2005/10/16

Taylor made


Ferrari? Porsche? Coisas de nouveaux riches.

Para mim, só há três tipos de carros: os confortáveis (leia-se discretos, espaçosos, com cinco portas, silenciosos, económicos e preferencialmente vans), os de competição (leia-se potentes, desconfortáveis, barulhentos, cheios de cheiros, mas estupidamente viciantes - para usar moderadamente e em local próprio, fazendo logo a seguir uma desintoxicação num "confortável") e os Morgan!

P.S.: Pronto, está bem, admito; tal como nos mosqueteiros, são três mais um. Também existem os carros velhos, aquelas latas da década de setenta que se vêem aí abandonadas pelas cidades, e que me despertam estúpidos instintos esbanjadores, mas quanto a esses estou a tentar deixar a adição. Mas não é fácil - ainda anteontem "descobri" um Triumph Dolomite em Setúbal, e tive que morder a língua para não parar e ir lá deixar um cartãozito com o meu contacto!

Projectos

Decisões de Outono, uma espécie de preâmbulo para as decisões de Ano Novo, aquelas que se guardam habitualmente na gaveta em Fevereiro:

- Comer menos porcarias, andar mais de bicicleta e jogar mais ténis;

- Tentar ganhar mais dinheiro, ainda que não saiba bem como;

- Ler mais, ouvir mais música, ir mais ao cinema - enfim, renascer;

- Mudar de casa, talvez;

- Mostrar a alguém o óbvio: que eu sou, de longe, a sua melhor opção, para não dizer a única (desculpem a petulância, mas uma terapia de autoestima é fundamental);

- Preparar o regresso às corridas de automóveis, paradas este ano abruptamente, nem sei bem porquê;

- Envolver-me de vez nos já demasiado adiados projectos do golfe e do mergulho - respectivamente com os meus grande amigos V.C.S. e G.V.M;

- Passar mais tempo na casa do meu pai, no Alentejo, com o Lourenço, pelo menos;

- Reaprender a sonhar e a acreditar.

Não será isto exposição suficiente para um blog masculino, Vieira?

2005/10/15

Romance

Rob Flemming, o protagonista do excelente "High Fidelity", de Nick Hornby, desmonta, a certa altura do seu relato na primeira pessoa, o mito de que há músicas que parecem ter sido escritas especial e exclusivamente para o nosso estado de espírito de cada momento. Diz ele que, seja qual for a nossa disposição, é facílimo encontrar uma música que se adapte a ela - ou, melhor dizendo, cuja letra se encaixe na perfeição, de tal forma que nos parece que só poderia ter sido escrita para nós. Só que, continuando a tese, essa música também se adapta a, pelos menos, um milhão de almas - e isto é especialmente válido para os apaixonados, como é óbvio e sabido.

Mas, mesmo sabendo de antemão tudo isto, custa-me a crer que M. Kretzmer não estivesse a pensar em mim, e em como eu me estaria a sentir agora, quando há mais de trinta anos escreveu, para Charles Aznavour cantar, isto:

She may be the face I can't forget
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
She may be the song that summer sings
May be the children autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day

She may be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a Heaven or a Hell
She may be the mirror of my dream
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell

She, who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She may be the love that cannot hope to last
May come to leap from shadows of the past
That I'll remember 'till the day I die

She may be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough and ready years

Me, I'll take the laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She, She
Oh, She

2005/10/12

Chuva


Hoje vou-me deitar mais cedo.

Photomaton


Mondariz, Galiza, Rali de Invierno, Janeiro de 2005.

2005/10/11

Manhã amarela

O Lourenço (4 anos, para quem não sabe) dormiu cá esta noite. De manhã dou-lhe banho em estilo greco-romano, visto-o e digo-lhe para ir para o piso de baixo ver desenhos animados, enquanto eu despacho as minhas próprias abluções matinais. Quando desço, pronto para sairmos, noto umas estranhas manchas amarelas, já algo desbotadas, no chão da sala.

- Lourenço, o que é isto, filho?

Depois de inspeccionar cuidadosamente a mancha, como se nunca a tivesse visto mais gorda, lá diz meio a medo:

- Fui eu que estava a fazer uma pintura...
- Aqui, no chão?
- Não, aqui neste papel.

Dirige-se para o outro lado da sala e apanha do chão uma folha A4 a pingar uma espécie de pasta amarela para o tapete.

- Não, filho, não mexas nisso. Cuidado, está a pingar!

Tiro-lhe num repente a folha das mãos, viro-a para cima e finjo examiná-la, enquanto ele me olha algo desiludido. Com remorsos, resolvo desagravar:

- Hmm, está muito bonito; como é que fizeste?

E ele muito contente, dirigindo-se para trás do sofá e reaparecendo a sacudir uma espécie de marcador que deitava a tal pasta amarela pela ponta em golfadas:

- Foi com esta caneta, pai; agora só temos que deixar secar!
- Que caneta é essa? Dá cá isso, filho!

Levo a caneta, ou lá que raio é aquilo, rapidamente para a cozinha, não conseguindo, contudo, evitar mais uns pingos nos mosaicos e no balcão. De volta à sala, pergunto-lhe:

- Mas olha lá, ainda não me disseste como é que apareceram aquelas manchas ali do outro lado da sala...

Ele hesita, mas lá explica:

- É que eu pus o desenho no chão para secar, mas depois estava a olhar para a televisão e pus um pé em cima, e fui à casa de banho lavar o ténis. Olha!

Mostra-me a sola do sapato, que realmente está amarela, assim como o caminho até à casa de banho. E depois continua:

- Mas eu limpei o chão!
- Limpaste o chão? Com quê?
- Com isto!

E, triunfante, mostra-me uma esponja de engraxar sapatos toda manchada de amarelo.

Desce o pano, entre gargalhadas e mimos.

Serviço público


Não sei se isto é jazz, se é rock'n'roll, se o tipo é um crooner (ena, tantos anglicismos em tão poucas palavras!), mas lá que é muito bom, isso é!

Sonhos

Um dos maiores dramas de quem sofre desilusões é que depois tornamo-nos cépticos - e, quando algo parece estar a acontecer exactamente como gostaríamos que acontecesse, nós simplesmente não acreditamos que seja verdade. Talvez fosse mais fácil não sonhar, e esperar apenas, mas será alguém capaz de tal?

E agora, um pouco de ar puro:


Esquece lá essa história de irmos a Búzios e ao Rio; porque é que não vamos antes aqui enfeirar, como tu dizes, já em Janeiro?

2005/10/10

2,99%!

Se fosse para termos tido um resultado decente, preferiria que não tivesse sido assim, mas o meu orgulho palerma obriga-me a informar que a lista por mim encabeçada nestas desgraçadas eleições, concorrente pelo CDS-PP à Junta de Freguesia de São Lourenço de Azeitão, obteve a mais alta percentagem de votação de entre todas as listas concorrentes pelo meu partido a todos os órgãos autárquicos do concelho. Mais: em todo o distrito, e em todas as muitas dezenas de organismos a que o CDS-PP concorreu sozinho, a "minha" lista teve, sempre em termos percentuais, a terceira melhor votação. É obra, num cenário como o deste triste reduto vermelho.

Obrigado, pois, a todos os meus queridos amigos azeitonenses que acreditaram no meu partido de há mais de vinte anos e em mim; daqui a quatro anos prometo-vos que as coisas serão muito diferentes!

O último reduto

Lord Byron escreveu, há uns dois séculos atrás, sobre as belezas naturais e arquitectónicas de Sintra por oposição à barbárie e fealdade do povo que lá morava que, na sua aristocrática opinião, não era merecedor de tão belo lugar.

Neste momento parece-me que tudo o que o inglês disse em Sintra pode ser aplicado, quase ipsis verbis, a Setúbal - substituindo apenas a "barbárie e fealdade" por "incultura política e fanatismo". Que vergonha...

2005/10/08

Outubro II

O Verão é feio - é horroroso!

Finalmente chegou a minha estação, aquela em que me sinto bem, em que a minha cabeça e restantes órgãos começam a funcionar com alguma clareza e naturalidade. Devia haver alguma forma de poder hibernar mal os termómetros atingissem os 24º centígrados, e só voltar a acordar quando daí baixassem de novo. Digam lá, mesmo os mais ferrenhos defensores deste inferno na terra: tem alguma piada passar os dias a fugir do sol escaldante, a entrar em carros a ferver, a sentir a roupa a colar-se-nos ao corpo, a desejar estar em qualquer outro lugar menos naquele em que estamos? O calor é doentio, bolas!

Deus queira que comece a chover e nunca mais pare!

2005/10/06

Quase no fim da campanha:


Se votam noutro lugar, votem bem. Agora se vão votar em São Lourenço, Azeitão, já sabem qual a única escolha possível, não é?

2005/10/04

Ó Alentejo esquecido...

- Boa tarde, desculpe; por aqui vou bem para Vila Viçosa?
- Por aí? Não, isso não tem saída. O melhor é virar já por aqui, vai sempre em frente até chegar a um largo com um poste no meio... (silêncio)
- (após alguns segundos de expectativa) E depois?
- Depois? Então depois não faz nada, que a estrada há-de vir ter consigo!

(ler com sotaque)

Nem às paredes confesso!


A cidade até parece bonita assim, não é?

2005/10/03

Sem interesse

O bom deste meu terraço, entre muitas outras coisas, é a hipótese que me dá de fumar uns charutos nocturnos, a ver as estrelas - às vezes há umas cadentes, mas devem estar estragadas - e a pensar calmamente no muito que precisa de mudar urgentemente na minha vida, e no pouco que eu posso fazer para que tal aconteça.

O problema é que, quando pareço estar perto do Graal, o charuto acaba-se.

Outubro


Bom, eu detestaria que me achassem chato e repetitivo por isto, mas a verdade é que estamos, pela terceira vez desde que este blog é blog, a entrar no mês do meu aniversário...

2005/10/02

Nem tudo pode ser mau!

Descobri agora que a RTP Memória anda a passar a melhor série de humor de todos os tempos, a mãe de todas as séries de humor: "Monty Python's Flying Circus"! Quem perder isto está morto e não sabe!

2005/09/30

Este blog tem andado assim:

Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar

Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com que contar

São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar

E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar


("Gente Humilde", Vinicius de Moraes)

2005/09/26

Ar fresco! (private joke)

Quem imaginaria o que podia estar escondido, possivelmente à nossa espera, numa pobrezinha exposição de província. Desculpem não haver mais explicações para já.