É a lei natural da vida; enquanto uns desaparecem, como é o caso do excelente Dicionário do Diabo (ainda que o Pedro Mexia esteja no Fora do Mundo, bem acompanhado, de resto), outros vão chegando - é o caso do Na Peida, blog de amigos, mas que terá que encontrar um pouco mais de conteúdo para os seus statements (se quiserem, claro, que eles são uns irreverentes).
Entretanto, a serra vai a caminho do seu primeiro aninho de vida, daqui a pouco mais de uma semana.
2004/06/05
2004/06/04
É preciso ter lata!
Aqui há uns tempos, cheguei de Londres ao aeroporto de Lisboa; numa atitude, que depois vim a perceber ser temerária, entrei num táxi na praça daquele interface, e pedi ao motorista para me levar à Penha de França, onde tinha deixado o carro em casa de uma amiga. Com um facies revelador da desilusão sofrida, por não lhe ter antes aparecido um incauto inglês a pedir-lhe um serviço para Cascais, o motorista lá cumpriu dolorosamente o trajecto sem um comentário. Mesmo assim, e imbuído da boa disposição que as estadias em Londres sempre me provocam, no fim da viagem ofereci o troco ao cro-magnon, convicto de que estava a cometer uma boa acção, a qual seria devidamente apreciada. Mas não o pensou assim a besta e, ao arrancar, mandou pela janela as moedas que constituiam o aludido troco.
Não é caso único, infelizmente; familiares meus já tiveram contenciosos mais graves com exemplares da fauna, por pedirem 'apenas' um serviço entre a Portela e o Terreiro do Paço.
Foi, por isso, com uma incredulidade indescrítivel, que há uns minutos ouvi na rádio algo como isto: os motoristas de táxi do aeroporto reivindicam o direito a cobrar uma taxa acrescida aos utentes, por considerarem que prestam um serviço com requisitos de qualidade acrescidos.
Está muito calor, o rádio não estava muito alto, e por isso só posso pensar que se tratou de algum delírio ou alucinação auditiva minha. Digam-me que não é verdade, por favor.
Não é caso único, infelizmente; familiares meus já tiveram contenciosos mais graves com exemplares da fauna, por pedirem 'apenas' um serviço entre a Portela e o Terreiro do Paço.
Foi, por isso, com uma incredulidade indescrítivel, que há uns minutos ouvi na rádio algo como isto: os motoristas de táxi do aeroporto reivindicam o direito a cobrar uma taxa acrescida aos utentes, por considerarem que prestam um serviço com requisitos de qualidade acrescidos.
Está muito calor, o rádio não estava muito alto, e por isso só posso pensar que se tratou de algum delírio ou alucinação auditiva minha. Digam-me que não é verdade, por favor.
2004/05/28
Do contra
Volto a bater no ceguinho, mas não posso deixar de me sentir ofendido pelo nacional-histerismo que tomou conta do país, a propósito de um grupo de jogadores que ganharam um importante jogo de futebol.
Mas que diabo é isto? São apenas pessoas como nós que dão uns chutes numa bola. Por que razão hão-de ser todos alcandorados ao estatuto de heróis? Não o serão muito mais os nosso atletas paralímpicos, que voltam ao país carregados de ouro, e que são votados ao mais olímpico desprezo?
Em pleno Algarve, e logo após o fim desse jogo, assisti in loco a uma explosão de alegria que - estou certo - não seria maior se cada um dos celebrantes tivesse sido pai ou mãe naquela altura. Por um bocadinho, toda aquela boa gente esqueceu as misérias que constituem as suas vidas, e festejou uma simples vitória desportiva como se de um triunfo pessoal se tratasse; hoje talvez já tenham voltado às muitas imperiais de fim de tarde, à porrada na mulher, mas naquele instante todos se sentiam vitoriosos - e por um motivo pífio!
Mas que diabo é isto? São apenas pessoas como nós que dão uns chutes numa bola. Por que razão hão-de ser todos alcandorados ao estatuto de heróis? Não o serão muito mais os nosso atletas paralímpicos, que voltam ao país carregados de ouro, e que são votados ao mais olímpico desprezo?
Em pleno Algarve, e logo após o fim desse jogo, assisti in loco a uma explosão de alegria que - estou certo - não seria maior se cada um dos celebrantes tivesse sido pai ou mãe naquela altura. Por um bocadinho, toda aquela boa gente esqueceu as misérias que constituem as suas vidas, e festejou uma simples vitória desportiva como se de um triunfo pessoal se tratasse; hoje talvez já tenham voltado às muitas imperiais de fim de tarde, à porrada na mulher, mas naquele instante todos se sentiam vitoriosos - e por um motivo pífio!
2004/05/24
Adições
Havia já muito tempo que não actualizava a minha colecção de CDs, mas hoje não resisti, e só de uma penada comprei dois álbuns extraordinários: Neil Hannon, usando o habitual alter ego de The Divine Comedy, em "Absent friends", e "You are the quarry", de Morrissey, sem os Smiths mas a soar como em "The Queen is dead".
O oto-verme de hoje é benigno: "Irish blood, english heart".
O oto-verme de hoje é benigno: "Irish blood, english heart".
2004/05/23
Fórmula 1
Quem me conhece minimamente não questionará a minha grande paixão pelos automóveis - mas ficará decerto admirado se eu lhe confessar que há já vários anos que não fico a hora de almoço em casa, a um domingo, para ver um Grande Prémio de Fórmula 1.
Com efeito, a Fórmula 1 moderna tornou-se numa competição monótona e desinteressante, disputada em circuitos assépticos, desenhados por computadores, e com carros carregados de electrónica que bem poderiam ser telecomandados a partir das boxes. Num cenário destes, emerge a razoável perícia para a condução de alguns, mas principalmente a maior ou menor capacidade de um determinado carro - e é por isso que um piloto médio (e um homem indigno desse nome), como Michael Schumacher, consegue facilmente ir coleccionando vitórias em linha, enquanto se vai enterrando bem fundo o interesse da Fórmula 1.
Mas há um Grande Prémio que tento não perder todos os anos: o do Mónaco. Porque é o último de uma linhagem de Grandes Prémios feitos para homens, e não para vedetas que, mal vêem uns pingos de chuva, logo se juntam em associações e piquetes de greve para exigirem condições de segurança. Esquecem-se estas primas donnas que são pagos a peso de ouro para praticar um desporto de risco, e que é esse mesmo risco que nós, espectadores, esperamos que eles corram. De resto, qualquer um deles sabia de antemão as regras do jogo.
Que saudades de homens com "H" grande, como Jackie Stewart, François Cévert, James Hunt, Gilles Villeneuve, Ronnie Peterson, Nigel Mansell, ou o grande Ayrton Senna (e falo apenas de alguns dos que vi correr). Que pena não serem as "meninas" de agora feitas da mesma fibra de Jacques Villeneuve, que se recusou a assinar um pacto de não ataque nas primeiras voltas de um qualquer Grande Prémio, "furando" assim a combinação que todos os outros pilotos haviam cozinhado para nos defraudar, a nós, espectadores.
Há uns anos, assistia eu a uma tourada em Espanha, e um velho aficcionado ao meu lado não se cansava de vaiar o toureiro que, na minha modesta opinião, até não se estava a sair nada mal. Ao fim de algumas vaias, e percebendo tacitamente a minha admiração com tamanho descontentamento, o velho explicou-me: "o toureiro ganha mais por esta faena, do que muitos de nós ganhamos num ano, e o bilhete custa quase uma semana de trabalho a muitas das pessoas que aqui estão; por isso, ele não pode tourear razoavelmente - ele tem que tourear bem!"
Se não, senhores da fórmula 1, dediquem-se ao golf.
Amigos
Tanto esta Ana como esta falaram disto recentemente, e logo senti que é algo que há muito me atormenta também a consciência; na adolescência chamamos "amigos" a qualquer tipo que beba umas bejecas connosco, goste de sair e de falar de miúdas. Mas depois, os nossos caminhos quase sempre divergem; quando, passados uns anos, voltamos a encontrar os nossos "melhores amigos de há uns tempos", não conseguimos evitar pensar: "mas o que é que eu tenho a ver com este gajo?"
Chamem-me snob, egoísta, o que quiserem, mas neste momento contam-se facilmente pelos dedos de uma mão as pessoas com quem sinto que posso falar de qualquer coisa, de qualquer assunto, e que sinta que estão disponíveis para mim - e eu para elas, claro. Quase ninguém quer saber o que eu leio, o que eu oiço, o que eu sinto, mas, em contrapartida, quase toda a gente está sempre disponível para me apresentar a sua perspectiva sobre o último jogo de futebol ou sobre o casamanto dos príncipes espanhóis (bocejo...).
Acho, por isso, que é tempo de criar uma espécie de prateleira nas minhas relações: a daquelas pessoas com quem já passei por muito, mas que encaminharam as suas vidas e as suas prioridades em direcções diferentes das minhas. Pessoas a quem tenho pudor de chamar "amigas", pela carga emocional que o termo comporta, mas das quais não sou capaz de dizer que não o são.
Chamem-me snob, egoísta, o que quiserem, mas neste momento contam-se facilmente pelos dedos de uma mão as pessoas com quem sinto que posso falar de qualquer coisa, de qualquer assunto, e que sinta que estão disponíveis para mim - e eu para elas, claro. Quase ninguém quer saber o que eu leio, o que eu oiço, o que eu sinto, mas, em contrapartida, quase toda a gente está sempre disponível para me apresentar a sua perspectiva sobre o último jogo de futebol ou sobre o casamanto dos príncipes espanhóis (bocejo...).
Acho, por isso, que é tempo de criar uma espécie de prateleira nas minhas relações: a daquelas pessoas com quem já passei por muito, mas que encaminharam as suas vidas e as suas prioridades em direcções diferentes das minhas. Pessoas a quem tenho pudor de chamar "amigas", pela carga emocional que o termo comporta, mas das quais não sou capaz de dizer que não o são.
2004/05/19
2004/05/16
Perversão
Ninguém me tira da cabeça que, algures num submundo desconhecido do mortal comum, existe uma universidade para mulheres a dias; e, a confirmar-se tal suspeita, estou certo de que a cadeira nuclear que acompanha todo o curso será algo do tipo "como trocar, da forma mais ilógica e irracional possível, o lugar de tudo (tudo mesmo!) numa casa".
2004/05/15
Truque baixo
Inspirado pelo Senhor Carne, vou agora testar uma forma desesperada de incrementar as visitas deste blog drasticamente. Diz ele que os mais mórbidos internautas acorreram ontem massivamente ao seu blog para ver o video do americano Nick Berg a ser degolado, decapitado, ou lá o que quiserem; aqui - como lá - não há video nenhum, claro, mas vamos lá experimentar a ingenuidade do Google.
Mais notícias dentro de momentos.
Mais notícias dentro de momentos.
2004/05/12
Oto-vermes #2
A música que me anda a bailar hoje na cabeça é:
"Hit the road, Jack, and don´t you come back no more, no more, no more, no more..."
Hoje é que vou ver o "Kill Bill II"!
"Hit the road, Jack, and don´t you come back no more, no more, no more, no more..."
Hoje é que vou ver o "Kill Bill II"!
2004/05/10
Cinema português
A semana passada, em trabalho no Algarve (constatação a propos: o Algarve afinal é bem agradável, desde que seja fora da época balnear, e de preferência com tempo fresco), resolvi ir ao cinema. Depois de aturada pesquisa, decidi ver "Maria e as outras", esperançoso num bom pedaço de cinema nacional.
Não vou tecer considerações sobre o filme para não ferir susceptibilidades, já que o argumento é do meu blogo-colega Possidónio Cachapa (nada de pessoal...), e uma das participações principais fica a cargo da minha vizinha Ana Brito e Cunha (não sei se lês estas coisas, Ana, mas não desanimes). Mas ainda não consegui esquecer que deixei de ver "Kill Bill II" para ir ver aquilo!
Não vou tecer considerações sobre o filme para não ferir susceptibilidades, já que o argumento é do meu blogo-colega Possidónio Cachapa (nada de pessoal...), e uma das participações principais fica a cargo da minha vizinha Ana Brito e Cunha (não sei se lês estas coisas, Ana, mas não desanimes). Mas ainda não consegui esquecer que deixei de ver "Kill Bill II" para ir ver aquilo!
2004/05/09
A ordem natural das coisas
Agora, finalmente, a blogosfera parece entrar em velocidade de cruzeiro; depois do boom inicial, em que ter um blog era quase tão banal como ter endereço de e-mail, a triagem natural começa a fazer os seus efeitos. É, pois, com bastante pena que vejo partir o "Desejo Casar", e ainda com maior mágoa que me despeço da "Xobineski", mas é com alegria que dou as boas vindas a um blog que promete bastante: "Fora do Mundo".
A lista de links aqui ao lado já foi (novamente) actualizada.
A lista de links aqui ao lado já foi (novamente) actualizada.
Vozes na minha cabeça
Nunca vos aconteceu acordarem de manhã com uma música na cabeça, e ela acompanhar-vos durante todo o dia, mesmo que não queiram? Há uns dias atrás, o meu hemisfério pimba decidiu pregar-me uma partida, e passei boa parte de uma longa viagem a cantarolar, involuntariamente, "coisinha sexy, coisinha sexy, lalala (não sei o resto)".
Hoje a coisa melhorou um pouco em termos de qualidade musical; o estribilho que não me tem saído da cabeça desde que acordei é "I'd never thought you'd be a junkie because heroin is so passé...".
Hoje a coisa melhorou um pouco em termos de qualidade musical; o estribilho que não me tem saído da cabeça desde que acordei é "I'd never thought you'd be a junkie because heroin is so passé...".
2004/05/08
Analfabeto, iliterado?
O jornal "Público" tem trazido todos os dias um pequeno questionário a figuras públicas, nas páginas desportivas, pedindo-lhes a sua opinião sobre qual a equipa ideal para representar o nosso país no próximo campeonato europeu de futebol. As personagens instadas a comentar provêm das mais diversas origens sociais, desde a cultura à política, mas todas, todas, têm uma coisa em comum: até agora não li nenhuma resposta em que o visado não fosse capaz de criar facilmente um "onze" de elite e, mais ainda, sustentar devidamente a sua escolha com uma série de insuspeitos conhecimentos técnicos - até o brincalhão Rui Zink resistiu à tentação de fazer humor fácil, e preferiu alinhavar a sua selecção de sonho.
Isto vem-me colocar um problema terrível: tanto quanto vejo, sou o único português que não tem opinião formada sobre a selecção que nos irá representar. Se me colocassem a aparentemente simples questão de enunciar onze jogadores para a compôr, eu precisaria de umas horas para me lembrar de onze nomes (e sem garantias de sucesso na missão), e de mais uns dias para me informar sobre a posição em que jogam - e nunca seriam os onze melhores jogadores lusos, mas apenas os primeiros onze nomes de pontapeadores que me surgissem aleatoriamente na cabeça, paridos com mais esforço do que um poema da Papoila. Será que não estou a ser suficientemente patriota?
Isto vem-me colocar um problema terrível: tanto quanto vejo, sou o único português que não tem opinião formada sobre a selecção que nos irá representar. Se me colocassem a aparentemente simples questão de enunciar onze jogadores para a compôr, eu precisaria de umas horas para me lembrar de onze nomes (e sem garantias de sucesso na missão), e de mais uns dias para me informar sobre a posição em que jogam - e nunca seriam os onze melhores jogadores lusos, mas apenas os primeiros onze nomes de pontapeadores que me surgissem aleatoriamente na cabeça, paridos com mais esforço do que um poema da Papoila. Será que não estou a ser suficientemente patriota?
2004/05/07
Bicicletas
O meu calamitoso estado físico assim mo pedia, e há uns dias acabei por me decidir: comprei uma bicicleta - uma daquelas de BTT, com suspensões e toda uma série de gadgets cuja utilidade ainda não descortinei com clareza. Não foi barata, mas mesmo assim o seu preço ficou a anos-luz do que já vi praticar no mercado.
Mas não me fiquei pela bike (nota-se muito que já ando a ler umas revistas sobre o assunto?); comprei também um capacete e umas luvas apropriadas, bem como uns estofadinhos calções para melhorar o conforto de utilização.
Estou preparado para uns quilómetros de todo-o-terreno (desta vez sem barulho), mas eis que uma crucial dúvida se me depara: como em muitos outros aspectos da vida, aqui também há elites. Diz-me quem anda nisto há já uns anos que a minha bicla é uma "bicicleta de cromo", presumo que por não ter custado uma quantia com quatro algarismos, ou por não ser um modelo taylor made - quadro desta marca, suspensões daquela, travões daqueloutra, numa miscelânea qua acrescenta profissionalismo e conhecimento a quem a ostenta. Ignomínia maior, até o capacete deve obedecer a alguns cânones específicos, entre os quais a segurança é ofuscada pela griffe - e o meu é um modelo que me pareceu simpático, mas cuja marca não consta nos compêndios da coisa.
Consulto as revistas, e confirmo o que oiço: os "verdadeiros" ciclistas, ou "bêtêtistas", insurgem-se contra os "cromos" que, com "bicicletas de hipermercado", cometem a suprema afronta de se imiscuir nos seus passeios campestres, chegando até a sugerir que este tipo de equipamento não deveria estar ao alcance de um comum mortal.
Resta-me apenas a hipótese de passear sozinho, para não deixar ficar mal ninguém; mas antes de ficar convencido, ainda arrisco perguntar: "e nessas corridas que existem um pouco por todo o país, ganham sempre aqueles que usam bicicletas de mil contos e mais?". "Não", respondem-me, "muitas vezes os mais rápidos até são os que usam os chaços ("bicicletas de hipermercado", para os distraídos)". Pois...
2004/05/06
Parabéns!
Não sou grande apreciador da personagem, mas tenho que admitir grande talento a José Pacheco Pereira; pena que nem sempre o aplique correctamente, entrando demasiadas vezes em litígio com o seu próprio partido que, contrariamente ao que o próprio pensa, é de centro e integra uma coligação de centro-direita.
Mas, picardias à parte, não há grande hipótese de contornar o Abrupto para qualquer pessoa que se aventure na blogosfera nacional; entre os muitos projectos, de qualidades díspares, que surgiram neste último ano, contam-se facilmente os que tiveram a tenacidade de persistir, mesmo depois de os blogs deixarem de ser uma moda. Mais que não seja por esse perseverança, mas também pelos belos textos que, de quando em vez, nos oferece, não quero deixar de me juntar aos que desejaram hoje um feliz primeiro aniversário ao Abrupto.
Mas, picardias à parte, não há grande hipótese de contornar o Abrupto para qualquer pessoa que se aventure na blogosfera nacional; entre os muitos projectos, de qualidades díspares, que surgiram neste último ano, contam-se facilmente os que tiveram a tenacidade de persistir, mesmo depois de os blogs deixarem de ser uma moda. Mais que não seja por esse perseverança, mas também pelos belos textos que, de quando em vez, nos oferece, não quero deixar de me juntar aos que desejaram hoje um feliz primeiro aniversário ao Abrupto.
2004/05/05
Alerta laranja
A semana passada saíu "Querido Diário", de Nanni Moretti, na colecção Y do "Público"; ontem, na bomba de gasolina, vi um rapaz com uma Vespa 150 sprint de 1970, ou coisa que o valha, imaculada; hoje, "por acaso", veio parar às minhas mãos o número de telefone de um fulano de Braga que tem uma coisa destas para vender, de 1971 - com dois selins separados, e tudo!
Que significado terá esta sucessão de acontecimentos? Andará Deus a querer dizer-me algo?
Culpas repartidas
Está bem, pronto, admito! Ando a postar pouco, eu sei, e já tenho ouvido várias queixas por isso - mas também não é menos verdade que vocês se andam a esquecer de escrever um comentariozito de vez em quando, não é?
2004/05/03
Thank you, this is hard...
Quando vi o filme já tinha ficado com essa impressão (acho que até a comentei aqui), mas agora a coisa confirma-se oficialmente:
Comprei na semana passada o CD com a banda sonora de "Lost in translation", e é, simplesmente, o melhor conjunto de músicas no mesmo filme que eu me lembro de já ter ouvido; e, la cérise sur le gateâu, apesar de não figurar no índice, lá se encontra escondida a fantástica versão de "More than this", dos Roxy Music, cantada em karaoke por Bill Murray - procurem por alturas dos 11 minutos da faixa 15, e depois digam qualquer coisa.
Comprei na semana passada o CD com a banda sonora de "Lost in translation", e é, simplesmente, o melhor conjunto de músicas no mesmo filme que eu me lembro de já ter ouvido; e, la cérise sur le gateâu, apesar de não figurar no índice, lá se encontra escondida a fantástica versão de "More than this", dos Roxy Music, cantada em karaoke por Bill Murray - procurem por alturas dos 11 minutos da faixa 15, e depois digam qualquer coisa.
2004/05/02
Futebol
Há uns minutos, quando bebia café com o meu amigo H., moderado adepto sportinguista, ele confessava-me a sua tristeza por um grupo de fanáticos, descontentes provavelmente com o resultado - ou com as próprias vidas, sabe-se lá! - terem invadido o campo no fim de um jogo. Com franqueza lhe respondi que, apesar de desconhecer o relatado, em nada me admirava. Há já muito tempo que me faz confusão a banalidade com que se referem as claques futebolísticas, como se de grupos de escuteiros se tratassem, quando no fundo não passam de gangs de pessoas com graves deficiências ao nível da sua formação cultural, cívica e, principalmente, moral - em suma, bandos de energúmenos com estatuto legal.
As claques, tal como se apresentam hoje em dia, são apenas formas de oficializar actividades marginais e delinquentes, dando-lhes uma conveniente capa de sadias manifestações de apoio ao desporto - no entanto, os seus relacionamentos com os clubes apenas me fazem lembrar situações como o Sinn Fein ou o Herri Batasuna; em ambos os casos se tenta branquear uma actividade objectivamente criminosa através de ligações dúbias. Mas há quem prefira ver "o fato novo do rei", e não que algo de podre se passa aqui.
P.S.: Ainda no tema futebol, e apesar de, como todos já devem saber, não ser grande apreciador, não quero deixar de lavrar aqui a minha satisfação pela subida do Vitória de Setúbal à liga especial ou lá como é que se chama (no meu tempo dizia-se primeira divisão, mas agora, sempre que uso essa expressão, "cai-me" logo alguém em cima a dizer que "já não se diz assim!").
As claques, tal como se apresentam hoje em dia, são apenas formas de oficializar actividades marginais e delinquentes, dando-lhes uma conveniente capa de sadias manifestações de apoio ao desporto - no entanto, os seus relacionamentos com os clubes apenas me fazem lembrar situações como o Sinn Fein ou o Herri Batasuna; em ambos os casos se tenta branquear uma actividade objectivamente criminosa através de ligações dúbias. Mas há quem prefira ver "o fato novo do rei", e não que algo de podre se passa aqui.
P.S.: Ainda no tema futebol, e apesar de, como todos já devem saber, não ser grande apreciador, não quero deixar de lavrar aqui a minha satisfação pela subida do Vitória de Setúbal à liga especial ou lá como é que se chama (no meu tempo dizia-se primeira divisão, mas agora, sempre que uso essa expressão, "cai-me" logo alguém em cima a dizer que "já não se diz assim!").
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