2003/10/18

Podia-me mostrar as plantas, se faz favor?



Esta é a casa de Frank O. Gehry, o arquitecto ex-encarregado pelo putativo projecto do "Casino-do-Parque-Mayer-que-afinal-já-não-fica-no-Parque-Mayer-mas-sim-no-Cais-do-Sodré-ou-na-Bica-do-Sapato-ou-no-raio-que-o-parta-quero-lá-saber-onde-fica-a-porra-do-Casino-eu-nem-sei-se-vai-ser-um-Casino-ou-uma-fábrica-de-conservas"!

Como já disse antes, acho Gehry uma fraude como, aliás, acho muitos arquitectos contemporâneos. A história do "Rei vai nu" aplica-se perfeitamente a esta elite: toda a gente se sente coibida de tecer reparos à obra de Álvaro Siza, mesmo quando ela é descaradamente decalcada de uma obra qualquer noutro lugar. Ninguém fala dos trabalhos que Tomás Taveira despudoradamente rouba a alunos e a estagiários pagos "a amendoins" (e estou à vontade para o dizer, pois já fui seu aluno). Quanto ao "mestre" Gehry, trabalha assim:depois de uma refeição bem regada, dobra meia dúzia de guardanapos, vira-se para os seus ajudantes de campo e diz, por exemplo: "O Guggenheim de Bilbao vai ser assim!"

O resto da história é simples; os seus funcionários, japoneses e quejandos - esses sim, os verdadeiros génios - fazem milagres para materializar em três dimensões os arrotos pós-prandiais do mestre. Quanto a este, tudo o que tem a fazer é esticar a mão e pedir dezassete milhões de euros (sim, dezassete milhões de euros, leram bem!) pelo projecto de algo que não se sabe onde ou sequer o que vai ser!

Para quem não está a seguir bem esta ladaínha, fiquem a saber que F.O.G. pediu, pelo trabalho de projectar (projectar apenas; não construir) o futuro Casino do Parque Mayer, a bagatela da quantia acima mencionada. E, pelo que se lê, Pedro Santana Lopes mandou-o ir roubar para a terra dele - e, se realmente o fez, fez muito bem!

"Às Segundas ao sol"

Depois do álbum "London calling", dos The Clash, que deu alguma discussão sadia, eis novo objecto de culto. Este é, sem sombra de dúvida, o melhor filme que eu vi nos últimos tempos: "Às Segundas ao sol", de Fernando Léon de Aranoa, e com a "next big thing" do cinema espanhol, Javier Bardem ("Carne tremula", de Pedro Almodovar).

2003/10/17

E agora, a coisa mais egoísta que eu já escrevi neste blog!

Tenho vergonha de o confessar, mas a verdade é que gostava de ter o Sanatório do Outão só para mim, para minha casa particular; fazia-lhe meia dúzia de obras, mantinha a praia privativa, e depois, convidava os amigos (afinal não sou assim tão egoísta, pois não?).

Já agora, mandava deitar abaixo as torres de Tróia e a fábrica antiga da Secil, para não me estragarem a paisagem - e, já que estava com a mão na massa, também demolia a fábrica nova, que faz tanta falta ali como uma epidemia de peste!

2003/10/16

Sejam sinceros!





Desculpem-me ser tão chato, mas continuo na minha; qual a imagem de praia mais bonita, entre as duas acima (e notem que não fui "mauzinho", e não coloquei uma daquelas fotografias de praias a abarrotar de gente no Verão)?

2003/10/15

Subtil

O meu aniversário está aí, a pouco mais de uma semana, e, provavelmente, muitos de vós ainda estão indecisos sobre o presente a dar-me. Deixem-me dizer-vos que me contento com pouco, desde que seja em british green!

Kandinsky



Este quadro é de um dos meus pintores favoritos, Wassily Kandinsky, mestre da Bauhaus, e, sobre ele, andei meses a fazer um trabalho na faculdade. Mas, em vez de me ter farto, cada vez o aprecio mais!

Desculpem lá, mas agora, que descobri "isto" das imagens, vou usá-las um bocadinho mais.

Finalmente imagens!

Já aqui há algum tempo, a Papoila, a quem agradeço encarecidamente todas as ajudas, me tinha tentado ajudar a colocar imagens neste blog; na altura tentei, não consegui, e chateei-me - fica sem imagens, e pronto!

Mas hoje, o E.D. enviou-me um simpático mail, no qual me ensinava uma maneira bastante mais fácil de "sacar" imagens - e elas aí estão!

No cabeçalho do blog - decidi agora mesmo - vai surgir regularmente uma capa de livro, CD, filme, ou outra coisa qualquer, que tenha especial siginificado para mim; e nada melhor, para começar, do que o melhor disco de todos os tempos: "London calling", dos The Clash. Alguém tem dúvidas?

De qualquer forma, aceito sugestões.

Dia não oficial do dador de medula óssea



Sim, eu sei que o dia que a Ana escolheu para esta espécie de campanha ainda agora começou. Mas, como eu, daqui a bocado, terei que sair de casa muito cedo, e dificilmente terei acesso a um computador até à noite, vou deixar já aqui a minha contribuição; espero que não me levem a mal.

Como os mais atentos saberão, esta não é a primeira vez que aqui apelo à dádiva de medula óssea. Através dessa dádiva, poderá o leitor, sem qualquer tipo de risco para a sua saúde, vir a salvar pessoas que padecem de leucemia, em Portugal, na China ou em qualquer outro lugar.

O mais terrível sobre a leucemia - grosso modo, uma variedade de cancro que afecta o sangue - para além de ser, em muitos casos, mortal, é que se trata de uma doença com uma incidência particularmente chocante em camadas jovens. Como se trata de uma maleita que se propaga através da reprodução de células malignas, e como, nos jovens, devido precisamente à sua pujança, a reprodução das células se faz com maior vigor, dá-se este efeito irónico e perverso de tanto as células boas como as más serem reproduzidas.

Não me prolongarei mais sobre este assunto que, de resto, já abordei em posts anteriores. Apenas gostaria de acrescentar, em adenda ao que escrevi acima, que o processo de inscrição para potencial dador (que é reversível em qualquer altura, desde que o dador manifeste essa intenção) começa pelo preenchimento de um banal inquérito, que pode ser obtido no CEDACE-Registo Português de Dadores de Medula Óssea, situado em Lisboa, no Campo de Santana (ou Campo Mártires da Pátria), n.º 130. Para quem reside longe da capital, existe sempre a hipótese de proceder à inscrição através do site, ou de solicitar esclarecimentos adicionais pelos números de telefone 218823534/5.

Preenchido este questionário, e aprovado pelos responsáveis, é então o voluntário convocado para uma sessão de análises que, na prática, consiste numa vulgar recolha de sangue. Por fim, se vier a surgir algum paciente compatível com o nosso tipo de medula (e Deus queira que surja!), é então efectuada a colheita de medula propriamente dita; em relação a esta intervenção, que anteriormente era feita através de punção, o que poderia eventualmente impressionar os espíritos mais sensíveis, diz-me a minha amiga A. (que sabe bastante mais disto do que eu, infelizmente pelos piores motivos), que agora já se pode colher medula através doutra simples recolha de sangue - chama-se esta técnica citaférese.

Que este dia seja o princípio de algo bom, é o meu maior e mais sincero desejo!

2003/10/14

Gentlemen drivers

Existe um filme, de John Frankenheimer, chamado "Grand Prix", que eu já vi vezes sem conta - curiosamente, e ainda bem, sempre no original, sem legendas ou dobragens. Trata-se de uma história passada no mundo da fórmula 1 dos anos 60, na qual se mistura uma correcta descrição das corridas e seu ambiente de então, com o lado emocional dos homens que as faziam.

Não me lembro bem das corridas dos anos 60, mas recordo-me de idiossincrasias interessantes de pilotos que vi correr; lembro-me, por exemplo, de John Watson, de quem se dizia só andar bem quando estava apaixonado. Ou de Patrick Depailler, que fumava compulsivamente antes de entrar no carro. Já para não falar de David Purley, que, em plena prova, parou o seu carro junto ao do seu amigo Roger Williamson, envolto em chamas, tentando, pelo meio do fogo, resgatá-lo. E, toda a gente decerto se lembrará, do misticismo e devoção que rodeavam todas as participações do inigualável Ayrton Senna da Silva. Tudo muito distante das coreografias maquinais dos pilotos de hoje em dia.

É por isso que, quando leio na "Pública" de Domingo, uma peça de promoção desse artigo de marketing que dá pelo nome de Michael Schumacher, acompanhada de um pretenso quadro estatístico comparando os feitos de M.S. aos do argentino Juan Manuel Fangio (como se alguma vez se pudessem comparar), não posso deixar de sorrir. Sorrio, quando vejo que os "especialistas" do "Público" confundem conceitos básicos, como potência e cilindrada, mas principalmente quando leio que, guiando cada um o seu carro, M.S. daria três voltas ao circuito do Mónaco, no mesmo tempo em que J.M.F. completaria apenas duas. Talvez, mas, como diria o meu saudoso amigo Thomaz de Mello Breyner, para Fangio as fazer assim, tinha que "tê-los" mil vezes mais pretos do que os desse traste chamado Schumacher!

2003/10/12

Não vai mais bebida para a mesa da Dr.ª Ana Gomes!

Eu compreendo-vos, socialistas desesperados; nós também temos um Daniel Campelo, e não sabemos mais o que fazer para nos vermos livres dele. É que o gajo nem se colou à "Nova Democracia", como os outros! Mas, pelo menos, vai estando calado...

Devo ser mesmo um tipo difícil de aturar!

Mostram-me dezenas (centenas, milhares?) de fotografias de mais umas férias "deslumbrantes" no Brasil; mergulhos com golfinhos, passeios a cavalo na praia, passeios de Buggy nas dunas - enfim, a panóplia toda!

Mas eu, enquanto vou desfolhando maquinalmente fotos, só consigo pensar que ainda não voltei a Londres desde que abriu a "Tate Modern"!

Por um mundo melhor!

Faz hoje uma semana, publiquei aqui um post em que apelava aos meus leitores para que se inscrevessem como potenciais dadores de medula óssea; contava, a propósito, que conheço casos de leucemia no meu inner circle de amizades, que muito me têm perturbado. A resposta àquele post foi pouco mais que nula, e, se me permitem, fiquei um pouco desiludido convosco.

No entanto, ainda estão a tempo de se redimir; a Ana propõe num post recente que, num dia próximo a combinar (segundo outra Ana, será na Quarta-feira, 15 de Outubro, mas ainda não disponho de confirmação), todos escrevam posts em que apelem à adesão ao Registo Português de Dadores de Medula Óssea. É, sem dúvida, uma iniciativa meritória, e só espero que a adesão seja maior do que a triste amostra que eu tive - pela minha parte, nem é preciso dizer que só um cataclismo me impediria de aderir!

Entretanto, descobri que, também no "Glória Fácil", já se falou há uns dias do mesmo assunto, e se deixou o mesmo apelo. Bem hajam!

2003/10/10

Baixo consumo

São precisas poucas coisas para me fazer feliz; por exemplo, neste momento, basta-me a perspectiva de um Sábado chuvoso, com duas revistas de automóveis clássicos que acabei de comprar (uma originária de cada lado do Canal da Mancha, pois a forma como se abordam os clássicos altera-se completamente com a travessia), mais a "Os meus livros" - que traz uma entrevista, que ainda não li, mas que só pode ser sen-sa-cio-nal, com Paula Bobone, e ainda, muito provavelmente, mais um artigo mensal de Marcelo Rebelo de Sousa, onde o "professor" nos recomenda cerca de 3.425 livros que diz ter lido no último mês - e ainda, se tal não for suficiente, "Nada do outro mundo", excelente livro de contos de António Muñoz Molina que comecei a ler há dias (a propósito, do mesmo autor, um escritor fétiche do meu pai, recomendo "Os segredos de Madrid").

E há ainda a Carla Bruni, que me tem feito excelente companhia por estes dias!

Depois, haverá uma caldeirada para o almoço, numa tasca que os meus sogros desencantaram "não-sei-onde", e, para finalizar, no Domingo, deverei aproveitar para deixar o Lou na minha mãe, e ir ao cinema em dose dupla; quero ver "Adeus Lenine", e outro filme qualquer que ainda não escolhi, mas que provavelmente será no King, pois adoro aquela livraria Assírio e Alvim.

Espero que chova todo o fim de semana!

Afinal sempre havia gato!

Eu bem que andava intrigado; o meu modesto sitemeter andava a passo de caracol, enquanto que outros sistemas de contagem, noutros blogs, pareciam autênticas lebres. Afinal, está esclarecido o mistério: o sitemeter apenas conta uma visita do mesmo IP, se este estiver mais de meia hora sem aceder ao blog - doutra forma, é uma page-view, e dessas, tenho para cima de 12.000. Mas os outros sistemas de contagem, mais simpáticos para os donos do blog, contam uma visita por cada page-view.

Tudo bem!

2003/10/09

Zezé Camarinha rules!

Toda a gente que vem regularmente a este blog sabe da minha aversão de estimação pelo Algarve. Ora, acontece que ontem tive que ir, por motivos profissionais, a essa província, e só hoje voltei. A minha antipatia cresceu, posso-vos dizer. Abomino aquelas estradas, pejadas de anúncios em inglês, que nos confundem nos cruzamentos, aquela construção sem qualquer tipo de estilo arquitectónico, a não ser o "tudo-ao-molho", e os alemães reformados por todo o lado, babados com todo aquele "plástico".

Hoje até fui ao super-mercado "Apolónia", que António Barreto tanto gabou na sua crónica do "Público" de Domingo passado, mas a predisposição para apreciar aquilo que aparentava ser, realmente, um belo espaço comercial, foi minada pela irritação de estar "no Algarve". Está bem que o meu pai é algarvio, e que tenho lá bastante família, mas estão na serra, e isso já não faz parte (por enquanto), desse Algarve horrível.

Mas, o mais insólito ainda estava para acontecer; entrei num escritório duma empresa portuguesa, em Ferragudo, onde tinha marcada uma entrevista com um senhor - holandês, por sinal - mas, depois de tentar explicar à recepcionista ao que vinha, ela respondeu-me:

I'm sorry, sir, but I can't understand you; could you please speak in english?

2003/10/07

Coincidências?

Se eu fosse adepto da teoria da conspiração, diria que os palhaços do tuning andam a ler este blog, o que me encheria de desgosto. Mas a verdade é que hoje, ao fim da tarde, a minha cara-metade vinha de Lisboa e, na auto-estrada, um atrasado mental (as usual) começou a fazer-lhe sinais de luzes, apesar de ver que ela própria também vinha a ultrapassar. Depois, quando a Lu se desviou para a direita, o mongolóide passou para a frente dela e travou violentamente, até fazê-la parar na faixa de rodagem. De seguida, qual herói de pacotilha, saíu do carro e interpelou a Lu, violentamente, batendo-lhe no espelho e no próprio carro. Gostaria, contudo, de ter visto a reacção desta pedaço de merda se, em vez da Luísa, encarasse com um tipo com a minha corpulência.

Duvido que gente com esta estatura moral frequente blogs, mas se porventura algum de vós conhecer um cobardolas que se locomova num VW cinzento, de matrícula 62-12-SH, faça-me o favor de lhe dizer que amanhã, de manhã, já terei acesso aos seus dados pessoais (incluindo, provavelmente, o número de telemóvel), e que, a partir daí, a sua vida vai ganhar uma animação inusitada.

Não costumo ser tão maquiavélico, mas o que fariam vocês num caso destes?

2003/10/06

Desabafo

Devem haver poucas pessoas mais estúpidas e cretinas do que (todos) os adeptos do tuning automóvel!

Casas

Já aqui disse uma vez que gosto de quartos de hotel por serem assépticos e impessoais, e digo agora que, pelas mesmas razões, detesto casas assim. Gosto de entrar numa casa e, mesmo sem saber nada sobre os seus proprietários, poder fazer um retrato aproximativo deles. Gosto de bisbilhotar os livros que lêem, os CDs que ouvem, os videos ou DVDs que têm - isto, naturalmente, quando têm algumas destas coisas, o que nem sempre é verdade.

Há casas deprimentes; são aquelas em que entramos, e as coisas estão exactamente no sítio em que deveriam estar, a higiene é irrepreensível, e em que tudo combina com tudo (e nada combina com nada). São casas sem personalidade, que poderiam muito bem passar por um apartamento mobilado, algures num aldeamento da moda, no Algarve.

Alguns acusar-me-ão de despeito, por saberem que, com uma cadela e um filho de dois anos em casa, será difícil mantê-la primorosa - é um facto, mas a verdade é que este tipo de pensamento não me vem de agora. Sempre pensei assim, primeiro inconscientemente, e depois assumidamente, a partir da altura em que li um magnífico texto de Manuel Graça Dias (possivelmente o melhor arquitecto português - e sei do que falo) em que se referia jocosamente às pessoas que lhe pediam aquilo que ele designava por "decoração instantânea"; aquelas pessoas que, para combinar com o seu espremedor Phillipe Starck, gastam 20.000 euros para comprar toda uma mobília do mesmo designer!

P.S.: O texto em apreço foi inicialmente publicado numa crónica d'"O Independente", chamada "Vida Moderna", e mais tarde, em 1992, fez parte de uma compilação com o mesmo título, editada por João Azevedo.

O que é que se anda a passar?

Vem cá pouca gente, quase ninguém escreve comentários; fartaram-se?

2003/10/05

Kapa

Não o descobri sozinho, confesso; foi num post da Charlotte. Mas fiquei extasiado ao reler, neste blog, os textos da revista "Kapa", que eu venerava religiosamente!

Muito obrigado pelo serviço público, seja lá quem fôr, e que nunca lhe doa a mão!