O Cristóvão, do novel e muito bom "Quase famosos", deixa-nos uma questão pertinente e a que volto sempre: se tivesse que escolher, qual seria a "música da minha vida"?
Penso, repenso, e chego à conclusão de que não há músicas da minha vida. Talvez influenciado pelo boy with the arab strap de que ele fala, penso logo em "I fought in a war", dos Belle & Sebastian; é uma canção quase perfeita, mas será essa "a tal"? Não, acho que não; e o "Train in Vain", dos Clash? Ná, também não é essa. Talvez "Concrete Sky", da Beth Orton, ou, quiçá, "Birthday Girl", dos Microdisney? Desisto; não há "músicas da vida" de ninguém - há apenas otovermes, como diz a Papoila.
E já agora: quais são as "músicas da vida" dos meus leitores?
2004/07/16
2004/07/12
Dói, não dói?
O Bloco de Esquerda anunciou a apresentação de uma moção de censura a um Governo que ainda nem empossado foi, e cujas políticas consequentemente desconhece; mais, presume-se (é uma das exigências de Jorge Sampaio) que este Governo continuará a linha de actuação do anterior, ao qual nunca foi apresentada qualquer moção de censura. Serão necessários comentários?
That´s for ever, she said!
Já houve um tempo em que o único critério em que me baseava para ir ou não a um concerto era a qualidade dos artistas em questão; foi por isso que, entre muitos outros, fui ver Lloyd Cole & The Commotions há uns quinze anos ao Pavilhão de Cascais.
Não me arrependo, mas entretanto cresci, aburguesei-me, tornei-me comodista, e percebi que, não deixando aquele de ser um dos critérios primordiais, muitos outros haverá a levar em linha de conta, como por exemplo o local em que estamos - e é por isso que tenciono voltar a ouvir Lloyd Cole, dia 28 de Agosto, em Óbidos.
Não me arrependo, mas entretanto cresci, aburguesei-me, tornei-me comodista, e percebi que, não deixando aquele de ser um dos critérios primordiais, muitos outros haverá a levar em linha de conta, como por exemplo o local em que estamos - e é por isso que tenciono voltar a ouvir Lloyd Cole, dia 28 de Agosto, em Óbidos.
2004/07/10
Fora de moda
Serei eu o único português que ainda não foi ao IKEA? Se bem que mais umas estantes fariam aqui muito jeito...
Sintra
Penso que toda a gente terá uma terra, um local, que ficará para sempre associado a momentos especiais da sua vida, seja em que sentido for. Para mim esse lugar é Sintra, passe o cliché; sempre o foi, desde há muitos, muitos anos, e desconfio de que sempre o será.
E há dias voltei a Sintra - mas, em vez de matar saudades, criei mais!
A menina do mar
O que me interessa que Portugal tenha perdido a taça? Quero lá saber da decisão do Sampaio e da sanha da esquerdalha! E o Ferro Rodrigues demitiu-se? Bom proveito!
Não percebem que o mais importante da semana que passou foi o silêncio? Sophia calou-se, e tudo o mais deixou de ter significado!
Não percebem que o mais importante da semana que passou foi o silêncio? Sophia calou-se, e tudo o mais deixou de ter significado!
Diz-me onde moras, dir-te-ei quem és!
Se há coisa que me irrita solenemente, é o preconceito que quem mora nas zonas ditas in do país apresenta contra as pessoas que moram nas periferias - os "suburbanos", termo que recorrentemente usam no seu sentido mais pejorativo.
Se alguém disser, a um residente num "qualquer-local-politicamente-correcto", que mora, sei lá, em Mem Martins, Fogueteiro ou mesmo na Amadora, essa declaração quase equivale a dizer: "sou estivador, ando de camisola de alças com um palito na boca, ao fim de semana bebo umas bejecas e como uns tremoços, e, volta e meia, dou uma carga de porrada à Maria, para ela não se esquecer de mim!"
Confesso que não residiria, por muito que me pagassem, em nenhum dos sítios acima citados - mas também me recusaria a morar na Lapa, nas avenidas novas, no Parque das Nações, ou em qualquer outro lugar dentro da cidade, acreditem. E a verdade é que conheço muito boa gente, a morar em "lugares-da-moda", simplesmente intragável, com níveis de inteligência e de civismo abaixo de qualquer cota razoável, assim como conheço muitas pessoas residentes em sítios horríveis, mas com uma atitude absolutamente acima de qualquer suspeita.
Todas as generalizações são perigosas (incluindo esta).
Se alguém disser, a um residente num "qualquer-local-politicamente-correcto", que mora, sei lá, em Mem Martins, Fogueteiro ou mesmo na Amadora, essa declaração quase equivale a dizer: "sou estivador, ando de camisola de alças com um palito na boca, ao fim de semana bebo umas bejecas e como uns tremoços, e, volta e meia, dou uma carga de porrada à Maria, para ela não se esquecer de mim!"
Confesso que não residiria, por muito que me pagassem, em nenhum dos sítios acima citados - mas também me recusaria a morar na Lapa, nas avenidas novas, no Parque das Nações, ou em qualquer outro lugar dentro da cidade, acreditem. E a verdade é que conheço muito boa gente, a morar em "lugares-da-moda", simplesmente intragável, com níveis de inteligência e de civismo abaixo de qualquer cota razoável, assim como conheço muitas pessoas residentes em sítios horríveis, mas com uma atitude absolutamente acima de qualquer suspeita.
Todas as generalizações são perigosas (incluindo esta).
2004/07/01
Falácias
Em desespero de causa, ganha cada vez mais espaço, entre os detractores da solução de continuidade proposta pelo e para o governo, o argumento do tipo: "eu não votei em Santana Lopes para primeiro ministro!".
É uma verdade insofismável, e até acrescento mais: nenhum português votou em Santana Lopes para primeiro ministro! Mas também não será menos verdade que nenhum português votou alguma vez em Durão Barroso, ou em quem quer que fosse, para primeiro ministro, apenas e tão só porque em Portugal, democracia representativa, não se vota em pessoas para primeiro ministro mas sim em partidos para a constituição da Assembleia da República. É esta a falácia que a oposição, mas também alguns sociais democratas com problemas de indigestão, anda a tentar impingir ao País.
Mas a verdade é líquida e incontornável: nas últimas eleições legislativas o povo português votou maioritariamente no PSD, pelo que, como consta da constituição, foi este partido que o Presidente da República convidou para formar governo. Foi o PSD que, face a uma maioria relativa obtida, decidiu convidar o PP, terceira força política mais votada, para um governo de coligação que propôs ao Presidente da República, e que sujeitou ao sufrágio da Assembleia da República. Nesta sede, os deputados - estes sim, eleitos a partir dos resultados eleitorais - viabilizaram o governo então proposto, e o seu programa, para um mandato de quatro anos.
Ora, não venham agora oportunistas diversos invocar falsidades para tentar aproveitar uma janela de oportunidade; o governo continua, o seu programa também, e só manifesta má fé podem levar a considerar que Santana Lopes e/ou Paulo Portas não teriam o perfil para manter a linha de rumo até aqui traçada. Como se pode combater um putativo governo com um pressuposto inexistente ou pelo menos não confirmado - o de que Santana Lopes conduziria o país a uma situação de esbanjamento populista? Trata-se, obviamente, de preconceito, e este não é um critério aceitável em política.
Por outro lado, também não me parece que haja grande espaço para contestar a natural subida de Santana Lopes à liderança do seu partido; não sou militante, nem sequer simpatizante, do PSD, mas presumo que se trate de um partido com estatutos - e parece-me lógico calcular que esses estatutos refiram que, em caso de impossibilidade de continuidade em funções por parte do seu presidente, este seja substituído, em sede de Conselho Nacional, pelo seu vice. So, what's the big deal?
P.S.: Mas confesso que me daria um gozo perverso ver o país em eleições antecipadas, só para ver o tamanho dos sapos que Sócrates, Soares júnior ou Lamego teriam que engolir, ao manifestar o seu incondicional apoio a Ferro.
É uma verdade insofismável, e até acrescento mais: nenhum português votou em Santana Lopes para primeiro ministro! Mas também não será menos verdade que nenhum português votou alguma vez em Durão Barroso, ou em quem quer que fosse, para primeiro ministro, apenas e tão só porque em Portugal, democracia representativa, não se vota em pessoas para primeiro ministro mas sim em partidos para a constituição da Assembleia da República. É esta a falácia que a oposição, mas também alguns sociais democratas com problemas de indigestão, anda a tentar impingir ao País.
Mas a verdade é líquida e incontornável: nas últimas eleições legislativas o povo português votou maioritariamente no PSD, pelo que, como consta da constituição, foi este partido que o Presidente da República convidou para formar governo. Foi o PSD que, face a uma maioria relativa obtida, decidiu convidar o PP, terceira força política mais votada, para um governo de coligação que propôs ao Presidente da República, e que sujeitou ao sufrágio da Assembleia da República. Nesta sede, os deputados - estes sim, eleitos a partir dos resultados eleitorais - viabilizaram o governo então proposto, e o seu programa, para um mandato de quatro anos.
Ora, não venham agora oportunistas diversos invocar falsidades para tentar aproveitar uma janela de oportunidade; o governo continua, o seu programa também, e só manifesta má fé podem levar a considerar que Santana Lopes e/ou Paulo Portas não teriam o perfil para manter a linha de rumo até aqui traçada. Como se pode combater um putativo governo com um pressuposto inexistente ou pelo menos não confirmado - o de que Santana Lopes conduziria o país a uma situação de esbanjamento populista? Trata-se, obviamente, de preconceito, e este não é um critério aceitável em política.
Por outro lado, também não me parece que haja grande espaço para contestar a natural subida de Santana Lopes à liderança do seu partido; não sou militante, nem sequer simpatizante, do PSD, mas presumo que se trate de um partido com estatutos - e parece-me lógico calcular que esses estatutos refiram que, em caso de impossibilidade de continuidade em funções por parte do seu presidente, este seja substituído, em sede de Conselho Nacional, pelo seu vice. So, what's the big deal?
P.S.: Mas confesso que me daria um gozo perverso ver o país em eleições antecipadas, só para ver o tamanho dos sapos que Sócrates, Soares júnior ou Lamego teriam que engolir, ao manifestar o seu incondicional apoio a Ferro.
Como eu gosto do Euro 2004!
Graças a ele, ontem, à hora a que se disputava o jogo Portugal-Holanda, consegui encontrar um lugar onde jantar, sem televisões por perto e praticamente vazio. Ainda conseguia ouvir a ladaínha longínqua de um relato, e adivinhava os golos da nossa equipa através de rumores abafados, mas o saldo final da refeição foi calmo.
Depois, de regresso ao hotel, e graças ao barulho que os adeptos faziam na rua, não consegui adormecer cedo e acabei por aproveitar para ler "de uma penada" dois livros que tinha comprado umas horas antes: "Linguagem Seinfeld", de Jerry Seinfeld, e "A insubmissa", de António Modesto Navarro, uma boa surpresa. Nada disto teria sido possível sem o Euro 2004!
Podem começar então a desancar-me; podem-me chamar de snob, de intelectual "da treta", podem até ter pena de mim - sentimento que agradeço mas dispenso. Só não admito que me acusem de pouco patriotismo.
Vamos lá a ver se nos entendemos: teria tanto gosto em que fosse a nossa selecção a vencer este campeonato como qualquer outro português - só não consigo partilhar da euforia e quase histeria que tomou conta desta gente, a propósito de algo que não é mais do que um desporto. No dia em que o Estado gastar pelo menos 1% do que se gasta com o futebol com outras modalidades em que existem tantos jovens talentos sem possibilidades de mostrar o que valem - e, assim de repente, e com algum conhecimento de causa, lembro-me dos desportos motorizados, incluindo a motonáutica, em que o meu grande amigo Duarte Benavente anda a disputar o Campeonato Mundial de Fórmula 1 com excelentes resultados, do ténis ou do BTT - no dia em que as visões se tornarem abrangentes, dizia, e quem de direito perceber que desporto não é só futebol, nesse dia talvez alguém me veja entusiasmado com um simples jogo de bola - antes não!
Falem-me em "fenómeno de massas", e eu respondo: acham sadio andar a acicatar rivalidades e até ódios contra povos amigos, a desejar humilhá-los através de golos? Não percebem que todo esse sentimento contraria a essência do conceito de desporto? "Aljubarrota", professor Marcelo? Por amor de Deus!
Depois, de regresso ao hotel, e graças ao barulho que os adeptos faziam na rua, não consegui adormecer cedo e acabei por aproveitar para ler "de uma penada" dois livros que tinha comprado umas horas antes: "Linguagem Seinfeld", de Jerry Seinfeld, e "A insubmissa", de António Modesto Navarro, uma boa surpresa. Nada disto teria sido possível sem o Euro 2004!
Podem começar então a desancar-me; podem-me chamar de snob, de intelectual "da treta", podem até ter pena de mim - sentimento que agradeço mas dispenso. Só não admito que me acusem de pouco patriotismo.
Vamos lá a ver se nos entendemos: teria tanto gosto em que fosse a nossa selecção a vencer este campeonato como qualquer outro português - só não consigo partilhar da euforia e quase histeria que tomou conta desta gente, a propósito de algo que não é mais do que um desporto. No dia em que o Estado gastar pelo menos 1% do que se gasta com o futebol com outras modalidades em que existem tantos jovens talentos sem possibilidades de mostrar o que valem - e, assim de repente, e com algum conhecimento de causa, lembro-me dos desportos motorizados, incluindo a motonáutica, em que o meu grande amigo Duarte Benavente anda a disputar o Campeonato Mundial de Fórmula 1 com excelentes resultados, do ténis ou do BTT - no dia em que as visões se tornarem abrangentes, dizia, e quem de direito perceber que desporto não é só futebol, nesse dia talvez alguém me veja entusiasmado com um simples jogo de bola - antes não!
Falem-me em "fenómeno de massas", e eu respondo: acham sadio andar a acicatar rivalidades e até ódios contra povos amigos, a desejar humilhá-los através de golos? Não percebem que todo esse sentimento contraria a essência do conceito de desporto? "Aljubarrota", professor Marcelo? Por amor de Deus!
2004/06/29
First things first!
O país vive tempos de instabilidade, e todos os portugueses estão ansiosos por importantes decisões que se tomarão por estes dias, e das quais pode estar dependente o seu futuro.
Estará o povo luso suspenso das palavras de Jorge Sampaio, sobre qual a solução governativa por que optará? Não, caros ingénuos - do resultado do jogo Portugal-Holanda!
Estará o povo luso suspenso das palavras de Jorge Sampaio, sobre qual a solução governativa por que optará? Não, caros ingénuos - do resultado do jogo Portugal-Holanda!
2004/06/27
Ego inchado
Desculpem lá a imodéstia, mas ontem, na primeira saída semi-desportiva do meu Alfa Romeo 1750 berlina, o tal de 1972, ganhei o Rally Cidade de Almada acompanhado pelo meu amigo P. - e não, não era só um concorrente!
Ideias
E, de repente, toda a gente desata a criticar Durão Barroso pela sua opção de aceitar o cargo de Presidente da Comissão Europeia; mesmo quem não votou no homem e nunca gostou dele, fala agora de "traição", de "fuga", ou de "abandono dos portugueses", suspirando antecipadamente pela sua ida.
Mas vamos por partes:
1. Não me parece que o lugar agora proposto ao nosso Primeiro seja assim tão insignificante que não fosse importante para um país ter nele um seu representante. E esta, parece-me, é uma questão supra partidária - aliás, o próprio Durão Barroso mostrou ter esse entendimento do assunto ao apoiar, numa fase prévia, a putativa candidatura de António Vitorino ao cargo, isto antes de o seu próprio nome ser sequer uma hipótese.
2. Não há "abandono", ou "fuga" comparável áquela protagonizada por Guterres em 2001. Por um lado, não há queda do Governo, nem os partidos que o compõem pretendem eleições intercalares, ao contrário do PS naquela altura, que assumiu tacitamente a sua incapacidade para governar este país. Por outro lado, é natural que as políticas preconizadas por Barroso para a recuperação económica deste país sejam seguidas pelos seus sucessores - e afinal, votamos em ideias políticas ou em pessoas mais ou menos cativantes? (A resposta a esta última questão não será líquida para muita gente; vide a quantidade de pessoas que vota no BE, seduzidas pelo nouveau chic, sem terem sequer um lampejo das suas ideias, encostadas ao radicalismo de esquerda)
3. Na sequência do que escrevi acima, é de referir que os argumentos contra Santana Lopes também são pouco menos que risíveis: ou "não se gosta porque é engatatão", ou "porque bebe copos", ou "porque tem ar de gigolo" - em suma, por todos os motivos, menos pelas políticas que pode vir a apresentar para o nosso país, e que deveriam ser, em primeiríssima análise, o pincipal motivo pelo qual elegemos quem nos dirija. De resto, e ainda que isso possa parecer estranho a alguns, nas eleições legislativas não votamos em pessoas para constituir o governo, mas sim para exercerem cargos de deputados; depois de contabilizados os votos, o Presidente da República convida então o líder do partido mais votado a formar governo, podendo este (o governo) incluir ou não o nome do seu líder.
A personalização da política, o ataque à pessoa e não ao seu programa, costumam ser uma táctica recorrente da esquerda deste país - os "modernos" bloquistas deram o tom, a coisa pegou, e aí vão os socialistas encantados atrás do comboio. Só tenho pena de ver gente de centro e direita a afinar pelo mesmo diapasão. Mas pobres de espírito, oportunistas e abutres há-os em todos os quadrantes, é verdade.
Mas vamos por partes:
1. Não me parece que o lugar agora proposto ao nosso Primeiro seja assim tão insignificante que não fosse importante para um país ter nele um seu representante. E esta, parece-me, é uma questão supra partidária - aliás, o próprio Durão Barroso mostrou ter esse entendimento do assunto ao apoiar, numa fase prévia, a putativa candidatura de António Vitorino ao cargo, isto antes de o seu próprio nome ser sequer uma hipótese.
2. Não há "abandono", ou "fuga" comparável áquela protagonizada por Guterres em 2001. Por um lado, não há queda do Governo, nem os partidos que o compõem pretendem eleições intercalares, ao contrário do PS naquela altura, que assumiu tacitamente a sua incapacidade para governar este país. Por outro lado, é natural que as políticas preconizadas por Barroso para a recuperação económica deste país sejam seguidas pelos seus sucessores - e afinal, votamos em ideias políticas ou em pessoas mais ou menos cativantes? (A resposta a esta última questão não será líquida para muita gente; vide a quantidade de pessoas que vota no BE, seduzidas pelo nouveau chic, sem terem sequer um lampejo das suas ideias, encostadas ao radicalismo de esquerda)
3. Na sequência do que escrevi acima, é de referir que os argumentos contra Santana Lopes também são pouco menos que risíveis: ou "não se gosta porque é engatatão", ou "porque bebe copos", ou "porque tem ar de gigolo" - em suma, por todos os motivos, menos pelas políticas que pode vir a apresentar para o nosso país, e que deveriam ser, em primeiríssima análise, o pincipal motivo pelo qual elegemos quem nos dirija. De resto, e ainda que isso possa parecer estranho a alguns, nas eleições legislativas não votamos em pessoas para constituir o governo, mas sim para exercerem cargos de deputados; depois de contabilizados os votos, o Presidente da República convida então o líder do partido mais votado a formar governo, podendo este (o governo) incluir ou não o nome do seu líder.
A personalização da política, o ataque à pessoa e não ao seu programa, costumam ser uma táctica recorrente da esquerda deste país - os "modernos" bloquistas deram o tom, a coisa pegou, e aí vão os socialistas encantados atrás do comboio. Só tenho pena de ver gente de centro e direita a afinar pelo mesmo diapasão. Mas pobres de espírito, oportunistas e abutres há-os em todos os quadrantes, é verdade.
2004/06/25
Contrição ou "See you soon!"
Ontem, por motivos profissionais, jantei em Albufeira, a poucos metros da Rua da Oura.
Já aqui confessei bastas vezes a minha embirração de estimação com o futebol e, principalmente, com a hipervalorização que se faz de um simples desporto; mas na última noite era impossível não sentir algum entusiasmo, e assim, pela primeira vez desde que este campeonato começou, assisti a um jogo quase na totalidade. O ambiente era simpático, com um restaurante cheio de portugueses, e mais uns holandeses que, no entanto, também apoiavam a selecção portuguesa. Mas já um rápido vislumbre para a rua deixava antever o pior, fosse qual fosse o resultado: milhares de adeptos ingleses pululavam por todo o lado, e bebiam litros e litros de cervejas em bares engalanados de branco e vermelho.
O jogo acabou, o resultado foi o que se conhece, o jantar também terminou, e viémos para a rua. Surpresa: eu, que nem sou pessoa de grandes euforias, nem tampouco ostentava qualquer sinal que me identificasse como luso, comecei a ser espontaneamente felicitado por ingleses pela vitória da selecção nacional. Ouvi vezes sem conta as expressões "nice fight", ou "fair enough".
Insisti então com o meu amigo P., que me acompanhou no jantar, para descermos até à Oura, a fim de verificarmos in loco se aquela educação britânica era um fenómeno da zona em que nos encontrávamos, ou se se tratava de algo generalizado. O P. estava algo receoso, com a memória de acontecimentos recentes ainda fresca, mas eu insisti bastante e lá fomos. Tudo na mesma: adeptos com fair-play, trocas de camisolas, felicitações mútuas.
Fiquei surpreendido, confesso, e aqui faço publicamente a minha assunção de erro: sempre pensei que os adeptos mais ferrenhos fossem uma raça de gente pouco digna desse nome, indivíduos que apenas se deslocam a um cenário de jogo para arranjar conflitos e, se possível, tirar desforço físico da parte contrária. O meu quase nulo conhecimento do meio induzia-me essa ideia. Estava errado, admito; esses, os violentos, são uma minoria que, contudo, gozam de um injusto protagonismo, dada a assiduidade com que se envolvem em problemas - e há-os em todo o lado, não me lixem: procurem lá também nas nossas claques dos dragões amarelos, dos diabos cor de rosa, ou em qualquer outra.
Mas os verdadeiros amantes desse desporto, como de qualquer outro, sabem portar-se com dignidade, ganhem ou percam, e esses merecem admiração incondicional.
Já aqui confessei bastas vezes a minha embirração de estimação com o futebol e, principalmente, com a hipervalorização que se faz de um simples desporto; mas na última noite era impossível não sentir algum entusiasmo, e assim, pela primeira vez desde que este campeonato começou, assisti a um jogo quase na totalidade. O ambiente era simpático, com um restaurante cheio de portugueses, e mais uns holandeses que, no entanto, também apoiavam a selecção portuguesa. Mas já um rápido vislumbre para a rua deixava antever o pior, fosse qual fosse o resultado: milhares de adeptos ingleses pululavam por todo o lado, e bebiam litros e litros de cervejas em bares engalanados de branco e vermelho.
O jogo acabou, o resultado foi o que se conhece, o jantar também terminou, e viémos para a rua. Surpresa: eu, que nem sou pessoa de grandes euforias, nem tampouco ostentava qualquer sinal que me identificasse como luso, comecei a ser espontaneamente felicitado por ingleses pela vitória da selecção nacional. Ouvi vezes sem conta as expressões "nice fight", ou "fair enough".
Insisti então com o meu amigo P., que me acompanhou no jantar, para descermos até à Oura, a fim de verificarmos in loco se aquela educação britânica era um fenómeno da zona em que nos encontrávamos, ou se se tratava de algo generalizado. O P. estava algo receoso, com a memória de acontecimentos recentes ainda fresca, mas eu insisti bastante e lá fomos. Tudo na mesma: adeptos com fair-play, trocas de camisolas, felicitações mútuas.
Fiquei surpreendido, confesso, e aqui faço publicamente a minha assunção de erro: sempre pensei que os adeptos mais ferrenhos fossem uma raça de gente pouco digna desse nome, indivíduos que apenas se deslocam a um cenário de jogo para arranjar conflitos e, se possível, tirar desforço físico da parte contrária. O meu quase nulo conhecimento do meio induzia-me essa ideia. Estava errado, admito; esses, os violentos, são uma minoria que, contudo, gozam de um injusto protagonismo, dada a assiduidade com que se envolvem em problemas - e há-os em todo o lado, não me lixem: procurem lá também nas nossas claques dos dragões amarelos, dos diabos cor de rosa, ou em qualquer outra.
Mas os verdadeiros amantes desse desporto, como de qualquer outro, sabem portar-se com dignidade, ganhem ou percam, e esses merecem admiração incondicional.
2004/06/23
Parábola
Quando somos adolescentes todos os adultos nos parecem extremamente fastidiosos e desfasados da realidade; isto aplica-se principalmente aos avós, que "são uns chatos" que só servem para nos pespegar uns beijos repenicados nas bochechas, deixando, em contrapartida, umas notinhas no nosso dia de aniversário e no Natal. Quão estúpidos somos então!
Há dias, numa fabulosa tira de Calvin & Hobbes, publicada no Público, o pai de Calvin sofria de insónias - quando instado pela esposa a confessar o que o impedia de dormir, disse mais ou menos isto (cito de memória): "quando era pequeno pensava que os adultos sabiam sempre a forma correcta de resolver as situações; pensava que, quando chegássemos à idade adulta, todo esse conhecimento nos surgiria automaticamente - se soubesse que não era assim, não teria tido tanta pressa em ser adulto!" Lindo, não é?
Só quando nos tornamos adultos, e pais, percebemos as dificuldades que todos os nossos progenitores sentiram para nos educar; só então conseguimos avaliar a frustração de não nos conseguirem transmitir os seus ensinamentos, as dúvidas que sentiam naquilo que nos queriam dar e a ansiedade de perceberem que nem sempre estávamos disponíveis - e então sentimos um enorme remorso por não os termos recompensado devidamente desse esforço homérico, e por já ter passado tudo tão depressa.
Quando eu tinha vinte e poucos anos, conheci a primeira morte de um avô: atormentado pela doença, o meu avô Brito deixou-nos, depois de alguns meses de sofrimento. Era um homem grande, em todos os sentidos; foi um dos primeiros carteiros do Barreiro, depois funcionário fabril e, às suas custas, tornou-se num respeitado empresário de razoável sucesso. Nunca o chamei por "avô" - entre nós, chamávamo-nos mutuamente de "amigo", ate à data da sua morte. Eu, que nunca apreciei grandemente futebol, nunca esquecerei os muitos jogos da CUF e do Barreirense - ambas, então, equipas da primeira divisão - a que assisti na sua companhia. Quando eu tinha dezasseis anos, pedi-lhe insistentemente que me oferecesse uma motorizada, como tinham todos os meus amigos. No dia do meu décimo sexto aniversário, ele conduziu-me até á garagem e lá estava, reluzente, a motorizada dos meus sonhos. Mas não durou muito a alegria: passados uns meses enfeixei-me contra um carro, e fiz uma grave fractura exposta do fémur. Já lá vão mais de vinte anos, mas mesmo que viva até aos cem, nunca esquecerei aquela visita do meu "amigo" à clínica: pouco ou nada falou, nem sequer para me criticar (antes o tivesse feito), mas aquele olhar de mágoa e tristeza, e a culpa que ele visivelmente sentia por ter sido o causador indirecto da desgraça, magoaram-me mais que mil punhais.
Passados alguns anos, cerca de nove, morreu a minha avó Luísa, sua esposa. Era uma pessoa diferente: naquela época era comum haver algum apagamento da esposa, em função do marido, algo que nós agora chamaremos machismo, mas que na altura era visto como algo perfeitamente natural. Na altura não eram comuns os infantários, pelo que, num cenário de ambos os pais trabalhadores, eram normalmente os avós quem se encarregava da guarda das crianças. Lembro-me, por isso, das muitas tardes de brincadeira que passei naquele rés-do-chão do Alto do Seixalinho, no Barreiro, dos cabelos brancos que lhe fiz com birras e pedidos improváveis, mas, principalmente, da sua capacidade de resignação e tolerância. Nunca a minha avó Luísa perdeu realmente a paciência comigo, e o amor que me tinha fazia com que estivesse sempre ansiosa pela minha chegada. Dela lembro-me das manhãs na Praia da Manta Rota, em que propositadamente me punha a nadar até fora de pé, apenas para, sadicamente, ver a sua aflição e impotência; por vezes, chegava até a chamar o banheiro de serviço - mas, no regresso do banho, lá estava sempre religiosamente guardada a minha bola de berlim, que ela entretanto havia comprado.
O meu avô Álvaro, avô paterno, morreu um ano depois; deixou-me em testamento um exemplo de coragem e um importante ensinamento de amor. Apaixonado nos anos 30 por uma mulher de outra condição social, numa relação proibida, não hesitou em "raptá-la", fugindo de bicicleta (!) de Messines até Paderne, sete quilómetros pela serra algarvia, para então consumarem o casamento desejado. Poeta repentista, com uma memória prodigiosa, deixou-me gravada a força de vontade e a tenacidade que, mesmo numa pessoa simples como ele era, podem levar a romper barreiras e a aguentar duras provações da vida.
A minha avó Piedade morreu ontem. Lutadora, como o meu avô Álvaro, foi "cúmplice" na supra citada fuga, e também ela me ensinou o poder do amor. Aliás, por amor a mim, neto varão, era capaz de percorrer vários quilómetros desde a sua casa até à da minha avó Luísa, a pé, e o regresso comigo ao colo, apenas para poder ter a minha companhia por alguns momentos. A vida não lhe foi fácil, mas nunca lhe faltou uma palavra de compreensão e carinho, mesmo para com grandes injustiças que contra si foram cometidas. Senhora de uma agilidade invulgar até quase ao fim da vida, era também de uma doçura e simpatia que encantou todos quantos com ela privaram.
Nunca mais lhes poderei pagar a todos o bem que me fizeram, e por isso sinto sinceros remorsos. Todos me fazem já muita falta, mas todos me deixaram muito mais rico, como pessoa. Bem hajam lá no Céu onde estão, e no meu coração, de onde nunca sairão.
Há dias, numa fabulosa tira de Calvin & Hobbes, publicada no Público, o pai de Calvin sofria de insónias - quando instado pela esposa a confessar o que o impedia de dormir, disse mais ou menos isto (cito de memória): "quando era pequeno pensava que os adultos sabiam sempre a forma correcta de resolver as situações; pensava que, quando chegássemos à idade adulta, todo esse conhecimento nos surgiria automaticamente - se soubesse que não era assim, não teria tido tanta pressa em ser adulto!" Lindo, não é?
Só quando nos tornamos adultos, e pais, percebemos as dificuldades que todos os nossos progenitores sentiram para nos educar; só então conseguimos avaliar a frustração de não nos conseguirem transmitir os seus ensinamentos, as dúvidas que sentiam naquilo que nos queriam dar e a ansiedade de perceberem que nem sempre estávamos disponíveis - e então sentimos um enorme remorso por não os termos recompensado devidamente desse esforço homérico, e por já ter passado tudo tão depressa.
Quando eu tinha vinte e poucos anos, conheci a primeira morte de um avô: atormentado pela doença, o meu avô Brito deixou-nos, depois de alguns meses de sofrimento. Era um homem grande, em todos os sentidos; foi um dos primeiros carteiros do Barreiro, depois funcionário fabril e, às suas custas, tornou-se num respeitado empresário de razoável sucesso. Nunca o chamei por "avô" - entre nós, chamávamo-nos mutuamente de "amigo", ate à data da sua morte. Eu, que nunca apreciei grandemente futebol, nunca esquecerei os muitos jogos da CUF e do Barreirense - ambas, então, equipas da primeira divisão - a que assisti na sua companhia. Quando eu tinha dezasseis anos, pedi-lhe insistentemente que me oferecesse uma motorizada, como tinham todos os meus amigos. No dia do meu décimo sexto aniversário, ele conduziu-me até á garagem e lá estava, reluzente, a motorizada dos meus sonhos. Mas não durou muito a alegria: passados uns meses enfeixei-me contra um carro, e fiz uma grave fractura exposta do fémur. Já lá vão mais de vinte anos, mas mesmo que viva até aos cem, nunca esquecerei aquela visita do meu "amigo" à clínica: pouco ou nada falou, nem sequer para me criticar (antes o tivesse feito), mas aquele olhar de mágoa e tristeza, e a culpa que ele visivelmente sentia por ter sido o causador indirecto da desgraça, magoaram-me mais que mil punhais.
Passados alguns anos, cerca de nove, morreu a minha avó Luísa, sua esposa. Era uma pessoa diferente: naquela época era comum haver algum apagamento da esposa, em função do marido, algo que nós agora chamaremos machismo, mas que na altura era visto como algo perfeitamente natural. Na altura não eram comuns os infantários, pelo que, num cenário de ambos os pais trabalhadores, eram normalmente os avós quem se encarregava da guarda das crianças. Lembro-me, por isso, das muitas tardes de brincadeira que passei naquele rés-do-chão do Alto do Seixalinho, no Barreiro, dos cabelos brancos que lhe fiz com birras e pedidos improváveis, mas, principalmente, da sua capacidade de resignação e tolerância. Nunca a minha avó Luísa perdeu realmente a paciência comigo, e o amor que me tinha fazia com que estivesse sempre ansiosa pela minha chegada. Dela lembro-me das manhãs na Praia da Manta Rota, em que propositadamente me punha a nadar até fora de pé, apenas para, sadicamente, ver a sua aflição e impotência; por vezes, chegava até a chamar o banheiro de serviço - mas, no regresso do banho, lá estava sempre religiosamente guardada a minha bola de berlim, que ela entretanto havia comprado.
O meu avô Álvaro, avô paterno, morreu um ano depois; deixou-me em testamento um exemplo de coragem e um importante ensinamento de amor. Apaixonado nos anos 30 por uma mulher de outra condição social, numa relação proibida, não hesitou em "raptá-la", fugindo de bicicleta (!) de Messines até Paderne, sete quilómetros pela serra algarvia, para então consumarem o casamento desejado. Poeta repentista, com uma memória prodigiosa, deixou-me gravada a força de vontade e a tenacidade que, mesmo numa pessoa simples como ele era, podem levar a romper barreiras e a aguentar duras provações da vida.
A minha avó Piedade morreu ontem. Lutadora, como o meu avô Álvaro, foi "cúmplice" na supra citada fuga, e também ela me ensinou o poder do amor. Aliás, por amor a mim, neto varão, era capaz de percorrer vários quilómetros desde a sua casa até à da minha avó Luísa, a pé, e o regresso comigo ao colo, apenas para poder ter a minha companhia por alguns momentos. A vida não lhe foi fácil, mas nunca lhe faltou uma palavra de compreensão e carinho, mesmo para com grandes injustiças que contra si foram cometidas. Senhora de uma agilidade invulgar até quase ao fim da vida, era também de uma doçura e simpatia que encantou todos quantos com ela privaram.
Nunca mais lhes poderei pagar a todos o bem que me fizeram, e por isso sinto sinceros remorsos. Todos me fazem já muita falta, mas todos me deixaram muito mais rico, como pessoa. Bem hajam lá no Céu onde estão, e no meu coração, de onde nunca sairão.
2004/06/20
Radar
Frase gira ouvida há uns minutos numa estação de rádio:
"Há duas maneiras de se ser rico: ter mais, ou desejar menos!"
"Há duas maneiras de se ser rico: ter mais, ou desejar menos!"
2004/06/17
Que saudades...
Que saudades dos dias de Inverno; da chuva, dos cachecóis, dos restaurantes vazios com empregados simpáticos, das lareiras acesas, muitos livros e revistas, edredões quentinhos, a praia vazia e o mar cinzento...
Que saudades da chuva!
Que saudades da chuva!
Máxima # 1.855
A facilidade com que se encontra um lugar de estacionamento perto do lugar onde queremos ir é inversamente proporcional à celeridade com que os nossos assuntos vão ser resolvidos nesse local. Concretizando, se arranjarmos um lugar mesmo à porta "daquele" restaurante espectacular, o mais provável é termos acertado no dia de folga semanal - ou, se pararmos o carro junto à empresa onde tínhamos uma reunião importantíssima, é garantido que o nosso interlocutor está muito ocupado e pede para adiarmos essa reunião!
2004/06/14
Quem é que o segura?
Já aqui citei Churchill há uns tempos nesta frase: "Não há nada mais triste do que uma derrota, excepto, talvez, uma vitória". Deve ser mesmo isso que Sócrates, João Soares, Carrilho, e muitos socialistas estão a pensar neste momento.
2004/06/11
Superavit de dinheiro, deficit de educação
Não deixa de ser curioso verificar que os espaços de estacionamento destinados a deficientes, em qualquer edifício que deles disponha, estão, em 99% dos casos, ocupados pelas viaturas de pessoas sem deficiência motora aparente; mas, se estes indivíduos, que amiúde se fazem transportar em carros topo de gama, se têm por deficientes, quem somos nós para o questionar?
Reflexões
"Foram já as bodas de prata, comemoradas em solidão"
in "Saíu para a rua", letra de Carlos Tê, música e interpretação de Rui Veloso
Este blog aproxima-se do seu primeiro aniversário, que ocorrerá, se Deus quiser, na próxima segunda-feira, dia 14. Comecei esta aventura no boom inicial dos blogs, e tenho-me deixado ficar porque me sinto gratificado ao "despejar" para um computador (quase) tudo o que me vai na alma. Não preciso de ser alinhado, e por isso sempre pautei a minha escrita neste espaço por uma sinceridade e franqueza que quase desconhecia na minha vertente pública.
Muitas coisas, com diferentes importâncias, aconteceram em doze meses na minha vida; mudei de emprego, o meu filho cresceu, o meu Alfa Romeo ficou, finalmente, pronto, voltei às corridas, e, principalmente, muitas pessoas que não conhecia passaram a ler as minhas divagações, e outras, que me conheciam superficialmente, começaram a ver-me com outros olhos - se a impressão causada pela novidade foi positiva ou negativa não me interessa discutir agora.
Vi acabarem blogs que adorava, nascerem muitos de qualidades diversas, mas continuei sempre nesta minha missão, apesar de saber que o Serra-mãe nunca foi (e, com toda a probabilidade, nunca será) um blog de referência.
A média de visitas tem-se mantido sem grandes alterações, mas confesso que algo me preocupa cada vez mais: o número de comentários aos posts que aqui deixo tem vindo a decrescer exponencialmente, o que me leva a crer que as coisas que escrevo têm vindo a esvaziar-se de interesse. Serão, com certeza, fases na vida de uma pessoa, que se reflectem directa ou indirectamente na forma como se escreve, mas não posso esconder que me sinto desiludido e até algo triste com isso. No entanto, continuo a escrever porque gosto, e como sei que tenho pelo menos um leitor garantido (moi même, narcisisticamente), o blog não vai parar, pelo menos para já.
in "Saíu para a rua", letra de Carlos Tê, música e interpretação de Rui Veloso
Este blog aproxima-se do seu primeiro aniversário, que ocorrerá, se Deus quiser, na próxima segunda-feira, dia 14. Comecei esta aventura no boom inicial dos blogs, e tenho-me deixado ficar porque me sinto gratificado ao "despejar" para um computador (quase) tudo o que me vai na alma. Não preciso de ser alinhado, e por isso sempre pautei a minha escrita neste espaço por uma sinceridade e franqueza que quase desconhecia na minha vertente pública.
Muitas coisas, com diferentes importâncias, aconteceram em doze meses na minha vida; mudei de emprego, o meu filho cresceu, o meu Alfa Romeo ficou, finalmente, pronto, voltei às corridas, e, principalmente, muitas pessoas que não conhecia passaram a ler as minhas divagações, e outras, que me conheciam superficialmente, começaram a ver-me com outros olhos - se a impressão causada pela novidade foi positiva ou negativa não me interessa discutir agora.
Vi acabarem blogs que adorava, nascerem muitos de qualidades diversas, mas continuei sempre nesta minha missão, apesar de saber que o Serra-mãe nunca foi (e, com toda a probabilidade, nunca será) um blog de referência.
A média de visitas tem-se mantido sem grandes alterações, mas confesso que algo me preocupa cada vez mais: o número de comentários aos posts que aqui deixo tem vindo a decrescer exponencialmente, o que me leva a crer que as coisas que escrevo têm vindo a esvaziar-se de interesse. Serão, com certeza, fases na vida de uma pessoa, que se reflectem directa ou indirectamente na forma como se escreve, mas não posso esconder que me sinto desiludido e até algo triste com isso. No entanto, continuo a escrever porque gosto, e como sei que tenho pelo menos um leitor garantido (moi même, narcisisticamente), o blog não vai parar, pelo menos para já.
2004/06/10
Portugal-0
Eu, que até me tenho em conta de razoavelmente nacionalista, estou nauseado com a quantidade de bandeiras de Portugal que se vêem por estes dias na nossa rua. Não há varanda, janela, carro ou criancinha que não ostente ou abane pindericamente um pano verde e vermelho. E este súbito ataque de patriotismo dever-se-á ao facto de hoje ser dia de Camões e das comunidades portuguesas? Não, infelizmente não; diz-me quem sabe que toda esta gente anda a comemorar o próximo início de um campeonato desportivo, no qual participará uma equipa portuguesa.
Sei que me chamarão anti-patriótico por isto, mas mal posso esperar para que a nossa equipa seja afastada da referida competição (o que, a manterem-se as estatísticas, deverá acontecer numa fase inicial), para ver se passa esta febre generalizada, e o país volta ao seu normal funcionamento - se o termo "normalidade" se pode aplicar a um povo que olimpicamente ignora a cultura e apenas se sente galvanizado ao ver um conjunto de adultos em calções a correr atrás de uma bola!
Sei que me chamarão anti-patriótico por isto, mas mal posso esperar para que a nossa equipa seja afastada da referida competição (o que, a manterem-se as estatísticas, deverá acontecer numa fase inicial), para ver se passa esta febre generalizada, e o país volta ao seu normal funcionamento - se o termo "normalidade" se pode aplicar a um povo que olimpicamente ignora a cultura e apenas se sente galvanizado ao ver um conjunto de adultos em calções a correr atrás de uma bola!
Sevilla me mata!
Nestes tempos quentes surge-me sempre a vontade de comer um gazpacho gelado, à andaluza - e eu até sou (passe a imodéstia), especialista em prepará-lo.
2004/06/09
Aborto
Há já algum tempo que ando para falar nisto, mas tenho-o sempre evitado, nem sei bem porquê; contudo, agora parece-me que chegou a hora. Naturalmente que entendo, como toda a gente de bom senso, que qualquer ser que venha ao mundo tem o direito inalienável de ser criado nas melhores condições psicológicas possíveis; imagino, também, que há por aí muito irresponsável que não pensa nas consequências dos seus actos, e que não tem um mínimo de capacidades, psicológicas ou de outras ordens, para criar um filho.
Mas a verdade é que a questão se coloca a montante da fase da gravidez; não é admissível que alguém engravide, simplesmente "num impulso", porque não tomou as precauções adequadas, e depois alije a responsabilidade como quem deita fora um sapato velho (não falo, naturalmente, de casos de violações ou malformações do feto, que possuem um estatuto particular na legislação). É que esse "impulso" deu origem a um ser vivo, e não acredito que ninguém seja tão ignorante que não tivesse consciência das possíveis consequências do acto quando o praticou - nem mesmo as pessoas que escrevem para a revista "Maria".
A partir da altura em que a gravidez acontece, há um ser vivo em gestação, tão importante como qualquer um de nós, mas com a diferença de se encontrar completamente desprotegido, a não ser pelo útero materno. Ora se é a própria mãe, o único ser em todo o mundo que o pode proteger, que o mata, que sociedade é esta?
Responder-me-ão, já o adivinho, que é preferível que ele não venha a este mundo, do que o faça para sofrer; mas, pela mesma ordem de ideias, eliminaríamos fisicamente muitas outras pessoas de 5, 10 anos, ou até adultas, apenas para lhes poupar vidas de sofrimento.
Soluções? Não são simples, e alguns chamar-me-ão até de utópico, mas passam certamente por um trabalho de fundo, que incuta hábitos e valores nos jovens, por uma dinamização do trabalho da acção social, designadamente na área da adopção, e até pelo incentivo à denúncia de casos de maus tratos infligidos a crianças.
Agora o que não consigo aceitar é que uma pessoa, que se sente indignada pelo abate de uma ninhada de gatinhos ou cachorros, por não haver disponibilidade para os criar, não se sinta incomodada com a descrição que se segue, sobre as formas de matar um feto - para todos os efeitos, um ser vivo. Aviso desde já que a leitura dos parágrafos seguintes pode ser chocante para algumas pessoas, mas são coisas que não podem ser explicadas doutra forma:
A curetagem consiste em utilizar «uma espécie de faca em forma de gancho (cureta) [que] é introduzida dentro do útero e [que] retalha o feto. Os pedaços são removidos através do colo do útero».
Existe também a injecção de salina, que só pode ser utilizada «depois das 16 semanas. Com uma agulha injecta-se uma solução de sal pelo abdómen da mãe, dentro da bolsa do bebé, que engole a solução e fica envenenado por ele, demorando uma hora a morrer. Esta solução é também altamente corrosiva, chegando mesmo a queimar uma camada externa da pele. Passadas 24 horas, a mãe entra em trabalho de parto».
Outro dos métodos utilizados (que, tal como os outros, é usado independentemente das instalações serem públicas ou privadas, legais ou clandestinas) é a sucção/aspiração que é o método «comum nas primeiras 12 semanas de gravidez. O feto [ainda vivo] é aspirado com tudo o que o envolve».
Também é usado o aborto químico, que consiste no uso de «componentes químicos que provocam contracções no útero mais violentas do que as naturais, ao ponto de matar o bebé».
Finalmente (desta lista e descrição), o parto parcial, onde «o feto é puxado para fora - só a cabeça fica dentro do útero. Introduz-se um tubo na sua nuca e suga-se toda a massa cerebral, o que conduz à morte. Só então o feto consegue ser totalmente retirado».
Nota: agradeço a compilação destes dados ao meu amigo João Titta Maurício, que por sua vez os elaborou a partir de um texto publicado na obra de J. D. Barklay, A. Forsythe e T. L. Parker, "Abortion methodologies: frequency and risk", cuja tradução surgiu na revista "Tempo", em 24/Março/2004.
Mas a verdade é que a questão se coloca a montante da fase da gravidez; não é admissível que alguém engravide, simplesmente "num impulso", porque não tomou as precauções adequadas, e depois alije a responsabilidade como quem deita fora um sapato velho (não falo, naturalmente, de casos de violações ou malformações do feto, que possuem um estatuto particular na legislação). É que esse "impulso" deu origem a um ser vivo, e não acredito que ninguém seja tão ignorante que não tivesse consciência das possíveis consequências do acto quando o praticou - nem mesmo as pessoas que escrevem para a revista "Maria".
A partir da altura em que a gravidez acontece, há um ser vivo em gestação, tão importante como qualquer um de nós, mas com a diferença de se encontrar completamente desprotegido, a não ser pelo útero materno. Ora se é a própria mãe, o único ser em todo o mundo que o pode proteger, que o mata, que sociedade é esta?
Responder-me-ão, já o adivinho, que é preferível que ele não venha a este mundo, do que o faça para sofrer; mas, pela mesma ordem de ideias, eliminaríamos fisicamente muitas outras pessoas de 5, 10 anos, ou até adultas, apenas para lhes poupar vidas de sofrimento.
Soluções? Não são simples, e alguns chamar-me-ão até de utópico, mas passam certamente por um trabalho de fundo, que incuta hábitos e valores nos jovens, por uma dinamização do trabalho da acção social, designadamente na área da adopção, e até pelo incentivo à denúncia de casos de maus tratos infligidos a crianças.
Agora o que não consigo aceitar é que uma pessoa, que se sente indignada pelo abate de uma ninhada de gatinhos ou cachorros, por não haver disponibilidade para os criar, não se sinta incomodada com a descrição que se segue, sobre as formas de matar um feto - para todos os efeitos, um ser vivo. Aviso desde já que a leitura dos parágrafos seguintes pode ser chocante para algumas pessoas, mas são coisas que não podem ser explicadas doutra forma:
A curetagem consiste em utilizar «uma espécie de faca em forma de gancho (cureta) [que] é introduzida dentro do útero e [que] retalha o feto. Os pedaços são removidos através do colo do útero».
Existe também a injecção de salina, que só pode ser utilizada «depois das 16 semanas. Com uma agulha injecta-se uma solução de sal pelo abdómen da mãe, dentro da bolsa do bebé, que engole a solução e fica envenenado por ele, demorando uma hora a morrer. Esta solução é também altamente corrosiva, chegando mesmo a queimar uma camada externa da pele. Passadas 24 horas, a mãe entra em trabalho de parto».
Outro dos métodos utilizados (que, tal como os outros, é usado independentemente das instalações serem públicas ou privadas, legais ou clandestinas) é a sucção/aspiração que é o método «comum nas primeiras 12 semanas de gravidez. O feto [ainda vivo] é aspirado com tudo o que o envolve».
Também é usado o aborto químico, que consiste no uso de «componentes químicos que provocam contracções no útero mais violentas do que as naturais, ao ponto de matar o bebé».
Finalmente (desta lista e descrição), o parto parcial, onde «o feto é puxado para fora - só a cabeça fica dentro do útero. Introduz-se um tubo na sua nuca e suga-se toda a massa cerebral, o que conduz à morte. Só então o feto consegue ser totalmente retirado».
Nota: agradeço a compilação destes dados ao meu amigo João Titta Maurício, que por sua vez os elaborou a partir de um texto publicado na obra de J. D. Barklay, A. Forsythe e T. L. Parker, "Abortion methodologies: frequency and risk", cuja tradução surgiu na revista "Tempo", em 24/Março/2004.
2004/06/07
Setúbal, cidade vermelha?
Curiosa, a forma como funciona a esquerda nos nossos dias; "descobri", há relativamente pouco tempo, um blog sobre a cidade que há quase trinta anos me acolheu, e que eu acho a mais bonita de Portugal: Setúbal. Chama-se, esse blog, Sadinos, e discorre sobre temas caros àquela urbe que já teve melhores dias, pelo menos em termos sociais.
Dando provas de uma assinalável vitalidade, o blog é bastante participado, maioritariamente por gente assumidamente (ou não) de esquerda que, contudo, se "esquece" frequentemente de colocar o seu verdadeiro nome nos comentários que escreve. É timbre desta gente, ao bom estilo bloquista, evitar a discussão frontal e partir para a ofensa pessoal e calúnia, principalmente quando os temas e os argumentos não lhes surgem de feição - o que, diga-se de passagem, sucede quase sempre.
Mas com cobardias e canalhices avulsas podemos nós bem; já se torna, no entanto, insustentável que os autores do blog, que dizem defender discussões amplas e participadas para o mesmo, eliminem recorrentemente as opiniões divergentes das suas, salvando cuidadosamente os mais alarves e ordinários comentários, desde que proferidos por "esquerdalha". É, por isso, que dou por encerrada a minha breve participação naquele espaço, pelos vistos mais fascista do que qualquer longa noite - e faço-o aqui, no meu blog, porque naquele, para além de ver os meus comentários apagados, já fui chamado de acólito de direita, e até de extrema-direita, confusão sistemática que estes fulanos de extrema-esquerda alimentam dolosamente.
Caros conterrâneos: fiquem com o vosso blog imaculadamente preenchido com lindos comentários encarneirados, que eu não abdico de pensar pela minha cabeça - e continuarei a fazê-lo em sede própria. Mas um sobressalto me assalta: agora, que querem vedar a participação a quem não comungar das vossas ideias, quem irão insultar? Experimentem uns aos outros - muitos insultos serão certamente merecidos.
P.S.: A fim de que os meus leitores desconhecedores de causa consigam perceber de alguma forma o que está aqui em causa, junto deixo a transcrição do último comentário que fiz naquele blog, e que resistiu uns estóicos cinco minutos antes de ser apagado:
"Este assunto é manifestamente off-topic, e só o escrevo aqui, porque os posts em que escrevi antes foram encerrados - não sem antes terem sido apropriadamente eliminadas algumas opiniões por mim proferidas, a par com outras divergentes das orientações políticas deste blog.
Esta é, definitivamente, a minha última participação neste blog, que ingenuamente acreditei ser um espaço aberto de debate de ideias. Enganei-me e sofri as consequências disso; não se sendo da cor, é-se logo apodado de acólito a soldo de alguma tenebrosa organização.
Gosto de Setúbal tanto ou mais que qualquer um dos participantes; não gosto, contudo, de discutir com pessoas que fazem do insulto e da calúnia o seu argumento principal. Para esse fim, já dei.
Acreditem ou não, nada mais me moveu para participar neste espaço do que a vontade de debater sadiamente ideias - não escondi, desde o princípio, a minha relação de amizade com outros comentadores. Orgulho-me das minhas amizades e das minhas opiniões, ao contrário de outros, que cobardemente insultam sem se identificar. Não concertei, no entanto, qualquer tipo de intervenção com quem quer que fosse - as intervenções, entre gente democrática, são espontâneas, por muito que isso custe a perceber a algumas pessoas.
Continuarei a blogar no espaço que mantenho há cerca de um ano, www.serra-mae.blogspot.com, e no qual todas as pessoas de bem serão bem vindas.
Entretanto, sem hipocrisias, desejo as maiores felicidades aos autores deste blog, mas também aos seus leitores, comentadores e, acima de tudo, a Setúbal.
P.S.: Leia depressa; este comentário será apagado dentro de alguns segundos."
Dando provas de uma assinalável vitalidade, o blog é bastante participado, maioritariamente por gente assumidamente (ou não) de esquerda que, contudo, se "esquece" frequentemente de colocar o seu verdadeiro nome nos comentários que escreve. É timbre desta gente, ao bom estilo bloquista, evitar a discussão frontal e partir para a ofensa pessoal e calúnia, principalmente quando os temas e os argumentos não lhes surgem de feição - o que, diga-se de passagem, sucede quase sempre.
Mas com cobardias e canalhices avulsas podemos nós bem; já se torna, no entanto, insustentável que os autores do blog, que dizem defender discussões amplas e participadas para o mesmo, eliminem recorrentemente as opiniões divergentes das suas, salvando cuidadosamente os mais alarves e ordinários comentários, desde que proferidos por "esquerdalha". É, por isso, que dou por encerrada a minha breve participação naquele espaço, pelos vistos mais fascista do que qualquer longa noite - e faço-o aqui, no meu blog, porque naquele, para além de ver os meus comentários apagados, já fui chamado de acólito de direita, e até de extrema-direita, confusão sistemática que estes fulanos de extrema-esquerda alimentam dolosamente.
Caros conterrâneos: fiquem com o vosso blog imaculadamente preenchido com lindos comentários encarneirados, que eu não abdico de pensar pela minha cabeça - e continuarei a fazê-lo em sede própria. Mas um sobressalto me assalta: agora, que querem vedar a participação a quem não comungar das vossas ideias, quem irão insultar? Experimentem uns aos outros - muitos insultos serão certamente merecidos.
P.S.: A fim de que os meus leitores desconhecedores de causa consigam perceber de alguma forma o que está aqui em causa, junto deixo a transcrição do último comentário que fiz naquele blog, e que resistiu uns estóicos cinco minutos antes de ser apagado:
"Este assunto é manifestamente off-topic, e só o escrevo aqui, porque os posts em que escrevi antes foram encerrados - não sem antes terem sido apropriadamente eliminadas algumas opiniões por mim proferidas, a par com outras divergentes das orientações políticas deste blog.
Esta é, definitivamente, a minha última participação neste blog, que ingenuamente acreditei ser um espaço aberto de debate de ideias. Enganei-me e sofri as consequências disso; não se sendo da cor, é-se logo apodado de acólito a soldo de alguma tenebrosa organização.
Gosto de Setúbal tanto ou mais que qualquer um dos participantes; não gosto, contudo, de discutir com pessoas que fazem do insulto e da calúnia o seu argumento principal. Para esse fim, já dei.
Acreditem ou não, nada mais me moveu para participar neste espaço do que a vontade de debater sadiamente ideias - não escondi, desde o princípio, a minha relação de amizade com outros comentadores. Orgulho-me das minhas amizades e das minhas opiniões, ao contrário de outros, que cobardemente insultam sem se identificar. Não concertei, no entanto, qualquer tipo de intervenção com quem quer que fosse - as intervenções, entre gente democrática, são espontâneas, por muito que isso custe a perceber a algumas pessoas.
Continuarei a blogar no espaço que mantenho há cerca de um ano, www.serra-mae.blogspot.com, e no qual todas as pessoas de bem serão bem vindas.
Entretanto, sem hipocrisias, desejo as maiores felicidades aos autores deste blog, mas também aos seus leitores, comentadores e, acima de tudo, a Setúbal.
P.S.: Leia depressa; este comentário será apagado dentro de alguns segundos."
2004/06/06
Despeito & Nacionalismo
A Vieira pode muito bem estar em Paris, a comer uma soupe d'oignons avec du café au lait et toute ça, mas eu acabei de comer, em Azeitão, umas sardinhas assadas que me encheram as medidas.
2004/06/05
Transferências
É a lei natural da vida; enquanto uns desaparecem, como é o caso do excelente Dicionário do Diabo (ainda que o Pedro Mexia esteja no Fora do Mundo, bem acompanhado, de resto), outros vão chegando - é o caso do Na Peida, blog de amigos, mas que terá que encontrar um pouco mais de conteúdo para os seus statements (se quiserem, claro, que eles são uns irreverentes).
Entretanto, a serra vai a caminho do seu primeiro aninho de vida, daqui a pouco mais de uma semana.
Entretanto, a serra vai a caminho do seu primeiro aninho de vida, daqui a pouco mais de uma semana.
2004/06/04
É preciso ter lata!
Aqui há uns tempos, cheguei de Londres ao aeroporto de Lisboa; numa atitude, que depois vim a perceber ser temerária, entrei num táxi na praça daquele interface, e pedi ao motorista para me levar à Penha de França, onde tinha deixado o carro em casa de uma amiga. Com um facies revelador da desilusão sofrida, por não lhe ter antes aparecido um incauto inglês a pedir-lhe um serviço para Cascais, o motorista lá cumpriu dolorosamente o trajecto sem um comentário. Mesmo assim, e imbuído da boa disposição que as estadias em Londres sempre me provocam, no fim da viagem ofereci o troco ao cro-magnon, convicto de que estava a cometer uma boa acção, a qual seria devidamente apreciada. Mas não o pensou assim a besta e, ao arrancar, mandou pela janela as moedas que constituiam o aludido troco.
Não é caso único, infelizmente; familiares meus já tiveram contenciosos mais graves com exemplares da fauna, por pedirem 'apenas' um serviço entre a Portela e o Terreiro do Paço.
Foi, por isso, com uma incredulidade indescrítivel, que há uns minutos ouvi na rádio algo como isto: os motoristas de táxi do aeroporto reivindicam o direito a cobrar uma taxa acrescida aos utentes, por considerarem que prestam um serviço com requisitos de qualidade acrescidos.
Está muito calor, o rádio não estava muito alto, e por isso só posso pensar que se tratou de algum delírio ou alucinação auditiva minha. Digam-me que não é verdade, por favor.
Não é caso único, infelizmente; familiares meus já tiveram contenciosos mais graves com exemplares da fauna, por pedirem 'apenas' um serviço entre a Portela e o Terreiro do Paço.
Foi, por isso, com uma incredulidade indescrítivel, que há uns minutos ouvi na rádio algo como isto: os motoristas de táxi do aeroporto reivindicam o direito a cobrar uma taxa acrescida aos utentes, por considerarem que prestam um serviço com requisitos de qualidade acrescidos.
Está muito calor, o rádio não estava muito alto, e por isso só posso pensar que se tratou de algum delírio ou alucinação auditiva minha. Digam-me que não é verdade, por favor.
2004/05/28
Do contra
Volto a bater no ceguinho, mas não posso deixar de me sentir ofendido pelo nacional-histerismo que tomou conta do país, a propósito de um grupo de jogadores que ganharam um importante jogo de futebol.
Mas que diabo é isto? São apenas pessoas como nós que dão uns chutes numa bola. Por que razão hão-de ser todos alcandorados ao estatuto de heróis? Não o serão muito mais os nosso atletas paralímpicos, que voltam ao país carregados de ouro, e que são votados ao mais olímpico desprezo?
Em pleno Algarve, e logo após o fim desse jogo, assisti in loco a uma explosão de alegria que - estou certo - não seria maior se cada um dos celebrantes tivesse sido pai ou mãe naquela altura. Por um bocadinho, toda aquela boa gente esqueceu as misérias que constituem as suas vidas, e festejou uma simples vitória desportiva como se de um triunfo pessoal se tratasse; hoje talvez já tenham voltado às muitas imperiais de fim de tarde, à porrada na mulher, mas naquele instante todos se sentiam vitoriosos - e por um motivo pífio!
Mas que diabo é isto? São apenas pessoas como nós que dão uns chutes numa bola. Por que razão hão-de ser todos alcandorados ao estatuto de heróis? Não o serão muito mais os nosso atletas paralímpicos, que voltam ao país carregados de ouro, e que são votados ao mais olímpico desprezo?
Em pleno Algarve, e logo após o fim desse jogo, assisti in loco a uma explosão de alegria que - estou certo - não seria maior se cada um dos celebrantes tivesse sido pai ou mãe naquela altura. Por um bocadinho, toda aquela boa gente esqueceu as misérias que constituem as suas vidas, e festejou uma simples vitória desportiva como se de um triunfo pessoal se tratasse; hoje talvez já tenham voltado às muitas imperiais de fim de tarde, à porrada na mulher, mas naquele instante todos se sentiam vitoriosos - e por um motivo pífio!
2004/05/24
Adições
Havia já muito tempo que não actualizava a minha colecção de CDs, mas hoje não resisti, e só de uma penada comprei dois álbuns extraordinários: Neil Hannon, usando o habitual alter ego de The Divine Comedy, em "Absent friends", e "You are the quarry", de Morrissey, sem os Smiths mas a soar como em "The Queen is dead".
O oto-verme de hoje é benigno: "Irish blood, english heart".
O oto-verme de hoje é benigno: "Irish blood, english heart".
2004/05/23
Fórmula 1
Quem me conhece minimamente não questionará a minha grande paixão pelos automóveis - mas ficará decerto admirado se eu lhe confessar que há já vários anos que não fico a hora de almoço em casa, a um domingo, para ver um Grande Prémio de Fórmula 1.
Com efeito, a Fórmula 1 moderna tornou-se numa competição monótona e desinteressante, disputada em circuitos assépticos, desenhados por computadores, e com carros carregados de electrónica que bem poderiam ser telecomandados a partir das boxes. Num cenário destes, emerge a razoável perícia para a condução de alguns, mas principalmente a maior ou menor capacidade de um determinado carro - e é por isso que um piloto médio (e um homem indigno desse nome), como Michael Schumacher, consegue facilmente ir coleccionando vitórias em linha, enquanto se vai enterrando bem fundo o interesse da Fórmula 1.
Mas há um Grande Prémio que tento não perder todos os anos: o do Mónaco. Porque é o último de uma linhagem de Grandes Prémios feitos para homens, e não para vedetas que, mal vêem uns pingos de chuva, logo se juntam em associações e piquetes de greve para exigirem condições de segurança. Esquecem-se estas primas donnas que são pagos a peso de ouro para praticar um desporto de risco, e que é esse mesmo risco que nós, espectadores, esperamos que eles corram. De resto, qualquer um deles sabia de antemão as regras do jogo.
Que saudades de homens com "H" grande, como Jackie Stewart, François Cévert, James Hunt, Gilles Villeneuve, Ronnie Peterson, Nigel Mansell, ou o grande Ayrton Senna (e falo apenas de alguns dos que vi correr). Que pena não serem as "meninas" de agora feitas da mesma fibra de Jacques Villeneuve, que se recusou a assinar um pacto de não ataque nas primeiras voltas de um qualquer Grande Prémio, "furando" assim a combinação que todos os outros pilotos haviam cozinhado para nos defraudar, a nós, espectadores.
Há uns anos, assistia eu a uma tourada em Espanha, e um velho aficcionado ao meu lado não se cansava de vaiar o toureiro que, na minha modesta opinião, até não se estava a sair nada mal. Ao fim de algumas vaias, e percebendo tacitamente a minha admiração com tamanho descontentamento, o velho explicou-me: "o toureiro ganha mais por esta faena, do que muitos de nós ganhamos num ano, e o bilhete custa quase uma semana de trabalho a muitas das pessoas que aqui estão; por isso, ele não pode tourear razoavelmente - ele tem que tourear bem!"
Se não, senhores da fórmula 1, dediquem-se ao golf.
Amigos
Tanto esta Ana como esta falaram disto recentemente, e logo senti que é algo que há muito me atormenta também a consciência; na adolescência chamamos "amigos" a qualquer tipo que beba umas bejecas connosco, goste de sair e de falar de miúdas. Mas depois, os nossos caminhos quase sempre divergem; quando, passados uns anos, voltamos a encontrar os nossos "melhores amigos de há uns tempos", não conseguimos evitar pensar: "mas o que é que eu tenho a ver com este gajo?"
Chamem-me snob, egoísta, o que quiserem, mas neste momento contam-se facilmente pelos dedos de uma mão as pessoas com quem sinto que posso falar de qualquer coisa, de qualquer assunto, e que sinta que estão disponíveis para mim - e eu para elas, claro. Quase ninguém quer saber o que eu leio, o que eu oiço, o que eu sinto, mas, em contrapartida, quase toda a gente está sempre disponível para me apresentar a sua perspectiva sobre o último jogo de futebol ou sobre o casamanto dos príncipes espanhóis (bocejo...).
Acho, por isso, que é tempo de criar uma espécie de prateleira nas minhas relações: a daquelas pessoas com quem já passei por muito, mas que encaminharam as suas vidas e as suas prioridades em direcções diferentes das minhas. Pessoas a quem tenho pudor de chamar "amigas", pela carga emocional que o termo comporta, mas das quais não sou capaz de dizer que não o são.
Chamem-me snob, egoísta, o que quiserem, mas neste momento contam-se facilmente pelos dedos de uma mão as pessoas com quem sinto que posso falar de qualquer coisa, de qualquer assunto, e que sinta que estão disponíveis para mim - e eu para elas, claro. Quase ninguém quer saber o que eu leio, o que eu oiço, o que eu sinto, mas, em contrapartida, quase toda a gente está sempre disponível para me apresentar a sua perspectiva sobre o último jogo de futebol ou sobre o casamanto dos príncipes espanhóis (bocejo...).
Acho, por isso, que é tempo de criar uma espécie de prateleira nas minhas relações: a daquelas pessoas com quem já passei por muito, mas que encaminharam as suas vidas e as suas prioridades em direcções diferentes das minhas. Pessoas a quem tenho pudor de chamar "amigas", pela carga emocional que o termo comporta, mas das quais não sou capaz de dizer que não o são.
2004/05/19
2004/05/16
Perversão
Ninguém me tira da cabeça que, algures num submundo desconhecido do mortal comum, existe uma universidade para mulheres a dias; e, a confirmar-se tal suspeita, estou certo de que a cadeira nuclear que acompanha todo o curso será algo do tipo "como trocar, da forma mais ilógica e irracional possível, o lugar de tudo (tudo mesmo!) numa casa".
2004/05/15
Truque baixo
Inspirado pelo Senhor Carne, vou agora testar uma forma desesperada de incrementar as visitas deste blog drasticamente. Diz ele que os mais mórbidos internautas acorreram ontem massivamente ao seu blog para ver o video do americano Nick Berg a ser degolado, decapitado, ou lá o que quiserem; aqui - como lá - não há video nenhum, claro, mas vamos lá experimentar a ingenuidade do Google.
Mais notícias dentro de momentos.
Mais notícias dentro de momentos.
2004/05/12
Oto-vermes #2
A música que me anda a bailar hoje na cabeça é:
"Hit the road, Jack, and don´t you come back no more, no more, no more, no more..."
Hoje é que vou ver o "Kill Bill II"!
"Hit the road, Jack, and don´t you come back no more, no more, no more, no more..."
Hoje é que vou ver o "Kill Bill II"!
2004/05/10
Cinema português
A semana passada, em trabalho no Algarve (constatação a propos: o Algarve afinal é bem agradável, desde que seja fora da época balnear, e de preferência com tempo fresco), resolvi ir ao cinema. Depois de aturada pesquisa, decidi ver "Maria e as outras", esperançoso num bom pedaço de cinema nacional.
Não vou tecer considerações sobre o filme para não ferir susceptibilidades, já que o argumento é do meu blogo-colega Possidónio Cachapa (nada de pessoal...), e uma das participações principais fica a cargo da minha vizinha Ana Brito e Cunha (não sei se lês estas coisas, Ana, mas não desanimes). Mas ainda não consegui esquecer que deixei de ver "Kill Bill II" para ir ver aquilo!
Não vou tecer considerações sobre o filme para não ferir susceptibilidades, já que o argumento é do meu blogo-colega Possidónio Cachapa (nada de pessoal...), e uma das participações principais fica a cargo da minha vizinha Ana Brito e Cunha (não sei se lês estas coisas, Ana, mas não desanimes). Mas ainda não consegui esquecer que deixei de ver "Kill Bill II" para ir ver aquilo!
2004/05/09
A ordem natural das coisas
Agora, finalmente, a blogosfera parece entrar em velocidade de cruzeiro; depois do boom inicial, em que ter um blog era quase tão banal como ter endereço de e-mail, a triagem natural começa a fazer os seus efeitos. É, pois, com bastante pena que vejo partir o "Desejo Casar", e ainda com maior mágoa que me despeço da "Xobineski", mas é com alegria que dou as boas vindas a um blog que promete bastante: "Fora do Mundo".
A lista de links aqui ao lado já foi (novamente) actualizada.
A lista de links aqui ao lado já foi (novamente) actualizada.
Vozes na minha cabeça
Nunca vos aconteceu acordarem de manhã com uma música na cabeça, e ela acompanhar-vos durante todo o dia, mesmo que não queiram? Há uns dias atrás, o meu hemisfério pimba decidiu pregar-me uma partida, e passei boa parte de uma longa viagem a cantarolar, involuntariamente, "coisinha sexy, coisinha sexy, lalala (não sei o resto)".
Hoje a coisa melhorou um pouco em termos de qualidade musical; o estribilho que não me tem saído da cabeça desde que acordei é "I'd never thought you'd be a junkie because heroin is so passé...".
Hoje a coisa melhorou um pouco em termos de qualidade musical; o estribilho que não me tem saído da cabeça desde que acordei é "I'd never thought you'd be a junkie because heroin is so passé...".
2004/05/08
Analfabeto, iliterado?
O jornal "Público" tem trazido todos os dias um pequeno questionário a figuras públicas, nas páginas desportivas, pedindo-lhes a sua opinião sobre qual a equipa ideal para representar o nosso país no próximo campeonato europeu de futebol. As personagens instadas a comentar provêm das mais diversas origens sociais, desde a cultura à política, mas todas, todas, têm uma coisa em comum: até agora não li nenhuma resposta em que o visado não fosse capaz de criar facilmente um "onze" de elite e, mais ainda, sustentar devidamente a sua escolha com uma série de insuspeitos conhecimentos técnicos - até o brincalhão Rui Zink resistiu à tentação de fazer humor fácil, e preferiu alinhavar a sua selecção de sonho.
Isto vem-me colocar um problema terrível: tanto quanto vejo, sou o único português que não tem opinião formada sobre a selecção que nos irá representar. Se me colocassem a aparentemente simples questão de enunciar onze jogadores para a compôr, eu precisaria de umas horas para me lembrar de onze nomes (e sem garantias de sucesso na missão), e de mais uns dias para me informar sobre a posição em que jogam - e nunca seriam os onze melhores jogadores lusos, mas apenas os primeiros onze nomes de pontapeadores que me surgissem aleatoriamente na cabeça, paridos com mais esforço do que um poema da Papoila. Será que não estou a ser suficientemente patriota?
Isto vem-me colocar um problema terrível: tanto quanto vejo, sou o único português que não tem opinião formada sobre a selecção que nos irá representar. Se me colocassem a aparentemente simples questão de enunciar onze jogadores para a compôr, eu precisaria de umas horas para me lembrar de onze nomes (e sem garantias de sucesso na missão), e de mais uns dias para me informar sobre a posição em que jogam - e nunca seriam os onze melhores jogadores lusos, mas apenas os primeiros onze nomes de pontapeadores que me surgissem aleatoriamente na cabeça, paridos com mais esforço do que um poema da Papoila. Será que não estou a ser suficientemente patriota?
2004/05/07
Bicicletas
O meu calamitoso estado físico assim mo pedia, e há uns dias acabei por me decidir: comprei uma bicicleta - uma daquelas de BTT, com suspensões e toda uma série de gadgets cuja utilidade ainda não descortinei com clareza. Não foi barata, mas mesmo assim o seu preço ficou a anos-luz do que já vi praticar no mercado.
Mas não me fiquei pela bike (nota-se muito que já ando a ler umas revistas sobre o assunto?); comprei também um capacete e umas luvas apropriadas, bem como uns estofadinhos calções para melhorar o conforto de utilização.
Estou preparado para uns quilómetros de todo-o-terreno (desta vez sem barulho), mas eis que uma crucial dúvida se me depara: como em muitos outros aspectos da vida, aqui também há elites. Diz-me quem anda nisto há já uns anos que a minha bicla é uma "bicicleta de cromo", presumo que por não ter custado uma quantia com quatro algarismos, ou por não ser um modelo taylor made - quadro desta marca, suspensões daquela, travões daqueloutra, numa miscelânea qua acrescenta profissionalismo e conhecimento a quem a ostenta. Ignomínia maior, até o capacete deve obedecer a alguns cânones específicos, entre os quais a segurança é ofuscada pela griffe - e o meu é um modelo que me pareceu simpático, mas cuja marca não consta nos compêndios da coisa.
Consulto as revistas, e confirmo o que oiço: os "verdadeiros" ciclistas, ou "bêtêtistas", insurgem-se contra os "cromos" que, com "bicicletas de hipermercado", cometem a suprema afronta de se imiscuir nos seus passeios campestres, chegando até a sugerir que este tipo de equipamento não deveria estar ao alcance de um comum mortal.
Resta-me apenas a hipótese de passear sozinho, para não deixar ficar mal ninguém; mas antes de ficar convencido, ainda arrisco perguntar: "e nessas corridas que existem um pouco por todo o país, ganham sempre aqueles que usam bicicletas de mil contos e mais?". "Não", respondem-me, "muitas vezes os mais rápidos até são os que usam os chaços ("bicicletas de hipermercado", para os distraídos)". Pois...
2004/05/06
Parabéns!
Não sou grande apreciador da personagem, mas tenho que admitir grande talento a José Pacheco Pereira; pena que nem sempre o aplique correctamente, entrando demasiadas vezes em litígio com o seu próprio partido que, contrariamente ao que o próprio pensa, é de centro e integra uma coligação de centro-direita.
Mas, picardias à parte, não há grande hipótese de contornar o Abrupto para qualquer pessoa que se aventure na blogosfera nacional; entre os muitos projectos, de qualidades díspares, que surgiram neste último ano, contam-se facilmente os que tiveram a tenacidade de persistir, mesmo depois de os blogs deixarem de ser uma moda. Mais que não seja por esse perseverança, mas também pelos belos textos que, de quando em vez, nos oferece, não quero deixar de me juntar aos que desejaram hoje um feliz primeiro aniversário ao Abrupto.
Mas, picardias à parte, não há grande hipótese de contornar o Abrupto para qualquer pessoa que se aventure na blogosfera nacional; entre os muitos projectos, de qualidades díspares, que surgiram neste último ano, contam-se facilmente os que tiveram a tenacidade de persistir, mesmo depois de os blogs deixarem de ser uma moda. Mais que não seja por esse perseverança, mas também pelos belos textos que, de quando em vez, nos oferece, não quero deixar de me juntar aos que desejaram hoje um feliz primeiro aniversário ao Abrupto.
2004/05/05
Alerta laranja
A semana passada saíu "Querido Diário", de Nanni Moretti, na colecção Y do "Público"; ontem, na bomba de gasolina, vi um rapaz com uma Vespa 150 sprint de 1970, ou coisa que o valha, imaculada; hoje, "por acaso", veio parar às minhas mãos o número de telefone de um fulano de Braga que tem uma coisa destas para vender, de 1971 - com dois selins separados, e tudo!
Que significado terá esta sucessão de acontecimentos? Andará Deus a querer dizer-me algo?
Culpas repartidas
Está bem, pronto, admito! Ando a postar pouco, eu sei, e já tenho ouvido várias queixas por isso - mas também não é menos verdade que vocês se andam a esquecer de escrever um comentariozito de vez em quando, não é?
2004/05/03
Thank you, this is hard...
Quando vi o filme já tinha ficado com essa impressão (acho que até a comentei aqui), mas agora a coisa confirma-se oficialmente:
Comprei na semana passada o CD com a banda sonora de "Lost in translation", e é, simplesmente, o melhor conjunto de músicas no mesmo filme que eu me lembro de já ter ouvido; e, la cérise sur le gateâu, apesar de não figurar no índice, lá se encontra escondida a fantástica versão de "More than this", dos Roxy Music, cantada em karaoke por Bill Murray - procurem por alturas dos 11 minutos da faixa 15, e depois digam qualquer coisa.
Comprei na semana passada o CD com a banda sonora de "Lost in translation", e é, simplesmente, o melhor conjunto de músicas no mesmo filme que eu me lembro de já ter ouvido; e, la cérise sur le gateâu, apesar de não figurar no índice, lá se encontra escondida a fantástica versão de "More than this", dos Roxy Music, cantada em karaoke por Bill Murray - procurem por alturas dos 11 minutos da faixa 15, e depois digam qualquer coisa.
2004/05/02
Futebol
Há uns minutos, quando bebia café com o meu amigo H., moderado adepto sportinguista, ele confessava-me a sua tristeza por um grupo de fanáticos, descontentes provavelmente com o resultado - ou com as próprias vidas, sabe-se lá! - terem invadido o campo no fim de um jogo. Com franqueza lhe respondi que, apesar de desconhecer o relatado, em nada me admirava. Há já muito tempo que me faz confusão a banalidade com que se referem as claques futebolísticas, como se de grupos de escuteiros se tratassem, quando no fundo não passam de gangs de pessoas com graves deficiências ao nível da sua formação cultural, cívica e, principalmente, moral - em suma, bandos de energúmenos com estatuto legal.
As claques, tal como se apresentam hoje em dia, são apenas formas de oficializar actividades marginais e delinquentes, dando-lhes uma conveniente capa de sadias manifestações de apoio ao desporto - no entanto, os seus relacionamentos com os clubes apenas me fazem lembrar situações como o Sinn Fein ou o Herri Batasuna; em ambos os casos se tenta branquear uma actividade objectivamente criminosa através de ligações dúbias. Mas há quem prefira ver "o fato novo do rei", e não que algo de podre se passa aqui.
P.S.: Ainda no tema futebol, e apesar de, como todos já devem saber, não ser grande apreciador, não quero deixar de lavrar aqui a minha satisfação pela subida do Vitória de Setúbal à liga especial ou lá como é que se chama (no meu tempo dizia-se primeira divisão, mas agora, sempre que uso essa expressão, "cai-me" logo alguém em cima a dizer que "já não se diz assim!").
As claques, tal como se apresentam hoje em dia, são apenas formas de oficializar actividades marginais e delinquentes, dando-lhes uma conveniente capa de sadias manifestações de apoio ao desporto - no entanto, os seus relacionamentos com os clubes apenas me fazem lembrar situações como o Sinn Fein ou o Herri Batasuna; em ambos os casos se tenta branquear uma actividade objectivamente criminosa através de ligações dúbias. Mas há quem prefira ver "o fato novo do rei", e não que algo de podre se passa aqui.
P.S.: Ainda no tema futebol, e apesar de, como todos já devem saber, não ser grande apreciador, não quero deixar de lavrar aqui a minha satisfação pela subida do Vitória de Setúbal à liga especial ou lá como é que se chama (no meu tempo dizia-se primeira divisão, mas agora, sempre que uso essa expressão, "cai-me" logo alguém em cima a dizer que "já não se diz assim!").
2004/04/29
Máxima #811
Mostrem-me um funcionário público, de atendimento, bem disposto e amável, e eu mostrar-vos-ei um marciano genuíno!
(Escrito depois de um ligeiro quid pro quo, esta manhã, numa repartição pública algures no Algarve)
(Escrito depois de um ligeiro quid pro quo, esta manhã, numa repartição pública algures no Algarve)
2004/04/28
"The Face"
Se há revistas que ajudaram a construir a minha personalidade, a "The Face" é seguramente uma delas. A iconoclastia dos conteúdos, o design desconcertante da paginação, e a magia das imagens faziam dela uma revista de culto. Nem consigo contar a quantidade de livros, filmes e, principalmente, música, que fiquei a conhecer nas suas páginas. Em determinada altura da minha vida, era tão addicted que chegava a ir de propósito a Lisboa, à Valentim de Carvalho do C.C.B. (uma das minhas lojas fétiche), para ver se já havia chegado uma nova edição.
Ultimamente, porém, por diversas razões - entre as quais não é despicienda a minha opção por morar num meio relativamente rural - a compra da revista tornou-se irregular; como eu, possivelmente, muitos outros antigos admiradores resolveram espaçar mais a sua aquisição. É, por isso, com uma ponta de remorso, que leio agora que a "The Face" vai terminar a sua publicação devido ao decréscimo das vendas. E, nas entrelinhas, calculo que vão surgir mais duas ou três "publicações cor-de-rosa", de venda mais que assegurada - lá como cá!
Ultimamente, porém, por diversas razões - entre as quais não é despicienda a minha opção por morar num meio relativamente rural - a compra da revista tornou-se irregular; como eu, possivelmente, muitos outros antigos admiradores resolveram espaçar mais a sua aquisição. É, por isso, com uma ponta de remorso, que leio agora que a "The Face" vai terminar a sua publicação devido ao decréscimo das vendas. E, nas entrelinhas, calculo que vão surgir mais duas ou três "publicações cor-de-rosa", de venda mais que assegurada - lá como cá!
2004/04/23
Dez mil!
A pouco e pouco este blog aproxima-se dos dez mil fregueses; não é um número que possa fazer inveja a outros blogs, mas são os fregueses que me interessa ter - sempre se disse que quantidade não significa necessariamente qualidade (a raposa também dizia "estão verdes, não prestam", mas adiante).
Também me conforta de alguma forma o facto do sitemeter apenas contabilizar uma visita de cada vez, independentemente do número de pageviews - se tivesse outro dos sistemas de contagem utilizados na blogosfera, já ia em mais de cinquenta mil visitas, que é o número de pageviews que efectivamente tenho.
Bom, mas serve esta lenga lenga toda para vos agradecer, e desde já prometer um prémio ao(à) décimo(a) milésimo(a) freguês(a), desde que ele(a) se identifique como tal. Atenção que, quando entrar a pessoa número dez mil, o sitemeter apenas marcará 9.999; para que passe efectivamente para os 10.000, é necessário que o leitor faça refresh no seu browser um ou dois minutos depois de entrar. Entretanto, aceito aqui em baixo sugestões (sérias) de prémios.
Também me conforta de alguma forma o facto do sitemeter apenas contabilizar uma visita de cada vez, independentemente do número de pageviews - se tivesse outro dos sistemas de contagem utilizados na blogosfera, já ia em mais de cinquenta mil visitas, que é o número de pageviews que efectivamente tenho.
Bom, mas serve esta lenga lenga toda para vos agradecer, e desde já prometer um prémio ao(à) décimo(a) milésimo(a) freguês(a), desde que ele(a) se identifique como tal. Atenção que, quando entrar a pessoa número dez mil, o sitemeter apenas marcará 9.999; para que passe efectivamente para os 10.000, é necessário que o leitor faça refresh no seu browser um ou dois minutos depois de entrar. Entretanto, aceito aqui em baixo sugestões (sérias) de prémios.
Sexta-feira
A knife, a fork, a bottle and a cork, that's the way we spell New York!
Podem-se sentir saudades de um lugar onde nunca se esteve?
Podem-se sentir saudades de um lugar onde nunca se esteve?
2004/04/20
Máxima #361
Por princípio, parece-me difícil confiar numa pessoa que aprecia genuinamente reuniões de condomínio!
2004/04/19
Blârgh...
Podem-me dizer o que quiserem, mas duvido que exista ao cimo da terra uma figura mais irritante do que José Carlos Malato.
2004/04/18
-dependente
Adoro a sensação de, em cada fim de ano, abrir as argolas do livrinho, tirar aquele monte de folhas escritas a preto, azul, vermelho, verde fluorescente e sei lá o quê mais, e colocar uma nova recarga, virgenzinha da Silva, pronta a aturar mais um ano de rabiscos. O Filofax é um prolongamento natural da minha personalidade, e sem ele sinto-me perdido.
Mas este ano atrasei-me, e a verdade é que já não fui a tempo de comprar o meu planning anual para 2004 em nenhum dos lugares do costume - todos dizem que já acabou e que não há reposições. E eu sinto-me como se me fizesse falta algo de essencial - esqueço-me de aniversários, de pagar contas (por aqui não há grandes problemas), e de um milhão de coisinhas que são supostas constituirem o meu dia a dia.
Alguém sabe onde poderei ainda comprar a agenda para 2004, mesmo que seja daquelas imitações baratas da Âmbar?
Mas este ano atrasei-me, e a verdade é que já não fui a tempo de comprar o meu planning anual para 2004 em nenhum dos lugares do costume - todos dizem que já acabou e que não há reposições. E eu sinto-me como se me fizesse falta algo de essencial - esqueço-me de aniversários, de pagar contas (por aqui não há grandes problemas), e de um milhão de coisinhas que são supostas constituirem o meu dia a dia.
Alguém sabe onde poderei ainda comprar a agenda para 2004, mesmo que seja daquelas imitações baratas da Âmbar?
2004/04/17
Post tardio
A quem não foi ver os Tindersticks há bocado, só posso dizer uma coisa: três encores - três! E se dependesse apenas da vontade do público, ainda estávamos todos no Coliseu, hipnotizados.
Eu não vos disse?
Eu não vos disse?
2004/04/15
E mainada!
O navegador é sempre o tipo esquecido num rally; vai ali ao lado, a apanhar sustos, a gritar com o piloto, e, se as coisas correrem mal, normalmente a culpa é dele. Mas ainda há quem perceba que isto é uma injustiça...
2004/04/14
Questões metabloguísticas
Porque é que os números do sitemeter e dos comentários nunca crescem quando eu ando no blog, mas basta afastar-me uns minutos para vir logo toda a gente? Será que os meus leitores conseguem saber, de alguma forma, quando eu me ausento?
2004/04/12
Patético
Li num jornal deste fim de semana que Ferro Rodrigues vai pedir um parecer à Comissão Nacional de Eleições sobre a legitimidade do uso da designação "Força Portugal", pela coligação PSD/CDS-PP, nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Alegam estes zelosos socialistas que tal expressão pertence exclusivamente ao imaginário futebolístico, e que se poderá facilmente confundir, nas fracas mentes lusitanas, com os apoios à selecção Nacional no Campeonato Europeu que se avizinha; desta forma, os eleitores acabam por votar na coligação equivocadamente, quando na verdade o que queriam era demonstrar o seu apoio a Figo e companhia.
A iniciativa, per se, já é caricata q.b., mas torna-se ainda mais insólita quando se sabe que parte de um partido que tem enchido o país de outdoors em que mostra "um cartão amarelo ao Governo"!
A iniciativa, per se, já é caricata q.b., mas torna-se ainda mais insólita quando se sabe que parte de um partido que tem enchido o país de outdoors em que mostra "um cartão amarelo ao Governo"!
Duas Rodas
Já vos contei que também tenho uma BSA B25 Starfire, igual a esta (mas preta), de 1971? Se calhar não; tenho andado esquecido e ela nem merece. Trabalha que nem um relógio, mas ainda lhe faltam uns pormenorezinhos - até já fui a Inglaterra de propósito para lhe comprar peças. Quando estiver toda prontinha eu mostro-vos.
2004/04/11
Ladrão de praias
Não sou grande apreciador de praia, já aqui o disse; no entanto, sempre que lá vou, um dos maiores prazeres que posso sentir é o sal no cabelo, a areia no corpo e na roupa, e isto muito depois de já lá não estar. É assim uma espécie de prolongamento do gozo de usufruir da praia - infantil, se quiserem, mas é assim que eu gosto.
Gosto de me sentar numa esplanada ao fim da tarde, a petiscar algo ou a ler, e sentir ainda como que um pedacinho de praia comigo. Não critico quem o faz (até porque quase toda a gente o faz), mas sou incapaz de ir a correr para o duche mal saio da praia - antes pelo contrário, protelo esse momento até aos limites admissíveis da higiene.
E ontem trouxe um pedacinho da praia de Odeceixe comigo!
Gosto de me sentar numa esplanada ao fim da tarde, a petiscar algo ou a ler, e sentir ainda como que um pedacinho de praia comigo. Não critico quem o faz (até porque quase toda a gente o faz), mas sou incapaz de ir a correr para o duche mal saio da praia - antes pelo contrário, protelo esse momento até aos limites admissíveis da higiene.
E ontem trouxe um pedacinho da praia de Odeceixe comigo!
Memo
Já não devia ser preciso avisar os meus leitores, mas não ficaria em paz com a minha consciência desta vez se não o fizesse: na próxima quinta-feira, com o "Público", sai "As asas do desejo", de Wim Wenders. É preciso dizer mais alguma coisa?
2004/04/10
Internacional
Os tradutores automáticos dos motores de busca são, sem dúvida, uma ferramenta bastante útil para acedermos ao conteúdo de determinado site, escrito porventura numa linguagem que não dominamos. Foi precisamente o que deve ter pensado um leitor, provavelmente anglófilo, que veio aqui parar solicitando uma tradução automática ao Google. O resultado foi isto.
Gostei, particularmente, da "tradução" de Corto Maltese para I cut Maltese, ou da expressão "às três pancadas" para "to the three collisions".
Gostei, particularmente, da "tradução" de Corto Maltese para I cut Maltese, ou da expressão "às três pancadas" para "to the three collisions".
Manuel Graça Dias
Também gosto deste tipo de esquissos, principalmente dos deste homem - fazem-me lembrar as minhas longínquas andanças universitárias.
(Desculpem lá, mas quando se tem pouco para dizer, ficam sempre bem algumas imagens)
2004/04/09
2004/04/08
Embarrasing
Hoje senti que me olhavam como a um ser verde, com antenas na cabeça, de cada vez que eu respondia às perguntas "mas tu hoje trabalhas de tarde?", ou "então não vais para fora na Páscoa?".
Esclarecimento
Não sei se adiantará alguma coisa, mas gostava de informar especialmente quem usa os motores de busca do Google, que neste blog não existem (por enquanto) "fotos de Zezé Camarinha" nem o "filme de Tomás Taveira".
2004/04/07
Raio de ideia!
Alegria 1: Encontrei um Porsche 914, da década de 70, abandonado mas em estado bastante recuperável. Lindo, o sacana do carro!
Alegria 2: Consegui localizar o dono do carro.
Desilusão: O homem não quer vender o carro (talvez seja melhor assim...).
2004/04/05
Imperdível
Stuart Staples e os Tindersticks voltam a Lisboa no dia 16 deste mês; se me quiserem ver nesse dia, vão ao Coliseu (espero eu).
Respostas
Nos filmes, e até nos livros, toda a gente parece ter sempre a resposta ideal "na ponta da língua", seja qual for a interpelação a que se é sujeito.
Mas, na "vida real", quase sempre ficamos com a sensação de que devíamos ter respondido doutra forma. Normalmente a resposta ideal para determinada abordagem surge-nos alguns minutos - ou às vezes alguns dias, ou até anos - depois da altura em que fazia falta.
Quantas vezes não pensamos "bolas; devia-lhe era ter dito isto e aquilo" - e o "isto e aquilo" tanto pode ser uma refilice qualquer, como uma palavra boa que, na precipitação do momento, não nos surgiu. Ou será que isto só se passa comigo?
Mas, na "vida real", quase sempre ficamos com a sensação de que devíamos ter respondido doutra forma. Normalmente a resposta ideal para determinada abordagem surge-nos alguns minutos - ou às vezes alguns dias, ou até anos - depois da altura em que fazia falta.
Quantas vezes não pensamos "bolas; devia-lhe era ter dito isto e aquilo" - e o "isto e aquilo" tanto pode ser uma refilice qualquer, como uma palavra boa que, na precipitação do momento, não nos surgiu. Ou será que isto só se passa comigo?
2004/04/04
Divagação
Contrariamente ao que diz a sabedoria popular, a mim parece-me que é possível que a água passe duas vezes por baixo da mesma ponte - ainda que a probabilidade de tal acontecer seja ínfima!
2004/04/03
Primeiro de Abril aprés la lettre
Ainda bem que acabei por não colocar aqui nenhuma mentirinha de primeiro de Abril; é que a aldrabice que eu tinha engendrada era anunciar o fim definitivo deste blog - eu, e metade da blogosfera, pelos vistos!
2004/04/01
Inseguranças
Por vezes há coisas assim: a solidão de um quarto de hotel torna-se difícil de suportar, e nada melhor que uma leitura para ajudar a passar as horas mortas longe de tudo (sim, já sei que há quem ache que há coisas melhores para fazer num quarto de hotel, mas este é um blog sério).
Numas breves incursões pela Bertrand lá do sítio, já por diversas vezes a minha atenção tinha ficado presa num volume azul, de capa muito do tipo easy reading, intitulado "Pai ao Domingo", e assinado por Claire Calman, uma ilustre inglesa desconhecida - pelo menos para mim. Já tinha lido até a badana do calhamaço, mas algo de púdico impedia-me sempre de o comprar; medo de ser "qualquer-coisa-do-tipo-Margarida-Rebelo-Pinto".
Mas ontem, num acesso de coragem, li as primeiras páginas ainda na livraria, e comprei o volume; em boa hora o fiz, pois só na primeira noite cheguei à página 122. Afinal a escrita está muito mais perto desta nova geração de escritores ingleses - como Nick Hornby ou Martin Amis - e a história... Bem, a história é simplesmente fascinante, sendo deliciosamente divertida ao mesmo tempo. Não vou adiantar grande coisa sobre o enredo, mas penso que não estragarei o prazer de quem vier a ler o livro posteriormente à leitura deste post, se revelar que o tema subjacente a toda a narrativa (pelo menos até onde li), tem a ver com inseguranças - mais concretamente, a insegurança que nós, adultos, sentimos face a tudo o que nos rodeia; a forma como, de repente, e sem aviso prévio, nos tornámos "crescidos", e nos é pedido e esperado que nos portemos como "crescidos".
E, no entanto, continuamos a sentir-nos crianças inseguras, apenas com a diferença de que já não temos quem olhe por nós; olhamos ao espelho e não notamos grandes diferenças entre a pessoa que somos e aquela que costumava arranjar-se para ir à discoteca, ou às festas de garagem.
Fomos nós que mudámos, ou foi o mundo que andou demasiado depressa?
Nota: Ainda sobre este tópico, se bem que abordado de forma diferente, não deixem também de ler um excelente artigo de Pedro Boucherie Mendes publicado na revista "Maxmen" deste mês.
Numas breves incursões pela Bertrand lá do sítio, já por diversas vezes a minha atenção tinha ficado presa num volume azul, de capa muito do tipo easy reading, intitulado "Pai ao Domingo", e assinado por Claire Calman, uma ilustre inglesa desconhecida - pelo menos para mim. Já tinha lido até a badana do calhamaço, mas algo de púdico impedia-me sempre de o comprar; medo de ser "qualquer-coisa-do-tipo-Margarida-Rebelo-Pinto".
Mas ontem, num acesso de coragem, li as primeiras páginas ainda na livraria, e comprei o volume; em boa hora o fiz, pois só na primeira noite cheguei à página 122. Afinal a escrita está muito mais perto desta nova geração de escritores ingleses - como Nick Hornby ou Martin Amis - e a história... Bem, a história é simplesmente fascinante, sendo deliciosamente divertida ao mesmo tempo. Não vou adiantar grande coisa sobre o enredo, mas penso que não estragarei o prazer de quem vier a ler o livro posteriormente à leitura deste post, se revelar que o tema subjacente a toda a narrativa (pelo menos até onde li), tem a ver com inseguranças - mais concretamente, a insegurança que nós, adultos, sentimos face a tudo o que nos rodeia; a forma como, de repente, e sem aviso prévio, nos tornámos "crescidos", e nos é pedido e esperado que nos portemos como "crescidos".
E, no entanto, continuamos a sentir-nos crianças inseguras, apenas com a diferença de que já não temos quem olhe por nós; olhamos ao espelho e não notamos grandes diferenças entre a pessoa que somos e aquela que costumava arranjar-se para ir à discoteca, ou às festas de garagem.
Fomos nós que mudámos, ou foi o mundo que andou demasiado depressa?
Nota: Ainda sobre este tópico, se bem que abordado de forma diferente, não deixem também de ler um excelente artigo de Pedro Boucherie Mendes publicado na revista "Maxmen" deste mês.
2004/03/31
Neura
Sozinho desde domingo na Praia da Rocha, trabalho a correr mal, colaboradores insubordinados, ingleses bêbedos que batem as portas do hotel a noite toda, tristezas, ansiedades, chatices e, ainda por cima, más notícias lá de cima.
Bolas!
Bolas!
2004/03/29
Non sense
- Estás a ver, Lourenço, a Patrícia tem um Mini.
- E eu tenho um Mickey!
(este puto é um espectáculo)
- E eu tenho um Mickey!
(este puto é um espectáculo)
2004/03/28
O que diria Freud disto?
Uma das minhas infantilidades preferidas consiste em imaginar momentos especiais que eu gostaria que acontecessem, e saboreá-los antecipadamente, sejam eles mais ou menos utópicos. Um dos mais recorrentes desses momentos é aquele em que eu soube há pouco que tinha ganho sozinho o Totoloto (ou que me tinha falecido uma tia americana rica, não interessa), e ligo para a sede da empresa numa segunda-feira, a meio da tarde:
"Estou, doutor? Sabe, nem sei como lhe hei-de dizer isto, mas lembra-se daqueles relatórios urgentes que me pediu para lhe enviar sem falta esta manhã? Pois, esses mesmo. Pois, o que se passa é que..."
Em vez disso, daqui a alguns minutos vou fechar o computador, comer qualquer coisa rápida (estou em dieta, lembram-se?), meter-me no carro e fazer quase 300 quilómetros, para amanhã às nove horas comparecer a uma reunião.
"Estou, doutor? Sabe, nem sei como lhe hei-de dizer isto, mas lembra-se daqueles relatórios urgentes que me pediu para lhe enviar sem falta esta manhã? Pois, esses mesmo. Pois, o que se passa é que..."
Em vez disso, daqui a alguns minutos vou fechar o computador, comer qualquer coisa rápida (estou em dieta, lembram-se?), meter-me no carro e fazer quase 300 quilómetros, para amanhã às nove horas comparecer a uma reunião.
Poesia minimalista
E agora, já que outros não se decidem, vou escrever o mais depurado poema da blogosfera (e vou escrevê-lo porque posso, claro):
Tu!
O problema deste poema é que não lhe posso pôr um título, pois qualquer um que eu escolhesse seria sempre maior do que o próprio poema.
Tu!
O problema deste poema é que não lhe posso pôr um título, pois qualquer um que eu escolhesse seria sempre maior do que o próprio poema.
Listas
O Fernando tem andado a intercalar na sua escrita posts com o título genérico "12 discos da minha vida", normalmente seguido de um ordinal e do título de um álbum. Num divertidíssimo livro que li há pouco, "Alta fidelidade", de Nick Hornby, o protagonista, um fulano imaturo chamado Rob Flemming, passa toda a narrativa a fazer listas das "cinco-mais-quaisquer-coisas" da sua vida - aliás, o romance começa logo por nos apresentar "as minhas (dele) cinco namoradas mais memoráveis de todos os tempos", e segue com os melhores álbuns, as melhores músicas de soul, as melhores indies, etc., etc.
A ideia é tentadora, e acho que todos temos uma certa tendência para classificar de alguma forma, numa escala qualitativa, tudo aquilo com que contactamos de uma forma ou de outra nas nossas vidas; mas, por outro lado, existe sempre o risco de, ao elaborarmos essas listas, esquecermos algo ou alguém que merecia integrá-la (e Rob Flemming vivia deliciosamente atormentado com isso).
Mas, malgré tout, e voltando à interessante ideia do Fernando, leio a certa altura, a respeito do genial "Achtung Baby", dos U2, qualquer coisa como: "é um disco que se ouve do princípio ao fim, sem sentirmos a necessidade de saltar músicas". Isto fez-me tocar uma campainha cá dentro - a mim, que sou um compulsivo saltador de músicas, para grande irritação da Lu - e levou-me a pensar: existirão discos que eu consiga ouvir do princípio ao fim, sem sentir a tentação de avançar uma faixa?
Pensei, pensei, e mesmo correndo o risco acima aludido de me esquecer de algum, descobri que existem até muitos: para além do bem citado "Achtung Baby", também "The unforgettable fire" dos U2, inevitavelmente "London calling" dos The Clash, "Dog man star" dos Suede, "Knife" dos Aztec Camera, "Fold your hands child you walk like a peasant" dos Belle & Sebastian, qualquer um dos Portishead e, claro, "Out of season" de Beth Gibbons.
E existem, de certeza, muitos outros de que não me lembro agora; é a injustiça de se fazerem listas, estão a ver?
Nota: Já agora, gostava de saber a vossa opinião a este respeito; se tiver adesão, vou pensar em fazer regularmente uns questionários "cinco +", à Rob Flemming. Para já digam-me lá quais são, em vossa opinião, os cinco álbuns que se conseguem ouvir do princípio ao fim sem interrupções ou quebras de qualidade.
W.C.
Existe, desde há muito tempo, uma dúvida existencial que me atormenta o espírito - e, tanto quanto penso, esse mistério é extensivo a todos os seres do género masculino que conheço. É por isso, meninas, que aproveitando o relativo anonimato que estas coisas proporcionam, vos peço encarecidamente que me esclareçam sobre o seguinte:
Porque é que as mulheres vão sempre acompanhadas à casa de banho em lugares públicos? O que é que se passa, do que é que falam, nessas obscuras reuniões?
Eu, e mais alguns milhões de homens, agradecemos penhoradamente todas as respostas.
Porque é que as mulheres vão sempre acompanhadas à casa de banho em lugares públicos? O que é que se passa, do que é que falam, nessas obscuras reuniões?
Eu, e mais alguns milhões de homens, agradecemos penhoradamente todas as respostas.
2004/03/26
Y olé!
Amanhã vou novamente aos toiros, a Almendralejo, ver o Jesúlin de Ubrique que já não vejo tourear desde o seu acidente de há uns anos. E, para poupar trabalho aos "politicamente correctos" da blogosfera, informo desde já que apenas considerarei a hipótese de polemizar - e não muito, por manifesta falta de pachorra - com vegetarianos comprovados, isto por uma questão de coerência.
2004/03/25
Cinema
Estou a ver que não posso confiar na blogosfera em assuntos cinéfilos; anda aí toda a gente a fazer a apologia de "Lost in translation" (uma ideia boa, mas com um aproveitamento medíocre - vd. post de há umas semanas) e d'"A paixão de Cristo" (ainda não vi, mas por norma desconfio sempre de blockbusters), e ninguém (que eu desse conta) fala de "21 gramas", que fui ver ontem, e que é provavelmente o mais lindo filme que passou nas nossas salas de cinema desde "O quarto do filho".
2004/03/23
Dá que pensar, não acham?
Penso que foi Winston Churchill (e desde já agradeço que me corrijam se estiver equivocado) que disse um dia:
"Não há nada mais triste do que uma derrota a não ser, talvez, uma vitória!"
"Não há nada mais triste do que uma derrota a não ser, talvez, uma vitória!"
2004/03/21
Petição
O Governo devia criar uma lei que proibisse a temperatura de subir mais do que aquela que está agora, ie, à volta dos 20º Celsius.
De que outra forma civilizada se pode desfrutar de uma manhã de esplanada, de um passeio de descapotável, ou até de uma tarde de praia?
Limpeza de Primavera
Alguns de vós provavelmente já repararam, mas mesmo assim sempre vos digo que, aproveitando o início da estação, resolvi fazer uma limpeza grande aqui na lista de links ao lado; assim, apaguei todos aqueles que assumidamente encerraram, bem como aqueles que não o tendo declarado, já se encontram inactivos há mais de um mês, e ainda um ou outro que raramente visitava e de cujo interesse começava a duvidar. Em contrapartida, acrescentei alguns que tenho vindo a visitar ultimamente, e que já mereciam há muito o link da praxe.
Pelos vistos é isto mesmo a blogosfera: moda para alguns, lugar a que se regressa sempre para outros.
Pelos vistos é isto mesmo a blogosfera: moda para alguns, lugar a que se regressa sempre para outros.
2004/03/19
Dia do pai
Por norma embirro um bocado com tudo o que me soe minimamente a establishment; encontram-se assim, nessa longa lista, as datas em que é suposto festejarmos algo, mas que mais não são do que um pretexto do consumismo e dos lobbies dos comerciantes para gastarmos mais uns trocos em prendas cuja espontaneidade fica abaixo de zero, mas que possuem o condão mágico de aliviar as consciências dos ofertantes por mais uma saison - e (ó heresia!) essa minha embirração começa logo pelo próprio Natal, e estende-se a dias da mulher, da criança, do pai, do emigrante, do mercenário, do bêbedo ou do que quer que seja.
Mas esta manhã, bem cedo, fui forçado a engolir parte desta minha arrogância; e quem me deu esse banho de humildade foi o Lourenço que, de cima dos seus três anos, foi ter comigo enquanto me barbeava e me disse: "feliz dia do pai, papá; gosto muito de ti!"
O que mais posso pedir para ser feliz?
Mas esta manhã, bem cedo, fui forçado a engolir parte desta minha arrogância; e quem me deu esse banho de humildade foi o Lourenço que, de cima dos seus três anos, foi ter comigo enquanto me barbeava e me disse: "feliz dia do pai, papá; gosto muito de ti!"
O que mais posso pedir para ser feliz?
2004/03/14
Erros de casting
Há, entre os meus leitores adultos, alguém que esteja a viver a vida com que sonhou um dia? Era só para saber se ainda vale a pena sonhar.
A "Vírgula"
Miguel Sousa Tavares é daqueles opinion makers a respeito dos quais é difícil ter uma opinião consolidada, tão díspares são por vezes as suas tomadas de posição; por exemplo, quando fala do direito ao fumo ou do Futebol Clube do Porto é insuportável, mas desta vez confesso que subscrevo de cruz tudo o que diz nos pontos 1 e 2 deste artigo (há quem continue a achá-lo "insuportável", mas contra isso nada podemos fazer).
Terroristas bons vs terroristas maus
Alguns poderão ter achado estranho o facto de eu não ter escrito nada sobre os ignóbeis atentados de Madrid; não o fiz, contudo, por duas razões:
Em primeiro lugar encontrava-me na altura, como os mais atentos decerto terão reparado, a cumprir um importantíssimo voto de silêncio.
Em segundo lugar, senti de repente que tudo o que eu pudesse dizer sobre terrorismo seria redundante, não só em relação àquilo que já escrevi anteriormente neste blog, mas também em relação ao que se iria escrever noutros locais - na blogosfera ou fora dela (aliás, parece que existe também vida fora da blogosfera, por inédito que isso possa parecer). No entanto, tal como o Alberto, fiquei desde logo à espera do primeiro "mas...".
Sofro, como todos os humanistas, com o sofrimento alheio; mesmo assim, e apesar de me considerar ideologicamente de direita, não consigo conceber a pena de morte como castigo aceitável.
Mas há outras coisas que me custam também bastante a aceitar em tudo isto, a começar pela mentalidade comezinha da "nossa" esquerda (pelo menos assim se designam), que continua a acreditar que existe sempre uma justificação em tudo isto. Mais, os "canhotos" cá do burgo, acham lá no íntimo que seria preferível que os atentados pudessem ser imputados à Al-Qaeda, o que, pelas suas enviesadas e peculiares linhas de raciocínio, o tornaria logo directamente imputável a Bush, Blair e ao próprio Aznar, do que à ETA, situação esta que, para além de ser menos "justificável" (?) politicamente, poderia render votos extras ao PP espanhol. Como se pudesse haver um terrorismo menos mau do que o outro...
Em primeiro lugar encontrava-me na altura, como os mais atentos decerto terão reparado, a cumprir um importantíssimo voto de silêncio.
Em segundo lugar, senti de repente que tudo o que eu pudesse dizer sobre terrorismo seria redundante, não só em relação àquilo que já escrevi anteriormente neste blog, mas também em relação ao que se iria escrever noutros locais - na blogosfera ou fora dela (aliás, parece que existe também vida fora da blogosfera, por inédito que isso possa parecer). No entanto, tal como o Alberto, fiquei desde logo à espera do primeiro "mas...".
Sofro, como todos os humanistas, com o sofrimento alheio; mesmo assim, e apesar de me considerar ideologicamente de direita, não consigo conceber a pena de morte como castigo aceitável.
Mas há outras coisas que me custam também bastante a aceitar em tudo isto, a começar pela mentalidade comezinha da "nossa" esquerda (pelo menos assim se designam), que continua a acreditar que existe sempre uma justificação em tudo isto. Mais, os "canhotos" cá do burgo, acham lá no íntimo que seria preferível que os atentados pudessem ser imputados à Al-Qaeda, o que, pelas suas enviesadas e peculiares linhas de raciocínio, o tornaria logo directamente imputável a Bush, Blair e ao próprio Aznar, do que à ETA, situação esta que, para além de ser menos "justificável" (?) politicamente, poderia render votos extras ao PP espanhol. Como se pudesse haver um terrorismo menos mau do que o outro...
2004/03/12
Uma carrinha Jaguar para o Al
O Al era um tipo pacato, amigo da sua estabilidade, e pouco sensível às influências de factores exteriores ao seu pequeno mundo. No entanto, há pouco tempo, tudo na sua vida se modificou: depois de fazer os quarenta anos, o Al foi acometido por aquilo que quem sabe designa por "crise de meia-idade precoce e atípica".
Ora, esta crise, por ser atípica, caracteriza-se por sintomas fora do comum: assim, e ao contrário do que é vulgar nestas situações, o Al não sonha em ir a discotecas com meninas de vinte anos, em inscrever-se em classes de meditação budista, nem, tampouco (e é principalmente por isto que a crise é "atípica") em comprar um descapotável vermelho. O síndroma do Al caracteriza-se, isso sim, por angustiantes ataques de nostalgia, que o levam a questionar permanentemente o sentido de tudo o que faz.
A família do Al está desesperada, até porque não se conhecem quaisquer tratamentos para este tipo de maleita; contudo, alguns dos especialistas internacionais consultados aventaram a hipótese de se poderem verificar melhoras se o paciente pudesse aceder a uma carrinha Jaguar X-type estate, de preferência em british green.
É por isso, leitor amigo, que lançamos aqui esta campanha de solidariedade; se se comoveu com a triste sorte do Al, mas está disposto a fazer algo pela sua recuperação, contribua com o que puder para a aquisição de uma carrinha Jaguar, que custa pouco mais de quarenta mil euros. Vamos todos dar uma ajuda ao Al, valeu?
Nota: Não percam, em breve, as novas campanhas "uma casa nova com piscina para o Al", "um emprego decente para o Al", "quinze dias em Cabo Verde para o Al", e muitas outras!
2004/03/04
Raiva
Hoje é um dia triste; a Susana, que sofria de leucemia há três anos, deixou-nos esta manhã. Na terça-feira visitei-a e - desculpem a minha estupidez - achei que ela estava com razoável aspecto e disposição; acreditei mesmo que tudo se ia resolver.
É um lugar comum dizer isto, mas é verdade que o Céu ficou muito mais rico hoje. Pouco mais posso fazer do que chorar, e perguntar-me se algo em tudo isto fará sentido - mas, em sinal de luto, não escreverei nada neste blog durante uma semana, como homenagem àquilo que podia ter sido a vida da Susana.
Ela tinha dezanove anos; lembram-se dos sonhos e das expectativas que tinham aos dezanove anos? Eu lembro-me.
É um lugar comum dizer isto, mas é verdade que o Céu ficou muito mais rico hoje. Pouco mais posso fazer do que chorar, e perguntar-me se algo em tudo isto fará sentido - mas, em sinal de luto, não escreverei nada neste blog durante uma semana, como homenagem àquilo que podia ter sido a vida da Susana.
Ela tinha dezanove anos; lembram-se dos sonhos e das expectativas que tinham aos dezanove anos? Eu lembro-me.
2004/03/02
Teste
E agora vou testar uma nova funcionalidade disto; criar aqui uma consciência instantânea. Então é assim: vou começar "a" dieta. A vossa parte é muito simples: qual grilos falantes, deverão atazanar-me permanentemente a cabeça, perguntando-me quanto peso já perdi, o que almocei hoje, etc., etc., combinado?
Se não funcionar assim, não sei como funcionará...
Se não funcionar assim, não sei como funcionará...
Metabloguismo pessoal
Torna-se engraçado ver como progridem as coisas; durante o boom dos blogs, talvez antes do Verão de 2003 (altura em que também eu - humildemente o confesso - aderi à blogosfera), não faltaram velhos do Restelo a profetizar um rápido declínio do fenómeno. Na altura, imbuído de um espírito optimista que nem é muito frequente em mim, achei que apenas o despeito movia essas vozes. Pensava eu, na minha ingenuidade, que os blogs durariam para sempre, e que o entusiasmo que eu sentia todos os dias ao escrever novos posts era partilhado por todos os meus colegas blogosféricos.
Enganei-me, custa-me admiti-lo; dos blogs linkados aqui ao lado, muitos já se encontram inactivos há algum tempo, e só alguma preguiça, a par com uma secreta esperança de que as coisas mudem, me impedem de os apagar. Também as visitas diárias ao meu blog estão a baixar significativamente; não as tenho comparado com as registadas noutros blogs, mas parece-me legítimo concluir que tal apenas se pode ficar a dever a um decréscimo do interesse de quem por aqui anda(va).
Não tenho pretensões a escritor ou jornalista, nem espero que aqui possa surgir o milagre de alguém me convidar para subsistir fazendo aquilo de que gosto - escrever - , mas agrada-me ter esta forma de ir desabafando e interagindo com muita gente. É verdade, admito, que há algum tempo pensei em acabar com isto, mas, tal como expliquei na altura, isso ficou-se a dever a algumas questões pessoais que, não estando resolvidas, não são contudo impeditivas de que continue a "despejar" (quase) tudo o que me vai na alma neste computador. Não tenho a prolixidade doutras alturas, é verdade, mas, enquanto houver uma única pessoa que ache que vale a pena perder o seu tempo a ler os meus devaneios, espero continuar a escrever.
Enganei-me, custa-me admiti-lo; dos blogs linkados aqui ao lado, muitos já se encontram inactivos há algum tempo, e só alguma preguiça, a par com uma secreta esperança de que as coisas mudem, me impedem de os apagar. Também as visitas diárias ao meu blog estão a baixar significativamente; não as tenho comparado com as registadas noutros blogs, mas parece-me legítimo concluir que tal apenas se pode ficar a dever a um decréscimo do interesse de quem por aqui anda(va).
Não tenho pretensões a escritor ou jornalista, nem espero que aqui possa surgir o milagre de alguém me convidar para subsistir fazendo aquilo de que gosto - escrever - , mas agrada-me ter esta forma de ir desabafando e interagindo com muita gente. É verdade, admito, que há algum tempo pensei em acabar com isto, mas, tal como expliquei na altura, isso ficou-se a dever a algumas questões pessoais que, não estando resolvidas, não são contudo impeditivas de que continue a "despejar" (quase) tudo o que me vai na alma neste computador. Não tenho a prolixidade doutras alturas, é verdade, mas, enquanto houver uma única pessoa que ache que vale a pena perder o seu tempo a ler os meus devaneios, espero continuar a escrever.
2004/02/27
Decidam-se, bolas (para não dizer "porra")!
Aqui há uns tempos as caixas de comentários deste blog tiveram um colapso, e toda a gente se queixou; agora, que elas estão aí afinadinhas que nem um piano, ninguém as usa!
Já está!
Conseguimos sobreviver a uma reformatação do disco e - aleluia! - até temos Internet e tudo; o espectáculo continua (ia dizer "the show must go on!", mas receei que demasiados anglicismos dessem um ar pedante a isto)!
2004/02/25
Socorro!
Este meu computadorzinho, que tantos e tão bons serviços me tem prestado, está com um vírusito; melhor, deve estar infectado com uma quantidade estúpida de vírus, desde o BSE à gripe das aves, pelo menos. Entre outras coisas menos graves, bloqueia sempre que quero fazer um link, pelo que nem sequer consigo ler os (poucos) comentários que amavelmente me vão chegando.
Serve pois este post para dizer que, logo à noite, penso munir-me de coragem, e enfiar aqui dentro os CDs do Quick Restore da Compaq. O problema é que, da última vez que o fiz, a placa de rede não esteve pelos ajustes e recusou-se a trabalhar durante dias. Ora, como os meus conhecimentos em termos de informática são mais ou menos equivalentes àqueles que detenho de Ikebana, aviso-vos desde já que, se não me conseguirem contactar no blog, no e-mail, ou no Messenger, é porque a coisa correu mal!
Wish me luck!
Serve pois este post para dizer que, logo à noite, penso munir-me de coragem, e enfiar aqui dentro os CDs do Quick Restore da Compaq. O problema é que, da última vez que o fiz, a placa de rede não esteve pelos ajustes e recusou-se a trabalhar durante dias. Ora, como os meus conhecimentos em termos de informática são mais ou menos equivalentes àqueles que detenho de Ikebana, aviso-vos desde já que, se não me conseguirem contactar no blog, no e-mail, ou no Messenger, é porque a coisa correu mal!
Wish me luck!
2004/02/24
Devo ter perdido alguma coisa na tradução!
Provavelmente o que eu vou dizer não vai ser tão criticado como sucedeu com a Charlotte, mas apenas porque este blog não tem as centenas de visitas diárias do seu. A verdade é que também eu fui ver o "Lost in Translation" e, tal como ela, também eu achei a coisa assim para o fraquinho, apesar de me ter sido insistentemente recomendada por insuspeita amiga; salvou-se a banda sonora, com excelentes temas dos Air, Peaches, e uma versão desconcertante do Bill Murray a cantar "More than this", dos Roxy Music.
O mais mainstream do cinema europeu consegue facilmente ser mais alternativo do que o mais alternativo cinema americano; é um estigma deles, e contra isso já nada podem fazer. Parvo sou eu que continuo a acreditar que dali saem bons filmes.
Mas, Alberto, eu até gosto muito do "The Office" e dos "Royles" - já falei disso antes. E só restrinjo ao mínimo possível a minha visualização de televisão, incluindo a TVI, por uma questão de higiene, como diria David Mourão-Ferreira. Terei cura?
O mais mainstream do cinema europeu consegue facilmente ser mais alternativo do que o mais alternativo cinema americano; é um estigma deles, e contra isso já nada podem fazer. Parvo sou eu que continuo a acreditar que dali saem bons filmes.
Mas, Alberto, eu até gosto muito do "The Office" e dos "Royles" - já falei disso antes. E só restrinjo ao mínimo possível a minha visualização de televisão, incluindo a TVI, por uma questão de higiene, como diria David Mourão-Ferreira. Terei cura?
2004/02/22
"Ver Veneza e morrer!"
Faz precisamente hoje seis anos, estava a deixar Veneza, depois de ter assistido aos mais bonitos festejos de Carnaval de que tenho memória. Manhã cedo, à medida que o vaporetto nos conduzia até Mestre pelos enevoados canais, íamos vendo os restos das celebrações - foliões tardios, alguns em gôndolas, e os barcos ainda engalanados dos desfiles da véspera.
Ir para Sesimbra, ou coisa que o valha, ver imitações pindéricas de carnavais latino-americanos? Não, obrigado.
2004/02/19
Ocean spray
Há uns dias atrás, por motivos profissionais, tive que me deslocar até à zona de Alfarim; despachei-me mais depressa do que pensava e, estando ali tão perto, resolvi ir até ao Meco, para ver o mar. Estava extraordinário, encapelado, e não resisti a passar uns momentos na esplanada do Bar do Peixe (passe a publicidade) a admirá-lo. Para a tarde ser perfeita faltavam-me três coisas: um livro, um bom par de horas livres pela frente, e que o dia não estivesse tão solarengo!
Sacrilégio? Não, simplesmente prefiro a beleza não óbvia aos clichés estéticos que a toda a hora nos tentam impor - e, na minha modesta opinião, a melhor cor para o mar é o cinzento.
Lembrei-me a propósito de uma entrevista que ouvi há já uns anos, no Canal 2; era um programa supostamente cultural, e Paula Moura Pinheiro entretinha-se a fazer algumas perguntas a um dos maiores arquitectos portugueses, Manuel Graça Dias. A certa altura, para ilustrar à entrevistadora a forma como a beleza pode ser descoberta sem recurso a clichés e a lugares comuns, M.G.D. disse: "Um pôr do sol pode ser tão romântico visto na mais linda das falésias como reflectido numa marquise de Moscavide". É genial; está tudo nesta frase!
Mas a entrevistadora, toda witty, respondeu com qualquer coisa como: "Não percebo como é que uma marquise em Moscavide pode ser romântica, mas adiante...". Com esta frase, mostrou a todos os vinte espectadores que àquela hora provavelmente acompanhavam o programa duas coisas: primeiro, que pensa petulantemente, tal como Manuela Moura Guedes ou Maria Elisa, que os telespectadores estão tão ou mais interessados na sua opinião do que na do entrevistado. Segunda, e mais grave, demonstrou a típica falta de sensibilidade das mentes habituadas a pensar por estereótipos - o sol é bonito e alegre, a chuva é feia e triste.
E mostrou que, tal como muitos dos seus conterrâneos, desconhece um segredo fundamental: o óbvio não vale nada - a verdadeira beleza, como a verdadeira felicidade, têm que ser conquistadas!
Sacrilégio? Não, simplesmente prefiro a beleza não óbvia aos clichés estéticos que a toda a hora nos tentam impor - e, na minha modesta opinião, a melhor cor para o mar é o cinzento.
Lembrei-me a propósito de uma entrevista que ouvi há já uns anos, no Canal 2; era um programa supostamente cultural, e Paula Moura Pinheiro entretinha-se a fazer algumas perguntas a um dos maiores arquitectos portugueses, Manuel Graça Dias. A certa altura, para ilustrar à entrevistadora a forma como a beleza pode ser descoberta sem recurso a clichés e a lugares comuns, M.G.D. disse: "Um pôr do sol pode ser tão romântico visto na mais linda das falésias como reflectido numa marquise de Moscavide". É genial; está tudo nesta frase!
Mas a entrevistadora, toda witty, respondeu com qualquer coisa como: "Não percebo como é que uma marquise em Moscavide pode ser romântica, mas adiante...". Com esta frase, mostrou a todos os vinte espectadores que àquela hora provavelmente acompanhavam o programa duas coisas: primeiro, que pensa petulantemente, tal como Manuela Moura Guedes ou Maria Elisa, que os telespectadores estão tão ou mais interessados na sua opinião do que na do entrevistado. Segunda, e mais grave, demonstrou a típica falta de sensibilidade das mentes habituadas a pensar por estereótipos - o sol é bonito e alegre, a chuva é feia e triste.
E mostrou que, tal como muitos dos seus conterrâneos, desconhece um segredo fundamental: o óbvio não vale nada - a verdadeira beleza, como a verdadeira felicidade, têm que ser conquistadas!
2004/02/14
Inquéritos
Já por diversas vezes confidenciei aos meus leitores alguns dos meus vícios de estimação, pelo que não estranharão agora que vos revele mais um: não consigo resistir a ler aqueles questionários tipo "Questionário de Proust", seja qual for a publicação ou o inquirido. Pode ser a mais pindérica das "revistas-de-sala-de-espera", e o mais pimba dos cantores, que eu devoro sempre até ao fim as suas respostas. Normalmente fico a saber que a viagem de sonho de 99% dos portugueses é ao Brasil, que todas as meninas da moda - apresentadoras, cantoras, actrizes - elegem como prato favorito o bacalhau com natas, e mais um sem número de informações relevantes que rapidamente se perdem nos recantos mais esconsos da minha já muito sobrelotada memória.
Muitas vezes faço até o exercício narcisístico de pensar quais as respostas que eu próprio daria se alguma vez fosse indagado de forma semelhante - mas emperro sempre no mesmo tipo de perguntas: aquelas em que é requerido ao visado que nomeie o livro ou disco da sua vida. Não há, não pode haver, uma tal coisa - há, isso sim, livros ou discos que foram ou são importantes para nós em determinados momentos das nossas vidas. Lembro-me, assim de repente, da pulsão de emoções que senti quando li pela primeira vez "Um amor feliz", de David Mourão-Ferreira; ou das sensações de liberdade que o "London calling", dos Clash, me transmitiu. Mas não são esses os livros ou discos da minha vida, simplesmente porque isso não existe!
Muitas vezes faço até o exercício narcisístico de pensar quais as respostas que eu próprio daria se alguma vez fosse indagado de forma semelhante - mas emperro sempre no mesmo tipo de perguntas: aquelas em que é requerido ao visado que nomeie o livro ou disco da sua vida. Não há, não pode haver, uma tal coisa - há, isso sim, livros ou discos que foram ou são importantes para nós em determinados momentos das nossas vidas. Lembro-me, assim de repente, da pulsão de emoções que senti quando li pela primeira vez "Um amor feliz", de David Mourão-Ferreira; ou das sensações de liberdade que o "London calling", dos Clash, me transmitiu. Mas não são esses os livros ou discos da minha vida, simplesmente porque isso não existe!
ARCO
Mais um ano que passa, mais uma ARCO, e mais uma vez que lá não vou; há já mais de dez anos que ando a dizer: "para o ano é que é!" - e depois, nada. Os sonhos não se podem adiar.
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