2005/05/25

Indisponibilidade

Desculpem a interrupção. Este blog talvez siga dentro de momentos.

2005/05/13

Alex


Não me interessam paticularmente os Laureus Sport Awards, espécie de Óscares do desporto, mas se há, entre os nomeados deste ano, alguém que merece de caras ser distinguido, esse alguém só pode ser Alessandro Zanardi!

2005/05/10

KKK

Kaiser Chiefs, Kasabian e Keane. Detesto quando toda a gente descobre as coisas boas antes de mim - dá-lhes um ar popularucho, desculpem lá o snobismo.

2005/05/04

Novidades

Depois de uma fase meio amorfa, começo a recuperar gradualmente o gosto por tudo aquilo que considero importante para manter uma mente limpa; e, como não sou egoísta, resolvi partilhar as minhas últimas descobertas com os meus leitores. Assim, na leitura recomendo vivamente o novo romance de Douglas Coupland, "Eleanor Rigby", enquanto que na música, depois de muita insistência, face a alguma pouca vontade do funcionário, consegui convencer os serviços da FNAC a importarem-me o álbum de estreia dos Delays, "Faded seaside glamour" - e o mínimo que posso dizer é que, só hoje, já fez mais de quinhentos quilómetros em powerplay.

2005/05/01

Onze anos já...


... e parece que foi ontem!

2005/04/29

Dualidade

Sempre que participo numa prova de todo-o-terreno experimento sentimentos contraditórios: até cerca de metade do percurso vou a rezar para que o carro perca uma roda, ou coisa do género, para acabar aquele martírio de saltos e pó. Daí para a frente, e já que nos estamos a aproximar do fim, peço por tudo para que a viatura aguente mais uns quilómetrozecos, para sentirmos a gratificação do pódio final.

Não sei como é que fui cair nisto de novo, mas sexta feira, dia 6 de Maio, lá me apresentarei de novo no Estoril, preparado (estarei?) para cumprir os mais de 1000 quilómetros em pistas de terra de Portugal e Espanha, mais os 600 quilómetros de ligação, que irão constituir o percurso da Baja Vodafone 1000 deste ano. Nunca hei-de aprender.

2005/04/26

Surrealismo

Cenário: rua de Setúbal, onze da noite, à porta de um restaurante, o carro não pega nem por nada. Chamo o serviço de assistência do ACP, e apresenta-se um rapaz muito jovem, prestável e bastante educado mas que, infelizmente, percebia ainda menos de mecânica do que eu.

Rapaz - Bom, não sei o que se passa com o seu carro. O mais que eu posso fazer é rebocá-lo para uma oficina à sua escolha.
Eu - Acha que a Renault aqui de Setúbal aceita carros durante a noite?
Rapaz - Sim, está lá um segurança que abre as portas e amanhã de manhã o senhor só tem que lá ir e explicar o que se passa.
Eu - Óptimo, mas entretanto como é que vou para casa?
Rapaz - Não há problema; o ACP paga-lhe também um táxi até casa. Está incluido na assistência. Vou já ligar a pedir um táxi (O rapaz liga um número no telemóvel, espera um pouco, e depois começa a falar com um interlocutor). Sim? Fala fulano, da Companhia de Reboques não sei quantos. Estou aqui a fazer o serviço que me pediram, mas o carro não trabalha e vai ter que ficar em Setúbal. Era para pedir um táxi para o sócio ir para casa. Como? (depois para mim) Onde é que mora?
Eu - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela.
Rapaz (para o telemóvel) - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela. (Depois de uma pausa, de novo para mim) A quantos quilómetros é que isso fica daqui?
Eu - Não sei; talvez uns quinze...
Rapaz (de novo para o telemóvel) - A cerca de quinze. Como? Se calhar é melhor falarem os senhores com o cliente. (E para mim) Fale lá com eles, que eles dizem que só pagam táxi se estiver a mais de vinte quilómetros de casa.
Eu - Como? (E aceitando o telemóvel) Estou?
Operador do ACP em off - Boa noite.
Eu - Boa noite; penso que aqui o senhor do reboque já lhe explicou o que se passa...
Operador do ACP - Sim, mas tenho que o informar que no contrato de prestação de serviços que o senhor assinou está lá escrito que só tem direito a transporte para casa se se encontrar a mais de vinte quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, mas não sei bem a quantos quilómetros estou. Provavelmente até são vinte.
Operador do ACP - Não sabe a quantos quilómetros está da sua casa?
Eu - Não; devia saber?
Operador do ACP (ignorando a minha pergunta feita em tom irónico e já levemente irritado) - Onde é que o senhor mora?
Eu - Na Quinta do Anjo.
Operador do ACP - Só um momento, não desligue, que eu vou verificar a distância aqui no computador (segue-se música). Sim, senhor Aldino? Obrigado por ter esperado. Sabe, eu estive a ver a distância aqui no computador e, na verdade, não é nada parecida com a que o senhor afirmou.
Eu - Não?
Operador do ACP - Não; aqui no computador diz que entre a Quinta do Anjo e Setúbal distam exactamente treze vírgula nove quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, não me parece grande a diferença...
Operador do ACP - Pois, mas nestas condições não lhe podemos fornecer transporte para casa. Só se...
Eu - ...se estiver a mais de vinte quilómetros, já ouvi. Mas acha que isso tem alguma lógica, pagarem as deslocações grandes e não as pequenas?
Operador do ACP (depois de uma pausa para pensar) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Pois, mas não li, e nada disto me parece fazer sentido. Como é que o senhor acha que eu vou agora para casa, noutra localidade?
Operador do ACP - Só um momento, por favor (mais música). Estou? Obrigado por ter esperado. Caro senhor Aldino, tenho aqui uma colega que lhe vai confirmar o que lhe disse.
Eu - Uma colega?
Operadora do ACP (chamada em conferência) - Boa noite.
Eu - Boa noite...
Operadora do ACP - Caro senhor, acabei de verificar no meu computador que a distância entre Setúbal e a Quinta do Anjo é de treze vírgula nove quilómetros.
Eu - O seu colega chamou-a só para me dizer isso? Mas ele já mo tinha dito.
Operadora do ACP - Pois, mas infelizmente nessa situação o senhor não tem direito a transporte para casa.
Operador do ACP - Pois, vê?
Eu - Desculpem lá mas isto parece-me tudo um perfeito disparate. Então vocês acham normal que o ACP pague as viagens mais caras e não pague as teoricamente mais baratas?
Operadora do ACP - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Está bem, mas não li; agora o que pergunto é o seguinte: eu estou numa cidade onde poderei recorrer a alguém para me levar a casa, mas se estivesse numa estrada deserta, às três da manhã, o meu carro se avariasse a dezanove quilómetros de casa, o reboque o levasse para uma oficina na direcção oposta, o que me restaria fazer? Andar dezanove quilómetros a pé?
Operadora do ACP (depois de pensar durante alguns momentos) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Bom, não interessa; vou chamar alguém que me leve a casa. Boa noite.
Operador do ACP - Há mais alguma coisa que possamos fazer por si, senhor Aldino?

Balanço do fim de semana

Estive num aniversário com pessoas de quem gosto, fui a um congresso mal contado, li "(o melhor das) Comédias da vida privada" de Luis Fernando Veríssimo, vi alguém de quem tinha saudades, adiei algo que não posso contar (porque é ilegal), e jantei no Portinho com a melhor das companhias que, de resto, esteve comigo durante quase todo o fim de semana. Acho que correu bem.

2005/04/19

Promessa é promessa!

Bom, parece que sempre tenho que ir ver o meu Vitória de Setúbal ao Estádio Nacional. Quem é que leva a feijoada e o garrafão?

On ne voit bien qu'avec le coeur! (parte II)

Eu, que não tenho por hábito ler a dita imprensa cor de rosa - apesar de confessar que não resisto à tentação de folhear uma revistinha nas salas de espera - sinto-me de certa forma fascinado com o recente casamento de Carlos de Inglaterra e Camilla Parker-Bowles. Melhor dizendo, não é bem com o casamento que me sinto fascinado, mas sim com a história de amor subjacente.

Recapitulemos: Carlos, príncipe de Gales, não propriamente uma beleza de homem mas, mercê da sua condição social, pessoa com capacidade e condições para conquistar muitas donzelas com atributos físicos mais evidentes do que a sua noiva, conhece Camilla numa bela manhã - vamos imaginar que foi numa manhã - há mais de trinta anos atrás. Camilla é senhora de uma beleza física peculiar, mas Carlos, dando provas da elevação de espírito que só se encontra ao alcance de alguns, apaixona-se pela mulher e não pelo "embrulho". A paixão, como se sabe, é correspondida mas, por diversos motivos, conserva-se quase secreta e acaba por se tornar mesmo proibida.

Os restantes detalhes são por demais conhecidos até chegarmos de novo aos dias de hoje em que ambos, depois de vidas preenchidas, se reencontram e percebem que ainda se amam como há trinta anos. E a beleza da história está precisamente neste facto: um amor que resistiu décadas, entre duas pessoas com características bastante diferentes, e que acabam por afrontar tudo para poderem ficar juntos.

Bem sei que histórias destas se passam todos os dias anonimamente em Odivelas ou no Cacém, com finais mais ou menos felizes ou trágicos, mas parece-me que todas elas são dignas de nota. É sempre fácil falar, mas sinto especial e sincera admiração por quem é capaz de, de facto, colocar em causa todos os valores que antes tinha dado como adquiridos e iniciar de novo o percurso, sem preconceitos e desprezando o politicamente correcto. Parece-me, afinal, que o caminho para a felicidade pode passar por aí.

2005/04/17

Intimidades dirigidas

Este blog tem andado algo intermitente, tal como a disposição do seu autor. Como a maior parte dos leitores saberá decerto, acontecimentos recentes na minha vida fizeram-me repensá-la de alto a baixo. Comecei por querer desistir do blog (e de muitas outras coisas, confesso agora), mas os amigos, e alguma força interior - que nem sei onde fui buscar - acabaram por me permitir continuar em frente. Desculpem a sucessão de clichés, mas até o próprio acto de escrever e pensar em assuntos que aparentem coerência se anda a tornar penoso para mim.

No entanto, parece-me que agora as coisas começam a fazer algum sentido; todo este tempo de introspecção, de meditação, fizeram-me perceber muitas partes da minha vida que estavam "arrumadinhas", sem ninguém lhes tocar, e questionar outras tantas - e sei agora, com alguma clareza, o que quero e o que não quero. É ou não estúpido virmos a perceber que a solução para a nossa felicidade provavelmente esteve sempre à distância de um e-mail ou de um telefonema, e que nós nunca a vimos assim?

(Mais pormenores provavelmente muito em breve; não sei bem o que vai acontecer a seguir, e parece-me até que ninguém sabe nem sequer calcula...)

2005/04/14

Tristeza

Nunca, como nos últimos meses, me senti tão desiludido com tantas pessoas ao mesmo tempo. Será defeito meu?

2005/04/13

Intervalo

Pelos vistos a única pessoa que dá pela falta dos meus escritos... sou eu!

2005/04/08

Arroz

Damien Rice bem me podia oferecer uma comparticipação nos seus royalties pelo acréscimo de vendas do seu último álbum que se ficou a dever à minha influência.

2005/03/28

Este blog há uns dias acordou assim:


...e ainda não passou!

Nota: Com os agradecimentos e desculpas devidos à Charlotte pela semi-inspiração.

2005/03/23

"Music When The Lights Go Out"

Is it cruel or kind not to speak my mind and to lie to you
Rather than hurt you
Well I'll confess all of my sins after several large gins
But still I'll hide from you,
Hide what's inside from you.

And alarm bells ring when you say your heart still sings
When you're with me,
Oh darling please forgive me
But I no longer hear the music
Oh no...


The Libertines

2005/03/17

The lamb lies down on Broadway!

Em 1975 tinha 11 anos. Lembro-me de a "malta" mais velha do Barreiro, onde vivia então, andar a combinar uma ida a Cascais para ver os Genesis, supra-sumo da época do psicadelismo. Com muita inveja, nós, os pequeninos, ouvíamos mas sabíamos de antemão que não podíamos ir, não só porque era demasiado longe para irmos on our own, mas também porque o bilhete já na altura custava uns indecentes oitenta "paus"!

No regresso do "pessoal do Bairro", os tipos mais velhos que tinham ido ao Dramático de Cascais, ficámos todos a saber que este percursor dos agora banalizados concertos de bandas estrangeiras tinha sido um delírio, e isso apenas contribuiu para aguçar mais a nossa vontade de "ganhar asas". Entretanto, íamos ouvindo o "Foxtrot" até as espirais do vinyl estarem gastas.

Só fui ao Dramático de Cascais muitos anos mais tarde, mas menos de dois anos depois do concerto dos Genesis estava no comboio da linha, com o meu amigo J.G., de mochila às costas, para acamparmos no autódromo uma semana porque iria decorrer o Campeonato Mundial de Karting, e nós não queríamos perder pitada. Éramos, na maior parte dos dias, as únicas pessoas na bancada, assistindo a treinos, mangas, eliminatórias, e sei lá o quê mais. Entre os muitos miúdos que aceleravam nos "gingarelhos" dava especialmente nas vistas o virtuosismo de um tal Ayrton Senna da Silva, de que todos voltámos a ouvir falar muitos anos mais tarde.

Mas estou a transivergir, e tudo isto vem a propósito do famoso concerto dos Genesis em Cascais, em 1975, e da vontade de voar que esse acontecimento despertou nas crianças que nós éramos, à beira da adolescência. E tudo isso veio de novo ao meu encontro hoje, trinta anos depois, ao comprar a revista "Cais" de Março, integralmente dedicada ao tal concerto.

2005/03/16

"Caça à multa"

A semana passada, na zona de Beja, um invisível radar das autoridades apanhou-me em excesso de velocidade. A falta é assumidamente minha, e não há nada a fazer, a não ser pagar voluntariamente a coima aplicada e aguardar serenamente pela notificação da sanção acessória.

Mas há algo aqui que me revolta profundamente; o radar estava, como é costume, emboscado, por forma a que o incauto automobilista não o descortinasse, e assim incorresse mais facilmente em infracção. Ora, ao não ter conhecimento da existência de um aparelho de medição de velocidade nas proximidades, o condutor não moderará a sua velocidade, e não diminuirá naturalmente o risco de acidentes, mas colaborará, involuntariamente é certo, para a engorda dos cofres do Estado. A isto chama-se fazer repressão, ao invés de uma muito mais desejável prevenção.

Parece-me a mim - mas estou disposto a aceitar outras opiniões - que muito mais se poderia ganhar em termos de diminuição da sinistralidade nas nossas estradas se a existência de radares fosse profusamente noticiada, mesmo nos casos em que eles não existem ou em que se encontram fora de funcionamento; desta forma as pessoas tenderiam a abrandar automaticamente, sem saber exactamente qual a localização ou fiabilidade do aparelhómetro, e assim poderiam diminuir consideravelmente a perigosidade das estradas. Mas este procedimento apresenta um inconveniente óbvio para as autoridades: se os radares estivessem visíveis, e as pessoas pudessem abrandar quando os vissem, muito menos gente seria multada, e menos dinheiro entraria nos cofres da corporação e, por inerência, do Estado. Então, que se lixe a segurança - nós queremos é muita gente a "dar gás" para poder encher os bolsos!

Aqui há uns tempos vi, numa auto-estrada, uma viatura de controle de velocidade, que possuía um placard com letras garrafais no tejadilho onde se podia ler a inscrição: "controle de velocidade". Resultado? Todos os condutores diminuiam automaticamente a velocidade. Poderá não ser uma boa política para as finanças públicas, mas é, seguramente, uma iniciativa de efectividade comprovada e merecedora de enaltecimento em termos de segurança rodoviária.

Já agora, lembro-me também de uma curiosa reportagem que passou na TV há mais tempo ainda, sobre uma tosca imitação de radar, feita a partir de um tripé e de umas caixas coladas, que a GNR de Portalegre decidiu instalar junto á entrada sul da cidade. Receitas para a corporação? Zero. Diminuição da velocidade de passagem dos veículos, naquele ponto tão perigoso? Enorme!

Os mais cínicos dir-me-ão que apenas falo desta maneira porque fui multado há pouco tempo, mas a esses poderei mostrar um editorial do "Jornal de Azeitão", escrito há mais de três anos, onde defendi precisamente o que refiro acima: a exposição dos radares, mesmo quando falsos!

2005/03/15

Praga


Desculpem lá o hiato nos posts - acho que ando cansado. Isto passa, não se preocupem, mas sabiam-me bem uns dias fora.

2005/03/09

Diz-me o que fazes...

É curioso verificar como a vida académica pode influenciar definitivamente a maneira de ser de uma pessoa. A análise que farei a seguir baseia-se exclusivamente em observações pessoais e, portanto, subjectivas, pelo que as extrapolações poderão ser incorrectas ou injustas, apesar de me reportar a uma amostra de várias dezenas de pessoas. Mas, mesmo correndo os riscos que normalmente se correm quando se tenta generalizar, tenho reparado que:

Os advogados e juristas tendem a ser pessoas bem dispostas e, se não forem eles próprios donos de um sentido de humor fino, conseguem contudo perceber normalmente as subtilezas e ironias do discurso alheio. Por norma são cultos, ou pelo menos tentam cultivar-se, mas apresentam como desvantagem o facto de gostarem de passar a vida a invocar a sua profissão, e os casos com que se deparam no dia a dia. Se estiverem vários advogados juntos, então, o melhor mesmo é sair de mansinho.

Os arquitectos são normalmente pessoas que acham, lá no fundo, que este mundo é demasiado limitado para eles, pelo que tendem a ser incompreendidos eternos. São pessoas de trato agradável, mas o seu discurso resvala com facilidade para assuntos de teor mais etéreo, pressupondo que o interlocutor tem capacidade para acompanhar, o que nem sempre é verdade.

Os engenheiros costumam ser pessoas rigorosas e mais disponíveis para um humor simples do que para subtilezas "amaricadas". Gostam frequentemente de discutir questões em frente de um copo, e possuem uma inexplicável tendência para deixar crescer bigode, especialmente os do género masculino.

As pessoas que se formam nos cursos de Gestão ou Economia, talvez pelos elevados graus de exigência dos mesmos, acabam por se tornar algo solitárias, e até mesmo obsessivas em alguns casos. Não obstante, não deixam de ser pessoas agradáveis, e podem até tornar-se excelentes companhias, apesar de uma aparente insegurança que nunca os abandona.

Não conheço muitos médicos, mas parece-me que as características dos advogados se adaptam, mais coisa, menos coisa, a esta classe profissional, com especial ênfase ao facto de estarem constantemente a descrever-nos os pormenores da última operação que fizeram, de preferência enquanto jantamos.

Reclamações anyone?

2005/03/06

A primeira de muitas

Ontem foi um dia muito especial: o Lourenço participou, com 4 anos e um mês, no primeiro rali da sua vida. Tratou-se do Rali Alfasado, uma prova de regularidade histórica na região de Setúbal, e o mais importante é que o Lourenço, fazendo equipa com o pai e o seu fiel Alfa 1750 Berlina, ganhou redundantemente a prova. Isto quer dizer que o meu filho ganhou a primeira prova automobilística em que participou, com a idade de 4 anos.

Quanto ao resto, não consigo encontrar palavras para exprimir a alegria do meu petiz ao carregar dificilmente três taças nas mãozinhas, perante a desilusão de algumas dezenas de adultos.

2005/03/02

Se Louçã usasse saias...

Há bocado, meio irritado, pensei em especular sobre a quantidade e qualidade das frustrações que podem levar uma senhora, cujo pedantismo eu já tinha dificuldade em suportar, a escrever "que existe um laço afectivo diferente entre a mulher, que teve de carregar um feto na barriga durante nove meses, e o homem que se limitou a depositar nos ovários um montinho de espermatozóides". Mas depois achei que seria desperdício gastar prosa e espaço deste modesto blog com tamanha enormidade, e desisti.

2005/03/01

Filmes

Todos os anos a história se repete irritantemente: a indústria cinematográfica americana monta uma operação gigantesca de propaganda, e o resto do mundo assiste, embevecido, à suposta consagração dos "melhores filmes do mundo". Será que sou eu o único que acha que os Oscares apenas premeiam os "melhores filmes do mundo, desde que sejam americanos"?

Sim, já adivinho as objecções dos defensores da coisa: há uns anos atrás o genial Roberto Benigni foi premiado com "A vida é bela" (a propósito: nunca viram "O monstro"?), mas mesmo isso parece-me ter sido uma clara manobra de charme e de marketing dos responsáveis da Academia, para calar quem, como eu, acusa a cerimónia do Kodak Theatre de ser um mero exercício de auto adoração. E, se me vierem com o argumento de que os Estados Unidos são o país de origem de grande parte dos filmes de todo o mundo, eu respondo: então porque é que nunca aparece um filme indiano para amostra, sabendo que a Índia é o maior produtor cinematográfico do globo?

De resto, e se a cerimónia é tão internacional como a querem pintar, por que raio é que há um prémio para o "melhor filme estrangeiro"? Porque os americanos não são estrangeiros, claro!

A propósito, acabei de ver há mais de uma hora "Mar adentro", e a verdade é que ainda não consegui recuperar o fôlego - que sucessão esplendorosa de paisagens (a Galiza, meu deslumbramento...) e de histórias de amor. As escolhas são sempre injustas, mas se me perguntarem qual o amor que mais me tocou neste filme de culto, elegeria sem pestanejar o fraterno de José por Ramon. Alguém tem um lenço?

2005/02/27

Se o meu sangue não me engana...


É justo prometer a alguém que havemos de ir a Rialto ou a Triana?

Intimidades

Mais uma semana que se acaba, uma semana em que vivi mais uma série de experiências novas, algo em que a minha vida tem sido fértil nestes últimos tempos.

E, se há uma semana que acaba, há outra que começa, novinha, cheia de potencialidades e de perspectivas. Está bem que é menos uma semana de vida que nos resta, e visto dessa forma é deprimente, talvez; mas é também todo um mundo de hipóteses novinhas em folha que volta a ficar ao nosso alcance. O problema é que, lá para o fim de terça-feira, e se não tiver sucedido nenhuma das coisinhas que eu elegi como "bons acontecimentos" para estes dias, começo a sentir uma tristeza a invadir-me aos poucos, e o desânimo a tomar conta das horas e a fazer-me ansiar por melhores tempos - é o meu lado triste e negativo, mas que hei-de eu fazer?

2005/02/25

The female of the species is more deadly than the male!

É tudo a ajudar: o rádio do carro encravou e, como se não fosse bastante, ficou-me lá dentro com o "Spiders", dos Space, de que nunca me canso. Já espreitei bem fundo para dentro das entranhas do animal, mas ele encontra-se a digerir a coisa, e não parece dar sinais de se compadecer das minhas súplicas.

E agora, como faço para ouvir "how can heaven hold a place for me, when a girl like you has cast a spell on me"?

2005/02/21

Galiza


Queria estar aqui, e não sair nunca...

Eles divertem-se.

Se há coisa que me surpreende nesta fase, pós conhecimento dos resultados eleitorais, é a alegria do Bloco de Esquerda. Senão vejamos:

1 - Diziam que queriam tornar-se na terceira força política do país, e afinal continuaram no quinto lugar que, diga-se de passagem, já é muito mais do que merecem;

2 - O PS obteve, infelizmente para todos nós (inclusive para a maioria dos que votaram nele), uma maioria absoluta, pelo que é absolutamente irrelevante para a governação que o Bloco tenha 1, 3 ou 8 deputados, até porque Sócrates nunca pensará em "dar uma mão" a canhotos, tal é o pavor que tem do eleitorado do centro, aquela grande massa oscilante que decide as eleições;

3 - Resta pois, ao Bloco - e daí talvez a sua alegria - continuar a ser inconsequente, trauliteiro e demagogo, sabendo de antemão que nunca poderá comprovar na prática as atoardas que regularmente vai mandando ao país, sempre naquele tom arrogante de "nós-somos-os-únicos-intelectuais-cá-do-burgo"!

Deus guarde Portugal!

2005/02/19

Matemática e estatística

Se o CDS/PP tinha, nas sondagens para as últimas legislativas, cerca de 2% e até mesmo 1% das intenções de voto, e depois veio a obter nas urnas cerca de 8,5%, parece-me legítimo pensar que, a manter-se a mesma margem de erro, e já que todas as sondagens apontam agora para uma votação no meu partido de sempre de cerca de 8%, que o CDS/PP vai ter desta vez para aí uns 15% dos votos!

De resto, ainda continuo sem perceber que raio de perversão pode levar uma pessoa a votar em partidos que defendem a não utilização de armas pela polícia, mesmo na Cova da Moura.

2005/02/16

Apelo

Preciso urgentemente de um mês de férias, cheio de dias cinzentos e chuvosos, de uma casa em São Pedro de Moel bem aquecidinha e com vista para o mar, e de mais algumas coisas...

2005/02/09

Rosas

No dia 6 de Fevereiro de 2001, às primeiras horas da madrugada, nasceu o menino mais bonito do mundo, o Lourenço, meu filho. Nesse dia, depois de dormir umas poucas horas, comprei três rosas e levei-as para a clínica - três era o número de elos que, a partir dessa data, passava a constituir o centro da minha vida.

No dia 5 de Fevereiro de 2005 as três rosas murcharam. Desculpem as lágrimas no teclado. Não sei se fará sentido mais alguma coisa, inclusive continuar com este blog.

2005/02/03

Pipocas

Influenciado por diversas leituras apologísticas da coisa, decidi-me ontem a ir ver esse tão elogiado "Closer". Patético! Tal como em "Lost in Translation", assistimos aqui à demonstração prática de como se pode arruinar uma ideia óptima com uma sucessão de confrangedores e previsíveis clichés - por exemplo, o diálogo entre dois dos protagonistas logo no princípio do filme, na sala de espera de um hospital, é um descarado pastiche de um diálogo entre Samuel L. Jackson e John Travolta em "Pulp Fiction": "pigs are filthy animals...". Para rematar, não poderia deixar de estar presente o habitual moralismo - mas penso que é essa a única maneira de o público americano ver o filme e, principalmente, de o perceber.

Contudo, e como em "Lost in Translation", também aqui há uma coisa que se distingue do resto pela sua qualidade: parece-me que a banda sonora é divinal, apesar de não ter ficado até ao fim para ver a ficha técnica e saber quais os intérpretes. Mas acho que tenho que ir à FNAC uma destas noites.

2005/01/31

Cansado mas feliz!


Em A Rua, Galiza

Em Tuy, Galiza também

Neste momento em que vos escrevo estas breves linhas, a minha vontade é mais de cair na cama do que de qualquer outra coisa; de qualquer forma, sempre vos posso contar que, tal como previsto, passei o fim de semana no interior da Galiza a disputar o VI Rali de Invierno, um rallye de regularidade para viaturas clássicas, e, apesar de não ter conseguido manter o ratio de 1/1 de participações/vitórias do meu Alfa Romeo 1750 berlina, a verdade é que me parece que conseguimos obter um resultado bastante meritório: 19º da geral (106 participantes), 6º da classe (cerca de 30), 6ª equipa portuguesa (entre 51) e, principalmente, primeiros dos estreantes e dos poucos (se não os únicos, mas não consigo garantir) que não levavam qualquer aparelho auxiliar de medição quilométrica, para além dos que equipam de origem a própria viatura!

Mas, mais do que a classificação, confirmei as suspeitas que tinha de que a Galiza é um local maravilhoso, apesar das temperaturas negativas encontradas, e até de algumas tímidas amostras de neve. E também provei que, mau grado alguns "velhos do Restelo", e apesar dos seus 33 anos, o Alfa está "aí para as curvas", como bem provam os cerca de 2000 km feitos em 3 dias, muitos deles em ritmo rapidinho...

2005/01/23

Onomatopeia do amor

- É possível que duas pessoas se apaixonem sem que exista um clic dos dois lados?
- Sei lá, pá. Olha mas é para o mar e deixa-me ler o jornal!
- Sim, eu sei que é estranho, mas pensa lá: tem que haver um clic instantâneo, simultâneo, para que a relação entre duas pessoas possa funcionar?
- De que raio de coisa tu havias de te lembrar agora...
- Vá lá, dá-me lá a tua opinião.
- Bom, parece-me que tem que haver um clic, sim, mas, agora que me perguntas, não me parece indispensável que ele tenha que surgir em simultâneo.
- Achas?
- Sim; acho até que essas coisas só surgem em simultâneo nos filmes. Na vida real há sempre apenas uma pessoa que faz clic e que, a partir daí, passa a vida a tentar que a outra pessoa também faça clic - a tentar cativá-la; não leste "O Príncipezinho"?
- Li, claro; és capaz de ter razão. E quanto tempo deve esperar a primeira pessoa que fez clic pelo clic da segunda?
- Sei lá, bolas. Acho que depende da intensidade do clic da primeira. Se tiver sido uma coisa muito forte, pode esperar o resto da vida!
- O resto da vida?
- Sim, o resto da vida!
- E isso não será demasiado tempo?
- Se, como te disse, o clic tiver sido dos fortes, não!
- E se a pessoa esperar pelo clic da outra o resto da vida e ele nunca acontecer?
- Azar; mas ao menos provou, pelo menos a si próprio, o quão estava apaixonada.
- Sim, mas isso de nada lhe adiantou.
- O que é que queres que te diga mais? Não há explicação lógica, e ainda menos racional, para essas coisas. Mas também há casos em que vale a pena esperar, em que o clic da segunda pessoa surge ao fim de anos.
- Quer dizer que nos casos em que não há clic, não vale a pena esperar?
- Eu não disse isso. De resto, como é que sabes se vai haver clic ou não? Se te aconteceu um clic dos fortes, só te resta esperar pelo outro clic - e é claro que vale sempre a pena esperar, aconteça o que acontecer.
- Sim, mas quanto tempo devo eu esperar por esse clic, afinal de contas?
- Porra, não percebeste mesmo nada do que eu te disse!
- ...
- Olhe, sefáxavor! Traga-me uma tosta de frango e um galão com espuma.
- Diz-me lá: quanto tempo achas que devo eu esperar por esse clic da outra parte?
- Tu? Bom, se estás mesmo apaixonado, no mínimo o resto da vida. Agora deixa-me ler o jornal!
- O resto da vida?

Um pai de família tradicional

A aparente modernidade do Bloco de Esquerda só pode mesmo enganar os mais distraídos - é preciso não esquecer que, debaixo daquela capa de liberdade intelectual, dorme um bicho encostado ao radicalismo de esquerda, porventura o mais sanguinário e reaccionário dos fundamentalismos. Disso mesmo nos veio esta semana lembrar o seu líder, o super-demagogo Francisco Louçã, ao considerar publicamente que Paulo Portas não teria direito a ter opinião sobre o aborto por nunca ter gerado uma vida, ou por "não conhecer o sorriso de uma criança". Ficam também assim, por esta ordem de ideias, excluídos do mesmo direito à opinião, os simpatizantes e membros do seu grupo de trabalho homossexual, que devem dar bastante jeito para ir buscar mais uns votos e, principalmente, para compor um retrato de abertura espiritual do grupelho, mas que, na opinião do afinal tradicionalista e intolerante Louçã, não têm - nem podem nunca vir a ter! - conhecimento de causa sobre uma das mais folclóricas bandeiras daquela gente.

Mas, mais incrível e ilustrativo da cegueira intelectual e "encarneiramento" que grassa por aquelas bandas, é o facto de praticamente todos os aspirantes a "louçãzinhos" se babarem na defesa da argolada do mestre, com o "semi-guru" Teixeira Lopes a ensaiar mesmo indecorosas incursões por aquilo que considera ser a vida privada de Portas. Isto já não é apenas demagogia nem populismo - é doentia obsessão totalitária e mostra-nos novamente o quão perigosa se pode tornar a seita, assim os socialistas desta terra se lembrem de lhes dar boleia!

2005/01/20

On ne voit bien qu'avec le coeur!


Ainda há uns dias lia, num qualquer jornal, que, após um aturado inquérito a nível internacional, estudiosos haviam chegado à conclusão de que apenas cerca de 2% (dois por cento!) das mulheres se sentem bem com o seu aspecto físico. Não me admira, e atrever-me-ia até a dizer que, se a sondagem fosse extensiva ao género masculino, a percentagem de insatisfeitos não diferiria muito. No entanto, muitas das pessoas que se acham feias - ou pouco bonitas - são apenas e tão só vítimas da estereotipificação que todos os media e demais meios promocionais fazem da beleza. É por isso que todas as pessoas que não apresentem parecenças físicas evidentes com Gisele Bündchen ou George Clooney tendem a andar deprimidos e a amaldiçoar a sua sorte.

Dito isto, só podemos mesmo enaltecer a nova campanha da Dove que, na senda do que tem feito ultimamente, volta a mostrar mulheres reais nos seus anúncios - afinal, elas são 98% do seu mercado!

2005/01/18

Crise

Desculpem lá, mas a disposição para escrever aqui não tem sido a melhor, a inspiração também foi de férias, e, por isso, a produtividade tem sido nula. Importam-se de esperar mais um bocadinho?

2005/01/12

Ciao, Fabrizio Meoni


E adeus também a Gilles Lalay, John Deacon, Manuel Pérez, Richard Sainct, e a tantos outros. Percebem agora porque é que eu digo que, apesar do meu (modesto) passado motociclístico, nunca correria o Dakar?

2005/01/10

Recaída


Identificação do problema: um Mercedes Benz 350 SLC, de 1973, igual a este, mas de cor champagne, caixa automática, ar condicionado, à venda aqui perto...

2005/01/08

Como criar o blog mais visitado da blogosfera nacional:

Fazer uns copy pastes de algumas coisas mais ou menos crípticas e, principalmente, desconhecidas, polvilhar com uns quadros e fotos de vez em quando, usar sem parcimónia toda a correspondência de leitores recebida e, muito raramente, escrever algo de original.

Mas não é só "palha", convenhamos; foi através do Abrupto que descobri esta coisa da Geoloc que, para já, me está a deixar entusiasmado.

2005/01/06

Futurologia

O país depois de 20 de Fevereiro:

Depois de uma campanha sinuosa, em que a frase mais ouvida será "eu nunca disse isso", o PS ganhará finalmente as eleições, mais por demérito do adversário do que por mérito próprio. Sócrates assumirá então o cobiçado lugar de Primeiro Ministro, mas o facto de apenas dispor de uma maioria relativa não o deixará instalar todos os boys necessários para um bom controle do aparelho. Desorientado, abandonará o cargo (muito) antes do fim do mandato, deixando-nos como mensagem "eu não sei andar nisto!".

Canibalizado por dentro, o PSD lutará até ao fim, mas não será suficiente, mesmo tendo em conta a debilidade intelectual do principal adversário. Santana Lopes apresentará a demissão de líder do partido, ainda nessa noite, e deixará aos ressabiados que minaram o seu trabalho a responsabilidade de fazer melhor. No entanto, os Pachecos, Marcelos e Cavacos do PSD ainda demorarão a perceber que existe vida para além do seu umbigo, pelo que se seguem tempos difíceis para o partido. Triste, muito triste...

O CDS prosseguirá tranquilamente o seu caminho, mostrando ao país que é o único partido com um projecto coerente e estruturado para o poder. Depois de uma campanha em que vai tirar dividendos óbvios do excelente trabalho efectuado pelos seus ministros, obterá um resultado histórico, ultrapassando os 10%, e provavelmente chegando aos 20 deputados (não obstante, as sondagens dar-lhe-ão sempre cerca de 3 a 4%, como de costume). Mas, mais importante do que isso, o partido assumir-se-á finalmente como uma opção credível para disputar a vitória em eleições legislativas num futuro talvez não tão longínquo como alguns pensam.

Aproveitando da melhor forma a desilusão e o marasmo que grassam no país, o BE voltará ao seu discurso demagógico, inconsistente e inconsequente. No entanto, a sua atitude trauliteira granjeia-lhe cada vez mais adeptos entre o povo português (vide comportamento dos nossos automobilistas), pelo que não será de admirar se conseguirem chegar aos 4 tachos - digo, deputados.

Tendo que descontar do seu eleitorado cativo as pessoas já falecidas, a CDU deverá quedar-se pelos 5 deputados, ou menos. No entanto, todos estamos ansiosos por ouvir Jerónimo de Sousa na Assembleia, e - porque não? - vê-lo ensaiar alguns passos de dança.

Manuel Monteiro tem fortes possibilidades de se tornar o líder político mais popular no seu prédio.

Depois conversamos.

2005/01/05

Aprendam:

Quem se mexe muito fica sempre mal na fotografia!

2005/01/04

Derivas e derrapagens

Segundo tenho ouvido, existem telenovelas cujos primeiros episódios começam a ser exibidos sem que o final da série esteja ainda pronto, ou sequer programado; destina-se este procedimento a, através de sondagens de opinião, ir aferindo o grau de receptividade que o enredo está a ter junto do público e, caso seja necessário, alterar o rumo dos acontecimentos por forma a agradar a esse mesmo público. É assim possível que uma personagem que teve um sério acidente e se encontra em coma há uns meses - à espera dos resultados da tal sondagem - ressuscite ao fim de alguns episódios para vir a casar com a heroína (essa ou a outra).

Ora, o comportamento da liderança do Partido Socialista, nestes dias que antecedem uma campanha que se quer esclarecedora, têm-me feito lembrar essa forma de seguir, "ao sabor das ondas".

Primeiro, Sócrates lembrou-se de desenterrar o fantasma da co-incineração, pela qual se bateu para lá do razoável enquanto Ministro do Ambiente, e prometeu retomar o processo; contudo, várias entidades, entre as quais as "chatas" das populações dos sítios então designados para a instalação dos aparatos, vieram desde logo a terreiro lembrar-lhe que a coisa não é assim tão pacífica (a propósito, um destes dia ainda hei-de comentar aqui aquilo que considero ser uma negociata escandalosa para viabilizar por mais uns anitos o cancro que constitui a fábrica da Secil no Outão, no meio da Serra da Arrábida). Bom, confrontado então com esta falta de entusiasmo, logo o putativo Primeiro Ministro se apressou a esclarecer que afinal não era bem assim, que se iriam estudar as várias opções, patati, patatá.

Ontem, foi um porta-voz dos socialistas, cujo nome agora me escapa, que considerou como plausível o aumento da taxa do I.V.A. para os 20%, como forma de amealhar receita para a reposição dos benefícios fiscais aos Planos Poupança-Reforma. Em pânico, pelas consequências que um anúncio destes poderia trazer em termos eleitorais, lá veio hoje novamente Sócrates (não há lá mais ninguém?) dizer que era uma falsidade, que ninguém tinha afirmado isso, e o arrrazoado do costume.

Se isto é assim e ainda não chegaram ao Governo, Deus nos livre de os ver lá. É que o último deles que por lá andou também era especialista em zigue-zagues e recuos - e deixou o País como se sabe!

2005/01/03

Comentário mais snob (até agora) de 2005


Não se consegue comprar nada decente nesta terra; levem-me a Londres urgentemente, por favor!

2005/01/02

Ano velho, ano novo

Bom, este já passou; o que é que se segue?

2004/12/30

Os melhores e os piores de 2004 (IV)


Tipa mais gira:
Continua a ser Gwen Stefani, desculpem lá - olhem-me para aquela boca, aquele sorriso, bolas!

Os melhores e os piores de 2004 (III - Suplemento desportivo)

Melhor equipa nacional de futebol:
Vitória de Setúbal, claro!

Melhor equipa internacional de futebol:
Não faço a mínima ideia.

Melhores pilotos de automóveis, nacionais e internacionais:
Sebastien Loeb, Alex Zanardi, aquele puto finlandês da fórmula 3 inglesa, que ganhou a Corrida dos Campeões, Rui Madeira e Armindo Araújo.

Melhor navegador de rallies:
Eu.

Acontecimento desportivo do ano:
A primeira vitória do meu Alfa Romeo 1750 berlina, no Rally Cidade de Almada.

Fenómenos mais estúpidos e que menos têm a ver com desporto, apesar de se quererem desesperadamente fazer passar por manifestações aparentadas:
Tuning (ou street racers, a porcaria é a mesma, por muito que tentem separar - quem não quer ser lobo não lhe veste a pele), claques de futebol (todas) e palhaços afins.

2004/12/29

How fragile we are...


O sueco Carl Michael Bergman segura seu filho Hannes, de 1 ano, enquanto procura notícias de sua esposa, Cecilia Bergman, desaparecida em Phuket, na Tailândia. Foto: David Longstreath/AP

Resoluções para o próximo ano

Para além das banais (dieta, exercício, ter mais tempo para mim e para a família, etc., etc.) não me consigo lembrar de mais coisas realmente importantes. Sugestões anyone?

2004/12/27

Os melhores e os piores de 2004 (II)

Tipos mais insuportáveis e intragáveis, mas que pensam que são engraçados:
Nilton e José Carlos Malato.

Intimidades

2004 foi um ano em que não aconteceram muitas coisas que deviam - ou podiam - ter acontecido, mas em que aconteceram demasiadas coisas que nunca deveriam ter acontecido. Desculpem a cacofonia desta frase, bem como a sua redundância à la Palisse; em boa verdade poder-se-ia dizer o mesmo de qualquer outro ano, fosse qual fosse a perspectiva. Mas a verdade é que deixo 2004 com um sabor amargo na boca, com algum desânimo - o desânimo que sente quem luta por algo em que acredita, mas que cada vez está mais distante de o conseguir. Uma falta de forças, um soçobrar para o qual - sou franco - não vejo grandes saídas.

Resta-me, pois, encomendar tudo aquilo por que luto nas mãos de Alguém maior que todos nós, e acreditar puerilmente que o simples virar de uma página de calendário poderá constituir a panaceia para todas as minhas dúvidas, angústias a ansiedades - e, assim como o desejo para mim, faço também votos de que o novo ano traga a todos, se não aquilo que sabem que merecem, pelo menos os meios e a força anímica para lutar por isso!

Feliz ano de 2005!

2004/12/23

Os melhores e os piores de 2004 (I)

Nota prévia: este não é um post sobre os melhores acontecimentos ou lançamentos de 2004, mas sim sobre aquilo que mais me marcou neste ano. Por exemplo, um CD ou livro aqui citado tanto pode ter sido lançado o ano passado como no século XV. Além disso, esta subjectiva lista fica desde já aberta a alterações, sugestões e aditamentos.

Melhores livros lidos:
"O cão amarelo" de Martin Amis, "Eu, Lúcifer" de Glen Duncan, "O vendedor de passados" de José Eduardo Agualusa, "64 Contos" de Rubem Fonseca (leitura em curso) e "O caminho para Marte" de Eric Idle.

Melhores CDs ouvidos:
"Lowedges" de Richard Hawley, "Paper monsters" de Dave Gahan, "The Libertines" dos The Libertines e "You are the quarry" de Morrissey.

Melhor música ouvida:
"Yoshimi battles the pink robots" dos Flaming Lips.

Melhores fimes vistos:
"Antes do anoitecer", "Wilbur quer matar-se" e "21 gramas".

Melhores blogs:
O Acidental, Controversa Maresia, Fora do Mundo, Homem a dias, Papoila, Quase Famosos,Tangos e Valsas e A vida dos meus dias.

Melhores sítios para se estar:
Serra de Sintra, esplanada do Fresco (Zambujeira do Mar), Confurco (Fafe), aquele bar junto à estátua do homem do leme na Foz do Douro (como é que se chama, Pedro?), Ericeira e Portinho da Arrábida.

Tristes figuras públicas do ano:
Jorge Sampaio, José Pacheco Pereira, Barnabé, Marcelo Rebelo de Sousa e o jornal Expresso.

Político do ano:
Paulo Portas, de longe.

Publicações do ano:
O Independente, Octane e Retro Course.

Melhores restaurantes:
Ancora em Sesimbra, Sacas na Zambujeira do Mar, Casa Sapo em Penafiel, Peixe na Telha em Porto de Galinhas (Brasil), Lebrinha em Serpa e Azeitão em... Azeitão.

Piores momentos do ano:
As despedidas da Susana e da Inês, e o terrível acidente do meu amigo P.H. há uns dias atrás.

Está tudo certo!

Ontem, no Colombo, vi um carro do tuning estacionado no local reservado aos deficientes. Parece-me justo; não são só os deficientes motores que devem ter direito a tratamento preferencial - os deficientes mentais também passam graves provações.

2004/12/22

Boas festas

Gostaria de aproveitar este espaço para informar todos os meus amigos e familiares a quem costumo enviar postais de boas festas que, este ano, por manifesta falta de tempo, não tive oportunidade de o fazer, pelo que peço as mais encarecidas desculpas; comprei uma "catrefada" de postais, mas lá continuam, ao lado do computador de casa, provavelmente à espera do Natal de 2005 e de tempos menos conturbados.

De qualquer forma, e sem prejuízo dos votos que enviarei por outras vias, não queria deixar de desejar a toda as pessoas que conheço, bem como a todos os que lhes são queridos, um Santo e feliz Natal, e um ano de 2005 bem melhor do que o de 2004.

2004/12/20

Quando temos quarenta anos:

- Preferimos os domingos de manhã aos sábados à noite;

- Emocionamo-nos com coisas sem importância, como ouvir "Marliese" no rádio;

- Temos medo de já não termos tempo para ler tudo o que nos falta ler;

- Passamos semanas seguidas sem ligar a televisão;

- Gostaríamos de comprar todos os carros velhos que vemos na rua, mesmo os abandonados;

- Compramos uma bicicleta de montanha e decidimos que é melhor levar uma vida mais regrada;

- Começamos a bocejar a partir das onze da noite;

- Tornamo-nos muito mais selectivos, e deixamos de nos importar com o que a maioria das pessoas pensa sobre nós;

- Tomamos enfim consciência de que não vamos realizar nem metade dos projectos que tínhamos para a nossa vida, mas percebemos também que não vamos ter segundas oportunidades - o que há a fazer, tem que ser feito agora!

2004/12/18

Mujer soñando su evasión

Gentlemen drivers


A partir de hoje, e até finais de Janeiro, figurará aqui no cantinho direito do blog, junto a um motivo adequado à quadra, o logotipo do Rali de Invierno, próxima prova em que participará este vosso escriba, ao volante do seu fiel Alfa Romeo de 1972. Eu sei que isto pouco ou nada vos deve interessar, mas sempre acrescento que se trata de um rally disputado na Galiza, nos dias 28 e 29 de Janeiro, e que terminará já em território nacional, na Póvoa do Varzim, depois de uma prova de slalom no Porto. Como bombom especial para os saudosistas dos rallies "a sério", de realçar que a maior etapa se disputará quase integralmente de noite o que, a juntar ao estado das estradas de montanha, previsivelmente com neve, promete sem dúvida sensações fortes!

Pensamento fútil

Casamentos e jantares de Natal: até são giros da primeira vez, toleram-se da segunda, e depois passa-se a amaldiçoar quem os inventou - com excepções, claro.

2004/12/15

Parábola

Um brasileiro, pobre como os seus conterrâneos, está sentado na praia, a olhar para aquele mar deslumbrante. De repente chega um português que o observa durante uns momentos e, por fim, não resiste:
- O que você está fazendo aí?
- Estou olhando o mar.
- Mas você podia aproveitar esse tempo que está aí, sem fazer nada.
- Como assim?
- Bom, você podia comprar uma cana de pesca, pôr-se a pescar...
- Sim...
- Aí você apanhava um peixe, ia na vila, vendia...
- E aí?
- Aí você comprava mais duas ou três canas, voltava para aqui, apanhava três peixes, vendia. Em breve você podia comprar seu próprio barco para pescar no mar, e depois mais barcos, você podia ficar rico!
- E o que eu ganhava com isso?
- Então, depois você podia vir para aqui, sentar-se na areia e ver o mar.
- Mas eu já estou sentado na areia vendo o mar!

2004/12/10

Balanço quantitativo, até agora, de umas férias além mar

Temperatura: trinta e tal.

Temperatura da água do mar: vinte e sete, mais ou menos.

Caipirinhas ingeridas: algumas.

Mergulhos: muitos.

Constipações: uma.

Escaldões: um.

T-shirts compradas: nem sei bem.

Picanhas, vatapás e moquecas: mais do que devia.

(Sujeito a actualizações)

2004/12/06

Brasiú


Só para informar que, depois de muito ter criticado, o autor deste blog acabou por se render e embarca amanhã para este hotel (aquilo lá ao fundo é a praia, acho...), onde conta permanecer uma curta mas retemperadora semana; mais se informa que as férias são basicamente profissionais, o que significa que o blog não se encontra necessariamente de férias - tudo depende de conseguir encontrar ou não uma ligação à net lá do outro lado do Atlântico.

Fiquem bem.

2004/12/03

Neighbours

É bem sabido que cada pessoa tem as suas fobias, mais ou menos idiossincráticas - e a minha, confesso, são reuniões de condomínio. O simples facto de ver um papel novo afixado na entrada do prédio enche-me de suores frios, mas normalmente respiro fundo quando vejo que se trata apenas de mais um anúncio a uma empresa de reparações de esquentadores.

Não é o caso desta vez; está já confirmada a realização de nova reunião para a próxima semana, mesmo na véspera da minha travessia atlântica, e não tenho como me esquivar de mais umas catárticas horas, regra geral pouco ou nada producentes, de discussões sobre a luz da escada, o portão da garagem e outras transcendentes questões de supra importância. Será normal que, com uma semana profissional preenchida com problemas para além do razoável, a única coisa que me cause permanente ansiedade seja uma reunião de vizinhos daqui a uns dias? Necessitarei de ajuda médica?

2004/11/30

Amigos outra vez

Que o trabalho deste governo não tem sido dos mais organizados, já se sabia. Mas também que, desde que ele foi empossado - legitimamente, sublinhe-se - toda a gente iniciou um implacável "tiro ao boneco" que só tinha por única finalidade impedir qualquer possibilidade de trabalho sério, também é uma insofismável verdade - e quando digo "toda a gente", incluo aí grande parte dos correligionários de Santana Lopes, com um sentido de militância partidária abaixo de duvidoso.

Por outro lado, sempre foi uma evidência que Jorge Sampaio ficou triste e magoado por, em Julho, ter respeitado a lei e a Constituição mas, com esse procedimento, ter perdido a amizade e a admiração dos seus oportunistas compagnons de route. Portanto, a toda a hora se previa que Sampaio aproveitasse a mínima oportunidade para inverter a situação e recuperar a autoridade antes detida entre a esquerda. E não podia haver motivo mais pífio: a demissão de um ministro, por motivos expressamante de diferenças pessoais - e não políticas - serve para o Presidente demitir todo um governo. Isto nem numa república das bananas!

Não haja aqui ilusões: a manobra estava urdida há muito - porque é que Sócrates, no passado domingo, não pediu a cabeça de Santana Lopes, como os seus amigos radicais de esquerda, e preferiu confiar candidamente no Presidente? Porque sabia que podia confiar, claro. E Sampaio não o desiludiu: em questões absolutamente caricatas descobriu o pretexto de que necessitava - um pouco como a fábula do lobo que come o carneiro porque este suja a água que aquele bebe: "se não foste tu, foi o teu pai!". Só não precisava de ser tão descarada a ânsia justiceira!

E dariam vontade de rir se não fosse tão infames, as imagens de Louçã perante as câmeras de televisão afirmando que Santana Lopes não tem legitimidade para governar porque, nas últimas eleições, o povo não votou maioritariamente PSD; "esquece-se", convenientemente, de dizer que as últimas eleições foram para o Parlamento Europeu, pelo que é absolutamente falaciosa e dolosa a declaração. Talvez as coisas se passassem doutro modo na Albânia ou na Coreia do Norte, para onde deveria ser rapidamente exportado esta personagem de ópera-bufa - mas aqui é Portugal que, por muito que a esquerda tente usurpar o poder com jogadas baixas, continua a ser uma democracia!

2004/11/29

Caramulo


O que o Lou delirou este fim de semana!

2004/11/25

Mamma mia!

Conhecem um franchising duns restaurantes chamados Mille Paste? Não? Então não queiram conhecer, pois a adição é imediata. Esta semana, em que queria recomeçar a dieta, já lá fui duas vezes!

P.S. aos senhores do dito restaurante: Eu sei que este blog não é dos mais vistos, mas esta publicidadezinha já devia valer um almoço, não?

2004/11/22

Fora da lei

Por vezes a audição atenta das notícias revela-nos coisas extraordinárias; foi o que aconteceu comigo esta manhã. Na rádio, um responsável da Associação Sócio-Profissional da Polícia, de cujo nome não me recordo, afirmava que a marcação de uma greve de polícias era uma hipótese a equacionar para resolver não sei que diferendo que eles têm com o Governo. Quando confrontado pelo repórter com o facto de ser legalmente vedado aos polícias o direito à greve, esse tal (ir)responsável respondeu que, uma vez que, na sua opinião, o Governo não estava a respeitar a lei, eles, polícias, também não se sentiam na obrigação de a cumprir.

Ora, isto é simplesmente fantástico; extrapolando, podemos concluir então que um polícia, sempre que lidar com alguém que deveria cumprir a lei (o que, no fundo, é a obrigação de todos os cidadãos) mas não a cumpre, sentir-se-á automaticamente desobrigado dos seus deveres legais. Ou, trocando por miúdos, eu assalto um banco e, uma vez que não estou a cumprir a lei, o polícia, solidário comigo, e sentindo-se assim isentado das suas obrigações legais, deixar-me-á ir em paz!

2004/11/17

Aprilia Motó 6.5, by Phillipe Starck


Eu sei que acham isto feio, pouco prático, patati, patatá, mas ainda gostava de algum dia poder vir a ter uma moto destas; aliás, isto não é uma moto - é um statement!

2004/11/16

Não dou autógrafos!


Se me quiserem ver na próxima sexta à noite, e sábado todo o dia, vão até ao Algarve, zona da serra de Monchique, e procurem bem na bacquet do lado direito do Citröen n.º 20. Mais detalhes aqui.

Em desespero de causa:

Video do americano degolado/decapitado, filme do Alexandre Frota a fazer sexo com a Ana Afonso num palheiro, fotos de Isabel Figueira nua, Alexandra Lencastre video sexy, o filme de Tomás Taveira, fotos de Zezé Camarinha e das inglesas, freiras lésbicas, pinguins hermafroditas, José Castelo Branco travesti.

Se isto não fizer disparar o sitemeter, não sei o que fará!

2004/11/15

Blackout

Desculpem lá insistir nisto, mas podiam explicar-me outra vez por que raio não comentam o que escrevo? Será que tem pouco interesse? Ou são os meus leitores que são muito envergonhados? Ou será que tenho que passar a falar de coisas "mais interessantes", como a Quinta dos Famosos ou os jogos do fim de semana?

2004/11/14

Insuportáveis

Se há gente mais difícil de aturar do que recém-licenciados em direito, são tios babados, daqueles que começam todas as conversas por: "sim, mas o meu sobrinho...". Mil vezes pior que pais babados!

2004/11/10

Nojo

Theo Van Gogh, realizador holandês cujo último trabalho foi "Submission", um filme-documentário sobre o modo como vivem as mulheres muçulmanas, foi morto esta semana por um extremista islâmico que, como muitos dos seus pares, não apreciou a performance e o desassombro. É conhecida a tendência da esquerda para compreender (a partir do conforto do seu T3 em Telheiras) a complexidade e as idiossincrasias doutras culturas e mentalidades, mesmo que essas "culturas" incluam espancamentos, excisões, castrações, casamentos forçados e toda a panóplia conhecida - no fundo, trata-se apenas de justificar a ancestral sanha anti-ocidental. Não é, por isso, de estranhar que num post recente do Barnabé se procure de alguma forma isolar o acto do assassino (ou activista, se preferirem) - como se nós não soubéssemos que existem outros milhões de muçulmanos cujo único sonho é exterminar toda a civilização ocidental, apenas porque existe.

Mas não é assim que a esquerda pensa; para além do já de si deplorável escrito do Barnabé, nos comentários subsequentes surge um cretino que escreve o seguinte:

"... E quem começou, não foram os islamitas que mataram o Van Gogh. Quem começou, foi o Van Gogh, o seu amigo Pim Fortuyn e toda a cambada da extrema direita, com as campanhas de racismo e de intolerância. Quem semeia ventos, colhe tempestades..."

E outro, tão ou mais estúpido que o anterior, que escreve (e não é, garanto-vos, em tom irónico):

"Afinal Van Gogh era um porco racista e fascista que teve o que merecia... Este último artigo do Le Monde ajuda-nos a compreender o que se passou. Theo van Gogh era um provocador próximo da extrema-direita e do também assassinado líder desta, Pym Fortuyn."

É por isso que não posso concordar com o Luciano Amaral, nem tampouco com o Pedro Marques Lopes; o post acima referido não é imbecil nem infame - é apenas típico da esquerda e simplesmente desprezível (não confundir com desprezável - que não é), e mostra-nos mais uma vez - se vezes fossem precisas - as muitas e perigosas limitações intelectuais e culturais da tribo; cego é aquele que não quer ver!

Que fiz eu para merecer isto?

Porque é que, quando vou a Madrid, tudo aquilo me parece tão familiar, e estou sempre à espera de ver aparecer a Kika com a sua equipa de reportagem (e o seu soutien Gaultier, porque não?) por detrás de uma esquina?

Lindo, não é?

Do You Realize - that you have the most beautiful face
Do You Realize - we're floating in space
Do You Realize - that happiness makes you cry
Do You Realize - that everyone you know someday will die

And instead of saying all of your goodbyes - let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun don't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round


Isto não me sai da cabeça por estes dias!

2004/11/08

Dias Atlânticos

Que ricos dias para não se fazer nada - ou então para só se fazer aquilo que apetece, o que ainda é melhor, não acham?

2004/11/04

Sugestões da semana

Depois de uma leitura ultra-rápida (uma semaninha, nem mais um segundo) do super-extraordinário-viciante (os adjectivos não são meus - são só alguns dos que tenho ouvido repetir à saciedade) "Código Da Vinci", de qualidade literária discutível, mas bem construído, ao jeito de uma telenovela, de forma a deixar sempre o leitor suspenso da continuação, depois disso, dizia, e para desintoxicar, pus hoje no cabaz de compras - e já comecei a ler - "Yellow dog", de Martin Amis. O que é que querem? Sou um addicted desta nova escrita inglesa, assim "tu-cá-tu-lá".

Para leituras mais ligeiras, a edição de Novembro da "Octane" , que ameaça transformar-se apenas na melhor revista inglesa de automóveis clássicos - e isto não obstante somente contar pouco mais de um ano de existência. Neste número destaco especialmente os artigos de Rowan Atkinson e Jay Leno (sim, sim, esses mesmos...) sobre as suas paixões pelos carros antigos; lendo-os, talvez se consiga perceber - ou talvez não - muito do fascínio que se pode sentir por algo que para muitos não passa de "um pedaço de sucata".

No leitor de CDs, outra sugestão superlativa: Dave Gahan e "Paper monsters". Está bem, a gente já sabia que o homem era bom desde o tempo dos Depeche Mode, mas, acreditem, este álbum é mesmo muito bom! Já agora, e a propósito, deixo aqui uma pergunta a quem me puder responder: as fotos que surgem no inlay deste álbum foram tiradas em Lisboa? É que lá não surge informação, acho eu, mas que parece, parece.

Por fim, para ver com olhos de sentir, "Before sunset" (em português, discutivelmente, "Antes de anoitecer"), um filme simplesmente perfeito sobre o (desculpem o palavrão) amor. A sequência final, no apartamento de Céline, é dos mais belos nacos de cinema que me lembro de já ter visto - ou então sou eu que estou a ficar sentimentalão. De qualquer forma, apressem-se, pois cheira-me que um filme com tão pouca acção, e passado em real time, não se vai conseguir aguentar muito tempo em cartaz. Na sessão a que fui éramos cinco.

Bom proveito, e não precisam de agradecer.

2004/11/02

Campeões!

Eu, que já bastas vezes demonstrei aqui não apreciar grandemente futebol, dou agora comigo a ponderar seriamente a hipótese de ir no fim de semana ao Estádio da Luz, só para ver o "meu" Vitória de Setúbal a assumir isolado o comando do Nacional de futebol - assim arranje companhia para tal. Dá para acreditar?

2004/11/01

O Porto (também) me mata!

Resumo gastronómico de um fim de semana no Porto e arrabaldes:

- Uma deliciosa francesinha na Cufra;

- Um excelente jantar na Casa Sapo (devia ter sido almoço, mas não foi possível);

- Um copo e dois dedos de conversa na Foz, num bar lindo, com cheiro e sabor a mar;

- Uma quantidade estúpida de calorias ingeridas, e a vontade de regressar a uma dieta rigorosíssima!

Balanço: excelente!

2004/10/28

Quem vem atravessa o rio...

Já tinha saudades do Puârto, carago; amanhã vou para lá e só volto domingo. Vou-me voltar a perder, as usual, nas suas ruas. Mas faz parte...

2004/10/27

Dúvida


Gostava de saber por que razão as mulheres (em geral - não digo que não haja excepções) consideram aceitável comprar umas botas Pablo Fuster que custam o equivalente ao Orçamento Geral do Estado de um qualquer país centro-africano, mas acham um desperdício o investimento num magnífico Porsche 911 a um preço espectacular.

2004/10/26

Quero o meu dinheiro de volta!

Afinal onde é que está esse famoso vendaval de que toda a gente falava? Uma pessoa a sonhar com a chuva e o vento a assobiar nas portadas do hotel, e sai-nos este tempo assim assim. Não se faz!

2004/10/23

O céu tem duas estrelas!

Apesar de hoje ter sido o dia do meu aniversário, este foi também, provavelmente, um dos mais tristes dias que eu me lembro de ter vivido: vítima da leucemia, foi-se embora hoje, com 16 anos, a Inês, filha do meu amigo L. - e, por isso, as coisas perderam sentido.

2004/10/18

Finalmente chove!


Pode-se lá pensar num tempo mais inspirador? Um dia nas Azenhas do Mar, na Ericeira, em São Pedro de Moel - anywhere by the ocean! - com esta chuva, poderia ser um pedaço do Céu!

Madrid me mata!

Quem diria que três míseros dias alimentado a tapas y cañas provocariam tamanho desvio na dieta? Malditos pimientos padrón e boquerones!

2004/10/17

Boa semana


Já viram uma pintura de Roy Liechtenstein de perto? Vale a pena, acreditem.

2004/10/14

Adios


Y mañana me voy a Madrid. Hasta Domingo!

Nem de propósito!

Eu ontem a falar da Baja de Portalegre, e hoje chovem telefonemas para ir participar, como navegador (what else?), na edição deste ano, já no próximo dia 23, data em que este vosso escriba celebrará, se Deus quiser, o seu quadragésimo primeiro ano de vida!

Só falta saber o número de participação, mas assim que souber mais pormenores, deixá-los-ei aqui para permitir aos magotes de admiradores identificar - malgré la vitesse - o carro onde vou.

2004/10/13

Cantinho vaidoso

O piloto de motos francês Richard Sainct morreu há cerca de duas semanas, em consequência de uma queda, quando disputava o Rally dos Faraós, no Egipto. Não houve testemunhas do acidente, e o alerta foi dado pelos pilotos que o seguiam. Sainct ainda foi assistido no local, mas chegou já sem vida ao hospital. Era, sem dúvida, um dos melhores pilotos de motociclismo todo-o-terreno do mundo, como provam as suas três vitórias no Rally Paris Dakar, ou na Baja de Portalegre, em Portugal. Tinha 34 anos, era casado e pai de dois filhos.

Esta é a frieza da notícia que nos chegou há uns dias. Mas, para todos aqueles que, como eu, cresceram com o vício dos desportos motorizados enraizado no corpo, trata-se de mais uma machadada nas nossas crenças, mais uma dúvida sobre o sentido das coisas.

Faço aqui agora uma interrupção neste post para referir que a parte que se segue é eminentemente narcisística, e relativamente apologística da minha pessoa, pelo que, quem não apreciar o estilo, poderá quedar a sua leitura por aqui e esperar que eu volte a publicar posts mais generalistas.

Pois bem, na primeira metade da década de noventa, também eu tinha a mania que sabia andar de moto. Em 1993 disputei todo o campeonato Nacional de todo-o-terreno, incluindo as míticas Bajas Portalegre 500 e Portugal 1000. Nestas provas, organizadas pelo Clube Aventura, era frequente o seu director, José Megre, endereçar convites a pilotos estrangeiros para abrilhantar o plateau; entre estes pilotos, encontravam-se precisamente Richard Sainct ou Ciryl Esquirol em início de carreira, mas também alguns "trutas" já consagrados, como Thierry Magnaldi ou Stéphane Peterhansel. Foi, pois, assim que eu tive oportunidade de competir directamente com vários dos melhores pilotos do mundo, entre os quais precisamente Sainct, que viria a ter a carreira de sucesso e desgraça que agora conhecemos.

Bom, "competir directamente" será certamente um eufemismo, já que eles "voavam baixinho", enquanto eu lá ia contando todos os buracos do percurso com as rodas da minha moto, quando não com o corpo - era rara a prova no final da qual eu não tivesse pelo menos uma boa meia dúzia de quedas, e outro tanto de arranhões e nódoas negras, para contabilizar. Mas lá ia fazendo o que podia com a minha fiel Yamaha 125, talvez a moto mais antiga da classe em que competia, as 125 de série. E a minha tenacidade e espírito de sacrifício naquela altura lá deram os seus resultados: a verdade é que, dos cerca de quarenta pilotos classificados nesse ano, eu fui o único a concluir todas as provas, o que me valeu um muito razoável (para as minhas expectativas) quarto lugar final no Campeonato.

Na altura tinha começado o boom de participações de pilotos portugueses no Paris Dakar, pelo que, ao saber do meu resultado e, principalmente, da minha regularidade, o meu amigo Pedro Amado me convidou para integrar um projecto que ele e o Bernardo Villar andavam a montar. Era uma coisa ambiciosa: eles os dois, já com razoável experiência de deserto, participariam na edição de 1994 ao volante de Yamaha 750 bicilíndricas, mas o projeto contemplava ainda a participação de mais quatro Yamaha 660 monocilíndricas para "aguadeiros", nome dado aos pilotos que também participam na prova, mas com a principal finalidade de prestarem assistência rápida aos seus chefes de fila. E foi precisamente para conduzir uma dessas motos no Dakar que o Pedro Amado me convidou.

Há dez anos atrás, é fácil imaginar a excitação que se seguiu na minha cabeça. Felizmente, penso eu agora, os patrocínios não chegaram (a futebolite aguda é uma doença antiga), e o projecto nunca se concretizou. Mas ainda há aqui uma partezinha de mim que sonha com o deserto - quem lá vai fica apaixonado para a vida. No entanto, tudo o que conheço é um vislumbre do Saara marroquino, e acho que me vai chegar até ao fim dos meus dias. Na altura teria pago de bom grado para ir correr no deserto, mas a verdade é que hoje, nem que me oferecessem a conta bancária de Bill Gates, me conseguiriam convencer a participar!

2004/10/10

Inveja


Augustus John, na Tate Gallery, Londres, até 9 de Janeiro. Já não chego lá a tempo.

2004/10/07

E já agora:


É só para lembrar que faço anos daqui a pouco mais de duas semanas, e no ano passado ninguém se lembrou de me oferecer um Morgan...

Celebridades

E de novo o país real se agita - nos intervalos de um freak show rural - em redor de um não-acontecimento, repentina e habilmente transformado em facto político: o grandiloquente Marcelo Rebelo de Sousa ("professor Marcelo", para os íntimos) deixa voluntariamente o seu domingueiro posto opinativo na sequência, ao que parece, de algumas críticas que a si foram dirigidas pelo ministro Rui Gomes da Silva. Mas vamos por partes:

R.G.S. mais não fez do que expressar publicamente um sentimento que há muito atravessa a cabeça de qualquer português com um mínimo de lucidez: M.R.S. usa e abusa do seu espaço televisivo, supostamente de comentário político, para ajustar contas com todos aqueles que, de uma forma ou doutra, o ultrapassaram na sua irregular mas ambiciosa carreira política. É um mero exercício de catarse de vários anos de ressabiamento acumulado, e de sede de protagonismo desmedida. R.G.S. apenas disse: "o rei vai nu!"

Não obstante o que acima ficou dito, não é menos verdade que a TVI, a estação onde, a par com outras curiosidades e aberrações, M.R.S. vai destilando semanalmente o seu fel, é uma entidade privada e, como tal, livre de apresentar um espaço de massajamento pessoal do ego de M.R.S. disfarçado de "espaço de opinião". Mas isto, note-se, dentro de limites de razoabilidade definidos pelo bom senso, os quais deverão, à falta de melhor hipótese, ser balizados pela Alta Autoridade para a Comunicação Social. Vivemos numa democracia, lembram-se?

As críticas dirigidas por R.G.S. publicamente a M.R.S. são absolutamente legítimas e expectáveis numa sociedade livre e democrática, mas nunca, per se, justificativas de uma tão brusca decisão. Se M.R.S. não tem qualquer pejo em, semanalmente, desancar em quem muito bem entende, deverá então estar desportivamente preparado para a resposta. O contrário pareceria mais próprio de uma criança mimada do que de um reputado analista político e mestre de direito.

Dando então de barato que não foram os comentários de R.G.S. que provocaram a intempestiva saída de M.R.S. (até pelo óbvio motivo de que, em termos de peso político das duas figuras, a balança pende ostensivamente para o lado de M.R.S.), há então que descobrir os motivos para a mesma - visto que, e até à altura em que escrevo, M.R.S. tem gerido estrategicamente o seu silêncio, dando intencionalmente azo às mais fantasiosas especulações.

Durante o dia, fui lendo e ouvido por toda a comunicação social, e até da boca de várias pessoas, a falácia de que o Governo, num condenável acto de censura, afastou M.R.S. do seu pedestal opinativo. É a velha história de se achar que uma mentira repetida muitas vezes se pode transformar em verdade. Mas o facto real - e aqui não há volta a dar - é que foi o próprio M.R.S. quem, de moto próprio e sem qualquer tipo de explicações públicas, resolveu abandonar voluntariamente aquele lugar. Esta é a verdade, por muito que a opinião publicada nos queira impingir o contrário. Aliás, se existisse de facto, o tal terrível movimento obscuro destinado a silenciar este educador de massas, por que raio iria R.G.S., num autêntico "tiro no pé", quebrar o secretismo da conjura com os seus intempestivos comentários públicos?

São conhecidos os mitos que rodeiam o comportamento político e pessoal de M.R.S., pelo que não será de todo ilegítimo concluir que, com uma grande dose de probabilidade, a sua decisão foi previamente pensada e planeada, com rigorosos timings de acção, para provocar um sentimento de auto-vitimização, e a compaixão dos muitos portugueses que, domingo após domingo, ansiavam e se deleitavam com as centenas de sugestões de coffee table books sobre tapetes de Arraiolos, arquitectura manuelina ou leitões da Bairrada. Os comentários de R.G.S. foram apenas o pífio pretexto de que M.R.S. necessitava para sair com uma virginal aura de "voz incómoda afastada".

Também bastante se tem aventado a hipótese de o próprio presidente do conselho de administração da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, ter aconselhado M.R.S. a "amaciar" o seu discurso relativamente ao Governo, tendo em vista a prosecução e concretização de negócios por parte daquele grupo. Mas também esta teoria cai rapidamente pela base, se pensarmos nas desvantagens que a TVI teria ao perder a colaboração semanal do douto professor. Ou seja, M.R.S. teria poder suficiente - e ele sabe-o bem - para manter a sua posição e atitude truculenta, e à TVI e a M.P.A. apenas restaria aceitá-la sob pena de perderem share.

Desmontada, pois, esta abstrusa "teoria da conspiração" de um mafioso afastamento de M.R.S. do seu púlpito, o que nos resta? O óbvio: a ambição desmesurada e a fenomenal visão estratégica de M.R.S. juntaram-se para criar um facto político que visa, simultaneamente, abanar ainda mais a actuação - atabalhoada, valha a verdade - deste Governo, onde M.R.S. conta por ódios e ressabiamentos os ministros, e, por outro, criar o espaço necessário para "o professor" começar a preparar novas "corridas", intra e extra partidárias, num cenário de corajosa independência política e suposta frontalidade. Veja-se para já, quem correu em seu socorro: desde José Pacheco Pereira - sempre em bicos de pés, sequioso por uma migalha de protagonismo, mesmo que a reboque de outrém, e também ele cheio de ódios de estimação em relação a este Governo e às forças que o integram - a Bernardino Soares, passando por Francisco Louçã ou Arons de Carvalho, parece, para já, estar reunida uma improvável mas tenaz falange de apoio. Como dizia há bocado Luís Campos Ferreira, esta será uma boa altura para M.R.S. começar a pensar em contabilizar apoios para as novas batalhas políticas que se aproximam.

2004/10/04

Amigos

É bem verdade que o tempo nos vai mudando - uns ganham maturidade, outros ficam rabugentos, e outros ainda... apenas mudam.

Conheço centenas de pessoas, para não dizer milhares, e costumava achar que, por isso, tinha centenas de amigos; mas a idade e as experiências da vida ensinaram-me que nem sempre as coisas são bem assim. Se da lista dos meus conhecimentos excluir aquelas pessoas que:

1) Não conhecem outro tema de conversa a não ser a sua própria pessoa, incluindo a palavra "eu" em todas as frases, e revertendo qualquer assunto para os seus casos pessoais; são aquelas pessoas a quem dizemos: "estou destruído; morreu o meu pai!", e elas respondem "que chato; eu também ando aqui com uma unha encravada...".

2) Que têm sempre uma opinião definitiva e melhor do que qualquer outra sobre todos os assuntos, incluindo sobre temas a propósito dos quais ninguém está interessado nas suas opiniões, e ninguém lhas pediu!

3) Que não são capazes de ouvir sem interromper permanentemente o interlocutor, a maior parte das vezes com assuntos manifestamente off-topic, o que tem ainda a agravante de mostrar que, mal educadamente, não estavam a ligar peva ao que dizíamos.

4) Tentam impor sempre a sua vontade e só conseguem andar acompanhadas por um numeroso séquito, ligando pouco ou nada ao facto de às outras pessoas não interessar muito ir aos sítios onde elas pretendem ir.

5) Pouco inteligentes (para não dizer burras), mas que, perversamente, fazem alguma gala no facto. São aquelas pessoas a quem dizemos qualquer coisa, sobre um livro que andamos a ler ou um filme que vimos, por exemplo, e nos respondem com um risinho parvo "pois, deves ter razão, mas eu não percebo nada disso", como se isso fosse elogiável.

6) De, um modo geral, não têm a coragem ou a humildade (não confundir com pessoas que se humilham)para questionar as suas próprias decisões e opiniões, e assim admitirem que há outras alternativas para além daquela(s) que sempre tiveram como única(s).

Por estas, e por muitas outras, é que, das tais centenas de pessoas que conheço, não são necessários os dedos de uma mão para contar aquelas com quem verdadeiramente gosto de estar.

2004/09/30

Desculpa

Até me seria fácil dizer que tenho andado assoberbado de trabalho, mas estar-vos-ia a mentir; o que me tem impedido de escrever tem sido, principalmente, preguiça.

Entretanto, fica a informação em primeira mão para todo o auditório, de que lá me conseguiram convencer, e em Dezembro ir-me-ei juntar à legião de cerca de nove milhões de portugueses que já atravessaram o Atlântico até Terras de Vera-Cruz.

2004/09/21

Dúvida

Gostava de saber a razão pela qual pessoas que não vêem crueldade, barbárie, ou sequer inconveniente no acto de se despedaçar ou envenenar um bebé no útero materno, tanto se indignam por saber que raposas inglesas são mortas por cães.

P.S.: Já tinha formulado esta questão num comment anterior, mas ficou sem resposta então; quero acreditar que apenas por falta de visibilidade.

Unidos venceremos!

Afinal não estou sozinho; o jornalista Jorge Mourinha escreveu no Blitz, uma reportagem sobre o concerto da Madonna - para a qual, infelizmente, não encontrei link - na qual diz tudo o que eu teria dito sobre o dito concerto, se tivesse estado lá, e se soubesse escrever assim.

Por outro lado, o Pedro Robalo escreve nos Quase Famosos tudo aquilo que eu acho e também gostaria de saber escrever sobre os The Libertines. A certa altura, quando oiço "I no longer hear the music", quase iria capaz de jurar que é o próprio Joe Strummer quem, do fundo da terra, se lamenta.

2004/09/19

Cultura mainstream

Será que a cabeça daqueles rapazitos que trabalham na FNAC do Colombo não serve para mais nada a não ser almofada de alfinetes ou cobaia de cabeleireiros alucinados? Há umas horas perguntei a três - três! - espécimes da raça, que se encontravam por detrás de um balcão, se poderia encontrar ali os álbuns dos The Ordinary Boys ou dos Delays, e apenas obtive como resposta um olhar bovino, e um "como é que isso se escreve?", seguido de um olhar cúmplice entre eles, tipo "o-kota-deve-querer-é-qualquer-coisa-da-Madonna-ou-da-Ivete-Sangalo".

Bolas, não estou a falar de nada do outro mundo; são bandas que estão nos tops em Inglaterra - mas isto é Portugal, e cá o que se consome é outra coisa (nem vou dizer o quê para não me cairem em cima). Para não perder a viagem, aproveitei para trazer - sem ajuda "profissional" - os álbuns dos The Libertines (grande malha!) e dos Flaming Lips; ah, e o DVD do "Kenai e Koda", por imposição do Lourenço.

Já agora, considerando que estamos a cerca de um mês do meu aniversário, e atenta ainda a dificuldade que normalmente se tem em escolher presentes (eu pelo menos tenho), deixo-vos aqui a sugestão do primeiro parágrafo, caso vão, ou conheçam alguém que vá a Londres antes de mim (penso ir lá pelo Carnaval, mais coisa menos coisa); julgo que lá não deverá ser difícil encontrar aquele material em qualquer lugar, mas, em caso de dificuldade, a Tower Records em Picadilly serve sempre de tira-teimas - ou isso, ou uns DVDs dos Monty Python's, começando pelos episódios do Flying Circus, claro, mas podendo também incluir os filmes, principalmente "A vida de Brian". Há também os filmes de Peter Sellers, principalmente um dos últimos, de que não me recordo do nome, em que ele fazia de jardineiro - Chauncy Gardener, acho que era assim que se chamava. Delicioso, mas já estou a transivergir, não é?

2004/09/17

Poema...



...humildemente dedicado a toda a gente que se entretém a combater a caça à raposa em Inglaterra (que a mim tanto se me dá como se me deu...), bem como as toiradas, de que gosto muito, e que "esquece" outros actos bem mais cruéis, muitas vezes perpetrados contra seres humanos (mas lá longe...):

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
(...)

Sophia de Mello Breyner Andresen in "Livro Sexto", 1962

2004/09/16

Sumólico

O Lourenço por vezes é muito barulhento, mas pareceu-me que ontem, no noticiário da hora de almoço, para além de ver João Soares atirar displicentemente a ponta de um cigarro para o chão do Largo do Rato, ouvi nitidamente um bigodudo director do Benfica falar na opinião de supersumos.

Falsa partida

Há muito que não me sucedia ter um dia assim; nunca chegaram à noite com a sensação de terem sido uma espécie de observadores exteriores da vossa vida?

Eu sei que num post deste tipo a exposição pessoal atinge níveis perto do limite, mas também, se me importasse demasiado com isso, para que criaria um blog?

A verdade é que ontem, último dia de férias, quase ansiava pelo regresso ao trabalho e à rotina diária; mas agora, dez horas da noite, sinto que algo me escapou durante o dia. No trabalho as coisas não correram bem como esperava, nas minhas conversas senti-me como se fosse outra pessoa a falar, como se não mandasse na minha vontade (e, se calhar, perdi de novo a oportunidade de dizer coisas importantes), e, neste suposto primeiro dia de uma nova dieta, fui jantar a casa da minha mãe onde, como qualquer pessoa sabe, é impossível fazer dieta!

Para cúmulo sinto-me febril, indisposto, e amanhã cedinho tenho que fazer uma viagem grande - trabalho outra vez. Bom, chega de intimidades, vou dormir.