Há uns anos (há uns vinte e tal - eu é que penso que o tempo não passa), havia uma música muito funky com este nome; cantavam-na os Commodores, ou outro grupo do género. Nunca fui grande apreciador do estilo - apesar de ter tido a minha fase disco-sound (mas não dançava, descansem...), mas o título e o refrão ficaram-me na cabeça, como uma espécie de grito de guerra - um pouco como o "I don't like Mondays", dos Boomtown Rats.
Hoje ando novamente com aquele estribilho na cabeça; é Sexta-feira, o trabalho está quase pronto (e ainda nem é hora de almoço), daqui a pouco vou comprar "o Independente", e, mais para o fim da tarde, arranco para São Pedro de Moel - não, ainda não comprei lá a minha casa de sonhos; vou lá para ver um Rally que começa esta noite na Marinha Grande, mas também para encontrar os meus amigos "das corridas" (este ano não estou a correr, mas a "família" é unida).
O que mais poderia pedir? Só que o meu filho Lou viesse comigo; mas, apesar de gostar, ele ainda é muito pequenino (já o levei ao Autódromo do Estoril, tinha ele pouco mais de dois anos, e delirou. Maluquinho? Qual de nós?).
2003/10/03
2003/10/02
Os comentários estão de volta!
O que eu não faço pelos meus leitores; não havia comentários, mas ei-los aí de novo. Está bem, são diferentes, e há ainda um "problemita" com a localização do sitemeter, mas, se percebessem tanto de informática como eu, não criticariam.
Agora, principalmente para todos os que me mandaram e-mails a dar-me conta da situação (os quais sinceramente agradeço), quero ver-vos comentar os posts todos que ficaram em branco até isto "rebentar pelas costuras"!
Agora, principalmente para todos os que me mandaram e-mails a dar-me conta da situação (os quais sinceramente agradeço), quero ver-vos comentar os posts todos que ficaram em branco até isto "rebentar pelas costuras"!
2003/10/01
Está no "Gato fedorento":
Um português vai à neve e paga bem para: acordar todos os dias às 8 da manhã, viver num T0 com kitchenette, ir às compras e achar que é tudo caro, sofrer ao frio e à chuva enquanto enfrenta bichas sucessivas para apanhar dois ou três transportes diferentes – sempre lotados – até ao destino final. Ou seja, um português de classe média, média-alta, paga mais de cem contos por semana para experimentar viver como um português de classe baixa.
Chapeau! Por essas e por outras é que eu torço tanto o nariz quando me querem convencer de que "a neve é óptima". A trilogia é conhecida: "neve-Vilamoura-Brasil, é o máximo!". Mas eu, iconoclasta assumido, embirro com as três!
Chapeau! Por essas e por outras é que eu torço tanto o nariz quando me querem convencer de que "a neve é óptima". A trilogia é conhecida: "neve-Vilamoura-Brasil, é o máximo!". Mas eu, iconoclasta assumido, embirro com as três!
Pedido de ajuda
Muitos de vós têm-se-me dirigido, através de e-mail, reclamando contra o facto de os comentários não se encontrarem acessíveis; confirmando esta tese, aparentemente, não tenho tido praticamente feedbacks nos últimos dias. No entanto, eu consigo escrever sem dificuldades, e não só de computadores onde se encontre efectuado o login do site de comentários. Assim sendo, não sei, sinceramente, como resolver o problema - isto, dando de barato que o mesmo ainda subsiste.
Gostaria, assim, de solicitar a todos os que me quiserem ajudar, o favor de tentarem escrever qualquer coisa na caixa de comentários deste post e, caso não o consigam, o favor acrescido de me informarem do facto, via e-mail, acrescentando as horas e o dia a que o tentaram fazer. Desde já agradeço essa ajuda penhoradamente.
Update: depois de ter colocado este post, já recebi alguns e-mails a darem-me conta das dificuldades em aceder aos comentários. O meu obrigado ao "Encalhado" e à "Papoila", e a todos os que me têm ajudado nesta questão. O curioso é que, normalmente, quando isto acontece, nem eu consigo abrir os comentários - mas, desta vez, em todos os computadores em que mexo - sejam eles quais forem - consigo colocar comentários; será magnetismo?
De qualquer forma, por inépcia minha, e alguma falta de tempo à mistura, iremos proceder da seguinte forma: até ao fim de semana, esperaremos que a coisa se resolva por si - se continuar "encravada", vou arregaçar as mangas e trabalhar no template (até tremo, só de pensar na última vez que o fiz, e quase apaguei tudo). Já agora, poder-me-ão os meus amáveis amigos sugerir-me alguns sites que disponibilizem o serviço de feedback, para além do "Blogextra" e do "Enetation"?
Gostaria, assim, de solicitar a todos os que me quiserem ajudar, o favor de tentarem escrever qualquer coisa na caixa de comentários deste post e, caso não o consigam, o favor acrescido de me informarem do facto, via e-mail, acrescentando as horas e o dia a que o tentaram fazer. Desde já agradeço essa ajuda penhoradamente.
Update: depois de ter colocado este post, já recebi alguns e-mails a darem-me conta das dificuldades em aceder aos comentários. O meu obrigado ao "Encalhado" e à "Papoila", e a todos os que me têm ajudado nesta questão. O curioso é que, normalmente, quando isto acontece, nem eu consigo abrir os comentários - mas, desta vez, em todos os computadores em que mexo - sejam eles quais forem - consigo colocar comentários; será magnetismo?
De qualquer forma, por inépcia minha, e alguma falta de tempo à mistura, iremos proceder da seguinte forma: até ao fim de semana, esperaremos que a coisa se resolva por si - se continuar "encravada", vou arregaçar as mangas e trabalhar no template (até tremo, só de pensar na última vez que o fiz, e quase apaguei tudo). Já agora, poder-me-ão os meus amáveis amigos sugerir-me alguns sites que disponibilizem o serviço de feedback, para além do "Blogextra" e do "Enetation"?
2003/09/30
Sweet, sweet rain!
Não me digam que não é lindo, ver a chuva lá fora, a cair nas vinhas aqui mesmo em frente às vidraças do escritório!
2003/09/29
Cada maluco com a sua mania
O meu Alfa Romeo 1750 berlina , de 1972 (igual a este, mas azulinho), já acabou o restauro e era para ir hoje, finalmente, à inspecção; afinal, decidimo-nos (eu e o mecânico), por lhe calçar ainda uns pneuzinhos novos para se apresentar mais condignamente. Mas, se Deus quiser, ainda começa esta semana a "bombar".
Os sonhos não envelhecem; quando me sentar ao seu volante, estarei a concretizar um sonho lindo, com trinta anos de maturação!
Os sonhos não envelhecem; quando me sentar ao seu volante, estarei a concretizar um sonho lindo, com trinta anos de maturação!
Preso por ter cão...
Quando os comentários estavam "de baixa", queixavam-se de que queriam escrever e não podiam. Agora, que eles estão novamente operacionais, (quase) ninguém os usa!
2003/09/28
A massa cinzenta
Há, em Portugal, uma grande "massa cinzenta". Não, não me refiro à quantidade de neurónios, nem isto é uma alusão velada a Pacheco Pereira, que por certo mereceria uma resposta melhor elaborada à sua carta aberta a António Lobo Xavier, publicada há uns dias no "Público" - se J.P.P. se pode, petulantemente, arrogar em destinatário de um excelente artigo de opinião de A.L.X., obviamente não endereçado, por que razão não me poderei eu assumir co-destinatário da supra citada "carta aberta"?
Mas este tema ficará para próxima oportunidade, já que me estou a desviar do assunto sobre o qual queria escrever. A "massa cinzenta" a que me refiro, é constituída por muitos milhares de pessoas, que se caracterizam por não terem gosto próprio - ou melhor, partilham todos o mesmo gosto, o "gosto politicamente correcto".
Todos os legionários da "massa cinzenta" sabem que, se não souberem discutir à Segunda-feira os lances dos jogos de futebol da véspera, estarão condenados a traumatizantes ostracismos. Sabem também que, se não tiverem no seu curriculum uma visita de um dia à Expo'98, de preferência fazendo parte do milhão de almas que partilharam o espaço na última noite, serão violentamente desprezados. Lutam e esgatanham-se para encontrarem "o seu lugar ao sol" (literalmente), no Verão, em Vilamoura, sabendo que só isso lhes poderá dar algum statu. E, ouvindo dizer que vêm cá os Rolling Stones, estão dispostos a vender a mãe para conseguir um bilhete!
Claro que, na maior parte das vezes, pouco ou nenhum proveito tiram dos factos; duvido que mais de metade dos "enlatados" que estiveram no recinto da Expo'98 na ocasião que refiro acima, não estivessem a pensar na asneira que haviam cometido - ou que muitas das pessoas que se acotovelaram a noite passada, em Coimbra, para (tentar) ver alguns sexagenários aos pulos tivessem: a) um conhecimento razoável do reportório do grupo, b) assisitido ao concerto em condições (físicas e psicológicas) minimamente dignas. Mas "que se lixe"! Como diz o meu amigo H.P., bom conhecedor e analista de personalidades, estiveram lá, e isso é que "dá pontos"!
Nem uma referência ouvi aos Primal Scream que, com os nossos Xutos & Pontapés, abriram o espectáculo; e, no entanto, deve ter sido a melhor performance da noite!
Músicas dos Rollings Stones ouviam-se nos anos 70; agora cheira tudo a requentado. Mas, para os saudosistas, recomendo o excelente álbum "Lipstick traces", dos Manic Street Preachers; é duplo, e o segundo CD é só (penso) dedicado a covers. Lá poderão encontrar uma fantástica versão de "Out of time", dos Stones, mas também belas interpretações de "Can't take my eyes off you" ou "Raindrops keep falling on my head" (não sei quem interpretava originalmente estas duas, mas sei que a segunda foi escrita pelo rei do pop-kitsch - expressão minha - Burt Bacharach), ou ainda as recriações soberbas de "Train in vain", dos The Clash, e "Last Christmas", dos... Wham!
Aposto o que quiserem, que ninguém é capaz de ouvir este CD, e não andar depois a cantarolar estas canções!
Mas este tema ficará para próxima oportunidade, já que me estou a desviar do assunto sobre o qual queria escrever. A "massa cinzenta" a que me refiro, é constituída por muitos milhares de pessoas, que se caracterizam por não terem gosto próprio - ou melhor, partilham todos o mesmo gosto, o "gosto politicamente correcto".
Todos os legionários da "massa cinzenta" sabem que, se não souberem discutir à Segunda-feira os lances dos jogos de futebol da véspera, estarão condenados a traumatizantes ostracismos. Sabem também que, se não tiverem no seu curriculum uma visita de um dia à Expo'98, de preferência fazendo parte do milhão de almas que partilharam o espaço na última noite, serão violentamente desprezados. Lutam e esgatanham-se para encontrarem "o seu lugar ao sol" (literalmente), no Verão, em Vilamoura, sabendo que só isso lhes poderá dar algum statu. E, ouvindo dizer que vêm cá os Rolling Stones, estão dispostos a vender a mãe para conseguir um bilhete!
Claro que, na maior parte das vezes, pouco ou nenhum proveito tiram dos factos; duvido que mais de metade dos "enlatados" que estiveram no recinto da Expo'98 na ocasião que refiro acima, não estivessem a pensar na asneira que haviam cometido - ou que muitas das pessoas que se acotovelaram a noite passada, em Coimbra, para (tentar) ver alguns sexagenários aos pulos tivessem: a) um conhecimento razoável do reportório do grupo, b) assisitido ao concerto em condições (físicas e psicológicas) minimamente dignas. Mas "que se lixe"! Como diz o meu amigo H.P., bom conhecedor e analista de personalidades, estiveram lá, e isso é que "dá pontos"!
Nem uma referência ouvi aos Primal Scream que, com os nossos Xutos & Pontapés, abriram o espectáculo; e, no entanto, deve ter sido a melhor performance da noite!
Músicas dos Rollings Stones ouviam-se nos anos 70; agora cheira tudo a requentado. Mas, para os saudosistas, recomendo o excelente álbum "Lipstick traces", dos Manic Street Preachers; é duplo, e o segundo CD é só (penso) dedicado a covers. Lá poderão encontrar uma fantástica versão de "Out of time", dos Stones, mas também belas interpretações de "Can't take my eyes off you" ou "Raindrops keep falling on my head" (não sei quem interpretava originalmente estas duas, mas sei que a segunda foi escrita pelo rei do pop-kitsch - expressão minha - Burt Bacharach), ou ainda as recriações soberbas de "Train in vain", dos The Clash, e "Last Christmas", dos... Wham!
Aposto o que quiserem, que ninguém é capaz de ouvir este CD, e não andar depois a cantarolar estas canções!
Duas francesinhas
Este fim de semana "conheci" duas novas francesinhas:
1 - Ontem, num restaurante em Leça da Palmeira, frente ao Oceano (não me lembro do nome, mas é perto das piscinas), descobri umas "francesinhas à nossa (deles) moda" que são de truz. Há coisas que eu não consigo comer, se não estiver na sua zona; só como leitão na Mealhada, sopa de pedra em Almeirim, e francesinhas no Porto - chamem-me esquisito, se quiserem!
2 - Com algum atraso em relação à blogosfera (mea culpa - vocês avisaram, eu sei), descobri Carla Bruni, outra francesinha; mas, para recuperar, fui até ao Porto e vim, sempre a ouvir "Quelqu'un m'a dit", versão non stop. Serait ce possible alors?
1 - Ontem, num restaurante em Leça da Palmeira, frente ao Oceano (não me lembro do nome, mas é perto das piscinas), descobri umas "francesinhas à nossa (deles) moda" que são de truz. Há coisas que eu não consigo comer, se não estiver na sua zona; só como leitão na Mealhada, sopa de pedra em Almeirim, e francesinhas no Porto - chamem-me esquisito, se quiserem!
2 - Com algum atraso em relação à blogosfera (mea culpa - vocês avisaram, eu sei), descobri Carla Bruni, outra francesinha; mas, para recuperar, fui até ao Porto e vim, sempre a ouvir "Quelqu'un m'a dit", versão non stop. Serait ce possible alors?
Problemas técnicos
Vários leitores se me têm dirigido, queixando-se de que as caixas de comentários deste blog nem sempre estão acessíveis. Não querendo alijar responsabilidades, até porque sou completamente inepto em coisas informáticas, parece-me, no entanto, que se trata de um problema do site que me fornece o serviço, que anda "intermitente".
De qualquer forma, apresento os meus sinceros pedidos de desculpa, e peço-vos um pouco de paciência e persistência.
De qualquer forma, apresento os meus sinceros pedidos de desculpa, e peço-vos um pouco de paciência e persistência.
O mestre
"Descobri" Possidónio Cachapa, como já descobri alguns outros bons escritores: entrei numa livraria, demorei-me pelas badanas, principalmente do que não conhecia, e comprei "A materna doçura". Era Dezembro, estava na "Valentim de Carvalho" do CCB, e a noite ainda me reservava mais boas surpresas: de seguida, livrinho debaixo do braço, "fui apresentado" aos Gift, que faziam a primeira parte dos Divine Comedy (Neil Hannon não precisa de apresentações, presumo).
Voltando a P.C., acabei por ler esse livro quase "de uma vez", em transe. De seguida, desdobrei-me em promoções ao mesmo junto de todos os meus amigos e conhecidos. Não espero que P.C. me pague comissões ou royalties, mas a divulgação que fiz daquele livro deve ter sido bem superior à que fez a Assírio & Alvim!
É, por isso, com um fascínio confesso, que vejo P.C. a citar-me no seu blog; cita-me a propósito do amor que eu confesso ter à Arrábida, e do amor que eu descobri que os penichenses têm às Berlengas. Por acaso, a sua opinião sobre a vida urbana parece-me não diferir muito da minha, mas, mesmo que diferisse, what a hell! O tipo que era, e é, uma referência para mim, citou-me, e o resto é história!
Quase que me sinto tentado a retomar o romance que tenho na gaveta há uns anos.
Voltando a P.C., acabei por ler esse livro quase "de uma vez", em transe. De seguida, desdobrei-me em promoções ao mesmo junto de todos os meus amigos e conhecidos. Não espero que P.C. me pague comissões ou royalties, mas a divulgação que fiz daquele livro deve ter sido bem superior à que fez a Assírio & Alvim!
É, por isso, com um fascínio confesso, que vejo P.C. a citar-me no seu blog; cita-me a propósito do amor que eu confesso ter à Arrábida, e do amor que eu descobri que os penichenses têm às Berlengas. Por acaso, a sua opinião sobre a vida urbana parece-me não diferir muito da minha, mas, mesmo que diferisse, what a hell! O tipo que era, e é, uma referência para mim, citou-me, e o resto é história!
Quase que me sinto tentado a retomar o romance que tenho na gaveta há uns anos.
2003/09/26
Boas e más notícias (para mim)
Primeiro as boas: fiquei a saber, nesta curta estadia em Peniche, onde estavam um Datsun 1600 SSS e um Porsche 911, ambos da década de 70; as más notícias são que o dono também sabe o que eles valem...
Mas ainda acredito que vou conseguir ter aquele Sunbeam Alpine (igual a este) que eu sei onde está à venda.
Mas ainda acredito que vou conseguir ter aquele Sunbeam Alpine (igual a este) que eu sei onde está à venda.
2003/09/25
Mais filmes bons!
Não quero ter a pretensão ou a veleidade de sugerir que os responsáveis de marketing do "Público" foram sensíveis a um post que publiquei aqui, o mês passado, sugerindo uma lista para uma - então - hipotética terceira série da sua colecção Y de DVDs; no entanto, a verdade é que surgiu mesmo uma terceira série, que começa precisamente hoje, com "Traffic", de Steven Soderbergh (teria preferido "Sexo, mentiras e vídeo", mas não está nada mal), e nela surgem duas das propostas que eu então havia deixado: "E a tua mãe também!", do mexicano Alfonso Cuarón, e "Toda a gente diz que te amo", de Woody Allen.
A colecção, como sucedeu com a segunda série, é, toda ela, excelente; mas, se me permitem, aconselho-vos especialmente estes dois. Depois digam-me se gostaram.
A colecção, como sucedeu com a segunda série, é, toda ela, excelente; mas, se me permitem, aconselho-vos especialmente estes dois. Depois digam-me se gostaram.
Provocação
A minha semana em Peniche está a chegar ao fim; mal conhecia esta terra maravilhosa, mas fiquei adepto incondicional. E ainda menos conhecia as suas gentes, como é natural. Agora, já conheço um pouco melhor alguns penichenses, e constato, com grande alegria, que a esmagadora maioria tem um apego e orgulho na sua vila notáveis.
Consigo até encontrar alguns pontos comuns com os azeitonenses: não serão todos, mas a verdade é que muitos penichenses nutrem uma paixão desmesurada pelas Berlengas. Para quem não sabe, as Berlengas são ilhas, às quais esta gente vai sempre que pode. E fazer o quê? Acampar, passear, mergulhar, enfim: ir!
Metem-se nos seus barcos semi-rígidos e aí vão eles, atravessando esta amostra de oceano traiçoeiro que medeia entre o Cabo Carvoeiro e a "sua" ilha. Durante a semana, é vê-los a combinar: "vais à Berlenga este fim de semana?". Não têm nenhum objectivo enunciável - vão às Berlengas apenas por as amarem!
Os azeitonenses, por sua vez, veneram a Serra da Arrábida; qualquer azeitonense que se preze já calcorreou os caminhos da serra, já acampou na areia do Portinho, já se perdeu no Conventinho - em suma, todos os azeitonenses, herdeiros bastardos de Sebastião da Gama, sentem a "Serra-mãe" como sua, tal como as gentes de Peniche "possuem" as Berlengas!
Como é que querem que eu goste de Lisboa? O que é que eu teria lá para me afeiçoar? O Colombo?
Consigo até encontrar alguns pontos comuns com os azeitonenses: não serão todos, mas a verdade é que muitos penichenses nutrem uma paixão desmesurada pelas Berlengas. Para quem não sabe, as Berlengas são ilhas, às quais esta gente vai sempre que pode. E fazer o quê? Acampar, passear, mergulhar, enfim: ir!
Metem-se nos seus barcos semi-rígidos e aí vão eles, atravessando esta amostra de oceano traiçoeiro que medeia entre o Cabo Carvoeiro e a "sua" ilha. Durante a semana, é vê-los a combinar: "vais à Berlenga este fim de semana?". Não têm nenhum objectivo enunciável - vão às Berlengas apenas por as amarem!
Os azeitonenses, por sua vez, veneram a Serra da Arrábida; qualquer azeitonense que se preze já calcorreou os caminhos da serra, já acampou na areia do Portinho, já se perdeu no Conventinho - em suma, todos os azeitonenses, herdeiros bastardos de Sebastião da Gama, sentem a "Serra-mãe" como sua, tal como as gentes de Peniche "possuem" as Berlengas!
Como é que querem que eu goste de Lisboa? O que é que eu teria lá para me afeiçoar? O Colombo?
2003/09/24
O Padre Manuel
Não sei se já mencionei aqui o Padre Manuel mas, se não o fiz ainda, devia tê-lo feito. O Padre Manuel Frango de Sousa foi, provavelmente, a mais polémica figura pública que passou por Azeitão nas últimas décadas - e digo "foi" porque, infelizmente, morreu há pouco tempo, num estúpido acidente doméstico.
Foi ele quem celebrou o meu casamento, na capela da quinta de Nossa Senhora d'El Carmen, no coração da Serra Mãe, e também o da maioria dos meus amigos, quase sempre na Igreja de São Lourenço, a sua paróquia. O Padre Manuel, entre outras idiossincrasias, tinha uma forma de celebrar os casamentos que arrepiava todos aqueles que não estavam familiarizados com a personagem, mas que divertia todos os autóctones; começava sempre as cerimónias dizendo: "se algum dos presentes conhecer algum motivo pelo qual este casamento não se deva realizar, peço-lhe que fale agora!" - assim, a frio!
Depois, fazia um silêncio de mais de um minuto (uma eternidade nessas circunstâncias, acreditem), em que todos nos entreolhávamos, na expectativa de ver aparecer uma mulher com três crianças ao colo, a reclamar a assunção da paternidade por parte do noivo. Durante esse hiato, olhava fixamente para todos os presentes, e, por vezes, interpelava mesmo directamente algum porventura mais sorridente, perguntando no seu tom circunspecto: "o senhor (ou senhora) conhece algum motivo? Quer partilhá-lo connosco?", ou outra coisa do género.
Uma vez, em conversa informal e meio divertido, o Padre Manuel confidenciou-me que procedia dessa forma para garantir a atenção dos presentes que, doutro modo, tenderiam a dispersá-la.
Contudo, outra das características dos casamentos por si celebrados, que normalmente horrorizavam as "beatas" mais fervorosas e menos habituadas a inovações, consistia no facto de pedir sempre uma salva de palmas aos presentes para festejar a união dos noivos.
Não pude, por isso, deixar de me lembrar do bom Padre Manuel, quando li esta notícia de hoje no, "Público", em que se refere que o Vaticano se encontra a ultimar um documento, no qual, entre outras inanidades, se prevê a futura proibição de palmas nas igrejas. O Padre Manuel era um Padre Católico, e acredito que, apesar da admissível surpresa, nunca ninguém terá pensado estar a lavrar em pecado ao bater palmas na Casa de Deus.
E ainda falam em modernização, e em cativar fiéis...
Foi ele quem celebrou o meu casamento, na capela da quinta de Nossa Senhora d'El Carmen, no coração da Serra Mãe, e também o da maioria dos meus amigos, quase sempre na Igreja de São Lourenço, a sua paróquia. O Padre Manuel, entre outras idiossincrasias, tinha uma forma de celebrar os casamentos que arrepiava todos aqueles que não estavam familiarizados com a personagem, mas que divertia todos os autóctones; começava sempre as cerimónias dizendo: "se algum dos presentes conhecer algum motivo pelo qual este casamento não se deva realizar, peço-lhe que fale agora!" - assim, a frio!
Depois, fazia um silêncio de mais de um minuto (uma eternidade nessas circunstâncias, acreditem), em que todos nos entreolhávamos, na expectativa de ver aparecer uma mulher com três crianças ao colo, a reclamar a assunção da paternidade por parte do noivo. Durante esse hiato, olhava fixamente para todos os presentes, e, por vezes, interpelava mesmo directamente algum porventura mais sorridente, perguntando no seu tom circunspecto: "o senhor (ou senhora) conhece algum motivo? Quer partilhá-lo connosco?", ou outra coisa do género.
Uma vez, em conversa informal e meio divertido, o Padre Manuel confidenciou-me que procedia dessa forma para garantir a atenção dos presentes que, doutro modo, tenderiam a dispersá-la.
Contudo, outra das características dos casamentos por si celebrados, que normalmente horrorizavam as "beatas" mais fervorosas e menos habituadas a inovações, consistia no facto de pedir sempre uma salva de palmas aos presentes para festejar a união dos noivos.
Não pude, por isso, deixar de me lembrar do bom Padre Manuel, quando li esta notícia de hoje no, "Público", em que se refere que o Vaticano se encontra a ultimar um documento, no qual, entre outras inanidades, se prevê a futura proibição de palmas nas igrejas. O Padre Manuel era um Padre Católico, e acredito que, apesar da admissível surpresa, nunca ninguém terá pensado estar a lavrar em pecado ao bater palmas na Casa de Deus.
E ainda falam em modernização, e em cativar fiéis...
2003/09/23
2003/09/22
O que mais se pode pedir?
Há muito tempo que não sentia uma paz de espírito tão "filha da mãe" como a que estou a sentir agora. Acabei o dia a ver um pôr do sol, como penso que nunca vi igual: o céu vermelho, o Atlântico cinzento, o chão molhado da chuva, e as Berlengas e os Farolhões (agora já sabem onde estou...) perfeitamente recortados num cenário de nuvens cinzentas - e, no rádio do carro (nem sei que posto era), começou a tocar "I can see clearly now"!
Para encerrar as novidades do dia, estou a escrever de um cibercafé, algo que nunca tinha feito antes, situado num parque de campismo por cima da falésia, onde disponho de um bungallow só para mim - e tudo de graça!
Para este cenário ser perfeito, só me faltava ter a minha família perto de mim; tenho tantas saudades do meu Lou...
Para encerrar as novidades do dia, estou a escrever de um cibercafé, algo que nunca tinha feito antes, situado num parque de campismo por cima da falésia, onde disponho de um bungallow só para mim - e tudo de graça!
Para este cenário ser perfeito, só me faltava ter a minha família perto de mim; tenho tantas saudades do meu Lou...
2003/09/21
"Incompreensível"
Sim, "incompreensível", foi o adjectivo que a Charlotte (a propósito, parabéns atrasados!) usou para classificar a magnífica série "The Royle family"; confesso que me desiludiu um bocadinho.
Dou de barato que, se C. não a conseguiu compreender, não foi, decerto, por não ser suficientemente inteligente; talvez tenha sido, isso sim, porque os Royles funcionam num comprimento de onda que apenas pode ser assimilado por quem consiga gerar alguma empatia com aquela família disfuncional - uma espécie de representantes do bas fond mais decadente da vida familiar. E isso preocupa-me: é que eu compreendo os Royle até demais!
Dou de barato que, se C. não a conseguiu compreender, não foi, decerto, por não ser suficientemente inteligente; talvez tenha sido, isso sim, porque os Royles funcionam num comprimento de onda que apenas pode ser assimilado por quem consiga gerar alguma empatia com aquela família disfuncional - uma espécie de representantes do bas fond mais decadente da vida familiar. E isso preocupa-me: é que eu compreendo os Royle até demais!
Intervalo
Por motivos profissionais, a partir de amanhã estarei fora da base, e esta situação durará até Domingo. Não sei se, no sítio para onde vou (um sítio lindo, mas que eu não vos digo onde é...), terei acesso à Internet. Se tiver, continuarei, certamente, a postar estas coisas inconsequentes a que vos habituei; se derem pela minha falta durante muitos dias seguidos, é porque não arranjei computador - mas também pode ser porque apenas me apetece ouvir o mar, ou até por ter sido preso ou assassinado!
Route 66
Não sei se se têm estado a aperceber do que são as coisas; ainda há dias mal sabia do paradeiro do meu amigo José Carlos Soares - apesar de ele morar a cerca de 10 km da minha casa - e, neste momento, estou prestes a embarcar com ele, e com mais o Jorge Costa - que só conheço da blogosfera, mas que, avalizado pelo J.C.S., só pode ser boa pessoa - estou prestes a embarcar, dizia, na aventura da minha vida: atravessar, de carro, os Estados Unidos da América, coast to coast, pela mítica Route 66. São 12.000 km de deserto e, se lá fôr, vou carregado de bloquinhos e máquinas fotográficas; daqui a um ano procurem o livro nas bancas!
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