2006/06/12

A ternura dos quarenta

Este blog teve a característica original de acompanhar o final da minha quarta década de vida (os "trintas") e a entrada na quinta (os "quarentas"). Se bem que pareça um lugar comum, a verdade, verdadinha mesmo, é que muita coisa mudou "aqui dentro" com este franquear.

Houve diversos e importantíssimos factos que aconteceram nestes quase três anos que modificaram de forma irreversível a minha vida, mas houve também mudanças de atitude importantes, quando percebi que me estava irremediavelmente a afastar da minha juventude. Uma das principais diferenças que noto, e pela qual já me fizeram pagar a incoerência, foi o meu súbito interesse pelo futebol, quiçá por falta de coisas mais apelativas por que me interessar. Mas nada de precipitações! Consigo ver um jogo de princípio ao fim mas, em relação por exemplo aos lugares que cada jogador ocupa em campo, continuo a apenas distinguir o guarda-redes e todos os outros. Isto para grande desespero de quem me acompanha ao estádio (do Vitória de Setúbal, claro!), e que, com grande paciência, me vai elucidando sobre mudanças de flanco, faltas de ânimo e outras preciosidades do género (obrigado, F.C., grande amigo!).

Mas, se há coisa para que ainda não consegui a devida garra (e, nesta fase, duvido que venha a obtê-la já), é para embandeirar (literalmente) em relação à selecção Nacional. Que me desculpem os mais nacionalistas, e acreditem que gostaria tanto que os portugueses ganhassem este Mundial como qualquer um de vós - apesar de confessar que, se tivesse dinheiro para apostar, o faria no Brasil, ou melhor, na sua selecção. Talvez a coisa melhore, mas para me galvanizarem têm que passar a jogar bem melhor do que fizeram esta noite. Depois falaremos.

Entretanto, lembrem-me um destes dias de postar aqui qualquer coisa sobre outras mudanças fundamentais que chegaram com os quarentas - as que já chegaram e as que podem estar para vir.

2006/06/09

Secção "No gira-discos do meu carro":

Comecemos pelo mais óbvio: o álbum "At War with the Mystics" dos The Flaming Lips, e não me parece que seja necessário falar muito dele, pois toda a gente já deve conhecer, por esta hora, pelo menos a canção do Yeah, Yeah, Yeah... Se não conhecem, ainda vão a horas - se já conhecem, aproveitem para ouvir o resto do álbum que, apesar de algumas críticas menos favoráveis, é muito, mas mesmo muito bom. É claro que não podemos esperar que os rapazes agora criem um "Yoshimi battles the pink robot" em cada álbum que façam - Da Vinci também só criou uma Gioconda, o que não significa que os seus restantes trabalhos fossem maus. De qualquer forma este último trabalho chegou ao sexto lugar de vendas no Reino Unido, mas presumo que cá teria muita dificuldade em combater a qualidade melódica de um Tony Carreira!


Passando a "Here come the Tears" dos... The Tears, trata-se de nomes provavelmente desconhecidos da maior parte dos leitores, e - digo-o por experiência própria - mesmo da maior parte dos empregados da FNAC, até daqueles "especializados" nas prateleiras do "Alternativos". Mas se eu disser que na formação desta banda entram Brett Anderson, ex-vocalista dos defuntos Suede, bem como Bernard Butler, guitarrista dos dois primeiros álbuns da mesma banda (os melhores, de longe), a sobrancelha já começa a levantar, não é? Então oiçam lá as músicas e depois digam qualquer coisa.

Por fim temos os Babyshambles: o seu vocalista constitui uma das maiores fontes de rendimento dos tablóides britânicos, e já começa também a aparecer com frequência nas secções de curiosidade das publicações portuguesas - infelizmente nunca é por razões relacionadas com a música que produz, nem sequer é por boas razões: Pete Doherty, assim se chama o rapaz, foi suspenso da sua anterior banda, os magistrais The Libertines, devido à sua grande adição às drogas, e resolveu formar esta banda onde nos continua a encantar com a sua voz rouca. Infelizmente, apenas o faz nos intervalos entre as suas detenções, que começam a ser cada vez mais frequentes. Mas as notícias nunca referem a qualidade do trabalho produzido, razão porque este blog de espírito missionário vem asseverar aos seus estimados leitores que vale a pena deixar de pensar por um pouco nos problemas pessoais do jovem e escutar as suas palavras cantadas, com atenção, neste álbum, "Down in Albion". Para os curiosos das referências mais famosas, ainda posso deixar aqui a informação extraordinária de que esta personagem foi namorado da modelo Kate Moss a qual, de resto, faz um sensual coro logo na primeira faixa do álbum.

2006/06/06

Desinteressante

Sei bem que o que vou escrever não tem o mínimo interesse para quem quer que seja, mas mesmo assim deixo aqui registado que vou aproveitar o pôr do sol deste dia cansativo para fumar um Romeo y Julieta n.º 2 aqui, no meu terraço.

2006/06/05

A pergunta:

Numa vanguardista iniciativa de antecipação da legislação Portuguesa, inédita para já e ao que sei, apresenta hoje este blog o presente post, que pretende ser um percursor da lei da paridade aplicada à blogosfera - com efeito, trata-se do primeiro post destinado exclusivamente a mulheres, se bem que não se possa, naturalmente, impedir os homens de o ler. Outras acções de justiça social decerto se seguirão.

Mas, voltando ao tema do post, trata-se de apresentar às minhas queridas leitoras uma questão muito simples, mas que poderá ajudar-nos a todos a definir onde se situa exactamente a fronteira entre o que é politicamente correcto e o que se sente na realidade. Então é assim: é um facto insofismável e conhecido que praticamente todas as mulheres afirmam, quando questionadas e com razoável convicção, que preferem como companheiro um homem não necessariamente bonito, mas sensível, culto, com sentido de humor, e com outros atributos similares, que fica sempre bem apresentar como quesitos a quem não quer passar por fútil ou superficial.

Mas a prática mostra-nos muitas vezes o contrário, ou seja: entre um tipo gorducho, careca, de mediana aparência física, mas que seja capaz de proporcionar uma conversa agradável e uma boa companhia, ou um loiro bronzeado, praticante de surf, que pensa que Beckett é o novo central do Chelsea e que Modigliani é o nome de uma pizzaria da linha, nem vale a pena perguntar para que lado vai o coração feminino pender, não é?

Bom, exposta a verificação, e apelando à honestidade das minhas leitoras que poderão, sem remorsos ou sentimentos de culpa, refugiar-se no anonimato, para mais numa questão tão delicada como é a presente, deixo aqui a questão: onde fica, exactamente, a ponderação entre o aspecto estético e os restantes aspectos de um homem na altura de escolher?

Posso deixar aqui mais umas pistas para uma possível resposta: da minha observação pessoal, penso que há uma altura em todas as mulheres em que, devido às experiências passadas bem como à maturidade adquirida, os pratos da balança se começam a equilibrar. Não gostaria de balizar, mas acredito que tal tenda a suceder por volta dos trinta anos. Estarei correcto, ou pelo menos a aproximar-me da realidade?

No entanto, penso que não existe mulher imune ao aspecto exterior do homem, seja qual for a sua idade e estágio de maturidade, e muitas, inclusive, dispostas a arriscar tudo numa relação que a conduza a anos de sofrimento, desde que ao lado de um sósia de George Clooney. Será isto uma reacção genética, ou tem a ver com algo que nos é imposto pela sociedade consumista? Afinal, trata-se da velha história de comprar um mau produto num bom embrulho...

P.S.: Antes que me acusem de machista, desde já deixo aqui bem claro que sei muito bem que, com a devida inversão dos termos, toda esta teoria é igualmente aplicável ao género masculino, em alguns casos com sérias agravantes. Afinal, serão muito poucos os homens que desdenhariam pavonear-se na Expo de braço dado com a Isabel Figueira, se bem que a cachopa já tenha declarado publicamente que "não leva livros para férias, porque as férias são para descansar" (in revista "Maxmen" há uns meses atrás).

2006/06/03

Parar para pensar

Depois de mais uma relativamente longa hibernação, cá estou eu de novo, caro leitor, mas desta vez para lhe falar de um assunto que apenas poderá interessar a alguns - contudo, é essa uma das principais vantagens deste espaço blogosférico: a possibilidade de gastarmos milhares de caracteres a divagar sobre o nosso umbigo, se for essa a nossa vontade, aceitando tacitamente as regras do jogo, isto é que, do outro lado, qualquer pessoa é livre de saltar por cima deste post (ou de todo o blog, até!), se nele não vislumbrar qualquer interesse ou mais valia para a sua informação ou cultura pessoal.

Pois bem, apresentado este intróito, passo então a falar do CDS-Partido Popular, e da sua situação actual, basicamente aquilo que me traz aqui. Desde já ressalvo que me considero insuspeito para o fazer nos termos que se seguem, pois sou seu militante há mais de vinte anos (a que deverei juntar mais de sete de Juventude Popular, então Juventude Centrista), e em todo este tempo nunca esperei, mendiguei ou obtive qualquer tipo de colocação ou vantagem decorrentes da minha condição de filiado e dirigente - no entanto, durante estes muitos anos, pude observar muito "pára-quedista" a chegar às fileiras do partido, sem qualquer tipo de coerência ideológica (em relação a muitos deles duvido mesmo que tenham algum tipo de ideia política de todo), mas com uma devoção canina a quem está na liderança em cada momento (e, na sua única atitude coerente com o seu grau de dignidade, apresentando rapidamente um olímpico desprezo por aqueles que ontem aparentemente idolatravam, desde que já não ocupem lugares de poder), e tudo isto com o único fito de arranjarem "tachinhos" para si e para os seus. Este fenómeno, não exclusivo do meu partido, teve no entanto, e durante muito tempo, uma dimensão marginal e os "penduras" eram identificáveis à légua e facilmente mantidos a uma adequada distância higiénica. Contudo, com a subida do partido ao Governo, há poucos anos atrás, a coisa precipitou-se e foi com um misto de estupefacção, repulsa e até vergonha que, de um momento para o outro, começo a ver por todo o lado à minha volta a saída dos seus buracos dos tais boys que tanto condenava nos outros partidos, todos eles a alcandorar-se a lugares de alguma responsabilidade, a maior parte das vezes sem capacidades sequer para gerir uma mercearia de bairro, e frequentemente sendo alvo recorrente da chacota de quem com eles trabalhava. Mas o fundamental, para este tipo de criaturas, não é o seu desempenho, mas sim esse conceito vago que designam de "aparecer": "aparecer" num jornal, "aparecer" numa cerimónia pública ou - suprema realização pessoal! - "aparecer" numa reportagem de televisão.

Bom, saltemos agora, cronologicamente falando, por cima do espaço de governação do CDS-Partido Popular até chegarmos aos dias de hoje, em que o país é governado por uma personagem de valor dúbio, mas que tenta disfarçar as suas muitas insuficiências culturais, políticas e cívicas através de grandes doses de arrogância e petulância, com algumas citações de filósofos pelo meio (recorrente, esta forma pífia de mostrar suposta cultura política). Neste cenário encontramos também um CDS-Partido Popular que mudou de direcção, encontrando-se a presente equipa à frente dos destinos do partido há pouco mais de um ano. No entanto, não obstante a sua juventude, e devido a aparentes problemas de auto-estima, complexos de perseguição e outras teorias da conspiração avulsas, foi já esta direcção sufragada internamente por três (!) vezes neste curto espaço de tempo. Curiosamente, e apesar de algumas leituras enviezadas do assunto por parte de quem tem interesse em manipular a informação, a verdade é que a opinião do interior do partido não tem coincidido de todo com a do eleitorado, já que esta direcção também foi entretanto julgada pelo voto Nacional por duas vezes - contudo, em ambas as vezes resultados desastrosos foram convertidos em confortáveis vitórias morais ou coisa que o valha, ao melhor estilo comunista! Na segunda das eleições em que estivémos envolvidos, de resto, para a Presidência da República, decidiu-se até o partido pelo apoio a um candidato cujas únicas negociações conhecidas com o CDS-Partido Popular ficaram confinadas ao auricular do telemóvel do Dr. José Ribeiro e Castro, e em que o candidato demonstrou durante a quase totalidade da campanha um desrespeito pelo nosso partido (que sistemática e intencionalmente designava por "o outro partido que me apoia"), desrespeito esse que, com uma direcção digna desse nome e dos pergaminhos do partido, teria merecido no mínimo uma veemente chamada de atenção e até, em caso de reincidência, a retirada do apoio. Medo de quê? Eu, pela parte que me toca, orgulho-me de afirmar que não votei no Prof. Aníbal Cavaco Silva, tendo sido esta a primeira vez que não votei no CDS-Partido Popular, nos seus candidatos ou de acordo com as suas indicações de voto, e isto desde o longínquo dia do meu recenseamento.

Mas voltemos ao país: vivem-se dias difíceis, os impostos sobem, o Governo anuncia megalómanas e dispendiosas formas de, à custa do já pouco dinheiro dos contribuintes, satisfazer as suas clientelas - vide casos da Ota e do TGV, entre outros - e, não obstante, o que acontece nas sondagens? O PS desce, como seria lógico e expectável num país civilizado e inteligente? Não, a popularidade do Eng. Sócrates continua a subir. Estranho, não é? Nem nos tempos do despesismo populista do Eng. Guterres, outro subproduto felizmente já exportado, o trabalho de propaganda demagógica do PS foi tão fácil. Mas tudo isto, é bom que se diga, não se deve a mérito do PS, mas sim a um evidente e constrangedor demérito por parte das oposições.

A direcção do CDS-Partido Popular adoptou, neste último ano da sua vida, um discurso beato, quase a raiar o reaccionário até em alguns pontos, com o qual o eleitorado moderno, mesmo que de direita, não se identifica; entretanto, as poucas boas ideias que vão surgindo simplesmente não passam para a opinião pública porque o líder apenas o é às quintas, sextas e sábados - devemos ser precavidos, pois ninguém sabe o que nos espera no futuro. Desconhecerá, talvez, esta gente que a política não é apenas ter ideias, mas sim, e principalmente, passá-las para o eleitorado, essa grande massa anónima que decide quem governa. Fica sempre bem, e dá um ar informado, trazer um punhado de autores para citar à sobremesa, mas é de uma tocante ingenuidade esperar que a população leia Oakeshott nos transportes públicos ou Burke antes do jantar!

O Bloco de Esquerda, o maior embuste conhecido até hoje na política nacional, já percebeu há muito o funcionamento da coisa e preocupa-se tanto ou mais com o marketing das suas ideias do que com o seu conteúdo - quando o há! O resultado é que, por mais demagógicas e inexequíveis que surjam sempre as propostas da esquerda-caviar, elas passam a uma população sedenta de novidades e de murros na mesa, enquanto que as imberbes considerações da excelsa Direcção do CDS-Partido Popular sobre turismo, por exemplo, debitadas em ciclo de conferências, não chegam sequer ao único Ministro do Pelouro que este país já teve, o Dr. Telmo Correia, porque os organizadores decidiram não o convidar para o evento. O meu filho tem cinco anos mas já há muito que não tem este tipo de birras e retaliações.

Bom, posto isto chegamos à noite de ontem, noite de Assembleia Distrital de Setúbal, à qual sou delegado por decisão dos militantes que amavelmente me elegeram também para Vice-Presidente da Comissão Política Concelhia de Setúbal. Entre outros pontos da agenda, eminentemente propagandística, da recém empossada Comissão Política Distrital (CPD), encontrava-se a eleição dos quatro delegados ao Conselho Nacional do Partido que representarão naquele orgão os militantes do distrito de Setúbal. O que não estava, certamente, na ordem de trabalhos nem nas previsões de quem os conduziu (que não percebi exactamente quem foi, já que o Presidente da CPD falava quando lhe apetecia e dava indicações directas ao Presidente da Assembleia sobre a forma de dirigir a mesma, decidindo quem podia ou não falar), seria a existência de intervenções não alinhadas com o statu quo vigente. Assim, depois de uma sucessão de intervenções (e respectivas respostas) ao melhor estilo encarneirado, do tipo "Vai dirigir bem esta distrital, não vai?", "Sim, vou dirigir bem esta distrital", passe a caricatura, chegou finalmente a minha vez de usar da palavra, algo para que me inscrevi desde o princípio dos trabalhos, mas que, apesar de constituir um direito meu alienável, só consegui ao fim de muita insistência junto da parcialíssima mesa.

Destinavam-se os breves minutos a que putativamente teria direito, em contraste com o tempo não controlado de todos os partidários da CPD, a fazer uma breve apresentação da lista de candidatos ao Conselho Nacional do partido que eu orgulhosamente encabecei e, como seria razoável, a contextualizar e justificar as razões de tal candidatura. No entanto, ao fim de alguns segundos (!) das minhas reflexões foi-me cortada a palavra, com todo o tipo de argumentos destrambelhados e contraditórios, primeiro sobre a alegada não adequação da intervenção ao tema em discussão, depois com malcriados insultos e sinais de enfado de quem não concordava comigo, mas que eu ouvira antes em respeitoso silêncio, e por fim, em desespero de causa, com argumentos de ordem temporal. No entanto, numa dualidade de critérios a que infelizmente já nos vamos habituando, esses mesmos argumentos já não foram válidos para impedir que o Presidente da nóvel CPD, meu caro amigo Dr. Carlos Dantas (ao contrário de outros, não confundo relações institucionais com pessoais), usasse em seguida da palavra pela enésima vez para alegadamente me responder (a quê, se não me deixaram falar?). Só que aquilo que deveria ser uma resposta às minhas proibidas explicações, rapidamente se transformou, novamente em tom auto-apologético, na apresentação e enaltecimento da única lista adversária à minha (curiosamente, lista a que ele não pertencia, e com a qual oficialmente se desconhecia qualquer relação) - algo que me foi negado no mais puro estilo ditatorial - e ainda, en passant, em algumas pouco educadas e até abusivas insinuações sobre a lista que eu integrei, suas motivações e pessoas que a compunham.

Corolário: face a tão pouco curial ataque e manipulação, pedi a defesa da honra, figura regimental que permite ao seu utilizador utilizar um dos seus mais elementares direitos, isto é, defender precisamente a sua honra. Foi-me negado tal direito, por "falta de tempo". Engraçado, não é? Isto depois de várias horas somadas de intervenções de todos os elementos e apaniguados da CPD, com natural destaque para o seu Presidente...

Após o encerramento destes tão sui generis trabalhos, uma das mais importantes integrantes da recém empossada CPD do partido, a minha estimada Dr.ª Isabel Fernandes, dirigiu-se-me dizendo, em tom solene mas deliberadamente acusatório, qualquer coisa como: "sabes, eu penso que existe aqui um grupo de pessoas que está a tentar acabar com o partido", ao que eu, naturalmente, lhe respondi da única forma possível: "mas olha que eu acho o mesmo - a única diferença é que eu acho que essas pessoas não são as mesmas em que tu pensas".

Face a tudo isto sinto-me agora muito triste, confuso e até algo perdido; não foi neste partido que me filiei há muitos anos, não foi por este partido que me arrisquei em muitas campanhas num distrito difícil como é o de Setúbal, e não é este partido beato e ensimesmado que eu consigo defender em discussões com outras pessoas, eventualmente indecisas. Por tudo isso, e por outras razões que não digeri ainda, creio que é chegada a altura de parar para reavaliar tudo aquilo por que tenho passado em termos políticos. Mais notícias em breve, talvez...

2006/03/30

2006/03/13

Banda sonora


É bem verdade: há coisas que fazemos e outras que deixamos de fazer, sem que nos apercebamos disso, sem sequer um motivo para tal. Há uns anos, poucas coisas na vida me davam mais prazer do que um passeio pelo Chiado ao Sábado de manhã - mas a vida mudou, aos poucos fui deixando o hábito e, percebi hoje, deixei de percorrer aquelas ruas, como a "menina das tranças pretas".

Mas como não há acasos, sucedeu este fim de tarde, de forma inesperada e especialíssima, marcar um encontro para o Chiado e, como num filme, todas as memórias voltaram, até ao distante início da minha vida universitária na Rua das Flores, quando todos os dias palmilhava aquelas calçadas.

A ocasião merecia uma comemoração e um marco, achei, e acabei por descer até à FNAC do sítio e resgatar da prateleira a banda sonora de "Storytelling", de Todd Solondz (que não vi, confesso, mas de quem vi o brutal e genial "Happiness"), cantada pelos ("say no more, say no more!") Belle and Sebastian.

A vida podia ser perfeita...

2006/03/05

A vida é bela!

Os Kings of Convenience dão um espectáculo na Aula Magna, Lisboa, no próximo dia 29 de Abril. É preciso dizer mais alguma coisa?

2006/02/26

Lugares (que me esperam, que chamam por mim...) - Parte 1






(a suivre)

Rally Magic


Sempre que digo isto sinto-me pedante, mas é a mais pura das verdades: depois de já se ter experimentado um rali "por dentro", perde-se mais de metade do gosto de os ver na berma da estrada. E, não obstante, já passei muitas noites no carro, já apanhei muito frio nas orelhas, tudo para ver evoluir os "colegas" e poder saudá-los à saída duma curva - tal como, quando vou "lá dentro", gosto de ver os amigos a incentivar-me nos lugares mais improváveis.

Não foi o caso ontem, dia do Rali Casino da Póvoa, primeira prova do Campeonato Nacional de Ralis: depois de muitas hesitações "vou-não-vou", e na ressaca de uma semana de mudança de emprego anormalmente agitada, acabei mesmo por me decidir por ficar em casa. Eram quase 1000 km a fazer, e depois havia ainda aquela dificuldade de digestão do facto de este ano não ter conseguido um lugar dentro de um carro de corrida (está bem, eu sei que andei meio "perdido" e que acordei tarde), pelo que o apelo de um pacato Sábado de descanso partilhado com o meu filho falou mais alto - isso e a perspectiva de poder encontrar alguém cá, confesso, mesmo que só de vislumbre.

Pelos vistos tive razão: a intempérie causou bastantes problemas a organizadores, concorrentes e público, e várias classificativas tiveram mesmo que ser anuladas, deixando um amargo de boca a todos os intervenientes. Mesmo assim, vendo hoje as fotos publicadas, não consigo deixar de sentir uma pontinha de inveja dos bravos que por lá andaram (sim, aquilo é neve, e a foto foi tirada ontem na zona de Vieira do Minho!). Talvez se lembrem de mim numa próxima prova, mas talvez então eu não possa... Talvez as coisas possam começar agora a correr-me melhor.

2006/02/17

Secção de leituras

Há dias lia numa crónica de João Bénard da Costa que, muitas vezes, não somos nós que encontramos os livros, mas sim eles, livros, que nos encontram. Certíssimo, como sempre.

Há mais de um ano, no aeroporto de Recife, aguardando o embarque para um voo transatlântico de muitas horas e com o stock de leituras que havia levado de cá já completamente lido, entrei numa livraria. Como livro do dia, "64 contos" de Rubem Fonseca, um calhamaço de mais de 800 páginas, aspecto algo tosco, mas que, contudo, se riu para mim. Comprei-o, claro. As referências que tinha de Rubem Fonseca eram praticamente nulas, confesso, mas durante o voo deu para inverter radicalmente essa situação. Aeroporto de Lisboa, trâmites alfandegários, o livro vai para o porão de um saco de mão, o saco que normalmente uso em viagens profissionais, e começa a "ganhar cama" lá no fundo, maioritariamente por preguiça. Nos hotéis nacionais, quando conseguia chegar mais cedo ao quarto, ainda o resgatava ao seu refúgio, mas o cansaço não me permitia ler mais que quatro ou cinco páginas avulsas, sem tempo, portanto, para tomar o gosto (melhor diria relembrar) ao seu esplendor.

E eis que chegam os últimos dias, catadupas de acontecimentos, e de repente disponho de mais algum tempo para ler. Os contos lá continuavam, a olhar para mim - e fizeram bem nessa persistência, pois as tais 800 páginas parecem agora 8, de tão depressa que se estão a passar!

Que crueza, que realismo, e, ao mesmo tempo, que mistério, que beleza. O Brasil deve ter mais a ver com isto, acho eu.

Dominó

Existem estigmas e sindromas que, por um motivo ou outro, teremos que carregar toda a vida. No meu caso pessoal, uma das coisas que mais frustrado me deixa consiste na incapacidade de, no contacto pessoal, transmitir às outras pessoas o tipo de ser humano que eu sou. Uma grande timidez desde pequeno, a rasar as fronteiras do caso patológico, a juntar a uma memória fotográfica de duração inferior à de um peixinho vermelho, criam em muitas das pessoas que me conhecem a ideia de que sou afectado e até antipático - o que, como poucos saberão, é uma ideia perfeitamente injusta!

Agora a história repete-se: divorciado recente, mas, contrariando as imagens feitas, mantendo uma vida relativamente sossegada e praticamente sem casos boémios, tenho dificuldade em fazer as pessoas acreditarem que é assim que a minha vida se passa na verdade e que o meu sonho, longe de ser o de um playboy, passa por coisas muito mais prosaicas e mundanas - comezinhas até, secalhar.

Mas afinal a culpa só pode ser minha, não é?

2006/02/10

E não se pode exportá-los?

Há umas horas atrás ouvi uma daquelas eminências pardas do Partido Socialista, Vitalino Canas de seu nome, dizer, na Assembleia da República (onde eu lhe pago para ser deputado!), que tão condenáveis eram os ataques islâmicos recentes como as caricaturas que, alegadamente, lhes deram origem. Isto, depois das anteriores declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Camaleão do Amaral, dá bem uma ideia da tacanhez de ideias que grassa no partido em que mais de metade dos eleitores portugueses que se dirigiram às urnas nas últimas legislativas depositaram a sua confiança.

2006/02/09

It's just a question of time!


Já não os via há quase 14 anos, mas os rapazes mantiveram-se em forma, não há dúvidas!

Parte II

Está bem, não precisam de começar já a bater; eu sei que foi uma ausência demasiado grande, mas acreditem que existiram razões para tal - não as vou especificar agora, porque também não têm nenhum interesse para quem lê este blog (aliás, não têm nenhum interesse para ninguém a não ser para mim), mas aconteceram. A boa notícia, no entanto, é que este blog vai voltar a ter alguma regularidade, e espero que os posts acompanhem alguma boa evolução pessoal e espiritual da sua equipa redactorial. E pronto, era isto que eu queria dizer...

2005/12/07

Deliberação

Os moradores desta casa, reunidos em plenário, decidiram por unanimidade o seguinte: de momento não se vislumbram quaisquer motivos para celebrar ocasiões tais como o Natal, passagem de ano ou similares pelo que, e até que suceda algo que altere este estado de espírito, as respectivas comemorações estão proibidas dentro destas paredes.

2005/12/06

A quem puder interessar:

A legislação deste cantinho onde vivemos possui certas idiossincrasias, normalmente desconhecidas da maioria dos cidadãos. Não sei se é o caso da que vou mencionar, até porque desde já assumo a minha total ignorância no que ao assunto diz respeito, mas trata-se de uma lei, no mínimo curiosa. Sabiam, pois, os caríssimos leitores que, após um divórcio, deverá obrigatoriamente ser observado um período de carência por parte dos ex-conjuges antes de voltar a dar o nó? Ora, a curiosidade aqui é que este tempo não é igual para ambos os géneros - assim, o homem poderá voltar a celebrar o seu casamento seis meses depois da consumação do divórcio, enquanto que a mulher apenas o poderá fazer dez meses após aquela data. Isto, dizem os especialistas, apesar de parecer machismo "puro e duro", destina-se apenas a salvaguardar a hipótese de a mulher se encontrar grávida aquando do divórcio, e vir a casar com novo noivo prestes a dar à luz um rebento do destituído. Quanto puritanismo...

Bom, mas afinal serve apenas este post para informar que, segundo a lei actual, me encontro desde ontem, dia 5 de Dezembro do ano da graça de 2005, livre para voltar a contrair matrimónio, bastando apenas para tal que me surja alguém que cumpra os requisitos mínimos exigíveis para a função. Não é uma efeméride alegre, admito, mas não deixa de ser uma efeméride, pois não?

2005/11/18

Vera, 6 anos, linda:

- Olha lá Verinha, conta cá uma coisa ao tio: já tens namorado?
- (Chegando-se muito junto a mim e falando baixinho ao ouvido) Sim, tio; é o Bruno!
- O Bruno? Quem é o Bruno? Anda lá na tua escola?
- Não, só tem 4 anos, anda na Casa do Povo (Infantário de Azeitão); por isso agora não nos vemos.
- ...
- Mas quando nos encontramos na rua é cá uma paixão, tio; agarramo-nos e é só beijos e mais beijos...
- O quê?
- Sim, e quando ele vier cá a casa vamo-nos fechar à chave no quarto...
- (De olhos esbugalhados) O quê, o quê, o quê?
- ...como nos "Morangos com açúcar"!

2005/11/13

Os filmes da minha vida - 3

Dr. Strangelove

Desculpem lá o hiato nos posts, mas foi uma semana... estranha.