2003/10/10

Baixo consumo

São precisas poucas coisas para me fazer feliz; por exemplo, neste momento, basta-me a perspectiva de um Sábado chuvoso, com duas revistas de automóveis clássicos que acabei de comprar (uma originária de cada lado do Canal da Mancha, pois a forma como se abordam os clássicos altera-se completamente com a travessia), mais a "Os meus livros" - que traz uma entrevista, que ainda não li, mas que só pode ser sen-sa-cio-nal, com Paula Bobone, e ainda, muito provavelmente, mais um artigo mensal de Marcelo Rebelo de Sousa, onde o "professor" nos recomenda cerca de 3.425 livros que diz ter lido no último mês - e ainda, se tal não for suficiente, "Nada do outro mundo", excelente livro de contos de António Muñoz Molina que comecei a ler há dias (a propósito, do mesmo autor, um escritor fétiche do meu pai, recomendo "Os segredos de Madrid").

E há ainda a Carla Bruni, que me tem feito excelente companhia por estes dias!

Depois, haverá uma caldeirada para o almoço, numa tasca que os meus sogros desencantaram "não-sei-onde", e, para finalizar, no Domingo, deverei aproveitar para deixar o Lou na minha mãe, e ir ao cinema em dose dupla; quero ver "Adeus Lenine", e outro filme qualquer que ainda não escolhi, mas que provavelmente será no King, pois adoro aquela livraria Assírio e Alvim.

Espero que chova todo o fim de semana!

Afinal sempre havia gato!

Eu bem que andava intrigado; o meu modesto sitemeter andava a passo de caracol, enquanto que outros sistemas de contagem, noutros blogs, pareciam autênticas lebres. Afinal, está esclarecido o mistério: o sitemeter apenas conta uma visita do mesmo IP, se este estiver mais de meia hora sem aceder ao blog - doutra forma, é uma page-view, e dessas, tenho para cima de 12.000. Mas os outros sistemas de contagem, mais simpáticos para os donos do blog, contam uma visita por cada page-view.

Tudo bem!

2003/10/09

Zezé Camarinha rules!

Toda a gente que vem regularmente a este blog sabe da minha aversão de estimação pelo Algarve. Ora, acontece que ontem tive que ir, por motivos profissionais, a essa província, e só hoje voltei. A minha antipatia cresceu, posso-vos dizer. Abomino aquelas estradas, pejadas de anúncios em inglês, que nos confundem nos cruzamentos, aquela construção sem qualquer tipo de estilo arquitectónico, a não ser o "tudo-ao-molho", e os alemães reformados por todo o lado, babados com todo aquele "plástico".

Hoje até fui ao super-mercado "Apolónia", que António Barreto tanto gabou na sua crónica do "Público" de Domingo passado, mas a predisposição para apreciar aquilo que aparentava ser, realmente, um belo espaço comercial, foi minada pela irritação de estar "no Algarve". Está bem que o meu pai é algarvio, e que tenho lá bastante família, mas estão na serra, e isso já não faz parte (por enquanto), desse Algarve horrível.

Mas, o mais insólito ainda estava para acontecer; entrei num escritório duma empresa portuguesa, em Ferragudo, onde tinha marcada uma entrevista com um senhor - holandês, por sinal - mas, depois de tentar explicar à recepcionista ao que vinha, ela respondeu-me:

I'm sorry, sir, but I can't understand you; could you please speak in english?

2003/10/07

Coincidências?

Se eu fosse adepto da teoria da conspiração, diria que os palhaços do tuning andam a ler este blog, o que me encheria de desgosto. Mas a verdade é que hoje, ao fim da tarde, a minha cara-metade vinha de Lisboa e, na auto-estrada, um atrasado mental (as usual) começou a fazer-lhe sinais de luzes, apesar de ver que ela própria também vinha a ultrapassar. Depois, quando a Lu se desviou para a direita, o mongolóide passou para a frente dela e travou violentamente, até fazê-la parar na faixa de rodagem. De seguida, qual herói de pacotilha, saíu do carro e interpelou a Lu, violentamente, batendo-lhe no espelho e no próprio carro. Gostaria, contudo, de ter visto a reacção desta pedaço de merda se, em vez da Luísa, encarasse com um tipo com a minha corpulência.

Duvido que gente com esta estatura moral frequente blogs, mas se porventura algum de vós conhecer um cobardolas que se locomova num VW cinzento, de matrícula 62-12-SH, faça-me o favor de lhe dizer que amanhã, de manhã, já terei acesso aos seus dados pessoais (incluindo, provavelmente, o número de telemóvel), e que, a partir daí, a sua vida vai ganhar uma animação inusitada.

Não costumo ser tão maquiavélico, mas o que fariam vocês num caso destes?

2003/10/06

Desabafo

Devem haver poucas pessoas mais estúpidas e cretinas do que (todos) os adeptos do tuning automóvel!

Casas

Já aqui disse uma vez que gosto de quartos de hotel por serem assépticos e impessoais, e digo agora que, pelas mesmas razões, detesto casas assim. Gosto de entrar numa casa e, mesmo sem saber nada sobre os seus proprietários, poder fazer um retrato aproximativo deles. Gosto de bisbilhotar os livros que lêem, os CDs que ouvem, os videos ou DVDs que têm - isto, naturalmente, quando têm algumas destas coisas, o que nem sempre é verdade.

Há casas deprimentes; são aquelas em que entramos, e as coisas estão exactamente no sítio em que deveriam estar, a higiene é irrepreensível, e em que tudo combina com tudo (e nada combina com nada). São casas sem personalidade, que poderiam muito bem passar por um apartamento mobilado, algures num aldeamento da moda, no Algarve.

Alguns acusar-me-ão de despeito, por saberem que, com uma cadela e um filho de dois anos em casa, será difícil mantê-la primorosa - é um facto, mas a verdade é que este tipo de pensamento não me vem de agora. Sempre pensei assim, primeiro inconscientemente, e depois assumidamente, a partir da altura em que li um magnífico texto de Manuel Graça Dias (possivelmente o melhor arquitecto português - e sei do que falo) em que se referia jocosamente às pessoas que lhe pediam aquilo que ele designava por "decoração instantânea"; aquelas pessoas que, para combinar com o seu espremedor Phillipe Starck, gastam 20.000 euros para comprar toda uma mobília do mesmo designer!

P.S.: O texto em apreço foi inicialmente publicado numa crónica d'"O Independente", chamada "Vida Moderna", e mais tarde, em 1992, fez parte de uma compilação com o mesmo título, editada por João Azevedo.

O que é que se anda a passar?

Vem cá pouca gente, quase ninguém escreve comentários; fartaram-se?

2003/10/05

Kapa

Não o descobri sozinho, confesso; foi num post da Charlotte. Mas fiquei extasiado ao reler, neste blog, os textos da revista "Kapa", que eu venerava religiosamente!

Muito obrigado pelo serviço público, seja lá quem fôr, e que nunca lhe doa a mão!

Dependências

Hoje estou em maré de vos confessar as minhas vergonhosas adições. Sabiam os meus caros leitores que, quando entro num sítio onde se vendam livros e/ou CDs - mesmo que seja num hipermercado - sinto uma dificuldade inenarrável em controlar os meus instintos de comprar algo? E o pior é que, na maior parte das vezes, sucumbo (a propósito, lembrei-me agora de uma cena no magistral "South Park": uma das personagens, um professor da escola, está prestes a consumir droga. Aparecem então o anjinho e o diabinho da praxe a esvoaçarem junto à sua cabeça, prontos a aconselhá-lo. Diz o diabinho: "Não percas tempo, avança"; e o anjinho: "Sim, do que é que estás à espera?").

Gostaria de criar um grupo dos leitores anónimos. "Boa noite, o meu nome é Aldino, e sou leitor!"

Ou isso, ou não tarda, e estou a assaltar velhinhas para arranjar dinheiro para a minha dose diária!

Lourenço em dose tripla

1 - Perguntamos ao Lou:"queres um mano ou uma mana?". Resposta: "uma banana"!

2 - Se encontrarem o Batatoon estrangulado, look no further - fui eu! É o mínimo que posso fazer para me vingar, depois de andar um dia no carro com o Lou, só podendo ouvir a "Dona Girafa" e quejandos! Ainda por cima, tendo comprado hoje no CCB o excelente CD de compilação dos The Clash, publicado já depois da morte de Joe Strummer. Police came looking for Jimmy Jazz...

3 - Uma mais críptica, pelo menos para quem não me conhece: "o que queres ser quando fores grande?"; "piloto de carros"!

Qual é a admiração?

O prof. Freitas do Amaral disse ao semanário "Expresso", que Paulo Portas é comparável a Estaline por, alegadamente, ter retirado a sua (supostamente) insigne figura da história do partido. Toda a gente ficou chocada.

Mas, perspectivando o caso, também podemos dizer: um tipo sem ponta de carácter, mas com um ego desmesurado, disse algo abjecto a um jornal sensacionalista, que desce onde for preciso para vender. O sentido da frase é o mesmo, e assim já bate tudo certo!

Confissão

O bloguismo tem efeitos secundários, e ninguém me avisou; há três meses, quando se iniciou este espaço, andava eu a ler "A família Trago", do cabo-verdiano Germano Almeida. Gosto muito da escrita de diversos escritores da diáspora, e G.A. é um deles; o livro também era - e deve continuar a ser - muito interessante, e divertidíssimo como só as histórias de africanos o sabem ser. Mas, acreditem ou não, é com vergonha que vos confesso que, desde que fiquei blog-addicted, nunca mais abri o livro - e ele (o livro) não merece.

Eu, que não me conseguia deitar nunca sem (pelo menos) meia hora de leitura, há quase três meses que praticamente não pego num livro. Pelo meio iniciei o excelente "Koba o terrível", de Martin Amis (recomendo também "Água pesada", do mesmo autor), num exercício de zapping livreiro que faço amiúde; mas, mesmo com este, o ritmo de leitura tem sido bastante mais lento do que o que era habitual. E a culpa é deste terrível blog, que me prende aqui horas intermináveis, frente a um bocado de plástico com um écran.

O que é que eu faço?

2003/10/04

Porquê?

Este assunto será, porventura, o mais sério e aquele sobre o qual mais me custou escrever até hoje.

Voltei a encontrar hoje, em Pedrógão Grande, o meu amigo L., que já não via há mais de um ano - não o via, mas tive notícias suas entretanto, e não eram nada boas: um amigo comum contou-me que, à filha de L., tinha sido diagnosticada leucemia. É uma rapariga de dezasseis anos, mas, infelizmente, não é o único caso que conheço na minha lista de amizades mais próximas - com as mesmas idades, aproximadamente!

Tinha algum receio de voltar a encontrar L., por não saber como se encontraria psicologicamente, e como estaria a reagir à notícia. Mas ele, depois de me abraçar, sorriu (um sorriso triste...), e disse apenas: "agora, temos que viver um dia de cada vez...". Será uma frase banal, para muitos, mas a mim - não tenho vergonha de o dizer - fez-me chorar!

Ora bem, a verdade é que existem, no nosso país, formas de ajudar quem padece destas maleitas; uma das mais óbvias, é a dádiva regular de sangue. Mas, para o caso específico da leucemia, há também uma outra forma de auxílio: através do transplante de medula óssea. Não é um processo complicado, nem tampouco doloroso, e requer apenas alguma disponibilidade de tempo: meio dia para fazer os testes de compatibilidade (basicamente recolha de sangue) e, caso se seja seleccionado, cerca de 24 horas de internamento para a recolha da medula propriamente dita. Em Portugal, os eventuais voluntários deverão contactar o CEDACE-Registo Português de Dadores de Medula Óssea, que fica em Lisboa, no n.º 130 do Campo Santana, e que tem os telefones n.ºs 218823534/5. Em caso de subsistência de dúvidas, por favor não hesitem em contactar-me via e-mail, e eu, dentro das minhas modestas possibilidades e conhecimentos da questão, tentarei responder-vos e encaminhar-vos.

O que peço não é para mim, pelo menos directamente; mas, se ao menos um dos meus leitores sentir, ao ler estas linhas, um impulso para dar esse passo, já terá valido a pena este post!

Não é garantido que a nossa disponibilidade possa salvar alguém, pois as probabilidades de compatibilidade são baixíssimas, mas, se todos dermos um pouco de nós, ajudaremos decerto a deixar um mundo melhor aos nossos filhos - meditem nisto por uns minutos, é só o que vos peço!

2003/10/03

"Thank God it´s Friday!"

Há uns anos (há uns vinte e tal - eu é que penso que o tempo não passa), havia uma música muito funky com este nome; cantavam-na os Commodores, ou outro grupo do género. Nunca fui grande apreciador do estilo - apesar de ter tido a minha fase disco-sound (mas não dançava, descansem...), mas o título e o refrão ficaram-me na cabeça, como uma espécie de grito de guerra - um pouco como o "I don't like Mondays", dos Boomtown Rats.

Hoje ando novamente com aquele estribilho na cabeça; é Sexta-feira, o trabalho está quase pronto (e ainda nem é hora de almoço), daqui a pouco vou comprar "o Independente", e, mais para o fim da tarde, arranco para São Pedro de Moel - não, ainda não comprei lá a minha casa de sonhos; vou lá para ver um Rally que começa esta noite na Marinha Grande, mas também para encontrar os meus amigos "das corridas" (este ano não estou a correr, mas a "família" é unida).

O que mais poderia pedir? Só que o meu filho Lou viesse comigo; mas, apesar de gostar, ele ainda é muito pequenino (já o levei ao Autódromo do Estoril, tinha ele pouco mais de dois anos, e delirou. Maluquinho? Qual de nós?).

2003/10/02

Os comentários estão de volta!

O que eu não faço pelos meus leitores; não havia comentários, mas ei-los aí de novo. Está bem, são diferentes, e há ainda um "problemita" com a localização do sitemeter, mas, se percebessem tanto de informática como eu, não criticariam.

Agora, principalmente para todos os que me mandaram e-mails a dar-me conta da situação (os quais sinceramente agradeço), quero ver-vos comentar os posts todos que ficaram em branco até isto "rebentar pelas costuras"!

2003/10/01

Está no "Gato fedorento":

Um português vai à neve e paga bem para: acordar todos os dias às 8 da manhã, viver num T0 com kitchenette, ir às compras e achar que é tudo caro, sofrer ao frio e à chuva enquanto enfrenta bichas sucessivas para apanhar dois ou três transportes diferentes – sempre lotados – até ao destino final. Ou seja, um português de classe média, média-alta, paga mais de cem contos por semana para experimentar viver como um português de classe baixa.

Chapeau! Por essas e por outras é que eu torço tanto o nariz quando me querem convencer de que "a neve é óptima". A trilogia é conhecida: "neve-Vilamoura-Brasil, é o máximo!". Mas eu, iconoclasta assumido, embirro com as três!

Pedido de ajuda

Muitos de vós têm-se-me dirigido, através de e-mail, reclamando contra o facto de os comentários não se encontrarem acessíveis; confirmando esta tese, aparentemente, não tenho tido praticamente feedbacks nos últimos dias. No entanto, eu consigo escrever sem dificuldades, e não só de computadores onde se encontre efectuado o login do site de comentários. Assim sendo, não sei, sinceramente, como resolver o problema - isto, dando de barato que o mesmo ainda subsiste.

Gostaria, assim, de solicitar a todos os que me quiserem ajudar, o favor de tentarem escrever qualquer coisa na caixa de comentários deste post e, caso não o consigam, o favor acrescido de me informarem do facto, via e-mail, acrescentando as horas e o dia a que o tentaram fazer. Desde já agradeço essa ajuda penhoradamente.

Update: depois de ter colocado este post, já recebi alguns e-mails a darem-me conta das dificuldades em aceder aos comentários. O meu obrigado ao "Encalhado" e à "Papoila", e a todos os que me têm ajudado nesta questão. O curioso é que, normalmente, quando isto acontece, nem eu consigo abrir os comentários - mas, desta vez, em todos os computadores em que mexo - sejam eles quais forem - consigo colocar comentários; será magnetismo?

De qualquer forma, por inépcia minha, e alguma falta de tempo à mistura, iremos proceder da seguinte forma: até ao fim de semana, esperaremos que a coisa se resolva por si - se continuar "encravada", vou arregaçar as mangas e trabalhar no template (até tremo, só de pensar na última vez que o fiz, e quase apaguei tudo). Já agora, poder-me-ão os meus amáveis amigos sugerir-me alguns sites que disponibilizem o serviço de feedback, para além do "Blogextra" e do "Enetation"?

2003/09/30

Sweet, sweet rain!

Não me digam que não é lindo, ver a chuva lá fora, a cair nas vinhas aqui mesmo em frente às vidraças do escritório!

2003/09/29

Cada maluco com a sua mania

O meu Alfa Romeo 1750 berlina , de 1972 (igual a este, mas azulinho), já acabou o restauro e era para ir hoje, finalmente, à inspecção; afinal, decidimo-nos (eu e o mecânico), por lhe calçar ainda uns pneuzinhos novos para se apresentar mais condignamente. Mas, se Deus quiser, ainda começa esta semana a "bombar".

Os sonhos não envelhecem; quando me sentar ao seu volante, estarei a concretizar um sonho lindo, com trinta anos de maturação!

Preso por ter cão...

Quando os comentários estavam "de baixa", queixavam-se de que queriam escrever e não podiam. Agora, que eles estão novamente operacionais, (quase) ninguém os usa!