2004/08/05

Pop

Desde quase a adolescência que não me lembro de gostar tanto de uma música a ponto de conseguir fixar toda a letra; mas hoje vim desde o Algarve a cantar sozinho:

"Hector was the first of the gang
With a gun is his hands
And the first to do time
The first of the gang to die
Such a silly boy!"


Sabem quem canta, sabem?

Adenda

Além das sugestões do post anterior, para as cerca de setenta e três pessoas que não estão no Algarve em Agosto, deixo aqui mais as seguintes ideias:

Num cinema perto (ou longe), não percam "Wilbur quer matar-se", uma pérola; para além da história, lindíssima, há ainda as fascinantes imagens de Glasgow. Só mesmo vendo.

Na Culturgest, até 19 de Setembro, exposição de trabalhos de Keith Haring; ainda não fui, mas não quero perder.

2004/08/01

Sugestões de Verão

Apesar de só ir de férias daqui a quase um mês (por opção própria - por mim o mês de Agosto podia muito bem ser riscado do calendário), não deixo de pensar nos cerca de 8.000.000 de portugueses que estão agora de férias, cerca de 7.000.000 no Algarve, e dos quais 3 ou 4 lêem - por vezes - este blog. Para esses resistentes, deixo agora aqui duas simples sugestões de leituras e música light, adequadas precisamente a esta época:

Estou quase a terminar "Hotel Finbar", espécie de romance composto por contos mais ou menos independentes, escrito por sete irlandeses contemporâneos (dos quais, confesso, só "conhecia" Roddy Doyle, de "A mulher que ia contra as portas"); recomendo.

Para ouvir, sem pensar muito nisso, "Bone", de Tim Booth.

Não precisam de agradecer.

2004/07/31

E ninguém me avisava?

Valeu a pena a petição: a Xobineski voltou!

Lémingues

Há algum tempo, o presidente da distrital do Porto do P.S., Francisco Assis, foi a Felgueiras no rescaldo do caso Fátima Felgueiras, e foi agredido por apoiantes da dita - ausente por motivo de banhos - supostamente também simpatizantes ou militantes do mesmo P.S.; ou, pelo menos, instigados por militantes.

Há menos tempo, numa disputa fratricida pela presidência da concelhia do P.S. de Matosinhos, Narciso Miranda e Manuel Seabra envolveram-se numa cena de ciúmes para conseguirem a atenção de Sousa Franco, candidato do partido às eleições europeias. A (triste) história meteu até contratação de "gorilas", e terminou da trágica forma que todos conhecem: com a morte de Sousa Franco momentos depois, por ataque cardíaco fulminante.

N'"O Independente" de ontem vem relatada, com alguns detalhes demasiado específicos para se tratar de uma simples invenção, toda a urdidura que António Costa montou, por forma a envolver Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues no processo Casa Pia (justa ou injustamente), e assim ascender "naturalmente" à liderança do P.S..

Por mim acho que vou deixar de criticar o P.S., mais que não seja por caridade - eles já têm demasiados opositores lá dentro, e pelos vistos não resolvem as divergências através do simples debate de ideias.

2004/07/30

Ídolos como nós

Alguns de vós ir-me-ão achar naïf, e até infantil pelo que vou contar (os outros já achavam antes), mas há pequenas histórias que acho que nunca deixarão de me fascinar.

Em conversa com o meu colega J.P., fiquei a saber que, em anos não muito distantes, ele trabalhou em Inglaterra, na indústria hoteleira. Soube também que desempenhou essas funções em Bristol, e que conhecia razoavelmente a zona em volta, mais ou menos até Cardiff. E, principalmente, contou-me que, no restaurante em que trabalhava, era comum ter a visita dos membros dos Stereophonics, dos Catatonia, dos Manic Street Preachers, e - pasme-se! - até dos Portishead. O J.P. provavelmente serviu umas lambchops a Beth Gibbons, e viu de perto umas grandes bebedeiras de James Dean Bradfield, bolas!

É evidente que sei que até as divas precisam de comer, mas tudo isto assim contado torna as coisas tão terrenas, e ao mesmo tempo tão surrealistas, não é? São pessoas que nos habituámos a idolatrar, e de repente percebemos que são verdadeiras - já o sabíamos antes, claro, mas assim, de uma forma tão próxima e tão real, dá para ficar de boca aberta.

Desculpem lá o deslumbramento; a normalidade regressa dentro de momentos.

2004/07/28

Férias

Não, ainda não estou de férias, mas ontem passei perto da minha querida Zambujeira do Mar e não resisti: almocei de novo no Café Fresco, uma tosta de frango, um galão com espuma "até às orelhas", e aquela tarte de maçã inigualável - e, principalmente, pouca gente, o jazz, a minha mesa favorita (à sombra, frente à falésia), e aquele maravilhoso fresco húmido do Atlântico, que nos faz sentir a pele sempre molhada.

De noite vim pernoitar ao hotel do costume, aqui na Praia da Rocha, de onde vos escrevo; e encontrei um "forno" indescritível, gente, gente e mais gente a passear nas ruas por não aguentarem o calor dentro dos seus apartamentos de férias, todos com as suas melhores toilettes de noite - leia-se saltos altíssimos para elas, e calças vincadinhas para eles.

Agora, explique-me quem puder: como é possível gostar disto?

2004/07/26

Como ajudar a passar estes dias de Inferno por menos de 500,00€:

Comigo tem resultado:

1 - 399,00€: um ar condicionado portátil, comprado na E. Leclerc, e estrategicamente ligado no piso dos quartos umas horas antes da "deita". Faz maravilhas, acreditem!

2 - 16,19€: O álbum "Cinema", de Rodrigo Leão, com as vozes (entre outras) de Beth Gibbons e Sónia Tavares. A consumir sem moderação, principalmente no carro (e também com o ar condicionado sempre no máximo).

3 - 4,40€: Uma cadeira de plástico simples, daquelas de esplanada, comprada na Makro. Não sei se já vos disse, mas ao lado deste lugar onde tenho o computador, possuo um terraço muito simpático; existe uma mancha de pinheiros em primeiro plano, e ao fundo vejo Lisboa da forma como ela me parece mais bonita - de longe. Como bónus, ainda consigo apreciar a Serra de Sintra, maravilhosamente recortada. De noite então, a vista é lindíssima mas, por preguiça, até hoje pouco ou nada usufruía dela. Agora tudo mudou: com uma cadeira de espaldar, aproveito o fresco das noites a fumar um Villiger n.º 9 e a pensar em coisas boas.

4 - Grátis: Um passeio pela baía de Cascais ontem, domingo, num galeão do sal, iniciativa da Câmara Municipal de Cascais, de que eu gozei por simpático convite de umas amigas. Regenerei energias, é verdade, mas tenho cá um palpite de que este passeio me vai sair caro: é que saí de lá com um "bichinho" a atazanar-me para me inscrever num curso de velejador, e de seguida procurar um veleiro antigo para recuperar, sabem? Pode ser que passe, ou talvez não...

2004/07/25

Serra Mãe

Quando escolhi este título para o blog, pensei que a expressão era do conhecimento da generalidade dos leitores; confesso que me senti algo desiludido quando comecei a perceber que poucos eram aqueles que realmente conheciam a origem da mesma. Pois bem, para que não restem dúvidas, esclareço agora toda a gente que a expressão "Serra Mãe" foi primeiramente utilizada (tanto quanto sei) pelo poeta azeitonense Sebastião da Gama, para designar nos seus poemas a Serra da Arrábida, pela qual nutria uma desmedida paixão.

Sebastião da Gama morreu novo, vítima de tuberculose, mas deixou-nos um legado fantástico de poesia, e um exemplo de amor pela serra que é hoje seguido por todos os azeitonenses, mesmo pelos "adoptivos", entre os quais me incluo há quase trinta anos. Aliás, tenho o grato prazer de conhecer pessoalmente a sua viúva, D. Joana Luísa, dona de assinalável espólio referente ao poeta, parte do qual pode ser observado no Museu Sebastião da Gama, pequeno mas interessante espaço cultural logo à entrada de Azeitão, para quem vem de Lisboa.

Não sou grande coisa a memorizar poesia (que saudades do meu avô Álvaro), mas toca-me principalmente um poema que termina mais ou menos assim:

"...julguei ter a serra por mãe,
quando afinal não serei mais que seu bastardo!"


Acabei agora de voltar da serra, que está a arder em várias zonas, mas principalmente no seu maciço central, na zona das antenas, e não consigo colocar em palavras a dor que trago na alma.

2004/07/24

Raios partam o calor!

A Ana tem razão: é impossível alguém, com um mínimo de razoabilidade, gostar deste tempo horrível - a menos que os mais de 40º já lhe tenham fritado os neurónios!

2004/07/23

Don't go away!

Desculpem lá, mas o tempo para escrever não tem sido muito; não desistam, está bem?

2004/07/18

Enjoo de Pomar

Não sou propriamente um "rato de museu", mas já visitei muitos, cá e no estrangeiro, e neles já vi muitas exposições temporárias, temáticas ou de determinados artistas; assim de repente, lembro-me, por exemplo, de uma excelente mostra de desenhos de Modigliani no Reina Sofia, em Madrid, ou de uma não menos impressionante mostra de quadros de Edward Munch, na Tate Gallery, em Londres. Mas, em todos os casos visitados até aqui, havia um denominador comum: a exposição temporária é exibida numa determinada parte do edifício, mas podemos continuar a apreciar a exposição permanente do museu no mesmo espaço.

Ora bem, serve isto para introduzir o que me aconteceu esta manhã; vou ao Museu de Arte Moderna de Sintra, para ver a colecção Berardo, e logo à entrada sou avisado, através de um painel, de que está patente uma mostra de quadros de Júlio Pomar. "Óptimo", pensei, "até gosto bastante de Júlio Pomar". Mas, o que o painel não avisava, era que os quadros de Júlio Pomar não estavam expostos "além dos" habituais, mas sim "em vez de".

Desculpem lá o desabafo, mas não lembra ao diabo uma coisa destas; então será que não era possível encher duas ou três salas - ou até um piso - do museu com as pinturas de Pomar, mas deixar os Pollock, os Wahrol, os Haring, os Lichtenstein, e todas as outras preciosidades que constituem o acervo deste museu? É que nem toda a gente vai lá apenas para ver os quadros de Pomar. E o pior é que esta tal exposição "substituta" vai estar patente até Novembro; só depois é que nos poderemos deliciar de novo com a arte pop.

Eu gostava de Júlio Pomar, sim, mas desta forma arranjam maneira de um tipo ficar a embirrar com o homem!

2004/07/16

A música da minha vida (válido só para hoje)

O Cristóvão, do novel e muito bom "Quase famosos", deixa-nos uma questão pertinente e a que volto sempre: se tivesse que escolher, qual seria a "música da minha vida"?

Penso, repenso, e chego à conclusão de que não há músicas da minha vida. Talvez influenciado pelo boy with the arab strap de que ele fala, penso logo em "I fought in a war", dos Belle & Sebastian; é uma canção quase perfeita, mas será essa "a tal"? Não, acho que não; e o "Train in Vain", dos Clash? Ná, também não é essa. Talvez "Concrete Sky", da Beth Orton, ou, quiçá, "Birthday Girl", dos Microdisney? Desisto; não há "músicas da vida" de ninguém - há apenas otovermes, como diz a Papoila.

E já agora: quais são as "músicas da vida" dos meus leitores?

2004/07/12

Dói, não dói?

O Bloco de Esquerda anunciou a apresentação de uma moção de censura a um Governo que ainda nem empossado foi, e cujas políticas consequentemente desconhece; mais, presume-se (é uma das exigências de Jorge Sampaio) que este Governo continuará a linha de actuação do anterior, ao qual nunca foi apresentada qualquer moção de censura. Serão necessários comentários?

That´s for ever, she said!

Já houve um tempo em que o único critério em que me baseava para ir ou não a um concerto era a qualidade dos artistas em questão; foi por isso que, entre muitos outros, fui ver Lloyd Cole & The Commotions há uns quinze anos ao Pavilhão de Cascais.

Não me arrependo, mas entretanto cresci, aburguesei-me, tornei-me comodista, e percebi que, não deixando aquele de ser um dos critérios primordiais, muitos outros haverá a levar em linha de conta, como por exemplo o local em que estamos - e é por isso que tenciono voltar a ouvir Lloyd Cole, dia 28 de Agosto, em Óbidos.

2004/07/10

Fora de moda

Serei eu o único português que ainda não foi ao IKEA? Se bem que mais umas estantes fariam aqui muito jeito...

Sintra


Penso que toda a gente terá uma terra, um local, que ficará para sempre associado a momentos especiais da sua vida, seja em que sentido for. Para mim esse lugar é Sintra, passe o cliché; sempre o foi, desde há muitos, muitos anos, e desconfio de que sempre o será.

E há dias voltei a Sintra - mas, em vez de matar saudades, criei mais!

A menina do mar

O que me interessa que Portugal tenha perdido a taça? Quero lá saber da decisão do Sampaio e da sanha da esquerdalha! E o Ferro Rodrigues demitiu-se? Bom proveito!

Não percebem que o mais importante da semana que passou foi o silêncio? Sophia calou-se, e tudo o mais deixou de ter significado!

Diz-me onde moras, dir-te-ei quem és!

Se há coisa que me irrita solenemente, é o preconceito que quem mora nas zonas ditas in do país apresenta contra as pessoas que moram nas periferias - os "suburbanos", termo que recorrentemente usam no seu sentido mais pejorativo.

Se alguém disser, a um residente num "qualquer-local-politicamente-correcto", que mora, sei lá, em Mem Martins, Fogueteiro ou mesmo na Amadora, essa declaração quase equivale a dizer: "sou estivador, ando de camisola de alças com um palito na boca, ao fim de semana bebo umas bejecas e como uns tremoços, e, volta e meia, dou uma carga de porrada à Maria, para ela não se esquecer de mim!"

Confesso que não residiria, por muito que me pagassem, em nenhum dos sítios acima citados - mas também me recusaria a morar na Lapa, nas avenidas novas, no Parque das Nações, ou em qualquer outro lugar dentro da cidade, acreditem. E a verdade é que conheço muito boa gente, a morar em "lugares-da-moda", simplesmente intragável, com níveis de inteligência e de civismo abaixo de qualquer cota razoável, assim como conheço muitas pessoas residentes em sítios horríveis, mas com uma atitude absolutamente acima de qualquer suspeita.

Todas as generalizações são perigosas (incluindo esta).

2004/07/01

Sonho


Uns dias aqui fariam maravilhas!