2005/03/23

"Music When The Lights Go Out"

Is it cruel or kind not to speak my mind and to lie to you
Rather than hurt you
Well I'll confess all of my sins after several large gins
But still I'll hide from you,
Hide what's inside from you.

And alarm bells ring when you say your heart still sings
When you're with me,
Oh darling please forgive me
But I no longer hear the music
Oh no...


The Libertines

2005/03/17

The lamb lies down on Broadway!

Em 1975 tinha 11 anos. Lembro-me de a "malta" mais velha do Barreiro, onde vivia então, andar a combinar uma ida a Cascais para ver os Genesis, supra-sumo da época do psicadelismo. Com muita inveja, nós, os pequeninos, ouvíamos mas sabíamos de antemão que não podíamos ir, não só porque era demasiado longe para irmos on our own, mas também porque o bilhete já na altura custava uns indecentes oitenta "paus"!

No regresso do "pessoal do Bairro", os tipos mais velhos que tinham ido ao Dramático de Cascais, ficámos todos a saber que este percursor dos agora banalizados concertos de bandas estrangeiras tinha sido um delírio, e isso apenas contribuiu para aguçar mais a nossa vontade de "ganhar asas". Entretanto, íamos ouvindo o "Foxtrot" até as espirais do vinyl estarem gastas.

Só fui ao Dramático de Cascais muitos anos mais tarde, mas menos de dois anos depois do concerto dos Genesis estava no comboio da linha, com o meu amigo J.G., de mochila às costas, para acamparmos no autódromo uma semana porque iria decorrer o Campeonato Mundial de Karting, e nós não queríamos perder pitada. Éramos, na maior parte dos dias, as únicas pessoas na bancada, assistindo a treinos, mangas, eliminatórias, e sei lá o quê mais. Entre os muitos miúdos que aceleravam nos "gingarelhos" dava especialmente nas vistas o virtuosismo de um tal Ayrton Senna da Silva, de que todos voltámos a ouvir falar muitos anos mais tarde.

Mas estou a transivergir, e tudo isto vem a propósito do famoso concerto dos Genesis em Cascais, em 1975, e da vontade de voar que esse acontecimento despertou nas crianças que nós éramos, à beira da adolescência. E tudo isso veio de novo ao meu encontro hoje, trinta anos depois, ao comprar a revista "Cais" de Março, integralmente dedicada ao tal concerto.

2005/03/16

"Caça à multa"

A semana passada, na zona de Beja, um invisível radar das autoridades apanhou-me em excesso de velocidade. A falta é assumidamente minha, e não há nada a fazer, a não ser pagar voluntariamente a coima aplicada e aguardar serenamente pela notificação da sanção acessória.

Mas há algo aqui que me revolta profundamente; o radar estava, como é costume, emboscado, por forma a que o incauto automobilista não o descortinasse, e assim incorresse mais facilmente em infracção. Ora, ao não ter conhecimento da existência de um aparelho de medição de velocidade nas proximidades, o condutor não moderará a sua velocidade, e não diminuirá naturalmente o risco de acidentes, mas colaborará, involuntariamente é certo, para a engorda dos cofres do Estado. A isto chama-se fazer repressão, ao invés de uma muito mais desejável prevenção.

Parece-me a mim - mas estou disposto a aceitar outras opiniões - que muito mais se poderia ganhar em termos de diminuição da sinistralidade nas nossas estradas se a existência de radares fosse profusamente noticiada, mesmo nos casos em que eles não existem ou em que se encontram fora de funcionamento; desta forma as pessoas tenderiam a abrandar automaticamente, sem saber exactamente qual a localização ou fiabilidade do aparelhómetro, e assim poderiam diminuir consideravelmente a perigosidade das estradas. Mas este procedimento apresenta um inconveniente óbvio para as autoridades: se os radares estivessem visíveis, e as pessoas pudessem abrandar quando os vissem, muito menos gente seria multada, e menos dinheiro entraria nos cofres da corporação e, por inerência, do Estado. Então, que se lixe a segurança - nós queremos é muita gente a "dar gás" para poder encher os bolsos!

Aqui há uns tempos vi, numa auto-estrada, uma viatura de controle de velocidade, que possuía um placard com letras garrafais no tejadilho onde se podia ler a inscrição: "controle de velocidade". Resultado? Todos os condutores diminuiam automaticamente a velocidade. Poderá não ser uma boa política para as finanças públicas, mas é, seguramente, uma iniciativa de efectividade comprovada e merecedora de enaltecimento em termos de segurança rodoviária.

Já agora, lembro-me também de uma curiosa reportagem que passou na TV há mais tempo ainda, sobre uma tosca imitação de radar, feita a partir de um tripé e de umas caixas coladas, que a GNR de Portalegre decidiu instalar junto á entrada sul da cidade. Receitas para a corporação? Zero. Diminuição da velocidade de passagem dos veículos, naquele ponto tão perigoso? Enorme!

Os mais cínicos dir-me-ão que apenas falo desta maneira porque fui multado há pouco tempo, mas a esses poderei mostrar um editorial do "Jornal de Azeitão", escrito há mais de três anos, onde defendi precisamente o que refiro acima: a exposição dos radares, mesmo quando falsos!

2005/03/15

Praga


Desculpem lá o hiato nos posts - acho que ando cansado. Isto passa, não se preocupem, mas sabiam-me bem uns dias fora.

2005/03/09

Diz-me o que fazes...

É curioso verificar como a vida académica pode influenciar definitivamente a maneira de ser de uma pessoa. A análise que farei a seguir baseia-se exclusivamente em observações pessoais e, portanto, subjectivas, pelo que as extrapolações poderão ser incorrectas ou injustas, apesar de me reportar a uma amostra de várias dezenas de pessoas. Mas, mesmo correndo os riscos que normalmente se correm quando se tenta generalizar, tenho reparado que:

Os advogados e juristas tendem a ser pessoas bem dispostas e, se não forem eles próprios donos de um sentido de humor fino, conseguem contudo perceber normalmente as subtilezas e ironias do discurso alheio. Por norma são cultos, ou pelo menos tentam cultivar-se, mas apresentam como desvantagem o facto de gostarem de passar a vida a invocar a sua profissão, e os casos com que se deparam no dia a dia. Se estiverem vários advogados juntos, então, o melhor mesmo é sair de mansinho.

Os arquitectos são normalmente pessoas que acham, lá no fundo, que este mundo é demasiado limitado para eles, pelo que tendem a ser incompreendidos eternos. São pessoas de trato agradável, mas o seu discurso resvala com facilidade para assuntos de teor mais etéreo, pressupondo que o interlocutor tem capacidade para acompanhar, o que nem sempre é verdade.

Os engenheiros costumam ser pessoas rigorosas e mais disponíveis para um humor simples do que para subtilezas "amaricadas". Gostam frequentemente de discutir questões em frente de um copo, e possuem uma inexplicável tendência para deixar crescer bigode, especialmente os do género masculino.

As pessoas que se formam nos cursos de Gestão ou Economia, talvez pelos elevados graus de exigência dos mesmos, acabam por se tornar algo solitárias, e até mesmo obsessivas em alguns casos. Não obstante, não deixam de ser pessoas agradáveis, e podem até tornar-se excelentes companhias, apesar de uma aparente insegurança que nunca os abandona.

Não conheço muitos médicos, mas parece-me que as características dos advogados se adaptam, mais coisa, menos coisa, a esta classe profissional, com especial ênfase ao facto de estarem constantemente a descrever-nos os pormenores da última operação que fizeram, de preferência enquanto jantamos.

Reclamações anyone?

2005/03/06

A primeira de muitas

Ontem foi um dia muito especial: o Lourenço participou, com 4 anos e um mês, no primeiro rali da sua vida. Tratou-se do Rali Alfasado, uma prova de regularidade histórica na região de Setúbal, e o mais importante é que o Lourenço, fazendo equipa com o pai e o seu fiel Alfa 1750 Berlina, ganhou redundantemente a prova. Isto quer dizer que o meu filho ganhou a primeira prova automobilística em que participou, com a idade de 4 anos.

Quanto ao resto, não consigo encontrar palavras para exprimir a alegria do meu petiz ao carregar dificilmente três taças nas mãozinhas, perante a desilusão de algumas dezenas de adultos.

2005/03/02

Se Louçã usasse saias...

Há bocado, meio irritado, pensei em especular sobre a quantidade e qualidade das frustrações que podem levar uma senhora, cujo pedantismo eu já tinha dificuldade em suportar, a escrever "que existe um laço afectivo diferente entre a mulher, que teve de carregar um feto na barriga durante nove meses, e o homem que se limitou a depositar nos ovários um montinho de espermatozóides". Mas depois achei que seria desperdício gastar prosa e espaço deste modesto blog com tamanha enormidade, e desisti.

2005/03/01

Filmes

Todos os anos a história se repete irritantemente: a indústria cinematográfica americana monta uma operação gigantesca de propaganda, e o resto do mundo assiste, embevecido, à suposta consagração dos "melhores filmes do mundo". Será que sou eu o único que acha que os Oscares apenas premeiam os "melhores filmes do mundo, desde que sejam americanos"?

Sim, já adivinho as objecções dos defensores da coisa: há uns anos atrás o genial Roberto Benigni foi premiado com "A vida é bela" (a propósito: nunca viram "O monstro"?), mas mesmo isso parece-me ter sido uma clara manobra de charme e de marketing dos responsáveis da Academia, para calar quem, como eu, acusa a cerimónia do Kodak Theatre de ser um mero exercício de auto adoração. E, se me vierem com o argumento de que os Estados Unidos são o país de origem de grande parte dos filmes de todo o mundo, eu respondo: então porque é que nunca aparece um filme indiano para amostra, sabendo que a Índia é o maior produtor cinematográfico do globo?

De resto, e se a cerimónia é tão internacional como a querem pintar, por que raio é que há um prémio para o "melhor filme estrangeiro"? Porque os americanos não são estrangeiros, claro!

A propósito, acabei de ver há mais de uma hora "Mar adentro", e a verdade é que ainda não consegui recuperar o fôlego - que sucessão esplendorosa de paisagens (a Galiza, meu deslumbramento...) e de histórias de amor. As escolhas são sempre injustas, mas se me perguntarem qual o amor que mais me tocou neste filme de culto, elegeria sem pestanejar o fraterno de José por Ramon. Alguém tem um lenço?

2005/02/27

Se o meu sangue não me engana...


É justo prometer a alguém que havemos de ir a Rialto ou a Triana?

Intimidades

Mais uma semana que se acaba, uma semana em que vivi mais uma série de experiências novas, algo em que a minha vida tem sido fértil nestes últimos tempos.

E, se há uma semana que acaba, há outra que começa, novinha, cheia de potencialidades e de perspectivas. Está bem que é menos uma semana de vida que nos resta, e visto dessa forma é deprimente, talvez; mas é também todo um mundo de hipóteses novinhas em folha que volta a ficar ao nosso alcance. O problema é que, lá para o fim de terça-feira, e se não tiver sucedido nenhuma das coisinhas que eu elegi como "bons acontecimentos" para estes dias, começo a sentir uma tristeza a invadir-me aos poucos, e o desânimo a tomar conta das horas e a fazer-me ansiar por melhores tempos - é o meu lado triste e negativo, mas que hei-de eu fazer?

2005/02/25

The female of the species is more deadly than the male!

É tudo a ajudar: o rádio do carro encravou e, como se não fosse bastante, ficou-me lá dentro com o "Spiders", dos Space, de que nunca me canso. Já espreitei bem fundo para dentro das entranhas do animal, mas ele encontra-se a digerir a coisa, e não parece dar sinais de se compadecer das minhas súplicas.

E agora, como faço para ouvir "how can heaven hold a place for me, when a girl like you has cast a spell on me"?

2005/02/21

Galiza


Queria estar aqui, e não sair nunca...

Eles divertem-se.

Se há coisa que me surpreende nesta fase, pós conhecimento dos resultados eleitorais, é a alegria do Bloco de Esquerda. Senão vejamos:

1 - Diziam que queriam tornar-se na terceira força política do país, e afinal continuaram no quinto lugar que, diga-se de passagem, já é muito mais do que merecem;

2 - O PS obteve, infelizmente para todos nós (inclusive para a maioria dos que votaram nele), uma maioria absoluta, pelo que é absolutamente irrelevante para a governação que o Bloco tenha 1, 3 ou 8 deputados, até porque Sócrates nunca pensará em "dar uma mão" a canhotos, tal é o pavor que tem do eleitorado do centro, aquela grande massa oscilante que decide as eleições;

3 - Resta pois, ao Bloco - e daí talvez a sua alegria - continuar a ser inconsequente, trauliteiro e demagogo, sabendo de antemão que nunca poderá comprovar na prática as atoardas que regularmente vai mandando ao país, sempre naquele tom arrogante de "nós-somos-os-únicos-intelectuais-cá-do-burgo"!

Deus guarde Portugal!

2005/02/19

Matemática e estatística

Se o CDS/PP tinha, nas sondagens para as últimas legislativas, cerca de 2% e até mesmo 1% das intenções de voto, e depois veio a obter nas urnas cerca de 8,5%, parece-me legítimo pensar que, a manter-se a mesma margem de erro, e já que todas as sondagens apontam agora para uma votação no meu partido de sempre de cerca de 8%, que o CDS/PP vai ter desta vez para aí uns 15% dos votos!

De resto, ainda continuo sem perceber que raio de perversão pode levar uma pessoa a votar em partidos que defendem a não utilização de armas pela polícia, mesmo na Cova da Moura.

2005/02/16

Apelo

Preciso urgentemente de um mês de férias, cheio de dias cinzentos e chuvosos, de uma casa em São Pedro de Moel bem aquecidinha e com vista para o mar, e de mais algumas coisas...

2005/02/09

Rosas

No dia 6 de Fevereiro de 2001, às primeiras horas da madrugada, nasceu o menino mais bonito do mundo, o Lourenço, meu filho. Nesse dia, depois de dormir umas poucas horas, comprei três rosas e levei-as para a clínica - três era o número de elos que, a partir dessa data, passava a constituir o centro da minha vida.

No dia 5 de Fevereiro de 2005 as três rosas murcharam. Desculpem as lágrimas no teclado. Não sei se fará sentido mais alguma coisa, inclusive continuar com este blog.

2005/02/03

Pipocas

Influenciado por diversas leituras apologísticas da coisa, decidi-me ontem a ir ver esse tão elogiado "Closer". Patético! Tal como em "Lost in Translation", assistimos aqui à demonstração prática de como se pode arruinar uma ideia óptima com uma sucessão de confrangedores e previsíveis clichés - por exemplo, o diálogo entre dois dos protagonistas logo no princípio do filme, na sala de espera de um hospital, é um descarado pastiche de um diálogo entre Samuel L. Jackson e John Travolta em "Pulp Fiction": "pigs are filthy animals...". Para rematar, não poderia deixar de estar presente o habitual moralismo - mas penso que é essa a única maneira de o público americano ver o filme e, principalmente, de o perceber.

Contudo, e como em "Lost in Translation", também aqui há uma coisa que se distingue do resto pela sua qualidade: parece-me que a banda sonora é divinal, apesar de não ter ficado até ao fim para ver a ficha técnica e saber quais os intérpretes. Mas acho que tenho que ir à FNAC uma destas noites.

2005/01/31

Cansado mas feliz!


Em A Rua, Galiza

Em Tuy, Galiza também

Neste momento em que vos escrevo estas breves linhas, a minha vontade é mais de cair na cama do que de qualquer outra coisa; de qualquer forma, sempre vos posso contar que, tal como previsto, passei o fim de semana no interior da Galiza a disputar o VI Rali de Invierno, um rallye de regularidade para viaturas clássicas, e, apesar de não ter conseguido manter o ratio de 1/1 de participações/vitórias do meu Alfa Romeo 1750 berlina, a verdade é que me parece que conseguimos obter um resultado bastante meritório: 19º da geral (106 participantes), 6º da classe (cerca de 30), 6ª equipa portuguesa (entre 51) e, principalmente, primeiros dos estreantes e dos poucos (se não os únicos, mas não consigo garantir) que não levavam qualquer aparelho auxiliar de medição quilométrica, para além dos que equipam de origem a própria viatura!

Mas, mais do que a classificação, confirmei as suspeitas que tinha de que a Galiza é um local maravilhoso, apesar das temperaturas negativas encontradas, e até de algumas tímidas amostras de neve. E também provei que, mau grado alguns "velhos do Restelo", e apesar dos seus 33 anos, o Alfa está "aí para as curvas", como bem provam os cerca de 2000 km feitos em 3 dias, muitos deles em ritmo rapidinho...

2005/01/23

Onomatopeia do amor

- É possível que duas pessoas se apaixonem sem que exista um clic dos dois lados?
- Sei lá, pá. Olha mas é para o mar e deixa-me ler o jornal!
- Sim, eu sei que é estranho, mas pensa lá: tem que haver um clic instantâneo, simultâneo, para que a relação entre duas pessoas possa funcionar?
- De que raio de coisa tu havias de te lembrar agora...
- Vá lá, dá-me lá a tua opinião.
- Bom, parece-me que tem que haver um clic, sim, mas, agora que me perguntas, não me parece indispensável que ele tenha que surgir em simultâneo.
- Achas?
- Sim; acho até que essas coisas só surgem em simultâneo nos filmes. Na vida real há sempre apenas uma pessoa que faz clic e que, a partir daí, passa a vida a tentar que a outra pessoa também faça clic - a tentar cativá-la; não leste "O Príncipezinho"?
- Li, claro; és capaz de ter razão. E quanto tempo deve esperar a primeira pessoa que fez clic pelo clic da segunda?
- Sei lá, bolas. Acho que depende da intensidade do clic da primeira. Se tiver sido uma coisa muito forte, pode esperar o resto da vida!
- O resto da vida?
- Sim, o resto da vida!
- E isso não será demasiado tempo?
- Se, como te disse, o clic tiver sido dos fortes, não!
- E se a pessoa esperar pelo clic da outra o resto da vida e ele nunca acontecer?
- Azar; mas ao menos provou, pelo menos a si próprio, o quão estava apaixonada.
- Sim, mas isso de nada lhe adiantou.
- O que é que queres que te diga mais? Não há explicação lógica, e ainda menos racional, para essas coisas. Mas também há casos em que vale a pena esperar, em que o clic da segunda pessoa surge ao fim de anos.
- Quer dizer que nos casos em que não há clic, não vale a pena esperar?
- Eu não disse isso. De resto, como é que sabes se vai haver clic ou não? Se te aconteceu um clic dos fortes, só te resta esperar pelo outro clic - e é claro que vale sempre a pena esperar, aconteça o que acontecer.
- Sim, mas quanto tempo devo eu esperar por esse clic, afinal de contas?
- Porra, não percebeste mesmo nada do que eu te disse!
- ...
- Olhe, sefáxavor! Traga-me uma tosta de frango e um galão com espuma.
- Diz-me lá: quanto tempo achas que devo eu esperar por esse clic da outra parte?
- Tu? Bom, se estás mesmo apaixonado, no mínimo o resto da vida. Agora deixa-me ler o jornal!
- O resto da vida?

Um pai de família tradicional

A aparente modernidade do Bloco de Esquerda só pode mesmo enganar os mais distraídos - é preciso não esquecer que, debaixo daquela capa de liberdade intelectual, dorme um bicho encostado ao radicalismo de esquerda, porventura o mais sanguinário e reaccionário dos fundamentalismos. Disso mesmo nos veio esta semana lembrar o seu líder, o super-demagogo Francisco Louçã, ao considerar publicamente que Paulo Portas não teria direito a ter opinião sobre o aborto por nunca ter gerado uma vida, ou por "não conhecer o sorriso de uma criança". Ficam também assim, por esta ordem de ideias, excluídos do mesmo direito à opinião, os simpatizantes e membros do seu grupo de trabalho homossexual, que devem dar bastante jeito para ir buscar mais uns votos e, principalmente, para compor um retrato de abertura espiritual do grupelho, mas que, na opinião do afinal tradicionalista e intolerante Louçã, não têm - nem podem nunca vir a ter! - conhecimento de causa sobre uma das mais folclóricas bandeiras daquela gente.

Mas, mais incrível e ilustrativo da cegueira intelectual e "encarneiramento" que grassa por aquelas bandas, é o facto de praticamente todos os aspirantes a "louçãzinhos" se babarem na defesa da argolada do mestre, com o "semi-guru" Teixeira Lopes a ensaiar mesmo indecorosas incursões por aquilo que considera ser a vida privada de Portas. Isto já não é apenas demagogia nem populismo - é doentia obsessão totalitária e mostra-nos novamente o quão perigosa se pode tornar a seita, assim os socialistas desta terra se lembrem de lhes dar boleia!