2005/05/04

Novidades

Depois de uma fase meio amorfa, começo a recuperar gradualmente o gosto por tudo aquilo que considero importante para manter uma mente limpa; e, como não sou egoísta, resolvi partilhar as minhas últimas descobertas com os meus leitores. Assim, na leitura recomendo vivamente o novo romance de Douglas Coupland, "Eleanor Rigby", enquanto que na música, depois de muita insistência, face a alguma pouca vontade do funcionário, consegui convencer os serviços da FNAC a importarem-me o álbum de estreia dos Delays, "Faded seaside glamour" - e o mínimo que posso dizer é que, só hoje, já fez mais de quinhentos quilómetros em powerplay.

2005/05/01

Onze anos já...


... e parece que foi ontem!

2005/04/29

Dualidade

Sempre que participo numa prova de todo-o-terreno experimento sentimentos contraditórios: até cerca de metade do percurso vou a rezar para que o carro perca uma roda, ou coisa do género, para acabar aquele martírio de saltos e pó. Daí para a frente, e já que nos estamos a aproximar do fim, peço por tudo para que a viatura aguente mais uns quilómetrozecos, para sentirmos a gratificação do pódio final.

Não sei como é que fui cair nisto de novo, mas sexta feira, dia 6 de Maio, lá me apresentarei de novo no Estoril, preparado (estarei?) para cumprir os mais de 1000 quilómetros em pistas de terra de Portugal e Espanha, mais os 600 quilómetros de ligação, que irão constituir o percurso da Baja Vodafone 1000 deste ano. Nunca hei-de aprender.

2005/04/26

Surrealismo

Cenário: rua de Setúbal, onze da noite, à porta de um restaurante, o carro não pega nem por nada. Chamo o serviço de assistência do ACP, e apresenta-se um rapaz muito jovem, prestável e bastante educado mas que, infelizmente, percebia ainda menos de mecânica do que eu.

Rapaz - Bom, não sei o que se passa com o seu carro. O mais que eu posso fazer é rebocá-lo para uma oficina à sua escolha.
Eu - Acha que a Renault aqui de Setúbal aceita carros durante a noite?
Rapaz - Sim, está lá um segurança que abre as portas e amanhã de manhã o senhor só tem que lá ir e explicar o que se passa.
Eu - Óptimo, mas entretanto como é que vou para casa?
Rapaz - Não há problema; o ACP paga-lhe também um táxi até casa. Está incluido na assistência. Vou já ligar a pedir um táxi (O rapaz liga um número no telemóvel, espera um pouco, e depois começa a falar com um interlocutor). Sim? Fala fulano, da Companhia de Reboques não sei quantos. Estou aqui a fazer o serviço que me pediram, mas o carro não trabalha e vai ter que ficar em Setúbal. Era para pedir um táxi para o sócio ir para casa. Como? (depois para mim) Onde é que mora?
Eu - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela.
Rapaz (para o telemóvel) - Na Quinta do Anjo, perto de Palmela. (Depois de uma pausa, de novo para mim) A quantos quilómetros é que isso fica daqui?
Eu - Não sei; talvez uns quinze...
Rapaz (de novo para o telemóvel) - A cerca de quinze. Como? Se calhar é melhor falarem os senhores com o cliente. (E para mim) Fale lá com eles, que eles dizem que só pagam táxi se estiver a mais de vinte quilómetros de casa.
Eu - Como? (E aceitando o telemóvel) Estou?
Operador do ACP em off - Boa noite.
Eu - Boa noite; penso que aqui o senhor do reboque já lhe explicou o que se passa...
Operador do ACP - Sim, mas tenho que o informar que no contrato de prestação de serviços que o senhor assinou está lá escrito que só tem direito a transporte para casa se se encontrar a mais de vinte quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, mas não sei bem a quantos quilómetros estou. Provavelmente até são vinte.
Operador do ACP - Não sabe a quantos quilómetros está da sua casa?
Eu - Não; devia saber?
Operador do ACP (ignorando a minha pergunta feita em tom irónico e já levemente irritado) - Onde é que o senhor mora?
Eu - Na Quinta do Anjo.
Operador do ACP - Só um momento, não desligue, que eu vou verificar a distância aqui no computador (segue-se música). Sim, senhor Aldino? Obrigado por ter esperado. Sabe, eu estive a ver a distância aqui no computador e, na verdade, não é nada parecida com a que o senhor afirmou.
Eu - Não?
Operador do ACP - Não; aqui no computador diz que entre a Quinta do Anjo e Setúbal distam exactamente treze vírgula nove quilómetros.
Eu - Bom, eu disse quinze, não me parece grande a diferença...
Operador do ACP - Pois, mas nestas condições não lhe podemos fornecer transporte para casa. Só se...
Eu - ...se estiver a mais de vinte quilómetros, já ouvi. Mas acha que isso tem alguma lógica, pagarem as deslocações grandes e não as pequenas?
Operador do ACP (depois de uma pausa para pensar) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Pois, mas não li, e nada disto me parece fazer sentido. Como é que o senhor acha que eu vou agora para casa, noutra localidade?
Operador do ACP - Só um momento, por favor (mais música). Estou? Obrigado por ter esperado. Caro senhor Aldino, tenho aqui uma colega que lhe vai confirmar o que lhe disse.
Eu - Uma colega?
Operadora do ACP (chamada em conferência) - Boa noite.
Eu - Boa noite...
Operadora do ACP - Caro senhor, acabei de verificar no meu computador que a distância entre Setúbal e a Quinta do Anjo é de treze vírgula nove quilómetros.
Eu - O seu colega chamou-a só para me dizer isso? Mas ele já mo tinha dito.
Operadora do ACP - Pois, mas infelizmente nessa situação o senhor não tem direito a transporte para casa.
Operador do ACP - Pois, vê?
Eu - Desculpem lá mas isto parece-me tudo um perfeito disparate. Então vocês acham normal que o ACP pague as viagens mais caras e não pague as teoricamente mais baratas?
Operadora do ACP - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Está bem, mas não li; agora o que pergunto é o seguinte: eu estou numa cidade onde poderei recorrer a alguém para me levar a casa, mas se estivesse numa estrada deserta, às três da manhã, o meu carro se avariasse a dezanove quilómetros de casa, o reboque o levasse para uma oficina na direcção oposta, o que me restaria fazer? Andar dezanove quilómetros a pé?
Operadora do ACP (depois de pensar durante alguns momentos) - O senhor devia ter lido o contrato de assistência.
Eu - Bom, não interessa; vou chamar alguém que me leve a casa. Boa noite.
Operador do ACP - Há mais alguma coisa que possamos fazer por si, senhor Aldino?

Balanço do fim de semana

Estive num aniversário com pessoas de quem gosto, fui a um congresso mal contado, li "(o melhor das) Comédias da vida privada" de Luis Fernando Veríssimo, vi alguém de quem tinha saudades, adiei algo que não posso contar (porque é ilegal), e jantei no Portinho com a melhor das companhias que, de resto, esteve comigo durante quase todo o fim de semana. Acho que correu bem.

2005/04/19

Promessa é promessa!

Bom, parece que sempre tenho que ir ver o meu Vitória de Setúbal ao Estádio Nacional. Quem é que leva a feijoada e o garrafão?

On ne voit bien qu'avec le coeur! (parte II)

Eu, que não tenho por hábito ler a dita imprensa cor de rosa - apesar de confessar que não resisto à tentação de folhear uma revistinha nas salas de espera - sinto-me de certa forma fascinado com o recente casamento de Carlos de Inglaterra e Camilla Parker-Bowles. Melhor dizendo, não é bem com o casamento que me sinto fascinado, mas sim com a história de amor subjacente.

Recapitulemos: Carlos, príncipe de Gales, não propriamente uma beleza de homem mas, mercê da sua condição social, pessoa com capacidade e condições para conquistar muitas donzelas com atributos físicos mais evidentes do que a sua noiva, conhece Camilla numa bela manhã - vamos imaginar que foi numa manhã - há mais de trinta anos atrás. Camilla é senhora de uma beleza física peculiar, mas Carlos, dando provas da elevação de espírito que só se encontra ao alcance de alguns, apaixona-se pela mulher e não pelo "embrulho". A paixão, como se sabe, é correspondida mas, por diversos motivos, conserva-se quase secreta e acaba por se tornar mesmo proibida.

Os restantes detalhes são por demais conhecidos até chegarmos de novo aos dias de hoje em que ambos, depois de vidas preenchidas, se reencontram e percebem que ainda se amam como há trinta anos. E a beleza da história está precisamente neste facto: um amor que resistiu décadas, entre duas pessoas com características bastante diferentes, e que acabam por afrontar tudo para poderem ficar juntos.

Bem sei que histórias destas se passam todos os dias anonimamente em Odivelas ou no Cacém, com finais mais ou menos felizes ou trágicos, mas parece-me que todas elas são dignas de nota. É sempre fácil falar, mas sinto especial e sincera admiração por quem é capaz de, de facto, colocar em causa todos os valores que antes tinha dado como adquiridos e iniciar de novo o percurso, sem preconceitos e desprezando o politicamente correcto. Parece-me, afinal, que o caminho para a felicidade pode passar por aí.

2005/04/17

Intimidades dirigidas

Este blog tem andado algo intermitente, tal como a disposição do seu autor. Como a maior parte dos leitores saberá decerto, acontecimentos recentes na minha vida fizeram-me repensá-la de alto a baixo. Comecei por querer desistir do blog (e de muitas outras coisas, confesso agora), mas os amigos, e alguma força interior - que nem sei onde fui buscar - acabaram por me permitir continuar em frente. Desculpem a sucessão de clichés, mas até o próprio acto de escrever e pensar em assuntos que aparentem coerência se anda a tornar penoso para mim.

No entanto, parece-me que agora as coisas começam a fazer algum sentido; todo este tempo de introspecção, de meditação, fizeram-me perceber muitas partes da minha vida que estavam "arrumadinhas", sem ninguém lhes tocar, e questionar outras tantas - e sei agora, com alguma clareza, o que quero e o que não quero. É ou não estúpido virmos a perceber que a solução para a nossa felicidade provavelmente esteve sempre à distância de um e-mail ou de um telefonema, e que nós nunca a vimos assim?

(Mais pormenores provavelmente muito em breve; não sei bem o que vai acontecer a seguir, e parece-me até que ninguém sabe nem sequer calcula...)

2005/04/14

Tristeza

Nunca, como nos últimos meses, me senti tão desiludido com tantas pessoas ao mesmo tempo. Será defeito meu?

2005/04/13

Intervalo

Pelos vistos a única pessoa que dá pela falta dos meus escritos... sou eu!

2005/04/08

Arroz

Damien Rice bem me podia oferecer uma comparticipação nos seus royalties pelo acréscimo de vendas do seu último álbum que se ficou a dever à minha influência.

2005/03/28

Este blog há uns dias acordou assim:


...e ainda não passou!

Nota: Com os agradecimentos e desculpas devidos à Charlotte pela semi-inspiração.

2005/03/23

"Music When The Lights Go Out"

Is it cruel or kind not to speak my mind and to lie to you
Rather than hurt you
Well I'll confess all of my sins after several large gins
But still I'll hide from you,
Hide what's inside from you.

And alarm bells ring when you say your heart still sings
When you're with me,
Oh darling please forgive me
But I no longer hear the music
Oh no...


The Libertines

2005/03/17

The lamb lies down on Broadway!

Em 1975 tinha 11 anos. Lembro-me de a "malta" mais velha do Barreiro, onde vivia então, andar a combinar uma ida a Cascais para ver os Genesis, supra-sumo da época do psicadelismo. Com muita inveja, nós, os pequeninos, ouvíamos mas sabíamos de antemão que não podíamos ir, não só porque era demasiado longe para irmos on our own, mas também porque o bilhete já na altura custava uns indecentes oitenta "paus"!

No regresso do "pessoal do Bairro", os tipos mais velhos que tinham ido ao Dramático de Cascais, ficámos todos a saber que este percursor dos agora banalizados concertos de bandas estrangeiras tinha sido um delírio, e isso apenas contribuiu para aguçar mais a nossa vontade de "ganhar asas". Entretanto, íamos ouvindo o "Foxtrot" até as espirais do vinyl estarem gastas.

Só fui ao Dramático de Cascais muitos anos mais tarde, mas menos de dois anos depois do concerto dos Genesis estava no comboio da linha, com o meu amigo J.G., de mochila às costas, para acamparmos no autódromo uma semana porque iria decorrer o Campeonato Mundial de Karting, e nós não queríamos perder pitada. Éramos, na maior parte dos dias, as únicas pessoas na bancada, assistindo a treinos, mangas, eliminatórias, e sei lá o quê mais. Entre os muitos miúdos que aceleravam nos "gingarelhos" dava especialmente nas vistas o virtuosismo de um tal Ayrton Senna da Silva, de que todos voltámos a ouvir falar muitos anos mais tarde.

Mas estou a transivergir, e tudo isto vem a propósito do famoso concerto dos Genesis em Cascais, em 1975, e da vontade de voar que esse acontecimento despertou nas crianças que nós éramos, à beira da adolescência. E tudo isso veio de novo ao meu encontro hoje, trinta anos depois, ao comprar a revista "Cais" de Março, integralmente dedicada ao tal concerto.

2005/03/16

"Caça à multa"

A semana passada, na zona de Beja, um invisível radar das autoridades apanhou-me em excesso de velocidade. A falta é assumidamente minha, e não há nada a fazer, a não ser pagar voluntariamente a coima aplicada e aguardar serenamente pela notificação da sanção acessória.

Mas há algo aqui que me revolta profundamente; o radar estava, como é costume, emboscado, por forma a que o incauto automobilista não o descortinasse, e assim incorresse mais facilmente em infracção. Ora, ao não ter conhecimento da existência de um aparelho de medição de velocidade nas proximidades, o condutor não moderará a sua velocidade, e não diminuirá naturalmente o risco de acidentes, mas colaborará, involuntariamente é certo, para a engorda dos cofres do Estado. A isto chama-se fazer repressão, ao invés de uma muito mais desejável prevenção.

Parece-me a mim - mas estou disposto a aceitar outras opiniões - que muito mais se poderia ganhar em termos de diminuição da sinistralidade nas nossas estradas se a existência de radares fosse profusamente noticiada, mesmo nos casos em que eles não existem ou em que se encontram fora de funcionamento; desta forma as pessoas tenderiam a abrandar automaticamente, sem saber exactamente qual a localização ou fiabilidade do aparelhómetro, e assim poderiam diminuir consideravelmente a perigosidade das estradas. Mas este procedimento apresenta um inconveniente óbvio para as autoridades: se os radares estivessem visíveis, e as pessoas pudessem abrandar quando os vissem, muito menos gente seria multada, e menos dinheiro entraria nos cofres da corporação e, por inerência, do Estado. Então, que se lixe a segurança - nós queremos é muita gente a "dar gás" para poder encher os bolsos!

Aqui há uns tempos vi, numa auto-estrada, uma viatura de controle de velocidade, que possuía um placard com letras garrafais no tejadilho onde se podia ler a inscrição: "controle de velocidade". Resultado? Todos os condutores diminuiam automaticamente a velocidade. Poderá não ser uma boa política para as finanças públicas, mas é, seguramente, uma iniciativa de efectividade comprovada e merecedora de enaltecimento em termos de segurança rodoviária.

Já agora, lembro-me também de uma curiosa reportagem que passou na TV há mais tempo ainda, sobre uma tosca imitação de radar, feita a partir de um tripé e de umas caixas coladas, que a GNR de Portalegre decidiu instalar junto á entrada sul da cidade. Receitas para a corporação? Zero. Diminuição da velocidade de passagem dos veículos, naquele ponto tão perigoso? Enorme!

Os mais cínicos dir-me-ão que apenas falo desta maneira porque fui multado há pouco tempo, mas a esses poderei mostrar um editorial do "Jornal de Azeitão", escrito há mais de três anos, onde defendi precisamente o que refiro acima: a exposição dos radares, mesmo quando falsos!

2005/03/15

Praga


Desculpem lá o hiato nos posts - acho que ando cansado. Isto passa, não se preocupem, mas sabiam-me bem uns dias fora.

2005/03/09

Diz-me o que fazes...

É curioso verificar como a vida académica pode influenciar definitivamente a maneira de ser de uma pessoa. A análise que farei a seguir baseia-se exclusivamente em observações pessoais e, portanto, subjectivas, pelo que as extrapolações poderão ser incorrectas ou injustas, apesar de me reportar a uma amostra de várias dezenas de pessoas. Mas, mesmo correndo os riscos que normalmente se correm quando se tenta generalizar, tenho reparado que:

Os advogados e juristas tendem a ser pessoas bem dispostas e, se não forem eles próprios donos de um sentido de humor fino, conseguem contudo perceber normalmente as subtilezas e ironias do discurso alheio. Por norma são cultos, ou pelo menos tentam cultivar-se, mas apresentam como desvantagem o facto de gostarem de passar a vida a invocar a sua profissão, e os casos com que se deparam no dia a dia. Se estiverem vários advogados juntos, então, o melhor mesmo é sair de mansinho.

Os arquitectos são normalmente pessoas que acham, lá no fundo, que este mundo é demasiado limitado para eles, pelo que tendem a ser incompreendidos eternos. São pessoas de trato agradável, mas o seu discurso resvala com facilidade para assuntos de teor mais etéreo, pressupondo que o interlocutor tem capacidade para acompanhar, o que nem sempre é verdade.

Os engenheiros costumam ser pessoas rigorosas e mais disponíveis para um humor simples do que para subtilezas "amaricadas". Gostam frequentemente de discutir questões em frente de um copo, e possuem uma inexplicável tendência para deixar crescer bigode, especialmente os do género masculino.

As pessoas que se formam nos cursos de Gestão ou Economia, talvez pelos elevados graus de exigência dos mesmos, acabam por se tornar algo solitárias, e até mesmo obsessivas em alguns casos. Não obstante, não deixam de ser pessoas agradáveis, e podem até tornar-se excelentes companhias, apesar de uma aparente insegurança que nunca os abandona.

Não conheço muitos médicos, mas parece-me que as características dos advogados se adaptam, mais coisa, menos coisa, a esta classe profissional, com especial ênfase ao facto de estarem constantemente a descrever-nos os pormenores da última operação que fizeram, de preferência enquanto jantamos.

Reclamações anyone?

2005/03/06

A primeira de muitas

Ontem foi um dia muito especial: o Lourenço participou, com 4 anos e um mês, no primeiro rali da sua vida. Tratou-se do Rali Alfasado, uma prova de regularidade histórica na região de Setúbal, e o mais importante é que o Lourenço, fazendo equipa com o pai e o seu fiel Alfa 1750 Berlina, ganhou redundantemente a prova. Isto quer dizer que o meu filho ganhou a primeira prova automobilística em que participou, com a idade de 4 anos.

Quanto ao resto, não consigo encontrar palavras para exprimir a alegria do meu petiz ao carregar dificilmente três taças nas mãozinhas, perante a desilusão de algumas dezenas de adultos.

2005/03/02

Se Louçã usasse saias...

Há bocado, meio irritado, pensei em especular sobre a quantidade e qualidade das frustrações que podem levar uma senhora, cujo pedantismo eu já tinha dificuldade em suportar, a escrever "que existe um laço afectivo diferente entre a mulher, que teve de carregar um feto na barriga durante nove meses, e o homem que se limitou a depositar nos ovários um montinho de espermatozóides". Mas depois achei que seria desperdício gastar prosa e espaço deste modesto blog com tamanha enormidade, e desisti.

2005/03/01

Filmes

Todos os anos a história se repete irritantemente: a indústria cinematográfica americana monta uma operação gigantesca de propaganda, e o resto do mundo assiste, embevecido, à suposta consagração dos "melhores filmes do mundo". Será que sou eu o único que acha que os Oscares apenas premeiam os "melhores filmes do mundo, desde que sejam americanos"?

Sim, já adivinho as objecções dos defensores da coisa: há uns anos atrás o genial Roberto Benigni foi premiado com "A vida é bela" (a propósito: nunca viram "O monstro"?), mas mesmo isso parece-me ter sido uma clara manobra de charme e de marketing dos responsáveis da Academia, para calar quem, como eu, acusa a cerimónia do Kodak Theatre de ser um mero exercício de auto adoração. E, se me vierem com o argumento de que os Estados Unidos são o país de origem de grande parte dos filmes de todo o mundo, eu respondo: então porque é que nunca aparece um filme indiano para amostra, sabendo que a Índia é o maior produtor cinematográfico do globo?

De resto, e se a cerimónia é tão internacional como a querem pintar, por que raio é que há um prémio para o "melhor filme estrangeiro"? Porque os americanos não são estrangeiros, claro!

A propósito, acabei de ver há mais de uma hora "Mar adentro", e a verdade é que ainda não consegui recuperar o fôlego - que sucessão esplendorosa de paisagens (a Galiza, meu deslumbramento...) e de histórias de amor. As escolhas são sempre injustas, mas se me perguntarem qual o amor que mais me tocou neste filme de culto, elegeria sem pestanejar o fraterno de José por Ramon. Alguém tem um lenço?