2004/04/05

Imperdível


Stuart Staples e os Tindersticks voltam a Lisboa no dia 16 deste mês; se me quiserem ver nesse dia, vão ao Coliseu (espero eu).

Respostas

Nos filmes, e até nos livros, toda a gente parece ter sempre a resposta ideal "na ponta da língua", seja qual for a interpelação a que se é sujeito.

Mas, na "vida real", quase sempre ficamos com a sensação de que devíamos ter respondido doutra forma. Normalmente a resposta ideal para determinada abordagem surge-nos alguns minutos - ou às vezes alguns dias, ou até anos - depois da altura em que fazia falta.

Quantas vezes não pensamos "bolas; devia-lhe era ter dito isto e aquilo" - e o "isto e aquilo" tanto pode ser uma refilice qualquer, como uma palavra boa que, na precipitação do momento, não nos surgiu. Ou será que isto só se passa comigo?

2004/04/04

Divagação

Contrariamente ao que diz a sabedoria popular, a mim parece-me que é possível que a água passe duas vezes por baixo da mesma ponte - ainda que a probabilidade de tal acontecer seja ínfima!

2004/04/03

Primeiro de Abril aprés la lettre

Ainda bem que acabei por não colocar aqui nenhuma mentirinha de primeiro de Abril; é que a aldrabice que eu tinha engendrada era anunciar o fim definitivo deste blog - eu, e metade da blogosfera, pelos vistos!

2004/04/01

Inseguranças

Por vezes há coisas assim: a solidão de um quarto de hotel torna-se difícil de suportar, e nada melhor que uma leitura para ajudar a passar as horas mortas longe de tudo (sim, já sei que há quem ache que há coisas melhores para fazer num quarto de hotel, mas este é um blog sério).

Numas breves incursões pela Bertrand lá do sítio, já por diversas vezes a minha atenção tinha ficado presa num volume azul, de capa muito do tipo easy reading, intitulado "Pai ao Domingo", e assinado por Claire Calman, uma ilustre inglesa desconhecida - pelo menos para mim. Já tinha lido até a badana do calhamaço, mas algo de púdico impedia-me sempre de o comprar; medo de ser "qualquer-coisa-do-tipo-Margarida-Rebelo-Pinto".

Mas ontem, num acesso de coragem, li as primeiras páginas ainda na livraria, e comprei o volume; em boa hora o fiz, pois só na primeira noite cheguei à página 122. Afinal a escrita está muito mais perto desta nova geração de escritores ingleses - como Nick Hornby ou Martin Amis - e a história... Bem, a história é simplesmente fascinante, sendo deliciosamente divertida ao mesmo tempo. Não vou adiantar grande coisa sobre o enredo, mas penso que não estragarei o prazer de quem vier a ler o livro posteriormente à leitura deste post, se revelar que o tema subjacente a toda a narrativa (pelo menos até onde li), tem a ver com inseguranças - mais concretamente, a insegurança que nós, adultos, sentimos face a tudo o que nos rodeia; a forma como, de repente, e sem aviso prévio, nos tornámos "crescidos", e nos é pedido e esperado que nos portemos como "crescidos".

E, no entanto, continuamos a sentir-nos crianças inseguras, apenas com a diferença de que já não temos quem olhe por nós; olhamos ao espelho e não notamos grandes diferenças entre a pessoa que somos e aquela que costumava arranjar-se para ir à discoteca, ou às festas de garagem.

Fomos nós que mudámos, ou foi o mundo que andou demasiado depressa?

Nota: Ainda sobre este tópico, se bem que abordado de forma diferente, não deixem também de ler um excelente artigo de Pedro Boucherie Mendes publicado na revista "Maxmen" deste mês.

2004/03/31

Neura

Sozinho desde domingo na Praia da Rocha, trabalho a correr mal, colaboradores insubordinados, ingleses bêbedos que batem as portas do hotel a noite toda, tristezas, ansiedades, chatices e, ainda por cima, más notícias lá de cima.

Bolas!

2004/03/29

Non sense

- Estás a ver, Lourenço, a Patrícia tem um Mini.
- E eu tenho um Mickey!

(este puto é um espectáculo)

2004/03/28

O que diria Freud disto?

Uma das minhas infantilidades preferidas consiste em imaginar momentos especiais que eu gostaria que acontecessem, e saboreá-los antecipadamente, sejam eles mais ou menos utópicos. Um dos mais recorrentes desses momentos é aquele em que eu soube há pouco que tinha ganho sozinho o Totoloto (ou que me tinha falecido uma tia americana rica, não interessa), e ligo para a sede da empresa numa segunda-feira, a meio da tarde:

"Estou, doutor? Sabe, nem sei como lhe hei-de dizer isto, mas lembra-se daqueles relatórios urgentes que me pediu para lhe enviar sem falta esta manhã? Pois, esses mesmo. Pois, o que se passa é que..."

Em vez disso, daqui a alguns minutos vou fechar o computador, comer qualquer coisa rápida (estou em dieta, lembram-se?), meter-me no carro e fazer quase 300 quilómetros, para amanhã às nove horas comparecer a uma reunião.

Poesia minimalista

E agora, já que outros não se decidem, vou escrever o mais depurado poema da blogosfera (e vou escrevê-lo porque posso, claro):

Tu!

O problema deste poema é que não lhe posso pôr um título, pois qualquer um que eu escolhesse seria sempre maior do que o próprio poema.

Listas


O Fernando tem andado a intercalar na sua escrita posts com o título genérico "12 discos da minha vida", normalmente seguido de um ordinal e do título de um álbum. Num divertidíssimo livro que li há pouco, "Alta fidelidade", de Nick Hornby, o protagonista, um fulano imaturo chamado Rob Flemming, passa toda a narrativa a fazer listas das "cinco-mais-quaisquer-coisas" da sua vida - aliás, o romance começa logo por nos apresentar "as minhas (dele) cinco namoradas mais memoráveis de todos os tempos", e segue com os melhores álbuns, as melhores músicas de soul, as melhores indies, etc., etc.

A ideia é tentadora, e acho que todos temos uma certa tendência para classificar de alguma forma, numa escala qualitativa, tudo aquilo com que contactamos de uma forma ou de outra nas nossas vidas; mas, por outro lado, existe sempre o risco de, ao elaborarmos essas listas, esquecermos algo ou alguém que merecia integrá-la (e Rob Flemming vivia deliciosamente atormentado com isso).

Mas, malgré tout, e voltando à interessante ideia do Fernando, leio a certa altura, a respeito do genial "Achtung Baby", dos U2, qualquer coisa como: "é um disco que se ouve do princípio ao fim, sem sentirmos a necessidade de saltar músicas". Isto fez-me tocar uma campainha cá dentro - a mim, que sou um compulsivo saltador de músicas, para grande irritação da Lu - e levou-me a pensar: existirão discos que eu consiga ouvir do princípio ao fim, sem sentir a tentação de avançar uma faixa?

Pensei, pensei, e mesmo correndo o risco acima aludido de me esquecer de algum, descobri que existem até muitos: para além do bem citado "Achtung Baby", também "The unforgettable fire" dos U2, inevitavelmente "London calling" dos The Clash, "Dog man star" dos Suede, "Knife" dos Aztec Camera, "Fold your hands child you walk like a peasant" dos Belle & Sebastian, qualquer um dos Portishead e, claro, "Out of season" de Beth Gibbons.

E existem, de certeza, muitos outros de que não me lembro agora; é a injustiça de se fazerem listas, estão a ver?

Nota: Já agora, gostava de saber a vossa opinião a este respeito; se tiver adesão, vou pensar em fazer regularmente uns questionários "cinco +", à Rob Flemming. Para já digam-me lá quais são, em vossa opinião, os cinco álbuns que se conseguem ouvir do princípio ao fim sem interrupções ou quebras de qualidade.

W.C.

Existe, desde há muito tempo, uma dúvida existencial que me atormenta o espírito - e, tanto quanto penso, esse mistério é extensivo a todos os seres do género masculino que conheço. É por isso, meninas, que aproveitando o relativo anonimato que estas coisas proporcionam, vos peço encarecidamente que me esclareçam sobre o seguinte:

Porque é que as mulheres vão sempre acompanhadas à casa de banho em lugares públicos? O que é que se passa, do que é que falam, nessas obscuras reuniões?

Eu, e mais alguns milhões de homens, agradecemos penhoradamente todas as respostas.

2004/03/26

Y olé!


Amanhã vou novamente aos toiros, a Almendralejo, ver o Jesúlin de Ubrique que já não vejo tourear desde o seu acidente de há uns anos. E, para poupar trabalho aos "politicamente correctos" da blogosfera, informo desde já que apenas considerarei a hipótese de polemizar - e não muito, por manifesta falta de pachorra - com vegetarianos comprovados, isto por uma questão de coerência.

2004/03/25

Cinema

Estou a ver que não posso confiar na blogosfera em assuntos cinéfilos; anda aí toda a gente a fazer a apologia de "Lost in translation" (uma ideia boa, mas com um aproveitamento medíocre - vd. post de há umas semanas) e d'"A paixão de Cristo" (ainda não vi, mas por norma desconfio sempre de blockbusters), e ninguém (que eu desse conta) fala de "21 gramas", que fui ver ontem, e que é provavelmente o mais lindo filme que passou nas nossas salas de cinema desde "O quarto do filho".

2004/03/23

Dá que pensar, não acham?

Penso que foi Winston Churchill (e desde já agradeço que me corrijam se estiver equivocado) que disse um dia:

"Não há nada mais triste do que uma derrota a não ser, talvez, uma vitória!"

2004/03/21

Petição


O Governo devia criar uma lei que proibisse a temperatura de subir mais do que aquela que está agora, ie, à volta dos 20º Celsius.

De que outra forma civilizada se pode desfrutar de uma manhã de esplanada, de um passeio de descapotável, ou até de uma tarde de praia?

Limpeza de Primavera

Alguns de vós provavelmente já repararam, mas mesmo assim sempre vos digo que, aproveitando o início da estação, resolvi fazer uma limpeza grande aqui na lista de links ao lado; assim, apaguei todos aqueles que assumidamente encerraram, bem como aqueles que não o tendo declarado, já se encontram inactivos há mais de um mês, e ainda um ou outro que raramente visitava e de cujo interesse começava a duvidar. Em contrapartida, acrescentei alguns que tenho vindo a visitar ultimamente, e que já mereciam há muito o link da praxe.

Pelos vistos é isto mesmo a blogosfera: moda para alguns, lugar a que se regressa sempre para outros.

2004/03/19

Em Sintra


É impressão minha, ou aquilo lá ao fundo é mesmo um Gilbert & George?

Dia do pai

Por norma embirro um bocado com tudo o que me soe minimamente a establishment; encontram-se assim, nessa longa lista, as datas em que é suposto festejarmos algo, mas que mais não são do que um pretexto do consumismo e dos lobbies dos comerciantes para gastarmos mais uns trocos em prendas cuja espontaneidade fica abaixo de zero, mas que possuem o condão mágico de aliviar as consciências dos ofertantes por mais uma saison - e (ó heresia!) essa minha embirração começa logo pelo próprio Natal, e estende-se a dias da mulher, da criança, do pai, do emigrante, do mercenário, do bêbedo ou do que quer que seja.

Mas esta manhã, bem cedo, fui forçado a engolir parte desta minha arrogância; e quem me deu esse banho de humildade foi o Lourenço que, de cima dos seus três anos, foi ter comigo enquanto me barbeava e me disse: "feliz dia do pai, papá; gosto muito de ti!"

O que mais posso pedir para ser feliz?

2004/03/14

Erros de casting

Há, entre os meus leitores adultos, alguém que esteja a viver a vida com que sonhou um dia? Era só para saber se ainda vale a pena sonhar.

A "Vírgula"

Miguel Sousa Tavares é daqueles opinion makers a respeito dos quais é difícil ter uma opinião consolidada, tão díspares são por vezes as suas tomadas de posição; por exemplo, quando fala do direito ao fumo ou do Futebol Clube do Porto é insuportável, mas desta vez confesso que subscrevo de cruz tudo o que diz nos pontos 1 e 2 deste artigo (há quem continue a achá-lo "insuportável", mas contra isso nada podemos fazer).

Terroristas bons vs terroristas maus

Alguns poderão ter achado estranho o facto de eu não ter escrito nada sobre os ignóbeis atentados de Madrid; não o fiz, contudo, por duas razões:

Em primeiro lugar encontrava-me na altura, como os mais atentos decerto terão reparado, a cumprir um importantíssimo voto de silêncio.

Em segundo lugar, senti de repente que tudo o que eu pudesse dizer sobre terrorismo seria redundante, não só em relação àquilo que já escrevi anteriormente neste blog, mas também em relação ao que se iria escrever noutros locais - na blogosfera ou fora dela (aliás, parece que existe também vida fora da blogosfera, por inédito que isso possa parecer). No entanto, tal como o Alberto, fiquei desde logo à espera do primeiro "mas...".

Sofro, como todos os humanistas, com o sofrimento alheio; mesmo assim, e apesar de me considerar ideologicamente de direita, não consigo conceber a pena de morte como castigo aceitável.

Mas há outras coisas que me custam também bastante a aceitar em tudo isto, a começar pela mentalidade comezinha da "nossa" esquerda (pelo menos assim se designam), que continua a acreditar que existe sempre uma justificação em tudo isto. Mais, os "canhotos" cá do burgo, acham lá no íntimo que seria preferível que os atentados pudessem ser imputados à Al-Qaeda, o que, pelas suas enviesadas e peculiares linhas de raciocínio, o tornaria logo directamente imputável a Bush, Blair e ao próprio Aznar, do que à ETA, situação esta que, para além de ser menos "justificável" (?) politicamente, poderia render votos extras ao PP espanhol. Como se pudesse haver um terrorismo menos mau do que o outro...

2004/03/12

Uma carrinha Jaguar para o Al


O Al era um tipo pacato, amigo da sua estabilidade, e pouco sensível às influências de factores exteriores ao seu pequeno mundo. No entanto, há pouco tempo, tudo na sua vida se modificou: depois de fazer os quarenta anos, o Al foi acometido por aquilo que quem sabe designa por "crise de meia-idade precoce e atípica".

Ora, esta crise, por ser atípica, caracteriza-se por sintomas fora do comum: assim, e ao contrário do que é vulgar nestas situações, o Al não sonha em ir a discotecas com meninas de vinte anos, em inscrever-se em classes de meditação budista, nem, tampouco (e é principalmente por isto que a crise é "atípica") em comprar um descapotável vermelho. O síndroma do Al caracteriza-se, isso sim, por angustiantes ataques de nostalgia, que o levam a questionar permanentemente o sentido de tudo o que faz.

A família do Al está desesperada, até porque não se conhecem quaisquer tratamentos para este tipo de maleita; contudo, alguns dos especialistas internacionais consultados aventaram a hipótese de se poderem verificar melhoras se o paciente pudesse aceder a uma carrinha Jaguar X-type estate, de preferência em british green.

É por isso, leitor amigo, que lançamos aqui esta campanha de solidariedade; se se comoveu com a triste sorte do Al, mas está disposto a fazer algo pela sua recuperação, contribua com o que puder para a aquisição de uma carrinha Jaguar, que custa pouco mais de quarenta mil euros. Vamos todos dar uma ajuda ao Al, valeu?

Nota: Não percam, em breve, as novas campanhas "uma casa nova com piscina para o Al", "um emprego decente para o Al", "quinze dias em Cabo Verde para o Al", e muitas outras!

2004/03/04

Raiva

Hoje é um dia triste; a Susana, que sofria de leucemia há três anos, deixou-nos esta manhã. Na terça-feira visitei-a e - desculpem a minha estupidez - achei que ela estava com razoável aspecto e disposição; acreditei mesmo que tudo se ia resolver.

É um lugar comum dizer isto, mas é verdade que o Céu ficou muito mais rico hoje. Pouco mais posso fazer do que chorar, e perguntar-me se algo em tudo isto fará sentido - mas, em sinal de luto, não escreverei nada neste blog durante uma semana, como homenagem àquilo que podia ter sido a vida da Susana.

Ela tinha dezanove anos; lembram-se dos sonhos e das expectativas que tinham aos dezanove anos? Eu lembro-me.

2004/03/02

Teste

E agora vou testar uma nova funcionalidade disto; criar aqui uma consciência instantânea. Então é assim: vou começar "a" dieta. A vossa parte é muito simples: qual grilos falantes, deverão atazanar-me permanentemente a cabeça, perguntando-me quanto peso já perdi, o que almocei hoje, etc., etc., combinado?

Se não funcionar assim, não sei como funcionará...

Metabloguismo pessoal

Torna-se engraçado ver como progridem as coisas; durante o boom dos blogs, talvez antes do Verão de 2003 (altura em que também eu - humildemente o confesso - aderi à blogosfera), não faltaram velhos do Restelo a profetizar um rápido declínio do fenómeno. Na altura, imbuído de um espírito optimista que nem é muito frequente em mim, achei que apenas o despeito movia essas vozes. Pensava eu, na minha ingenuidade, que os blogs durariam para sempre, e que o entusiasmo que eu sentia todos os dias ao escrever novos posts era partilhado por todos os meus colegas blogosféricos.

Enganei-me, custa-me admiti-lo; dos blogs linkados aqui ao lado, muitos já se encontram inactivos há algum tempo, e só alguma preguiça, a par com uma secreta esperança de que as coisas mudem, me impedem de os apagar. Também as visitas diárias ao meu blog estão a baixar significativamente; não as tenho comparado com as registadas noutros blogs, mas parece-me legítimo concluir que tal apenas se pode ficar a dever a um decréscimo do interesse de quem por aqui anda(va).

Não tenho pretensões a escritor ou jornalista, nem espero que aqui possa surgir o milagre de alguém me convidar para subsistir fazendo aquilo de que gosto - escrever - , mas agrada-me ter esta forma de ir desabafando e interagindo com muita gente. É verdade, admito, que há algum tempo pensei em acabar com isto, mas, tal como expliquei na altura, isso ficou-se a dever a algumas questões pessoais que, não estando resolvidas, não são contudo impeditivas de que continue a "despejar" (quase) tudo o que me vai na alma neste computador. Não tenho a prolixidade doutras alturas, é verdade, mas, enquanto houver uma única pessoa que ache que vale a pena perder o seu tempo a ler os meus devaneios, espero continuar a escrever.

2004/02/27

Decidam-se, bolas (para não dizer "porra")!

Aqui há uns tempos as caixas de comentários deste blog tiveram um colapso, e toda a gente se queixou; agora, que elas estão aí afinadinhas que nem um piano, ninguém as usa!

Já está!

Conseguimos sobreviver a uma reformatação do disco e - aleluia! - até temos Internet e tudo; o espectáculo continua (ia dizer "the show must go on!", mas receei que demasiados anglicismos dessem um ar pedante a isto)!

2004/02/25

Socorro!

Este meu computadorzinho, que tantos e tão bons serviços me tem prestado, está com um vírusito; melhor, deve estar infectado com uma quantidade estúpida de vírus, desde o BSE à gripe das aves, pelo menos. Entre outras coisas menos graves, bloqueia sempre que quero fazer um link, pelo que nem sequer consigo ler os (poucos) comentários que amavelmente me vão chegando.

Serve pois este post para dizer que, logo à noite, penso munir-me de coragem, e enfiar aqui dentro os CDs do Quick Restore da Compaq. O problema é que, da última vez que o fiz, a placa de rede não esteve pelos ajustes e recusou-se a trabalhar durante dias. Ora, como os meus conhecimentos em termos de informática são mais ou menos equivalentes àqueles que detenho de Ikebana, aviso-vos desde já que, se não me conseguirem contactar no blog, no e-mail, ou no Messenger, é porque a coisa correu mal!

Wish me luck!

2004/02/24

Devo ter perdido alguma coisa na tradução!

Provavelmente o que eu vou dizer não vai ser tão criticado como sucedeu com a Charlotte, mas apenas porque este blog não tem as centenas de visitas diárias do seu. A verdade é que também eu fui ver o "Lost in Translation" e, tal como ela, também eu achei a coisa assim para o fraquinho, apesar de me ter sido insistentemente recomendada por insuspeita amiga; salvou-se a banda sonora, com excelentes temas dos Air, Peaches, e uma versão desconcertante do Bill Murray a cantar "More than this", dos Roxy Music.

O mais mainstream do cinema europeu consegue facilmente ser mais alternativo do que o mais alternativo cinema americano; é um estigma deles, e contra isso já nada podem fazer. Parvo sou eu que continuo a acreditar que dali saem bons filmes.

Mas, Alberto, eu até gosto muito do "The Office" e dos "Royles" - já falei disso antes. E só restrinjo ao mínimo possível a minha visualização de televisão, incluindo a TVI, por uma questão de higiene, como diria David Mourão-Ferreira. Terei cura?

2004/02/22

"Ver Veneza e morrer!"


Faz precisamente hoje seis anos, estava a deixar Veneza, depois de ter assistido aos mais bonitos festejos de Carnaval de que tenho memória. Manhã cedo, à medida que o vaporetto nos conduzia até Mestre pelos enevoados canais, íamos vendo os restos das celebrações - foliões tardios, alguns em gôndolas, e os barcos ainda engalanados dos desfiles da véspera.

Ir para Sesimbra, ou coisa que o valha, ver imitações pindéricas de carnavais latino-americanos? Não, obrigado.

2004/02/19

Ocean spray

Há uns dias atrás, por motivos profissionais, tive que me deslocar até à zona de Alfarim; despachei-me mais depressa do que pensava e, estando ali tão perto, resolvi ir até ao Meco, para ver o mar. Estava extraordinário, encapelado, e não resisti a passar uns momentos na esplanada do Bar do Peixe (passe a publicidade) a admirá-lo. Para a tarde ser perfeita faltavam-me três coisas: um livro, um bom par de horas livres pela frente, e que o dia não estivesse tão solarengo!

Sacrilégio? Não, simplesmente prefiro a beleza não óbvia aos clichés estéticos que a toda a hora nos tentam impor - e, na minha modesta opinião, a melhor cor para o mar é o cinzento.

Lembrei-me a propósito de uma entrevista que ouvi há já uns anos, no Canal 2; era um programa supostamente cultural, e Paula Moura Pinheiro entretinha-se a fazer algumas perguntas a um dos maiores arquitectos portugueses, Manuel Graça Dias. A certa altura, para ilustrar à entrevistadora a forma como a beleza pode ser descoberta sem recurso a clichés e a lugares comuns, M.G.D. disse: "Um pôr do sol pode ser tão romântico visto na mais linda das falésias como reflectido numa marquise de Moscavide". É genial; está tudo nesta frase!

Mas a entrevistadora, toda witty, respondeu com qualquer coisa como: "Não percebo como é que uma marquise em Moscavide pode ser romântica, mas adiante...". Com esta frase, mostrou a todos os vinte espectadores que àquela hora provavelmente acompanhavam o programa duas coisas: primeiro, que pensa petulantemente, tal como Manuela Moura Guedes ou Maria Elisa, que os telespectadores estão tão ou mais interessados na sua opinião do que na do entrevistado. Segunda, e mais grave, demonstrou a típica falta de sensibilidade das mentes habituadas a pensar por estereótipos - o sol é bonito e alegre, a chuva é feia e triste.

E mostrou que, tal como muitos dos seus conterrâneos, desconhece um segredo fundamental: o óbvio não vale nada - a verdadeira beleza, como a verdadeira felicidade, têm que ser conquistadas!

2004/02/14

Inquéritos

Já por diversas vezes confidenciei aos meus leitores alguns dos meus vícios de estimação, pelo que não estranharão agora que vos revele mais um: não consigo resistir a ler aqueles questionários tipo "Questionário de Proust", seja qual for a publicação ou o inquirido. Pode ser a mais pindérica das "revistas-de-sala-de-espera", e o mais pimba dos cantores, que eu devoro sempre até ao fim as suas respostas. Normalmente fico a saber que a viagem de sonho de 99% dos portugueses é ao Brasil, que todas as meninas da moda - apresentadoras, cantoras, actrizes - elegem como prato favorito o bacalhau com natas, e mais um sem número de informações relevantes que rapidamente se perdem nos recantos mais esconsos da minha já muito sobrelotada memória.

Muitas vezes faço até o exercício narcisístico de pensar quais as respostas que eu próprio daria se alguma vez fosse indagado de forma semelhante - mas emperro sempre no mesmo tipo de perguntas: aquelas em que é requerido ao visado que nomeie o livro ou disco da sua vida. Não há, não pode haver, uma tal coisa - há, isso sim, livros ou discos que foram ou são importantes para nós em determinados momentos das nossas vidas. Lembro-me, assim de repente, da pulsão de emoções que senti quando li pela primeira vez "Um amor feliz", de David Mourão-Ferreira; ou das sensações de liberdade que o "London calling", dos Clash, me transmitiu. Mas não são esses os livros ou discos da minha vida, simplesmente porque isso não existe!

ARCO


Mais um ano que passa, mais uma ARCO, e mais uma vez que lá não vou; há já mais de dez anos que ando a dizer: "para o ano é que é!" - e depois, nada. Os sonhos não se podem adiar.

2004/02/10

I can see clearly now!

De regresso do Cabo de São Vicente, dez da noite, eu (pequenino), o mar (enorme) e uma cigarrilha; e haviam tantos anos que eu me indagava do porquê de se chamar Costa Vicentina à dita.

2004/02/05

Dúvida existencial

Alguém me sabe dizer por que raio é que só damos o devido valor às coisas e situações depois de já não as termos - e, muitas vezes, depois de já não as podermos voltar a ter?

2004/02/02

Mensa

Chega de testezinhos inconsequentes; vamos lá todos a fazer o pai dos testes, para ver se temos algum géniozinho entre os leitores deste blog. Depois digam-me quantas respostas certas conseguiram; eu não digo para já quantas acertei, mas sempre vos garanto que foram mais de metade - só que, para se ser um génio, é necessário responder correctamente a mais de 90%!

2004/02/01

Pânico

O que é que se diz a um filho de três anos quando se verifica que o Video avariou - e, consequentemente, que ele não vai poder ver pela 136ª vez a cassete do "Lilo & Stitch" - e que, ao mesmo tempo, o DVD pirata que lhe comprámos do "Finding Nemo" não é lido pelo aparelho cá de casa?

2004/01/31

The difference between men and boys is the price of their toys!


Aqueles que seguem mais atentamente este blog, bem como aqueles que me conhecem (o que coincide, na maioria dos casos), sabem que eu possuo um carrinho destes, o qual se encontra há mais de um ano em processo de restauro. Trata-se de um Alfa Romeo 1750 berlina, de 1972, e a única diferença relativamente ao que surge em cima (que pertence ao Orlando Ferreira, sócio, como eu, mas também dirigente do Alfa Romeo Clube de Portugal) reside na cor que, no caso do meu, é um bellissimo blu ultramarino.

Pois bem, as novidades hoje são que, finalmente, fui levantar o carro ao mecânico, logo de manhã, e era suposto levá-lo de imediato à oficina de bate-chapa para corrigir alguma deficiências do trabalho de restauro da pintura - mas não fui capaz; mal me sentei ao seu volante, e senti o cuore sportivo, intacto ao fim de tantos anos, não consegui largar mais o carro (ainda mal o tinha guiado antes), acabando mesmo por levá-lo para o almoço, e só o entregando para os retoques finais já a meio da tarde.

Che bella macchina, mamma mia!

2004/01/29

Terei sonhado?

Terá sido impressão minha, ou ontem li mesmo aqui um post em que se ansiava pela publicação do Relatório Hutton? É que hoje já lá não encontro nada.

Bom, seja como for, e caso não saibam, o citado documento já é conhecido.

But it's not quite as you expected...

2004/01/28

Por falar em São Pedro de Moel...


...nem uma pedra poderia ficar indiferente a este mar!

Will Eisner


Já vos tinha dito que adoro os desenhos de Will Eisner? De acordo, também gosto de Hugo Pratt e Milo Manara, mas desses é politicamente correcto gostar; agora Eisner, artista dum género "menor", como são os comics norte-americanos, passa despercebido a muita gente - e contudo, o seu traço é simplesmente genial.

2004/01/26

Saudade


Gostava de estar sensivelmente no lugar de onde esta foto foi tirada (uns metros mais a sul, está bem).

A morte

Soube ontem, um pouco depois de todos os meus compatriotas, pelos vistos, que um jogador do Benfica tinha morrido logo após um jogo de futebol devido a uma síncope cardíaca. Acreditem ou não, nunca tinha ouvido o nome do jogador em questão, apesar de militar numa das principais equipas portuguesas. Agora já sei: chamava-se Feher, e era húngaro.

A morte deste jovem impressionou-me bastante, como a toda a gente, de resto; mas muito mais me impressionou a autêntica guerra de imagens e títulos que os abutres do costume usaram na sua ânsia por audiências. As imagens do jovem a sorrir, e a cair em seguida na relva, passaram em todas as estações de televisão até à náusea. Todos os jornais de hoje chamavam o tema à primeira página, com títulos a condizer - até o sóbrio "Público" apresentava em destaque o cinematográfico título "Morte no estádio"!

Como já disse antes neste blog, e ao contrário da Ana, convivo mal com a ideia da morte, principalmente quando inesperada e assim injusta; mas convivo pior ainda com este tipo de gente que chafurda na desgraça alheia, arautos de uma espécie de moralismo de pacotilha. Mas compreendo a fobia: morte, directo, futebol, é uma trilogia irresistível - alguns só devem estar a lamentar não ter havido sangue!

2004/01/25

Preciso de ideias!

Vou sugerir à administração que me comece a remunerar ao quilómetro. Esta semana, por exemplo, conto estar na Praia da Rocha na Terça e Quarta, em Peniche na Quinta, e em Don Benito, Espanha, na Sexta - e depois, tenho como hobby os ralis, uma actividade em que se passa os dias dentro de um carro!

Ora, o que eu precisava dos meus leitores é muito fácil: espero que me dêem sugestões de actividades alternativas (não alternantes!), sabendo que eu quero fazer algo que não me ocupe mais de duas horas diárias, seja muito bem pago, seja agradável e fácil de fazer (tipo "experimentador-de-sofás-com-vista-para-o-mar" ou "comentador-de-televisão-especialista-sobre-tudo"), e que me permita não ir trabalhar quando não me apetecer, sem que por isso seja penalizado.

Muito agradecido.

Kota

Esta noite caí na asneira de não levar o meu carro para um jantar com amigos, em Lisboa, e acabei por ficar até às quatro da manhã (!) num bar irlandês, a ouvir um brasileiro (!!) a cantar "Karma Chameleon" (!!!), dos Culture Club, e outras coisas do género.

Estou a ficar velho para estas coisas; salvaram-se as pints de Guinness, que me fizeram lembrar que não pode demorar muito para voltar a Londres - e, desta vez, também à Irlanda, espero!

Homer


Lisa: What do you say to a boy to let him know you're not interested?
Marge: Well, honey, when I...
Homer: Let me handle this, Marge, I've heard 'em all. "I like you as a friend." "I think we should see other people." "I don't speak English." "I'm married to the sea." "I don't wanna kill you, but I will." ... Six simple words: "I'm not gay, but I'll learn."

Sunday, bloody Sunday!

Quem concorda comigo, que o Domingo é dia de neura, ponha um dedo no ar!

Já está? Então agora aqueles que gostam do Domingo ponham também um dedo no ar!

Podem baixar; vou contar os dedos e já decido.

2004/01/24

Sem comentários...

Ontem, num dos meus ocasionais mas felizmente raros zappings televisivos, parei num programa português dito de cultura geral, em que um eufórico apresentador perguntava a uma hesitante concorrente quem havia sido o laureado com o prémio Nobel da literatura em 2003. Para amenizar a transcendente dificuldade da pergunta, a produção propunha-lhe apenas que respondesse entre quatro opções previamente apresentadas, sabendo-se a priori que uma delas era a resposta certa.

As respostas possíveis eram (não me lembro se por esta ordem) Grasse, Saramago, Gordimer e Coetzee. Confusa com a pluralidade de hipóteses, a senhora resolveu recorrer a uma possibilidade de ajuda prevista pelo regulamento da coisa, invocando a sabedoria do público que em estúdio acompanhava a sua performance; este (o público), por sua vez, não se fez rogado e, através de uns aparelhómetros que recolhiam as suas opiniões, informou a dita concorrente de que a "resposta certa" era Nadine Gordimer!

Não fiquei para ver o que a senhora respondeu; o espectáculo já estava a ultrapassar tristemente os limites da ignorância. Mas ainda pensei que foi uma sorte não ter surgido entre as opções possíveis o nome de Paulo Coelho.

E fizeram-no mesmo!


Ainda há dias era apenas um boato, mas agora, vendo os carros que estão a disputar o Rallye de Monte Carlo, podemos confirmar com os nossos olhos a prepotência e estupidez dos senhores da FIA; então não é que estes camelos decidiram mesmo eliminar o nome dos navegadores das janelas dos carros de rali?

A tipos destes, que devem passar um rali inteiro sentados no bar do seu hotel de cinco estrelas, só gostava de poder fazer uma coisa: "amarrá-los" à bacquet direita do carro de Sebastien Loeb ou de Marcus Gronholm, e obrigá-los a percorrer em ritmo de prova uma qualquer classificativa do Mundial!

Novidades na blogosfera?

Acabei de saber pelo Bruno Sena Martins, que existe a possibilidade real de Anabela Mota Ribeiro - de quem, por coincidência, falei no meu último post - ser a autora deste blog; no entanto, no mesmo post, B.S.M. alerta-nos para contradições e desmentidos em toda esta história, inclusive a negação da própria interessada o que, a confirmar-se, seria uma verdadeira pena e uma oportunidade perdida para a blogosfera - até porque a Anabela (vamos acreditar para já que é mesmo ela) teve o bom gosto de escolher para o seu blog um template igual ao da Serra Mãe!

Tal como o Bruno, deixo-te um recado, Anabela: se por acaso fores mesmo tu, e vieres parar a esta serra, menos ventosa que as encostas de Trás os Montes, fica sabendo que também eu gostei do que li - as críticas são só inveja!

2004/01/23

Estilo & Classe

Um destes dias, num daqueles almoços de várias horas que de vez em quando faço com o meu amigo J.E., pusémo-nos a dissertar sobre vários assuntos, e chegámos à conclusão de que eu - como muitas pessoas, penso - não estabeleço uma fronteira clara entre o que é "ter-se estilo" e "ter-se classe".

Pode-se muito bem ter estilo, sem ter qualquer tipo de classe, como provam quase todos os jogadores de futebol, a Dr.ª Ana Gomes, ou Catarina Furtado; pode-se ter estilo e classe, como Anabela Mota Ribeiro ou Miguel Sousa Tavares; pode-se não ter estilo, mas ter uma classe arrasadora, como João Bénard da Costa; ou pode-se ainda não ter nem um nem outro, como Ferro Rodrigues - e isto falando só de figuras públicas.

Exercício prático: experimentem olhar para as pessoas que vos rodeiam, e vejam lá se, muitas vezes, não estamos a confundir estilo e classe.

2004/01/22

Interrogação

Às vezes fico a pensar se todas as pessoas têm este tipo de pancada, ou se serei eu o único que, com quarenta anos, continua a fazer caretas sempre que vê um espelho, ou a cantar em altos berros as músicas que passam no rádio do carro (quando estou sozinho, claro).

2004/01/19

Ranking


Se exceptuarmos os blogs em hibernação, deverá ser difícil igualar a minha performance da semana que passou: três míseros posts - três!

Devia haver um prémio para o dono de blog mais preguiçoso.

2004/01/17

Acidente

Ontem, num dos seus habituais malabarismos, o Lourenço teve uma aterragem forçada contra a quina de um móvel. Resultado: um lábio rasgado até ao nariz, e suturado no hospital durante a noite com uma infinidade de pontos.

Uma marca de crescimento, talvez, mas também a prova novamente - se mais vezes fossem precisas - da nossa impotência para proteger permanentemente os que nos são queridos.

2004/01/16

Desculpem lá...

Ando um bocadinho falho de inspiração, mas espero que isto passe rapidamente.

2004/01/12

Tempo


E lá vem mais uma semana novinha em folha para começar a gastar; não estraguem nenhum bocadinho, porque não há reposição nem devoluções de tempo mal gasto.

Eu vou começar por ir amanhã para o Alentejo profundo e à noite estarei no Algarve, até Quarta-feira; e Sexta, reunião em Peniche todo o dia. Devem haver semanas melhores e semanas piores do que a minha, mas é o que se pode arranjar...

2004/01/11

España me mata!

Amanhã (já é hoje) vou cumprir um dever patriótico: de mansinho, perto da uma, infiltrar-me-ei para lá das muralhas de Olivenza, e tentarei recuperar para território nacional alguns bocados de uma paella que o meu pai me afiança ser deliciosa. Relativamente à forma de a introduzir em solo pátrio, penso utilizar para o efeito a minha capacidade estomacal, coadjuvada na ocasião pela abnegada disponibilidade da Lu e do Lou.

Em breve darei mais notícias sobre o sucesso desta perigosa e temerária missão!

2004/01/09

I beg your pardon?

I've never promised you a rose garden!

2004/01/08

Fogareiro (post dispensável para quem não liga muito a automóveis)


Ainda não é oficial, mas ando tão entusiasmado com isto que não resisto a contar-vos: em princípio irei voltar a disputar o Campeonato Nacional de Ralis este ano, sentado na bacquet do lado direito deste Skoda, e inserido numa equipa semi-oficial (que ainda não posso revelar qual é, mas cuja apresentação formal estará para breve, penso...)! Este brinquedo, apesar de poder ser facilmente confundido com aqueles "carrinhos-de-ir-às-compras-ao-Continente", debita a módica potência de 200 cv (evolução 2004, de que nós vamos dispor) e, principalmente, um binário de bomba de tirar água - e tudo isto com um motor a gasóleo!

Se quiserem, posso facultar o calendário das provas a fãs...

2004/01/07

Movidas

Há muito que ouço dizer que Lisboa tem uma das melhores movidas da Europa; não duvido, até porque mal conheço as outras. Mas parece-me que se estão aqui a confundir conceitos tão diferentes como a qualidade e a quantidade. Concretizando, a movida lisboeta poderá ser melhor em termos de horas de duração do que as suas congéneres, mas duvido que o seja em termos de qualidade de convívio.

Em Londres, por exemplo (e falo com algum conhecimento de causa), é curioso observar como as pessoas se juntam depois dos seus horários de trabalho, nos afamados pubs. A música não está estupidamente alta, as pessoas podem conversar, conviver, divertir-se, e alguns até irão ficar por ali para jantar. É verdade que o álcool continua a ser o elemento aglutinador destes convívios, mas há males que, pelo menos para já, são incontornáveis.

Em Portugal, o que temos? Um bando de pessoas que, mal saem dos empregos se enfiam rapidamente nas suas "tocas", para ver futebol, refilar com a esposa e outras actividades lúdicas, e que só sai novamente "para a noite" depois das 2 da manhã, porque não é "bem" ser-se visto nos locais da moda antes dessa hora.

E, quando sai, onde vai? A um dos muitos bares que pululam pela cidade, claro; só que, a meu ver, de bares estes estabelecimentos terão muito pouco. Estão, regra geral, apinhados, a música continua em volumes que tornam impraticável qualquer tipo de entabulação de diálogo, e mais parecem uma feira de vaidades e "controles" mútuos e mudos! Depois, passam para uma discoteca - de preferência para uma que tenha saído numa reportagem recente da "Caras" - onde a receita é "mais do mesmo"; mais barulho, mais álcool a rodos, e mais confusão.

O que levará adultos, muitos deles aparentemente maduros, inteligentes e bem sucedidos, a aglomerar-se num local onde já se encontram milhares de outras pessoas, convivendo com toda a sorte de odores e higienes alheias, pagando fortunas por beberricagens de origem mais que duvidosa, e isto depois de se terem humilhado frente a um porteiro musculado? Parece perverso, não parece?

P.S.: Aqueles de vós que me conhecem, devem estar a pensar depois de ler isto: "É preciso teres lata! com o dinheiro que gastaste em bebidas só no Seagull e na Kapital - para não falar de todas as outras - hoje podias andar de Porsche!". Pois podia, digo eu, mas só os burros é que não mudam!

2004/01/05

Pesquisas

A Papoila anda a ser especialmente assediada por pessoas que, nas suas pesquisas internéticas, introduzem a expressão "aprender a fazer manobras de yo-yo", mas os exploradores que chegam a esta serra não são menos originais. Apesar de se verificar um decréscimo do interesse pelo "foclore", surgem agora novos interesses recorrentes, como sejam "Tomás Taveira o filme", "Zézé Camarinha", e o já clássico "Dobrar guardanapos".

Pelo meio, vão surgindo algumas variações mais ou menos vulgares sobre "Alexandra Lencastre", e outras, menos vulgares mas reveladoras de bom gosto, sobre "Anabela Mota Ribeiro".

Vou tentar aprender a dobrar guardanapos, prometo, agora que já os sei desdobrar na perfeição!

Actualização

Havia já algum tempo que não acrescentava links na minha lista aqui do lado, mas este merece - mais que não seja, pelas fantásticas fotos do Porto!

Adorei esta (e desde já peço desculpa pelo "empréstimo"):

2004/01/04

Gargalhadas

Esta é só para vos fazer inveja, pois a última representação será esta noita e, se não estiver já esgotada, não deverá andar longe disso. Informo-vos de que fui ontem ao S. Luiz, ver as "Manobras completas" (devia ser o único na blogosfera que ainda não o tinha feito), e diverti-me como há muito não me lembrava de me divertir!

2004/01/02

Descentralização?

O "Homem a dias" bem avisou, mas não me serviu de nada: na terça passada, por mais 14,00€, o "Blitz" distribuia uma reedição do "Escrítica Pop", pérola do Miguel Esteves Cardoso que persigo há muito; contudo, e apesar de me encontrar a uns míseros trinta quilómetrozecos de Lisboa, não encontrei desde aquele dia um único posto de venda aqui à volta onde tivesse chegado o livreco, bolas!

Tótó passa para Zézé, Zézé remata...

Digam-me por favor que sou eu que estou a ficar estupidamente exigente, e que o mundo continua normal, mas há bocado fiquei siderado quando vi que o tema de uma peça de alguns minutos, num jornal televisivo (penso que da SIC, mas não garanto, pois raramente vejo televisão), era a história de uma provecta senhora, à beira de festejar o seu primeiro centenário, e cujo maior gosto era ouvir relatos radiofónicos de futebol!

É então isto uma notícia? Bom, a minha mãe tem 61 anos e gosta de ir à pastelaria, enquanto que o meu pai, já com 63, adora touradas. Talvez possamos desenvolver algo de interessante a partir destes dados, não vos parece?

2004/01/01

Profecias

Foi só isto? Já passou? Já estamos em 2004? Não noto assim nada de especial. Mas também ainda agora o ano começou, não é?

E este ano, fiquem sabendo, Portugal não vai ter retoma económica coisíssima nenhuma, a selecção não vai ganhar o Euro, não vão haver sentenças do caso Casa Pia, a Margarida Rebelo Pinto vai lançar três livros, Cavaco e Guterres anunciarão as suas candidaturas presidenciais, João Pedro Pais continuará a cantar (ou a pensar que canta...), Fevereiro terá mais um dia e Francisco Louçã continuará a ter tempo de antena.

Mas também surgirão coisas boas, tenho a certeza!

2003/12/31

Não resisti...

Bom, está bem; prometo reconsiderar. Até lá, desejo-vos um ano de 2004, bem como os que se seguirem, com toda a felicidade do mundo!

And now, it's party time!

2003/12/29

"O fim ou tende misericórdia de nós"

Tudo tem um tempo de vida útil, mesmo que esse tempo seja "para sempre"; não é o caso deste blog, no qual, apesar da sua tenra idade, vou descobrindo uma progressiva perda de qualidade que só me pode ser imputada a mim.

Os motivos para tal não terão interesse para os meus leitores, mas a verdade é que também eles o devem sentir, e a prova disso está nos decréscimos do site meter e dos comentários.

Por isso, aproveitando o fim do ano, e com um título "roubado" a um livro lindíssimo de Jorge Silva Melo, também este blog vai findar esta fase da sua existência. Se voltará ou não, logo se verá.

Obrigado por tudo!

2003/12/25

O nível da esquerda

Fernando Rosas tem um aspecto patusco; não sei se é do cachimbo, mas aquele putativo candidato a Presidente da República desperta-me normalmente sentimentos parecidos com os que me desperta o Avô Cantigas, cada vez que vejo um ou outro - o que, felizmente, é raro.

F.R. faz parte de uma associação de partidos de extrema-esquerda, admiradores de Estaline e quejandos, que conseguiu eleger alguns deputados à Assembleia da República. Chama-se, esse pequeno grupo, Bloco de Esquerda, mas, tirando a menção à dita na designação, têm comportamentos sociais mais equiparados aos de pequenos-burgueses e nouveaux riches. Há até uma deputada que, pelas declarações que dela li, faz perfeitamente jus ao estereótipo da "loura-burra", e que magnanimamente dispensa os auxílios que a instituição prevê para a sua deslocação em transporte público, preferindo locomover-se no seu proletário Mercedes-Benz.

Bom, mas com isto tudo desviamo-nos de F.R.. Pois bem, o Avô Cantigas esteve de maus fígados esta semana, e publicou ontem no "Público" um artigo de opinião carregado de bílis e azedume contra Paulo Portas, a quem, entre outras coisas pouco edificantes, epitetava de "trauliteiro de extrema-direita" e, mais cripticamente, de "Pato Donald". En passant, Rosas referia-se ao C.D.S. como "um partido de extrema-direita", e ao seu eleitorado como "franjas menos exigentes do eleitorado". Ofender-me-ia, e a mais umas centenas de milhares de portugueses, se o impropério tivesse sido proferido por alguém com nível intelectual e cívico para o fazer - vindo de quem vem, pouco mais poderá merecer do que o profundo desprezo que se confere a quem se pôe em bicos de pés, porque doutra forma não será visto.

Talvez o tom do discurso surpreenda os mais distraídos; para mim, no entanto, é tristemente típico da esquerda deste país.

Bonjour tristesse

Há já alguns anos que acho o 25 de Dezembro um feriado muito pouco civilizado; uma pessoa sai de manhã, não encontra nenhum jornal do dia, todas as pastelarias onde se pode tomar um pequeno almoço decente estão encerradas (porque ontem e anteontem ficaram "até às trezentas" a fazer filhós, troncos de Natal e outras coisas especialmente indigestas), e as pessoas com quem se gostaria de beber um café estão resgatadas e tornadas incomunicáveis pelas famílias (quase me apetece dizer famiglias). E, daqui a bocado, os restaurantes terão filas centopeicas de gente, todos vestidos com a "roupinha dos Domingos"!

Bom Natal. Pois...

2003/12/23

Quem empresta não melhora!

Quando procuro determinado CD ou livro e não o encontro (acontece mais com os primeiros do que com os segundos) é que eu sinto como fui estúpido em não ter conseguido dizer um redondo "não!" a quem mos pedia sempre emprestados, e nunca tinha a boa educação de os devolver!

2003/12/21

Resoluções de ano novo

Há tantas coisas que eu gostaria de mudar ou melhorar em mim, mas para quê fazer resoluções? Apenas para, lá para meados de Janeiro, sentir a frustração de já me estar a desviar da maior parte dos objectivos traçados?

A menos que nomeie, como primeira resolução, passar a ter uma maior força de vontade; e também pensar que, se acreditarmos naquilo que desejamos, Deus recompensar-nos-á. Mas há tanta gente a pedinchar-Lhe...

2003/12/18

Namoros

Não tinha muita vontade de voltar a politizar este espaço, que considero essencialmente de lazer e boa disposição, mas factos recentes na vida política nacional a isso me obrigam. Numa estratégia de divisão com base na insinuação maldosa, há já muito que o Partido Socialista tem vindo a atacar o C.D.S./P.P., acusando-o de "radicalismo de direita", e de ser o cérebro deste governo de coligação. O objectivo parece pouco menos que óbvio: minar a confiança e o respeito mútuo entre os dois partidos da coligação, induzindo no P.S.D. a ideia de que está a passar a imagem de ser conduzido pelo seu parceiro mais pequeno, e de estar, em suma, a fazer "figura de idiota útil". Esperarão, então, os iluminados socialistas que Durão Barroso dê um murro na mesa, e exclame: "Chega! A partir de agora mando eu nesta coisa!"

Novamente o referendo sobre o aborto surge em cima da mesa, como cavalo de batalha a jeito; independentemente de se concordar ou não com a penalização de tal actividade, e dando de barato os esforços de aproximação que os responsáveis dos partidos do poder estão a evidenciar, parece-me contudo que há aqui um facto incontornável: a despenalização do aborto já foi referendada e venceram os apologistas do "não"! Esperarão, pois, os defensores doutras opiniões, que se façam tantos referendos quantos os necessários para que o resultado seja a seu contento?

Não sou apologista de teses da conspiração, mas parece-me que, com tanta sanha ao C.D.S., com "jeitos" destes - que o "País relativo" não perdeu tempo a salientar - e com um discurso brando em relação ao P.S.D., já faltou mais para Ferro Rodrigues, à semelhança do seu sebastiânico antecessor, "pôr o socialismo na gaveta" e começar a pensar em termos de bloco central.

Paranóico, eu? Falaremos de novo disto dentro de um ano.

2003/12/17

David e Golias

Não gosto de futebol - já aqui o disse muitas vezes - mas há uma equipa pela qual não posso deixar de sentir simpatia: o Vitória de Setúbal. Gosto do "Vitórria", se bem que não conheça o nome de nenhum jogador, ou sequer do treinador, e apenas saiba quem são alguns dirigentes por serem meus amigos.

Foi por isso com alegria que li, há uns minutos, que a "minha" equipa eliminou, na corrida para a taça, o Sporting. Ora, ora, pensavam que eram "favas contadas", não?

Que azar dos diabos!

Poderão não acreditar, mas a verdade é que até me considero uma pessoa asseada, e que preza a higiene nas pessoas com quem convive e nos sítios que frequenta. Ora, esta atitude aplica-se com especial veemência nas casas de banho públicas que, por natureza e definição, são espaços especialmente propícios a situações de sujidade diversas.

Mas eu sou um tipo com azar; eu quero que as casas de banho dos centros comerciais e das áreas de serviço onde paro estejam limpas, sim, mas bolas - é preciso que estejam sempre a limpá-las (e indisponíveis, portanto) quando eu mais urgência tenho para me servir delas?

Tiro e queda!

Este tal de Panda é fenomenal. Muito obrigado, Papoila e Senhor Carne; que o menino Jesus ignore o vosso presépio herege e vos cumule de prendas, são os meus votos!

Quanto aos outros leitores, "me aguardem"; estou de volta, em versão renovada e sem vírus!

2003/12/13

Socorro!

O meu teclado n~~ao esta bom; de cada vez que tento colocar um acento qualquer, ele coloca logo dois, sem esperar que eu escreva a respectiva vogal, e assim n~~ao consigo escrever em condiç~~oes!

Quem me ajuda?

2003/12/10

Terapia

Não há coisa melhor para nos devolver - a nós e aos nossos problemas - à nossa insignificância, do que passar um bocadinho no Cabo de São Vicente, noite escura, junto ao farol, só a ouvir o rumor do mar e a sentir o frio de Dezembro.

Quero dizer, deve haver outras coisas melhores, mas esta funciona; foi o que comprovei há uns minutos atrás!

2003/12/09

Let it roll, baby, roll!

Estive por um triz para ir ver estes Doors do século XXI; um grupo de amigos foi, e insistiram bastante para que os acompanhasse. Mas alguma coisa cá dentro me dizia que não devia ir...

Não vi, obviamente, nenhum concerto dos Doors ao vivo - tinha oito aninhos quando Jim Morrison foi encontrado morto num apartamento em Paris - mas cresci a saber que o rock n'roll era aquilo; mais, que a verdadeira música alternativa e independente passava por ali, se bem que ninguém soubesse bem o que era música alternativa (há quase trinta anos, bastava gostar de Pink Floyd ou The Police para se ser rotulado de subversivo e alienado - já para não falar em The Clash).

Também gosto de The Cult, e até tenho alguns discos da banda; mas ver Ian Astbury a mimetizar Morrison, e a ajoelhar-se frente ao seu túmulo no cemitério Père-Lachaise (aconteceu ontem), não bate certo. Há aqui algo de extremamente oportunista e até de profano. Não funciona...

2003/12/08

De volta à civilização

Bolas, que era demasiado profundo!

2003/12/05

Off-line

Fim de semana grande, de partida para o Portugal profundo (mas profundo mesmo!), actualizar leituras, retiro espiritual.

Portem-se bem que eu já venho!

2003/12/03

Lista de Natal

A Ana fez já uma extensa e refinada lista de Natal, o que me fez lembrar como gosto de fazer listas. Assim, ainda que mais modesto, aqui vai um pequeno rol dos bens e serviços que gostaria de receber nesta quadra:

- Uma quinta na serra - podia ser a de Nossa Senhora d'El Carmen, acompanhada pelo respectivo orçamento para remodelação, restauro e decoração;

- Uma casa para passar férias em São Pedro de Moel, com piscina e vista para o mar, obviously;

- Uma carrinha Audi A4 2.5 tdi quattro;

- Um Porsche 911 targa, de 1971, mais ou menos;

- Um Mitsubishi Lancer Evo 8 Gatmo, e respectivo budget, para fazer o Campeonato Nacional de Ralis;

- Uma moto 4 e uma mota de água, ambos Bombardier;

- Um jantar no Ribamar com todos os meus amigos, para compensá-los do relativo flop que foi a festa do meu quadragésimo aniversário;

- Uma viagem a Veneza, com hotel na Piazza San Marco, e saída directa para os canais (de caminho, gostava de regressar a Rapallo, Porto Fino e Florença);

- Uma reforma vitalícia, com um número composto por não menos de seis algarismos à esquerda da vírgula;

- A viagem à Irlanda, finalmente - conhecer todas aquelas falésias e os pubs nas terriolas, de que o meu amigo J. (onde andará?) me falou um dia;

- O Brett Anderson a juntar-se de novo ao Bernard Butler, e a fazerem um concerto privativo dos Suede só para mim e para quem eu quisesse, onde eu quisesse;

- Um curso de golfe, e um equipamento completo - dos bons! - para o jogar;

- Um mano para o Lourenço;

- E, principalmente, trocava todos os anteriores pela total recuperação da minha sobrinha Vera!

Aceitam-se sugestões e donativos (work in progress).

Os luxos pagam-se!

Se há coisa que não compreendo, são as pessoas que querem ter acesso a um determinado luxo sem pagar por isso. Fazem-me impressão os caçadores que defendem o regime livre, e o alegado direito a devassarem propriedade alheia impunemente. A caça já foi uma actividade imprescindível à sobrevivência da espécie, mas isso foi há muitos séculos atrás. Hoje em dia, é uma actividade de lazer, praticada maioritariamente por gente sem formação, que destrói os sítios por onde passa, que abandona e abate os cães que "não servem", e, principalmente, que muitas vezes anda bêbeda e com uma arma nas mãos. Querem caçar? Pois paguem por esse direito, e façam-no em coutadas próprias.

De forma análoga, defendo o aumento cada vez maior do preço do tabaco e do álcool - e olhem que, neste caso, até fumo e bebo, ainda que moderadamente. Pois se não são bens essenciais, e se são comprovadamente danosos para a saúde e segurança, que sentido faz que sejam baratos?

Os jovens estudantes, que vão de carro para a Universidade, que faltam semanas a fio, a pretexto de eternas "queimas das fitas", "festivais de tunas" e quejandos, e que subsistem exclusivamente através da mesada dos pais - que também pagam por inteiro a propina académica, seja ela qual for - têm tanta razão para protestar contra o preço daquelas, como razão tem o elefante quando diz à formiga: "pisaste-me!"

Se se pode exigir assim, levianamente, que quem tem poder para tal satisfaça as nossas necessidades, gostaria de pedir ao Governo, por este meio, que me providencie os meios necessários para dar a volta ao mundo num veleiro, durante um ano. Muito agradecido.

2003/11/29

God is in the details

Não há como a língua inglesa para resumir numa pequena frase toda uma filosofia de vida. A de cima, por exemplo; se não andarmos atentos aos pedacinhos especiais de vida, o que andaremos cá a fazer?

2003/11/28

Um raio que parta o futebol!

Passo o dia a ouvir que o Sporting perdeu com uma equipa húngara, ou coisa que o valha; ontem era porque uma cambada de miúdos estúpidos e mimados partiram as instalações de uns balneários em França; anteontem era porque o Vitor Baía não tinha sido convocado para o Mundial; amanhã será porque o defesa direita do Santa Eulália de Baixo tem uma tendinite aguda na parte exterior do menisco, e a mulher gasta muito dinheiro em roupa. Eu que abomino futebol, sou obrigado, até à estupidificação, a ouvir falar de futebol, e penso: mas se os nossos jogadores e equipas perdem tudo, e só dão desgostos aos sócios, é porque jogam mal - e, se jogam mal, por que raio é que hão-de receber salários pornográficos? Para mais, demonstrando indíces de cultura e educação apenas comparáveis ao de grunhos pré-históricos.

E lembro-me de, em 1995, ter ido receber os meus amigos Rui Madeira e Nuno Rodrigues da Silva ao aeroporto de Lisboa, depois de eles terem garantido o título mundial de Ralis, grupo N. Estávamos apenas alguns amigos e familiares - nem televisões, nem jornais. O Rui passou ao lado de uma magnífica carreira mundial, vendo pilotos como Freddy Loix - que ele "aviava" com uma perna às costas - promovidos ao estatuto de top-drivers.

O mesmo se prepara para acontecer com Armindo Araújo, um dos melhores pilotos que já surgiram em Portugal, que cometeu apenas a proeza de, desde que se iniciou, ter ganho todas as competições que disputou - incluindo o Campeonato Nacional de 2003. Mas, neste país redondo, não haverá nunca lugar para nenhum desporto que não seja jogado com onze palermas de calções e uma bola.

E querem que eu goste de futebol? Mandasse eu, e não haveria um estádio de pé!

2003/11/27

Neo-românticos

Mais uma machadada na minha desgraçada nostalgia: lá em baixo está a passar na televisão o teledisco dos Visage, "Fade to grey". O tempo não espera por nós...

2003/11/26

Sem culpa nem remorso

Não compreendo aquelas pessoas que não são capazes de deixar um livro a meio, mesmo que o estejam a achar detestável; se um livro não presta, vai directamente para a estante (ou pior), e pronto - fica mais tempo livre para lermos outro livro!

2003/11/24

Novos links

Não tenho actualizado a minha lista de links aqui ao lado muito assiduamente, mas isso é apenas um sinal da minha atávica preguiça, e não de falta de interesse pelo que vai aparecendo. A verdade é que tenho recebido alguns simpáticos mails de colegas bloguistas, dando-me conta das suas novas criações, as quais tenho todo o gosto em divulgar, ainda que aprecie os respectivos conteúdos de formas diferentes.

Já falei antes no "Jóias da Coroa", que me pareceu bastante bem elaborado, e que mereceu até o link da praxe aqui ao lado; hoje falar-vos-ei de alguns outros, tais como o "Mais ou menos virgem", um conceito sui generis de blog, elaborado a partir de um anúncio fictício colocado na net, e desenvolvido com base nas subsequentes respostas recebidas. A seguir com moderado interesse, mas alguma curiosidade voyeurística.

Depois, recebi também um mail de 'Morrissey' (há só um...), dando conta da criação do "There is a light that never goes out" (por acaso há um erro no nome do blog: escreve-se "light", e não "ligth", mas agora já está); a par com "L'écume des jours", deve ser um dos nomes de blogs mais lindos da blogosfera. Quanto ao estilo, está-se a afinar, mas promete.

Por fim (last but not the least), recebi um mail do Pedro Adão e Silva, informando de que se prepara para jogar em múltiplos tabuleiros, e que, para tal, criou - com alguns amigos - um novo blog dedicado exclusivamente a uma das suas declaradas paixões: o surf. Tenho pena de nunca ter sentido o apelo das ondas, mas tenho grandes amigos entre a tribo, e admiro, sem ironia, o seu modus vivendi. Aconselho a visita, e o link vai ser colocado muito em breve aqui ao lado, fica prometido!

Terminada a ronda pelos mails recentes, não queria deixar de chamar a atenção para um fenómeno de universo paralelo na blogosfera: alguém, com muita paciência e razoável talento, anda a copiar, post por post, alguns dos blogs mais populares cá do burgo, alterando, no entanto, o sentido e a linha de raciocínio dos originais. Para já descobri dois: o "Bimba ininteligível", que, como facilmente se depreenderá, parodia o blog da Charlotte, e o "Parola consulta", que glosa... adivinhem quem (desculpa, Ana)!

Para já tenho-me rido um bocado; se o tom não descambar demasiado, continuarei freguês.

2003/11/21

O regresso do herói



Já estava a desesperar sem as corridas, bolas!

No próximo Sábado, dia 29, disputa-se o Rallye Casino de Espinho; se os meus leitores lá quiserem dar um salto, façam o favor de procurar entre as viaturas participantes o carro de cima. Lá dentro, sentado na bacquet do lado direito, com um ar concentrado e agarrado a um molho de papéis, há-de estar, se Deus quiser, este vosso escriba.

Update: São 21 horas de Domingo, e acabei, há minutos, de chegar de Vale de Cambra, dos reconhecimentos do rallye. Estou com uma enxaqueca das antigas, cansadíssimo, mas feliz: estou de volta ao que gosto de fazer!

2003/11/20

"Oportunidades que perdi e não voltarei a ter" ou "Carpe diem"

- De ir ouvir os Nirvana numa tarde de Outono, em Cascais;

- De pedir um autógrafo a Ayrton Senna, quando estive a um metro dele, numa conferência de imprensa (e ele disse-me "boa tarde", caraças!);

- De passar noites mágicas no Seagull;

- De passar tardes não menos mágicas no bar do Carvalhal;

- De receber mimos da Madalena, e de lhe dizer o quanto gostava dela;

- De ter sido melhor;

2003/11/19

Novidade

O ourives da coroa enviou-me um simpático e-mail, convidando-me a visitar o seu blog; acedi, e fiquei surpreendido com a qualidade. Recomendo, e actualizaria desde já a lista de links aqui ao lado, não fora o facto de estar a escrever num cibercafé, algures no reino dos Algarves, e estar com o tempo contado (até porque, daqui a nada, vou ao cinema ver "Love actually" - "O amor acontece" em português").

Mas, voltando ao "Jóias da coroa", o que eu me ri ao revisitar o sketch do "spam", dos Monthy Python; e o curioso é que ainda há dias estive a reler o do "Dead parrot", talvez o mais genial de todos, num calendário que trouxe de Londres, há já muitos anos. Aí está uma boa sugestão de prenda para a quadra natalícia: um (ou mais) DVD(s) com o conjunto dos episódios do "Monthy Python's Flying Circus" (com o Swatch do Manoel de Oliveira funcionou...).

E, já agora, tal como o João, e ao contrário da Charlotte, também idolatro "The Office", talvez por ser tão... como nós!

2003/11/18

Pausa

Desculpem lá, mas por estes dias não me tem ocorrido nada de relevante sobre o que escrever, e também não tenho tido muito tempo para o fazer. Entretanto, acabei por ser convencido a fazer o download do Messenger, e agora ando entretido com aquilo. O que é que se há-de fazer?

P.S.: Se quiserem, posso acrescentar-vos à minha lista de contactos do Messenger; basta enviarem-me um e-mail com o vosso endereço hotmail ou msn.

2003/11/16

Apagão

Foi do computador aqui de casa, ou a blogosfera esteve mesmo inacessível durante mais de meia hora? Poderão os blogs, um destes dias, ser completamente apagados deste emaranhado de impulsos eléctricos? Se sim, perderá todo o sentido o tempo que passamos aqui, a desabafar, a dizer coisas sérias ou não, a procurar empatias ou discussões, a viver as nossas vidas.

Mas, pela parte que me toca, não me arrependo; vale sempre a pena tentarmos construir algo em que acreditamos!

Pertenço a este filme:

Fiz este teste, sugerido pela Charlotte, e fiquei a saber que o filme da minha vida é este:

E os vossos, quais são?

Três sugestões:



1 - Para quem gosta de música - e não de RFM, "O homem que mordeu o cão", e outras banalidades do género - recomendo vivamente o novo (penso que é o primeiro) CD dos The Postal Service, de nome "Give up". Eu ainda não me cansei de ouvir "Such great heights" e "Sleeping in".



2 - Não sei se será sacrilégio ou heresia escrever isto, mas estou-me a divertir de morte a ler o romance de um dos novos valores da literatura inglesa, de nome Glen Duncan; quanto ao livro, chama-se "Eu, Lúcifer".



3 - Não vos tenho maçado muito com os títulos de DVD que saem à Quinta-feira com o jornal "Público", até porque considero que os desta terceira série são de uma qualidade bastante mais heterogénea do que os da segunda, que era excelente; no entanto, não posso deixar de vos chamar a atenção para o filme desta semana: "Toda a gente diz que te amo!", um dos filmes da minha vida, de e com Woody Allen. As imagens de Veneza de madrugada (o jogging), de Paris junto ao Sena, e de Woody Allen, himself, a cantar! Imperdível!

Uma boa semana!

2003/11/15

Pesquisas

Há já algum tempo que não vos maço com as chaves que alguns leitores colocam nos seus motores de busca para virem parar a este cantinho da blogosfera; mas isso não quer dizer que não continuem a surgir interesses - como dizer? - curiosos entre os internautas. Um dos temas mais recorrentes à procura do qual os leitores têm aparecido continua a ser o "folclore", nas suas infinitas declinações; no entanto, ultimamente tem-se assistido a um galopante aumento do número de pessoas em busca de "quintas para casar em Azeitão", e de "Alexandra Lencastre" (esta última, em situações mais ou menos comprometedoras).

No entanto, vão aparecendo outras situações com interesse: "Rei de Mónaco Ayrton Senna da Silva" (sim, porque Rainier é só príncipe!), "Francesinhas", "Venda de Ford Cortina", "Sistemas de contagem de automóveis" (não sei sequer o que será isto, mas torna-se preocupante que o assunto "automóveis" seja tão comum nestas pesquisas), "Imagens de Emanuelle Seigner" (pois, eu também andei à procura, mas as que encontrei...), "Ferro Rodrigues" (saia do prédio, por favor, e entre numa porta ao lado), "Céu vermelho" (isso não se procura na Internet, caro leitor, mas sim numa falésia), "Luís Filipe Borges" (também algumas portas ao lado), "José Sócrates gostos" (não conheço nem me interessam), "Fotos de Patrick Depailler" (grande piloto!), "Dedicatória para uma mãe que está a casar" (sem comentários), "Campeões de matraquilhos", "Catarina Tallon" (também não a vi por aqui), "Zezé Camarinha videos" (quando estiver com o Zezé eu peço-lhos, pá!), e isto entre muitos outros!

Mas um dos mais originais será, talvez, um freguês que ainda deve estar online, e que "Procura Portuguesa para cara metade". Boa sorte!

Isto não está grande coisa!

Bareze-me gue ando a chogar uba gribe! Bareze, bareze...

2003/11/14

À janela do escritório...

Vejo o dia cinzento. Vejo as vinhas acabadas de vindimar. E vejo, lá bem ao fundo, a auto-estrada para o Alentejo.

Passam centenas de carros, milhares de pessoas, milhões de pensamentos. Fascina-me pensar na paleta de emoções que segue junta - e contudo tão distante - naquele pedaço de alcatrão: ali, a poucos metros de distância, convivem a alegria, a tristeza, a angústia, a paixão, o medo, e todas as emoções que se possam imaginar.

Tudo à janela do meu escritório. Como num filme.

2003/11/12

"Os imortais"

Acabei há minutos de ver o filme acima mencionado, de António Pedro Vasconcelos, e recomendo; apesar de alguns anacronismos simplesmente impressionantes (por exemplo, a acção principal da história passa-se em 1985, mas todas as viaturas que surgem são para aí da década de sessenta!), o filme vale pelo enredo, pela imagem, mas, sobretudo, pela genial interpretação de Nicolau Breyner, uma espécie de Columbo (alguém se lembra?) à portuguesa, o melhor papel que eu já o vi alguma vez representar - e eu até o achava um bocado canastrão!

É claro que também há a Emanuelle Seigner, mas aí todos os comentários que eu pudesse fazer seriam redundantes; a propósito, tenho que procurar, para ver de novo, "Bitter Moon", realizado pelo marido, Roman Polanski, e também com uma grande interpretação de Peter Coyotte.

2003/11/11

Que mais desilusões me reservarão estes dias?

O Ferro Rodrigues não se demite;

Os Suede separaram-se;

Já acabei de ler "High Fidelity", de Nick Hornby, que é daqueles livros em que estamos sempre a rezar para que não acabe;

Amanhã vou outra vez para o raio do Algarve (e a minha sobrinha faz anos, e eu não estou cá!);

A Margarida Rebelo Pinto escreveu mais um livro;

Ando cheio de saudades de Veneza, Portobello, Triana e S. Pedro de Moel, e não sei quando lá voltarei (Sexta-feira devo ir a Peniche, mas não é bem a mesma coisa);

O Totoloto não me saiu na semana passada;

Não consigo encontrar o CD dos Postal Service em lado nenhum;

Ainda ninguém me confirmou um patrocínio para fazer o Campeonato Nacional de Ralis no próximo ano;

Cada vez escrevem menos comentários neste blog;

And so on...