2004/10/10

Inveja


Augustus John, na Tate Gallery, Londres, até 9 de Janeiro. Já não chego lá a tempo.

2004/10/07

E já agora:


É só para lembrar que faço anos daqui a pouco mais de duas semanas, e no ano passado ninguém se lembrou de me oferecer um Morgan...

Celebridades

E de novo o país real se agita - nos intervalos de um freak show rural - em redor de um não-acontecimento, repentina e habilmente transformado em facto político: o grandiloquente Marcelo Rebelo de Sousa ("professor Marcelo", para os íntimos) deixa voluntariamente o seu domingueiro posto opinativo na sequência, ao que parece, de algumas críticas que a si foram dirigidas pelo ministro Rui Gomes da Silva. Mas vamos por partes:

R.G.S. mais não fez do que expressar publicamente um sentimento que há muito atravessa a cabeça de qualquer português com um mínimo de lucidez: M.R.S. usa e abusa do seu espaço televisivo, supostamente de comentário político, para ajustar contas com todos aqueles que, de uma forma ou doutra, o ultrapassaram na sua irregular mas ambiciosa carreira política. É um mero exercício de catarse de vários anos de ressabiamento acumulado, e de sede de protagonismo desmedida. R.G.S. apenas disse: "o rei vai nu!"

Não obstante o que acima ficou dito, não é menos verdade que a TVI, a estação onde, a par com outras curiosidades e aberrações, M.R.S. vai destilando semanalmente o seu fel, é uma entidade privada e, como tal, livre de apresentar um espaço de massajamento pessoal do ego de M.R.S. disfarçado de "espaço de opinião". Mas isto, note-se, dentro de limites de razoabilidade definidos pelo bom senso, os quais deverão, à falta de melhor hipótese, ser balizados pela Alta Autoridade para a Comunicação Social. Vivemos numa democracia, lembram-se?

As críticas dirigidas por R.G.S. publicamente a M.R.S. são absolutamente legítimas e expectáveis numa sociedade livre e democrática, mas nunca, per se, justificativas de uma tão brusca decisão. Se M.R.S. não tem qualquer pejo em, semanalmente, desancar em quem muito bem entende, deverá então estar desportivamente preparado para a resposta. O contrário pareceria mais próprio de uma criança mimada do que de um reputado analista político e mestre de direito.

Dando então de barato que não foram os comentários de R.G.S. que provocaram a intempestiva saída de M.R.S. (até pelo óbvio motivo de que, em termos de peso político das duas figuras, a balança pende ostensivamente para o lado de M.R.S.), há então que descobrir os motivos para a mesma - visto que, e até à altura em que escrevo, M.R.S. tem gerido estrategicamente o seu silêncio, dando intencionalmente azo às mais fantasiosas especulações.

Durante o dia, fui lendo e ouvido por toda a comunicação social, e até da boca de várias pessoas, a falácia de que o Governo, num condenável acto de censura, afastou M.R.S. do seu pedestal opinativo. É a velha história de se achar que uma mentira repetida muitas vezes se pode transformar em verdade. Mas o facto real - e aqui não há volta a dar - é que foi o próprio M.R.S. quem, de moto próprio e sem qualquer tipo de explicações públicas, resolveu abandonar voluntariamente aquele lugar. Esta é a verdade, por muito que a opinião publicada nos queira impingir o contrário. Aliás, se existisse de facto, o tal terrível movimento obscuro destinado a silenciar este educador de massas, por que raio iria R.G.S., num autêntico "tiro no pé", quebrar o secretismo da conjura com os seus intempestivos comentários públicos?

São conhecidos os mitos que rodeiam o comportamento político e pessoal de M.R.S., pelo que não será de todo ilegítimo concluir que, com uma grande dose de probabilidade, a sua decisão foi previamente pensada e planeada, com rigorosos timings de acção, para provocar um sentimento de auto-vitimização, e a compaixão dos muitos portugueses que, domingo após domingo, ansiavam e se deleitavam com as centenas de sugestões de coffee table books sobre tapetes de Arraiolos, arquitectura manuelina ou leitões da Bairrada. Os comentários de R.G.S. foram apenas o pífio pretexto de que M.R.S. necessitava para sair com uma virginal aura de "voz incómoda afastada".

Também bastante se tem aventado a hipótese de o próprio presidente do conselho de administração da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, ter aconselhado M.R.S. a "amaciar" o seu discurso relativamente ao Governo, tendo em vista a prosecução e concretização de negócios por parte daquele grupo. Mas também esta teoria cai rapidamente pela base, se pensarmos nas desvantagens que a TVI teria ao perder a colaboração semanal do douto professor. Ou seja, M.R.S. teria poder suficiente - e ele sabe-o bem - para manter a sua posição e atitude truculenta, e à TVI e a M.P.A. apenas restaria aceitá-la sob pena de perderem share.

Desmontada, pois, esta abstrusa "teoria da conspiração" de um mafioso afastamento de M.R.S. do seu púlpito, o que nos resta? O óbvio: a ambição desmesurada e a fenomenal visão estratégica de M.R.S. juntaram-se para criar um facto político que visa, simultaneamente, abanar ainda mais a actuação - atabalhoada, valha a verdade - deste Governo, onde M.R.S. conta por ódios e ressabiamentos os ministros, e, por outro, criar o espaço necessário para "o professor" começar a preparar novas "corridas", intra e extra partidárias, num cenário de corajosa independência política e suposta frontalidade. Veja-se para já, quem correu em seu socorro: desde José Pacheco Pereira - sempre em bicos de pés, sequioso por uma migalha de protagonismo, mesmo que a reboque de outrém, e também ele cheio de ódios de estimação em relação a este Governo e às forças que o integram - a Bernardino Soares, passando por Francisco Louçã ou Arons de Carvalho, parece, para já, estar reunida uma improvável mas tenaz falange de apoio. Como dizia há bocado Luís Campos Ferreira, esta será uma boa altura para M.R.S. começar a pensar em contabilizar apoios para as novas batalhas políticas que se aproximam.

2004/10/04

Amigos

É bem verdade que o tempo nos vai mudando - uns ganham maturidade, outros ficam rabugentos, e outros ainda... apenas mudam.

Conheço centenas de pessoas, para não dizer milhares, e costumava achar que, por isso, tinha centenas de amigos; mas a idade e as experiências da vida ensinaram-me que nem sempre as coisas são bem assim. Se da lista dos meus conhecimentos excluir aquelas pessoas que:

1) Não conhecem outro tema de conversa a não ser a sua própria pessoa, incluindo a palavra "eu" em todas as frases, e revertendo qualquer assunto para os seus casos pessoais; são aquelas pessoas a quem dizemos: "estou destruído; morreu o meu pai!", e elas respondem "que chato; eu também ando aqui com uma unha encravada...".

2) Que têm sempre uma opinião definitiva e melhor do que qualquer outra sobre todos os assuntos, incluindo sobre temas a propósito dos quais ninguém está interessado nas suas opiniões, e ninguém lhas pediu!

3) Que não são capazes de ouvir sem interromper permanentemente o interlocutor, a maior parte das vezes com assuntos manifestamente off-topic, o que tem ainda a agravante de mostrar que, mal educadamente, não estavam a ligar peva ao que dizíamos.

4) Tentam impor sempre a sua vontade e só conseguem andar acompanhadas por um numeroso séquito, ligando pouco ou nada ao facto de às outras pessoas não interessar muito ir aos sítios onde elas pretendem ir.

5) Pouco inteligentes (para não dizer burras), mas que, perversamente, fazem alguma gala no facto. São aquelas pessoas a quem dizemos qualquer coisa, sobre um livro que andamos a ler ou um filme que vimos, por exemplo, e nos respondem com um risinho parvo "pois, deves ter razão, mas eu não percebo nada disso", como se isso fosse elogiável.

6) De, um modo geral, não têm a coragem ou a humildade (não confundir com pessoas que se humilham)para questionar as suas próprias decisões e opiniões, e assim admitirem que há outras alternativas para além daquela(s) que sempre tiveram como única(s).

Por estas, e por muitas outras, é que, das tais centenas de pessoas que conheço, não são necessários os dedos de uma mão para contar aquelas com quem verdadeiramente gosto de estar.

2004/09/30

Desculpa

Até me seria fácil dizer que tenho andado assoberbado de trabalho, mas estar-vos-ia a mentir; o que me tem impedido de escrever tem sido, principalmente, preguiça.

Entretanto, fica a informação em primeira mão para todo o auditório, de que lá me conseguiram convencer, e em Dezembro ir-me-ei juntar à legião de cerca de nove milhões de portugueses que já atravessaram o Atlântico até Terras de Vera-Cruz.

2004/09/21

Dúvida

Gostava de saber a razão pela qual pessoas que não vêem crueldade, barbárie, ou sequer inconveniente no acto de se despedaçar ou envenenar um bebé no útero materno, tanto se indignam por saber que raposas inglesas são mortas por cães.

P.S.: Já tinha formulado esta questão num comment anterior, mas ficou sem resposta então; quero acreditar que apenas por falta de visibilidade.

Unidos venceremos!

Afinal não estou sozinho; o jornalista Jorge Mourinha escreveu no Blitz, uma reportagem sobre o concerto da Madonna - para a qual, infelizmente, não encontrei link - na qual diz tudo o que eu teria dito sobre o dito concerto, se tivesse estado lá, e se soubesse escrever assim.

Por outro lado, o Pedro Robalo escreve nos Quase Famosos tudo aquilo que eu acho e também gostaria de saber escrever sobre os The Libertines. A certa altura, quando oiço "I no longer hear the music", quase iria capaz de jurar que é o próprio Joe Strummer quem, do fundo da terra, se lamenta.

2004/09/19

Cultura mainstream

Será que a cabeça daqueles rapazitos que trabalham na FNAC do Colombo não serve para mais nada a não ser almofada de alfinetes ou cobaia de cabeleireiros alucinados? Há umas horas perguntei a três - três! - espécimes da raça, que se encontravam por detrás de um balcão, se poderia encontrar ali os álbuns dos The Ordinary Boys ou dos Delays, e apenas obtive como resposta um olhar bovino, e um "como é que isso se escreve?", seguido de um olhar cúmplice entre eles, tipo "o-kota-deve-querer-é-qualquer-coisa-da-Madonna-ou-da-Ivete-Sangalo".

Bolas, não estou a falar de nada do outro mundo; são bandas que estão nos tops em Inglaterra - mas isto é Portugal, e cá o que se consome é outra coisa (nem vou dizer o quê para não me cairem em cima). Para não perder a viagem, aproveitei para trazer - sem ajuda "profissional" - os álbuns dos The Libertines (grande malha!) e dos Flaming Lips; ah, e o DVD do "Kenai e Koda", por imposição do Lourenço.

Já agora, considerando que estamos a cerca de um mês do meu aniversário, e atenta ainda a dificuldade que normalmente se tem em escolher presentes (eu pelo menos tenho), deixo-vos aqui a sugestão do primeiro parágrafo, caso vão, ou conheçam alguém que vá a Londres antes de mim (penso ir lá pelo Carnaval, mais coisa menos coisa); julgo que lá não deverá ser difícil encontrar aquele material em qualquer lugar, mas, em caso de dificuldade, a Tower Records em Picadilly serve sempre de tira-teimas - ou isso, ou uns DVDs dos Monty Python's, começando pelos episódios do Flying Circus, claro, mas podendo também incluir os filmes, principalmente "A vida de Brian". Há também os filmes de Peter Sellers, principalmente um dos últimos, de que não me recordo do nome, em que ele fazia de jardineiro - Chauncy Gardener, acho que era assim que se chamava. Delicioso, mas já estou a transivergir, não é?

2004/09/17

Poema...



...humildemente dedicado a toda a gente que se entretém a combater a caça à raposa em Inglaterra (que a mim tanto se me dá como se me deu...), bem como as toiradas, de que gosto muito, e que "esquece" outros actos bem mais cruéis, muitas vezes perpetrados contra seres humanos (mas lá longe...):

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
(...)

Sophia de Mello Breyner Andresen in "Livro Sexto", 1962

2004/09/16

Sumólico

O Lourenço por vezes é muito barulhento, mas pareceu-me que ontem, no noticiário da hora de almoço, para além de ver João Soares atirar displicentemente a ponta de um cigarro para o chão do Largo do Rato, ouvi nitidamente um bigodudo director do Benfica falar na opinião de supersumos.

Falsa partida

Há muito que não me sucedia ter um dia assim; nunca chegaram à noite com a sensação de terem sido uma espécie de observadores exteriores da vossa vida?

Eu sei que num post deste tipo a exposição pessoal atinge níveis perto do limite, mas também, se me importasse demasiado com isso, para que criaria um blog?

A verdade é que ontem, último dia de férias, quase ansiava pelo regresso ao trabalho e à rotina diária; mas agora, dez horas da noite, sinto que algo me escapou durante o dia. No trabalho as coisas não correram bem como esperava, nas minhas conversas senti-me como se fosse outra pessoa a falar, como se não mandasse na minha vontade (e, se calhar, perdi de novo a oportunidade de dizer coisas importantes), e, neste suposto primeiro dia de uma nova dieta, fui jantar a casa da minha mãe onde, como qualquer pessoa sabe, é impossível fazer dieta!

Para cúmulo sinto-me febril, indisposto, e amanhã cedinho tenho que fazer uma viagem grande - trabalho outra vez. Bom, chega de intimidades, vou dormir.

Ganda Vitórria, carraças!

Não sou grande apreciador de futebol, já o disse aqui várias vezes, e por mim o Campeonato até podia acabar já hoje.

2004/09/15

Caso não tenham reparado:

Estou de volta - já cheio de saudades de tudo o que lá deixei: dos pequenos almoços na esplanada do Fresco, e dos Villiger fumados à noite, no terraço, a ouvir o marulhar das ondas (num caso e noutro com o frio do Atlântico na cara) - cheio de saudades de tanta coisa, é verdade, mas de volta.

O povo, esse ignorante...

Tenho acompanhado, como toda a gente, a manobra de propaganda pura que meia dúzia de holandesas vieram fazer para a costa portuguesa, dando boleia a outra meia dúzia de portugueses, certamente amigos de Francisco Louçã e sequiosos de auto-promoção.

Não me parece, no entanto, que tenha sido dos melhores serviços prestados a uma causa, já de si dificilmete defensável, esta espécie de circo montado nas barbas dos portugueses. Mas muita gente viu aqui a nesga de oportunidade para - novamente - subverter a democracia vigente e tentar pela enésima vez a alteração da lei do aborto, fazendo tábua rasa de um referendo cujo resultado não foi o por si esperado.

Reclamam alegadamente, estes artistas improvisados, o direito da mulher grávida a mandar no seu corpo; esquecem, convenientemente, que no caso de uma mulher grávida existe uma outra vida dentro do seu corpo, e não um qualquer tumor a extirpar ou vírus a erradicar - uma vida, aliás, absolutamente indefesa, e apenas dependente da mãe para sobreviver.

Mas uma vida ceifada não passa de fait-divers para quem apenas ambiciona a sua própria progressão política, seja a que custo for. Afirmam estes supostos defensores dos direitos da mãe - mas não, curiosamente, dos direitos do pai ou do filho - para supostamente alicerçarem a sua patética argumentação a favor da morte de inocentes, que entre os opositores à liberalização do aborto existe muita "tia" que já foi, ou há-de ir, a Badajoz efectuar um oportuno "desmancho". Como se o facto de haver um bombeiro que deita fogo a uma serra fizesse de todos os bombeiros incendiários!

Mas a mais curiosa afirmação de quem só pensa em afirmar a sua opinião, nem que tenha que cilindrar todas as outras, ouvi-a há uns dias de João Soares, nesta sua patusca campanha para a liderança do PS: pelos vistos, o filho de um dos "maiores democratas portugueses" (eles é que dizem...) sempre afirmou que "o referendo era um logro" e que a questão do aborto devia ser discutida sem extravazar os limites da Assembleia da República. O professor de Santa Comba Dão não teria dito melhor. E, acrescento eu, também deve ser uma real chatice que seja todo o povo a votar, não é? Gentinha sem qualquer tipo de cultura política. Deve ser uma pena que as eleições não possam ser apenas decididas nas redacções dos jornais, de preferência de acordo com as sondagens, ou por quem faz aquelas setinhas do "sobe e desce".

O melhor espectáculo do mundo!

Por estes dias (e não há tão poucos como isso) temos sido bombardeados com as mais diversas loas ao concerto de Madonna. Começou por ser um movimento ténue, a propósito da possibilidade de o dito concerto ter que ser cancelado, devido ao agendamento anterior para a mesma data de um congresso da Igreja Maná - o que, vendo bem, até faz sentido, pois trata-se de acontecimentos com graus de importância equivalentes - mas rapidamente se alargou a toda a classe pensante, com a blogosfera também ela rendida à virgem.

No entanto, a profusão de reportagens nestes últimos dias - aliada ao facto de eu ter estado de férias, sem acesso à net, e com (demasiado) acesso à televisão - tornou-se verdadeiramente insuportável. Ontem à noite era ver as entrevistas com quem saía do Pavilhão Atlântico, e a ladaínha era sempre a mesma: entre muita baba, meninas muito loiras e meninos muito bronzeados diziam a uma voz "foi o melhor espectáculo que já vi", "inesquecível", "patati", "patatá" - e isto, note-se, a propósito de um concerto "de plástico", milimetricamente coreografado e planeado para fazer delirar as hostes.

O que se torna aqui verdadeiramente fascinante é verificar até que ponto os media influenciam o homem comum; vendo aquelas almas tão genuinamente saciadas com um bocado de concerto "a metro", quase somos levados a pensar que fizémos mal em não ter ido esperar umas horas para uma fila, a fim de ver a - so called - diva.

Mas depois pensamos melhor; se as televisões tivessem estado em peso uns dias antes à saída do Paradise Garage, onde decorreu, muito provavelmente, um dos últimos espectáculos dos The Libertines, não teria ouvido comentários semelhantes, ainda que de gente diferente?

E se tivessem estado há umas semanas à saída da muralha de Óbidos, depois do concerto de Lloyd Cole, debaixo de uma magnífica lua cheia, ter-me-iam certamente ouvido dizer que poucos momentos na minha vida me deram a mesma satisfação daquelas duas horas. Mas a televisão real vai para a porta do concerto da Madonna e não para Óbidos - e ainda bem que assim é!

2004/09/06

Intervalo

Como já devem ter percebido, este blog encontra-se de férias, em consequência das férias do seu único autor (nunca mais aparece o convite para escrever num daqueles blogs ditos "de referência", com múltiplos opinadores...); aliás, mesmo este post surge fortuito e imprevisto, pelo que os meus queridos leitores só deverão esperar escrita minimamente regular a partir de 20 de Setembro - ainda que possa surgir uma ou outra excepção extemporânea, como a presente, escrita com uma barba de nove dias.

Entretanto, e para não dizerem que venho aqui e não escrevo nada, deixo-vos com uma descoberta que fiz muito tarde na minha vida - mas não tão tarde que não tenha vindo a tempo: uma manhã passada numa esplanada é sempre melhor que a mais glamorosa das festas, ou que a mais divertida das noites boémias!

2004/08/29

Não se pode ter tudo!

Cada vez acredito mais que há uma espécie de equilíbrio divino em tudo o que existe; só essa ideia nos poderá dar - a nós, os que não fomos bafejados pelos dons da beleza - o ânimo para prosseguir em frente neste mundo tão competitivo, e tão rendido às primeiras impressões.

Na última edição da revista "Maxmen" surge uma entrevista com uma figura, chamada Isabel Figueiras, cujo único mérito (re)conhecido lhe advém do facto de ter uma carinha laroca. A dita entrevista não contém informação relevante, nem tal seria de esperar; serve apenas e tão só para enquadrar ums fotos da jovem mostrando algumas partes das suas jovens carnes, enquanto elas lhe podem servir de rendimento.

Mas, a certa altura, o entrevistador entusiasma-se e arrisca: "costuma levar livros para férias?" - ao que a menina responde que "(não porque) as férias são mesmo para descansar". Daqui se depreende que para esta menina, como para uma quantidade imensa de portugueses, a leitura é uma canseira!

2004/08/24

Finalmente!

Daqui a algumas horas terão início as minhas férias; três semanas durante as quais deverei postar (ainda) menos do que o habitual. Não é preciso agradecerem.

E a verdade é que o meu relógio biológico já começou a assumir a disposição do período. Tenho aqui um diabinho de lado a matraquear: "uma caipirinha, uma caipirinha!"

2004/08/20

Lata

O jornalista Octávio Lopes, do "Correio da Manhã", que gravou conversas importantes e comprometedoras sem o conhecimento dos seus interlocutores - e garantindo-lhes que não o estava a fazer - accionou uma providência cautelar contra outras publicações, impedindo-as de publicar as ditas gravações, bem como, se bem entendi, alusões à sua pessoa enquanto autor das mesmas. Alega este fulano que tal poderia ser dramático para o seu bom nome em termos profissionais pois, se tal publicação se verificasse, as pessoas poderiam ficar a pensar que ele era uma pessoa com baixos valores morais e deontológicos, e não digna de confiança - podiam até pensar que se tratava de uma pessoa capaz de gravar secretamente conversas particulares!

Há muita gentinha para aí com cara de pau, mas este tipo devia receber uma medalha!

Criaturas bizarras, parte 1: o tuning


Será possível imaginar uma figura mais cretina do que um tipo de boné de baseball enfiado na cabeça (de dia ou de noite), sentado num carro que mais parece uma nave espacial em segunda mão, ouvindo num volume estapafúrdio, numa aparelhagem que lhe custou os subsídios de férias e de Natal dos últimos anos e dos vindouros, uns sons primitivos, tipo "tum-tum-tum", conduzindo devagar e mirando os outros condutores com sobranceria, como se se tratasse de um piloto de fórmula 1 a efectuar a volta de aquecimento (normalmente deve ir a pensar qualquer coisa do género: "Podes passar por mim à vontade, porque eu sei bem que, se ligar a garrafinha de nitro, tu nunca mais vês a traseira do meu CRX - e se não acreditas, pergunta aos meus colegas da "Vasco". O problema são as curvas, que nem eu nem os meus amigos aprendemos ainda a fazer, mas se os bons condutores se vissem nas rectas, eu era o campeão!")?

Sim, respondo eu - é possível ser-se ainda mais imbecil: hoje vi um tipo destes com o pit-bull sentado no banco do passageiro.

Ora diga lá...

Esta é uma recuperação recente para o leitor de CDs do carro; quem canta isto?

Cry, cry,cry
Cry,cry, cry
I´m gonna cry myself blind!

2004/08/19

Pode dizer a frase?

Até nem me importava de escrever um pouco mais no blog, mas confesso-vos que ando completamente desinspirado, e nem temas me surgem. Alguém me quer dar uma sugestão sobre assuntos para desenvolver?

2004/08/17

Aviso

Ontem, no Algarve (em trabalho), jantei shoarma - não porque goste, mas sim porque era o que se servia no único restaurante onde arranjei lugar. Há dias, num daqueles questionários jornalísticos típicos da silly season, li nas respostas de duas figuras importantes do nosso desporto que "as coisas que mais os irritam nas férias" são as filas - um deles até particularizava: "fila para estacionar, fila para o restaurante", como se de uma inevitabilidade se tratasse.

Caros coincidadãos, eu não vos devia estar a dizer isto, mas também não é nenhum segredo: sabiam que as férias não têm que ser gozadas forçosamente em Agosto? E sabiam que há vida inteligente fora do Algarve este mês? Bem mais inteligente até...

2004/08/16

Arrogância

Diálogo numa loja de discos:

Eu:
- Tem o CD duma banda chamada Fritz Ferdinand?
A menina (com ar enjoado, tipo "vêm-para-aqui-estes-tipos-com-pedidos-esquisitos-..."):
- Fritz Ferdinand?
Eu (num tom paciente):
- Sim, são escoceses, foram ao festival da Zambujeira...
A menina (com ar "só-conheço-a-Britney-Spears-e-aquela-bué-da-gira-do-Eminem"):
- Tem a certeza de que é esse o nome?
Eu (já meio impaciente, tipo "metem-aqui-a-atender-numa-loja-de-discos-esta-gente-que-só-conhece-Robbie-Williams"):
- Sim, tenho!
A menina (no mesmo ar enjoado "não-tenho-pachorra-para-pedidos-esquisitos-ainda-por-cima-de-kotas"):
- Não, não tenho cá nada com esse nome!
Eu (já irritado, dando meia volta):
- Obrigado, boa noite.
A menina (subitamente em tom vitorioso, tipo "Gotcha!"):
- Não quererá antes dizer Franz Ferdinand?
Eu (atrapalhado, apanhado, a pensar "não-haverá-por-aqui-um-buraco-onde-me-possa-meter-?"):
- Eeh, sim, pois, se calhar é isso...
A menina (gozando a vitória):
- Pois, Franz Ferdinand tenho sim; eu estive no Sudoeste (quem diria?), e gostei muito.
Eu ("um-buraco-um-buraco-!"):
- Pois, desculpe, enganei-me, tem razão...

Franz Ferdinand, grande malha; agora só me falta encontrar The Ordinary Boys!

2004/08/13

Os dois lados

Há pelo menos uma vantagem óbvia no péssimo início de Jogos Olímpicos protagonizado pela selecção nacional de futebol: é que, quanto mais depressa eles forem eliminados, mais depressa também os portugueses perceberão que os Jogos Olímpicos não são um torneio de futebol, e que existem lá muitos outros portugueses com hipóteses reais de trazerem medalhas.

2004/08/10

Pedido

Um blog tem uma quantidade de usos absolutamente insuspeitos, não acham?

A verdade é que, devido a um qualquer erro informático, que penso que não me é imputável, fiquei de repente com a minha agenda de endereços de e-mail praticamente apagada; é por isso que peço a todos os meus caríssimos amigos, e principalmente àqueles que me visitam através deste blog, o favor de me voltarem a enviar os vossos endereços de e-mail para aldino.de.brito@zmail.pt, o que desde já agradeço.

2004/08/09

Gostos

A quem ainda insiste em afirmar que o histerismo em redor do futebol é de origem espontânea e popular, e não fruto de uma maquiavélica promoção que nos quer ensinar do que devemos gostar, eu apenas pergunto: se é assim, porque é que os americanos se estão "nas tintas" para o futebol, e apenas deliram com um sucedâneo de rugby (a que, por coincidência, também chamam futebol)?

Eu respondo, não se preocupem: porque lá é isso que lhes impingem, percebem? Como é possível que haja um país em que há espaço e mercado para "sei-lá-quantos" jornais diários, ditos "desportivos", mas na realidade sobre futebol - mesmo quando não há vislumbre de um jogo? E como é possível haver um povo que, todos os dias, religiosamente, compra um ou mais desses pasquins, e "devora" toda a informação nele eventualmente contida?

Alegria, dizem vocês? Alienação, respondo eu.

P.S.: Isto dito, confesso que, na semana passada, por simpática insistência amiga, acabei por ir ver um jogo de futebol - o Portugal-Paraguai. Apreciei, não posso dizer que não, mas menos do que apreciaria um jogo de ténis, uma toirada, ou uma corrida de automóveis.

2004/08/05

Pop

Desde quase a adolescência que não me lembro de gostar tanto de uma música a ponto de conseguir fixar toda a letra; mas hoje vim desde o Algarve a cantar sozinho:

"Hector was the first of the gang
With a gun is his hands
And the first to do time
The first of the gang to die
Such a silly boy!"


Sabem quem canta, sabem?

Adenda

Além das sugestões do post anterior, para as cerca de setenta e três pessoas que não estão no Algarve em Agosto, deixo aqui mais as seguintes ideias:

Num cinema perto (ou longe), não percam "Wilbur quer matar-se", uma pérola; para além da história, lindíssima, há ainda as fascinantes imagens de Glasgow. Só mesmo vendo.

Na Culturgest, até 19 de Setembro, exposição de trabalhos de Keith Haring; ainda não fui, mas não quero perder.

2004/08/01

Sugestões de Verão

Apesar de só ir de férias daqui a quase um mês (por opção própria - por mim o mês de Agosto podia muito bem ser riscado do calendário), não deixo de pensar nos cerca de 8.000.000 de portugueses que estão agora de férias, cerca de 7.000.000 no Algarve, e dos quais 3 ou 4 lêem - por vezes - este blog. Para esses resistentes, deixo agora aqui duas simples sugestões de leituras e música light, adequadas precisamente a esta época:

Estou quase a terminar "Hotel Finbar", espécie de romance composto por contos mais ou menos independentes, escrito por sete irlandeses contemporâneos (dos quais, confesso, só "conhecia" Roddy Doyle, de "A mulher que ia contra as portas"); recomendo.

Para ouvir, sem pensar muito nisso, "Bone", de Tim Booth.

Não precisam de agradecer.

2004/07/31

E ninguém me avisava?

Valeu a pena a petição: a Xobineski voltou!

Lémingues

Há algum tempo, o presidente da distrital do Porto do P.S., Francisco Assis, foi a Felgueiras no rescaldo do caso Fátima Felgueiras, e foi agredido por apoiantes da dita - ausente por motivo de banhos - supostamente também simpatizantes ou militantes do mesmo P.S.; ou, pelo menos, instigados por militantes.

Há menos tempo, numa disputa fratricida pela presidência da concelhia do P.S. de Matosinhos, Narciso Miranda e Manuel Seabra envolveram-se numa cena de ciúmes para conseguirem a atenção de Sousa Franco, candidato do partido às eleições europeias. A (triste) história meteu até contratação de "gorilas", e terminou da trágica forma que todos conhecem: com a morte de Sousa Franco momentos depois, por ataque cardíaco fulminante.

N'"O Independente" de ontem vem relatada, com alguns detalhes demasiado específicos para se tratar de uma simples invenção, toda a urdidura que António Costa montou, por forma a envolver Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues no processo Casa Pia (justa ou injustamente), e assim ascender "naturalmente" à liderança do P.S..

Por mim acho que vou deixar de criticar o P.S., mais que não seja por caridade - eles já têm demasiados opositores lá dentro, e pelos vistos não resolvem as divergências através do simples debate de ideias.

2004/07/30

Ídolos como nós

Alguns de vós ir-me-ão achar naïf, e até infantil pelo que vou contar (os outros já achavam antes), mas há pequenas histórias que acho que nunca deixarão de me fascinar.

Em conversa com o meu colega J.P., fiquei a saber que, em anos não muito distantes, ele trabalhou em Inglaterra, na indústria hoteleira. Soube também que desempenhou essas funções em Bristol, e que conhecia razoavelmente a zona em volta, mais ou menos até Cardiff. E, principalmente, contou-me que, no restaurante em que trabalhava, era comum ter a visita dos membros dos Stereophonics, dos Catatonia, dos Manic Street Preachers, e - pasme-se! - até dos Portishead. O J.P. provavelmente serviu umas lambchops a Beth Gibbons, e viu de perto umas grandes bebedeiras de James Dean Bradfield, bolas!

É evidente que sei que até as divas precisam de comer, mas tudo isto assim contado torna as coisas tão terrenas, e ao mesmo tempo tão surrealistas, não é? São pessoas que nos habituámos a idolatrar, e de repente percebemos que são verdadeiras - já o sabíamos antes, claro, mas assim, de uma forma tão próxima e tão real, dá para ficar de boca aberta.

Desculpem lá o deslumbramento; a normalidade regressa dentro de momentos.

2004/07/28

Férias

Não, ainda não estou de férias, mas ontem passei perto da minha querida Zambujeira do Mar e não resisti: almocei de novo no Café Fresco, uma tosta de frango, um galão com espuma "até às orelhas", e aquela tarte de maçã inigualável - e, principalmente, pouca gente, o jazz, a minha mesa favorita (à sombra, frente à falésia), e aquele maravilhoso fresco húmido do Atlântico, que nos faz sentir a pele sempre molhada.

De noite vim pernoitar ao hotel do costume, aqui na Praia da Rocha, de onde vos escrevo; e encontrei um "forno" indescritível, gente, gente e mais gente a passear nas ruas por não aguentarem o calor dentro dos seus apartamentos de férias, todos com as suas melhores toilettes de noite - leia-se saltos altíssimos para elas, e calças vincadinhas para eles.

Agora, explique-me quem puder: como é possível gostar disto?

2004/07/26

Como ajudar a passar estes dias de Inferno por menos de 500,00€:

Comigo tem resultado:

1 - 399,00€: um ar condicionado portátil, comprado na E. Leclerc, e estrategicamente ligado no piso dos quartos umas horas antes da "deita". Faz maravilhas, acreditem!

2 - 16,19€: O álbum "Cinema", de Rodrigo Leão, com as vozes (entre outras) de Beth Gibbons e Sónia Tavares. A consumir sem moderação, principalmente no carro (e também com o ar condicionado sempre no máximo).

3 - 4,40€: Uma cadeira de plástico simples, daquelas de esplanada, comprada na Makro. Não sei se já vos disse, mas ao lado deste lugar onde tenho o computador, possuo um terraço muito simpático; existe uma mancha de pinheiros em primeiro plano, e ao fundo vejo Lisboa da forma como ela me parece mais bonita - de longe. Como bónus, ainda consigo apreciar a Serra de Sintra, maravilhosamente recortada. De noite então, a vista é lindíssima mas, por preguiça, até hoje pouco ou nada usufruía dela. Agora tudo mudou: com uma cadeira de espaldar, aproveito o fresco das noites a fumar um Villiger n.º 9 e a pensar em coisas boas.

4 - Grátis: Um passeio pela baía de Cascais ontem, domingo, num galeão do sal, iniciativa da Câmara Municipal de Cascais, de que eu gozei por simpático convite de umas amigas. Regenerei energias, é verdade, mas tenho cá um palpite de que este passeio me vai sair caro: é que saí de lá com um "bichinho" a atazanar-me para me inscrever num curso de velejador, e de seguida procurar um veleiro antigo para recuperar, sabem? Pode ser que passe, ou talvez não...

2004/07/25

Serra Mãe

Quando escolhi este título para o blog, pensei que a expressão era do conhecimento da generalidade dos leitores; confesso que me senti algo desiludido quando comecei a perceber que poucos eram aqueles que realmente conheciam a origem da mesma. Pois bem, para que não restem dúvidas, esclareço agora toda a gente que a expressão "Serra Mãe" foi primeiramente utilizada (tanto quanto sei) pelo poeta azeitonense Sebastião da Gama, para designar nos seus poemas a Serra da Arrábida, pela qual nutria uma desmedida paixão.

Sebastião da Gama morreu novo, vítima de tuberculose, mas deixou-nos um legado fantástico de poesia, e um exemplo de amor pela serra que é hoje seguido por todos os azeitonenses, mesmo pelos "adoptivos", entre os quais me incluo há quase trinta anos. Aliás, tenho o grato prazer de conhecer pessoalmente a sua viúva, D. Joana Luísa, dona de assinalável espólio referente ao poeta, parte do qual pode ser observado no Museu Sebastião da Gama, pequeno mas interessante espaço cultural logo à entrada de Azeitão, para quem vem de Lisboa.

Não sou grande coisa a memorizar poesia (que saudades do meu avô Álvaro), mas toca-me principalmente um poema que termina mais ou menos assim:

"...julguei ter a serra por mãe,
quando afinal não serei mais que seu bastardo!"


Acabei agora de voltar da serra, que está a arder em várias zonas, mas principalmente no seu maciço central, na zona das antenas, e não consigo colocar em palavras a dor que trago na alma.

2004/07/24

Raios partam o calor!

A Ana tem razão: é impossível alguém, com um mínimo de razoabilidade, gostar deste tempo horrível - a menos que os mais de 40º já lhe tenham fritado os neurónios!

2004/07/23

Don't go away!

Desculpem lá, mas o tempo para escrever não tem sido muito; não desistam, está bem?

2004/07/18

Enjoo de Pomar

Não sou propriamente um "rato de museu", mas já visitei muitos, cá e no estrangeiro, e neles já vi muitas exposições temporárias, temáticas ou de determinados artistas; assim de repente, lembro-me, por exemplo, de uma excelente mostra de desenhos de Modigliani no Reina Sofia, em Madrid, ou de uma não menos impressionante mostra de quadros de Edward Munch, na Tate Gallery, em Londres. Mas, em todos os casos visitados até aqui, havia um denominador comum: a exposição temporária é exibida numa determinada parte do edifício, mas podemos continuar a apreciar a exposição permanente do museu no mesmo espaço.

Ora bem, serve isto para introduzir o que me aconteceu esta manhã; vou ao Museu de Arte Moderna de Sintra, para ver a colecção Berardo, e logo à entrada sou avisado, através de um painel, de que está patente uma mostra de quadros de Júlio Pomar. "Óptimo", pensei, "até gosto bastante de Júlio Pomar". Mas, o que o painel não avisava, era que os quadros de Júlio Pomar não estavam expostos "além dos" habituais, mas sim "em vez de".

Desculpem lá o desabafo, mas não lembra ao diabo uma coisa destas; então será que não era possível encher duas ou três salas - ou até um piso - do museu com as pinturas de Pomar, mas deixar os Pollock, os Wahrol, os Haring, os Lichtenstein, e todas as outras preciosidades que constituem o acervo deste museu? É que nem toda a gente vai lá apenas para ver os quadros de Pomar. E o pior é que esta tal exposição "substituta" vai estar patente até Novembro; só depois é que nos poderemos deliciar de novo com a arte pop.

Eu gostava de Júlio Pomar, sim, mas desta forma arranjam maneira de um tipo ficar a embirrar com o homem!

2004/07/16

A música da minha vida (válido só para hoje)

O Cristóvão, do novel e muito bom "Quase famosos", deixa-nos uma questão pertinente e a que volto sempre: se tivesse que escolher, qual seria a "música da minha vida"?

Penso, repenso, e chego à conclusão de que não há músicas da minha vida. Talvez influenciado pelo boy with the arab strap de que ele fala, penso logo em "I fought in a war", dos Belle & Sebastian; é uma canção quase perfeita, mas será essa "a tal"? Não, acho que não; e o "Train in Vain", dos Clash? Ná, também não é essa. Talvez "Concrete Sky", da Beth Orton, ou, quiçá, "Birthday Girl", dos Microdisney? Desisto; não há "músicas da vida" de ninguém - há apenas otovermes, como diz a Papoila.

E já agora: quais são as "músicas da vida" dos meus leitores?

2004/07/12

Dói, não dói?

O Bloco de Esquerda anunciou a apresentação de uma moção de censura a um Governo que ainda nem empossado foi, e cujas políticas consequentemente desconhece; mais, presume-se (é uma das exigências de Jorge Sampaio) que este Governo continuará a linha de actuação do anterior, ao qual nunca foi apresentada qualquer moção de censura. Serão necessários comentários?

That´s for ever, she said!

Já houve um tempo em que o único critério em que me baseava para ir ou não a um concerto era a qualidade dos artistas em questão; foi por isso que, entre muitos outros, fui ver Lloyd Cole & The Commotions há uns quinze anos ao Pavilhão de Cascais.

Não me arrependo, mas entretanto cresci, aburguesei-me, tornei-me comodista, e percebi que, não deixando aquele de ser um dos critérios primordiais, muitos outros haverá a levar em linha de conta, como por exemplo o local em que estamos - e é por isso que tenciono voltar a ouvir Lloyd Cole, dia 28 de Agosto, em Óbidos.

2004/07/10

Fora de moda

Serei eu o único português que ainda não foi ao IKEA? Se bem que mais umas estantes fariam aqui muito jeito...

Sintra


Penso que toda a gente terá uma terra, um local, que ficará para sempre associado a momentos especiais da sua vida, seja em que sentido for. Para mim esse lugar é Sintra, passe o cliché; sempre o foi, desde há muitos, muitos anos, e desconfio de que sempre o será.

E há dias voltei a Sintra - mas, em vez de matar saudades, criei mais!

A menina do mar

O que me interessa que Portugal tenha perdido a taça? Quero lá saber da decisão do Sampaio e da sanha da esquerdalha! E o Ferro Rodrigues demitiu-se? Bom proveito!

Não percebem que o mais importante da semana que passou foi o silêncio? Sophia calou-se, e tudo o mais deixou de ter significado!

Diz-me onde moras, dir-te-ei quem és!

Se há coisa que me irrita solenemente, é o preconceito que quem mora nas zonas ditas in do país apresenta contra as pessoas que moram nas periferias - os "suburbanos", termo que recorrentemente usam no seu sentido mais pejorativo.

Se alguém disser, a um residente num "qualquer-local-politicamente-correcto", que mora, sei lá, em Mem Martins, Fogueteiro ou mesmo na Amadora, essa declaração quase equivale a dizer: "sou estivador, ando de camisola de alças com um palito na boca, ao fim de semana bebo umas bejecas e como uns tremoços, e, volta e meia, dou uma carga de porrada à Maria, para ela não se esquecer de mim!"

Confesso que não residiria, por muito que me pagassem, em nenhum dos sítios acima citados - mas também me recusaria a morar na Lapa, nas avenidas novas, no Parque das Nações, ou em qualquer outro lugar dentro da cidade, acreditem. E a verdade é que conheço muito boa gente, a morar em "lugares-da-moda", simplesmente intragável, com níveis de inteligência e de civismo abaixo de qualquer cota razoável, assim como conheço muitas pessoas residentes em sítios horríveis, mas com uma atitude absolutamente acima de qualquer suspeita.

Todas as generalizações são perigosas (incluindo esta).

2004/07/01

Sonho


Uns dias aqui fariam maravilhas!

Falácias

Em desespero de causa, ganha cada vez mais espaço, entre os detractores da solução de continuidade proposta pelo e para o governo, o argumento do tipo: "eu não votei em Santana Lopes para primeiro ministro!".

É uma verdade insofismável, e até acrescento mais: nenhum português votou em Santana Lopes para primeiro ministro! Mas também não será menos verdade que nenhum português votou alguma vez em Durão Barroso, ou em quem quer que fosse, para primeiro ministro, apenas e tão só porque em Portugal, democracia representativa, não se vota em pessoas para primeiro ministro mas sim em partidos para a constituição da Assembleia da República. É esta a falácia que a oposição, mas também alguns sociais democratas com problemas de indigestão, anda a tentar impingir ao País.

Mas a verdade é líquida e incontornável: nas últimas eleições legislativas o povo português votou maioritariamente no PSD, pelo que, como consta da constituição, foi este partido que o Presidente da República convidou para formar governo. Foi o PSD que, face a uma maioria relativa obtida, decidiu convidar o PP, terceira força política mais votada, para um governo de coligação que propôs ao Presidente da República, e que sujeitou ao sufrágio da Assembleia da República. Nesta sede, os deputados - estes sim, eleitos a partir dos resultados eleitorais - viabilizaram o governo então proposto, e o seu programa, para um mandato de quatro anos.

Ora, não venham agora oportunistas diversos invocar falsidades para tentar aproveitar uma janela de oportunidade; o governo continua, o seu programa também, e só manifesta má fé podem levar a considerar que Santana Lopes e/ou Paulo Portas não teriam o perfil para manter a linha de rumo até aqui traçada. Como se pode combater um putativo governo com um pressuposto inexistente ou pelo menos não confirmado - o de que Santana Lopes conduziria o país a uma situação de esbanjamento populista? Trata-se, obviamente, de preconceito, e este não é um critério aceitável em política.

Por outro lado, também não me parece que haja grande espaço para contestar a natural subida de Santana Lopes à liderança do seu partido; não sou militante, nem sequer simpatizante, do PSD, mas presumo que se trate de um partido com estatutos - e parece-me lógico calcular que esses estatutos refiram que, em caso de impossibilidade de continuidade em funções por parte do seu presidente, este seja substituído, em sede de Conselho Nacional, pelo seu vice. So, what's the big deal?

P.S.: Mas confesso que me daria um gozo perverso ver o país em eleições antecipadas, só para ver o tamanho dos sapos que Sócrates, Soares júnior ou Lamego teriam que engolir, ao manifestar o seu incondicional apoio a Ferro.

Como eu gosto do Euro 2004!

Graças a ele, ontem, à hora a que se disputava o jogo Portugal-Holanda, consegui encontrar um lugar onde jantar, sem televisões por perto e praticamente vazio. Ainda conseguia ouvir a ladaínha longínqua de um relato, e adivinhava os golos da nossa equipa através de rumores abafados, mas o saldo final da refeição foi calmo.

Depois, de regresso ao hotel, e graças ao barulho que os adeptos faziam na rua, não consegui adormecer cedo e acabei por aproveitar para ler "de uma penada" dois livros que tinha comprado umas horas antes: "Linguagem Seinfeld", de Jerry Seinfeld, e "A insubmissa", de António Modesto Navarro, uma boa surpresa. Nada disto teria sido possível sem o Euro 2004!

Podem começar então a desancar-me; podem-me chamar de snob, de intelectual "da treta", podem até ter pena de mim - sentimento que agradeço mas dispenso. Só não admito que me acusem de pouco patriotismo.

Vamos lá a ver se nos entendemos: teria tanto gosto em que fosse a nossa selecção a vencer este campeonato como qualquer outro português - só não consigo partilhar da euforia e quase histeria que tomou conta desta gente, a propósito de algo que não é mais do que um desporto. No dia em que o Estado gastar pelo menos 1% do que se gasta com o futebol com outras modalidades em que existem tantos jovens talentos sem possibilidades de mostrar o que valem - e, assim de repente, e com algum conhecimento de causa, lembro-me dos desportos motorizados, incluindo a motonáutica, em que o meu grande amigo Duarte Benavente anda a disputar o Campeonato Mundial de Fórmula 1 com excelentes resultados, do ténis ou do BTT - no dia em que as visões se tornarem abrangentes, dizia, e quem de direito perceber que desporto não é só futebol, nesse dia talvez alguém me veja entusiasmado com um simples jogo de bola - antes não!

Falem-me em "fenómeno de massas", e eu respondo: acham sadio andar a acicatar rivalidades e até ódios contra povos amigos, a desejar humilhá-los através de golos? Não percebem que todo esse sentimento contraria a essência do conceito de desporto? "Aljubarrota", professor Marcelo? Por amor de Deus!

2004/06/29

First things first!

O país vive tempos de instabilidade, e todos os portugueses estão ansiosos por importantes decisões que se tomarão por estes dias, e das quais pode estar dependente o seu futuro.

Estará o povo luso suspenso das palavras de Jorge Sampaio, sobre qual a solução governativa por que optará? Não, caros ingénuos - do resultado do jogo Portugal-Holanda!

2004/06/27

Ego inchado

Desculpem lá a imodéstia, mas ontem, na primeira saída semi-desportiva do meu Alfa Romeo 1750 berlina, o tal de 1972, ganhei o Rally Cidade de Almada acompanhado pelo meu amigo P. - e não, não era só um concorrente!

Ideias

E, de repente, toda a gente desata a criticar Durão Barroso pela sua opção de aceitar o cargo de Presidente da Comissão Europeia; mesmo quem não votou no homem e nunca gostou dele, fala agora de "traição", de "fuga", ou de "abandono dos portugueses", suspirando antecipadamente pela sua ida.

Mas vamos por partes:

1. Não me parece que o lugar agora proposto ao nosso Primeiro seja assim tão insignificante que não fosse importante para um país ter nele um seu representante. E esta, parece-me, é uma questão supra partidária - aliás, o próprio Durão Barroso mostrou ter esse entendimento do assunto ao apoiar, numa fase prévia, a putativa candidatura de António Vitorino ao cargo, isto antes de o seu próprio nome ser sequer uma hipótese.

2. Não há "abandono", ou "fuga" comparável áquela protagonizada por Guterres em 2001. Por um lado, não há queda do Governo, nem os partidos que o compõem pretendem eleições intercalares, ao contrário do PS naquela altura, que assumiu tacitamente a sua incapacidade para governar este país. Por outro lado, é natural que as políticas preconizadas por Barroso para a recuperação económica deste país sejam seguidas pelos seus sucessores - e afinal, votamos em ideias políticas ou em pessoas mais ou menos cativantes? (A resposta a esta última questão não será líquida para muita gente; vide a quantidade de pessoas que vota no BE, seduzidas pelo nouveau chic, sem terem sequer um lampejo das suas ideias, encostadas ao radicalismo de esquerda)

3. Na sequência do que escrevi acima, é de referir que os argumentos contra Santana Lopes também são pouco menos que risíveis: ou "não se gosta porque é engatatão", ou "porque bebe copos", ou "porque tem ar de gigolo" - em suma, por todos os motivos, menos pelas políticas que pode vir a apresentar para o nosso país, e que deveriam ser, em primeiríssima análise, o pincipal motivo pelo qual elegemos quem nos dirija. De resto, e ainda que isso possa parecer estranho a alguns, nas eleições legislativas não votamos em pessoas para constituir o governo, mas sim para exercerem cargos de deputados; depois de contabilizados os votos, o Presidente da República convida então o líder do partido mais votado a formar governo, podendo este (o governo) incluir ou não o nome do seu líder.

A personalização da política, o ataque à pessoa e não ao seu programa, costumam ser uma táctica recorrente da esquerda deste país - os "modernos" bloquistas deram o tom, a coisa pegou, e aí vão os socialistas encantados atrás do comboio. Só tenho pena de ver gente de centro e direita a afinar pelo mesmo diapasão. Mas pobres de espírito, oportunistas e abutres há-os em todos os quadrantes, é verdade.

2004/06/25

Contrição ou "See you soon!"

Ontem, por motivos profissionais, jantei em Albufeira, a poucos metros da Rua da Oura.

Já aqui confessei bastas vezes a minha embirração de estimação com o futebol e, principalmente, com a hipervalorização que se faz de um simples desporto; mas na última noite era impossível não sentir algum entusiasmo, e assim, pela primeira vez desde que este campeonato começou, assisti a um jogo quase na totalidade. O ambiente era simpático, com um restaurante cheio de portugueses, e mais uns holandeses que, no entanto, também apoiavam a selecção portuguesa. Mas já um rápido vislumbre para a rua deixava antever o pior, fosse qual fosse o resultado: milhares de adeptos ingleses pululavam por todo o lado, e bebiam litros e litros de cervejas em bares engalanados de branco e vermelho.

O jogo acabou, o resultado foi o que se conhece, o jantar também terminou, e viémos para a rua. Surpresa: eu, que nem sou pessoa de grandes euforias, nem tampouco ostentava qualquer sinal que me identificasse como luso, comecei a ser espontaneamente felicitado por ingleses pela vitória da selecção nacional. Ouvi vezes sem conta as expressões "nice fight", ou "fair enough".

Insisti então com o meu amigo P., que me acompanhou no jantar, para descermos até à Oura, a fim de verificarmos in loco se aquela educação britânica era um fenómeno da zona em que nos encontrávamos, ou se se tratava de algo generalizado. O P. estava algo receoso, com a memória de acontecimentos recentes ainda fresca, mas eu insisti bastante e lá fomos. Tudo na mesma: adeptos com fair-play, trocas de camisolas, felicitações mútuas.

Fiquei surpreendido, confesso, e aqui faço publicamente a minha assunção de erro: sempre pensei que os adeptos mais ferrenhos fossem uma raça de gente pouco digna desse nome, indivíduos que apenas se deslocam a um cenário de jogo para arranjar conflitos e, se possível, tirar desforço físico da parte contrária. O meu quase nulo conhecimento do meio induzia-me essa ideia. Estava errado, admito; esses, os violentos, são uma minoria que, contudo, gozam de um injusto protagonismo, dada a assiduidade com que se envolvem em problemas - e há-os em todo o lado, não me lixem: procurem lá também nas nossas claques dos dragões amarelos, dos diabos cor de rosa, ou em qualquer outra.

Mas os verdadeiros amantes desse desporto, como de qualquer outro, sabem portar-se com dignidade, ganhem ou percam, e esses merecem admiração incondicional.

2004/06/23

Parábola

Quando somos adolescentes todos os adultos nos parecem extremamente fastidiosos e desfasados da realidade; isto aplica-se principalmente aos avós, que "são uns chatos" que só servem para nos pespegar uns beijos repenicados nas bochechas, deixando, em contrapartida, umas notinhas no nosso dia de aniversário e no Natal. Quão estúpidos somos então!

Há dias, numa fabulosa tira de Calvin & Hobbes, publicada no Público, o pai de Calvin sofria de insónias - quando instado pela esposa a confessar o que o impedia de dormir, disse mais ou menos isto (cito de memória): "quando era pequeno pensava que os adultos sabiam sempre a forma correcta de resolver as situações; pensava que, quando chegássemos à idade adulta, todo esse conhecimento nos surgiria automaticamente - se soubesse que não era assim, não teria tido tanta pressa em ser adulto!" Lindo, não é?

Só quando nos tornamos adultos, e pais, percebemos as dificuldades que todos os nossos progenitores sentiram para nos educar; só então conseguimos avaliar a frustração de não nos conseguirem transmitir os seus ensinamentos, as dúvidas que sentiam naquilo que nos queriam dar e a ansiedade de perceberem que nem sempre estávamos disponíveis - e então sentimos um enorme remorso por não os termos recompensado devidamente desse esforço homérico, e por já ter passado tudo tão depressa.

Quando eu tinha vinte e poucos anos, conheci a primeira morte de um avô: atormentado pela doença, o meu avô Brito deixou-nos, depois de alguns meses de sofrimento. Era um homem grande, em todos os sentidos; foi um dos primeiros carteiros do Barreiro, depois funcionário fabril e, às suas custas, tornou-se num respeitado empresário de razoável sucesso. Nunca o chamei por "avô" - entre nós, chamávamo-nos mutuamente de "amigo", ate à data da sua morte. Eu, que nunca apreciei grandemente futebol, nunca esquecerei os muitos jogos da CUF e do Barreirense - ambas, então, equipas da primeira divisão - a que assisti na sua companhia. Quando eu tinha dezasseis anos, pedi-lhe insistentemente que me oferecesse uma motorizada, como tinham todos os meus amigos. No dia do meu décimo sexto aniversário, ele conduziu-me até á garagem e lá estava, reluzente, a motorizada dos meus sonhos. Mas não durou muito a alegria: passados uns meses enfeixei-me contra um carro, e fiz uma grave fractura exposta do fémur. Já lá vão mais de vinte anos, mas mesmo que viva até aos cem, nunca esquecerei aquela visita do meu "amigo" à clínica: pouco ou nada falou, nem sequer para me criticar (antes o tivesse feito), mas aquele olhar de mágoa e tristeza, e a culpa que ele visivelmente sentia por ter sido o causador indirecto da desgraça, magoaram-me mais que mil punhais.

Passados alguns anos, cerca de nove, morreu a minha avó Luísa, sua esposa. Era uma pessoa diferente: naquela época era comum haver algum apagamento da esposa, em função do marido, algo que nós agora chamaremos machismo, mas que na altura era visto como algo perfeitamente natural. Na altura não eram comuns os infantários, pelo que, num cenário de ambos os pais trabalhadores, eram normalmente os avós quem se encarregava da guarda das crianças. Lembro-me, por isso, das muitas tardes de brincadeira que passei naquele rés-do-chão do Alto do Seixalinho, no Barreiro, dos cabelos brancos que lhe fiz com birras e pedidos improváveis, mas, principalmente, da sua capacidade de resignação e tolerância. Nunca a minha avó Luísa perdeu realmente a paciência comigo, e o amor que me tinha fazia com que estivesse sempre ansiosa pela minha chegada. Dela lembro-me das manhãs na Praia da Manta Rota, em que propositadamente me punha a nadar até fora de pé, apenas para, sadicamente, ver a sua aflição e impotência; por vezes, chegava até a chamar o banheiro de serviço - mas, no regresso do banho, lá estava sempre religiosamente guardada a minha bola de berlim, que ela entretanto havia comprado.

O meu avô Álvaro, avô paterno, morreu um ano depois; deixou-me em testamento um exemplo de coragem e um importante ensinamento de amor. Apaixonado nos anos 30 por uma mulher de outra condição social, numa relação proibida, não hesitou em "raptá-la", fugindo de bicicleta (!) de Messines até Paderne, sete quilómetros pela serra algarvia, para então consumarem o casamento desejado. Poeta repentista, com uma memória prodigiosa, deixou-me gravada a força de vontade e a tenacidade que, mesmo numa pessoa simples como ele era, podem levar a romper barreiras e a aguentar duras provações da vida.

A minha avó Piedade morreu ontem. Lutadora, como o meu avô Álvaro, foi "cúmplice" na supra citada fuga, e também ela me ensinou o poder do amor. Aliás, por amor a mim, neto varão, era capaz de percorrer vários quilómetros desde a sua casa até à da minha avó Luísa, a pé, e o regresso comigo ao colo, apenas para poder ter a minha companhia por alguns momentos. A vida não lhe foi fácil, mas nunca lhe faltou uma palavra de compreensão e carinho, mesmo para com grandes injustiças que contra si foram cometidas. Senhora de uma agilidade invulgar até quase ao fim da vida, era também de uma doçura e simpatia que encantou todos quantos com ela privaram.

Nunca mais lhes poderei pagar a todos o bem que me fizeram, e por isso sinto sinceros remorsos. Todos me fazem já muita falta, mas todos me deixaram muito mais rico, como pessoa. Bem hajam lá no Céu onde estão, e no meu coração, de onde nunca sairão.

2004/06/20

Radar

Frase gira ouvida há uns minutos numa estação de rádio:

"Há duas maneiras de se ser rico: ter mais, ou desejar menos!"

2004/06/17

Que saudades...

Que saudades dos dias de Inverno; da chuva, dos cachecóis, dos restaurantes vazios com empregados simpáticos, das lareiras acesas, muitos livros e revistas, edredões quentinhos, a praia vazia e o mar cinzento...

Que saudades da chuva!

Máxima # 1.855

A facilidade com que se encontra um lugar de estacionamento perto do lugar onde queremos ir é inversamente proporcional à celeridade com que os nossos assuntos vão ser resolvidos nesse local. Concretizando, se arranjarmos um lugar mesmo à porta "daquele" restaurante espectacular, o mais provável é termos acertado no dia de folga semanal - ou, se pararmos o carro junto à empresa onde tínhamos uma reunião importantíssima, é garantido que o nosso interlocutor está muito ocupado e pede para adiarmos essa reunião!

2004/06/14

Quem é que o segura?

Já aqui citei Churchill há uns tempos nesta frase: "Não há nada mais triste do que uma derrota, excepto, talvez, uma vitória". Deve ser mesmo isso que Sócrates, João Soares, Carrilho, e muitos socialistas estão a pensar neste momento.

Obrigado!

O Serra-mãe faz hoje um ano.

2004/06/11

Superavit de dinheiro, deficit de educação

Não deixa de ser curioso verificar que os espaços de estacionamento destinados a deficientes, em qualquer edifício que deles disponha, estão, em 99% dos casos, ocupados pelas viaturas de pessoas sem deficiência motora aparente; mas, se estes indivíduos, que amiúde se fazem transportar em carros topo de gama, se têm por deficientes, quem somos nós para o questionar?

Reflexões

"Foram já as bodas de prata, comemoradas em solidão"
in "Saíu para a rua", letra de Carlos Tê, música e interpretação de Rui Veloso


Este blog aproxima-se do seu primeiro aniversário, que ocorrerá, se Deus quiser, na próxima segunda-feira, dia 14. Comecei esta aventura no boom inicial dos blogs, e tenho-me deixado ficar porque me sinto gratificado ao "despejar" para um computador (quase) tudo o que me vai na alma. Não preciso de ser alinhado, e por isso sempre pautei a minha escrita neste espaço por uma sinceridade e franqueza que quase desconhecia na minha vertente pública.

Muitas coisas, com diferentes importâncias, aconteceram em doze meses na minha vida; mudei de emprego, o meu filho cresceu, o meu Alfa Romeo ficou, finalmente, pronto, voltei às corridas, e, principalmente, muitas pessoas que não conhecia passaram a ler as minhas divagações, e outras, que me conheciam superficialmente, começaram a ver-me com outros olhos - se a impressão causada pela novidade foi positiva ou negativa não me interessa discutir agora.

Vi acabarem blogs que adorava, nascerem muitos de qualidades diversas, mas continuei sempre nesta minha missão, apesar de saber que o Serra-mãe nunca foi (e, com toda a probabilidade, nunca será) um blog de referência.

A média de visitas tem-se mantido sem grandes alterações, mas confesso que algo me preocupa cada vez mais: o número de comentários aos posts que aqui deixo tem vindo a decrescer exponencialmente, o que me leva a crer que as coisas que escrevo têm vindo a esvaziar-se de interesse. Serão, com certeza, fases na vida de uma pessoa, que se reflectem directa ou indirectamente na forma como se escreve, mas não posso esconder que me sinto desiludido e até algo triste com isso. No entanto, continuo a escrever porque gosto, e como sei que tenho pelo menos um leitor garantido (moi même, narcisisticamente), o blog não vai parar, pelo menos para já.

2004/06/10

Portugal-0

Eu, que até me tenho em conta de razoavelmente nacionalista, estou nauseado com a quantidade de bandeiras de Portugal que se vêem por estes dias na nossa rua. Não há varanda, janela, carro ou criancinha que não ostente ou abane pindericamente um pano verde e vermelho. E este súbito ataque de patriotismo dever-se-á ao facto de hoje ser dia de Camões e das comunidades portuguesas? Não, infelizmente não; diz-me quem sabe que toda esta gente anda a comemorar o próximo início de um campeonato desportivo, no qual participará uma equipa portuguesa.

Sei que me chamarão anti-patriótico por isto, mas mal posso esperar para que a nossa equipa seja afastada da referida competição (o que, a manterem-se as estatísticas, deverá acontecer numa fase inicial), para ver se passa esta febre generalizada, e o país volta ao seu normal funcionamento - se o termo "normalidade" se pode aplicar a um povo que olimpicamente ignora a cultura e apenas se sente galvanizado ao ver um conjunto de adultos em calções a correr atrás de uma bola!

Sevilla me mata!

Nestes tempos quentes surge-me sempre a vontade de comer um gazpacho gelado, à andaluza - e eu até sou (passe a imodéstia), especialista em prepará-lo.

2004/06/09

Aborto

Há já algum tempo que ando para falar nisto, mas tenho-o sempre evitado, nem sei bem porquê; contudo, agora parece-me que chegou a hora. Naturalmente que entendo, como toda a gente de bom senso, que qualquer ser que venha ao mundo tem o direito inalienável de ser criado nas melhores condições psicológicas possíveis; imagino, também, que há por aí muito irresponsável que não pensa nas consequências dos seus actos, e que não tem um mínimo de capacidades, psicológicas ou de outras ordens, para criar um filho.

Mas a verdade é que a questão se coloca a montante da fase da gravidez; não é admissível que alguém engravide, simplesmente "num impulso", porque não tomou as precauções adequadas, e depois alije a responsabilidade como quem deita fora um sapato velho (não falo, naturalmente, de casos de violações ou malformações do feto, que possuem um estatuto particular na legislação). É que esse "impulso" deu origem a um ser vivo, e não acredito que ninguém seja tão ignorante que não tivesse consciência das possíveis consequências do acto quando o praticou - nem mesmo as pessoas que escrevem para a revista "Maria".

A partir da altura em que a gravidez acontece, há um ser vivo em gestação, tão importante como qualquer um de nós, mas com a diferença de se encontrar completamente desprotegido, a não ser pelo útero materno. Ora se é a própria mãe, o único ser em todo o mundo que o pode proteger, que o mata, que sociedade é esta?

Responder-me-ão, já o adivinho, que é preferível que ele não venha a este mundo, do que o faça para sofrer; mas, pela mesma ordem de ideias, eliminaríamos fisicamente muitas outras pessoas de 5, 10 anos, ou até adultas, apenas para lhes poupar vidas de sofrimento.

Soluções? Não são simples, e alguns chamar-me-ão até de utópico, mas passam certamente por um trabalho de fundo, que incuta hábitos e valores nos jovens, por uma dinamização do trabalho da acção social, designadamente na área da adopção, e até pelo incentivo à denúncia de casos de maus tratos infligidos a crianças.

Agora o que não consigo aceitar é que uma pessoa, que se sente indignada pelo abate de uma ninhada de gatinhos ou cachorros, por não haver disponibilidade para os criar, não se sinta incomodada com a descrição que se segue, sobre as formas de matar um feto - para todos os efeitos, um ser vivo. Aviso desde já que a leitura dos parágrafos seguintes pode ser chocante para algumas pessoas, mas são coisas que não podem ser explicadas doutra forma:

A curetagem consiste em utilizar «uma espécie de faca em forma de gancho (cureta) [que] é introduzida dentro do útero e [que] retalha o feto. Os pedaços são removidos através do colo do útero».

Existe também a injecção de salina, que só pode ser utilizada «depois das 16 semanas. Com uma agulha injecta-se uma solução de sal pelo abdómen da mãe, dentro da bolsa do bebé, que engole a solução e fica envenenado por ele, demorando uma hora a morrer. Esta solução é também altamente corrosiva, chegando mesmo a queimar uma camada externa da pele. Passadas 24 horas, a mãe entra em trabalho de parto».

Outro dos métodos utilizados (que, tal como os outros, é usado independentemente das instalações serem públicas ou privadas, legais ou clandestinas) é a sucção/aspiração que é o método «comum nas primeiras 12 semanas de gravidez. O feto [ainda vivo] é aspirado com tudo o que o envolve».

Também é usado o aborto químico, que consiste no uso de «componentes químicos que provocam contracções no útero mais violentas do que as naturais, ao ponto de matar o bebé».

Finalmente (desta lista e descrição), o parto parcial, onde «o feto é puxado para fora - só a cabeça fica dentro do útero. Introduz-se um tubo na sua nuca e suga-se toda a massa cerebral, o que conduz à morte. Só então o feto consegue ser totalmente retirado».

Nota: agradeço a compilação destes dados ao meu amigo João Titta Maurício, que por sua vez os elaborou a partir de um texto publicado na obra de J. D. Barklay, A. Forsythe e T. L. Parker, "Abortion methodologies: frequency and risk", cuja tradução surgiu na revista "Tempo", em 24/Março/2004.

2004/06/07

Setúbal, cidade vermelha?

Curiosa, a forma como funciona a esquerda nos nossos dias; "descobri", há relativamente pouco tempo, um blog sobre a cidade que há quase trinta anos me acolheu, e que eu acho a mais bonita de Portugal: Setúbal. Chama-se, esse blog, Sadinos, e discorre sobre temas caros àquela urbe que já teve melhores dias, pelo menos em termos sociais.

Dando provas de uma assinalável vitalidade, o blog é bastante participado, maioritariamente por gente assumidamente (ou não) de esquerda que, contudo, se "esquece" frequentemente de colocar o seu verdadeiro nome nos comentários que escreve. É timbre desta gente, ao bom estilo bloquista, evitar a discussão frontal e partir para a ofensa pessoal e calúnia, principalmente quando os temas e os argumentos não lhes surgem de feição - o que, diga-se de passagem, sucede quase sempre.

Mas com cobardias e canalhices avulsas podemos nós bem; já se torna, no entanto, insustentável que os autores do blog, que dizem defender discussões amplas e participadas para o mesmo, eliminem recorrentemente as opiniões divergentes das suas, salvando cuidadosamente os mais alarves e ordinários comentários, desde que proferidos por "esquerdalha". É, por isso, que dou por encerrada a minha breve participação naquele espaço, pelos vistos mais fascista do que qualquer longa noite - e faço-o aqui, no meu blog, porque naquele, para além de ver os meus comentários apagados, já fui chamado de acólito de direita, e até de extrema-direita, confusão sistemática que estes fulanos de extrema-esquerda alimentam dolosamente.

Caros conterrâneos: fiquem com o vosso blog imaculadamente preenchido com lindos comentários encarneirados, que eu não abdico de pensar pela minha cabeça - e continuarei a fazê-lo em sede própria. Mas um sobressalto me assalta: agora, que querem vedar a participação a quem não comungar das vossas ideias, quem irão insultar? Experimentem uns aos outros - muitos insultos serão certamente merecidos.

P.S.: A fim de que os meus leitores desconhecedores de causa consigam perceber de alguma forma o que está aqui em causa, junto deixo a transcrição do último comentário que fiz naquele blog, e que resistiu uns estóicos cinco minutos antes de ser apagado:

"Este assunto é manifestamente off-topic, e só o escrevo aqui, porque os posts em que escrevi antes foram encerrados - não sem antes terem sido apropriadamente eliminadas algumas opiniões por mim proferidas, a par com outras divergentes das orientações políticas deste blog.

Esta é, definitivamente, a minha última participação neste blog, que ingenuamente acreditei ser um espaço aberto de debate de ideias. Enganei-me e sofri as consequências disso; não se sendo da cor, é-se logo apodado de acólito a soldo de alguma tenebrosa organização.

Gosto de Setúbal tanto ou mais que qualquer um dos participantes; não gosto, contudo, de discutir com pessoas que fazem do insulto e da calúnia o seu argumento principal. Para esse fim, já dei.

Acreditem ou não, nada mais me moveu para participar neste espaço do que a vontade de debater sadiamente ideias - não escondi, desde o princípio, a minha relação de amizade com outros comentadores. Orgulho-me das minhas amizades e das minhas opiniões, ao contrário de outros, que cobardemente insultam sem se identificar. Não concertei, no entanto, qualquer tipo de intervenção com quem quer que fosse - as intervenções, entre gente democrática, são espontâneas, por muito que isso custe a perceber a algumas pessoas.

Continuarei a blogar no espaço que mantenho há cerca de um ano, www.serra-mae.blogspot.com, e no qual todas as pessoas de bem serão bem vindas.

Entretanto, sem hipocrisias, desejo as maiores felicidades aos autores deste blog, mas também aos seus leitores, comentadores e, acima de tudo, a Setúbal.

P.S.: Leia depressa; este comentário será apagado dentro de alguns segundos."

2004/06/06

Despeito & Nacionalismo

A Vieira pode muito bem estar em Paris, a comer uma soupe d'oignons avec du café au lait et toute ça, mas eu acabei de comer, em Azeitão, umas sardinhas assadas que me encheram as medidas.

2004/06/05

Transferências

É a lei natural da vida; enquanto uns desaparecem, como é o caso do excelente Dicionário do Diabo (ainda que o Pedro Mexia esteja no Fora do Mundo, bem acompanhado, de resto), outros vão chegando - é o caso do Na Peida, blog de amigos, mas que terá que encontrar um pouco mais de conteúdo para os seus statements (se quiserem, claro, que eles são uns irreverentes).

Entretanto, a serra vai a caminho do seu primeiro aninho de vida, daqui a pouco mais de uma semana.

2004/06/04

É preciso ter lata!

Aqui há uns tempos, cheguei de Londres ao aeroporto de Lisboa; numa atitude, que depois vim a perceber ser temerária, entrei num táxi na praça daquele interface, e pedi ao motorista para me levar à Penha de França, onde tinha deixado o carro em casa de uma amiga. Com um facies revelador da desilusão sofrida, por não lhe ter antes aparecido um incauto inglês a pedir-lhe um serviço para Cascais, o motorista lá cumpriu dolorosamente o trajecto sem um comentário. Mesmo assim, e imbuído da boa disposição que as estadias em Londres sempre me provocam, no fim da viagem ofereci o troco ao cro-magnon, convicto de que estava a cometer uma boa acção, a qual seria devidamente apreciada. Mas não o pensou assim a besta e, ao arrancar, mandou pela janela as moedas que constituiam o aludido troco.

Não é caso único, infelizmente; familiares meus já tiveram contenciosos mais graves com exemplares da fauna, por pedirem 'apenas' um serviço entre a Portela e o Terreiro do Paço.

Foi, por isso, com uma incredulidade indescrítivel, que há uns minutos ouvi na rádio algo como isto: os motoristas de táxi do aeroporto reivindicam o direito a cobrar uma taxa acrescida aos utentes, por considerarem que prestam um serviço com requisitos de qualidade acrescidos.

Está muito calor, o rádio não estava muito alto, e por isso só posso pensar que se tratou de algum delírio ou alucinação auditiva minha. Digam-me que não é verdade, por favor.

2004/05/28

Do contra

Volto a bater no ceguinho, mas não posso deixar de me sentir ofendido pelo nacional-histerismo que tomou conta do país, a propósito de um grupo de jogadores que ganharam um importante jogo de futebol.

Mas que diabo é isto? São apenas pessoas como nós que dão uns chutes numa bola. Por que razão hão-de ser todos alcandorados ao estatuto de heróis? Não o serão muito mais os nosso atletas paralímpicos, que voltam ao país carregados de ouro, e que são votados ao mais olímpico desprezo?

Em pleno Algarve, e logo após o fim desse jogo, assisti in loco a uma explosão de alegria que - estou certo - não seria maior se cada um dos celebrantes tivesse sido pai ou mãe naquela altura. Por um bocadinho, toda aquela boa gente esqueceu as misérias que constituem as suas vidas, e festejou uma simples vitória desportiva como se de um triunfo pessoal se tratasse; hoje talvez já tenham voltado às muitas imperiais de fim de tarde, à porrada na mulher, mas naquele instante todos se sentiam vitoriosos - e por um motivo pífio!

2004/05/24

Adições

Havia já muito tempo que não actualizava a minha colecção de CDs, mas hoje não resisti, e só de uma penada comprei dois álbuns extraordinários: Neil Hannon, usando o habitual alter ego de The Divine Comedy, em "Absent friends", e "You are the quarry", de Morrissey, sem os Smiths mas a soar como em "The Queen is dead".

O oto-verme de hoje é benigno: "Irish blood, english heart".

2004/05/23

Fórmula 1


Quem me conhece minimamente não questionará a minha grande paixão pelos automóveis - mas ficará decerto admirado se eu lhe confessar que há já vários anos que não fico a hora de almoço em casa, a um domingo, para ver um Grande Prémio de Fórmula 1.

Com efeito, a Fórmula 1 moderna tornou-se numa competição monótona e desinteressante, disputada em circuitos assépticos, desenhados por computadores, e com carros carregados de electrónica que bem poderiam ser telecomandados a partir das boxes. Num cenário destes, emerge a razoável perícia para a condução de alguns, mas principalmente a maior ou menor capacidade de um determinado carro - e é por isso que um piloto médio (e um homem indigno desse nome), como Michael Schumacher, consegue facilmente ir coleccionando vitórias em linha, enquanto se vai enterrando bem fundo o interesse da Fórmula 1.

Mas há um Grande Prémio que tento não perder todos os anos: o do Mónaco. Porque é o último de uma linhagem de Grandes Prémios feitos para homens, e não para vedetas que, mal vêem uns pingos de chuva, logo se juntam em associações e piquetes de greve para exigirem condições de segurança. Esquecem-se estas primas donnas que são pagos a peso de ouro para praticar um desporto de risco, e que é esse mesmo risco que nós, espectadores, esperamos que eles corram. De resto, qualquer um deles sabia de antemão as regras do jogo.

Que saudades de homens com "H" grande, como Jackie Stewart, François Cévert, James Hunt, Gilles Villeneuve, Ronnie Peterson, Nigel Mansell, ou o grande Ayrton Senna (e falo apenas de alguns dos que vi correr). Que pena não serem as "meninas" de agora feitas da mesma fibra de Jacques Villeneuve, que se recusou a assinar um pacto de não ataque nas primeiras voltas de um qualquer Grande Prémio, "furando" assim a combinação que todos os outros pilotos haviam cozinhado para nos defraudar, a nós, espectadores.

Há uns anos, assistia eu a uma tourada em Espanha, e um velho aficcionado ao meu lado não se cansava de vaiar o toureiro que, na minha modesta opinião, até não se estava a sair nada mal. Ao fim de algumas vaias, e percebendo tacitamente a minha admiração com tamanho descontentamento, o velho explicou-me: "o toureiro ganha mais por esta faena, do que muitos de nós ganhamos num ano, e o bilhete custa quase uma semana de trabalho a muitas das pessoas que aqui estão; por isso, ele não pode tourear razoavelmente - ele tem que tourear bem!"

Se não, senhores da fórmula 1, dediquem-se ao golf.

Amigos

Tanto esta Ana como esta falaram disto recentemente, e logo senti que é algo que há muito me atormenta também a consciência; na adolescência chamamos "amigos" a qualquer tipo que beba umas bejecas connosco, goste de sair e de falar de miúdas. Mas depois, os nossos caminhos quase sempre divergem; quando, passados uns anos, voltamos a encontrar os nossos "melhores amigos de há uns tempos", não conseguimos evitar pensar: "mas o que é que eu tenho a ver com este gajo?"

Chamem-me snob, egoísta, o que quiserem, mas neste momento contam-se facilmente pelos dedos de uma mão as pessoas com quem sinto que posso falar de qualquer coisa, de qualquer assunto, e que sinta que estão disponíveis para mim - e eu para elas, claro. Quase ninguém quer saber o que eu leio, o que eu oiço, o que eu sinto, mas, em contrapartida, quase toda a gente está sempre disponível para me apresentar a sua perspectiva sobre o último jogo de futebol ou sobre o casamanto dos príncipes espanhóis (bocejo...).

Acho, por isso, que é tempo de criar uma espécie de prateleira nas minhas relações: a daquelas pessoas com quem já passei por muito, mas que encaminharam as suas vidas e as suas prioridades em direcções diferentes das minhas. Pessoas a quem tenho pudor de chamar "amigas", pela carga emocional que o termo comporta, mas das quais não sou capaz de dizer que não o são.

2004/05/19

O verdadeiro artista!


Sabem quem é que vai ali do lado direito, sabem?

2004/05/16

Perversão

Ninguém me tira da cabeça que, algures num submundo desconhecido do mortal comum, existe uma universidade para mulheres a dias; e, a confirmar-se tal suspeita, estou certo de que a cadeira nuclear que acompanha todo o curso será algo do tipo "como trocar, da forma mais ilógica e irracional possível, o lugar de tudo (tudo mesmo!) numa casa".

2004/05/15

Truque baixo

Inspirado pelo Senhor Carne, vou agora testar uma forma desesperada de incrementar as visitas deste blog drasticamente. Diz ele que os mais mórbidos internautas acorreram ontem massivamente ao seu blog para ver o video do americano Nick Berg a ser degolado, decapitado, ou lá o que quiserem; aqui - como - não há video nenhum, claro, mas vamos lá experimentar a ingenuidade do Google.

Mais notícias dentro de momentos.

2004/05/12

Oto-vermes #2

A música que me anda a bailar hoje na cabeça é:

"Hit the road, Jack, and don´t you come back no more, no more, no more, no more..."

Hoje é que vou ver o "Kill Bill II"!

2004/05/10

Cinema português

A semana passada, em trabalho no Algarve (constatação a propos: o Algarve afinal é bem agradável, desde que seja fora da época balnear, e de preferência com tempo fresco), resolvi ir ao cinema. Depois de aturada pesquisa, decidi ver "Maria e as outras", esperançoso num bom pedaço de cinema nacional.

Não vou tecer considerações sobre o filme para não ferir susceptibilidades, já que o argumento é do meu blogo-colega Possidónio Cachapa (nada de pessoal...), e uma das participações principais fica a cargo da minha vizinha Ana Brito e Cunha (não sei se lês estas coisas, Ana, mas não desanimes). Mas ainda não consegui esquecer que deixei de ver "Kill Bill II" para ir ver aquilo!

2004/05/09

A ordem natural das coisas

Agora, finalmente, a blogosfera parece entrar em velocidade de cruzeiro; depois do boom inicial, em que ter um blog era quase tão banal como ter endereço de e-mail, a triagem natural começa a fazer os seus efeitos. É, pois, com bastante pena que vejo partir o "Desejo Casar", e ainda com maior mágoa que me despeço da "Xobineski", mas é com alegria que dou as boas vindas a um blog que promete bastante: "Fora do Mundo".

A lista de links aqui ao lado já foi (novamente) actualizada.

Vozes na minha cabeça

Nunca vos aconteceu acordarem de manhã com uma música na cabeça, e ela acompanhar-vos durante todo o dia, mesmo que não queiram? Há uns dias atrás, o meu hemisfério pimba decidiu pregar-me uma partida, e passei boa parte de uma longa viagem a cantarolar, involuntariamente, "coisinha sexy, coisinha sexy, lalala (não sei o resto)".

Hoje a coisa melhorou um pouco em termos de qualidade musical; o estribilho que não me tem saído da cabeça desde que acordei é "I'd never thought you'd be a junkie because heroin is so passé...".

2004/05/08

Analfabeto, iliterado?

O jornal "Público" tem trazido todos os dias um pequeno questionário a figuras públicas, nas páginas desportivas, pedindo-lhes a sua opinião sobre qual a equipa ideal para representar o nosso país no próximo campeonato europeu de futebol. As personagens instadas a comentar provêm das mais diversas origens sociais, desde a cultura à política, mas todas, todas, têm uma coisa em comum: até agora não li nenhuma resposta em que o visado não fosse capaz de criar facilmente um "onze" de elite e, mais ainda, sustentar devidamente a sua escolha com uma série de insuspeitos conhecimentos técnicos - até o brincalhão Rui Zink resistiu à tentação de fazer humor fácil, e preferiu alinhavar a sua selecção de sonho.

Isto vem-me colocar um problema terrível: tanto quanto vejo, sou o único português que não tem opinião formada sobre a selecção que nos irá representar. Se me colocassem a aparentemente simples questão de enunciar onze jogadores para a compôr, eu precisaria de umas horas para me lembrar de onze nomes (e sem garantias de sucesso na missão), e de mais uns dias para me informar sobre a posição em que jogam - e nunca seriam os onze melhores jogadores lusos, mas apenas os primeiros onze nomes de pontapeadores que me surgissem aleatoriamente na cabeça, paridos com mais esforço do que um poema da Papoila. Será que não estou a ser suficientemente patriota?

2004/05/07

Bicicletas


O meu calamitoso estado físico assim mo pedia, e há uns dias acabei por me decidir: comprei uma bicicleta - uma daquelas de BTT, com suspensões e toda uma série de gadgets cuja utilidade ainda não descortinei com clareza. Não foi barata, mas mesmo assim o seu preço ficou a anos-luz do que já vi praticar no mercado.

Mas não me fiquei pela bike (nota-se muito que já ando a ler umas revistas sobre o assunto?); comprei também um capacete e umas luvas apropriadas, bem como uns estofadinhos calções para melhorar o conforto de utilização.

Estou preparado para uns quilómetros de todo-o-terreno (desta vez sem barulho), mas eis que uma crucial dúvida se me depara: como em muitos outros aspectos da vida, aqui também há elites. Diz-me quem anda nisto há já uns anos que a minha bicla é uma "bicicleta de cromo", presumo que por não ter custado uma quantia com quatro algarismos, ou por não ser um modelo taylor made - quadro desta marca, suspensões daquela, travões daqueloutra, numa miscelânea qua acrescenta profissionalismo e conhecimento a quem a ostenta. Ignomínia maior, até o capacete deve obedecer a alguns cânones específicos, entre os quais a segurança é ofuscada pela griffe - e o meu é um modelo que me pareceu simpático, mas cuja marca não consta nos compêndios da coisa.

Consulto as revistas, e confirmo o que oiço: os "verdadeiros" ciclistas, ou "bêtêtistas", insurgem-se contra os "cromos" que, com "bicicletas de hipermercado", cometem a suprema afronta de se imiscuir nos seus passeios campestres, chegando até a sugerir que este tipo de equipamento não deveria estar ao alcance de um comum mortal.

Resta-me apenas a hipótese de passear sozinho, para não deixar ficar mal ninguém; mas antes de ficar convencido, ainda arrisco perguntar: "e nessas corridas que existem um pouco por todo o país, ganham sempre aqueles que usam bicicletas de mil contos e mais?". "Não", respondem-me, "muitas vezes os mais rápidos até são os que usam os chaços ("bicicletas de hipermercado", para os distraídos)". Pois...

2004/05/06

Parabéns!

Não sou grande apreciador da personagem, mas tenho que admitir grande talento a José Pacheco Pereira; pena que nem sempre o aplique correctamente, entrando demasiadas vezes em litígio com o seu próprio partido que, contrariamente ao que o próprio pensa, é de centro e integra uma coligação de centro-direita.

Mas, picardias à parte, não há grande hipótese de contornar o Abrupto para qualquer pessoa que se aventure na blogosfera nacional; entre os muitos projectos, de qualidades díspares, que surgiram neste último ano, contam-se facilmente os que tiveram a tenacidade de persistir, mesmo depois de os blogs deixarem de ser uma moda. Mais que não seja por esse perseverança, mas também pelos belos textos que, de quando em vez, nos oferece, não quero deixar de me juntar aos que desejaram hoje um feliz primeiro aniversário ao Abrupto.

2004/05/05

Alerta laranja


A semana passada saíu "Querido Diário", de Nanni Moretti, na colecção Y do "Público"; ontem, na bomba de gasolina, vi um rapaz com uma Vespa 150 sprint de 1970, ou coisa que o valha, imaculada; hoje, "por acaso", veio parar às minhas mãos o número de telefone de um fulano de Braga que tem uma coisa destas para vender, de 1971 - com dois selins separados, e tudo!

Que significado terá esta sucessão de acontecimentos? Andará Deus a querer dizer-me algo?

Culpas repartidas

Está bem, pronto, admito! Ando a postar pouco, eu sei, e já tenho ouvido várias queixas por isso - mas também não é menos verdade que vocês se andam a esquecer de escrever um comentariozito de vez em quando, não é?

2004/05/03

Thank you, this is hard...

Quando vi o filme já tinha ficado com essa impressão (acho que até a comentei aqui), mas agora a coisa confirma-se oficialmente:

Comprei na semana passada o CD com a banda sonora de "Lost in translation", e é, simplesmente, o melhor conjunto de músicas no mesmo filme que eu me lembro de já ter ouvido; e, la cérise sur le gateâu, apesar de não figurar no índice, lá se encontra escondida a fantástica versão de "More than this", dos Roxy Music, cantada em karaoke por Bill Murray - procurem por alturas dos 11 minutos da faixa 15, e depois digam qualquer coisa.

2004/05/02

Futebol

Há uns minutos, quando bebia café com o meu amigo H., moderado adepto sportinguista, ele confessava-me a sua tristeza por um grupo de fanáticos, descontentes provavelmente com o resultado - ou com as próprias vidas, sabe-se lá! - terem invadido o campo no fim de um jogo. Com franqueza lhe respondi que, apesar de desconhecer o relatado, em nada me admirava. Há já muito tempo que me faz confusão a banalidade com que se referem as claques futebolísticas, como se de grupos de escuteiros se tratassem, quando no fundo não passam de gangs de pessoas com graves deficiências ao nível da sua formação cultural, cívica e, principalmente, moral - em suma, bandos de energúmenos com estatuto legal.

As claques, tal como se apresentam hoje em dia, são apenas formas de oficializar actividades marginais e delinquentes, dando-lhes uma conveniente capa de sadias manifestações de apoio ao desporto - no entanto, os seus relacionamentos com os clubes apenas me fazem lembrar situações como o Sinn Fein ou o Herri Batasuna; em ambos os casos se tenta branquear uma actividade objectivamente criminosa através de ligações dúbias. Mas há quem prefira ver "o fato novo do rei", e não que algo de podre se passa aqui.

P.S.: Ainda no tema futebol, e apesar de, como todos já devem saber, não ser grande apreciador, não quero deixar de lavrar aqui a minha satisfação pela subida do Vitória de Setúbal à liga especial ou lá como é que se chama (no meu tempo dizia-se primeira divisão, mas agora, sempre que uso essa expressão, "cai-me" logo alguém em cima a dizer que "já não se diz assim!").

2004/04/29

Máxima #811

Mostrem-me um funcionário público, de atendimento, bem disposto e amável, e eu mostrar-vos-ei um marciano genuíno!

(Escrito depois de um ligeiro quid pro quo, esta manhã, numa repartição pública algures no Algarve)

2004/04/28

"The Face"

Se há revistas que ajudaram a construir a minha personalidade, a "The Face" é seguramente uma delas. A iconoclastia dos conteúdos, o design desconcertante da paginação, e a magia das imagens faziam dela uma revista de culto. Nem consigo contar a quantidade de livros, filmes e, principalmente, música, que fiquei a conhecer nas suas páginas. Em determinada altura da minha vida, era tão addicted que chegava a ir de propósito a Lisboa, à Valentim de Carvalho do C.C.B. (uma das minhas lojas fétiche), para ver se já havia chegado uma nova edição.

Ultimamente, porém, por diversas razões - entre as quais não é despicienda a minha opção por morar num meio relativamente rural - a compra da revista tornou-se irregular; como eu, possivelmente, muitos outros antigos admiradores resolveram espaçar mais a sua aquisição. É, por isso, com uma ponta de remorso, que leio agora que a "The Face" vai terminar a sua publicação devido ao decréscimo das vendas. E, nas entrelinhas, calculo que vão surgir mais duas ou três "publicações cor-de-rosa", de venda mais que assegurada - lá como cá!

2004/04/23

Dez mil!

A pouco e pouco este blog aproxima-se dos dez mil fregueses; não é um número que possa fazer inveja a outros blogs, mas são os fregueses que me interessa ter - sempre se disse que quantidade não significa necessariamente qualidade (a raposa também dizia "estão verdes, não prestam", mas adiante).

Também me conforta de alguma forma o facto do sitemeter apenas contabilizar uma visita de cada vez, independentemente do número de pageviews - se tivesse outro dos sistemas de contagem utilizados na blogosfera, já ia em mais de cinquenta mil visitas, que é o número de pageviews que efectivamente tenho.

Bom, mas serve esta lenga lenga toda para vos agradecer, e desde já prometer um prémio ao(à) décimo(a) milésimo(a) freguês(a), desde que ele(a) se identifique como tal. Atenção que, quando entrar a pessoa número dez mil, o sitemeter apenas marcará 9.999; para que passe efectivamente para os 10.000, é necessário que o leitor faça refresh no seu browser um ou dois minutos depois de entrar. Entretanto, aceito aqui em baixo sugestões (sérias) de prémios.

Sexta-feira

A knife, a fork, a bottle and a cork, that's the way we spell New York!

Podem-se sentir saudades de um lugar onde nunca se esteve?

2004/04/20

Máxima #361

Por princípio, parece-me difícil confiar numa pessoa que aprecia genuinamente reuniões de condomínio!

2004/04/19

Blârgh...

Podem-me dizer o que quiserem, mas duvido que exista ao cimo da terra uma figura mais irritante do que José Carlos Malato.

2004/04/18

-dependente

Adoro a sensação de, em cada fim de ano, abrir as argolas do livrinho, tirar aquele monte de folhas escritas a preto, azul, vermelho, verde fluorescente e sei lá o quê mais, e colocar uma nova recarga, virgenzinha da Silva, pronta a aturar mais um ano de rabiscos. O Filofax é um prolongamento natural da minha personalidade, e sem ele sinto-me perdido.

Mas este ano atrasei-me, e a verdade é que já não fui a tempo de comprar o meu planning anual para 2004 em nenhum dos lugares do costume - todos dizem que já acabou e que não há reposições. E eu sinto-me como se me fizesse falta algo de essencial - esqueço-me de aniversários, de pagar contas (por aqui não há grandes problemas), e de um milhão de coisinhas que são supostas constituirem o meu dia a dia.

Alguém sabe onde poderei ainda comprar a agenda para 2004, mesmo que seja daquelas imitações baratas da Âmbar?

2004/04/17

Post tardio

A quem não foi ver os Tindersticks há bocado, só posso dizer uma coisa: três encores - três! E se dependesse apenas da vontade do público, ainda estávamos todos no Coliseu, hipnotizados.

Eu não vos disse?

2004/04/15

E mainada!


O navegador é sempre o tipo esquecido num rally; vai ali ao lado, a apanhar sustos, a gritar com o piloto, e, se as coisas correrem mal, normalmente a culpa é dele. Mas ainda há quem perceba que isto é uma injustiça...

2004/04/14

Questões metabloguísticas

Porque é que os números do sitemeter e dos comentários nunca crescem quando eu ando no blog, mas basta afastar-me uns minutos para vir logo toda a gente? Será que os meus leitores conseguem saber, de alguma forma, quando eu me ausento?

2004/04/12

Patético

Li num jornal deste fim de semana que Ferro Rodrigues vai pedir um parecer à Comissão Nacional de Eleições sobre a legitimidade do uso da designação "Força Portugal", pela coligação PSD/CDS-PP, nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Alegam estes zelosos socialistas que tal expressão pertence exclusivamente ao imaginário futebolístico, e que se poderá facilmente confundir, nas fracas mentes lusitanas, com os apoios à selecção Nacional no Campeonato Europeu que se avizinha; desta forma, os eleitores acabam por votar na coligação equivocadamente, quando na verdade o que queriam era demonstrar o seu apoio a Figo e companhia.

A iniciativa, per se, já é caricata q.b., mas torna-se ainda mais insólita quando se sabe que parte de um partido que tem enchido o país de outdoors em que mostra "um cartão amarelo ao Governo"!

Duas Rodas


Já vos contei que também tenho uma BSA B25 Starfire, igual a esta (mas preta), de 1971? Se calhar não; tenho andado esquecido e ela nem merece. Trabalha que nem um relógio, mas ainda lhe faltam uns pormenorezinhos - até já fui a Inglaterra de propósito para lhe comprar peças. Quando estiver toda prontinha eu mostro-vos.

2004/04/11

Ladrão de praias

Não sou grande apreciador de praia, já aqui o disse; no entanto, sempre que lá vou, um dos maiores prazeres que posso sentir é o sal no cabelo, a areia no corpo e na roupa, e isto muito depois de já lá não estar. É assim uma espécie de prolongamento do gozo de usufruir da praia - infantil, se quiserem, mas é assim que eu gosto.

Gosto de me sentar numa esplanada ao fim da tarde, a petiscar algo ou a ler, e sentir ainda como que um pedacinho de praia comigo. Não critico quem o faz (até porque quase toda a gente o faz), mas sou incapaz de ir a correr para o duche mal saio da praia - antes pelo contrário, protelo esse momento até aos limites admissíveis da higiene.

E ontem trouxe um pedacinho da praia de Odeceixe comigo!

Memo


Já não devia ser preciso avisar os meus leitores, mas não ficaria em paz com a minha consciência desta vez se não o fizesse: na próxima quinta-feira, com o "Público", sai "As asas do desejo", de Wim Wenders. É preciso dizer mais alguma coisa?