Há coisas que sempre terei dificuldade em compreender, por mais que me tentem sensibilizar; encontram-se entre estas a suposta beleza que existe no futebol. Não consigo, por mais que me esforce, ver qualquer tipo de sentido estético nas corridas e pontapés de um grupo de adultos em calções.
Por oposição, tenho dificuldade em explicar a quem não apreciar a coisa, toda a magia duma imagem de carros de Ralis. Ainda ontem, enquanto esperava que o Lou se despachasse para o levar à escola, via de novo as espectaculares imagens do Rali da Catalunha, disputado na semana passada e vencido por Gilles Panizzi. Como é que se pode explicar por palavras o fascínio que me provocou ver a forma alucinada e temerária como Carlos Sainz conduzia frente ao seu público, ou o olhar apreensivo de Marc Marti, ao seu lado? Como é que posso traduzir o respeito que me provoca ver Sebastien Loeb a conduzir, sem nunca "tirar pé", aconteça o que acontecer? E o minimalismo, a pureza da condução de Richard Burns?
Para quem me lê, todos estes devem ser pilotos mais ou menos iguais uns aos outros, apenas diferenciáveis pelos números apostos nas portas das suas viaturas - mais ou menos o que eu acho dos jogadores de futebol, com a diferença de que estes trazem o número nas costas!
2003/11/05
2003/11/02
Outra semana que começa!
A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
Esconde-se á espreita
Nunca dei um passo
Que fosse o correcto
Eu nunca fiz nada
Que batesse certo
E enquanto esperava
No fundo da rua
Pensava em ti
E em que sorte era a tua
Quero-te tanto
Quero-te tanto
De modo que a vida
É um circo de feras
E os entretantos
São as minhas esperas
E enquanto esperava
No fundo da rua
Pensava em ti
E em que sorte era a tua
Quero-te tanto
Quero-te tanto.
(Nota: post um bocadinho surrealista e muito neura)
Conhecem isto?
Como diz a M., manual de sobrevivência para pais com filhos adolescentes; hei-de lá chegar, se Deus quiser!
Custa-me perceber...
Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto, inaugurou um destes dias (penso que ontem), uma nova artéria da cidade que servirá para aceder ao novo Estádio do F.C.P.. Durante a cerimónia foi constantemente vaiado, ao que parece, por adeptos portistas. Também ouviu alguns elogios, como nos conta Jorge Marmelo, na reportagem que elaborou para o "Público", mas isso, normalmente, não constitui notícia (a propósito, hei-de falar um dia destes de uma conversa recente com um Secretário de Estado, em que se falava do "que era e do que não era notícia", na opinião de uma jornalista desse exercício de masturbação intelectual chamado "Expresso").
Custa-me perceber a mentalidade de pessoas que apoiam incondicionalmente o presidente de um clube desportivo que é, objectivamente, malcriado, mal formado, arruaceiro, arrogante e ordinário (no sentido pejorativo do termo) - em suma, um autêntico escroque. E custa-me perceber pessoas que, morando numa cidade em que o edil tenta fazer alguma coisa pela mesma lutando contra mafiosos lobbies futebolísticos, se colocam do lado do clube, e contra o autarca e, por inerência, contra a sua própria qualidade de vida e das suas famílias. Tudo para que esse oportunista, que dá pelo nome de Pinto da Costa, e que - para utilizar uma expressão agora muito em voga - se está "cagando" para eles, possa embolsar mais uns milhares - ele e o seu inner circle sem escrúpulos!
Já me custa menos perceber que um autarca vizinho, especialista em "tiros no pé", e ressabiado com umas eleições autàrquicas atípicas, se ponha constantemente em bicos de pés para se poder candidatar a alguns ossos que P.C. de vez em quando lhe lança por cima do rio. Mas lá voltaremos.
Custa-me perceber a mentalidade de pessoas que apoiam incondicionalmente o presidente de um clube desportivo que é, objectivamente, malcriado, mal formado, arruaceiro, arrogante e ordinário (no sentido pejorativo do termo) - em suma, um autêntico escroque. E custa-me perceber pessoas que, morando numa cidade em que o edil tenta fazer alguma coisa pela mesma lutando contra mafiosos lobbies futebolísticos, se colocam do lado do clube, e contra o autarca e, por inerência, contra a sua própria qualidade de vida e das suas famílias. Tudo para que esse oportunista, que dá pelo nome de Pinto da Costa, e que - para utilizar uma expressão agora muito em voga - se está "cagando" para eles, possa embolsar mais uns milhares - ele e o seu inner circle sem escrúpulos!
Já me custa menos perceber que um autarca vizinho, especialista em "tiros no pé", e ressabiado com umas eleições autàrquicas atípicas, se ponha constantemente em bicos de pés para se poder candidatar a alguns ossos que P.C. de vez em quando lhe lança por cima do rio. Mas lá voltaremos.
2003/11/01
Máquina do tempo
Quem me conhece, e/ou acompanha regularmente este blog, sabe da fase nostálgica que ando a atravessar; começou quando vi que tinha acabado de fazer trinta anos e, no dia seguinte, já estava a fazer quarenta. Esta melancolia agrava-se mais quando, por vezes, encontro coisas que me são especialmente familiares e descubro que as conheci há vinte e tal anos.
Quem estiver atento ao blog também sabe da minha compulsão para comprar CDs e livros, seja onde for - e assim sucedeu hoje de novo: fui ao Jumbo de Setúbal fazer umas compritas domésticas mas, como de costume, não consegui resistir áqueles cestos de promoção com CDs "fundo de catálogo". E, bem lá no fundo, lá estava isto: "Pyramid", álbum conceptual de Alan Parsons Project que, a par com o maravilhoso "Flesh and Blood", dos Roxy Music, me ajudou a crescer.
E já lá vão vinte e quatro anos!
Crise de meia idade
Já vi os Blur actuarem ao vivo duas vezes mas, mesmo assim, continuo a gostar dos falsetes do Damon Albarn - e até comprei o "Think tank", se bem que não o consiga ouvir no carro (aproveito aqui para lançar uma praga sobre quem inventou esses CDs à prova de cópia, bem como sobre os tipos que embrulham aquilo num celofane tão intrincado que demoramos horas para tirá-lo!).
Não sei se isto será aceitável, principalmente num tipo que já passou dos quarenta anos, mas ando com vontade de ir vê-los de novo ao Coliseu, na Quarta-feira. Haverá cura para isto?
2003/10/31
Redacção: os blogs
Costumo ler as revistas portuguesas de livros com algumas reservas; de entre elas, confesso a minha particular preferência pela "Ler", se bem que já tenha detectado nas suas prosas erros de ortografia dificilmente desculpáveis num blog, quanto mais numa revista literária. Mas a habitual qualidade dos artigos e crónicas lá ia compensando a coisa - até hoje!
Hoje, precisamente, comprei a edição Outono 2003 e, ao ver na capa uma chamada para uma peça sobre blogs, logo corri a ler o supra citado texto. Que desilusão; ao melhor estilo "eu-gosto-muito-da-vaca-porque-a-vaca-nos-dá-o-leite", o jornalista limita-se a debitar alguns lugares comuns sobre a blogosfera, tão banais e incipientes que mais pareceriam uma introdução ao assunto - até pelo tamanho: duas páginas - duas! - quando a média de páginas por artigo ultrapassa frequentemente as seis páginas!
Em adenda surge ainda uma lista de blogs da moda, mas, mais uma vez, nada de novo: os suspeitos do costume. Enfim...
Hoje, precisamente, comprei a edição Outono 2003 e, ao ver na capa uma chamada para uma peça sobre blogs, logo corri a ler o supra citado texto. Que desilusão; ao melhor estilo "eu-gosto-muito-da-vaca-porque-a-vaca-nos-dá-o-leite", o jornalista limita-se a debitar alguns lugares comuns sobre a blogosfera, tão banais e incipientes que mais pareceriam uma introdução ao assunto - até pelo tamanho: duas páginas - duas! - quando a média de páginas por artigo ultrapassa frequentemente as seis páginas!
Em adenda surge ainda uma lista de blogs da moda, mas, mais uma vez, nada de novo: os suspeitos do costume. Enfim...
Gazeta
Eu sei, eu sei; tenho estado a falhar. Ainda que não me sirva de desculpa, sempre vos digo, no entanto, que tenho andado em viagem (profissional, claro), e que os cibercafés que tenho encontrado têm ligações mais lentas do que as que D. Afonso Henriques usava. Serve como desculpa?
2003/10/28
2003/10/26
"Agosto"
A queda de Trujillo, e da sua tirânica ditadura na República Dominicana (não são só praias...), magistralmente romanceada por Mário Vargas Llosa no romance "A festa do chibo", não mereceram um único comentário.
Vejamos agora o que se passará com "Agosto", filme de 1988, de Jorge Silva Melo, filmado aqui na Serra Mãe, e que também é um dos filmes da minha vida. A propósito, recomendo, também de J.S.M., os livros (guiões) "O fim ou tende misericórdia de nós" e "António, um rapaz de Lisboa"; deste último título recomendaria também a peça, se ainda estivesse em exibição. Uma das melhores peças de teatro que já vi, e na qual, para mais, entrava a minha amiga Sandra Reis Silva.
Vejamos agora o que se passará com "Agosto", filme de 1988, de Jorge Silva Melo, filmado aqui na Serra Mãe, e que também é um dos filmes da minha vida. A propósito, recomendo, também de J.S.M., os livros (guiões) "O fim ou tende misericórdia de nós" e "António, um rapaz de Lisboa"; deste último título recomendaria também a peça, se ainda estivesse em exibição. Uma das melhores peças de teatro que já vi, e na qual, para mais, entrava a minha amiga Sandra Reis Silva.
Marte ataca!
Quem me conhece minimamente - ou quem lê regularmente este blog - sabe já bem de algumas das coisas que me provocam ansiedades; e uma delas é, precisamente, aglomerados de pessoas.
Serve este intróito para descrever a minha manhã de ontem. Precisando de trocar uns boxers, que me haviam oferecido na véspera e que tinham sido comprados no Colombo (só podendo, portanto, ser trocados aí), pensei o seguinte: "ainda é cedo, pode ser que a coisa não tenha muita gente, trocamos as cuecas, almoçamos, e... ala!". O raciocínio estava perfeito, não fora eu, por manifesta falta de cultura geral, ter esquecido um simples detalhe: ontem era a inauguração de um campo de futebol do outro lado da rua, e, em consequência, por todo o lado se viam magotes de gente com cachecóis, camisolas ou bandeiras vermelhas (vou-me abster de fazer juízos intelectuais apenas pelo facies, pois sei que posso ser injusto e resvalar para a sobrevalorização).
Estávamos cercados, e a situação só tinha tendência a piorar.
No entanto, e numa reacção puramente instintiva, o Lou reagiu muito mais rapidamente do que eu à ameaça premente: descobriu que, carregando no botão vermelho das escadas rolantes, conseguia imobilizar, de cada vez, grandes quantidades de criaturas vermelhas. Foi o que nos valeu para fugir dali. Penso que os tipos do cachecol ainda lá devem estar, à espera que a escada volte a trabalhar.
P.S.: Para não ferir susceptibilidades, garanto-vos que o meu discurso seria o mesmo se os cachecóis fossem verdes, amarelos com bolinhas, ou mesmo azuis (bom, está bem; neste último caso eram capazes de ser um bocadinho piores).
Serve este intróito para descrever a minha manhã de ontem. Precisando de trocar uns boxers, que me haviam oferecido na véspera e que tinham sido comprados no Colombo (só podendo, portanto, ser trocados aí), pensei o seguinte: "ainda é cedo, pode ser que a coisa não tenha muita gente, trocamos as cuecas, almoçamos, e... ala!". O raciocínio estava perfeito, não fora eu, por manifesta falta de cultura geral, ter esquecido um simples detalhe: ontem era a inauguração de um campo de futebol do outro lado da rua, e, em consequência, por todo o lado se viam magotes de gente com cachecóis, camisolas ou bandeiras vermelhas (vou-me abster de fazer juízos intelectuais apenas pelo facies, pois sei que posso ser injusto e resvalar para a sobrevalorização).
Estávamos cercados, e a situação só tinha tendência a piorar.
No entanto, e numa reacção puramente instintiva, o Lou reagiu muito mais rapidamente do que eu à ameaça premente: descobriu que, carregando no botão vermelho das escadas rolantes, conseguia imobilizar, de cada vez, grandes quantidades de criaturas vermelhas. Foi o que nos valeu para fugir dali. Penso que os tipos do cachecol ainda lá devem estar, à espera que a escada volte a trabalhar.
P.S.: Para não ferir susceptibilidades, garanto-vos que o meu discurso seria o mesmo se os cachecóis fossem verdes, amarelos com bolinhas, ou mesmo azuis (bom, está bem; neste último caso eram capazes de ser um bocadinho piores).
2003/10/25
Rosa do Mundo
Inspirado por Possidónio Cachapa (a propósito, ofereceram-me ontem "Segura-te ao meu peito em chamas", que não conhecia; já comecei a lê-lo), abri o livro "Rosa do Mundo/ 2001 poemas para o futuro" (ed. Assírio e Alvim), mais ou menos ao acaso; saíu-me este soneto lindíssimo de David Mourão Ferreira:
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
Zé:
Já ouvi a Patricia Barber; para que saibas, quando a oiço, sinto-me como se estivesse na esplanada do Fresco, na Zambujeira do Mar, numa manhã fria (mas sem chuva), com um galão cheio de espuma à frente (e o mar mais além, logo a seguir à falésia), e um livro nas mãos.
Expliquei-me?
Expliquei-me?
Agradecimento
Não quero passar por indelicado; por isso venho, por este meio, agradecer sincera e penhoradamente, a todos os que me parabenizaram pela minha recente entrada nos "entas" (vd. post "É hoje!", de 23 de Outubro). Agradeço, naturalmente, a todos os que o fizeram pessoalmente, via net ou telefone (e foram muitos), mas principalmente àqueles que ontem, debaixo de um dilúvio inenarrável, lutando com constantes faltas de luz, fizeram o favor de se me juntar, em Azeitão, no bar "Páteo Alvorada" (passe a publicidade, mas os donos também são grandes amigos), para festejar esta data.
A todos e a cada um, o meu obrigado do fundo do coração, e espero vê-los de novo a todos daqui a dez anos (pelo menos)!
A todos e a cada um, o meu obrigado do fundo do coração, e espero vê-los de novo a todos daqui a dez anos (pelo menos)!
2003/10/24
Alterações
O extraordinário filme "Às Segundas ao sol" não mereceu grande debate, apesar de ser verdadeiramente lindo. Vejamos agora o que se vai passar com este romance, "A festa do chibo", do peruano Mario Vargas Llosa - a mim deixou-me obcecado até agora, e já o li há mais de dois anos!
O blog segue dentro de momentos!
Peço desculpa à minha legião de fãs, mas a verdade é que as Sextas-feiras, ultimamente, têm sido dias terríveis para postar; isso, e alguma confessa falta de inspiração, fazem com que este blog, hoje, esteja em stand-by!
Mas, se assim o desejarem, podem usar as vantagens da interacção e, a partir das caixas de comentários, deixarem-me sugestões, as quais desde já agradeço.
Mas, se assim o desejarem, podem usar as vantagens da interacção e, a partir das caixas de comentários, deixarem-me sugestões, as quais desde já agradeço.
2003/10/23
Sem comentários
"O Partido Socialista entende claramente que a Drª Fátima Felgueiras só deve
voltar a exercer as suas funções de Presidente de Câmara quando toda esta
situação estiver esclarecida e se ela vier a ser declarada inocente. Até ao cabal esclarecimento da situação ela não deve voltar a exercer o cargo. Se ganhar o recurso, devia suspender o mandato pela sua vontade. Por muito doloroso que isso seja, eu separo o que tem a ver a responsabilidade
política com a solidariedade pessoal."
Paulo Pedroso, sobre Fátima Felgueiras, ao programa Grande Júri/TSF, 11 de Janeiro de 2003
voltar a exercer as suas funções de Presidente de Câmara quando toda esta
situação estiver esclarecida e se ela vier a ser declarada inocente. Até ao cabal esclarecimento da situação ela não deve voltar a exercer o cargo. Se ganhar o recurso, devia suspender o mandato pela sua vontade. Por muito doloroso que isso seja, eu separo o que tem a ver a responsabilidade
política com a solidariedade pessoal."
Paulo Pedroso, sobre Fátima Felgueiras, ao programa Grande Júri/TSF, 11 de Janeiro de 2003
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