2004/05/15

Truque baixo

Inspirado pelo Senhor Carne, vou agora testar uma forma desesperada de incrementar as visitas deste blog drasticamente. Diz ele que os mais mórbidos internautas acorreram ontem massivamente ao seu blog para ver o video do americano Nick Berg a ser degolado, decapitado, ou lá o que quiserem; aqui - como - não há video nenhum, claro, mas vamos lá experimentar a ingenuidade do Google.

Mais notícias dentro de momentos.

2004/05/12

Oto-vermes #2

A música que me anda a bailar hoje na cabeça é:

"Hit the road, Jack, and don´t you come back no more, no more, no more, no more..."

Hoje é que vou ver o "Kill Bill II"!

2004/05/10

Cinema português

A semana passada, em trabalho no Algarve (constatação a propos: o Algarve afinal é bem agradável, desde que seja fora da época balnear, e de preferência com tempo fresco), resolvi ir ao cinema. Depois de aturada pesquisa, decidi ver "Maria e as outras", esperançoso num bom pedaço de cinema nacional.

Não vou tecer considerações sobre o filme para não ferir susceptibilidades, já que o argumento é do meu blogo-colega Possidónio Cachapa (nada de pessoal...), e uma das participações principais fica a cargo da minha vizinha Ana Brito e Cunha (não sei se lês estas coisas, Ana, mas não desanimes). Mas ainda não consegui esquecer que deixei de ver "Kill Bill II" para ir ver aquilo!

2004/05/09

A ordem natural das coisas

Agora, finalmente, a blogosfera parece entrar em velocidade de cruzeiro; depois do boom inicial, em que ter um blog era quase tão banal como ter endereço de e-mail, a triagem natural começa a fazer os seus efeitos. É, pois, com bastante pena que vejo partir o "Desejo Casar", e ainda com maior mágoa que me despeço da "Xobineski", mas é com alegria que dou as boas vindas a um blog que promete bastante: "Fora do Mundo".

A lista de links aqui ao lado já foi (novamente) actualizada.

Vozes na minha cabeça

Nunca vos aconteceu acordarem de manhã com uma música na cabeça, e ela acompanhar-vos durante todo o dia, mesmo que não queiram? Há uns dias atrás, o meu hemisfério pimba decidiu pregar-me uma partida, e passei boa parte de uma longa viagem a cantarolar, involuntariamente, "coisinha sexy, coisinha sexy, lalala (não sei o resto)".

Hoje a coisa melhorou um pouco em termos de qualidade musical; o estribilho que não me tem saído da cabeça desde que acordei é "I'd never thought you'd be a junkie because heroin is so passé...".

2004/05/08

Analfabeto, iliterado?

O jornal "Público" tem trazido todos os dias um pequeno questionário a figuras públicas, nas páginas desportivas, pedindo-lhes a sua opinião sobre qual a equipa ideal para representar o nosso país no próximo campeonato europeu de futebol. As personagens instadas a comentar provêm das mais diversas origens sociais, desde a cultura à política, mas todas, todas, têm uma coisa em comum: até agora não li nenhuma resposta em que o visado não fosse capaz de criar facilmente um "onze" de elite e, mais ainda, sustentar devidamente a sua escolha com uma série de insuspeitos conhecimentos técnicos - até o brincalhão Rui Zink resistiu à tentação de fazer humor fácil, e preferiu alinhavar a sua selecção de sonho.

Isto vem-me colocar um problema terrível: tanto quanto vejo, sou o único português que não tem opinião formada sobre a selecção que nos irá representar. Se me colocassem a aparentemente simples questão de enunciar onze jogadores para a compôr, eu precisaria de umas horas para me lembrar de onze nomes (e sem garantias de sucesso na missão), e de mais uns dias para me informar sobre a posição em que jogam - e nunca seriam os onze melhores jogadores lusos, mas apenas os primeiros onze nomes de pontapeadores que me surgissem aleatoriamente na cabeça, paridos com mais esforço do que um poema da Papoila. Será que não estou a ser suficientemente patriota?

2004/05/07

Bicicletas


O meu calamitoso estado físico assim mo pedia, e há uns dias acabei por me decidir: comprei uma bicicleta - uma daquelas de BTT, com suspensões e toda uma série de gadgets cuja utilidade ainda não descortinei com clareza. Não foi barata, mas mesmo assim o seu preço ficou a anos-luz do que já vi praticar no mercado.

Mas não me fiquei pela bike (nota-se muito que já ando a ler umas revistas sobre o assunto?); comprei também um capacete e umas luvas apropriadas, bem como uns estofadinhos calções para melhorar o conforto de utilização.

Estou preparado para uns quilómetros de todo-o-terreno (desta vez sem barulho), mas eis que uma crucial dúvida se me depara: como em muitos outros aspectos da vida, aqui também há elites. Diz-me quem anda nisto há já uns anos que a minha bicla é uma "bicicleta de cromo", presumo que por não ter custado uma quantia com quatro algarismos, ou por não ser um modelo taylor made - quadro desta marca, suspensões daquela, travões daqueloutra, numa miscelânea qua acrescenta profissionalismo e conhecimento a quem a ostenta. Ignomínia maior, até o capacete deve obedecer a alguns cânones específicos, entre os quais a segurança é ofuscada pela griffe - e o meu é um modelo que me pareceu simpático, mas cuja marca não consta nos compêndios da coisa.

Consulto as revistas, e confirmo o que oiço: os "verdadeiros" ciclistas, ou "bêtêtistas", insurgem-se contra os "cromos" que, com "bicicletas de hipermercado", cometem a suprema afronta de se imiscuir nos seus passeios campestres, chegando até a sugerir que este tipo de equipamento não deveria estar ao alcance de um comum mortal.

Resta-me apenas a hipótese de passear sozinho, para não deixar ficar mal ninguém; mas antes de ficar convencido, ainda arrisco perguntar: "e nessas corridas que existem um pouco por todo o país, ganham sempre aqueles que usam bicicletas de mil contos e mais?". "Não", respondem-me, "muitas vezes os mais rápidos até são os que usam os chaços ("bicicletas de hipermercado", para os distraídos)". Pois...

2004/05/06

Parabéns!

Não sou grande apreciador da personagem, mas tenho que admitir grande talento a José Pacheco Pereira; pena que nem sempre o aplique correctamente, entrando demasiadas vezes em litígio com o seu próprio partido que, contrariamente ao que o próprio pensa, é de centro e integra uma coligação de centro-direita.

Mas, picardias à parte, não há grande hipótese de contornar o Abrupto para qualquer pessoa que se aventure na blogosfera nacional; entre os muitos projectos, de qualidades díspares, que surgiram neste último ano, contam-se facilmente os que tiveram a tenacidade de persistir, mesmo depois de os blogs deixarem de ser uma moda. Mais que não seja por esse perseverança, mas também pelos belos textos que, de quando em vez, nos oferece, não quero deixar de me juntar aos que desejaram hoje um feliz primeiro aniversário ao Abrupto.

2004/05/05

Alerta laranja


A semana passada saíu "Querido Diário", de Nanni Moretti, na colecção Y do "Público"; ontem, na bomba de gasolina, vi um rapaz com uma Vespa 150 sprint de 1970, ou coisa que o valha, imaculada; hoje, "por acaso", veio parar às minhas mãos o número de telefone de um fulano de Braga que tem uma coisa destas para vender, de 1971 - com dois selins separados, e tudo!

Que significado terá esta sucessão de acontecimentos? Andará Deus a querer dizer-me algo?

Culpas repartidas

Está bem, pronto, admito! Ando a postar pouco, eu sei, e já tenho ouvido várias queixas por isso - mas também não é menos verdade que vocês se andam a esquecer de escrever um comentariozito de vez em quando, não é?

2004/05/03

Thank you, this is hard...

Quando vi o filme já tinha ficado com essa impressão (acho que até a comentei aqui), mas agora a coisa confirma-se oficialmente:

Comprei na semana passada o CD com a banda sonora de "Lost in translation", e é, simplesmente, o melhor conjunto de músicas no mesmo filme que eu me lembro de já ter ouvido; e, la cérise sur le gateâu, apesar de não figurar no índice, lá se encontra escondida a fantástica versão de "More than this", dos Roxy Music, cantada em karaoke por Bill Murray - procurem por alturas dos 11 minutos da faixa 15, e depois digam qualquer coisa.

2004/05/02

Futebol

Há uns minutos, quando bebia café com o meu amigo H., moderado adepto sportinguista, ele confessava-me a sua tristeza por um grupo de fanáticos, descontentes provavelmente com o resultado - ou com as próprias vidas, sabe-se lá! - terem invadido o campo no fim de um jogo. Com franqueza lhe respondi que, apesar de desconhecer o relatado, em nada me admirava. Há já muito tempo que me faz confusão a banalidade com que se referem as claques futebolísticas, como se de grupos de escuteiros se tratassem, quando no fundo não passam de gangs de pessoas com graves deficiências ao nível da sua formação cultural, cívica e, principalmente, moral - em suma, bandos de energúmenos com estatuto legal.

As claques, tal como se apresentam hoje em dia, são apenas formas de oficializar actividades marginais e delinquentes, dando-lhes uma conveniente capa de sadias manifestações de apoio ao desporto - no entanto, os seus relacionamentos com os clubes apenas me fazem lembrar situações como o Sinn Fein ou o Herri Batasuna; em ambos os casos se tenta branquear uma actividade objectivamente criminosa através de ligações dúbias. Mas há quem prefira ver "o fato novo do rei", e não que algo de podre se passa aqui.

P.S.: Ainda no tema futebol, e apesar de, como todos já devem saber, não ser grande apreciador, não quero deixar de lavrar aqui a minha satisfação pela subida do Vitória de Setúbal à liga especial ou lá como é que se chama (no meu tempo dizia-se primeira divisão, mas agora, sempre que uso essa expressão, "cai-me" logo alguém em cima a dizer que "já não se diz assim!").

2004/04/29

Máxima #811

Mostrem-me um funcionário público, de atendimento, bem disposto e amável, e eu mostrar-vos-ei um marciano genuíno!

(Escrito depois de um ligeiro quid pro quo, esta manhã, numa repartição pública algures no Algarve)

2004/04/28

"The Face"

Se há revistas que ajudaram a construir a minha personalidade, a "The Face" é seguramente uma delas. A iconoclastia dos conteúdos, o design desconcertante da paginação, e a magia das imagens faziam dela uma revista de culto. Nem consigo contar a quantidade de livros, filmes e, principalmente, música, que fiquei a conhecer nas suas páginas. Em determinada altura da minha vida, era tão addicted que chegava a ir de propósito a Lisboa, à Valentim de Carvalho do C.C.B. (uma das minhas lojas fétiche), para ver se já havia chegado uma nova edição.

Ultimamente, porém, por diversas razões - entre as quais não é despicienda a minha opção por morar num meio relativamente rural - a compra da revista tornou-se irregular; como eu, possivelmente, muitos outros antigos admiradores resolveram espaçar mais a sua aquisição. É, por isso, com uma ponta de remorso, que leio agora que a "The Face" vai terminar a sua publicação devido ao decréscimo das vendas. E, nas entrelinhas, calculo que vão surgir mais duas ou três "publicações cor-de-rosa", de venda mais que assegurada - lá como cá!

2004/04/23

Dez mil!

A pouco e pouco este blog aproxima-se dos dez mil fregueses; não é um número que possa fazer inveja a outros blogs, mas são os fregueses que me interessa ter - sempre se disse que quantidade não significa necessariamente qualidade (a raposa também dizia "estão verdes, não prestam", mas adiante).

Também me conforta de alguma forma o facto do sitemeter apenas contabilizar uma visita de cada vez, independentemente do número de pageviews - se tivesse outro dos sistemas de contagem utilizados na blogosfera, já ia em mais de cinquenta mil visitas, que é o número de pageviews que efectivamente tenho.

Bom, mas serve esta lenga lenga toda para vos agradecer, e desde já prometer um prémio ao(à) décimo(a) milésimo(a) freguês(a), desde que ele(a) se identifique como tal. Atenção que, quando entrar a pessoa número dez mil, o sitemeter apenas marcará 9.999; para que passe efectivamente para os 10.000, é necessário que o leitor faça refresh no seu browser um ou dois minutos depois de entrar. Entretanto, aceito aqui em baixo sugestões (sérias) de prémios.

Sexta-feira

A knife, a fork, a bottle and a cork, that's the way we spell New York!

Podem-se sentir saudades de um lugar onde nunca se esteve?

2004/04/20

Máxima #361

Por princípio, parece-me difícil confiar numa pessoa que aprecia genuinamente reuniões de condomínio!

2004/04/19

Blârgh...

Podem-me dizer o que quiserem, mas duvido que exista ao cimo da terra uma figura mais irritante do que José Carlos Malato.

2004/04/18

-dependente

Adoro a sensação de, em cada fim de ano, abrir as argolas do livrinho, tirar aquele monte de folhas escritas a preto, azul, vermelho, verde fluorescente e sei lá o quê mais, e colocar uma nova recarga, virgenzinha da Silva, pronta a aturar mais um ano de rabiscos. O Filofax é um prolongamento natural da minha personalidade, e sem ele sinto-me perdido.

Mas este ano atrasei-me, e a verdade é que já não fui a tempo de comprar o meu planning anual para 2004 em nenhum dos lugares do costume - todos dizem que já acabou e que não há reposições. E eu sinto-me como se me fizesse falta algo de essencial - esqueço-me de aniversários, de pagar contas (por aqui não há grandes problemas), e de um milhão de coisinhas que são supostas constituirem o meu dia a dia.

Alguém sabe onde poderei ainda comprar a agenda para 2004, mesmo que seja daquelas imitações baratas da Âmbar?

2004/04/17

Post tardio

A quem não foi ver os Tindersticks há bocado, só posso dizer uma coisa: três encores - três! E se dependesse apenas da vontade do público, ainda estávamos todos no Coliseu, hipnotizados.

Eu não vos disse?