2004/09/06

Intervalo

Como já devem ter percebido, este blog encontra-se de férias, em consequência das férias do seu único autor (nunca mais aparece o convite para escrever num daqueles blogs ditos "de referência", com múltiplos opinadores...); aliás, mesmo este post surge fortuito e imprevisto, pelo que os meus queridos leitores só deverão esperar escrita minimamente regular a partir de 20 de Setembro - ainda que possa surgir uma ou outra excepção extemporânea, como a presente, escrita com uma barba de nove dias.

Entretanto, e para não dizerem que venho aqui e não escrevo nada, deixo-vos com uma descoberta que fiz muito tarde na minha vida - mas não tão tarde que não tenha vindo a tempo: uma manhã passada numa esplanada é sempre melhor que a mais glamorosa das festas, ou que a mais divertida das noites boémias!

2004/08/29

Não se pode ter tudo!

Cada vez acredito mais que há uma espécie de equilíbrio divino em tudo o que existe; só essa ideia nos poderá dar - a nós, os que não fomos bafejados pelos dons da beleza - o ânimo para prosseguir em frente neste mundo tão competitivo, e tão rendido às primeiras impressões.

Na última edição da revista "Maxmen" surge uma entrevista com uma figura, chamada Isabel Figueiras, cujo único mérito (re)conhecido lhe advém do facto de ter uma carinha laroca. A dita entrevista não contém informação relevante, nem tal seria de esperar; serve apenas e tão só para enquadrar ums fotos da jovem mostrando algumas partes das suas jovens carnes, enquanto elas lhe podem servir de rendimento.

Mas, a certa altura, o entrevistador entusiasma-se e arrisca: "costuma levar livros para férias?" - ao que a menina responde que "(não porque) as férias são mesmo para descansar". Daqui se depreende que para esta menina, como para uma quantidade imensa de portugueses, a leitura é uma canseira!

2004/08/24

Finalmente!

Daqui a algumas horas terão início as minhas férias; três semanas durante as quais deverei postar (ainda) menos do que o habitual. Não é preciso agradecerem.

E a verdade é que o meu relógio biológico já começou a assumir a disposição do período. Tenho aqui um diabinho de lado a matraquear: "uma caipirinha, uma caipirinha!"

2004/08/20

Lata

O jornalista Octávio Lopes, do "Correio da Manhã", que gravou conversas importantes e comprometedoras sem o conhecimento dos seus interlocutores - e garantindo-lhes que não o estava a fazer - accionou uma providência cautelar contra outras publicações, impedindo-as de publicar as ditas gravações, bem como, se bem entendi, alusões à sua pessoa enquanto autor das mesmas. Alega este fulano que tal poderia ser dramático para o seu bom nome em termos profissionais pois, se tal publicação se verificasse, as pessoas poderiam ficar a pensar que ele era uma pessoa com baixos valores morais e deontológicos, e não digna de confiança - podiam até pensar que se tratava de uma pessoa capaz de gravar secretamente conversas particulares!

Há muita gentinha para aí com cara de pau, mas este tipo devia receber uma medalha!

Criaturas bizarras, parte 1: o tuning


Será possível imaginar uma figura mais cretina do que um tipo de boné de baseball enfiado na cabeça (de dia ou de noite), sentado num carro que mais parece uma nave espacial em segunda mão, ouvindo num volume estapafúrdio, numa aparelhagem que lhe custou os subsídios de férias e de Natal dos últimos anos e dos vindouros, uns sons primitivos, tipo "tum-tum-tum", conduzindo devagar e mirando os outros condutores com sobranceria, como se se tratasse de um piloto de fórmula 1 a efectuar a volta de aquecimento (normalmente deve ir a pensar qualquer coisa do género: "Podes passar por mim à vontade, porque eu sei bem que, se ligar a garrafinha de nitro, tu nunca mais vês a traseira do meu CRX - e se não acreditas, pergunta aos meus colegas da "Vasco". O problema são as curvas, que nem eu nem os meus amigos aprendemos ainda a fazer, mas se os bons condutores se vissem nas rectas, eu era o campeão!")?

Sim, respondo eu - é possível ser-se ainda mais imbecil: hoje vi um tipo destes com o pit-bull sentado no banco do passageiro.

Ora diga lá...

Esta é uma recuperação recente para o leitor de CDs do carro; quem canta isto?

Cry, cry,cry
Cry,cry, cry
I´m gonna cry myself blind!

2004/08/19

Pode dizer a frase?

Até nem me importava de escrever um pouco mais no blog, mas confesso-vos que ando completamente desinspirado, e nem temas me surgem. Alguém me quer dar uma sugestão sobre assuntos para desenvolver?

2004/08/17

Aviso

Ontem, no Algarve (em trabalho), jantei shoarma - não porque goste, mas sim porque era o que se servia no único restaurante onde arranjei lugar. Há dias, num daqueles questionários jornalísticos típicos da silly season, li nas respostas de duas figuras importantes do nosso desporto que "as coisas que mais os irritam nas férias" são as filas - um deles até particularizava: "fila para estacionar, fila para o restaurante", como se de uma inevitabilidade se tratasse.

Caros coincidadãos, eu não vos devia estar a dizer isto, mas também não é nenhum segredo: sabiam que as férias não têm que ser gozadas forçosamente em Agosto? E sabiam que há vida inteligente fora do Algarve este mês? Bem mais inteligente até...

2004/08/16

Arrogância

Diálogo numa loja de discos:

Eu:
- Tem o CD duma banda chamada Fritz Ferdinand?
A menina (com ar enjoado, tipo "vêm-para-aqui-estes-tipos-com-pedidos-esquisitos-..."):
- Fritz Ferdinand?
Eu (num tom paciente):
- Sim, são escoceses, foram ao festival da Zambujeira...
A menina (com ar "só-conheço-a-Britney-Spears-e-aquela-bué-da-gira-do-Eminem"):
- Tem a certeza de que é esse o nome?
Eu (já meio impaciente, tipo "metem-aqui-a-atender-numa-loja-de-discos-esta-gente-que-só-conhece-Robbie-Williams"):
- Sim, tenho!
A menina (no mesmo ar enjoado "não-tenho-pachorra-para-pedidos-esquisitos-ainda-por-cima-de-kotas"):
- Não, não tenho cá nada com esse nome!
Eu (já irritado, dando meia volta):
- Obrigado, boa noite.
A menina (subitamente em tom vitorioso, tipo "Gotcha!"):
- Não quererá antes dizer Franz Ferdinand?
Eu (atrapalhado, apanhado, a pensar "não-haverá-por-aqui-um-buraco-onde-me-possa-meter-?"):
- Eeh, sim, pois, se calhar é isso...
A menina (gozando a vitória):
- Pois, Franz Ferdinand tenho sim; eu estive no Sudoeste (quem diria?), e gostei muito.
Eu ("um-buraco-um-buraco-!"):
- Pois, desculpe, enganei-me, tem razão...

Franz Ferdinand, grande malha; agora só me falta encontrar The Ordinary Boys!

2004/08/13

Os dois lados

Há pelo menos uma vantagem óbvia no péssimo início de Jogos Olímpicos protagonizado pela selecção nacional de futebol: é que, quanto mais depressa eles forem eliminados, mais depressa também os portugueses perceberão que os Jogos Olímpicos não são um torneio de futebol, e que existem lá muitos outros portugueses com hipóteses reais de trazerem medalhas.

2004/08/10

Pedido

Um blog tem uma quantidade de usos absolutamente insuspeitos, não acham?

A verdade é que, devido a um qualquer erro informático, que penso que não me é imputável, fiquei de repente com a minha agenda de endereços de e-mail praticamente apagada; é por isso que peço a todos os meus caríssimos amigos, e principalmente àqueles que me visitam através deste blog, o favor de me voltarem a enviar os vossos endereços de e-mail para aldino.de.brito@zmail.pt, o que desde já agradeço.

2004/08/09

Gostos

A quem ainda insiste em afirmar que o histerismo em redor do futebol é de origem espontânea e popular, e não fruto de uma maquiavélica promoção que nos quer ensinar do que devemos gostar, eu apenas pergunto: se é assim, porque é que os americanos se estão "nas tintas" para o futebol, e apenas deliram com um sucedâneo de rugby (a que, por coincidência, também chamam futebol)?

Eu respondo, não se preocupem: porque lá é isso que lhes impingem, percebem? Como é possível que haja um país em que há espaço e mercado para "sei-lá-quantos" jornais diários, ditos "desportivos", mas na realidade sobre futebol - mesmo quando não há vislumbre de um jogo? E como é possível haver um povo que, todos os dias, religiosamente, compra um ou mais desses pasquins, e "devora" toda a informação nele eventualmente contida?

Alegria, dizem vocês? Alienação, respondo eu.

P.S.: Isto dito, confesso que, na semana passada, por simpática insistência amiga, acabei por ir ver um jogo de futebol - o Portugal-Paraguai. Apreciei, não posso dizer que não, mas menos do que apreciaria um jogo de ténis, uma toirada, ou uma corrida de automóveis.

2004/08/05

Pop

Desde quase a adolescência que não me lembro de gostar tanto de uma música a ponto de conseguir fixar toda a letra; mas hoje vim desde o Algarve a cantar sozinho:

"Hector was the first of the gang
With a gun is his hands
And the first to do time
The first of the gang to die
Such a silly boy!"


Sabem quem canta, sabem?

Adenda

Além das sugestões do post anterior, para as cerca de setenta e três pessoas que não estão no Algarve em Agosto, deixo aqui mais as seguintes ideias:

Num cinema perto (ou longe), não percam "Wilbur quer matar-se", uma pérola; para além da história, lindíssima, há ainda as fascinantes imagens de Glasgow. Só mesmo vendo.

Na Culturgest, até 19 de Setembro, exposição de trabalhos de Keith Haring; ainda não fui, mas não quero perder.

2004/08/01

Sugestões de Verão

Apesar de só ir de férias daqui a quase um mês (por opção própria - por mim o mês de Agosto podia muito bem ser riscado do calendário), não deixo de pensar nos cerca de 8.000.000 de portugueses que estão agora de férias, cerca de 7.000.000 no Algarve, e dos quais 3 ou 4 lêem - por vezes - este blog. Para esses resistentes, deixo agora aqui duas simples sugestões de leituras e música light, adequadas precisamente a esta época:

Estou quase a terminar "Hotel Finbar", espécie de romance composto por contos mais ou menos independentes, escrito por sete irlandeses contemporâneos (dos quais, confesso, só "conhecia" Roddy Doyle, de "A mulher que ia contra as portas"); recomendo.

Para ouvir, sem pensar muito nisso, "Bone", de Tim Booth.

Não precisam de agradecer.

2004/07/31

E ninguém me avisava?

Valeu a pena a petição: a Xobineski voltou!

Lémingues

Há algum tempo, o presidente da distrital do Porto do P.S., Francisco Assis, foi a Felgueiras no rescaldo do caso Fátima Felgueiras, e foi agredido por apoiantes da dita - ausente por motivo de banhos - supostamente também simpatizantes ou militantes do mesmo P.S.; ou, pelo menos, instigados por militantes.

Há menos tempo, numa disputa fratricida pela presidência da concelhia do P.S. de Matosinhos, Narciso Miranda e Manuel Seabra envolveram-se numa cena de ciúmes para conseguirem a atenção de Sousa Franco, candidato do partido às eleições europeias. A (triste) história meteu até contratação de "gorilas", e terminou da trágica forma que todos conhecem: com a morte de Sousa Franco momentos depois, por ataque cardíaco fulminante.

N'"O Independente" de ontem vem relatada, com alguns detalhes demasiado específicos para se tratar de uma simples invenção, toda a urdidura que António Costa montou, por forma a envolver Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues no processo Casa Pia (justa ou injustamente), e assim ascender "naturalmente" à liderança do P.S..

Por mim acho que vou deixar de criticar o P.S., mais que não seja por caridade - eles já têm demasiados opositores lá dentro, e pelos vistos não resolvem as divergências através do simples debate de ideias.

2004/07/30

Ídolos como nós

Alguns de vós ir-me-ão achar naïf, e até infantil pelo que vou contar (os outros já achavam antes), mas há pequenas histórias que acho que nunca deixarão de me fascinar.

Em conversa com o meu colega J.P., fiquei a saber que, em anos não muito distantes, ele trabalhou em Inglaterra, na indústria hoteleira. Soube também que desempenhou essas funções em Bristol, e que conhecia razoavelmente a zona em volta, mais ou menos até Cardiff. E, principalmente, contou-me que, no restaurante em que trabalhava, era comum ter a visita dos membros dos Stereophonics, dos Catatonia, dos Manic Street Preachers, e - pasme-se! - até dos Portishead. O J.P. provavelmente serviu umas lambchops a Beth Gibbons, e viu de perto umas grandes bebedeiras de James Dean Bradfield, bolas!

É evidente que sei que até as divas precisam de comer, mas tudo isto assim contado torna as coisas tão terrenas, e ao mesmo tempo tão surrealistas, não é? São pessoas que nos habituámos a idolatrar, e de repente percebemos que são verdadeiras - já o sabíamos antes, claro, mas assim, de uma forma tão próxima e tão real, dá para ficar de boca aberta.

Desculpem lá o deslumbramento; a normalidade regressa dentro de momentos.

2004/07/28

Férias

Não, ainda não estou de férias, mas ontem passei perto da minha querida Zambujeira do Mar e não resisti: almocei de novo no Café Fresco, uma tosta de frango, um galão com espuma "até às orelhas", e aquela tarte de maçã inigualável - e, principalmente, pouca gente, o jazz, a minha mesa favorita (à sombra, frente à falésia), e aquele maravilhoso fresco húmido do Atlântico, que nos faz sentir a pele sempre molhada.

De noite vim pernoitar ao hotel do costume, aqui na Praia da Rocha, de onde vos escrevo; e encontrei um "forno" indescritível, gente, gente e mais gente a passear nas ruas por não aguentarem o calor dentro dos seus apartamentos de férias, todos com as suas melhores toilettes de noite - leia-se saltos altíssimos para elas, e calças vincadinhas para eles.

Agora, explique-me quem puder: como é possível gostar disto?

2004/07/26

Como ajudar a passar estes dias de Inferno por menos de 500,00€:

Comigo tem resultado:

1 - 399,00€: um ar condicionado portátil, comprado na E. Leclerc, e estrategicamente ligado no piso dos quartos umas horas antes da "deita". Faz maravilhas, acreditem!

2 - 16,19€: O álbum "Cinema", de Rodrigo Leão, com as vozes (entre outras) de Beth Gibbons e Sónia Tavares. A consumir sem moderação, principalmente no carro (e também com o ar condicionado sempre no máximo).

3 - 4,40€: Uma cadeira de plástico simples, daquelas de esplanada, comprada na Makro. Não sei se já vos disse, mas ao lado deste lugar onde tenho o computador, possuo um terraço muito simpático; existe uma mancha de pinheiros em primeiro plano, e ao fundo vejo Lisboa da forma como ela me parece mais bonita - de longe. Como bónus, ainda consigo apreciar a Serra de Sintra, maravilhosamente recortada. De noite então, a vista é lindíssima mas, por preguiça, até hoje pouco ou nada usufruía dela. Agora tudo mudou: com uma cadeira de espaldar, aproveito o fresco das noites a fumar um Villiger n.º 9 e a pensar em coisas boas.

4 - Grátis: Um passeio pela baía de Cascais ontem, domingo, num galeão do sal, iniciativa da Câmara Municipal de Cascais, de que eu gozei por simpático convite de umas amigas. Regenerei energias, é verdade, mas tenho cá um palpite de que este passeio me vai sair caro: é que saí de lá com um "bichinho" a atazanar-me para me inscrever num curso de velejador, e de seguida procurar um veleiro antigo para recuperar, sabem? Pode ser que passe, ou talvez não...