2004/07/10

Fora de moda

Serei eu o único português que ainda não foi ao IKEA? Se bem que mais umas estantes fariam aqui muito jeito...

Sintra


Penso que toda a gente terá uma terra, um local, que ficará para sempre associado a momentos especiais da sua vida, seja em que sentido for. Para mim esse lugar é Sintra, passe o cliché; sempre o foi, desde há muitos, muitos anos, e desconfio de que sempre o será.

E há dias voltei a Sintra - mas, em vez de matar saudades, criei mais!

A menina do mar

O que me interessa que Portugal tenha perdido a taça? Quero lá saber da decisão do Sampaio e da sanha da esquerdalha! E o Ferro Rodrigues demitiu-se? Bom proveito!

Não percebem que o mais importante da semana que passou foi o silêncio? Sophia calou-se, e tudo o mais deixou de ter significado!

Diz-me onde moras, dir-te-ei quem és!

Se há coisa que me irrita solenemente, é o preconceito que quem mora nas zonas ditas in do país apresenta contra as pessoas que moram nas periferias - os "suburbanos", termo que recorrentemente usam no seu sentido mais pejorativo.

Se alguém disser, a um residente num "qualquer-local-politicamente-correcto", que mora, sei lá, em Mem Martins, Fogueteiro ou mesmo na Amadora, essa declaração quase equivale a dizer: "sou estivador, ando de camisola de alças com um palito na boca, ao fim de semana bebo umas bejecas e como uns tremoços, e, volta e meia, dou uma carga de porrada à Maria, para ela não se esquecer de mim!"

Confesso que não residiria, por muito que me pagassem, em nenhum dos sítios acima citados - mas também me recusaria a morar na Lapa, nas avenidas novas, no Parque das Nações, ou em qualquer outro lugar dentro da cidade, acreditem. E a verdade é que conheço muito boa gente, a morar em "lugares-da-moda", simplesmente intragável, com níveis de inteligência e de civismo abaixo de qualquer cota razoável, assim como conheço muitas pessoas residentes em sítios horríveis, mas com uma atitude absolutamente acima de qualquer suspeita.

Todas as generalizações são perigosas (incluindo esta).

2004/07/01

Sonho


Uns dias aqui fariam maravilhas!

Falácias

Em desespero de causa, ganha cada vez mais espaço, entre os detractores da solução de continuidade proposta pelo e para o governo, o argumento do tipo: "eu não votei em Santana Lopes para primeiro ministro!".

É uma verdade insofismável, e até acrescento mais: nenhum português votou em Santana Lopes para primeiro ministro! Mas também não será menos verdade que nenhum português votou alguma vez em Durão Barroso, ou em quem quer que fosse, para primeiro ministro, apenas e tão só porque em Portugal, democracia representativa, não se vota em pessoas para primeiro ministro mas sim em partidos para a constituição da Assembleia da República. É esta a falácia que a oposição, mas também alguns sociais democratas com problemas de indigestão, anda a tentar impingir ao País.

Mas a verdade é líquida e incontornável: nas últimas eleições legislativas o povo português votou maioritariamente no PSD, pelo que, como consta da constituição, foi este partido que o Presidente da República convidou para formar governo. Foi o PSD que, face a uma maioria relativa obtida, decidiu convidar o PP, terceira força política mais votada, para um governo de coligação que propôs ao Presidente da República, e que sujeitou ao sufrágio da Assembleia da República. Nesta sede, os deputados - estes sim, eleitos a partir dos resultados eleitorais - viabilizaram o governo então proposto, e o seu programa, para um mandato de quatro anos.

Ora, não venham agora oportunistas diversos invocar falsidades para tentar aproveitar uma janela de oportunidade; o governo continua, o seu programa também, e só manifesta má fé podem levar a considerar que Santana Lopes e/ou Paulo Portas não teriam o perfil para manter a linha de rumo até aqui traçada. Como se pode combater um putativo governo com um pressuposto inexistente ou pelo menos não confirmado - o de que Santana Lopes conduziria o país a uma situação de esbanjamento populista? Trata-se, obviamente, de preconceito, e este não é um critério aceitável em política.

Por outro lado, também não me parece que haja grande espaço para contestar a natural subida de Santana Lopes à liderança do seu partido; não sou militante, nem sequer simpatizante, do PSD, mas presumo que se trate de um partido com estatutos - e parece-me lógico calcular que esses estatutos refiram que, em caso de impossibilidade de continuidade em funções por parte do seu presidente, este seja substituído, em sede de Conselho Nacional, pelo seu vice. So, what's the big deal?

P.S.: Mas confesso que me daria um gozo perverso ver o país em eleições antecipadas, só para ver o tamanho dos sapos que Sócrates, Soares júnior ou Lamego teriam que engolir, ao manifestar o seu incondicional apoio a Ferro.

Como eu gosto do Euro 2004!

Graças a ele, ontem, à hora a que se disputava o jogo Portugal-Holanda, consegui encontrar um lugar onde jantar, sem televisões por perto e praticamente vazio. Ainda conseguia ouvir a ladaínha longínqua de um relato, e adivinhava os golos da nossa equipa através de rumores abafados, mas o saldo final da refeição foi calmo.

Depois, de regresso ao hotel, e graças ao barulho que os adeptos faziam na rua, não consegui adormecer cedo e acabei por aproveitar para ler "de uma penada" dois livros que tinha comprado umas horas antes: "Linguagem Seinfeld", de Jerry Seinfeld, e "A insubmissa", de António Modesto Navarro, uma boa surpresa. Nada disto teria sido possível sem o Euro 2004!

Podem começar então a desancar-me; podem-me chamar de snob, de intelectual "da treta", podem até ter pena de mim - sentimento que agradeço mas dispenso. Só não admito que me acusem de pouco patriotismo.

Vamos lá a ver se nos entendemos: teria tanto gosto em que fosse a nossa selecção a vencer este campeonato como qualquer outro português - só não consigo partilhar da euforia e quase histeria que tomou conta desta gente, a propósito de algo que não é mais do que um desporto. No dia em que o Estado gastar pelo menos 1% do que se gasta com o futebol com outras modalidades em que existem tantos jovens talentos sem possibilidades de mostrar o que valem - e, assim de repente, e com algum conhecimento de causa, lembro-me dos desportos motorizados, incluindo a motonáutica, em que o meu grande amigo Duarte Benavente anda a disputar o Campeonato Mundial de Fórmula 1 com excelentes resultados, do ténis ou do BTT - no dia em que as visões se tornarem abrangentes, dizia, e quem de direito perceber que desporto não é só futebol, nesse dia talvez alguém me veja entusiasmado com um simples jogo de bola - antes não!

Falem-me em "fenómeno de massas", e eu respondo: acham sadio andar a acicatar rivalidades e até ódios contra povos amigos, a desejar humilhá-los através de golos? Não percebem que todo esse sentimento contraria a essência do conceito de desporto? "Aljubarrota", professor Marcelo? Por amor de Deus!

2004/06/29

First things first!

O país vive tempos de instabilidade, e todos os portugueses estão ansiosos por importantes decisões que se tomarão por estes dias, e das quais pode estar dependente o seu futuro.

Estará o povo luso suspenso das palavras de Jorge Sampaio, sobre qual a solução governativa por que optará? Não, caros ingénuos - do resultado do jogo Portugal-Holanda!

2004/06/27

Ego inchado

Desculpem lá a imodéstia, mas ontem, na primeira saída semi-desportiva do meu Alfa Romeo 1750 berlina, o tal de 1972, ganhei o Rally Cidade de Almada acompanhado pelo meu amigo P. - e não, não era só um concorrente!

Ideias

E, de repente, toda a gente desata a criticar Durão Barroso pela sua opção de aceitar o cargo de Presidente da Comissão Europeia; mesmo quem não votou no homem e nunca gostou dele, fala agora de "traição", de "fuga", ou de "abandono dos portugueses", suspirando antecipadamente pela sua ida.

Mas vamos por partes:

1. Não me parece que o lugar agora proposto ao nosso Primeiro seja assim tão insignificante que não fosse importante para um país ter nele um seu representante. E esta, parece-me, é uma questão supra partidária - aliás, o próprio Durão Barroso mostrou ter esse entendimento do assunto ao apoiar, numa fase prévia, a putativa candidatura de António Vitorino ao cargo, isto antes de o seu próprio nome ser sequer uma hipótese.

2. Não há "abandono", ou "fuga" comparável áquela protagonizada por Guterres em 2001. Por um lado, não há queda do Governo, nem os partidos que o compõem pretendem eleições intercalares, ao contrário do PS naquela altura, que assumiu tacitamente a sua incapacidade para governar este país. Por outro lado, é natural que as políticas preconizadas por Barroso para a recuperação económica deste país sejam seguidas pelos seus sucessores - e afinal, votamos em ideias políticas ou em pessoas mais ou menos cativantes? (A resposta a esta última questão não será líquida para muita gente; vide a quantidade de pessoas que vota no BE, seduzidas pelo nouveau chic, sem terem sequer um lampejo das suas ideias, encostadas ao radicalismo de esquerda)

3. Na sequência do que escrevi acima, é de referir que os argumentos contra Santana Lopes também são pouco menos que risíveis: ou "não se gosta porque é engatatão", ou "porque bebe copos", ou "porque tem ar de gigolo" - em suma, por todos os motivos, menos pelas políticas que pode vir a apresentar para o nosso país, e que deveriam ser, em primeiríssima análise, o pincipal motivo pelo qual elegemos quem nos dirija. De resto, e ainda que isso possa parecer estranho a alguns, nas eleições legislativas não votamos em pessoas para constituir o governo, mas sim para exercerem cargos de deputados; depois de contabilizados os votos, o Presidente da República convida então o líder do partido mais votado a formar governo, podendo este (o governo) incluir ou não o nome do seu líder.

A personalização da política, o ataque à pessoa e não ao seu programa, costumam ser uma táctica recorrente da esquerda deste país - os "modernos" bloquistas deram o tom, a coisa pegou, e aí vão os socialistas encantados atrás do comboio. Só tenho pena de ver gente de centro e direita a afinar pelo mesmo diapasão. Mas pobres de espírito, oportunistas e abutres há-os em todos os quadrantes, é verdade.

2004/06/25

Contrição ou "See you soon!"

Ontem, por motivos profissionais, jantei em Albufeira, a poucos metros da Rua da Oura.

Já aqui confessei bastas vezes a minha embirração de estimação com o futebol e, principalmente, com a hipervalorização que se faz de um simples desporto; mas na última noite era impossível não sentir algum entusiasmo, e assim, pela primeira vez desde que este campeonato começou, assisti a um jogo quase na totalidade. O ambiente era simpático, com um restaurante cheio de portugueses, e mais uns holandeses que, no entanto, também apoiavam a selecção portuguesa. Mas já um rápido vislumbre para a rua deixava antever o pior, fosse qual fosse o resultado: milhares de adeptos ingleses pululavam por todo o lado, e bebiam litros e litros de cervejas em bares engalanados de branco e vermelho.

O jogo acabou, o resultado foi o que se conhece, o jantar também terminou, e viémos para a rua. Surpresa: eu, que nem sou pessoa de grandes euforias, nem tampouco ostentava qualquer sinal que me identificasse como luso, comecei a ser espontaneamente felicitado por ingleses pela vitória da selecção nacional. Ouvi vezes sem conta as expressões "nice fight", ou "fair enough".

Insisti então com o meu amigo P., que me acompanhou no jantar, para descermos até à Oura, a fim de verificarmos in loco se aquela educação britânica era um fenómeno da zona em que nos encontrávamos, ou se se tratava de algo generalizado. O P. estava algo receoso, com a memória de acontecimentos recentes ainda fresca, mas eu insisti bastante e lá fomos. Tudo na mesma: adeptos com fair-play, trocas de camisolas, felicitações mútuas.

Fiquei surpreendido, confesso, e aqui faço publicamente a minha assunção de erro: sempre pensei que os adeptos mais ferrenhos fossem uma raça de gente pouco digna desse nome, indivíduos que apenas se deslocam a um cenário de jogo para arranjar conflitos e, se possível, tirar desforço físico da parte contrária. O meu quase nulo conhecimento do meio induzia-me essa ideia. Estava errado, admito; esses, os violentos, são uma minoria que, contudo, gozam de um injusto protagonismo, dada a assiduidade com que se envolvem em problemas - e há-os em todo o lado, não me lixem: procurem lá também nas nossas claques dos dragões amarelos, dos diabos cor de rosa, ou em qualquer outra.

Mas os verdadeiros amantes desse desporto, como de qualquer outro, sabem portar-se com dignidade, ganhem ou percam, e esses merecem admiração incondicional.

2004/06/23

Parábola

Quando somos adolescentes todos os adultos nos parecem extremamente fastidiosos e desfasados da realidade; isto aplica-se principalmente aos avós, que "são uns chatos" que só servem para nos pespegar uns beijos repenicados nas bochechas, deixando, em contrapartida, umas notinhas no nosso dia de aniversário e no Natal. Quão estúpidos somos então!

Há dias, numa fabulosa tira de Calvin & Hobbes, publicada no Público, o pai de Calvin sofria de insónias - quando instado pela esposa a confessar o que o impedia de dormir, disse mais ou menos isto (cito de memória): "quando era pequeno pensava que os adultos sabiam sempre a forma correcta de resolver as situações; pensava que, quando chegássemos à idade adulta, todo esse conhecimento nos surgiria automaticamente - se soubesse que não era assim, não teria tido tanta pressa em ser adulto!" Lindo, não é?

Só quando nos tornamos adultos, e pais, percebemos as dificuldades que todos os nossos progenitores sentiram para nos educar; só então conseguimos avaliar a frustração de não nos conseguirem transmitir os seus ensinamentos, as dúvidas que sentiam naquilo que nos queriam dar e a ansiedade de perceberem que nem sempre estávamos disponíveis - e então sentimos um enorme remorso por não os termos recompensado devidamente desse esforço homérico, e por já ter passado tudo tão depressa.

Quando eu tinha vinte e poucos anos, conheci a primeira morte de um avô: atormentado pela doença, o meu avô Brito deixou-nos, depois de alguns meses de sofrimento. Era um homem grande, em todos os sentidos; foi um dos primeiros carteiros do Barreiro, depois funcionário fabril e, às suas custas, tornou-se num respeitado empresário de razoável sucesso. Nunca o chamei por "avô" - entre nós, chamávamo-nos mutuamente de "amigo", ate à data da sua morte. Eu, que nunca apreciei grandemente futebol, nunca esquecerei os muitos jogos da CUF e do Barreirense - ambas, então, equipas da primeira divisão - a que assisti na sua companhia. Quando eu tinha dezasseis anos, pedi-lhe insistentemente que me oferecesse uma motorizada, como tinham todos os meus amigos. No dia do meu décimo sexto aniversário, ele conduziu-me até á garagem e lá estava, reluzente, a motorizada dos meus sonhos. Mas não durou muito a alegria: passados uns meses enfeixei-me contra um carro, e fiz uma grave fractura exposta do fémur. Já lá vão mais de vinte anos, mas mesmo que viva até aos cem, nunca esquecerei aquela visita do meu "amigo" à clínica: pouco ou nada falou, nem sequer para me criticar (antes o tivesse feito), mas aquele olhar de mágoa e tristeza, e a culpa que ele visivelmente sentia por ter sido o causador indirecto da desgraça, magoaram-me mais que mil punhais.

Passados alguns anos, cerca de nove, morreu a minha avó Luísa, sua esposa. Era uma pessoa diferente: naquela época era comum haver algum apagamento da esposa, em função do marido, algo que nós agora chamaremos machismo, mas que na altura era visto como algo perfeitamente natural. Na altura não eram comuns os infantários, pelo que, num cenário de ambos os pais trabalhadores, eram normalmente os avós quem se encarregava da guarda das crianças. Lembro-me, por isso, das muitas tardes de brincadeira que passei naquele rés-do-chão do Alto do Seixalinho, no Barreiro, dos cabelos brancos que lhe fiz com birras e pedidos improváveis, mas, principalmente, da sua capacidade de resignação e tolerância. Nunca a minha avó Luísa perdeu realmente a paciência comigo, e o amor que me tinha fazia com que estivesse sempre ansiosa pela minha chegada. Dela lembro-me das manhãs na Praia da Manta Rota, em que propositadamente me punha a nadar até fora de pé, apenas para, sadicamente, ver a sua aflição e impotência; por vezes, chegava até a chamar o banheiro de serviço - mas, no regresso do banho, lá estava sempre religiosamente guardada a minha bola de berlim, que ela entretanto havia comprado.

O meu avô Álvaro, avô paterno, morreu um ano depois; deixou-me em testamento um exemplo de coragem e um importante ensinamento de amor. Apaixonado nos anos 30 por uma mulher de outra condição social, numa relação proibida, não hesitou em "raptá-la", fugindo de bicicleta (!) de Messines até Paderne, sete quilómetros pela serra algarvia, para então consumarem o casamento desejado. Poeta repentista, com uma memória prodigiosa, deixou-me gravada a força de vontade e a tenacidade que, mesmo numa pessoa simples como ele era, podem levar a romper barreiras e a aguentar duras provações da vida.

A minha avó Piedade morreu ontem. Lutadora, como o meu avô Álvaro, foi "cúmplice" na supra citada fuga, e também ela me ensinou o poder do amor. Aliás, por amor a mim, neto varão, era capaz de percorrer vários quilómetros desde a sua casa até à da minha avó Luísa, a pé, e o regresso comigo ao colo, apenas para poder ter a minha companhia por alguns momentos. A vida não lhe foi fácil, mas nunca lhe faltou uma palavra de compreensão e carinho, mesmo para com grandes injustiças que contra si foram cometidas. Senhora de uma agilidade invulgar até quase ao fim da vida, era também de uma doçura e simpatia que encantou todos quantos com ela privaram.

Nunca mais lhes poderei pagar a todos o bem que me fizeram, e por isso sinto sinceros remorsos. Todos me fazem já muita falta, mas todos me deixaram muito mais rico, como pessoa. Bem hajam lá no Céu onde estão, e no meu coração, de onde nunca sairão.

2004/06/20

Radar

Frase gira ouvida há uns minutos numa estação de rádio:

"Há duas maneiras de se ser rico: ter mais, ou desejar menos!"

2004/06/17

Que saudades...

Que saudades dos dias de Inverno; da chuva, dos cachecóis, dos restaurantes vazios com empregados simpáticos, das lareiras acesas, muitos livros e revistas, edredões quentinhos, a praia vazia e o mar cinzento...

Que saudades da chuva!

Máxima # 1.855

A facilidade com que se encontra um lugar de estacionamento perto do lugar onde queremos ir é inversamente proporcional à celeridade com que os nossos assuntos vão ser resolvidos nesse local. Concretizando, se arranjarmos um lugar mesmo à porta "daquele" restaurante espectacular, o mais provável é termos acertado no dia de folga semanal - ou, se pararmos o carro junto à empresa onde tínhamos uma reunião importantíssima, é garantido que o nosso interlocutor está muito ocupado e pede para adiarmos essa reunião!

2004/06/14

Quem é que o segura?

Já aqui citei Churchill há uns tempos nesta frase: "Não há nada mais triste do que uma derrota, excepto, talvez, uma vitória". Deve ser mesmo isso que Sócrates, João Soares, Carrilho, e muitos socialistas estão a pensar neste momento.

Obrigado!

O Serra-mãe faz hoje um ano.

2004/06/11

Superavit de dinheiro, deficit de educação

Não deixa de ser curioso verificar que os espaços de estacionamento destinados a deficientes, em qualquer edifício que deles disponha, estão, em 99% dos casos, ocupados pelas viaturas de pessoas sem deficiência motora aparente; mas, se estes indivíduos, que amiúde se fazem transportar em carros topo de gama, se têm por deficientes, quem somos nós para o questionar?

Reflexões

"Foram já as bodas de prata, comemoradas em solidão"
in "Saíu para a rua", letra de Carlos Tê, música e interpretação de Rui Veloso


Este blog aproxima-se do seu primeiro aniversário, que ocorrerá, se Deus quiser, na próxima segunda-feira, dia 14. Comecei esta aventura no boom inicial dos blogs, e tenho-me deixado ficar porque me sinto gratificado ao "despejar" para um computador (quase) tudo o que me vai na alma. Não preciso de ser alinhado, e por isso sempre pautei a minha escrita neste espaço por uma sinceridade e franqueza que quase desconhecia na minha vertente pública.

Muitas coisas, com diferentes importâncias, aconteceram em doze meses na minha vida; mudei de emprego, o meu filho cresceu, o meu Alfa Romeo ficou, finalmente, pronto, voltei às corridas, e, principalmente, muitas pessoas que não conhecia passaram a ler as minhas divagações, e outras, que me conheciam superficialmente, começaram a ver-me com outros olhos - se a impressão causada pela novidade foi positiva ou negativa não me interessa discutir agora.

Vi acabarem blogs que adorava, nascerem muitos de qualidades diversas, mas continuei sempre nesta minha missão, apesar de saber que o Serra-mãe nunca foi (e, com toda a probabilidade, nunca será) um blog de referência.

A média de visitas tem-se mantido sem grandes alterações, mas confesso que algo me preocupa cada vez mais: o número de comentários aos posts que aqui deixo tem vindo a decrescer exponencialmente, o que me leva a crer que as coisas que escrevo têm vindo a esvaziar-se de interesse. Serão, com certeza, fases na vida de uma pessoa, que se reflectem directa ou indirectamente na forma como se escreve, mas não posso esconder que me sinto desiludido e até algo triste com isso. No entanto, continuo a escrever porque gosto, e como sei que tenho pelo menos um leitor garantido (moi même, narcisisticamente), o blog não vai parar, pelo menos para já.

2004/06/10

Portugal-0

Eu, que até me tenho em conta de razoavelmente nacionalista, estou nauseado com a quantidade de bandeiras de Portugal que se vêem por estes dias na nossa rua. Não há varanda, janela, carro ou criancinha que não ostente ou abane pindericamente um pano verde e vermelho. E este súbito ataque de patriotismo dever-se-á ao facto de hoje ser dia de Camões e das comunidades portuguesas? Não, infelizmente não; diz-me quem sabe que toda esta gente anda a comemorar o próximo início de um campeonato desportivo, no qual participará uma equipa portuguesa.

Sei que me chamarão anti-patriótico por isto, mas mal posso esperar para que a nossa equipa seja afastada da referida competição (o que, a manterem-se as estatísticas, deverá acontecer numa fase inicial), para ver se passa esta febre generalizada, e o país volta ao seu normal funcionamento - se o termo "normalidade" se pode aplicar a um povo que olimpicamente ignora a cultura e apenas se sente galvanizado ao ver um conjunto de adultos em calções a correr atrás de uma bola!