apenas ter ideias, mas sim, e principalmente, passá-las para o eleitorado, essa grande massa anónima que decide quem governa. Fica sempre bem, e dá um ar informado, trazer um punhado de autores para citar à sobremesa, mas é de uma tocante ingenuidade esperar que a população leia Oakeshott nos transportes públicos ou Burke antes do jantar!
O Bloco de Esquerda, o maior embuste conhecido até hoje na política nacional, já percebeu há muito o funcionamento da coisa e preocupa-se tanto ou mais com o marketing das suas ideias do que com o seu conteúdo - quando o há! O resultado é que, por mais demagógicas e inexequíveis que surjam sempre as propostas da esquerda-caviar, elas passam a uma população sedenta de novidades e de murros na mesa, enquanto que as imberbes considerações da excelsa Direcção do CDS-Partido Popular sobre turismo, por exemplo, debitadas em ciclo de conferências, não chegam sequer ao único Ministro do Pelouro que este país já teve, o Dr. Telmo Correia, porque os organizadores decidiram não o convidar para o evento. O meu filho tem cinco anos mas já há muito que não tem este tipo de birras e retaliações.
Bom, posto isto chegamos à noite de ontem, noite de Assembleia Distrital de Setúbal, à qual sou delegado por decisão dos militantes que amavelmente me elegeram também para Vice-Presidente da Comissão Política Concelhia de Setúbal. Entre outros pontos da agenda, eminentemente propagandística, da recém empossada Comissão Política Distrital (CPD), encontrava-se a eleição dos quatro delegados ao Conselho Nacional do Partido que representarão naquele orgão os militantes do distrito de Setúbal. O que não estava, certamente, na ordem de trabalhos nem nas previsões de quem os conduziu (que não percebi exactamente quem foi, já que o Presidente da CPD falava quando lhe apetecia e dava indicações directas ao Presidente da Assembleia sobre a forma de dirigir a mesma, decidindo quem podia ou não falar), seria a existência de intervenções não alinhadas com o statu quo vigente. Assim, depois de uma sucessão de intervenções (e respectivas respostas) ao melhor estilo encarneirado, do tipo "Vai dirigir bem esta distrital, não vai?", "Sim, vou dirigir bem esta distrital", passe a caricatura, chegou finalmente a minha vez de usar da palavra, algo para que me inscrevi desde o princípio dos trabalhos, mas que, apesar de constituir um direito meu alienável, só consegui ao fim de muita insistência junto da parcialíssima mesa.
Destinavam-se os breves minutos a que putativamente teria direito, em contraste com o tempo não controlado de todos os partidários da CPD, a fazer uma breve apresentação da lista de candidatos ao Conselho Nacional do partido que eu orgulhosamente encabecei e, como seria razoável, a contextualizar e justificar as razões de tal candidatura. No entanto, ao fim de alguns segundos (!) das minhas reflexões foi-me cortada a palavra, com todo o tipo de argumentos destrambelhados e contraditórios, primeiro sobre a alegada não adequação da intervenção ao tema em discussão, depois com malcriados insultos e sinais de enfado de quem não concordava comigo, mas que eu ouvira antes em respeitoso silêncio, e por fim, em desespero de causa, com argumentos de ordem temporal. No entanto, numa dualidade de critérios a que infelizmente já nos vamos habituando, esses mesmos argumentos já não foram válidos para impedir que o Presidente da nóvel CPD, meu caro amigo Dr. Carlos Dantas (ao contrário de outros, não confundo relações institucionais com pessoais), usasse em seguida da palavra pela enésima vez para alegadamente me responder (a quê, se não me deixaram falar?). Só que aquilo que deveria ser uma resposta às minhas proibidas explicações, rapidamente se transformou, novamente em tom auto-apologético, na apresentação e enaltecimento da única lista adversária à minha (curiosamente, lista a que ele não pertencia, e com a qual oficialmente se desconhecia qualquer relação) - algo que me foi negado no mais puro estilo ditatorial - e ainda, en passant, em algumas pouco educadas e até abusivas insinuações sobre a lista que eu integrei, suas motivações e pessoas que a compunham.
Corolário: face a tão pouco curial ataque e manipulação, pedi a defesa da honra, figura regimental que permite ao seu utilizador utilizar um dos seus mais elementares direitos, isto é, defender precisamente a sua honra. Foi-me negado tal direito, por "falta de tempo". Engraçado, não é? Isto depois de várias horas somadas de intervenções de todos os elementos e apaniguados da CPD, com natural destaque para o seu Presidente...
Após o encerramento destes tão sui generis trabalhos, uma das mais importantes integrantes da recém empossada CPD do partido, a minha estimada Dr.ª Isabel Fernandes, dirigiu-se-me dizendo, em tom solene mas deliberadamente acusatório, qualquer coisa como: "sabes, eu penso que existe aqui um grupo de pessoas que está a tentar acabar com o partido", ao que eu, naturalmente, lhe respondi da única forma possível: "mas olha que eu acho o mesmo - a única diferença é que eu acho que essas pessoas não são as mesmas em que tu pensas".
Face a tudo isto sinto-me agora muito triste, confuso e até algo perdido; não foi neste partido que me filiei há muitos anos, não foi por este partido que me arrisquei em muitas campanhas num distrito difícil como é o de Setúbal, e não é este partido beato e ensimesmado que eu consigo defender em discussões com outras pessoas, eventualmente indecisas. Por tudo isso, e por outras razões que não digeri ainda, creio que é chegada a altura de parar para reavaliar tudo aquilo por que tenho passado em termos políticos. Mais notícias em breve, talvez...
Pois bem, apresentado este intróito, passo então a falar do CDS-Partido Popular, e da sua situação actual, basicamente aquilo que me traz aqui. Desde já ressalvo que me considero insuspeito para o fazer nos termos que se seguem, pois sou seu militante há mais de vinte anos (a que deverei juntar mais de sete de Juventude Popular, então Juventude Centrista), e em todo este tempo nunca esperei, mendiguei ou obtive qualquer tipo de colocação ou vantagem decorrentes da minha condição de filiado e dirigente - no entanto, durante estes muitos anos, pude observar muito "pára-quedista" a chegar às fileiras do partido, sem qualquer tipo de coerência ideológica (em relação a muitos deles duvido mesmo que tenham algum tipo de ideia política de todo), mas com uma devoção canina a quem está na liderança em cada momento (e, na sua única atitude coerente com o seu grau de dignidade, apresentando rapidamente um olímpico desprezo por aqueles que ontem aparentemente idolatravam, desde que já não ocupem lugares de poder), e tudo isto com o único fito de arranjarem "tachinhos" para si e para os seus. Este fenómeno, não exclusivo do meu partido, teve no entanto, e durante muito tempo, uma dimensão marginal e os "penduras" eram identificáveis à légua e facilmente mantidos a uma adequada distância higiénica. Contudo, com a subida do partido ao Governo, há poucos anos atrás, a coisa precipitou-se e foi com um misto de estupefacção, repulsa e até vergonha que, de um momento para o outro, começo a ver por todo o lado à minha volta a saída dos seus buracos dos tais boys que tanto condenava nos outros partidos, todos eles a alcandorar-se a lugares de alguma responsabilidade, a maior parte das vezes sem capacidades sequer para gerir uma mercearia de bairro, e frequentemente sendo alvo recorrente da chacota de quem com eles trabalhava. Mas o fundamental, para este tipo de criaturas, não é o seu desempenho, mas sim esse conceito vago que designam de "aparecer": "aparecer" num jornal, "aparecer" numa cerimónia pública ou - suprema realização pessoal! - "aparecer" numa reportagem de televisão.
Bom, saltemos agora, cronologicamente falando, por cima do espaço de governação do CDS-Partido Popular até chegarmos aos dias de hoje, em que o país é governado por uma personagem de valor dúbio, mas que tenta disfarçar as suas muitas insuficiências culturais, políticas e cívicas através de grandes doses de arrogância e petulância, com algumas citações de filósofos pelo meio (recorrente, esta forma pífia de mostrar suposta cultura política). Neste cenário encontramos também um CDS-Partido Popular que mudou de direcção, encontrando-se a presente equipa à frente dos destinos do partido há pouco mais de um ano. No entanto, não obstante a sua juventude, e devido a aparentes problemas de auto-estima, complexos de perseguição e outras teorias da conspiração avulsas, foi já esta direcção sufragada internamente por três (!) vezes neste curto espaço de tempo. Curiosamente, e apesar de algumas leituras enviezadas do assunto por parte de quem tem interesse em manipular a informação, a verdade é que a opinião do interior do partido não tem coincidido de todo com a do eleitorado, já que esta direcção também foi entretanto julgada pelo voto Nacional por duas vezes - contudo, em ambas as vezes resultados desastrosos foram convertidos em confortáveis vitórias morais ou coisa que o valha, ao melhor estilo comunista! Na segunda das eleições em que estivémos envolvidos, de resto, para a Presidência da República, decidiu-se até o partido pelo apoio a um candidato cujas únicas negociações conhecidas com o CDS-Partido Popular ficaram confinadas ao auricular do telemóvel do Dr. José Ribeiro e Castro, e em que o candidato demonstrou durante a quase totalidade da campanha um desrespeito pelo nosso partido (que sistemática e intencionalmente designava por "o outro partido que me apoia"), desrespeito esse que, com uma direcção digna desse nome e dos pergaminhos do partido, teria merecido no mínimo uma veemente chamada de atenção e até, em caso de reincidência, a retirada do apoio. Medo de quê? Eu, pela parte que me toca, orgulho-me de afirmar que não votei no Prof. Aníbal Cavaco Silva, tendo sido esta a primeira vez que não votei no CDS-Partido Popular, nos seus candidatos ou de acordo com as suas indicações de voto, e isto desde o longínquo dia do meu recenseamento.
Mas voltemos ao país: vivem-se dias difíceis, os impostos sobem, o Governo anuncia megalómanas e dispendiosas formas de, à custa do já pouco dinheiro dos contribuintes, satisfazer as suas clientelas - vide casos da Ota e do TGV, entre outros - e, não obstante, o que acontece nas sondagens? O PS desce, como seria lógico e expectável num país civilizado e inteligente? Não, a popularidade do Eng. Sócrates continua a subir. Estranho, não é? Nem nos tempos do despesismo populista do Eng. Guterres, outro subproduto felizmente já exportado, o trabalho de propaganda demagógica do PS foi tão fácil. Mas tudo isto, é bom que se diga, não se deve a mérito do PS, mas sim a um evidente e constrangedor demérito por parte das oposições.
A direcção do CDS-Partido Popular adoptou, neste último ano da sua vida, um discurso beato, quase a raiar o reaccionário até em alguns pontos, com o qual o eleitorado moderno, mesmo que de direita, não se identifica; entretanto, as poucas boas ideias que vão surgindo simplesmente não passam para a opinião pública porque o líder apenas o é às quintas, sextas e sábados - devemos ser precavidos, pois ninguém sabe o que nos espera no futuro. Desconhecerá, talvez, esta gente que a política não é apenas ter ideias, mas sim, e principalmente, passá-las para o eleitorado, essa grande massa anónima que decide quem governa. Fica sempre bem, e dá um ar informado, trazer um punhado de autores para citar à sobremesa, mas é de uma tocante ingenuidade esperar que a população leia Oakeshott nos transportes públicos ou Burke antes do jantar!
O Bloco de Esquerda, o maior embuste conhecido até hoje na política nacional, já percebeu há muito o funcionamento da coisa e preocupa-se tanto ou mais com o marketing das suas ideias do que com o seu conteúdo - quando o há! O resultado é que, por mais demagógicas e inexequíveis que surjam sempre as propostas da esquerda-caviar, elas passam a uma população sedenta de novidades e de murros na mesa, enquanto que as imberbes considerações da excelsa Direcção do CDS-Partido Popular sobre turismo, por exemplo, debitadas em ciclo de conferências, não chegam sequer ao único Ministro do Pelouro que este país já teve, o Dr. Telmo Correia, porque os organizadores decidiram não o convidar para o evento. O meu filho tem cinco anos mas já há muito que não tem este tipo de birras e retaliações.
Bom, posto isto chegamos à noite de ontem, noite de Assembleia Distrital de Setúbal, à qual sou delegado por decisão dos militantes que amavelmente me elegeram também para Vice-Presidente da Comissão Política Concelhia de Setúbal. Entre outros pontos da agenda, eminentemente propagandística, da recém empossada Comissão Política Distrital (CPD), encontrava-se a eleição dos quatro delegados ao Conselho Nacional do Partido que representarão naquele orgão os militantes do distrito de Setúbal. O que não estava, certamente, na ordem de trabalhos nem nas previsões de quem os conduziu (que não percebi exactamente quem foi, já que o Presidente da CPD falava quando lhe apetecia e dava indicações directas ao Presidente da Assembleia sobre a forma de dirigir a mesma, decidindo quem podia ou não falar), seria a existência de intervenções não alinhadas com o statu quo vigente. Assim, depois de uma sucessão de intervenções (e respectivas respostas) ao melhor estilo encarneirado, do tipo "Vai dirigir bem esta distrital, não vai?", "Sim, vou dirigir bem esta distrital", passe a caricatura, chegou finalmente a minha vez de usar da palavra, algo para que me inscrevi desde o princípio dos trabalhos, mas que, apesar de constituir um direito meu alienável, só consegui ao fim de muita insistência junto da parcialíssima mesa.
Destinavam-se os breves minutos a que putativamente teria direito, em contraste com o tempo não controlado de todos os partidários da CPD, a fazer uma breve apresentação da lista de candidatos ao Conselho Nacional do partido que eu orgulhosamente encabecei e, como seria razoável, a contextualizar e justificar as razões de tal candidatura. No entanto, ao fim de alguns segundos (!) das minhas reflexões foi-me cortada a palavra, com todo o tipo de argumentos destrambelhados e contraditórios, primeiro sobre a alegada não adequação da intervenção ao tema em discussão, depois com malcriados insultos e sinais de enfado de quem não concordava comigo, mas que eu ouvira antes em respeitoso silêncio, e por fim, em desespero de causa, com argumentos de ordem temporal. No entanto, numa dualidade de critérios a que infelizmente já nos vamos habituando, esses mesmos argumentos já não foram válidos para impedir que o Presidente da nóvel CPD, meu caro amigo Dr. Carlos Dantas (ao contrário de outros, não confundo relações institucionais com pessoais), usasse em seguida da palavra pela enésima vez para alegadamente me responder (a quê, se não me deixaram falar?). Só que aquilo que deveria ser uma resposta às minhas proibidas explicações, rapidamente se transformou, novamente em tom auto-apologético, na apresentação e enaltecimento da única lista adversária à minha (curiosamente, lista a que ele não pertencia, e com a qual oficialmente se desconhecia qualquer relação) - algo que me foi negado no mais puro estilo ditatorial - e ainda, en passant, em algumas pouco educadas e até abusivas insinuações sobre a lista que eu integrei, suas motivações e pessoas que a compunham.
Corolário: face a tão pouco curial ataque e manipulação, pedi a defesa da honra, figura regimental que permite ao seu utilizador utilizar um dos seus mais elementares direitos, isto é, defender precisamente a sua honra. Foi-me negado tal direito, por "falta de tempo". Engraçado, não é? Isto depois de várias horas somadas de intervenções de todos os elementos e apaniguados da CPD, com natural destaque para o seu Presidente...
Após o encerramento destes tão sui generis trabalhos, uma das mais importantes integrantes da recém empossada CPD do partido, a minha estimada Dr.ª Isabel Fernandes, dirigiu-se-me dizendo, em tom solene mas deliberadamente acusatório, qualquer coisa como: "sabes, eu penso que existe aqui um grupo de pessoas que está a tentar acabar com o partido", ao que eu, naturalmente, lhe respondi da única forma possível: "mas olha que eu acho o mesmo - a única diferença é que eu acho que essas pessoas não são as mesmas em que tu pensas".
Face a tudo isto sinto-me agora muito triste, confuso e até algo perdido; não foi neste partido que me filiei há muitos anos, não foi por este partido que me arrisquei em muitas campanhas num distrito difícil como é o de Setúbal, e não é este partido beato e ensimesmado que eu consigo defender em discussões com outras pessoas, eventualmente indecisas. Por tudo isso, e por outras razões que não digeri ainda, creio que é chegada a altura de parar para reavaliar tudo aquilo por que tenho passado em termos políticos. Mais notícias em breve, talvez...
2006/03/30
2006/03/13
Banda sonora

É bem verdade: há coisas que fazemos e outras que deixamos de fazer, sem que nos apercebamos disso, sem sequer um motivo para tal. Há uns anos, poucas coisas na vida me davam mais prazer do que um passeio pelo Chiado ao Sábado de manhã - mas a vida mudou, aos poucos fui deixando o hábito e, percebi hoje, deixei de percorrer aquelas ruas, como a "menina das tranças pretas".
Mas como não há acasos, sucedeu este fim de tarde, de forma inesperada e especialíssima, marcar um encontro para o Chiado e, como num filme, todas as memórias voltaram, até ao distante início da minha vida universitária na Rua das Flores, quando todos os dias palmilhava aquelas calçadas.
A ocasião merecia uma comemoração e um marco, achei, e acabei por descer até à FNAC do sítio e resgatar da prateleira a banda sonora de "Storytelling", de Todd Solondz (que não vi, confesso, mas de quem vi o brutal e genial "Happiness"), cantada pelos ("say no more, say no more!") Belle and Sebastian.
A vida podia ser perfeita...
2006/03/05
A vida é bela!
Os Kings of Convenience dão um espectáculo na Aula Magna, Lisboa, no próximo dia 29 de Abril. É preciso dizer mais alguma coisa?
2006/02/26
Rally Magic

Sempre que digo isto sinto-me pedante, mas é a mais pura das verdades: depois de já se ter experimentado um rali "por dentro", perde-se mais de metade do gosto de os ver na berma da estrada. E, não obstante, já passei muitas noites no carro, já apanhei muito frio nas orelhas, tudo para ver evoluir os "colegas" e poder saudá-los à saída duma curva - tal como, quando vou "lá dentro", gosto de ver os amigos a incentivar-me nos lugares mais improváveis.
Não foi o caso ontem, dia do Rali Casino da Póvoa, primeira prova do Campeonato Nacional de Ralis: depois de muitas hesitações "vou-não-vou", e na ressaca de uma semana de mudança de emprego anormalmente agitada, acabei mesmo por me decidir por ficar em casa. Eram quase 1000 km a fazer, e depois havia ainda aquela dificuldade de digestão do facto de este ano não ter conseguido um lugar dentro de um carro de corrida (está bem, eu sei que andei meio "perdido" e que acordei tarde), pelo que o apelo de um pacato Sábado de descanso partilhado com o meu filho falou mais alto - isso e a perspectiva de poder encontrar alguém cá, confesso, mesmo que só de vislumbre.
Pelos vistos tive razão: a intempérie causou bastantes problemas a organizadores, concorrentes e público, e várias classificativas tiveram mesmo que ser anuladas, deixando um amargo de boca a todos os intervenientes. Mesmo assim, vendo hoje as fotos publicadas, não consigo deixar de sentir uma pontinha de inveja dos bravos que por lá andaram (sim, aquilo é neve, e a foto foi tirada ontem na zona de Vieira do Minho!). Talvez se lembrem de mim numa próxima prova, mas talvez então eu não possa... Talvez as coisas possam começar agora a correr-me melhor.
2006/02/17
Secção de leituras
Há dias lia numa crónica de João Bénard da Costa que, muitas vezes, não somos nós que encontramos os livros, mas sim eles, livros, que nos encontram. Certíssimo, como sempre.
Há mais de um ano, no aeroporto de Recife, aguardando o embarque para um voo transatlântico de muitas horas e com o stock de leituras que havia levado de cá já completamente lido, entrei numa livraria. Como livro do dia, "64 contos" de Rubem Fonseca, um calhamaço de mais de 800 páginas, aspecto algo tosco, mas que, contudo, se riu para mim. Comprei-o, claro. As referências que tinha de Rubem Fonseca eram praticamente nulas, confesso, mas durante o voo deu para inverter radicalmente essa situação. Aeroporto de Lisboa, trâmites alfandegários, o livro vai para o porão de um saco de mão, o saco que normalmente uso em viagens profissionais, e começa a "ganhar cama" lá no fundo, maioritariamente por preguiça. Nos hotéis nacionais, quando conseguia chegar mais cedo ao quarto, ainda o resgatava ao seu refúgio, mas o cansaço não me permitia ler mais que quatro ou cinco páginas avulsas, sem tempo, portanto, para tomar o gosto (melhor diria relembrar) ao seu esplendor.
E eis que chegam os últimos dias, catadupas de acontecimentos, e de repente disponho de mais algum tempo para ler. Os contos lá continuavam, a olhar para mim - e fizeram bem nessa persistência, pois as tais 800 páginas parecem agora 8, de tão depressa que se estão a passar!
Que crueza, que realismo, e, ao mesmo tempo, que mistério, que beleza. O Brasil deve ter mais a ver com isto, acho eu.
Há mais de um ano, no aeroporto de Recife, aguardando o embarque para um voo transatlântico de muitas horas e com o stock de leituras que havia levado de cá já completamente lido, entrei numa livraria. Como livro do dia, "64 contos" de Rubem Fonseca, um calhamaço de mais de 800 páginas, aspecto algo tosco, mas que, contudo, se riu para mim. Comprei-o, claro. As referências que tinha de Rubem Fonseca eram praticamente nulas, confesso, mas durante o voo deu para inverter radicalmente essa situação. Aeroporto de Lisboa, trâmites alfandegários, o livro vai para o porão de um saco de mão, o saco que normalmente uso em viagens profissionais, e começa a "ganhar cama" lá no fundo, maioritariamente por preguiça. Nos hotéis nacionais, quando conseguia chegar mais cedo ao quarto, ainda o resgatava ao seu refúgio, mas o cansaço não me permitia ler mais que quatro ou cinco páginas avulsas, sem tempo, portanto, para tomar o gosto (melhor diria relembrar) ao seu esplendor.
E eis que chegam os últimos dias, catadupas de acontecimentos, e de repente disponho de mais algum tempo para ler. Os contos lá continuavam, a olhar para mim - e fizeram bem nessa persistência, pois as tais 800 páginas parecem agora 8, de tão depressa que se estão a passar!
Que crueza, que realismo, e, ao mesmo tempo, que mistério, que beleza. O Brasil deve ter mais a ver com isto, acho eu.
Dominó
Existem estigmas e sindromas que, por um motivo ou outro, teremos que carregar toda a vida. No meu caso pessoal, uma das coisas que mais frustrado me deixa consiste na incapacidade de, no contacto pessoal, transmitir às outras pessoas o tipo de ser humano que eu sou. Uma grande timidez desde pequeno, a rasar as fronteiras do caso patológico, a juntar a uma memória fotográfica de duração inferior à de um peixinho vermelho, criam em muitas das pessoas que me conhecem a ideia de que sou afectado e até antipático - o que, como poucos saberão, é uma ideia perfeitamente injusta!
Agora a história repete-se: divorciado recente, mas, contrariando as imagens feitas, mantendo uma vida relativamente sossegada e praticamente sem casos boémios, tenho dificuldade em fazer as pessoas acreditarem que é assim que a minha vida se passa na verdade e que o meu sonho, longe de ser o de um playboy, passa por coisas muito mais prosaicas e mundanas - comezinhas até, secalhar.
Mas afinal a culpa só pode ser minha, não é?
Agora a história repete-se: divorciado recente, mas, contrariando as imagens feitas, mantendo uma vida relativamente sossegada e praticamente sem casos boémios, tenho dificuldade em fazer as pessoas acreditarem que é assim que a minha vida se passa na verdade e que o meu sonho, longe de ser o de um playboy, passa por coisas muito mais prosaicas e mundanas - comezinhas até, secalhar.
Mas afinal a culpa só pode ser minha, não é?
2006/02/10
E não se pode exportá-los?
Há umas horas atrás ouvi uma daquelas eminências pardas do Partido Socialista, Vitalino Canas de seu nome, dizer, na Assembleia da República (onde eu lhe pago para ser deputado!), que tão condenáveis eram os ataques islâmicos recentes como as caricaturas que, alegadamente, lhes deram origem. Isto, depois das anteriores declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Camaleão do Amaral, dá bem uma ideia da tacanhez de ideias que grassa no partido em que mais de metade dos eleitores portugueses que se dirigiram às urnas nas últimas legislativas depositaram a sua confiança.
2006/02/09
Parte II
Está bem, não precisam de começar já a bater; eu sei que foi uma ausência demasiado grande, mas acreditem que existiram razões para tal - não as vou especificar agora, porque também não têm nenhum interesse para quem lê este blog (aliás, não têm nenhum interesse para ninguém a não ser para mim), mas aconteceram. A boa notícia, no entanto, é que este blog vai voltar a ter alguma regularidade, e espero que os posts acompanhem alguma boa evolução pessoal e espiritual da sua equipa redactorial. E pronto, era isto que eu queria dizer...
2005/12/07
Deliberação
Os moradores desta casa, reunidos em plenário, decidiram por unanimidade o seguinte: de momento não se vislumbram quaisquer motivos para celebrar ocasiões tais como o Natal, passagem de ano ou similares pelo que, e até que suceda algo que altere este estado de espírito, as respectivas comemorações estão proibidas dentro destas paredes.
2005/12/06
A quem puder interessar:
A legislação deste cantinho onde vivemos possui certas idiossincrasias, normalmente desconhecidas da maioria dos cidadãos. Não sei se é o caso da que vou mencionar, até porque desde já assumo a minha total ignorância no que ao assunto diz respeito, mas trata-se de uma lei, no mínimo curiosa. Sabiam, pois, os caríssimos leitores que, após um divórcio, deverá obrigatoriamente ser observado um período de carência por parte dos ex-conjuges antes de voltar a dar o nó? Ora, a curiosidade aqui é que este tempo não é igual para ambos os géneros - assim, o homem poderá voltar a celebrar o seu casamento seis meses depois da consumação do divórcio, enquanto que a mulher apenas o poderá fazer dez meses após aquela data. Isto, dizem os especialistas, apesar de parecer machismo "puro e duro", destina-se apenas a salvaguardar a hipótese de a mulher se encontrar grávida aquando do divórcio, e vir a casar com novo noivo prestes a dar à luz um rebento do destituído. Quanto puritanismo...
Bom, mas afinal serve apenas este post para informar que, segundo a lei actual, me encontro desde ontem, dia 5 de Dezembro do ano da graça de 2005, livre para voltar a contrair matrimónio, bastando apenas para tal que me surja alguém que cumpra os requisitos mínimos exigíveis para a função. Não é uma efeméride alegre, admito, mas não deixa de ser uma efeméride, pois não?
Bom, mas afinal serve apenas este post para informar que, segundo a lei actual, me encontro desde ontem, dia 5 de Dezembro do ano da graça de 2005, livre para voltar a contrair matrimónio, bastando apenas para tal que me surja alguém que cumpra os requisitos mínimos exigíveis para a função. Não é uma efeméride alegre, admito, mas não deixa de ser uma efeméride, pois não?
2005/11/18
Vera, 6 anos, linda:
- Olha lá Verinha, conta cá uma coisa ao tio: já tens namorado?
- (Chegando-se muito junto a mim e falando baixinho ao ouvido) Sim, tio; é o Bruno!
- O Bruno? Quem é o Bruno? Anda lá na tua escola?
- Não, só tem 4 anos, anda na Casa do Povo (Infantário de Azeitão); por isso agora não nos vemos.
- ...
- Mas quando nos encontramos na rua é cá uma paixão, tio; agarramo-nos e é só beijos e mais beijos...
- O quê?
- Sim, e quando ele vier cá a casa vamo-nos fechar à chave no quarto...
- (De olhos esbugalhados) O quê, o quê, o quê?
- ...como nos "Morangos com açúcar"!
- (Chegando-se muito junto a mim e falando baixinho ao ouvido) Sim, tio; é o Bruno!
- O Bruno? Quem é o Bruno? Anda lá na tua escola?
- Não, só tem 4 anos, anda na Casa do Povo (Infantário de Azeitão); por isso agora não nos vemos.
- ...
- Mas quando nos encontramos na rua é cá uma paixão, tio; agarramo-nos e é só beijos e mais beijos...
- O quê?
- Sim, e quando ele vier cá a casa vamo-nos fechar à chave no quarto...
- (De olhos esbugalhados) O quê, o quê, o quê?
- ...como nos "Morangos com açúcar"!
2005/11/13
2005/11/04
Sindroma do alpinista
Nunca vos aconteceu sentirem-se à beira da conquista, mas em pânico por saberem que, não obstante todo o difícil percurso efectuado, a parte decisiva só agora começa? Aquela fase em que qualquer escorregadela, qualquer passo em falso, pode comprometer e deitar a perder todo o esforço, todo o empenho, todo o sacrifício anterior?
Quando estamos longe, uma montanha é igual a outra montanha, a outra montanha, a outra montanha... Mas, uma vez iniciada a subida, cada passo, cada gota de suor, cada socalco superado, tornam-se parte de um património que nos vai engrandecendo, que nos vai dando ânimo para prosseguir - contudo, nesse progresso, carregamos cada vez mais a responsabilidade de todo o investimento anterior, e sabemos que não podemos, não temos o direito de dar passos em falso, por respeito ao que já fomos capazes de fazer. E é a história da pescadinha de rabo na boca: o saber que não podemos errar cria-nos uma tal tensão que passamos a questionar doentiamente tudo o que fazemos, para saber se está certo ou errado - e vem então a ansiedade de percebermos finalmente que não sabemos que raio é isso de "certo ou errado", que nem sabemos como chegámos ali, não fazemos a mínima de qual o passo correcto a seguir, e tudo o que nos resta é arriscar e acreditar.
Mas nunca ninguém se gabou de ter chegado quase ao topo do Everest, pois não?
Quando estamos longe, uma montanha é igual a outra montanha, a outra montanha, a outra montanha... Mas, uma vez iniciada a subida, cada passo, cada gota de suor, cada socalco superado, tornam-se parte de um património que nos vai engrandecendo, que nos vai dando ânimo para prosseguir - contudo, nesse progresso, carregamos cada vez mais a responsabilidade de todo o investimento anterior, e sabemos que não podemos, não temos o direito de dar passos em falso, por respeito ao que já fomos capazes de fazer. E é a história da pescadinha de rabo na boca: o saber que não podemos errar cria-nos uma tal tensão que passamos a questionar doentiamente tudo o que fazemos, para saber se está certo ou errado - e vem então a ansiedade de percebermos finalmente que não sabemos que raio é isso de "certo ou errado", que nem sabemos como chegámos ali, não fazemos a mínima de qual o passo correcto a seguir, e tudo o que nos resta é arriscar e acreditar.
Mas nunca ninguém se gabou de ter chegado quase ao topo do Everest, pois não?
2005/10/25
Os filmes da minha vida - 2
2005/10/23
É hoje!
No fim da adolescência ia a jantares de aniversário. A partir de meados dos vintes até aos trinta e tal, eram casamentos quase todos os dias. Depois veio a fase dos baptizados e das visitas às maternidades. Agora, depois dos quarenta, os jantares de divorciados começam a ser cada vez mais frequentes - isto não é nada animador.
O que virá a seguir? Funerais?
Desculpem lá a neura; o ano de reorganização pessoal está quase a acabar, alguns dos objectivos estão cumpridos, outros estão próximos e o resto virá por acréscimo, espero.
O que virá a seguir? Funerais?
Desculpem lá a neura; o ano de reorganização pessoal está quase a acabar, alguns dos objectivos estão cumpridos, outros estão próximos e o resto virá por acréscimo, espero.
2005/10/20
Ainda a propósito da co-incineração:
José Sócrates tem a estranha capacidade de me despertar sentimentos que eu próprio desconhecia em mim - qualquer coisa assim a meio caminho entre sádico e criminoso.
2005/10/19
2005/10/18
Conchas e búzios
Por diversos motivos, que me absterei de voltar a pormenorizar aqui, tenho andado algo desinteressado das notícias nos últimos tempos. Contudo, num tour de force que me impus a mim mesmo, aos poucos vou procurando reatar velhos hábitos como se nunca os tivesse deixado. Foi por isso que hoje retomei um dos meus gestos favoritos, apesar de mal educado: almoçar sozinho no restaurante, ao mesmo tempo que leio o jornal.
E foi precisamente no "Público" que li este fait divers delicioso: ao que parece, no âmbito do processo Casa Pia tem sido ouvido nos últimos tempos um jovem, ex-aluno da instituição, e as perguntas têm incidido sobre o comportamento de um tal arqueólogo subaquático, peça chave no supra citado processo. A parte encantadora da peça é quando se lê que aquela testemunha, ao referir-se ao dito arqueólogo, chama-lhe - por dislexia, desconhecimento ou pura malícia, vá-se lá saber - "astrólogo submarino"!
O que isto me deu para rir o resto da tarde.
E foi precisamente no "Público" que li este fait divers delicioso: ao que parece, no âmbito do processo Casa Pia tem sido ouvido nos últimos tempos um jovem, ex-aluno da instituição, e as perguntas têm incidido sobre o comportamento de um tal arqueólogo subaquático, peça chave no supra citado processo. A parte encantadora da peça é quando se lê que aquela testemunha, ao referir-se ao dito arqueólogo, chama-lhe - por dislexia, desconhecimento ou pura malícia, vá-se lá saber - "astrólogo submarino"!
O que isto me deu para rir o resto da tarde.
2005/10/16
Taylor made

Ferrari? Porsche? Coisas de nouveaux riches.
Para mim, só há três tipos de carros: os confortáveis (leia-se discretos, espaçosos, com cinco portas, silenciosos, económicos e preferencialmente vans), os de competição (leia-se potentes, desconfortáveis, barulhentos, cheios de cheiros, mas estupidamente viciantes - para usar moderadamente e em local próprio, fazendo logo a seguir uma desintoxicação num "confortável") e os Morgan!
P.S.: Pronto, está bem, admito; tal como nos mosqueteiros, são três mais um. Também existem os carros velhos, aquelas latas da década de setenta que se vêem aí abandonadas pelas cidades, e que me despertam estúpidos instintos esbanjadores, mas quanto a esses estou a tentar deixar a adição. Mas não é fácil - ainda anteontem "descobri" um Triumph Dolomite em Setúbal, e tive que morder a língua para não parar e ir lá deixar um cartãozito com o meu contacto!
Projectos
Decisões de Outono, uma espécie de preâmbulo para as decisões de Ano Novo, aquelas que se guardam habitualmente na gaveta em Fevereiro:
- Comer menos porcarias, andar mais de bicicleta e jogar mais ténis;
- Tentar ganhar mais dinheiro, ainda que não saiba bem como;
- Ler mais, ouvir mais música, ir mais ao cinema - enfim, renascer;
- Mudar de casa, talvez;
- Mostrar a alguém o óbvio: que eu sou, de longe, a sua melhor opção, para não dizer a única (desculpem a petulância, mas uma terapia de autoestima é fundamental);
- Preparar o regresso às corridas de automóveis, paradas este ano abruptamente, nem sei bem porquê;
- Envolver-me de vez nos já demasiado adiados projectos do golfe e do mergulho - respectivamente com os meus grande amigos V.C.S. e G.V.M;
- Passar mais tempo na casa do meu pai, no Alentejo, com o Lourenço, pelo menos;
- Reaprender a sonhar e a acreditar.
Não será isto exposição suficiente para um blog masculino, Vieira?
- Comer menos porcarias, andar mais de bicicleta e jogar mais ténis;
- Tentar ganhar mais dinheiro, ainda que não saiba bem como;
- Ler mais, ouvir mais música, ir mais ao cinema - enfim, renascer;
- Mudar de casa, talvez;
- Mostrar a alguém o óbvio: que eu sou, de longe, a sua melhor opção, para não dizer a única (desculpem a petulância, mas uma terapia de autoestima é fundamental);
- Preparar o regresso às corridas de automóveis, paradas este ano abruptamente, nem sei bem porquê;
- Envolver-me de vez nos já demasiado adiados projectos do golfe e do mergulho - respectivamente com os meus grande amigos V.C.S. e G.V.M;
- Passar mais tempo na casa do meu pai, no Alentejo, com o Lourenço, pelo menos;
- Reaprender a sonhar e a acreditar.
Não será isto exposição suficiente para um blog masculino, Vieira?
2005/10/15
Romance
Rob Flemming, o protagonista do excelente "High Fidelity", de Nick Hornby, desmonta, a certa altura do seu relato na primeira pessoa, o mito de que há músicas que parecem ter sido escritas especial e exclusivamente para o nosso estado de espírito de cada momento. Diz ele que, seja qual for a nossa disposição, é facílimo encontrar uma música que se adapte a ela - ou, melhor dizendo, cuja letra se encaixe na perfeição, de tal forma que nos parece que só poderia ter sido escrita para nós. Só que, continuando a tese, essa música também se adapta a, pelos menos, um milhão de almas - e isto é especialmente válido para os apaixonados, como é óbvio e sabido.
Mas, mesmo sabendo de antemão tudo isto, custa-me a crer que M. Kretzmer não estivesse a pensar em mim, e em como eu me estaria a sentir agora, quando há mais de trinta anos escreveu, para Charles Aznavour cantar, isto:
She may be the face I can't forget
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
She may be the song that summer sings
May be the children autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day
She may be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a Heaven or a Hell
She may be the mirror of my dream
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell
She, who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She may be the love that cannot hope to last
May come to leap from shadows of the past
That I'll remember 'till the day I die
She may be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years
Me, I'll take the laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She, She
Oh, She
Mas, mesmo sabendo de antemão tudo isto, custa-me a crer que M. Kretzmer não estivesse a pensar em mim, e em como eu me estaria a sentir agora, quando há mais de trinta anos escreveu, para Charles Aznavour cantar, isto:
She may be the face I can't forget
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
She may be the song that summer sings
May be the children autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day
She may be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a Heaven or a Hell
She may be the mirror of my dream
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell
She, who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She may be the love that cannot hope to last
May come to leap from shadows of the past
That I'll remember 'till the day I die
She may be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years
Me, I'll take the laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She, She
Oh, She
2005/10/12
2005/10/11
Manhã amarela
O Lourenço (4 anos, para quem não sabe) dormiu cá esta noite. De manhã dou-lhe banho em estilo greco-romano, visto-o e digo-lhe para ir para o piso de baixo ver desenhos animados, enquanto eu despacho as minhas próprias abluções matinais. Quando desço, pronto para sairmos, noto umas estranhas manchas amarelas, já algo desbotadas, no chão da sala.
- Lourenço, o que é isto, filho?
Depois de inspeccionar cuidadosamente a mancha, como se nunca a tivesse visto mais gorda, lá diz meio a medo:
- Fui eu que estava a fazer uma pintura...
- Aqui, no chão?
- Não, aqui neste papel.
Dirige-se para o outro lado da sala e apanha do chão uma folha A4 a pingar uma espécie de pasta amarela para o tapete.
- Não, filho, não mexas nisso. Cuidado, está a pingar!
Tiro-lhe num repente a folha das mãos, viro-a para cima e finjo examiná-la, enquanto ele me olha algo desiludido. Com remorsos, resolvo desagravar:
- Hmm, está muito bonito; como é que fizeste?
E ele muito contente, dirigindo-se para trás do sofá e reaparecendo a sacudir uma espécie de marcador que deitava a tal pasta amarela pela ponta em golfadas:
- Foi com esta caneta, pai; agora só temos que deixar secar!
- Que caneta é essa? Dá cá isso, filho!
Levo a caneta, ou lá que raio é aquilo, rapidamente para a cozinha, não conseguindo, contudo, evitar mais uns pingos nos mosaicos e no balcão. De volta à sala, pergunto-lhe:
- Mas olha lá, ainda não me disseste como é que apareceram aquelas manchas ali do outro lado da sala...
Ele hesita, mas lá explica:
- É que eu pus o desenho no chão para secar, mas depois estava a olhar para a televisão e pus um pé em cima, e fui à casa de banho lavar o ténis. Olha!
Mostra-me a sola do sapato, que realmente está amarela, assim como o caminho até à casa de banho. E depois continua:
- Mas eu limpei o chão!
- Limpaste o chão? Com quê?
- Com isto!
E, triunfante, mostra-me uma esponja de engraxar sapatos toda manchada de amarelo.
Desce o pano, entre gargalhadas e mimos.
- Lourenço, o que é isto, filho?
Depois de inspeccionar cuidadosamente a mancha, como se nunca a tivesse visto mais gorda, lá diz meio a medo:
- Fui eu que estava a fazer uma pintura...
- Aqui, no chão?
- Não, aqui neste papel.
Dirige-se para o outro lado da sala e apanha do chão uma folha A4 a pingar uma espécie de pasta amarela para o tapete.
- Não, filho, não mexas nisso. Cuidado, está a pingar!
Tiro-lhe num repente a folha das mãos, viro-a para cima e finjo examiná-la, enquanto ele me olha algo desiludido. Com remorsos, resolvo desagravar:
- Hmm, está muito bonito; como é que fizeste?
E ele muito contente, dirigindo-se para trás do sofá e reaparecendo a sacudir uma espécie de marcador que deitava a tal pasta amarela pela ponta em golfadas:
- Foi com esta caneta, pai; agora só temos que deixar secar!
- Que caneta é essa? Dá cá isso, filho!
Levo a caneta, ou lá que raio é aquilo, rapidamente para a cozinha, não conseguindo, contudo, evitar mais uns pingos nos mosaicos e no balcão. De volta à sala, pergunto-lhe:
- Mas olha lá, ainda não me disseste como é que apareceram aquelas manchas ali do outro lado da sala...
Ele hesita, mas lá explica:
- É que eu pus o desenho no chão para secar, mas depois estava a olhar para a televisão e pus um pé em cima, e fui à casa de banho lavar o ténis. Olha!
Mostra-me a sola do sapato, que realmente está amarela, assim como o caminho até à casa de banho. E depois continua:
- Mas eu limpei o chão!
- Limpaste o chão? Com quê?
- Com isto!
E, triunfante, mostra-me uma esponja de engraxar sapatos toda manchada de amarelo.
Desce o pano, entre gargalhadas e mimos.
Serviço público
Sonhos
Um dos maiores dramas de quem sofre desilusões é que depois tornamo-nos cépticos - e, quando algo parece estar a acontecer exactamente como gostaríamos que acontecesse, nós simplesmente não acreditamos que seja verdade. Talvez fosse mais fácil não sonhar, e esperar apenas, mas será alguém capaz de tal?
E agora, um pouco de ar puro:
2005/10/10
2,99%!
Se fosse para termos tido um resultado decente, preferiria que não tivesse sido assim, mas o meu orgulho palerma obriga-me a informar que a lista por mim encabeçada nestas desgraçadas eleições, concorrente pelo CDS-PP à Junta de Freguesia de São Lourenço de Azeitão, obteve a mais alta percentagem de votação de entre todas as listas concorrentes pelo meu partido a todos os órgãos autárquicos do concelho. Mais: em todo o distrito, e em todas as muitas dezenas de organismos a que o CDS-PP concorreu sozinho, a "minha" lista teve, sempre em termos percentuais, a terceira melhor votação. É obra, num cenário como o deste triste reduto vermelho.
Obrigado, pois, a todos os meus queridos amigos azeitonenses que acreditaram no meu partido de há mais de vinte anos e em mim; daqui a quatro anos prometo-vos que as coisas serão muito diferentes!
Obrigado, pois, a todos os meus queridos amigos azeitonenses que acreditaram no meu partido de há mais de vinte anos e em mim; daqui a quatro anos prometo-vos que as coisas serão muito diferentes!
O último reduto
Lord Byron escreveu, há uns dois séculos atrás, sobre as belezas naturais e arquitectónicas de Sintra por oposição à barbárie e fealdade do povo que lá morava que, na sua aristocrática opinião, não era merecedor de tão belo lugar.
Neste momento parece-me que tudo o que o inglês disse em Sintra pode ser aplicado, quase ipsis verbis, a Setúbal - substituindo apenas a "barbárie e fealdade" por "incultura política e fanatismo". Que vergonha...
Neste momento parece-me que tudo o que o inglês disse em Sintra pode ser aplicado, quase ipsis verbis, a Setúbal - substituindo apenas a "barbárie e fealdade" por "incultura política e fanatismo". Que vergonha...
2005/10/08
Outubro II
O Verão é feio - é horroroso!
Finalmente chegou a minha estação, aquela em que me sinto bem, em que a minha cabeça e restantes órgãos começam a funcionar com alguma clareza e naturalidade. Devia haver alguma forma de poder hibernar mal os termómetros atingissem os 24º centígrados, e só voltar a acordar quando daí baixassem de novo. Digam lá, mesmo os mais ferrenhos defensores deste inferno na terra: tem alguma piada passar os dias a fugir do sol escaldante, a entrar em carros a ferver, a sentir a roupa a colar-se-nos ao corpo, a desejar estar em qualquer outro lugar menos naquele em que estamos? O calor é doentio, bolas!
Deus queira que comece a chover e nunca mais pare!
Finalmente chegou a minha estação, aquela em que me sinto bem, em que a minha cabeça e restantes órgãos começam a funcionar com alguma clareza e naturalidade. Devia haver alguma forma de poder hibernar mal os termómetros atingissem os 24º centígrados, e só voltar a acordar quando daí baixassem de novo. Digam lá, mesmo os mais ferrenhos defensores deste inferno na terra: tem alguma piada passar os dias a fugir do sol escaldante, a entrar em carros a ferver, a sentir a roupa a colar-se-nos ao corpo, a desejar estar em qualquer outro lugar menos naquele em que estamos? O calor é doentio, bolas!
Deus queira que comece a chover e nunca mais pare!
2005/10/06
Quase no fim da campanha:
2005/10/04
Ó Alentejo esquecido...
- Boa tarde, desculpe; por aqui vou bem para Vila Viçosa?
- Por aí? Não, isso não tem saída. O melhor é virar já por aqui, vai sempre em frente até chegar a um largo com um poste no meio... (silêncio)
- (após alguns segundos de expectativa) E depois?
- Depois? Então depois não faz nada, que a estrada há-de vir ter consigo!
(ler com sotaque)
- Por aí? Não, isso não tem saída. O melhor é virar já por aqui, vai sempre em frente até chegar a um largo com um poste no meio... (silêncio)
- (após alguns segundos de expectativa) E depois?
- Depois? Então depois não faz nada, que a estrada há-de vir ter consigo!
(ler com sotaque)
2005/10/03
Sem interesse
O bom deste meu terraço, entre muitas outras coisas, é a hipótese que me dá de fumar uns charutos nocturnos, a ver as estrelas - às vezes há umas cadentes, mas devem estar estragadas - e a pensar calmamente no muito que precisa de mudar urgentemente na minha vida, e no pouco que eu posso fazer para que tal aconteça.
O problema é que, quando pareço estar perto do Graal, o charuto acaba-se.
O problema é que, quando pareço estar perto do Graal, o charuto acaba-se.
Outubro
2005/10/02
Nem tudo pode ser mau!
Descobri agora que a RTP Memória anda a passar a melhor série de humor de todos os tempos, a mãe de todas as séries de humor: "Monty Python's Flying Circus"! Quem perder isto está morto e não sabe!
2005/09/30
Este blog tem andado assim:
Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com que contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar
("Gente Humilde", Vinicius de Moraes)
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com que contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar
("Gente Humilde", Vinicius de Moraes)
2005/09/26
Ar fresco! (private joke)
Quem imaginaria o que podia estar escondido, possivelmente à nossa espera, numa pobrezinha exposição de província. Desculpem não haver mais explicações para já.
2005/09/22
2005/09/17
Outra vez?
Vai-te embora, ansiedade! Deixa-me ver bem o que me rodeia. Deixa-me pensar e decidir com clareza.
2005/09/14
O verdadeiro artista ataca outra vez!
2005/09/12
Princesa encantada
Se não me quisesse expôr, não tinha um blog, não é?
A verdade é que vos posso informar, com conhecimento de causa, que uma das partes mais dolorosas de um divórcio, e da subsequente solidão, é a ausência de motivação para fazer as coisas, por não ter ninguém com quem as partilhar. Por que raio irei eu comprar CDs novos, ver os filmes que sairam recentemente, se depois não os posso comentar com ninguém? Com quem poderei eu discutir impressões de leitura dos livros que ainda ando a ler? Parece estúpido, não parece? E por que carga de água me levantarei cedo a um domingo chuvoso para ir almoçar ao "Aqui há Peixe" ou ao "Trinca Espinhas"?
Companhias, há muitas - pessoas especiais, pelos vistos, nem por isso...
A verdade é que vos posso informar, com conhecimento de causa, que uma das partes mais dolorosas de um divórcio, e da subsequente solidão, é a ausência de motivação para fazer as coisas, por não ter ninguém com quem as partilhar. Por que raio irei eu comprar CDs novos, ver os filmes que sairam recentemente, se depois não os posso comentar com ninguém? Com quem poderei eu discutir impressões de leitura dos livros que ainda ando a ler? Parece estúpido, não parece? E por que carga de água me levantarei cedo a um domingo chuvoso para ir almoçar ao "Aqui há Peixe" ou ao "Trinca Espinhas"?
Companhias, há muitas - pessoas especiais, pelos vistos, nem por isso...
2005/08/31
Da série "mas o que é que eu tenho a ver com isto?"
Vocês não perguntaram, mas eu digo-vos na mesma: sim, gostei de passar estes dez dias de férias deste ano em São Pedro de Moel, mas continuo na minha de que não há melhor sítio para se estar no Verão do que na Zambujeira do Mar (em Setembro, de preferência). Assim, no próximo ano espero regressar às origens e guardar a beleza de São Pedro para os fins de semana grandes de Inverno, quando ela pode ser apreciada na sua verdadeira grandeza.
2005/08/25
2005/08/24
Manifesto
Só para dizer que escrevi o post anterior contra a corrente deste blog, e apenas porque embirro solenemente com o eng.º Sócrates e com tudo o que ele representa, bem como com toda a gente que votou nele. Mas a verdade é que o meu estado de espírito ultimamente não tem tido grande coisa a ver com política e outras mesquinhices, pelo que este espacinho blogosférico vai voltar à sua toada normal de publicar coisas fúteis, crípticas (para alguns) e, genericamente, desinteressantes - e com um pouco mais de regularidade, acho eu.
Demasiado mau para ser verdade!
Toda a gente fala agora da pose cretina de José Sócrates, do seu insuportável pedantismo, das suas precoces e inoportunas férias, feitas como que de propósito para mostrar ao tuga estúpido que se está a marimbar para quem cá fica, para os incêndios, para a miséria, enfim, para tudo o que o chateie - e falam também da evidente e confrangedora ignorância e incapacidade que o fulano exibe de discutir tecnicamente qualquer assunto que extravaze a opção "o que é que se almoça hoje?". Tema também de conversa é a tomada de assalto do polvo socialista, já nosso bem conhecido, a todos os "tachos" apetecíveis deste país, bem como o desenterramento de um velho a raiar a senilidade, e com muitos esqueletos no armário (a que pode acrescentar agora o do camarada Alegre), para disputar as eleições presidenciais.
Mas, porra! Será que só perceberam isso agora? Há uns meses, quando votaram nele (sim, porque muitos dos que agora falaram foram dos que lhe deram a maldita maioria absoluta), não viam já que o homem era um incompetente oportunista, que apenas disfarçava (mal) as suas lacunas intelectuais e morais à custa de um empolado pedantismo?
Mas algo cheira a podre aqui, parece-me: a imprensa, antes tão célere a relatar qualquer espirro de Santana Lopes, perdoa agora e passa um conveniente véu sobre as abstrusas iniciativas e declarações de Sócrates, num exercício que raia o escandaloso. Só gostava de saber o que diriam todos estes comentadores de pacotilha, que diariamente enchem os jornais das suas desinteressantes divagações, se Santana tivesse gozado umas férias destas três meses depois de ser eleito, e com qualquer tipo de calamidade a assolar o país (Ah, esquecia-me; para o iluminado com voz de falsete, estes incêndios não são uma calamidade. Pois...)!
Enfim, é o país que temos, e agora aturem-no, vocês que votaram nele. Eu, por mim, tenho a consciência tranquila, e espero ansiosamente a queda de quem nunca merecia sequer ter sido assistente de contabilista, quanto mais Primeiro Ministro!
Mas, porra! Será que só perceberam isso agora? Há uns meses, quando votaram nele (sim, porque muitos dos que agora falaram foram dos que lhe deram a maldita maioria absoluta), não viam já que o homem era um incompetente oportunista, que apenas disfarçava (mal) as suas lacunas intelectuais e morais à custa de um empolado pedantismo?
Mas algo cheira a podre aqui, parece-me: a imprensa, antes tão célere a relatar qualquer espirro de Santana Lopes, perdoa agora e passa um conveniente véu sobre as abstrusas iniciativas e declarações de Sócrates, num exercício que raia o escandaloso. Só gostava de saber o que diriam todos estes comentadores de pacotilha, que diariamente enchem os jornais das suas desinteressantes divagações, se Santana tivesse gozado umas férias destas três meses depois de ser eleito, e com qualquer tipo de calamidade a assolar o país (Ah, esquecia-me; para o iluminado com voz de falsete, estes incêndios não são uma calamidade. Pois...)!
Enfim, é o país que temos, e agora aturem-no, vocês que votaram nele. Eu, por mim, tenho a consciência tranquila, e espero ansiosamente a queda de quem nunca merecia sequer ter sido assistente de contabilista, quanto mais Primeiro Ministro!
2005/08/22
Alternative muzik
Esta coisa de se carregar um CD shuttle, mais ou menos ao sabor da inspiração, e depois pormo-nos a ouvi-lo reserva-nos por vezes surpresas (?) interessantes. Não é, então, que a minha escolha musical quase aleatória para esta semana foi, notem bem: The Ordinary Boys, The Divine Comedy, Gene, Catatonia, Mercury Rev e Kings of Convenience?
Alguma queixa, ou algum palpite sobre o meu estado de espírito? Anyone for a ride?
Alguma queixa, ou algum palpite sobre o meu estado de espírito? Anyone for a ride?
2005/08/20
Houston, temos problemas!
Tenho que ser humilde e recorrer à sapiência de quem percebe realmente destas coisas, está mais que visto. A verdade é que, há já algum tempo, todas as (poucas) cogitações que eu vou escrevendo neste espaço introspectivo a que convencionamos chamar blog, vão aparecer muito lá em baixo, já depois dos links exibidos na ala direita da página, ficando apenas um solitário título cá em cima, em precário equilíbrio.
Ora, já aqui o disse antes, os meus conhecimentos de informática são mais ou menos equivalentes aos que detenho de ordenha, pelo que a simples hipótese de me pôr a mexer no template me causa pele de galinha. Posto isto, já deverão estar a calcular o que vos quero pedir, estimados e conhecedores leitores: como raio é que eu mudo esta porcaria?
Obrigado.
Ora, já aqui o disse antes, os meus conhecimentos de informática são mais ou menos equivalentes aos que detenho de ordenha, pelo que a simples hipótese de me pôr a mexer no template me causa pele de galinha. Posto isto, já deverão estar a calcular o que vos quero pedir, estimados e conhecedores leitores: como raio é que eu mudo esta porcaria?
Obrigado.
2005/08/17
Back
Isto pode parecer muito estúpido e superficial à maioria (cerca de 3) dos meus leitores, mas a verdade é que hoje fui acometido dumas saudades indescritíveis dos ténis e botas John Smith que na minha adolescência ia comprar a Ayamonte.
(E sim, já voltei das férias)
(E sim, já voltei das férias)
2005/08/08
Férias!
Até dia 15 procurem-me (mas só se for mesmo muito importante) em São Pedro de Moel. No net at all!
2005/07/29
Divagação
Enquanto faço a minha terapia nocturna de Logan, Montecristo e terraço, a olhar as luzes longínquas de Lisboa, vou pensando, meio assustado: e se a vida que vivo for apenas um equívoco? Por vezes temo que, quando as coisas parecem correr - ou encaminhar-se - demasiado bem, apareça alguém ou algo que me diga: "mas tu acreditaste mesmo que tudo isso era para ti?". E lá caio eu desamparado da altura de 50 andares, depois de alguém me cortar os fios invisíveis que me mantinham a flutuar por cima da humanidade.
Mas, enquanto cortam e não cortam, deixem-me ficar a sonhar com aquela viagem de há uma semana atrás, às 4 da manhã, entre a Casa do Castelo (sim, sim, malgré tudo o que já disse, lá estive na festa da rentreé) e Vilamoura. E a ouvir Matt Bianco...
Mas, enquanto cortam e não cortam, deixem-me ficar a sonhar com aquela viagem de há uma semana atrás, às 4 da manhã, entre a Casa do Castelo (sim, sim, malgré tudo o que já disse, lá estive na festa da rentreé) e Vilamoura. E a ouvir Matt Bianco...
2005/07/21
2005/07/18
Terceiro mundo
Há umas horas, em digressão profissional por este horrível Algarve estival, resolvi entrar em negociações com um indivíduo que, numa banca montada numa rua de Olhão, vendia descontraidamente produtos de contrafacção. O motivo do meu interesse foi uma camisete, vulgo polo, imitação não assim tão perfeita (o crocodilo parece querer esconder-se debaixo do sovaco) da marca Lacoste - contudo, aproveitei assim o ensejo de comprar uma peça de vestuário que aprecio especialmente por ser prática, e que parece ter caído em relativo desuso: uma camisete lisa, de uma só cor. Com efeito, na maior parte das lojas que visito só me apresentam pedaços de pano com todo o tipo de riscas e estampagens, mais próprios doutro tipo de culturas e etnias do que da minha pacata simplicidade de vestuário. Que saudades dos meus tempos de adolescência, em que era fácil encontrar um polo de malha piqué da Lacoste, de uma só cor - e, quando o preço era proibitivo, havia diversos sucedâneos igualmente de bom gosto e discrição, da Mike Davis ou da portuguesíssima Coronel (alguém se lembra desta?).
Bom, mas voltando às minhas negociações com o simpático comerciante de raça cigana, que me garantiu estar a comprar um produto original, e que o podia procurar se aquilo encolhesse na primeira lavagem, que prontamente a trocaria, voltando a isso, dizia, fiquei a pensar: se existe, em tão grandes quantidades, lotes de produtos contrafeitos, é porque alguém os faz, evidentemente. E quem? Naturalmente muitas fábricas de têxteis, principalmente da zona Norte do país, que vêem no negócio da contrafacção, e na procura de que são alvo por parte dos vendedores ambulantes, uma forma de fugir ao descalabro que a ausência de encomendas e a deslocalização para Leste do fabrico de muitas marcas estrangeiras, lhes provocou.
Ou seja, a contrafacção parece-me algo absolutamente necessário à viabilidade económica de muitas pequenas e até médias indústrias deste país. Curioso, não?
Bom, mas voltando às minhas negociações com o simpático comerciante de raça cigana, que me garantiu estar a comprar um produto original, e que o podia procurar se aquilo encolhesse na primeira lavagem, que prontamente a trocaria, voltando a isso, dizia, fiquei a pensar: se existe, em tão grandes quantidades, lotes de produtos contrafeitos, é porque alguém os faz, evidentemente. E quem? Naturalmente muitas fábricas de têxteis, principalmente da zona Norte do país, que vêem no negócio da contrafacção, e na procura de que são alvo por parte dos vendedores ambulantes, uma forma de fugir ao descalabro que a ausência de encomendas e a deslocalização para Leste do fabrico de muitas marcas estrangeiras, lhes provocou.
Ou seja, a contrafacção parece-me algo absolutamente necessário à viabilidade económica de muitas pequenas e até médias indústrias deste país. Curioso, não?
2005/07/14
2005/07/10
Silly season
Pois é; tenho coisas importantes para fazer mas esta altura do ano inibe-me - aliás, mais do que inibe, bloqueia-me. Há toda uma vida sentimental para reorganizar, mas parece-me que terá que esperar pelo fim de Setembro, altura em que caem de maduras as poses de quem pouco mais tem para dar do que um sorriso Pepsodent, e em que vêm ao de cima valores mais tradicionais, como o gosto por uma boa conversa, por um bom passeio, por um bom bocado de tarde...
2005/07/04
Indignação
Sanguinário, sensacionalista, abjecto, ignorante, manipulador, são apenas alguns dos muitos adjectivos que se me afigurariam justos para qualificar a abertura do noticiário das 20 horas, ontem, na SIC (aliás, soube a posteriori que as outras estações de televisão também pautaram as suas intervenções pela mesma bitola). Com efeito, parece-me no mínimo indecente que uma estação de televisão, para a qual o automobilismo não existe quando não há acidentes, e em que "desporto" apenas rima com "futebol", venha apresentar como abertura de um jornal em horário nobre um acidente de viação, com a particularidade de ter envolvido uma viatura que participava num rali, ainda que tenha acontecido num sector de ligação, e evidenciando um desconhecimento de causa aterrador, mesmo depois de terem sido ministradas aos jornalistas algumas noções base do funcionamento de um rali - mas, evidentemente, e tal como nos tablóides, a informação rigorosa pouco interessa quando temos a hipótese de ganhar share à custa de desinformação maliciosa e intencionalmente pervertida. E, neste caso, o propósito único do jornalista (faz-me algumas comichões referir-me a quem produz uma peça daquelas como "jornalista") não é outro senão o de tentar mostrar à opinião pública que os pilotos de automóveis são seres destituídos de consciência, equiparáveis a street racers (gente que qualquer participante em corridas regulamentadas detesta), capazes de passar a vida a acelerar na via pública, levando à frente tudo o que lhes apareça pelo caminho.
Neste momento de dor, quero deixar os meus sentidos pêsames à família açoriana envolvida no desastre de sexta passada, mas, por uma questão de coerência - palavra que certamente não faz parte do léxico da SIC - esses mesmos pêsames deverão ser extensivos aos milhares de famílias que perderam já entes queridos em acidentes rodoviários, mas que a SIC não noticiou porque não aconteceram com um carro de ralis e, portanto, não davam audiências.
Quero também deixar um forte abraço de solidariedade e ânimo ao Ricardo Teodósio e ao Paulo Primaz, e desejar-lhes toda a força para que possam estar de regresso aos ralis, onde fazem tanta falta, o mais rapidamente possível.
Neste momento de dor, quero deixar os meus sentidos pêsames à família açoriana envolvida no desastre de sexta passada, mas, por uma questão de coerência - palavra que certamente não faz parte do léxico da SIC - esses mesmos pêsames deverão ser extensivos aos milhares de famílias que perderam já entes queridos em acidentes rodoviários, mas que a SIC não noticiou porque não aconteceram com um carro de ralis e, portanto, não davam audiências.
Quero também deixar um forte abraço de solidariedade e ânimo ao Ricardo Teodósio e ao Paulo Primaz, e desejar-lhes toda a força para que possam estar de regresso aos ralis, onde fazem tanta falta, o mais rapidamente possível.
2005/06/27
Progresso
É algo que me intriga o facto de a maior parte dos médicos, que dispõem sempre das mais avançadas descobertas da ciência e da tecnologia para o desempenho das suas funções, continuarem a assentar os dados dos seus pacientes em arcaicas fichas de cartão, com as pontas dobradas pelo uso e cheias de sublinhados numa caligrafia ininteligível, ao invés de um muito mais prático terminal de computador, onde lhes seria possível aceder rapidamente ao historial clínico de cada pessoa pelo simples premir de uma tecla.
Em contrapartida, sinto nostalgia por já não existirem praticamente arquitectos românticos, que continuem a usar o papel vegetal preso em grandes estiradores, bem como as canetas de tinta da China que nos deixavam os dedos capazes de fazerem inveja ao menos asseado dos mecânicos. Não, todos se renderam às maravilhas do AutoCAD e similares.
Em contrapartida, sinto nostalgia por já não existirem praticamente arquitectos românticos, que continuem a usar o papel vegetal preso em grandes estiradores, bem como as canetas de tinta da China que nos deixavam os dedos capazes de fazerem inveja ao menos asseado dos mecânicos. Não, todos se renderam às maravilhas do AutoCAD e similares.
2005/06/21
Limpeza de Verão
Memo para um destes dias: limpar a lista de links dos blogs que já fecharam e acrescentar muitos outros com interesse que entretanto surgiram.
2005/06/20
Adeus...
Nem sei bem o que aconteceu - qualquer coisa relacionada com uma praga de insectos, sangue envenado, rins parados, sei lá, merda! - e também isso não interessa para nada já; a Fraldas, a minha cadela, foi abatida esta tarde...
Desculpa, Fraldas, por não ter sido um melhor dono.
Desculpa, Fraldas, por não ter sido um melhor dono.
Ocean spray
Para que não me venham agora dizer que pus o post abaixo só para manter algum interesse no blog, mas que não escrevo nada de relevante, volto ao assunto dos meus estados de espírito, que neste momento é de alguma alegria e entusiasmo. E isto porque ontem, finalmente, concretizei o aluguer duma rica casa em São Pedro de Moel, com uma pequena vista para aquele oceano maravilhoso, e na qual conto passar uma pequena mas feliz parte das minhas férias deste ano.
Podem ir para o Algarve descansadinhos da vida, que não me vão encontrar por lá (já me chegam as viagens praticamente semanais em trabalho).
Podem ir para o Algarve descansadinhos da vida, que não me vão encontrar por lá (já me chegam as viagens praticamente semanais em trabalho).
2005/06/17
I'm back!
Bom, a pedido de várias famílias (não muitas, mas algumas), vamos lá voltar a escrever alguma coisa aqui. Esperemos que nos surja alguma inspiração, para não voltarmos a alguns posts enfadonhos que andavam para aqui a aparecer ultimamente. Mais novidades em breve...
2005/05/25
2005/05/13
Alex

Não me interessam paticularmente os Laureus Sport Awards, espécie de Óscares do desporto, mas se há, entre os nomeados deste ano, alguém que merece de caras ser distinguido, esse alguém só pode ser Alessandro Zanardi!
2005/05/10
KKK
Kaiser Chiefs, Kasabian e Keane. Detesto quando toda a gente descobre as coisas boas antes de mim - dá-lhes um ar popularucho, desculpem lá o snobismo.
2005/05/04
Novidades
Depois de uma fase meio amorfa, começo a recuperar gradualmente o gosto por tudo aquilo que considero importante para manter uma mente limpa; e, como não sou egoísta, resolvi partilhar as minhas últimas descobertas com os meus leitores. Assim, na leitura recomendo vivamente o novo romance de Douglas Coupland, "Eleanor Rigby", enquanto que na música, depois de muita insistência, face a alguma pouca vontade do funcionário, consegui convencer os serviços da FNAC a importarem-me o álbum de estreia dos Delays, "Faded seaside glamour" - e o mínimo que posso dizer é que, só hoje, já fez mais de quinhentos quilómetros em powerplay.
2005/05/01
2005/04/29
Dualidade
Sempre que participo numa prova de todo-o-terreno experimento sentimentos contraditórios: até cerca de metade do percurso vou a rezar para que o carro perca uma roda, ou coisa do género, para acabar aquele martírio de saltos e pó. Daí para a frente, e já que nos estamos a aproximar do fim, peço por tudo para que a viatura aguente mais uns quilómetrozecos, para sentirmos a gratificação do pódio final.
Não sei como é que fui cair nisto de novo, mas sexta feira, dia 6 de Maio, lá me apresentarei de novo no Estoril, preparado (estarei?) para cumprir os mais de 1000 quilómetros em pistas de terra de Portugal e Espanha, mais os 600 quilómetros de ligação, que irão constituir o percurso da Baja Vodafone 1000 deste ano. Nunca hei-de aprender.
Não sei como é que fui cair nisto de novo, mas sexta feira, dia 6 de Maio, lá me apresentarei de novo no Estoril, preparado (estarei?) para cumprir os mais de 1000 quilómetros em pistas de terra de Portugal e Espanha, mais os 600 quilómetros de ligação, que irão constituir o percurso da Baja Vodafone 1000 deste ano. Nunca hei-de aprender.
2005/04/26
Surrealismo
Cenário: rua de Setúbal, onze da noite, à porta de um restaurante, o carro não pega nem por nada. Chamo o serviço de assistência do ACP, e apresenta-se um rapaz muito jovem, prestável e bastante educado mas que, infelizmente, percebia ainda menos de mecânica do que eu.
Rapaz - Bom, não sei o que se passa com o seu carro. O mais que eu posso fazer é rebocá-lo para uma oficina à sua escolha.
Eu - Acha que a Renault aqui de Setúbal aceita carros durante a noite?
Rapaz - Sim, está lá um segurança que abre as portas e amanhã de manhã o senhor só tem que lá ir e explicar o que se passa.
Eu - Óptimo, mas entretanto como é que vou para casa?
Rapaz - Não há problema; o ACP paga-lhe também um táxi até casa. Está incluido na assistência. Vou já ligar a pedir um táxi (O rapaz liga um número no telemóvel, espera um pouco, e depois começa a falar com um interlocutor). Sim? Fala fulano, da Companhia de Reboques não sei quantos. Estou aqui a fazer o serviço que me pediram, mas o carro não trabalha e vai ter que ficar em Setúbal. Era para pedir um táxi para o sócio ir para casa. Como? (depois para mim) Onde é que mora?
Eu - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela.
Rapaz (para o telemóvel) - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela. (Depois de uma pausa, de novo para mim) A quantos quilómetros é que isso fica daqui?
Eu - Não sei; talvez uns quinze...
Rapaz (de novo para o telemóvel) - A cerca de quinze. Como? Se calhar é melhor falarem os senhores com o cliente. (E para mim) Fale lá com eles, que eles dizem que só pagam táxi se estiver a mais de vinte quilómetros de casa.
Eu - Como? (E aceitando o telemóvel) Estou?
Operador do ACP em off - Boa noite.
Eu - Boa noite; penso que aqui o senhor do reboque já lhe explicou o que se passa...
Operador do ACP - Sim, mas tenho que o informar que no contrato de prestação de serviços que o senhor assinou está lá escrito que só tem direito a transporte para casa se se encontrar a mais de vinte quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, mas não sei bem a quantos quilómetros estou. Provavelmente até são vinte.
Operador do ACP - Não sabe a quantos quilómetros está da sua casa?
Eu - Não; devia saber?
Operador do ACP (ignorando a minha pergunta feita em tom irónico e já levemente irritado) - Onde é que o senhor mora?
Eu - Na Quinta do Anjo.
Operador do ACP - Só um momento, não desligue, que eu vou verificar a distância aqui no computador (segue-se música). Sim, senhor Aldino? Obrigado por ter esperado. Sabe, eu estive a ver a distância aqui no computador e, na verdade, não é nada parecida com a que o senhor afirmou.
Eu - Não?
Operador do ACP - Não; aqui no computador diz que entre a Quinta do Anjo e Setúbal distam exactamente treze vírgula nove quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, não me parece grande a diferença...
Operador do ACP - Pois, mas nestas condições não lhe podemos fornecer transporte para casa. Só se...
Eu - ...se estiver a mais de vinte quilómetros, já ouvi. Mas acha que isso tem alguma lógica, pagarem as deslocações grandes e não as pequenas?
Operador do ACP (depois de uma pausa para pensar) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Pois, mas não li, e nada disto me parece fazer sentido. Como é que o senhor acha que eu vou agora para casa, noutra localidade?
Operador do ACP - Só um momento, por favor (mais música). Estou? Obrigado por ter esperado. Caro senhor Aldino, tenho aqui uma colega que lhe vai confirmar o que lhe disse.
Eu - Uma colega?
Operadora do ACP (chamada em conferência) - Boa noite.
Eu - Boa noite...
Operadora do ACP - Caro senhor, acabei de verificar no meu computador que a distância entre Setúbal e a Quinta do Anjo é de treze vírgula nove quilómetros.
Eu - O seu colega chamou-a só para me dizer isso? Mas ele já mo tinha dito.
Operadora do ACP - Pois, mas infelizmente nessa situação o senhor não tem direito a transporte para casa.
Operador do ACP - Pois, vê?
Eu - Desculpem lá mas isto parece-me tudo um perfeito disparate. Então vocês acham normal que o ACP pague as viagens mais caras e não pague as teoricamente mais baratas?
Operadora do ACP - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Está bem, mas não li; agora o que pergunto é o seguinte: eu estou numa cidade onde poderei recorrer a alguém para me levar a casa, mas se estivesse numa estrada deserta, às três da manhã, o meu carro se avariasse a dezanove quilómetros de casa, o reboque o levasse para uma oficina na direcção oposta, o que me restaria fazer? Andar dezanove quilómetros a pé?
Operadora do ACP (depois de pensar durante alguns momentos) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Bom, não interessa; vou chamar alguém que me leve a casa. Boa noite.
Operador do ACP - Há mais alguma coisa que possamos fazer por si, senhor Aldino?
Rapaz - Bom, não sei o que se passa com o seu carro. O mais que eu posso fazer é rebocá-lo para uma oficina à sua escolha.
Eu - Acha que a Renault aqui de Setúbal aceita carros durante a noite?
Rapaz - Sim, está lá um segurança que abre as portas e amanhã de manhã o senhor só tem que lá ir e explicar o que se passa.
Eu - Óptimo, mas entretanto como é que vou para casa?
Rapaz - Não há problema; o ACP paga-lhe também um táxi até casa. Está incluido na assistência. Vou já ligar a pedir um táxi (O rapaz liga um número no telemóvel, espera um pouco, e depois começa a falar com um interlocutor). Sim? Fala fulano, da Companhia de Reboques não sei quantos. Estou aqui a fazer o serviço que me pediram, mas o carro não trabalha e vai ter que ficar em Setúbal. Era para pedir um táxi para o sócio ir para casa. Como? (depois para mim) Onde é que mora?
Eu - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela.
Rapaz (para o telemóvel) - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela. (Depois de uma pausa, de novo para mim) A quantos quilómetros é que isso fica daqui?
Eu - Não sei; talvez uns quinze...
Rapaz (de novo para o telemóvel) - A cerca de quinze. Como? Se calhar é melhor falarem os senhores com o cliente. (E para mim) Fale lá com eles, que eles dizem que só pagam táxi se estiver a mais de vinte quilómetros de casa.
Eu - Como? (E aceitando o telemóvel) Estou?
Operador do ACP em off - Boa noite.
Eu - Boa noite; penso que aqui o senhor do reboque já lhe explicou o que se passa...
Operador do ACP - Sim, mas tenho que o informar que no contrato de prestação de serviços que o senhor assinou está lá escrito que só tem direito a transporte para casa se se encontrar a mais de vinte quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, mas não sei bem a quantos quilómetros estou. Provavelmente até são vinte.
Operador do ACP - Não sabe a quantos quilómetros está da sua casa?
Eu - Não; devia saber?
Operador do ACP (ignorando a minha pergunta feita em tom irónico e já levemente irritado) - Onde é que o senhor mora?
Eu - Na Quinta do Anjo.
Operador do ACP - Só um momento, não desligue, que eu vou verificar a distância aqui no computador (segue-se música). Sim, senhor Aldino? Obrigado por ter esperado. Sabe, eu estive a ver a distância aqui no computador e, na verdade, não é nada parecida com a que o senhor afirmou.
Eu - Não?
Operador do ACP - Não; aqui no computador diz que entre a Quinta do Anjo e Setúbal distam exactamente treze vírgula nove quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, não me parece grande a diferença...
Operador do ACP - Pois, mas nestas condições não lhe podemos fornecer transporte para casa. Só se...
Eu - ...se estiver a mais de vinte quilómetros, já ouvi. Mas acha que isso tem alguma lógica, pagarem as deslocações grandes e não as pequenas?
Operador do ACP (depois de uma pausa para pensar) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Pois, mas não li, e nada disto me parece fazer sentido. Como é que o senhor acha que eu vou agora para casa, noutra localidade?
Operador do ACP - Só um momento, por favor (mais música). Estou? Obrigado por ter esperado. Caro senhor Aldino, tenho aqui uma colega que lhe vai confirmar o que lhe disse.
Eu - Uma colega?
Operadora do ACP (chamada em conferência) - Boa noite.
Eu - Boa noite...
Operadora do ACP - Caro senhor, acabei de verificar no meu computador que a distância entre Setúbal e a Quinta do Anjo é de treze vírgula nove quilómetros.
Eu - O seu colega chamou-a só para me dizer isso? Mas ele já mo tinha dito.
Operadora do ACP - Pois, mas infelizmente nessa situação o senhor não tem direito a transporte para casa.
Operador do ACP - Pois, vê?
Eu - Desculpem lá mas isto parece-me tudo um perfeito disparate. Então vocês acham normal que o ACP pague as viagens mais caras e não pague as teoricamente mais baratas?
Operadora do ACP - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Está bem, mas não li; agora o que pergunto é o seguinte: eu estou numa cidade onde poderei recorrer a alguém para me levar a casa, mas se estivesse numa estrada deserta, às três da manhã, o meu carro se avariasse a dezanove quilómetros de casa, o reboque o levasse para uma oficina na direcção oposta, o que me restaria fazer? Andar dezanove quilómetros a pé?
Operadora do ACP (depois de pensar durante alguns momentos) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Bom, não interessa; vou chamar alguém que me leve a casa. Boa noite.
Operador do ACP - Há mais alguma coisa que possamos fazer por si, senhor Aldino?
Balanço do fim de semana
Estive num aniversário com pessoas de quem gosto, fui a um congresso mal contado, li "(o melhor das) Comédias da vida privada" de Luis Fernando Veríssimo, vi alguém de quem tinha saudades, adiei algo que não posso contar (porque é ilegal), e jantei no Portinho com a melhor das companhias que, de resto, esteve comigo durante quase todo o fim de semana. Acho que correu bem.
2005/04/19
Promessa é promessa!
Bom, parece que sempre tenho que ir ver o meu Vitória de Setúbal ao Estádio Nacional. Quem é que leva a feijoada e o garrafão?
On ne voit bien qu'avec le coeur! (parte II)
Eu, que não tenho por hábito ler a dita imprensa cor de rosa - apesar de confessar que não resisto à tentação de folhear uma revistinha nas salas de espera - sinto-me de certa forma fascinado com o recente casamento de Carlos de Inglaterra e Camilla Parker-Bowles. Melhor dizendo, não é bem com o casamento que me sinto fascinado, mas sim com a história de amor subjacente.
Recapitulemos: Carlos, príncipe de Gales, não propriamente uma beleza de homem mas, mercê da sua condição social, pessoa com capacidade e condições para conquistar muitas donzelas com atributos físicos mais evidentes do que a sua noiva, conhece Camilla numa bela manhã - vamos imaginar que foi numa manhã - há mais de trinta anos atrás. Camilla é senhora de uma beleza física peculiar, mas Carlos, dando provas da elevação de espírito que só se encontra ao alcance de alguns, apaixona-se pela mulher e não pelo "embrulho". A paixão, como se sabe, é correspondida mas, por diversos motivos, conserva-se quase secreta e acaba por se tornar mesmo proibida.
Os restantes detalhes são por demais conhecidos até chegarmos de novo aos dias de hoje em que ambos, depois de vidas preenchidas, se reencontram e percebem que ainda se amam como há trinta anos. E a beleza da história está precisamente neste facto: um amor que resistiu décadas, entre duas pessoas com características bastante diferentes, e que acabam por afrontar tudo para poderem ficar juntos.
Bem sei que histórias destas se passam todos os dias anonimamente em Odivelas ou no Cacém, com finais mais ou menos felizes ou trágicos, mas parece-me que todas elas são dignas de nota. É sempre fácil falar, mas sinto especial e sincera admiração por quem é capaz de, de facto, colocar em causa todos os valores que antes tinha dado como adquiridos e iniciar de novo o percurso, sem preconceitos e desprezando o politicamente correcto. Parece-me, afinal, que o caminho para a felicidade pode passar por aí.
Recapitulemos: Carlos, príncipe de Gales, não propriamente uma beleza de homem mas, mercê da sua condição social, pessoa com capacidade e condições para conquistar muitas donzelas com atributos físicos mais evidentes do que a sua noiva, conhece Camilla numa bela manhã - vamos imaginar que foi numa manhã - há mais de trinta anos atrás. Camilla é senhora de uma beleza física peculiar, mas Carlos, dando provas da elevação de espírito que só se encontra ao alcance de alguns, apaixona-se pela mulher e não pelo "embrulho". A paixão, como se sabe, é correspondida mas, por diversos motivos, conserva-se quase secreta e acaba por se tornar mesmo proibida.
Os restantes detalhes são por demais conhecidos até chegarmos de novo aos dias de hoje em que ambos, depois de vidas preenchidas, se reencontram e percebem que ainda se amam como há trinta anos. E a beleza da história está precisamente neste facto: um amor que resistiu décadas, entre duas pessoas com características bastante diferentes, e que acabam por afrontar tudo para poderem ficar juntos.
Bem sei que histórias destas se passam todos os dias anonimamente em Odivelas ou no Cacém, com finais mais ou menos felizes ou trágicos, mas parece-me que todas elas são dignas de nota. É sempre fácil falar, mas sinto especial e sincera admiração por quem é capaz de, de facto, colocar em causa todos os valores que antes tinha dado como adquiridos e iniciar de novo o percurso, sem preconceitos e desprezando o politicamente correcto. Parece-me, afinal, que o caminho para a felicidade pode passar por aí.
2005/04/17
Intimidades dirigidas
Este blog tem andado algo intermitente, tal como a disposição do seu autor. Como a maior parte dos leitores saberá decerto, acontecimentos recentes na minha vida fizeram-me repensá-la de alto a baixo. Comecei por querer desistir do blog (e de muitas outras coisas, confesso agora), mas os amigos, e alguma força interior - que nem sei onde fui buscar - acabaram por me permitir continuar em frente. Desculpem a sucessão de clichés, mas até o próprio acto de escrever e pensar em assuntos que aparentem coerência se anda a tornar penoso para mim.
No entanto, parece-me que agora as coisas começam a fazer algum sentido; todo este tempo de introspecção, de meditação, fizeram-me perceber muitas partes da minha vida que estavam "arrumadinhas", sem ninguém lhes tocar, e questionar outras tantas - e sei agora, com alguma clareza, o que quero e o que não quero. É ou não estúpido virmos a perceber que a solução para a nossa felicidade provavelmente esteve sempre à distância de um e-mail ou de um telefonema, e que nós nunca a vimos assim?
(Mais pormenores provavelmente muito em breve; não sei bem o que vai acontecer a seguir, e parece-me até que ninguém sabe nem sequer calcula...)
No entanto, parece-me que agora as coisas começam a fazer algum sentido; todo este tempo de introspecção, de meditação, fizeram-me perceber muitas partes da minha vida que estavam "arrumadinhas", sem ninguém lhes tocar, e questionar outras tantas - e sei agora, com alguma clareza, o que quero e o que não quero. É ou não estúpido virmos a perceber que a solução para a nossa felicidade provavelmente esteve sempre à distância de um e-mail ou de um telefonema, e que nós nunca a vimos assim?
(Mais pormenores provavelmente muito em breve; não sei bem o que vai acontecer a seguir, e parece-me até que ninguém sabe nem sequer calcula...)
2005/04/14
Tristeza
Nunca, como nos últimos meses, me senti tão desiludido com tantas pessoas ao mesmo tempo. Será defeito meu?
2005/04/13
2005/04/08
Arroz
Damien Rice bem me podia oferecer uma comparticipação nos seus royalties pelo acréscimo de vendas do seu último álbum que se ficou a dever à minha influência.
2005/03/28
Este blog há uns dias acordou assim:

...e ainda não passou!
Nota: Com os agradecimentos e desculpas devidos à Charlotte pela semi-inspiração.
2005/03/23
"Music When The Lights Go Out"
Is it cruel or kind not to speak my mind and to lie to you
Rather than hurt you
Well I'll confess all of my sins after several large gins
But still I'll hide from you,
Hide what's inside from you.
And alarm bells ring when you say your heart still sings
When you're with me,
Oh darling please forgive me
But I no longer hear the music
Oh no...
The Libertines
Rather than hurt you
Well I'll confess all of my sins after several large gins
But still I'll hide from you,
Hide what's inside from you.
And alarm bells ring when you say your heart still sings
When you're with me,
Oh darling please forgive me
But I no longer hear the music
Oh no...
The Libertines
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