2006/02/10

E não se pode exportá-los?

Há umas horas atrás ouvi uma daquelas eminências pardas do Partido Socialista, Vitalino Canas de seu nome, dizer, na Assembleia da República (onde eu lhe pago para ser deputado!), que tão condenáveis eram os ataques islâmicos recentes como as caricaturas que, alegadamente, lhes deram origem. Isto, depois das anteriores declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Camaleão do Amaral, dá bem uma ideia da tacanhez de ideias que grassa no partido em que mais de metade dos eleitores portugueses que se dirigiram às urnas nas últimas legislativas depositaram a sua confiança.

2006/02/09

It's just a question of time!


Já não os via há quase 14 anos, mas os rapazes mantiveram-se em forma, não há dúvidas!

Parte II

Está bem, não precisam de começar já a bater; eu sei que foi uma ausência demasiado grande, mas acreditem que existiram razões para tal - não as vou especificar agora, porque também não têm nenhum interesse para quem lê este blog (aliás, não têm nenhum interesse para ninguém a não ser para mim), mas aconteceram. A boa notícia, no entanto, é que este blog vai voltar a ter alguma regularidade, e espero que os posts acompanhem alguma boa evolução pessoal e espiritual da sua equipa redactorial. E pronto, era isto que eu queria dizer...

2005/12/07

Deliberação

Os moradores desta casa, reunidos em plenário, decidiram por unanimidade o seguinte: de momento não se vislumbram quaisquer motivos para celebrar ocasiões tais como o Natal, passagem de ano ou similares pelo que, e até que suceda algo que altere este estado de espírito, as respectivas comemorações estão proibidas dentro destas paredes.

2005/12/06

A quem puder interessar:

A legislação deste cantinho onde vivemos possui certas idiossincrasias, normalmente desconhecidas da maioria dos cidadãos. Não sei se é o caso da que vou mencionar, até porque desde já assumo a minha total ignorância no que ao assunto diz respeito, mas trata-se de uma lei, no mínimo curiosa. Sabiam, pois, os caríssimos leitores que, após um divórcio, deverá obrigatoriamente ser observado um período de carência por parte dos ex-conjuges antes de voltar a dar o nó? Ora, a curiosidade aqui é que este tempo não é igual para ambos os géneros - assim, o homem poderá voltar a celebrar o seu casamento seis meses depois da consumação do divórcio, enquanto que a mulher apenas o poderá fazer dez meses após aquela data. Isto, dizem os especialistas, apesar de parecer machismo "puro e duro", destina-se apenas a salvaguardar a hipótese de a mulher se encontrar grávida aquando do divórcio, e vir a casar com novo noivo prestes a dar à luz um rebento do destituído. Quanto puritanismo...

Bom, mas afinal serve apenas este post para informar que, segundo a lei actual, me encontro desde ontem, dia 5 de Dezembro do ano da graça de 2005, livre para voltar a contrair matrimónio, bastando apenas para tal que me surja alguém que cumpra os requisitos mínimos exigíveis para a função. Não é uma efeméride alegre, admito, mas não deixa de ser uma efeméride, pois não?

2005/11/18

Vera, 6 anos, linda:

- Olha lá Verinha, conta cá uma coisa ao tio: já tens namorado?
- (Chegando-se muito junto a mim e falando baixinho ao ouvido) Sim, tio; é o Bruno!
- O Bruno? Quem é o Bruno? Anda lá na tua escola?
- Não, só tem 4 anos, anda na Casa do Povo (Infantário de Azeitão); por isso agora não nos vemos.
- ...
- Mas quando nos encontramos na rua é cá uma paixão, tio; agarramo-nos e é só beijos e mais beijos...
- O quê?
- Sim, e quando ele vier cá a casa vamo-nos fechar à chave no quarto...
- (De olhos esbugalhados) O quê, o quê, o quê?
- ...como nos "Morangos com açúcar"!

2005/11/13

Os filmes da minha vida - 3

Dr. Strangelove

Desculpem lá o hiato nos posts, mas foi uma semana... estranha.

2005/11/04

Sindroma do alpinista

Nunca vos aconteceu sentirem-se à beira da conquista, mas em pânico por saberem que, não obstante todo o difícil percurso efectuado, a parte decisiva só agora começa? Aquela fase em que qualquer escorregadela, qualquer passo em falso, pode comprometer e deitar a perder todo o esforço, todo o empenho, todo o sacrifício anterior?

Quando estamos longe, uma montanha é igual a outra montanha, a outra montanha, a outra montanha... Mas, uma vez iniciada a subida, cada passo, cada gota de suor, cada socalco superado, tornam-se parte de um património que nos vai engrandecendo, que nos vai dando ânimo para prosseguir - contudo, nesse progresso, carregamos cada vez mais a responsabilidade de todo o investimento anterior, e sabemos que não podemos, não temos o direito de dar passos em falso, por respeito ao que já fomos capazes de fazer. E é a história da pescadinha de rabo na boca: o saber que não podemos errar cria-nos uma tal tensão que passamos a questionar doentiamente tudo o que fazemos, para saber se está certo ou errado - e vem então a ansiedade de percebermos finalmente que não sabemos que raio é isso de "certo ou errado", que nem sabemos como chegámos ali, não fazemos a mínima de qual o passo correcto a seguir, e tudo o que nos resta é arriscar e acreditar.

Mas nunca ninguém se gabou de ter chegado quase ao topo do Everest, pois não?

2005/10/25

Os filmes da minha vida - 2


Nota: O 2 deve-se ao facto de considerar "El sol del membrillo" (ver post "Madrid" mais abaixo), como o primeiro post desta série.

2005/10/23

É hoje!

No fim da adolescência ia a jantares de aniversário. A partir de meados dos vintes até aos trinta e tal, eram casamentos quase todos os dias. Depois veio a fase dos baptizados e das visitas às maternidades. Agora, depois dos quarenta, os jantares de divorciados começam a ser cada vez mais frequentes - isto não é nada animador.

O que virá a seguir? Funerais?

Desculpem lá a neura; o ano de reorganização pessoal está quase a acabar, alguns dos objectivos estão cumpridos, outros estão próximos e o resto virá por acréscimo, espero.

2005/10/20

Ainda a propósito da co-incineração:

José Sócrates tem a estranha capacidade de me despertar sentimentos que eu próprio desconhecia em mim - qualquer coisa assim a meio caminho entre sádico e criminoso.

2005/10/19

Madrid


Coisas simples que nos prendem.

2005/10/18

Conchas e búzios

Por diversos motivos, que me absterei de voltar a pormenorizar aqui, tenho andado algo desinteressado das notícias nos últimos tempos. Contudo, num tour de force que me impus a mim mesmo, aos poucos vou procurando reatar velhos hábitos como se nunca os tivesse deixado. Foi por isso que hoje retomei um dos meus gestos favoritos, apesar de mal educado: almoçar sozinho no restaurante, ao mesmo tempo que leio o jornal.

E foi precisamente no "Público" que li este fait divers delicioso: ao que parece, no âmbito do processo Casa Pia tem sido ouvido nos últimos tempos um jovem, ex-aluno da instituição, e as perguntas têm incidido sobre o comportamento de um tal arqueólogo subaquático, peça chave no supra citado processo. A parte encantadora da peça é quando se lê que aquela testemunha, ao referir-se ao dito arqueólogo, chama-lhe - por dislexia, desconhecimento ou pura malícia, vá-se lá saber - "astrólogo submarino"!

O que isto me deu para rir o resto da tarde.

2005/10/16

Taylor made


Ferrari? Porsche? Coisas de nouveaux riches.

Para mim, só há três tipos de carros: os confortáveis (leia-se discretos, espaçosos, com cinco portas, silenciosos, económicos e preferencialmente vans), os de competição (leia-se potentes, desconfortáveis, barulhentos, cheios de cheiros, mas estupidamente viciantes - para usar moderadamente e em local próprio, fazendo logo a seguir uma desintoxicação num "confortável") e os Morgan!

P.S.: Pronto, está bem, admito; tal como nos mosqueteiros, são três mais um. Também existem os carros velhos, aquelas latas da década de setenta que se vêem aí abandonadas pelas cidades, e que me despertam estúpidos instintos esbanjadores, mas quanto a esses estou a tentar deixar a adição. Mas não é fácil - ainda anteontem "descobri" um Triumph Dolomite em Setúbal, e tive que morder a língua para não parar e ir lá deixar um cartãozito com o meu contacto!

Projectos

Decisões de Outono, uma espécie de preâmbulo para as decisões de Ano Novo, aquelas que se guardam habitualmente na gaveta em Fevereiro:

- Comer menos porcarias, andar mais de bicicleta e jogar mais ténis;

- Tentar ganhar mais dinheiro, ainda que não saiba bem como;

- Ler mais, ouvir mais música, ir mais ao cinema - enfim, renascer;

- Mudar de casa, talvez;

- Mostrar a alguém o óbvio: que eu sou, de longe, a sua melhor opção, para não dizer a única (desculpem a petulância, mas uma terapia de autoestima é fundamental);

- Preparar o regresso às corridas de automóveis, paradas este ano abruptamente, nem sei bem porquê;

- Envolver-me de vez nos já demasiado adiados projectos do golfe e do mergulho - respectivamente com os meus grande amigos V.C.S. e G.V.M;

- Passar mais tempo na casa do meu pai, no Alentejo, com o Lourenço, pelo menos;

- Reaprender a sonhar e a acreditar.

Não será isto exposição suficiente para um blog masculino, Vieira?

2005/10/15

Romance

Rob Flemming, o protagonista do excelente "High Fidelity", de Nick Hornby, desmonta, a certa altura do seu relato na primeira pessoa, o mito de que há músicas que parecem ter sido escritas especial e exclusivamente para o nosso estado de espírito de cada momento. Diz ele que, seja qual for a nossa disposição, é facílimo encontrar uma música que se adapte a ela - ou, melhor dizendo, cuja letra se encaixe na perfeição, de tal forma que nos parece que só poderia ter sido escrita para nós. Só que, continuando a tese, essa música também se adapta a, pelos menos, um milhão de almas - e isto é especialmente válido para os apaixonados, como é óbvio e sabido.

Mas, mesmo sabendo de antemão tudo isto, custa-me a crer que M. Kretzmer não estivesse a pensar em mim, e em como eu me estaria a sentir agora, quando há mais de trinta anos escreveu, para Charles Aznavour cantar, isto:

She may be the face I can't forget
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
She may be the song that summer sings
May be the children autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day

She may be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a Heaven or a Hell
She may be the mirror of my dream
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell

She, who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She may be the love that cannot hope to last
May come to leap from shadows of the past
That I'll remember 'till the day I die

She may be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years

Me, I'll take the laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She, She
Oh, She

2005/10/12

Chuva


Hoje vou-me deitar mais cedo.

Photomaton


Mondariz, Galiza, Rali de Invierno, Janeiro de 2005.

2005/10/11

Manhã amarela

O Lourenço (4 anos, para quem não sabe) dormiu cá esta noite. De manhã dou-lhe banho em estilo greco-romano, visto-o e digo-lhe para ir para o piso de baixo ver desenhos animados, enquanto eu despacho as minhas próprias abluções matinais. Quando desço, pronto para sairmos, noto umas estranhas manchas amarelas, já algo desbotadas, no chão da sala.

- Lourenço, o que é isto, filho?

Depois de inspeccionar cuidadosamente a mancha, como se nunca a tivesse visto mais gorda, lá diz meio a medo:

- Fui eu que estava a fazer uma pintura...
- Aqui, no chão?
- Não, aqui neste papel.

Dirige-se para o outro lado da sala e apanha do chão uma folha A4 a pingar uma espécie de pasta amarela para o tapete.

- Não, filho, não mexas nisso. Cuidado, está a pingar!

Tiro-lhe num repente a folha das mãos, viro-a para cima e finjo examiná-la, enquanto ele me olha algo desiludido. Com remorsos, resolvo desagravar:

- Hmm, está muito bonito; como é que fizeste?

E ele muito contente, dirigindo-se para trás do sofá e reaparecendo a sacudir uma espécie de marcador que deitava a tal pasta amarela pela ponta em golfadas:

- Foi com esta caneta, pai; agora só temos que deixar secar!
- Que caneta é essa? Dá cá isso, filho!

Levo a caneta, ou lá que raio é aquilo, rapidamente para a cozinha, não conseguindo, contudo, evitar mais uns pingos nos mosaicos e no balcão. De volta à sala, pergunto-lhe:

- Mas olha lá, ainda não me disseste como é que apareceram aquelas manchas ali do outro lado da sala...

Ele hesita, mas lá explica:

- É que eu pus o desenho no chão para secar, mas depois estava a olhar para a televisão e pus um pé em cima, e fui à casa de banho lavar o ténis. Olha!

Mostra-me a sola do sapato, que realmente está amarela, assim como o caminho até à casa de banho. E depois continua:

- Mas eu limpei o chão!
- Limpaste o chão? Com quê?
- Com isto!

E, triunfante, mostra-me uma esponja de engraxar sapatos toda manchada de amarelo.

Desce o pano, entre gargalhadas e mimos.