2005/07/21
2005/07/18
Terceiro mundo
Há umas horas, em digressão profissional por este horrível Algarve estival, resolvi entrar em negociações com um indivíduo que, numa banca montada numa rua de Olhão, vendia descontraidamente produtos de contrafacção. O motivo do meu interesse foi uma camisete, vulgo polo, imitação não assim tão perfeita (o crocodilo parece querer esconder-se debaixo do sovaco) da marca Lacoste - contudo, aproveitei assim o ensejo de comprar uma peça de vestuário que aprecio especialmente por ser prática, e que parece ter caído em relativo desuso: uma camisete lisa, de uma só cor. Com efeito, na maior parte das lojas que visito só me apresentam pedaços de pano com todo o tipo de riscas e estampagens, mais próprios doutro tipo de culturas e etnias do que da minha pacata simplicidade de vestuário. Que saudades dos meus tempos de adolescência, em que era fácil encontrar um polo de malha piqué da Lacoste, de uma só cor - e, quando o preço era proibitivo, havia diversos sucedâneos igualmente de bom gosto e discrição, da Mike Davis ou da portuguesíssima Coronel (alguém se lembra desta?).
Bom, mas voltando às minhas negociações com o simpático comerciante de raça cigana, que me garantiu estar a comprar um produto original, e que o podia procurar se aquilo encolhesse na primeira lavagem, que prontamente a trocaria, voltando a isso, dizia, fiquei a pensar: se existe, em tão grandes quantidades, lotes de produtos contrafeitos, é porque alguém os faz, evidentemente. E quem? Naturalmente muitas fábricas de têxteis, principalmente da zona Norte do país, que vêem no negócio da contrafacção, e na procura de que são alvo por parte dos vendedores ambulantes, uma forma de fugir ao descalabro que a ausência de encomendas e a deslocalização para Leste do fabrico de muitas marcas estrangeiras, lhes provocou.
Ou seja, a contrafacção parece-me algo absolutamente necessário à viabilidade económica de muitas pequenas e até médias indústrias deste país. Curioso, não?
Bom, mas voltando às minhas negociações com o simpático comerciante de raça cigana, que me garantiu estar a comprar um produto original, e que o podia procurar se aquilo encolhesse na primeira lavagem, que prontamente a trocaria, voltando a isso, dizia, fiquei a pensar: se existe, em tão grandes quantidades, lotes de produtos contrafeitos, é porque alguém os faz, evidentemente. E quem? Naturalmente muitas fábricas de têxteis, principalmente da zona Norte do país, que vêem no negócio da contrafacção, e na procura de que são alvo por parte dos vendedores ambulantes, uma forma de fugir ao descalabro que a ausência de encomendas e a deslocalização para Leste do fabrico de muitas marcas estrangeiras, lhes provocou.
Ou seja, a contrafacção parece-me algo absolutamente necessário à viabilidade económica de muitas pequenas e até médias indústrias deste país. Curioso, não?
2005/07/14
2005/07/10
Silly season
Pois é; tenho coisas importantes para fazer mas esta altura do ano inibe-me - aliás, mais do que inibe, bloqueia-me. Há toda uma vida sentimental para reorganizar, mas parece-me que terá que esperar pelo fim de Setembro, altura em que caem de maduras as poses de quem pouco mais tem para dar do que um sorriso Pepsodent, e em que vêm ao de cima valores mais tradicionais, como o gosto por uma boa conversa, por um bom passeio, por um bom bocado de tarde...
2005/07/04
Indignação
Sanguinário, sensacionalista, abjecto, ignorante, manipulador, são apenas alguns dos muitos adjectivos que se me afigurariam justos para qualificar a abertura do noticiário das 20 horas, ontem, na SIC (aliás, soube a posteriori que as outras estações de televisão também pautaram as suas intervenções pela mesma bitola). Com efeito, parece-me no mínimo indecente que uma estação de televisão, para a qual o automobilismo não existe quando não há acidentes, e em que "desporto" apenas rima com "futebol", venha apresentar como abertura de um jornal em horário nobre um acidente de viação, com a particularidade de ter envolvido uma viatura que participava num rali, ainda que tenha acontecido num sector de ligação, e evidenciando um desconhecimento de causa aterrador, mesmo depois de terem sido ministradas aos jornalistas algumas noções base do funcionamento de um rali - mas, evidentemente, e tal como nos tablóides, a informação rigorosa pouco interessa quando temos a hipótese de ganhar share à custa de desinformação maliciosa e intencionalmente pervertida. E, neste caso, o propósito único do jornalista (faz-me algumas comichões referir-me a quem produz uma peça daquelas como "jornalista") não é outro senão o de tentar mostrar à opinião pública que os pilotos de automóveis são seres destituídos de consciência, equiparáveis a street racers (gente que qualquer participante em corridas regulamentadas detesta), capazes de passar a vida a acelerar na via pública, levando à frente tudo o que lhes apareça pelo caminho.
Neste momento de dor, quero deixar os meus sentidos pêsames à família açoriana envolvida no desastre de sexta passada, mas, por uma questão de coerência - palavra que certamente não faz parte do léxico da SIC - esses mesmos pêsames deverão ser extensivos aos milhares de famílias que perderam já entes queridos em acidentes rodoviários, mas que a SIC não noticiou porque não aconteceram com um carro de ralis e, portanto, não davam audiências.
Quero também deixar um forte abraço de solidariedade e ânimo ao Ricardo Teodósio e ao Paulo Primaz, e desejar-lhes toda a força para que possam estar de regresso aos ralis, onde fazem tanta falta, o mais rapidamente possível.
Neste momento de dor, quero deixar os meus sentidos pêsames à família açoriana envolvida no desastre de sexta passada, mas, por uma questão de coerência - palavra que certamente não faz parte do léxico da SIC - esses mesmos pêsames deverão ser extensivos aos milhares de famílias que perderam já entes queridos em acidentes rodoviários, mas que a SIC não noticiou porque não aconteceram com um carro de ralis e, portanto, não davam audiências.
Quero também deixar um forte abraço de solidariedade e ânimo ao Ricardo Teodósio e ao Paulo Primaz, e desejar-lhes toda a força para que possam estar de regresso aos ralis, onde fazem tanta falta, o mais rapidamente possível.
2005/06/27
Progresso
É algo que me intriga o facto de a maior parte dos médicos, que dispõem sempre das mais avançadas descobertas da ciência e da tecnologia para o desempenho das suas funções, continuarem a assentar os dados dos seus pacientes em arcaicas fichas de cartão, com as pontas dobradas pelo uso e cheias de sublinhados numa caligrafia ininteligível, ao invés de um muito mais prático terminal de computador, onde lhes seria possível aceder rapidamente ao historial clínico de cada pessoa pelo simples premir de uma tecla.
Em contrapartida, sinto nostalgia por já não existirem praticamente arquitectos românticos, que continuem a usar o papel vegetal preso em grandes estiradores, bem como as canetas de tinta da China que nos deixavam os dedos capazes de fazerem inveja ao menos asseado dos mecânicos. Não, todos se renderam às maravilhas do AutoCAD e similares.
Em contrapartida, sinto nostalgia por já não existirem praticamente arquitectos românticos, que continuem a usar o papel vegetal preso em grandes estiradores, bem como as canetas de tinta da China que nos deixavam os dedos capazes de fazerem inveja ao menos asseado dos mecânicos. Não, todos se renderam às maravilhas do AutoCAD e similares.
2005/06/21
Limpeza de Verão
Memo para um destes dias: limpar a lista de links dos blogs que já fecharam e acrescentar muitos outros com interesse que entretanto surgiram.
2005/06/20
Adeus...
Nem sei bem o que aconteceu - qualquer coisa relacionada com uma praga de insectos, sangue envenado, rins parados, sei lá, merda! - e também isso não interessa para nada já; a Fraldas, a minha cadela, foi abatida esta tarde...
Desculpa, Fraldas, por não ter sido um melhor dono.
Desculpa, Fraldas, por não ter sido um melhor dono.
Ocean spray
Para que não me venham agora dizer que pus o post abaixo só para manter algum interesse no blog, mas que não escrevo nada de relevante, volto ao assunto dos meus estados de espírito, que neste momento é de alguma alegria e entusiasmo. E isto porque ontem, finalmente, concretizei o aluguer duma rica casa em São Pedro de Moel, com uma pequena vista para aquele oceano maravilhoso, e na qual conto passar uma pequena mas feliz parte das minhas férias deste ano.
Podem ir para o Algarve descansadinhos da vida, que não me vão encontrar por lá (já me chegam as viagens praticamente semanais em trabalho).
Podem ir para o Algarve descansadinhos da vida, que não me vão encontrar por lá (já me chegam as viagens praticamente semanais em trabalho).
2005/06/17
I'm back!
Bom, a pedido de várias famílias (não muitas, mas algumas), vamos lá voltar a escrever alguma coisa aqui. Esperemos que nos surja alguma inspiração, para não voltarmos a alguns posts enfadonhos que andavam para aqui a aparecer ultimamente. Mais novidades em breve...
2005/05/25
2005/05/13
Alex

Não me interessam paticularmente os Laureus Sport Awards, espécie de Óscares do desporto, mas se há, entre os nomeados deste ano, alguém que merece de caras ser distinguido, esse alguém só pode ser Alessandro Zanardi!
2005/05/10
KKK
Kaiser Chiefs, Kasabian e Keane. Detesto quando toda a gente descobre as coisas boas antes de mim - dá-lhes um ar popularucho, desculpem lá o snobismo.
2005/05/04
Novidades
Depois de uma fase meio amorfa, começo a recuperar gradualmente o gosto por tudo aquilo que considero importante para manter uma mente limpa; e, como não sou egoísta, resolvi partilhar as minhas últimas descobertas com os meus leitores. Assim, na leitura recomendo vivamente o novo romance de Douglas Coupland, "Eleanor Rigby", enquanto que na música, depois de muita insistência, face a alguma pouca vontade do funcionário, consegui convencer os serviços da FNAC a importarem-me o álbum de estreia dos Delays, "Faded seaside glamour" - e o mínimo que posso dizer é que, só hoje, já fez mais de quinhentos quilómetros em powerplay.
2005/05/01
2005/04/29
Dualidade
Sempre que participo numa prova de todo-o-terreno experimento sentimentos contraditórios: até cerca de metade do percurso vou a rezar para que o carro perca uma roda, ou coisa do género, para acabar aquele martírio de saltos e pó. Daí para a frente, e já que nos estamos a aproximar do fim, peço por tudo para que a viatura aguente mais uns quilómetrozecos, para sentirmos a gratificação do pódio final.
Não sei como é que fui cair nisto de novo, mas sexta feira, dia 6 de Maio, lá me apresentarei de novo no Estoril, preparado (estarei?) para cumprir os mais de 1000 quilómetros em pistas de terra de Portugal e Espanha, mais os 600 quilómetros de ligação, que irão constituir o percurso da Baja Vodafone 1000 deste ano. Nunca hei-de aprender.
Não sei como é que fui cair nisto de novo, mas sexta feira, dia 6 de Maio, lá me apresentarei de novo no Estoril, preparado (estarei?) para cumprir os mais de 1000 quilómetros em pistas de terra de Portugal e Espanha, mais os 600 quilómetros de ligação, que irão constituir o percurso da Baja Vodafone 1000 deste ano. Nunca hei-de aprender.
2005/04/26
Surrealismo
Cenário: rua de Setúbal, onze da noite, à porta de um restaurante, o carro não pega nem por nada. Chamo o serviço de assistência do ACP, e apresenta-se um rapaz muito jovem, prestável e bastante educado mas que, infelizmente, percebia ainda menos de mecânica do que eu.
Rapaz - Bom, não sei o que se passa com o seu carro. O mais que eu posso fazer é rebocá-lo para uma oficina à sua escolha.
Eu - Acha que a Renault aqui de Setúbal aceita carros durante a noite?
Rapaz - Sim, está lá um segurança que abre as portas e amanhã de manhã o senhor só tem que lá ir e explicar o que se passa.
Eu - Óptimo, mas entretanto como é que vou para casa?
Rapaz - Não há problema; o ACP paga-lhe também um táxi até casa. Está incluido na assistência. Vou já ligar a pedir um táxi (O rapaz liga um número no telemóvel, espera um pouco, e depois começa a falar com um interlocutor). Sim? Fala fulano, da Companhia de Reboques não sei quantos. Estou aqui a fazer o serviço que me pediram, mas o carro não trabalha e vai ter que ficar em Setúbal. Era para pedir um táxi para o sócio ir para casa. Como? (depois para mim) Onde é que mora?
Eu - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela.
Rapaz (para o telemóvel) - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela. (Depois de uma pausa, de novo para mim) A quantos quilómetros é que isso fica daqui?
Eu - Não sei; talvez uns quinze...
Rapaz (de novo para o telemóvel) - A cerca de quinze. Como? Se calhar é melhor falarem os senhores com o cliente. (E para mim) Fale lá com eles, que eles dizem que só pagam táxi se estiver a mais de vinte quilómetros de casa.
Eu - Como? (E aceitando o telemóvel) Estou?
Operador do ACP em off - Boa noite.
Eu - Boa noite; penso que aqui o senhor do reboque já lhe explicou o que se passa...
Operador do ACP - Sim, mas tenho que o informar que no contrato de prestação de serviços que o senhor assinou está lá escrito que só tem direito a transporte para casa se se encontrar a mais de vinte quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, mas não sei bem a quantos quilómetros estou. Provavelmente até são vinte.
Operador do ACP - Não sabe a quantos quilómetros está da sua casa?
Eu - Não; devia saber?
Operador do ACP (ignorando a minha pergunta feita em tom irónico e já levemente irritado) - Onde é que o senhor mora?
Eu - Na Quinta do Anjo.
Operador do ACP - Só um momento, não desligue, que eu vou verificar a distância aqui no computador (segue-se música). Sim, senhor Aldino? Obrigado por ter esperado. Sabe, eu estive a ver a distância aqui no computador e, na verdade, não é nada parecida com a que o senhor afirmou.
Eu - Não?
Operador do ACP - Não; aqui no computador diz que entre a Quinta do Anjo e Setúbal distam exactamente treze vírgula nove quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, não me parece grande a diferença...
Operador do ACP - Pois, mas nestas condições não lhe podemos fornecer transporte para casa. Só se...
Eu - ...se estiver a mais de vinte quilómetros, já ouvi. Mas acha que isso tem alguma lógica, pagarem as deslocações grandes e não as pequenas?
Operador do ACP (depois de uma pausa para pensar) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Pois, mas não li, e nada disto me parece fazer sentido. Como é que o senhor acha que eu vou agora para casa, noutra localidade?
Operador do ACP - Só um momento, por favor (mais música). Estou? Obrigado por ter esperado. Caro senhor Aldino, tenho aqui uma colega que lhe vai confirmar o que lhe disse.
Eu - Uma colega?
Operadora do ACP (chamada em conferência) - Boa noite.
Eu - Boa noite...
Operadora do ACP - Caro senhor, acabei de verificar no meu computador que a distância entre Setúbal e a Quinta do Anjo é de treze vírgula nove quilómetros.
Eu - O seu colega chamou-a só para me dizer isso? Mas ele já mo tinha dito.
Operadora do ACP - Pois, mas infelizmente nessa situação o senhor não tem direito a transporte para casa.
Operador do ACP - Pois, vê?
Eu - Desculpem lá mas isto parece-me tudo um perfeito disparate. Então vocês acham normal que o ACP pague as viagens mais caras e não pague as teoricamente mais baratas?
Operadora do ACP - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Está bem, mas não li; agora o que pergunto é o seguinte: eu estou numa cidade onde poderei recorrer a alguém para me levar a casa, mas se estivesse numa estrada deserta, às três da manhã, o meu carro se avariasse a dezanove quilómetros de casa, o reboque o levasse para uma oficina na direcção oposta, o que me restaria fazer? Andar dezanove quilómetros a pé?
Operadora do ACP (depois de pensar durante alguns momentos) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Bom, não interessa; vou chamar alguém que me leve a casa. Boa noite.
Operador do ACP - Há mais alguma coisa que possamos fazer por si, senhor Aldino?
Rapaz - Bom, não sei o que se passa com o seu carro. O mais que eu posso fazer é rebocá-lo para uma oficina à sua escolha.
Eu - Acha que a Renault aqui de Setúbal aceita carros durante a noite?
Rapaz - Sim, está lá um segurança que abre as portas e amanhã de manhã o senhor só tem que lá ir e explicar o que se passa.
Eu - Óptimo, mas entretanto como é que vou para casa?
Rapaz - Não há problema; o ACP paga-lhe também um táxi até casa. Está incluido na assistência. Vou já ligar a pedir um táxi (O rapaz liga um número no telemóvel, espera um pouco, e depois começa a falar com um interlocutor). Sim? Fala fulano, da Companhia de Reboques não sei quantos. Estou aqui a fazer o serviço que me pediram, mas o carro não trabalha e vai ter que ficar em Setúbal. Era para pedir um táxi para o sócio ir para casa. Como? (depois para mim) Onde é que mora?
Eu - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela.
Rapaz (para o telemóvel) - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela. (Depois de uma pausa, de novo para mim) A quantos quilómetros é que isso fica daqui?
Eu - Não sei; talvez uns quinze...
Rapaz (de novo para o telemóvel) - A cerca de quinze. Como? Se calhar é melhor falarem os senhores com o cliente. (E para mim) Fale lá com eles, que eles dizem que só pagam táxi se estiver a mais de vinte quilómetros de casa.
Eu - Como? (E aceitando o telemóvel) Estou?
Operador do ACP em off - Boa noite.
Eu - Boa noite; penso que aqui o senhor do reboque já lhe explicou o que se passa...
Operador do ACP - Sim, mas tenho que o informar que no contrato de prestação de serviços que o senhor assinou está lá escrito que só tem direito a transporte para casa se se encontrar a mais de vinte quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, mas não sei bem a quantos quilómetros estou. Provavelmente até são vinte.
Operador do ACP - Não sabe a quantos quilómetros está da sua casa?
Eu - Não; devia saber?
Operador do ACP (ignorando a minha pergunta feita em tom irónico e já levemente irritado) - Onde é que o senhor mora?
Eu - Na Quinta do Anjo.
Operador do ACP - Só um momento, não desligue, que eu vou verificar a distância aqui no computador (segue-se música). Sim, senhor Aldino? Obrigado por ter esperado. Sabe, eu estive a ver a distância aqui no computador e, na verdade, não é nada parecida com a que o senhor afirmou.
Eu - Não?
Operador do ACP - Não; aqui no computador diz que entre a Quinta do Anjo e Setúbal distam exactamente treze vírgula nove quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, não me parece grande a diferença...
Operador do ACP - Pois, mas nestas condições não lhe podemos fornecer transporte para casa. Só se...
Eu - ...se estiver a mais de vinte quilómetros, já ouvi. Mas acha que isso tem alguma lógica, pagarem as deslocações grandes e não as pequenas?
Operador do ACP (depois de uma pausa para pensar) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Pois, mas não li, e nada disto me parece fazer sentido. Como é que o senhor acha que eu vou agora para casa, noutra localidade?
Operador do ACP - Só um momento, por favor (mais música). Estou? Obrigado por ter esperado. Caro senhor Aldino, tenho aqui uma colega que lhe vai confirmar o que lhe disse.
Eu - Uma colega?
Operadora do ACP (chamada em conferência) - Boa noite.
Eu - Boa noite...
Operadora do ACP - Caro senhor, acabei de verificar no meu computador que a distância entre Setúbal e a Quinta do Anjo é de treze vírgula nove quilómetros.
Eu - O seu colega chamou-a só para me dizer isso? Mas ele já mo tinha dito.
Operadora do ACP - Pois, mas infelizmente nessa situação o senhor não tem direito a transporte para casa.
Operador do ACP - Pois, vê?
Eu - Desculpem lá mas isto parece-me tudo um perfeito disparate. Então vocês acham normal que o ACP pague as viagens mais caras e não pague as teoricamente mais baratas?
Operadora do ACP - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Está bem, mas não li; agora o que pergunto é o seguinte: eu estou numa cidade onde poderei recorrer a alguém para me levar a casa, mas se estivesse numa estrada deserta, às três da manhã, o meu carro se avariasse a dezanove quilómetros de casa, o reboque o levasse para uma oficina na direcção oposta, o que me restaria fazer? Andar dezanove quilómetros a pé?
Operadora do ACP (depois de pensar durante alguns momentos) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Bom, não interessa; vou chamar alguém que me leve a casa. Boa noite.
Operador do ACP - Há mais alguma coisa que possamos fazer por si, senhor Aldino?
Balanço do fim de semana
Estive num aniversário com pessoas de quem gosto, fui a um congresso mal contado, li "(o melhor das) Comédias da vida privada" de Luis Fernando Veríssimo, vi alguém de quem tinha saudades, adiei algo que não posso contar (porque é ilegal), e jantei no Portinho com a melhor das companhias que, de resto, esteve comigo durante quase todo o fim de semana. Acho que correu bem.
2005/04/19
Promessa é promessa!
Bom, parece que sempre tenho que ir ver o meu Vitória de Setúbal ao Estádio Nacional. Quem é que leva a feijoada e o garrafão?
On ne voit bien qu'avec le coeur! (parte II)
Eu, que não tenho por hábito ler a dita imprensa cor de rosa - apesar de confessar que não resisto à tentação de folhear uma revistinha nas salas de espera - sinto-me de certa forma fascinado com o recente casamento de Carlos de Inglaterra e Camilla Parker-Bowles. Melhor dizendo, não é bem com o casamento que me sinto fascinado, mas sim com a história de amor subjacente.
Recapitulemos: Carlos, príncipe de Gales, não propriamente uma beleza de homem mas, mercê da sua condição social, pessoa com capacidade e condições para conquistar muitas donzelas com atributos físicos mais evidentes do que a sua noiva, conhece Camilla numa bela manhã - vamos imaginar que foi numa manhã - há mais de trinta anos atrás. Camilla é senhora de uma beleza física peculiar, mas Carlos, dando provas da elevação de espírito que só se encontra ao alcance de alguns, apaixona-se pela mulher e não pelo "embrulho". A paixão, como se sabe, é correspondida mas, por diversos motivos, conserva-se quase secreta e acaba por se tornar mesmo proibida.
Os restantes detalhes são por demais conhecidos até chegarmos de novo aos dias de hoje em que ambos, depois de vidas preenchidas, se reencontram e percebem que ainda se amam como há trinta anos. E a beleza da história está precisamente neste facto: um amor que resistiu décadas, entre duas pessoas com características bastante diferentes, e que acabam por afrontar tudo para poderem ficar juntos.
Bem sei que histórias destas se passam todos os dias anonimamente em Odivelas ou no Cacém, com finais mais ou menos felizes ou trágicos, mas parece-me que todas elas são dignas de nota. É sempre fácil falar, mas sinto especial e sincera admiração por quem é capaz de, de facto, colocar em causa todos os valores que antes tinha dado como adquiridos e iniciar de novo o percurso, sem preconceitos e desprezando o politicamente correcto. Parece-me, afinal, que o caminho para a felicidade pode passar por aí.
Recapitulemos: Carlos, príncipe de Gales, não propriamente uma beleza de homem mas, mercê da sua condição social, pessoa com capacidade e condições para conquistar muitas donzelas com atributos físicos mais evidentes do que a sua noiva, conhece Camilla numa bela manhã - vamos imaginar que foi numa manhã - há mais de trinta anos atrás. Camilla é senhora de uma beleza física peculiar, mas Carlos, dando provas da elevação de espírito que só se encontra ao alcance de alguns, apaixona-se pela mulher e não pelo "embrulho". A paixão, como se sabe, é correspondida mas, por diversos motivos, conserva-se quase secreta e acaba por se tornar mesmo proibida.
Os restantes detalhes são por demais conhecidos até chegarmos de novo aos dias de hoje em que ambos, depois de vidas preenchidas, se reencontram e percebem que ainda se amam como há trinta anos. E a beleza da história está precisamente neste facto: um amor que resistiu décadas, entre duas pessoas com características bastante diferentes, e que acabam por afrontar tudo para poderem ficar juntos.
Bem sei que histórias destas se passam todos os dias anonimamente em Odivelas ou no Cacém, com finais mais ou menos felizes ou trágicos, mas parece-me que todas elas são dignas de nota. É sempre fácil falar, mas sinto especial e sincera admiração por quem é capaz de, de facto, colocar em causa todos os valores que antes tinha dado como adquiridos e iniciar de novo o percurso, sem preconceitos e desprezando o politicamente correcto. Parece-me, afinal, que o caminho para a felicidade pode passar por aí.
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