2003/09/28

A massa cinzenta

Há, em Portugal, uma grande "massa cinzenta". Não, não me refiro à quantidade de neurónios, nem isto é uma alusão velada a Pacheco Pereira, que por certo mereceria uma resposta melhor elaborada à sua carta aberta a António Lobo Xavier, publicada há uns dias no "Público" - se J.P.P. se pode, petulantemente, arrogar em destinatário de um excelente artigo de opinião de A.L.X., obviamente não endereçado, por que razão não me poderei eu assumir co-destinatário da supra citada "carta aberta"?

Mas este tema ficará para próxima oportunidade, já que me estou a desviar do assunto sobre o qual queria escrever. A "massa cinzenta" a que me refiro, é constituída por muitos milhares de pessoas, que se caracterizam por não terem gosto próprio - ou melhor, partilham todos o mesmo gosto, o "gosto politicamente correcto".

Todos os legionários da "massa cinzenta" sabem que, se não souberem discutir à Segunda-feira os lances dos jogos de futebol da véspera, estarão condenados a traumatizantes ostracismos. Sabem também que, se não tiverem no seu curriculum uma visita de um dia à Expo'98, de preferência fazendo parte do milhão de almas que partilharam o espaço na última noite, serão violentamente desprezados. Lutam e esgatanham-se para encontrarem "o seu lugar ao sol" (literalmente), no Verão, em Vilamoura, sabendo que só isso lhes poderá dar algum statu. E, ouvindo dizer que vêm cá os Rolling Stones, estão dispostos a vender a mãe para conseguir um bilhete!

Claro que, na maior parte das vezes, pouco ou nenhum proveito tiram dos factos; duvido que mais de metade dos "enlatados" que estiveram no recinto da Expo'98 na ocasião que refiro acima, não estivessem a pensar na asneira que haviam cometido - ou que muitas das pessoas que se acotovelaram a noite passada, em Coimbra, para (tentar) ver alguns sexagenários aos pulos tivessem: a) um conhecimento razoável do reportório do grupo, b) assisitido ao concerto em condições (físicas e psicológicas) minimamente dignas. Mas "que se lixe"! Como diz o meu amigo H.P., bom conhecedor e analista de personalidades, estiveram lá, e isso é que "dá pontos"!

Nem uma referência ouvi aos Primal Scream que, com os nossos Xutos & Pontapés, abriram o espectáculo; e, no entanto, deve ter sido a melhor performance da noite!

Músicas dos Rollings Stones ouviam-se nos anos 70; agora cheira tudo a requentado. Mas, para os saudosistas, recomendo o excelente álbum "Lipstick traces", dos Manic Street Preachers; é duplo, e o segundo CD é só (penso) dedicado a covers. Lá poderão encontrar uma fantástica versão de "Out of time", dos Stones, mas também belas interpretações de "Can't take my eyes off you" ou "Raindrops keep falling on my head" (não sei quem interpretava originalmente estas duas, mas sei que a segunda foi escrita pelo rei do pop-kitsch - expressão minha - Burt Bacharach), ou ainda as recriações soberbas de "Train in vain", dos The Clash, e "Last Christmas", dos... Wham!

Aposto o que quiserem, que ninguém é capaz de ouvir este CD, e não andar depois a cantarolar estas canções!

Duas francesinhas

Este fim de semana "conheci" duas novas francesinhas:

1 - Ontem, num restaurante em Leça da Palmeira, frente ao Oceano (não me lembro do nome, mas é perto das piscinas), descobri umas "francesinhas à nossa (deles) moda" que são de truz. Há coisas que eu não consigo comer, se não estiver na sua zona; só como leitão na Mealhada, sopa de pedra em Almeirim, e francesinhas no Porto - chamem-me esquisito, se quiserem!

2 - Com algum atraso em relação à blogosfera (mea culpa - vocês avisaram, eu sei), descobri Carla Bruni, outra francesinha; mas, para recuperar, fui até ao Porto e vim, sempre a ouvir "Quelqu'un m'a dit", versão non stop. Serait ce possible alors?

Problemas técnicos

Vários leitores se me têm dirigido, queixando-se de que as caixas de comentários deste blog nem sempre estão acessíveis. Não querendo alijar responsabilidades, até porque sou completamente inepto em coisas informáticas, parece-me, no entanto, que se trata de um problema do site que me fornece o serviço, que anda "intermitente".

De qualquer forma, apresento os meus sinceros pedidos de desculpa, e peço-vos um pouco de paciência e persistência.

O mestre

"Descobri" Possidónio Cachapa, como já descobri alguns outros bons escritores: entrei numa livraria, demorei-me pelas badanas, principalmente do que não conhecia, e comprei "A materna doçura". Era Dezembro, estava na "Valentim de Carvalho" do CCB, e a noite ainda me reservava mais boas surpresas: de seguida, livrinho debaixo do braço, "fui apresentado" aos Gift, que faziam a primeira parte dos Divine Comedy (Neil Hannon não precisa de apresentações, presumo).

Voltando a P.C., acabei por ler esse livro quase "de uma vez", em transe. De seguida, desdobrei-me em promoções ao mesmo junto de todos os meus amigos e conhecidos. Não espero que P.C. me pague comissões ou royalties, mas a divulgação que fiz daquele livro deve ter sido bem superior à que fez a Assírio & Alvim!

É, por isso, com um fascínio confesso, que vejo P.C. a citar-me no seu blog; cita-me a propósito do amor que eu confesso ter à Arrábida, e do amor que eu descobri que os penichenses têm às Berlengas. Por acaso, a sua opinião sobre a vida urbana parece-me não diferir muito da minha, mas, mesmo que diferisse, what a hell! O tipo que era, e é, uma referência para mim, citou-me, e o resto é história!

Quase que me sinto tentado a retomar o romance que tenho na gaveta há uns anos.

2003/09/26

Boas e más notícias (para mim)

Primeiro as boas: fiquei a saber, nesta curta estadia em Peniche, onde estavam um Datsun 1600 SSS e um Porsche 911, ambos da década de 70; as más notícias são que o dono também sabe o que eles valem...

Mas ainda acredito que vou conseguir ter aquele Sunbeam Alpine (igual a este) que eu sei onde está à venda.

2003/09/25

Mais filmes bons!

Não quero ter a pretensão ou a veleidade de sugerir que os responsáveis de marketing do "Público" foram sensíveis a um post que publiquei aqui, o mês passado, sugerindo uma lista para uma - então - hipotética terceira série da sua colecção Y de DVDs; no entanto, a verdade é que surgiu mesmo uma terceira série, que começa precisamente hoje, com "Traffic", de Steven Soderbergh (teria preferido "Sexo, mentiras e vídeo", mas não está nada mal), e nela surgem duas das propostas que eu então havia deixado: "E a tua mãe também!", do mexicano Alfonso Cuarón, e "Toda a gente diz que te amo", de Woody Allen.

A colecção, como sucedeu com a segunda série, é, toda ela, excelente; mas, se me permitem, aconselho-vos especialmente estes dois. Depois digam-me se gostaram.

Provocação

A minha semana em Peniche está a chegar ao fim; mal conhecia esta terra maravilhosa, mas fiquei adepto incondicional. E ainda menos conhecia as suas gentes, como é natural. Agora, já conheço um pouco melhor alguns penichenses, e constato, com grande alegria, que a esmagadora maioria tem um apego e orgulho na sua vila notáveis.

Consigo até encontrar alguns pontos comuns com os azeitonenses: não serão todos, mas a verdade é que muitos penichenses nutrem uma paixão desmesurada pelas Berlengas. Para quem não sabe, as Berlengas são ilhas, às quais esta gente vai sempre que pode. E fazer o quê? Acampar, passear, mergulhar, enfim: ir!

Metem-se nos seus barcos semi-rígidos e aí vão eles, atravessando esta amostra de oceano traiçoeiro que medeia entre o Cabo Carvoeiro e a "sua" ilha. Durante a semana, é vê-los a combinar: "vais à Berlenga este fim de semana?". Não têm nenhum objectivo enunciável - vão às Berlengas apenas por as amarem!

Os azeitonenses, por sua vez, veneram a Serra da Arrábida; qualquer azeitonense que se preze já calcorreou os caminhos da serra, já acampou na areia do Portinho, já se perdeu no Conventinho - em suma, todos os azeitonenses, herdeiros bastardos de Sebastião da Gama, sentem a "Serra-mãe" como sua, tal como as gentes de Peniche "possuem" as Berlengas!

Como é que querem que eu goste de Lisboa? O que é que eu teria lá para me afeiçoar? O Colombo?

2003/09/24

O Padre Manuel

Não sei se já mencionei aqui o Padre Manuel mas, se não o fiz ainda, devia tê-lo feito. O Padre Manuel Frango de Sousa foi, provavelmente, a mais polémica figura pública que passou por Azeitão nas últimas décadas - e digo "foi" porque, infelizmente, morreu há pouco tempo, num estúpido acidente doméstico.

Foi ele quem celebrou o meu casamento, na capela da quinta de Nossa Senhora d'El Carmen, no coração da Serra Mãe, e também o da maioria dos meus amigos, quase sempre na Igreja de São Lourenço, a sua paróquia. O Padre Manuel, entre outras idiossincrasias, tinha uma forma de celebrar os casamentos que arrepiava todos aqueles que não estavam familiarizados com a personagem, mas que divertia todos os autóctones; começava sempre as cerimónias dizendo: "se algum dos presentes conhecer algum motivo pelo qual este casamento não se deva realizar, peço-lhe que fale agora!" - assim, a frio!

Depois, fazia um silêncio de mais de um minuto (uma eternidade nessas circunstâncias, acreditem), em que todos nos entreolhávamos, na expectativa de ver aparecer uma mulher com três crianças ao colo, a reclamar a assunção da paternidade por parte do noivo. Durante esse hiato, olhava fixamente para todos os presentes, e, por vezes, interpelava mesmo directamente algum porventura mais sorridente, perguntando no seu tom circunspecto: "o senhor (ou senhora) conhece algum motivo? Quer partilhá-lo connosco?", ou outra coisa do género.

Uma vez, em conversa informal e meio divertido, o Padre Manuel confidenciou-me que procedia dessa forma para garantir a atenção dos presentes que, doutro modo, tenderiam a dispersá-la.

Contudo, outra das características dos casamentos por si celebrados, que normalmente horrorizavam as "beatas" mais fervorosas e menos habituadas a inovações, consistia no facto de pedir sempre uma salva de palmas aos presentes para festejar a união dos noivos.

Não pude, por isso, deixar de me lembrar do bom Padre Manuel, quando li esta notícia de hoje no, "Público", em que se refere que o Vaticano se encontra a ultimar um documento, no qual, entre outras inanidades, se prevê a futura proibição de palmas nas igrejas. O Padre Manuel era um Padre Católico, e acredito que, apesar da admissível surpresa, nunca ninguém terá pensado estar a lavrar em pecado ao bater palmas na Casa de Deus.

E ainda falam em modernização, e em cativar fiéis...

2003/09/23

Ingratos

Apanham uma pessoa com pouco tempo disponível para postar, e viram-me todos as costas!

2003/09/22

O que mais se pode pedir?

Há muito tempo que não sentia uma paz de espírito tão "filha da mãe" como a que estou a sentir agora. Acabei o dia a ver um pôr do sol, como penso que nunca vi igual: o céu vermelho, o Atlântico cinzento, o chão molhado da chuva, e as Berlengas e os Farolhões (agora já sabem onde estou...) perfeitamente recortados num cenário de nuvens cinzentas - e, no rádio do carro (nem sei que posto era), começou a tocar "I can see clearly now"!

Para encerrar as novidades do dia, estou a escrever de um cibercafé, algo que nunca tinha feito antes, situado num parque de campismo por cima da falésia, onde disponho de um bungallow só para mim - e tudo de graça!

Para este cenário ser perfeito, só me faltava ter a minha família perto de mim; tenho tantas saudades do meu Lou...

2003/09/21

"Incompreensível"

Sim, "incompreensível", foi o adjectivo que a Charlotte (a propósito, parabéns atrasados!) usou para classificar a magnífica série "The Royle family"; confesso que me desiludiu um bocadinho.

Dou de barato que, se C. não a conseguiu compreender, não foi, decerto, por não ser suficientemente inteligente; talvez tenha sido, isso sim, porque os Royles funcionam num comprimento de onda que apenas pode ser assimilado por quem consiga gerar alguma empatia com aquela família disfuncional - uma espécie de representantes do bas fond mais decadente da vida familiar. E isso preocupa-me: é que eu compreendo os Royle até demais!

Intervalo

Por motivos profissionais, a partir de amanhã estarei fora da base, e esta situação durará até Domingo. Não sei se, no sítio para onde vou (um sítio lindo, mas que eu não vos digo onde é...), terei acesso à Internet. Se tiver, continuarei, certamente, a postar estas coisas inconsequentes a que vos habituei; se derem pela minha falta durante muitos dias seguidos, é porque não arranjei computador - mas também pode ser porque apenas me apetece ouvir o mar, ou até por ter sido preso ou assassinado!

Route 66

Não sei se se têm estado a aperceber do que são as coisas; ainda há dias mal sabia do paradeiro do meu amigo José Carlos Soares - apesar de ele morar a cerca de 10 km da minha casa - e, neste momento, estou prestes a embarcar com ele, e com mais o Jorge Costa - que só conheço da blogosfera, mas que, avalizado pelo J.C.S., só pode ser boa pessoa - estou prestes a embarcar, dizia, na aventura da minha vida: atravessar, de carro, os Estados Unidos da América, coast to coast, pela mítica Route 66. São 12.000 km de deserto e, se lá fôr, vou carregado de bloquinhos e máquinas fotográficas; daqui a um ano procurem o livro nas bancas!

2003/09/19

Coisas que me irritam

1 - Parar o carro para deixar passar na passadeira uma pessoa que mais ninguém deixava passar, e essa pessoa retardar propositadamente o passo enquanto atravessa, olhando para mim de soslaio com ar de gozo;

2 - Empregados de restaurante que não esperam que façamos o pedido parados junto à mesa, e que nos obrigam a gritar "...e ponha gelo e limão nos copos!" enquanto se afastam com pressa (corolário: depois trazem os copos sem gelo nem limão, e fazem um ar profundamente enfadado quando dizemos: "mas eu pedi...");

3 - Pessoas que nunca dizem "se faz favor" ou "obrigado";

4 - Pessoas que, em edifícios públicos, com escadas rolantes ou outros meios de deslocação vertical, passam à minha frente para os elevadores mesmo vendo que eu estou com um carrinho de bebé;

5 - Pessoas que, no meio de uma conversa, atendem o telemóvel sem sequer dizer "com licença";

6 - Fumadores que "puxam" do cigarro em qualquer lugar, sem olhar a quem está, ou pode vir a estar, por perto, e que largam a "beata" com a mesma displicência, seja pela janela do carro (acesa, para fazer um efeito mais bonito), ou na areia da praia;

7 - Egos descontrolados, como Pacheco Pereira, Margarida Rebelo Pinto ou Herman José;

8 - Pessoas sem capacidade de síntese nem objectividade - odeio estar numa reunião, que demora pelo menos o quádruplo do tempo que poderia demorar, a ouvir alguém cuja vida não tem absolutamente interesse nenhum para mim, a desviar-se dos pontos em análise para falar de tudo e mais alguma coisa, desde que inclua catárticos pormenores dos seus casos pessoais;

9 - Jornalistas que não percebem rigorosamente nada daquilo sobre o que estão a falar, ou a escrever, mas que o relatam com um sensacionalismo abaixo de sarjeta - já sem falar nos erros de ortografia omnipresentes (estas regras aplicam-se a 99,8% dos jornalistas em geral, e a 99,9% dos jornalistas de televisão);

10 - Falta de pontualidade, principalmente quando sistemática e praticada intencionalmente ou, pelo menos, sem esforço visível para o evitar. Até já ouvi alguém dizer que a falta de pontualidade dá charme! No comments;

11 - Ouvir usar as palavras "derivado" e "empolgar" em lugar de "devido" e "empolar" - entre muitas outras;

12 - Calor - e ouvir dizer que "nunca mais chega o tempo quentinho";

Work in progress; aceitam-se sugestões.

2003/09/18

Karaoke

Não sou grande apologista da coisa, mas esta música bate tudo!

Vamos lá a testar as vossas qualidades vocais (desculpem se o espanhol não estiver bem escrito...). Depois digam se gostaram, e se cantaram tudo.

O camaleão está de volta!

Para quem gostava do David Bowie de "Major Tom" ou "Loving the alien", deixo aqui um conselho: comprem "Reality", o seu mais recente álbum, mas com uma sonoridade dos velhos tempos. Saíu na Segunda-feira e, nestes primeiros dias, vem em edição especial com um CD extra (que eu ainda não ouvi) cheio de inéditos de estúdio. O meu já cá canta!

P.S.: O livro do post anterior é de José Dinis Fidalgo, e é de 1988; está aqui ao lado, e se calhar vou lê-lo de novo.

2003/09/17

"As belas coisas"

Lembro-me de ter lido, já lá vão uns anos, um lindo livro com este título; não me lembro do nome do autor (amanhã já digo), mas sei que era das edições Cotovia, se não estou em erro.

Eis algumas belas coisas do meu dia de hoje:

A canção "Pasión", na voz de Lula Pena ou de Rui Reininho - tanto faz!

Um Ford Cortina mk I, para aí de 1970 ou antes, que está à venda perto de minha casa; o vendedor é o primeiro dono, e só não sei o preço ainda porque o senhor não pôs o número de telefone no carro, mas sim a morada - e, para ir falar sobre estas coisas, é preciso ir-se com tempo!

2003/09/16

Será isto demasiado pessoal para colocar num blog?

Hoje não me apetece escrever;ou melhor, hoje não me lembro de mais nada sobre o que escrever, a não ser dizer - tentando não ser repetitivo - que as coisas parecem estar a correr bem, e que, por isso, estou feliz!

Intimidades

Há bocado telefonou-me a minha amiga P. e, no meio da conversa, a propósito da minha actual situação profissional, ela disse-me qualquer coisa como isto: "ai é? Não sabia; sabes, também não tenho ido ultimamente ao teu blog!"

Fiquei preocupado, porque já não é a primeira vez que me dizem coisas parecidas. Pensarão as pessoas que "escarrapacho" assim, despudoradamente, a minha vida íntima na rede? Se calhar pensam, e se calhar a culpa nem é delas; quem me conhece pessoalmente sabe que não sou das pessoas mais extrovertidas, e que talvez tenha até alguma dificuldade em manter uma conversa interessante. Mas, o que essas pessoas normalmente não sabem, é que - modéstia à parte! - tenho alguma fluência na escrita. Assim, quando observam esta "avalanche" de informação que posto no blog, pensam que eu, um acabado chato, devo ter esgotado todos os assuntos que preenchem a minha banal vida.

Mas não, não esgoto; há sempre muita coisa especial que reservo para as conversas pessoais, dependendo do interlocutor - e outras, que nem nessas conversas ouso revelar!

Mas há outros assuntos mais ou menos íntimos que hoje posso revelar: vim agora da FNAC (mais meio ponto para o questionário do "Avatares"), e vim todo o tempo a alternar entre a "Pasión" (escolha da Lu), do Rodrigo Leão, pela voz do Rui Reininho, e o "Can't take my eyes off you" (a minha escolha), soberbamente interpretado pelos Manic Street Preachers. E, de bónus, ainda trago o recém-editado "Koba o terrível", de Martin Amis, sobre a vida e obra de Estaline; daqui a algum tempo actualizo a informação sobre este pária que a esquerda gostaria de poder branquear (se fosse o Professor Marcelo, amanhã já estava lido...).

2003/09/15

Muito agradecido

O "Mar salgado", interessantíssimo blog que, só por manifesta preguiça minha, não tinha ainda o link da praxe aqui ao lado, mencionou este cantinho num seu post recente, desde logo epitetando o "Serra mãe" como sendo "de direita". Ao contrário de alguns prosadores envergonhados das suas opções políticas, eu fiquei satisfeito com a distinção; e mais satisfeito ainda fiquei ao ver-me equiparado com o "Almariado" nessa distinção, por oposição ao recém-chegado "Barnabé" que, por opção democrática, também desde já aqui se linka - mais que não seja, para ver se dá mais "luta" que os "relativos"!

2003/09/14

Com "amigos" destes, quem precisa de inimigos?

No seu blog, e dando mostras de uma falta de lealdade ao seu partido assinalável, Pacheco Pereira arremete violentamente contra Paulo Portas; contudo, para além de alguns fait-divers puramente demagógicos, J.P.P. pouco mais consegue criticar de objectivo do que o registo do timbre de voz usado por P.P. no seu discurso de ontem!

Que Pacheco Pereira é um erro de casting, e que está no PSD quando devia pertencer a qualquer coisa radicalmente à esquerda, já se sabia. Agora que se deixava levar assim pelo ressabiamento, já é relativa novidade, pelo menos para mim; a "Frente de esquerda" decerto apreciará, à falta de imaginação própria, os delírios deste equivocado da política nacional!

And now for something completely different...

Esta é a segunda vez que pilho a frase do título a John Cleese, mas ele não se deve importar; já pensaram no que me vão oferecer no aniversário?

Fórmula 1

Michael Schumacher acabou de vencer mais uma corrida; mais uma vez, este alemão - que deve ter nascido "com o cu virado para a lua" - beneficiou do azar de um adversário, neste caso o colombiano Juan Pablo Montoya, para obter um bom resultado. Aliás, quem sabe de automóveis consegue ver quem se esforçou mais sem dificuldade: bastava ver os comissários, na volta de desaceleração, a saudarem muito mais efusivamente J.P.M., do que o próprio M.S., apesar de este conduzir um italianíssimo Ferrari, e de a corrida ter sido em Monza.

Só tive dois ídolos na Fórmula 1: Gilles Villeneuve e Ayrton Senna, cuja carreira acompanhei desde 1977, quando veio a Portugal disputar o Campeonato do Mundo de karting, e eu acampei com um amigo (éramos as duas únicas pessoas em toda a área!) em frente ao Autódromo do Estoril. De momento, não tenho nenhum piloto especialmente favorito, mas confesso-me um anti-Schumacher primário. Aliás, em relação a este alemão emproado, só posso dizer, como decerto dirá qualquer apreciador do desportivismo, que se trata de um bluff. M.S. é um piloto de categoria razoável, mas, como ser humano, é abaixo de escroque!

Digo que é um piloto razoável, porque M.S. apenas consegue "aparecer" num contexto de relativa crise de valores na Fórmula 1; agora se ele discutisse posições com génios como Alain Prost, Niki Lauda, Jackie Stewart, Nigell Mansell, ou mesmo com um Jacques Villeneuve (o melhor piloto da Fórmula 1 actual) bem "montado", ou com Damon Hill (um dos mais brilhantes, mais azarados, e mais subestimados pilotos de todos os tempos), se ele discutisse corridas com pilotos desta cêpa, dizia, decerto não teria a vida tão facilitada. E, para além disso, ainda fica por explicar a razão por que, sendo ele um piloto tão "dotado", é o único na moderna Fórmula 1 que obriga os seus companheiros de equipa a ter um estatuto explícito de segundo piloto; se ele é assim tão bom, porque é que teve medo de Eddie Irvine, que não se intimidou (e a quem a Ferrari, numa atitude revanchista inqualificável, "roubou" um Campeonato do Mundo), ou porque é que não sugere que vá para o segundo carro - mas em estatuto de verdadeira igualdade - o jovem Fernando Alonso, que ainda há semanas o humilhou estrondosamente na Hungria? Sabem porquê? Porque depois acabava-se o "ídolo com pés de barro".

E é um escroque, porque não tem a ponta de dignidade ou desportivismo que devia ser inerente a qualquer desportista. Riu-se e festejou a vitória em Imola em 1994, quando Ayrton Senna tinha acabado de morrer (há quem diga que ele perguntou a alguém "how bad is he?", ao que lhe terão respondido "he's dead!", mas M.S. percebeu "he's bad!" - mas, numa hipótese ou noutra, não mandaria a decência alguma contenção?), lançou o seu carro contra o de Damon Hill em Adelaide, contra o de Jacques Villeneuve em Jerez de la Frontera, sempre quando se viu em risco de ser ultrapassado. Querem mais histórias pouco edificantes da personagem? Como dizia Italo Calvino, "se isto é um homem...".

P.S.: Vá lá que Montoya e Raikkonen terminaram perto, para que o Campeonato possa ser decidido até ao fim.

Confissão

Não queria politizar demasiado este blog - apesar de essa ser uma possibilidade destas coisas - mas não posso esconder a evidência: toda a gente se apercebeu já que eu simpatizo fortemente como o CDS/PP. Pois bem, mesmo correndo o risco de afugentar muitos leitores, informo-vos a todos de que sou, há mais de vinte anos, militante da coisa, e também de que, neste momento, desempenho um cargo no dirigismo local. Isto tornar-me-á, necessariamente, suspeito para falar de política, mas não mais do que os autores de muitos outros blogs, quer de esquerda, quer de direita.

Sou do CDS/PP porque acredito que a melhor opção para a nossa sociedade passa por uma concepção conservadora em termos de costumes, liberal no que toca à economia e, principalmente, humanista para as pessoas. Rejeito qualquer epíteto de "radicalismo", tal como toda a esquerda (o Pedro Adão e Silva que me perdoe, mas já há alguns meses que não consigo detectar qualquer diferença entre os discursos do PS, PCP, ou BE - surgidos normalmente por ordem cronológica inversa) gosta de apodar o CDS/PP; na minha já muito longa convivência com a política, nunca encontrei um único skinhead, ou neo-fascista nas fileiras do meu partido, mas encontrei muitos fundamentalistas intratáveis a militar nos partidos da dita esquerda.

Feito este intróito, e a propósito dele, informo-vos de que estive ontem em Aveiro na rentrée política do partido. Mas, como não sou faccioso, confesso a todos ("Frente de esquerda" incluída) que não gostei do modelo adoptado; ainda não li uma única linha sobre o assunto, mas pareceu-me o programa demasiado extenso e complexo, bem como a logística desajustada e subvalorizada para a grande adesão que se veio a verificar. Mas, isto dito, não se infira daqui que não valeu a pena a deslocação; várias e boas surpresas tive ontem. Confesso, no entanto, que preferi assistir a alguns dos painéis e conferências que decorreram durante a tarde, do que propriamente aos discursos de encerramento.

Gostei em particular da performance desse grande pensador que é António Lobo Xavier, mas retive principalmente algo em que já tinha pensado antes, e que foi dito numa das primeiras conferências da tarde por João Marques de Almeida, jornalista d'"O Independente", assumidamente de direita, mas sem qualquer vínculo ao partido. A propósito da festa de rentrée do PCP, vulgarmente designada por "Festa do Avante", e da intolerância e perseguição de que sempre foi e é alvo a direita democrática deste país, disse J.M.A. qualquer coisa parecida com isto: como é possível que na dita festa, decorrida algures no Seixal, se vendessem t-shirts com a efígie de Estaline, autor de crimes contra a humanidade de uma dimensão apenas comparável a Hitler, como se de um ícone se tratasse? O que diria a esquerda (toda, já que não se vislumbram diferenças ideológicas entre os diversos partidos, e isto dando de barato que ainda há alguma réstia de ideologia na tribo), o que diria, dizia eu, se, nos comícios do CDS/PP se vendessem t-shirts com a efígie de Salazar, por exemplo? Provavelmente que nós éramos saudosistas, reaccionários e revisionistas - e di-lo-iam entre duas "passas" no seu charro, sentados numa sombra da Quinta da Atalaia, e ostentando orgulhosamente no peito a "carantonha" de um crápula que matou milhões, em nome de um duvidoso ideal!

Mas não, descansem as mentes mais inquietas - não se vendia ontem em Aveiro nenhum merchandising com inscrições sobre Salazar, Pinochet, ou quaisquer outros ditadores; apenas os jovens da JP vendiam, numa inciativa bem interessante, umas t-shirts que muito poderiam fazer pela cultura política do jovem ortodoxo Bernardino Soares; traziam estas t-shirts, estampados, os nomes de todos as pessoas actualmente detidas na "democrática" Cuba, por delito de opinião!

2003/09/12

A realidade

Passei todo o Verão sem ver, ao vivo, uma chama maior do que a do meu fogão. Sabia que havia incêndios por todo o País, e sentia aquele sentimento misto de frustração e revolta que todos os portugueses deviam sentir. Mas hoje, ao fim da tarde, ao passar pela A8, vi bem as enormes chamas na zona de Mafra e da Malveira - e pensei como o homem pode ser, simultaneamente, grandioso e reles!

P.S.: Também havia umas chamas, mais pequenas, na zona da "casa-mais-famosa-do-país-logo-a-seguir-à-Casa-Pia"; se algum dos bombeiros que andar nessa zona ler isto, gostava de lhe fazer um pedido: não era possível encaminhar esse fogo para a dita casa? Muito agradecido!

Onde é que está o meu prémio?

Devo ter sido o único que passou o dia de ontem sem falar na(s) efeméride(s)!

Ainda há esperança para os feios!

Fossem todas as mulheres como a Charlotte (e como a minha querida Lu, faça-se justiça!), e muitas depressões seriam evitadas (para mais informações, ler post de anteontem, Quarta-feira, intitulado "as listas").

2003/09/11

On the road

Se há coisa que adoro fazer é conduzir; de preferência sozinho. Adoro fazer grandes viagens, pois nelas tenho espaço para ordenar as minhas ideias. Quando conduzo oiço a minha música - alto ou baixo, como me apetecer - fumo as minhas cigarrilhas, canto (não é bonito, garanto-vos), e até faço diálogos (não, não são monólogos) sozinho. Não sou esquizofrénico, mas gosto de me colocar perguntas, em voz alta, e depois responder-lhes. Em que outro lugar o poderia fazer?

Se Jack Kerouac tivesse um carro com ar condicionado e leitor de CDs, teria escrito o dobro dos livros!

Aproveitem agora a última oportunidade, ou então esperem pela próxima!

Nunca se sentiram incomodados por comprar, digamos, uma camisa por determinado preço, porque a senhora da loja disse que aquela não iria para saldos, e uma semana depois passar novamente pela loja e ver que a mesma camisa está a metade do preço?

Pois bem; desde Segunda-feira que um grupo de pessoas está "acampado" (presumo que dormem nos carros) numa bomba de gasolina perto de Coimbra, porque sabiam que hoje, Quinta-feira (!), seriam postos à venda naquele lugar bilhetes para aquela que será a terceira ou quarta "última oportunidade" de ver os Rolling Stones ao vivo (devia ser mais "ao morto", ou talvez "ao embalsamado") em Portugal. Nunca fui grande fã dos tipos e, apesar de ainda ter para aqui uns vinys, dificilmente me apanhariam numa coisa dessas; talvez os quarenta anos me tornem mais "quadradão", e resolva ir vê-los lá para a quinta "última vez" que eles cá vierem!

Portobello Road

Apesar das limitações a que aludi no post anterior, não poderia deixar de vir aqui aconselhar os meus leitores no que a compras cinéfilas diz respeito; como todos sabem, hoje é Quinta-feira, e como todos sabem também - ou deviam saber - é dia de DVD no "Público". Comprei o de hoje, "O Delfim", de Fernando Lopes, e vou vê-lo assim que puder. Confesso, no entanto, que não é dos que mais me fascinará nesta colecção; não aprecio por aí além o estilo "xaroposo" de José Cardoso Pires, bem como o ego (e não só...) inchado de Alexandra Lencastre, ou a polivalência de Rogério Samora - se bem que tenha gostado bastante de ver este último a representar Shakespeare no D. Maria II.

Mas é já do filme da próxima semana que vos quero falar: chama-se "Oito mulheres", ainda não o vi, mas, pelas referências que li e ouvi, deve ser de delírio - e, mesmo que não o seja, tem sempre a mais-valia de podermos observar em acção uma mulher tão bonita como Fanny Ardant.

Por fim, na colecção "concorrente", do "Diário de Notícias", aviso-vos de que vai sair amanhã um DVD que, para mim, é imperdível: "Notting Hill". Sim, eu sei que o filme é para lá de lamechas, que Hugh Grant é um canastrão que só sabe representar bem uma personagem - o próprio Hugh Grant - e que o que disse acima a respeito de Alexandra Lencastre é duplamente válido para Julie Roberts. Mas - bolas! - adoro ouvir o sotaque cockney de H.G. (como o de Tony Blair, e como Herman José tenta desesperadamente imitar), deliro com o sotaque galês do seu companheiro de casa, e, principalmente, fico fascinado ao "revisitar" Portobello Road, onde já tantas vezes me "perdi"!

A sequência em que H.G. caminha por Portobello, enquanto o tempo vai mudando progressivamente, numa metáfora "disneyana" das estações, é, para mim, simplesmente soberba!

Um pouco de paciência...

Venho aqui só para dizer, numa atitude pessoal e de relativa exposição da minha intimidade (espero que apreciem devidamente), que, durante algum tempo, dificilmente postarei mais do que um ou outro comentário rápido e ocasional; isto porque a minha vida profissional deu umas reviravoltas muito rápidas e inesperadas nos últimos dias (para melhor, espero...) e nas próximas semanas poderei andar em formação por sítios tão distantes como Peniche, Braga, Portimão e até Vigo!

Também o concurso sobre identificação de músicas a partir de trechos da respectiva letra acabou! Vocês acertavam tudo, e eu começo a sentir que quem não percebe nada de música sou eu. De qualquer forma, todos os que acertaram, tentaram, ou leram apenas, estão, como calculam, convidados para as famosas tortas e moscatel de Azeitão - temos é que combinar bem a agenda, porque cheira-me que os próximos tempos vão ser frenéticos.

Entretanto, se sentirem a minha falta, aproveitem para fazer algo útil, como pensar numa prenda condigna para o meu aniversário (post: "Ó tempo, volta para trás...", mais abaixo), ou lembrarem-se de alguém - figura pública ou não - que merecesse ter um blog (post: "Pessoas que eu acho que deviam ter um blog:", logo acima daquele). Vou sentir a vossa falta - e vou certamente perder fregueses; que pena, logo agora que o sitemeter ia de vento em popa. Mais, c'est la vie!

Para se entreterem, deixo aqui a última música; vim a ouvir este CD hoje no regresso de Peniche:

I'm a student of just one master
I'm only afraid of one monster
I stand illuminated

All my visions crowd down to one bead of sweat
My whole life bears down on one hour
I stand illuminated


Não se vão todos embora, está bem?

2003/09/10

Difíceis, não é?

Aguentem-se lá com estas duas:

Be in my video,
Darling, every night
I will rent a cage for you
And mi-j-i-nits dressed in white
(teeny-little-tiny-little...)

Twirl around in a lap dissolve
Pretend to sing the words
I'll rent a gleaming limousine;
Release a flock of ber-herna-herna-herna
Herna-her-nerds

Wear a leather collar
And a dagger in your ear
I will make you smell the glove
And try to look sincere, then we'll

Dance the blues
Let's dance the blues
Let's dance the blues
Under the megawatt moonlight

Pretend to be chinese,
(one-hung-low)
I'll make you wear red shoes
There's a cheesy atom bomb explosion
All the big groups use

Atomic light will shine
Through an old venetian blind
Making patterns on your face,
Then it cuts to outer space

With its billions & billions &
Billions & billions and

Be in my video
Darling, every night
Everyone in cable-land
Will say you're 'outa-site'

You can show your legs
While you're getting in the car, then
I will look repulsive
While i mangle my guitar

Reen-toon-teen-toon-teen-toon
Tee-nu-nee-nu-nee,
Moo-ahhhh

Reen-toon-teen-toon-teen-toon
Tee-nu-nee-nu-nee,
Moo-ahhhh

Reen-toon-teen-toon-teen-toon
Tee-nu-nee-nu-nee,
Moo-ahhhh

Tee-nu-nee----moo-ahhhh
Tee-nu-nee----moo-wah-wah-wah-ooo


Esta era fácil, não era? Então, aqui vai a piéce de resistance:

Walk on by
Walk on through
So sad to beseige your love so head on
Stay this time
Stay tonight in a lie
I'm only asking but I...
I think you know
Come on take me away
Come on take me away
Come on take me home
Home again

And if the mountain should crumble
Or disappear into the sea
Not a tear, no not I

Stay in this time
Stay tonight in...
Ever after, this love in time
And if you save your love
Save it all

Don't push me too far
Don't push me too far
Tonight
Tonight
Tonight...

Esta vem mesmo a calhar:

De que música é este bocadinho de canção, cujo título - mas só o título - se pode aplicar ao dia que eu tive hoje, pelo menos até agora?

Just a perfect day
problems all left alone
Weekenders on our own
it's such fun

Just a perfect day
you made me forget myself
I thought I was
someone else, someone good

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
You just keep me hanging on

2003/09/09

Futuristas e Neo-românticos

Não andei com cortes de cabelo "abichanados" - como diria um famoso bloguista - mas também tive a minha fase de fascínio pelos futuristas, confesso. Achava extremamente arrojados todos aqueles adereços, o ar andrógino e o menear sincopado. E gostava das músicas, claro. Vejam lá se se lembram destas duas:

Don't say a word, I know what you're thinking
It's plain to see
I see my opportunities shrinking
In front of me
I know you've made up your mind
But don't say
Although I'm guilty of no crime
It's the same

Guilty, guilty you've found me guilty...


e:

Don't you ever, don't you ever
Stop being dandy, showing me you're handsome
Don't you ever, don't you ever
Stop being dandy, showing me you're handsome

Prince Charming
Prince Charming
Ridicule is nothing to be scared of
Don't you ever, don't you ever
Stop being dandy, showing me you're handsome

Jornal do Incrível

Numa voltinha rápida pela blogosfera, dou com uma mensagem acabadinha de pôr no blog da Charlotte: "liguem depressa para a SIC-notícias!"

Na minha surpresa, pensei que tivesse havido algum golpe de Estado, ou pior; ainda me lembro do dia em que Salazar caíu da cadeira - o que me chateou não ter havido desenhos animados à hora de almoço!

Afinal, estava um tipo esquisitíssimo a falar, um tal de "não-sei-quê" Castelo Branco, a dizer qualquer coisa como: "detesto conduzir (nas férias); deviam fazer umas 'pensõezitas' ao pé dos hotéis para podemos trazer os nossos motoristas!"

A mensagem já lá não está; o humanóide também não. Deve ter sido um sonho...

Pessoas que eu acho que deviam ter um blog:

Pelas melhores razões:

- João Bénard da Costa;
- António Lobo Xavier;
- Miguel Sousa Tavares;
- Daniel Sampaio;
- Sophia de Mello Breyner;
- António Lobo Antunes;
- José Megre;
- Anabela Mota Ribeiro;

Por - como é que hei-de dizer? - outras razões (mas estes com comentários obrigatórios):

- Eduardo Prado Coelho
- Paula Bobone;
- Herman José;
- Margarida Rebelo Pinto;
- Francisco Louçã;
- Amilcar Theias;
- Teresa Guilherme;
- Alberto João Jardim;
- Mário Soares (ou João Soares, me da igual!);

E entre os amigos e relativos:

- Lu;
- Nuno Rodrigues da Silva;
- António Chumbinho;
- Marisa Pinto;
- João Titta Maurício;
- Rita Saldanha;
- Ana Sofia Fonseca;
- João Viegas;
- Paulo Homem;
- Renato Rodrigues;
- José Eduardo Oliveira;
- Mabe Mira;
- Ana Carla Nazaré;

Era para colocar aqui ainda mais uma rubrica, a dos blogs que nem deviam existir, como este, mas não me apetece "comprar" guerras.

Nota: Este post não vai estar nunca encerrado; em qualquer altura poderei fazer updates do mesmo. Para tal, peço também a contribuição dos meus leitores, com sugestões sérias - ou não!

Ó tempo, volta para trás...

Falta pouco mais de um mês para a minha vida mudar; não será uma mudança muito grande em termos práticos, mas para mim - que tenho andado a desenvolver a minha costela negativista - terá reflexos imprevisíveis em termos psicológicos. Eu explico: dia 23 de Outubro, entrarei nos "entas". Ora, dando de barato que não chegarei aos cem, posso dizer que vou entrar na última fase da minha vida, certo?

Nem quero pensar nisso. Entretanto, para a minha legião de fans, deixo aqui uma breve lista com sugestões de presentes que seriam muito apreciados pela gerência. Atenção à especificidade dos artigos - não aceito coisas parecidas (isto é mesmo rabugice dos quarenta, não é?).

1 - Um Porsche 911T ("T" de Targa), versão entre 1971 e 1973, restaurado, e de preferência no laranja original da marca; igual ao do Ric Hochet, alguém se lembra? Em alternativa, também posso aceitar um Morgan, desde que seja em british green.

2 - Uma casa na zona de São Pedro de Moel; não é preciso que seja muito grande, desde que seja perto do mar. E pode ser por mobilar.

3 - Um patrocínio para disputar a edição do próximo ano do Troféu Datsun 1200, organizado por José Megre y sus muchachos. Será um valor à roda dos 20.000€, mas dedutível no IRC por um valor superior (sem "manigâncias"). E olhem que este é um bom investimento: ainda há cinco anos, fui Campeão Nacional de Clássicos (tinha que ser) na minha classe - e não, não era o único!

Deixo-vos já estas sugestões porque sei que precisam de algum tempo para tratar das coisa; mas se tiverem outras opiniões, não se coíbam de as apresentar; estudo tudo (olha, uma cacofonia)!

Entretanto, estou algo desiludido por não terem identificado ainda a música abaixo, de que eu tanto gosto. Vou-vos dar uma ajuda; aqui vai um excerto de outra canção lindíssima do mesmo álbum:

Pretty women out walking with gorillas down my street
From my window I'm staring while my coffee grows cold
Look over there! (Where?)
There's a lady that I used to know
She's married now, or engaged, or something, so I am told

Is she really going out with him?
Is she really gonna take him home tonight?
Is she really going out with him?
'Cause if my eyes don't deceive me,
There's something going wrong around here

Serviço público

Como disse há uns posts atrás, não fumo, exceptuando umas míseras cigarrilhas açorianas ocasionais (uma caixa de 10 dá-me para mais de um mês!), quando conduzo, e sempre sozinho. Isso dá-me o afastamento e a isenção necessários para comentar a notícia que está neste momento a ser alvo de debate na TSF, no "Fórum", sobre a intenção da Comunidade Europeia, de colocar imagens de choque nos maços de tabaco.

Em boa verdade vos digo que não acredito que haja uma simples alma que vá deixar de fumar por o maço de cigarros ostentar uma imagem de uma garganta cancerosa, ou de um pulmão reduzido a cinzas; o que vai acontecer é que aqueles fumadores compulsivos e mal educados, que não conseguem deixar de fumar, mesmo quando partilham um espaço restrito com outras pessoas - fumadoras ou não - vão continuar a fazê-lo, com uma agravante: como seres pouco sensíveis que são, não os incomodarão por aí além as ditas "imagens de choque" dos maços, até pela imunidade que progressivamente adquirirão. Quem se sentirá incomodado serei eu, e outros como eu, que passarão o almoço a olhar para as tétricas fotos de um maço que alguém fará questão de colocar em cima da mesa, junto às chaves do carro e aos dois telemóveis.

Para os fumadores mais sensíveis, que terão pudor de andar com um portfolio de cirurgia oncológica às costas, sugiro uma medida simples e cool: adquiram uma cigarreira bonita e, assim que comprarem um novo maço, procedam ao transbordo de todos os cigarros. De seguida, desfaçam-se rapidamente do maço obsceno - de preferência num contentor apropriado.

Eu, pela minha parte, já decidi: se a medida em questão for extensiva também às bonitas caixas de cigarrilhas, resgatarei uma linda cigarreira de prata que foi oferecida ao meu avô (que não fumava!) pelos seus colegas de emprego, uma semana depois de eu nascer, e que a minha avó me ofereceu na véspera do meu casamento. Era o "Something old" do poema (para quem não sabe, nos casamentos os protagonistas deverão usar: Something old/ something new/ something borrowed/ and something blue).

Não precisam de agradecer este conselho; basta não fumarem em espaços fechados que partilhem comigo ou com os meus.

Mais uma música

Só uma, mas uma especial; faz parte de um primeiro álbum, que deve ter quase 25 anos, e que eu dancei nas famosas garage parties dos anos setenta e oitenta (eu era muito tímido, e para dançar, já tinha tomado umas misturas explosivas, que nem vos vou contar...). Comprei o álbum na altura, e ainda o tenho aqui, apesar de ter andado por tudo quanto era festa, sempre a "rasgar". Gosto tanto da música, e sei-a de cor de tal maneira, que não resisto a transcrevê-la toda:

Come on you people get your dancing shoes on
Reds and yellow and pinks and blues on
Too late, too late
To stay home and sit around

Purple leopard skin and see-through plastic
Whatever you want, but just make it drastic
Too late, too late, to stay home and sit around

What you wanna bet
We ain't started yet
Baby stick around
Baby stick around

Pushin' and shovin' and sweat wet leather
Up and down we go chained together
Too late, too late
To stay home and sit around

Somebody tellin' me the latest scandals
Somebody steppin' on my plastic sandals
Too late, too late
To stay home and sit around

What you wanna bet
We ain't started yet
Baby stick around
Baby stick around

Too late, too late
To stay home and sit around

What you wanna bet
We ain't started yet
Baby stick around
Baby stick around


Quem estiver, como eu, à beira dos quarenta, e conseguir ouvir isto sem sentir nostalgia, está morto!

É por isto que eu às vezes penso em "fechar a loja"!

Anda um tipo a pensar que até dá "uns toques" com a caneta, e depois, de repente, vê textos ao pé dos quais os seus parecem contas de merceeiro. Isto para dizer que dois dos melhores blogs da blogosfera foram hoje actualizados:

O "Umbigo" voltou aos seus melhores dias (para provável satisfação de Ana Sá Lopes), e colocou hoje no seu blog uma rábula deliciosa aos textos de Daniel Sampaio; mesmo um admirador confesso - como eu sou - dos escritos de D.S., não poderia resistir a sorrir ao ler aquilo. Sorrir? Que digo eu? Rir, rir a bandeiras desfraldadas!

Quanto ao outro, é um caso mais complicado. Há um tipo, que eu já mencionei aqui várias vezes, que tem o dom de escrever textos lindos, com a facilidade com que eu bebo um copo de água. Tem um blog, chamado "Encalhado", e desconheço o seu nome (o que não é importante). Ora, acontece que eu publiquei, aqui há dias, um post neste pasquim a dar conta da beleza da coisa, e a aconselhar os meus leitores a fazerem-lhe uma visita; mas este meu amigo, que é um caso evidente de falta de noção do seu valor, resolveu escrever um post no seu blog a agradecer-me a consideração de o ter mencionado, e a retribuir-me - imaginem - o elogio!

Caro amigo: agradeço-lhe muito o agradecimento (que redundante...), mas parece-me que não deveria ocupar espaço do seu blog com tais coisas. Todo o espaço é pouco para publicar as suas maravilhosas histórias (sempre embirrei um bocadinho com o "estórias", que me parece um brasileirismo...). Se muita gente que anda por aí, a vender milhões de livros em Portugal, a escrever em revistas, e até a dar aulas de escrita criativa, se muita dessa gente, dizia, tivesse metade do seu talento, então estaríamos muito melhor servidos!

E fico sinceramente zangado se perder uma linha que seja a agradecer-me. Não se agradecem os actos de justiça!

2003/09/08

O questionário do "Avatares de um Desejo"

Sob o título "Manual do Blogger/Blogador", publicou o Bruno Sena Martins, há já uns dias, um post em que nos dava algumas indicações sobre comportamentos politicamente correctos na blogosfera. Na altura dei respostas mentais ao supra citado questionário, e conclui desde logo que não tenho os mínimos - nem de perto nem de longe!

No entanto, como o B.S.M. está agora a fazer o levantamento dos "colegas" que responderam ao post, aqui deixo a minha modesta contribuição para um estudo estatístico da blogosfera:

1 - Ler a coluna de opinião do público e do Dn
R - Leio diariamente o "Público", incluindo a maior parte das colunas de opinião; a propósito, as ladainhas de EPC são "artigo de opinião"?
2 - Usar o google com perícia para se armar nas discussões em curso
R - Uso, mas sem perícia nenhuma; e quando chego às discussões, elas já acabaram!
3 - Conhecer a biografia de pelo menos um destes famosos: JPP, FJV, PM
R - Conheço mais ou menos a do PM, desde a fase do MRPP, até ser cherne. Serve?
4 - Utilizar o Pedro Rolo Duarte como o anto-cristo local
R - Coitado; o gajo nem tem muita piada, mas já lhe basta ter a Amélia sempre à perna!
5 - Ter um clube de afeição para poder postar às segundas-feiras (Conselho pessoal:o porto permite saír sempre por cima)
R - Simpatizo com o Vitória de Setúbal, mas não sei o nome de um único jogador. E, além disso, ninguém discute os seus jogos à Segunda (excepto os velhotes do Bairro dos Pescadores, mas esses não têm blog).
6 - Ter um poema de reserva para citar quando o site-meter der mostras de fragilidade
R - Sim, arranja-se qualquer coisa; pode ser W.H. Auden?
7 - Tratar por "tu" a vida e obra de Tolstoi
R - De quem?
8 - Fingir ardor nas discussões mesmo que o tema seja indiferente
R - Eu gostava era de saber fingir que não estou empolgado!
9 - Saber onde é que o Iraque fica no mapa
R - Essa é fácil; fica ali, na direcção da Itália, um bocadinho mais para lá (tem que se virar à direita).
10 - Falar d@s respectiv@s apenas quando já se tem uma reputação consolidada ou mais de 30 anos
R - A minha reputação não deverá ser das melhores, mas já tenho mais de trinta anos.
11 - Fazer periodicamente a ode de um cineasta de que ninguém ouviu falar
R - Impossível. Aqui toda a gente conhece tudo: quem é que nunca ouviu falar de Jim Jarmusch?
12 - fazer alusão à fnac uma vez em cada 15 dias
R - Estou-me a atrasar, é verdade; custos de morar fora da cidade...
13 - tentar juntar copos e livros no mesmo post para dar prova de excentricidade
R - Tipo: "estava eu a beber o meu bagaço, e a ler o 'Sei lá'..."?
14 - dizer uma asneira de vez em quando (mostra inconformismo)
R - Porra, que esta merda deste questionário nunca mais acaba!
15 - Utilizar o dicionário online para apoiar a escrita
R - Dicionário online? Is there such a thing? E ninguém me dizia nada?
16 - Inventar mails recebidos para dar um ar de interactividade ao blogue
R - Também estou a falhar; só me escrevem (e não é invenção) os tipos todos do "Público" a darem-me "Your details", ou coisa do género.
17 - Dar algumas gralhas ara mostrar um certo negligé
R - Dar u qê?

Está bom assim? Tenho aproveitamento?

Pronto, está bem; não tenho mais nada para dizer!

Eu sei que vocês gostam disto; e eu também gosto. So, why not? Mais três:

És cruel
Meteste a tua filha num bordel
Enforcaste o caniche com cordel
És cruel

És tarado
Pintaste o sexo cor de rebuçado
No circo tu serias um achado
És tarado

És um porco imundo
Quando queres vais até ao fundo
Não sei onde vais parar


e:

In this world as we know it
Sorrows come and go
Now we see the satellite's gone up to the sky
But it's not as nice as looking in your eyes

Woh, take it for a little while
No, i could watch it on tv, yeah

Satellite of love, oh, satellite of love
Satellite of love, satellite of...


e também:

Looking like a born again
Living like a heretic
Listening to arthur lee records
Making all your friends feel so guilty
About their cynicism
And the rest of their generation
Not even the government are gonna stop you now
But are you ready to be heartbroken?
Are you ready to be heartbroken?

Não precisam de agradecer!

É uma vergonha: os deputados da Nação, nata da nossa inteligência, supra-sumo da cultura, e motivo de orgulho pátrio de todo e cada português, vêm-nos dizer que trabalham em "condições miseráveis"! Não se faz, realmente. Pela minha parte, pouco posso fazer para ajudar, mas desde já humildemente me ofereço para substituir um desses esforçados e sacrificados servidores do povo, se isso contribuir, de alguma forma, para o alívio do seu pesado fardo.

Aliás, dentro das minhas modestas possibilidades, gostaria de aproveitar para criar um movimento de solidariedade na blogosfera, com o seguinte lema: "um blogger por um deputado!" Os voluntários para substituição de deputados deverão contactar os Serviços da Assembleia da República, mencionando a iniciativa desinteressada deste blog - mas, antes de se decidirem, lembro-vos que é um trabalho (?) árduo, com apenas uma secretária (penso que estamos a falar de mobiliário...) para cada oito deputados, e miseravelmente pago.

Vá lá...

Eu sei que estão mortinhos por adivinhar mais canções; aqui vão duas preciosidades - tratem-nas bem:

There's always been Ethel:
Jacob, wake up! You've got to tidy your room now
And then Mister Lewis:
Isn't it time that he was out on his own?
Over the garden wall, two little lovebirds: cuckoo to you!
Keep them mowing blades sharp

I know what I like, and I like what I know;
getting better in your wardrobe, stepping one beyond your show.


e:

Hide in your shell 'cause the world is out to bleed you for a ride
What will you gain making your life a little longer?
Heaven or Hell, was the journey cold that gave your eyes of steel?
Shelter behind painting your mind and playing joker

Too frightening to listen to a stranger
Too beautiful to put your pride in danger
You're waiting for someone to understand you
But you've got demons in your closet
And you're screaming out to stop it
Saying life's begun to cheat you
Friends are out to beat you
Grab on to what you can scramble for


(o que eu adorava esta música; o vinyl até deve ter as espirais mais fundas no lugar dela...)

Descubra as diferenças:

Ferro Rodrigues, líder muito provavelmente transitório do PS, apelou, no seu comício de reentré, à unidade da esquerda para contrariar o que ele designou de "um governo de extrema-direita".

Ontem foi a reentré comunista (não renovadora), na Festa do Avante; nela, Carvalhas renovou o empenho comunista "no avanço de convergência de todas as forças de oposição ao Governo".

Na reentré socialista, Ferro Rodrigues preocupou-se em atacar furiosamente o ministro Paulo Portas, numa estratégia enviesada de duvidoso alcance.

Ontem, Paulo Portas, o 'moderno' Ministro da Defesa", foi o membro do Governo mais atacado no discurso do secretário-geral do PCP.

Os itálicos não são meus; tirei-os do "Público".

Aviso ao Senhor Louçã: não sei se já fizeram a vossa reentré, mas, se não a fizeram, não vale a pena - nós já sabemos o que vão dizer!

2003/09/07

Adeus Zambujeira, que eu vou partir!

Já há quase vinte anos que não escolho o Algarve para passar férias; tenho-vos falado já bastante da minha alergia a multidões e às coisas politicamente correctas, para ser necessário explicar esta opção. Como também penso que não será necessário explicar a opção tomada há cerca de quinze anos, de começar a passar as férias na Zambujeira do Mar - que, nessa altura, pouco mais era do que uma simpática aldeia de pescadores. Só que o resto da história é conhecida: veio o raio do festival, que faz tanta falta à terra como uma epidemia de peste, e a antiga mística perdeu-se - ter-se-á, eventualmente, ganho uma nova mística, de gosto discutível, e mais "plastificada" (precisamente o que me irrita no Algarve!), mas não me restam dúvidas sobre quem saíu a perder do "negócio": eu! No entanto, as alternativas eram relativamente poucas, pelo menos até hoje.

Já conhecia São Pedro de Moel (ou Muel?) há vários anos, por força dos vários ralis em que participei com base operacional na zona, mas raramente tinha ido lá passear com o espírito tão descansado como hoje. E o que vi fascinou-me; e, melhor ainda, fascinou também a Lu, já que as decisões cá em casa tomam-se por unanimidade, pelo menos até o Lourenço ter 14 anos, mais ou menos!

Não me preocupa falar aos leitores desta minha nova "descoberta", por duas razões: primeiro, não é de temer uma próxima invasão de leitores a São Pedro, dada a relativa pouca afluência deste blog (se sair alguma citação disto no DN, e o sitemeter "disparar", lá terei que voltar cá atrás para apagar este post), e segundo, porque eu não descobri coisa nenhuma. São Pedro de Moel já é por demais conhecido, mas as coisas que levam hordas para Vilamoura, são as mesmas que afastam essas carneiradas daquela terra: o tempo sempre fresco, a praia oceânica, com um azul maravilhoso, o sossego daquele pinhal, os quilómetros de pistas para ciclistas (eu ouvi esses risos...), o aspecto deliciosamente retro de toda a arquitectura, a (quase) ausência de discotecas e bares - tudo coisas que funcionam como mais-valias para este quase-quase quarentão (a propósito, já pensaram no que me vão dar nos anos? Falta pouco mais de um mês...).

Ou muito me engano ou, depois da promoção que lhe fiz hoje, as próximas férias vão ser passadas em São Pedro; a propósito, ninguém sabe de uma casinha para vender lá, boa (não precisa ser grande - qualquer T1 serve) e, principalmente, barata?

E agora, para não dizerem que me esqueci dos meus leitores melómanos, aqui vão mais três desafios, com sabor a nostalgia:

If man is five
Then the devil is six
Then god is seven
This monkey's gone to heaven


e:

Airport, you've got a smiling face
You took the one I love so far away
Fly her away, fly her away
Airport, you've got a smiling face
You took my lady to another place
Fly her away, fly her away


e, por fim:

And if the world does turn
And if London burns I'll be standing on the beach with my guitar
I wanna be in a band when I get to heaven
Anyone can play guitar
And they won't be anything anymore

Recomendado

Este novo blog parece-me muito bom; e, além de tudo o mais, tem a vantagem de, agora que eu ordenei os links alfabeticamente, impedir que o "Abrupto" seja sempre o primeiro. Um toque alternativo calha sempre bem!

Tabagismo

Não fumo, excepto uma ou outra cigarrilha ocasional, em viagens maiores, de uma caixa que anda sempre no carro. Mas não posso deixar de empatizar, até certo ponto, com os fumadores no que toca à medida agora tomada, referente às inscrições nos maços de tabaco. Já tinha visto uma fotografia num jornal, mas nem liguei, e até pensei que fosse montagem. No entanto, só quando um destes dias vi o maço de tabaco de um amigo em cima da mesa é que percebi a dimensão do ridículo; ninguém deixará de fumar - ainda não perceberam? - mesmo que todo o maço passe a ser preto, e a ter como única inscrição uma caveira e duas tíbias!

Já agora, também não percebo por aí além a preocupação dos fumadores, com algo que, objectivamente, não interfere com a saciedade dos seus vícios; seria bem pior se cada pessoa, ao puxar de um cigarro, tivesse que colocar antes umas placas, daquelas tipo homem-sandwich, com os dizeres: "Atenção! Aqui vai um parvalhão que pensa que é chaminé!" - ou então, dever-se-ia pôr antes nos maços: "Desculpem, mas sou um alarve, que não consegue estar uma hora num restaurante sem fumar a merda dum cigarro, mesmo vendo que está bastante gente a comer!"

2003/09/06

Novos critérios editoriais

Telefonei há pouco ao meu grande amigo Nuno (um dos raros campeões do mundo portugueses, para mais numa difícil modalidade desportiva), para lhe falar de um outro assunto, mas ele aproveitou logo para "desviar" o assunto para este blog; confessou-me que, devido a mim, já se encontra também viciado na "voltinha" diária pela blogosfera, e depois, com a frontalidade que sempre lhe conheci, aproveitou para fazer uma série de críticas a este conjunto de reflexões esparsas - mas críticas construtivas, entenda-se.

Diz o Nuno que o tom deste blog anda a ficar demasiado pessoal, para não dizer umbiguista, e que, em muitos dos posts, se nota perfeitamente que não tenho nada para dizer. Revejo-me inteiramente nessas críticas, feitas com a imparcialidade que só a amizade verdadeira confere; no entanto, e apesar de não querer justificar o que quer que seja, sei que existem vários motivos para que o faça:

1 - É-me imensamente mais fácil falar de algo que conheça e, de preferência, que conheça melhor que qualquer outra pessoa - e o único tema que conheço que cumpre essas premissas sou eu!

2 - A blogosfera, e o acto de criar um blog são, por definição, exercícios de narcisismo; quem escreve deseja, de alguma forma, que os seus "rabiscos" sejam lidos por alguém. E eu, por insondáveis desígnios, sou especialmente vulnerável aos milagres da interacção, só possível num meio deste tipo. Daí que assuma que - por vezes - seja tentado a "forçar a nota" para manter o ritmo produtivo, mesmo quando não existe nenhum tema relevante subjacente ao post (e isto, para não dizer que, muitas vezes, não existe mesmo tema algum!).

3 - Tenho uma compulsão para escrever desde que me recordo de existir. Já escrevi em vários jornais e revistas, mas saio sempre pelo mesmo motivo: tenho que ganhar a vida, if you know what I mean! Actualmente escrevo apenas para o "Jornal de Azeitão", de que sou orgulhoso sub-director (e co-fundador, com o meu amigo António Chumbinho, já lá vão sete anos), num exercício gracioso e, de certa forma, por espírito de missão.

4 - Volto ao tom pessoal, mas não será de todo irrelevante mencionar, ainda que não sirva de desculpa, que sou especialmente sensível à existência - ou não - de um conjunto de situações estáveis à minha volta. E, nas últimas semanas, tive desenvolvimentos negativos inesperados na minha vida profissional, felizmente já em fase de resolução, e até de provável up-grade; mas, enquanto não via "a luz no fundo do túnel", tudo o que me apetecia fazer era escrever, tivesse assunto ou não!

5 - Descobri que os leitores respondem melhor (nas caixas de comentários) aos posts mais curtos e, porventura, mais inconsequentes; isso talvez me tenha levado, ainda que algo inconscientemente, a "abusar" do truque, já que, como disse antes, sou um viciado em feed-backs!

Não obstante tudo o que ficou exposto, não deixo de dar toda a razão ao Nuno (ainda que gostasse de ouvir - ou ler - mais opiniões sobre este assunto) e, em conformidade com esta tomada de consciência, tomei algumas decisões:

1 - Vou deixar, na medida do possível, de publicar coisas inconsequentes e gratuitas.

2 - Vou deixar de falar tanto de mim, não por pudor (porque só me exponho até onde quero), mas porque reconheço que esse é um tema sem qualquer interesse para o leitor, principalmente quando me ponho a divagar sobre o meu humor instantâneo. Abro, no entanto, uma excepção neste ponto, para informar que continuarei, sempre que se justificar, a escrever sobre o milagre que é o crescimento e a tomada de consciência do mundo do meu filho Lourenço!

3 - O concurso "Musical quiz", apesar de ter servido para passar momentos divertidos, provavelmente não passou de um truque meu para chamar mais leitores a este blog. Não sei se foi assim ou não - não tenho consciência do facto - mas, decidi mudar um pouco a mecânica da coisa: a partir de agora, deixa de haver pontos para quem acerte nas músicas. Sempre que me lembrar (e estou sempre a lembrar-me) continuarei a publicar um excerto de uma música que tenha algum significado para mim, para ver quem a reconhece. Encarem isto, a partir de agora, como uma forma honesta de procurar empatias. Deixam de haver pontos para os vencedores, mas, como prémio, todos estarão convidados para, quando quiserem, comer uma torta e um moscatel comigo em Azeitão, inclusive os que, até aqui, já deram as suas respostas - certas, erradas, a tempo, atrasadas, whatever!

E, para finalizar este (demasiado?) longo exercício de introspecção, deixo-vos com mais um excerto de uma belíssima canção:

This is our last goodbye
I hate to feel the love between us died
But it's over
Just hear this and then I'll go
You gave me more to live for
More than you'll ever know

2003/09/05

Musical quiz #19

Também é difícil, a 18? E eu a pensar que não. Estou a ver que vocês preferem os eighties. Então tomem lá:

The feeling has gone only you and I
It means nothing to me
This means nothing to me
Oh Vienna

Musical quiz #18

Vamos lá então a fazer um ponto da situação, para ver quem é que leva o prémio (mas o concurso ainda não acabou!). Em primeiro lugar está o Nelson, com 13 pontos, em segundo o jcd, com 11, em terceira a Papoila, com 6, em quarta a ElsaTS, com 2 (boas notícias: o júri deferiu o protesto no post dos Pink Floyd), e em quintas ex-aequo, a Lu (que conhece muitas, eu sei, mas que não tem tempo para vir cá...), e a Shyznogud, com 1 ponto cada.

Em relação às respostas que valiam pontos, mas ainda não tinham sido dadas, o álbum dos Ramones chama-se "End of the Century", O dos Aztec Camera é "Knife" (uma capa lindíssima - ainda tenho aqui o vinyl, apesar de já não ter prato para o ouvir), o dos Tubes é "White Punks on dope", e a música mistério do post "M.q. #16", a única que ficou sem resposta até agora, chama-se "Five strings serenade", cantam-na os Mazzy Star (cuja vocalista, Hope Sandoval, já cantou com os Jesus and Mary Chain), e pode ser encontrada no álbum "So tonight that I might see". Naturalmente que nenhuma das perguntas contidas nos posts anteriores conta mais, mas as regras mantêm-se: 1 ponto para o intérprete, 1 para a canção, e 1 para o álbum ("e vamos agora ouvir a votação da França; 10 pontos para a canção portuguesa!").

Para agora, fica outra, não muito difícil, acho:

Roses in the hospital
Try to pull my finger nails out
Roses in the hospital
I want to cling to something soft
Roses in the hospital
Progressing like a constant war
Roses in the hospital
There’s no one to feel ashamed for

Sondagem

Estou a pensar tirar o "Pipi" da minha lista de links; aquilo já chateia, é sempre igual, e até dá má imagem à blogosfera (há muitos amigos meus que mal sabem o que é um blog, mas que já conhecem o animal).

Gostava de ouvir mais opiniões - depois decidirei de forma democrática: conto os vosso votos, e faço o que me apetecer!

Desvantagens de não morar num centro urbano

Há muitos pequenos prazeres que me fazem sentir melhor; um deles é, às Sextas-feiras comprar "O Independente" no Sad, e depois ocupar uma mesa inteira, no "Forno da Vila", a ler o jornal todo "esparramado" e a tomar o pequeno almoço com vagar. Este exercício, para produzir efeitos visíveis, não poderá ter uma duração inferior a vinte minutos.

Mas hoje, que eu até tinha tempo, "O Independente" ainda não chegou a Azeitão; que balde de água fria!

Musical quiz #17

Será que finalmente arranjei uma canção difícil, no "M.q. #16"? Ou os "craques" ainda não chegaram? De qualquer forma, tenho a certeza de que até já a ouvi na rádio. Entretanto, aqui fica outro trecho, para que, os que não conhecem aquela, possam ir puxando os cabelos:

Talk to you later
Don't want to hear it again tonight
I'll talk to you later
Just save it for another guy
I'll talk to you later
Don't want to hear it again tonight
I'll just see you around

Musical quiz #16

Fica esta então para se "esgatanharem". Já sabem: intérprete, título, álbum!

This is my five string serenade
Beneath the water played
And while I'm playing for you
It could be raining there too

2003/09/04

Ainda aí estão?

O "Encalhado" já regressou de férias. E ainda bem!

Dois pedidos ao jornal "Público"

Primeiro pedido: poder-me-iam os senhores emprestar durante uns dias o vosso colunista, Sr. Eduardo Prado Coelho, para que ele me arranje uma discussão sobre cultura "de-trazer-por-casa" com o meu vizinho do lado? É que o prédio tem andado tão sossegado...

Segundo pedido: seria possível passar a publicar, aos Domingos, uma pequena memória descritiva a explicar e contextualizar os cartoons do vosso colaborador Vasco? Eu peço humildemente desculpas por ser tão estúpido, mas a verdade é que não consigo perceber nem uma das piadas (são piadas, não são?).

Grato.

"Grande Reportagem"

A última edição da revista "Grande Reportagem" foi mesmo a última - passe a redundância - pelo menos com periodicidade mensal; a partir de agora será editada semanalmente, e "oferecida" como suplemento do "Diário de Notícias" de Sábado.

Sinto já uma certa nostalgia, confesso. Ainda que nem sempre apreciasse algum "chico-espertismo" mal disfarçado, de jornalistas "esquerdalhos" que se acham exemplos de subtileza, já tinha aquirido o hábito, e agora vai-me ser difícil desenraizá-lo. Por outro lado, a experiência deste país em publicações semanais generalistas mostra-nos à saciedade que só conseguem sobreviver neste meio as que adoptam uma postura "rasca" e/ou de "faca e alguidar". Basta observar o jornal "Expresso", e a curva descendente da sua dignidade, para perceber onde quero chegar (está bem, "O Independente" é semanal e bom, mas não consegue sobreviver facilmente - vejam lá aquele encarte que lá vem agora com a "dança das tias"; nem para papel higiénico serve, porque é rijo, mas ajuda, certamente, a vender o papel).

Espero que o mesmo não aconteça à "Grande Reportagem", sinceramente. Para já, conto com a qualidade dos textos de Pedro Mexia (bela peça sobre cultura, na última edição mensal), bem como com a lucidez apaixonada de Francisco José Viegas (pode-se ser, simultaneamente, lúcido e apaixonado?), para me garantirem a qualidade da coisa. A ver vamos...

Musical quiz #15

As contas estão um bocadinho mais complicadas, para mais com estas novas regras; talvez para o fim de semana. Lembro que ainda há títulos de músicas (a dos Ramones e a dos Orchestral Manoeuvres in the Dark), e de álbuns (o dos Ramones), para descobrir. Entretanto, aqui vai mais uma pérola revivalista:

I wish myself into your arms
To know that all I need is everything

The size of the sea and the sun in my eyes
And the line in my head
Yearning for more, only for more
These days are as bright as the days I have seen
In the wildest of dreams
Yearning for more, only for more

Musical quiz #14

Yeap, os cantores misteriosos do "M.q. #13" são os Ramones, grupo de quatro "básicos" manos (agora são só três...) que puseram muita gente da minha geração a "abanar a carola" - mas atenção que, de acordo com as novas regras, falta definir o nome da canção e o álbum em que saíu originalmente, respostas essas que valerão mais um ponto cada.

Agora passamos a mais uma sessão dupla, com uma ligeira variante: estas duas canções pertencem à banda sonora do mesmo filme (cujo CD, por acaso, eu vinha agora a ouvir no carro), apesar de não serem cantadas pelas mesmas bandas. As respostas que valem pontos são os nomes das bandas, os nomes das canções, e o título do filme (em lugar dos álbuns originais), à razão de um ponto cada. Vamos lá:

If you leave
I won't cry
I won't waste one single day
But if you leave don't look back
I'll be running the other way


e:

Caroline laughs and it's raining all day
She loves to be one of the girls
She lives in the place in the side of our lives
Where nothing is ever put straight
She turns herself round and she smiles and she says
This is it, that's the end of the joke
And loses herself in her dreaming and sleep
And her lovers walk through in their coats

Musical quiz #13

Tenho que me deixar destas "doses múltiplas", porque isto dá muita vantagem a quem chega primeiro (e sabe, claro!). Então, praticamente às quinze horas de hoje (hora a que eu tenho que sair), a classificação é a seguinte: para o primeiro lugar continua uma encarniçada - mas sadia - disputa entre jcd e Nelson, ambos com 8 pontos; em terceiro lugar, autora de uma espectacular recuperação, está agora isolada a Papoila, com 5 pontos; em quarto lugar, com algum azar e falta de oportunidade à mistura, estão a ElsaTS (o júri está a deliberar ainda sobre o protesto apresentado no post "M.q. #11"), a Lu, e a Shyznogud, com 1 ponto cada; não classificado, por enquanto, encontra-se o PAS, com duas nice tries - continua a mandar postais, que o concurso está para durar!

Entretanto, há aqui umas ligeiras alterações às regras, de que o grande júri se lembrou agora: cada música correctamente identificada passa a valer três pontos - um para o intérprete, um para o título, e ainda mais um para o nome do álbum onde ela foi originalmente publicada. Estas novas regras passar-se-ão a aplicar apenas daqui para a frente (incluindo nesta canção que está já aqui em baixo), excepto quando surgir uma indicação diferente.

E pronto; depois desta lenga-lenga, vamos lá a mais uma - esta é fácil:

When you kiss me I just gotta
Kiss me I just gotta
Kiss me I just gotta say :

Baby, I love you
Come on baby
Baby, I love you
Baby I love, I love only you


O que eu cantei isto; e já lá vão mais de vinte anos. Do you remember garage parties?

Musical quiz #12

Mais uma pergunta "duas-em-uma"; uma fácil, e outra acho que nem por isso, se bem que eu já a tenha cantarolado - e até cantado aos berros, que vergonha - milhares de vezes:

I know it's out of fashion
And a trifle uncool
But I can't help it
I'm a romantic fool
It's a habit of mine
To watch the sun go down
On Echo beach I watch the sun go down


e:

If it's true a rich man leads a sad life
That's what they say from day to day
Then what do all the poor do with their lives?
Have nothing to say on judgment day?

Lamechas?

Acabei de comprar o meu exemplar de "O quarto do filho" e resolvi passar os olhos pela sinopse e pelas fotos da caixa. Asneira! Só de me lembrar das imagens que vi no "King", veio-me uma lágrima ao olho - uma lágrima que, estou certo, todos os pais sentem - uma lágrima pelo medo, pela impotência, pela vulnerabilidade, por sabermos que os nossos filhos não nos pertencem e que, por mais que façamos, nunca poderemos dar-lhes tudo o que eles merecem, nem protegê-los para sempre...

Não sei se conseguirei ver este filme outra vez!

Estigmas

Acho de um egoísmo extremo o gesto de muitos pais, de colocarem aos filhos os nomes invulgares de antepassados, de actores, ou até dos seus ídolos em quaisquer outras áreas. Esquecem-se de que o filho se tornará um adulto, e que carregará para sempre o peso de um nome impronunciável.

Eu sei por experiência própria; chamo-me Aldino, como o meu pai. Sempre que tenho que dar o nome a alguém, tenho que o soletrar e, mesmo assim, na maior parte das vezes escrevem Albino. A minha correspondência vem em nome de Alcino, Altino, Adelino ou até Aldina. As pessoas que não me vêem há algum tempo chamam-me Alcides. Ainda se eu fosse Aldino Manuel, ou Aldino Pedro, podia usar outro nome - mas não, só Aldino, bolas. Por isso, fiz uma "fita" para que todos os meus filhos tenham dois nomes; para já só tenho um, que se não gostar de Lourenço pode ser Miguel, e vice-versa.

Este é, normalmente, um drama pouco compreendido por quem não o sofre, mas se se chamassem Benilde, Eufrásia ou Austrincliniano (sim, sim, conheci uma pessoa assim chamada), estou certo de que reveriam a posição!

Musical quiz #11

Não sei o que mais vos hei-de arranjar; tenho que ir remexer no baú. Experimentem lá esta:

Big man, pig man, ha ha, charade you are
You well heeled big wheel, ha ha, charade you are
And when your hand is on your heart
You're nearly a good laugh
Almost a joker

Musical quiz #10

Bom, então estamos assim: em primeiro jcd, com 8 pontos, em segundo Nelson, com 7, e em terceiros ex-aequo, ElsaTS, Lu e Papoila. Vamos lá a ver agora esta; vocês é que estão a pedir mais dificuldade...

It's Monday morning, 5:19
And I'm still wondering where she's been
'cause everytime I try to call
I just get her machine.
And now it's almost six a.m.
And I don't want to try again
'cause if she's still not back
Then this must be the end

Musical quiz #9

Nova música, nova voltinha:

Rent a flat above a shop, cut your hair and get a job
Smoke some fags and play some pool, pretend you never went to school
But still you'll never get it right
'cos when you're laid in bed at night, watching roaches climb the wall
If you call your dad he could stop it all

Desconvocada a jornada de luta

Por diversos motivos, entre os quais não foi despiciendo o facto de já ter sido inaugurada a caixa de comentários do post a que aludi mais abaixo, mas também porque, como muito bem diz a Neurótica, eu não estou sindicalizado ainda como bloguista, decidiu a Comissão de Trabalhadores desta casa desconvocar a greve agendada para hoje. Assim, bem ou mal, vão ter que me aturar de novo!

E começo por vos avisar de que hoje (o Pedro Adão e Silva anunciou-o ontem, mas penso que ele tem o relógio adiantado - pelo menos cá a Azeitão não chegou) o DVD que sai com o "Público", por mais 8,90€, é "O quarto do filho", de Nanni Moretti; se não comprarem este, escusam de cá voltar, é só o que vos digo!

E, dentro de momentos, mais um "Musical quiz"!

Greve geral

Lamentamos, mas fomos obrigados a isto.

Falharam as negociações!

Lamento informar os meus prezados leitores de que, devido à falta de consenso, manter-se-á a greve geral agendada para amanhã. Esta jornada de luta servirá para protestar contra a preguiça dos meus leitores, que apenas lêem os últimos posts colocados, deixando sem resposta milhares de outros.

Mais informo que, devido à irredutibilidade das partes envolvidas nas negociações, os serviços mínimos garantidos para amanhã se cingirão, apenas e exclusivamente, a responder a comentários que venham a ser colocados nas respectivas caixas. Assim, actividades como o "Musical quiz", que vinha entusiasmando milhões de portugueses, verá a afixação de novos trechos musicais interrompida durante todo o dia, para grande alívio dos produtores do "Big Brother".

Tudo indica que a adesão a esta iniciativa deverá rondar os 100%, mas existe ainda a possibilidade de a Comissão de Trabalhadores rever a sua posição se, no decorrer do dia, forem satisfeitas as suas reivindicações, isto é, se forem condignamente visitados todos os posts da primeira página do blog, principalmente aqueles que apresentam no fim, a azul, a inscrição "pronto a estrear"; esta pretensão tem especial acutilância para o post em que o autor descreve a aquisição de uma viatura Mercedes por parte do seu filho, em pleno centro da Zambujeira do Mar, e que foi injustamente ignorado pelos leitores.

Um piquete de greve, composto por cem voluntários, impedirá o acesso às instalações a eventuais "fura-greves" que pretendam pensar pela própria cabeça!

O delegado sindical.

Andamos a arranjar desculpas; andamos, andamos...

Ana Sá Lopes e João Pedro Henriques dizem que foram hoje almoçar com JMF, do "Terras do Nunca"; este, contudo, diz que foi almoçar à sua tia Clotilde, e não cita outra companhia durante a degustação dos chicharros para além da simpática (mas, pelos vistos, sionista) velhota. A.S.L. e J.P.H. até dizem que a máquina não aceitou o Visa de JMF, esperando que nós acreditemos que a tia Clotilde seria capaz de cobrar alguma coisa pela refeição.

Em suma, ainda que isso não tenha grande importância, alguém anda aqui a tentar "enfiar o barrete" a alguém!

2003/09/03

Musical quiz #8

Não quero entrar nas músicas mais esotéricas - aquelas que eu cantarolo e ninguém conhece - mas penso que, com estas duas, talvez dificulte um bocadinho a coisa:

There's a disease
Goin' round the hospital
Green, green leaves
Fallin' from the trees


e:

Far above the ocean, deep under the sea
There's a river runnin' dry because of you and me
She's a goddess on a highway, a goddess in a car
A goddess goin' faster than she's ever gone before

Cavalheirismo

Venho agora de um restaurante onde jantei. Enquanto estava à mesa, reparei num casal de jovens namorados que chegou a uma mesa perto; ela dirigiu-se para uma das cadeiras - a que ficava de frente para o resto da sala - e sentou-se. No entanto, o rapaz, visivelmente incomodado, pediu-lhe que se levantasse e trocasse com ele, pois não gostava de ficar virado para a parede. Humildemente ela obedeceu, e jantou de frente para a parede e, claro, para o namorado. Desconheço se ela preferia olhar para uma ou para outro, mas também não me parece que essa seja uma informação relevante.

Relatei aqui este pequeno episódio, mesmo correndo o risco de ser acusado de "fura-greves", porque achei o gesto do rapaz imbuído de um cavalheirismo que já não se usa. Reparem bem que ele a deixou escolher primeiro, e só depois pediu para trocar - se, por acaso, a namorada tivesse escolhido o outro lugar, aquele em que efectivamente ficou, ele nem precisaria de lhe pedir nada, e consumar-se-ia assim um brilharete. De facto, na maioria dos casais que conheço, o homem entra primeiro no restaurante (assim como no cinema, no teatro - aqueles que lá vão - ou até em casa), senta-se primeiro, e pega na ementa mal ela "aterra" na mesa. E ainda há quem diga que esta juventude já não preza os valores da boa educação - o mal educado sou eu, que estava no restaurante a observar outros clientes!

Amanhã sempre há greve!

Não se iludam; hoje distraí-me e postei mais do que devia, mas a greve para amanhã não foi desconvocada. Mais, se não forem visitados todos os posts que ainda estão em branco, nem sequer os serviços mínimos serão garantidos!

Olha, isso é que me dá um jeitão!

O "Desejo casar" lançou a questão, e o "Glória fácil" vem-nos hoje confirmar que é possível utilizar o blog como página de classificados. Não me interessa por aí além a marcação recíproca entre estes dois blogs, mas não quero deixar de aproveitar a ocasião para vender o meu peixe:

Vende-se:
Range Rover, a gasóleo, de 1993, parado há quase dois anos, porque uns sacanas quaisquer me assaltaram o carro, na noite de Natal, e me levaram os documentos, e o antigo dono foi morar para o Brasil, e o carro ainda não estava em meu nome, e tem sido uma "carga de trabalhos" para resolver as coisas, e entretanto comprei outro carro, e já não preciso daquele, apesar de estar em muito bom estado. Resposta a este blog.

Musical quiz #7

Vá lá; só mais este trechozinho para adivinharem:

He said:
I don't care if you're black or blue
Me and the stars stay up for you
I don't care who's wrong or right
And I don't care for the U.K. tonight
So stay

Pensei que isto fosse mais emocionante...

Então uma pessoa passa assim o dia, em greve, e nem sequer aparece a SIC? Para a próxima tenho que arranjar uns cartazes...

Serviços mínimos assegurados

Classificação actual do "Musical quiz": primeiro, Nelson, com 6 pontos, segundo jcd, com 4 pontos, e terceira, ElsaTS, com 1 pontinho. Não ponho mais trechos, por enquanto, porque ainda há músicas por identificar, e algumas delas até valem a dobrar!

Por melhores condições de trabalho!

A luta continua!

Estou muito proletário hoje, não vos parece?

Musical quiz #6

A ver então se aumentamos a dificuldade; mais quatro:

Born in the very same year
Alive at a similar time
It gave me something small that I could feel


e:

My girl, my girl, don't lie to me
Tell me where did you sleep last night


e também:

Dos amores do Redentor
Não reza a História Sagrada
Mas diz uma lenda encantada
Que o Bom Jesus sofreu de amor

(nota: dado que este fado foi interpretado por várias pessoas, considerarei certa uma resposta que me indique apenas o seu nome)

e, por fim:

All the times that I´ve cried
Keeping all the thing I knew inside
It was hard, but it´s harder to ignore them

Continuamos em greve!

Apesar de ser uma expressão que não me é nada simpática, a verdade é que me encontro constituído em piquete de greve, para protestar contra o facto de os leitores só lerem - e comentarem - os posts de cima; no entanto, e ao contrário de Carvalho da Silva e Jerónimo de Sousa, não impeço ninguém de aceder às instalações deste blog, mais que não seja para negociar condições para o levantamento da paralisação.

Entretanto, eu vou estando por aqui a ver quem entra e quem sai.

Musical quiz #5

Apesar de estar em greve - pelo menos até que os meus leitores percorram todo o blog, e não apenas os posts "cá de cima" - não deixo de assegurar os serviços mínimos. Assim, aqui vão mais duas fracções de canções para adivinharem (lembro que no post "M.Q. #4" ainda se encontra uma música para identificar):

(...)
You don't have to wear that dress tonight
Walk the streets for money
You don't care if it's wrong or if it's right

e:

Give me a reason to love you
Give me a reason to be a woman

Estou em greve!

Para saber os motivos consulte o post anterior.

2003/09/02

Posts a mais

Tenho cá uma teoria: as pessoas que aqui chegam, com alguma preguiça, dão uma olhadela aos últimos posts publicados - os que se encontram mais acima - e não descem muito mais que isso. Assim, como eu escrevo compulsivamente, alguns dos meus textos arriscam-se a ser ignorados, apesar de recentes, como foi o caso da maravilhosa história que contei anteontem sobre o meu Lou a comprar um Mercedes!

Para comprovar esta teoria, vou fazer um esforço, e tentar não postar nada durante algum tempo - quanto, logo se vê!

A bientôt!

Neura

Nota-se muito que não me está a apetecer fazer nada?

Musical quiz #4

Isto está a ficar renhido; e estas três?

Generation Sex
Respects
The rights
Of girls
Who wanna take their clothes off
As long as we can all watch
That´s OK


e:

Give me back my broken night
My secret room, my secret life
It´s lonely here
There´s no one left to torture


e ainda:

Ring, ring
It´s Seven A.M.
Pull yourself
To go again
Cold water
In the face
Brings you back
To this owful place.

Musical quiz #3

Neste momento, a classificação é a seguinte: jcd, 2 pontos, Elsa TS, 1 ponto. Agora vamos (penso eu) aumentar um bocadinho a dificuldade, e passar já para novo trecho:

I´m happy
I'm feeling fine
I've got sunshine
In a bag
I'm useless
But not for long
The future, is coming on, is coming on...

Musical quiz #2

Bom, vamos então considerar que jcd, dos "Jaquinzinhos", identificou correctamente as canções a que pertenciam os trechos transcritos no post "Musical quiz #1". Dois pontos para ele. Eram elas, para quem ainda não descobriu, respectivamente, "I want you to want me", dos Cheap Trick, e "Don´t stop", dos Fleetwood Mac. Passemos então, sem mais delongas, a novo "bocadinho" de canção:

Corpo de linho
lábios de mosto
meu corpo lindo
meu fogo posto.

Eira de milho
luar de Agosto
quem faz um filho
fá-lo por gosto.


Como se chama, e quem cantava?

Pesquisas

O folclore, nas suas mais diversas variações, continua a ser a chave através da qual mais gente cá vem parar, vindos dos motores de busca. Mas hoje tivémos aqui uma ilustre visita que procurava "criação de caracóis em Espanha".

Musical quiz #1

Sempre com os olhos postos na satisfação dos nossos leitores, a equipa que realiza e produz diariamente este blog vem, mais uma vez, inovar no campo da interacção entre as diversas partes da blogosfera (se isto não vos convencer a escrever comentários, não sei o que convencerá...). Numa iniciativa original, e com todos os contornos de ilegalidade (não li os estatutos do Blogger, confesso, mas calculo que não haja lá enquadramento legal para isto), o "Serra-mãe" lança, a partir de hoje, um concurso com participação restringida aos seus leitores.

A mecânica disto é muito simples: sem periodicidade garantida, irei postando aqui excertos de letras de canções. O leitor(a) que primeiro identificar correctamente a música e o intérprete em causa ganha um ponto. Ao fim de algum tempo - que também ainda não decidi quanto será - faremos as contas e teremos um vencedor, vencedor esse que ganhará um prémio a definir (provavelmente um saco de caramelos "Viuda Solano").

Dúvidas? Escrevam para o endereço de e-mail supra, ou usem as caixas de comentários, se fizerem o favor.

Posto isto, passamos desde já às duas primeiras canções, dois clássicos das noites mágicas do "Seagull":

Feeling all alone without a friend you know it feels like dying
Oh, didn't I, didn't I, didn't I see you cry?


e:

If you wake up and don't want to smile
If it takes just a little while
Open your eyes and look at the day
You'll see things in a different way


Então?

2003/09/01

Ele lá sabe...

Num noticiário da hora de almoço (não me lembro qual o canal) ouvi "de raspão" o dono ou empregado de um café, situado perto do local onde deveriam ser inquiridas algumas das testemunhas do caso Casa Pia, dizer:

"Chegam a estar aqui mais jornalistas do que pessoas!"

Um dia duplamente especial!

Já não bastava a filha do José Carlos Soares fazer dez anos hoje; era preciso aparecer outra aniversariante para iniciar Setembro. Mas o Pedro Cid tratou disso; há bocado enviou-me uma SMS a dizer que esta madrugada, no Porto, nasceu a Joana.

Aos pais babados, os meus parabéns sinceros; vocês merecem!

Requerimento à Dr.ª Maria José Nogueira Pinto

Cara Senhora:

Venho, por este meio, solicitar a V.ª Ex.ª que, na sua qualidade de Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, interceda de forma a que me seja concedido o primeiro prémio no Concurso do Totoloto, no prazo máximo de uma semana.

O motivo desta pretensão prende-se com o facto de eu me encontrar farto de estar aqui, no escritório, e de pretender pegar na minha família e, sem remorsos ou sentimentos de irresponsabilidade, voltar para a Zambujeira do Mar por, pelo menos, mais um mês.

Permito-me ainda chamar especialmente a atenção de V.ª Ex.ª para a informação complementar de que o prémio a atribuir não deverá ser, em caso algum, inferior a um milhão de euros.

Peço deferimento.

Lido no "Alice no País dos matraquilhos"

Puta de merda...

No meu périplo diário pelos blogs alheios, leio, não sei em qual, algo que me deixa à beira de ter um ataque de nervos... Leio que a Paula Bobone, no programa do Herman, disse que a Pastelaria Suiça não era um sítio in por ser muito frequentado por gente de cor. É absolutamente inacreditável ! Mas porque é que uma puta destas (cujo sonho secreto deve ser ser enrabada por um matulão qualquer bem ordinário) tem tempo de antena num programa de televisão? Mas quem é a Paula Bobone? O que fez na vida? Porque é que não a fuzilam, a ela, a todas as mulheres que fazem nuances e se mostram nessas revistas e às sopeiras que as compram? E o idiota do Herman José - que por ter um carro inglês, usar mocassins sem meia, umas camisas muito pirosas e falar sobre o que comeu nos restaurantes no Mónaco, também acha que é do jet set - ? O que lhe disse? Ouviu e calou? Prá puta que os pariu...


Bravo! Nem uma palavra a menos ou a mais!

Crónica estival

Por motivos que me transcendem, as minhas férias deste ano limitaram-se a três fins de semana e mais uma noite passados na Zambujeira do Mar; veremos em breve se a aposta valeu o sacrifício. Mas deu para ver que, infelizmente, a Zambujeira está "na moda", que o outrora pacato "Bar Oceano", do Carlos, parece agora um qualquer bar das Docas ao Sábado à noite, que o bar do Sargo continua bastante aceitável (se bem que muito mais "de plástico" do que o defunto "Monte da Lua Cheia", do mesmo Sargo e da Teresa Albarran), e que o "Clube da Praia" continua moribundo, muito longe dos seus tempos de glória - e tudo isto numa única incursão nocturna!

Mas deu para ver, principalmente, que Setembro, se não o era já, passou definitivamente a ser o melhor mês da terra. Primeiro, porque o aluguer das casas custa metade do preço; segundo, porque já se pode comer uns filetes de peixe aranha decentes no "Sacas" (e os percebes no "Manel da Estibeira"); terceiro, porque já não está tanto calor; quarto, porque a esplanada do "Café Fresco" fica vazia; quinto (e redundante), porque não está lá ninguém; e muitas mais razões haveria. Talvez para o ano...

Conheço um óptimo psiquiatra para essas crises!

O assunto não é novo, e nem sequer sou visado nestas coisas; no entanto, não deixarão nunca de me impressionar os ferozes ataques que a esquerda faz recorrentemente a Paulo Portas. E impressionam-me particularmente porque, para lá das políticas ou ideias do estadista, os detractores de P.P. preocupam-se eminentemente em visar o carácter ou a atitude do homem. Volta a suceder hoje no - adivinhem onde... - País Relativo, claro!

A peça em questão, com uma enviesada dedicatória ao "Quinto dos Impérios" que acusa de roçar "o rasteiro e o insulto do pior gosto", não se coíbe, no entanto, de explorar aspectos tão pessoais de uma pessoa como as suas opções religiosas. Ficamos assim na dúvida sobre os epítetos a aplicar ao texto em causa, sabendo apenas que, por uma questão de coerência, se deverão situar abaixo de "rasteiro"!

Quando tudo o que se tem para dizer de mal sobre uma pessoa se limita a vasculhar no seu passado, na esperança de encontrar algum "esqueleto no armário" (desulpem desiludir-vos, mas parece-me que o facto de P.P. ter sido director d'"O Independente" não será propriamente uma novidade para ninguém), ou a estafadas considerações deturpadas sobre o seu estatuto de testemunha (friso: de testemunha, e não mais do que isso!) num determinado caso judicial - por acaso, o mesmo caso em que um conhecido socialista foi repreendido por não ter esclarecido cabalmente os factos dúbios em que se envolveu - se tudo se limita a isso, dizia, então nada mais nos resta concluir senão que o ataque é pessoal e, por inerência, que a imaginação política da esquerda morreu!

Condição sine qua non

Neste país devia ser liminarmente proibido a qualquer cidadão ser pai, se não fizesse prova de já ter lido pelo menos um texto de Daniel Sampaio!

2003/08/31

Dicionário parental

O meu filho Lou tem dois anos e meio; está na altura de começar a descobrir as vantagens (e desvantagens) de conseguir produzir um conjunto de sons minimamente inteligíveis por quem o rodeia, vulgo a falar. Ele bem se esforça, mas a fonética ainda não é o seu ponto mais forte. No entanto, com algum esforço de compreensão, e doses maciças de amor, é perfeitamente possível perceber tudo o que ele quer dizer. Mesmo um leigo poderá facilmente depreender que "ruia" significa "rua", ou que "Lodendo Miguelo" é o seu próprio nome (Lourenço Miguel). Já será, contudo, necessária mais alguma habituação para descortinar o sentido exacto de, por exemplo, "ôtabadê" ("outra vez").

Como, pelos vistos, sucede a várias crianças nestas idades, uma das suas maiores fixações são os carros e suas marcas; identifica com facilidade as mais diversas marcas, seja de viaturas reais, ou das miniaturas que adora. Desde o "Ópia" (Opel) do pai, ao "Ondabidique" (Honda Civic) da mãe, passando pelos "Moquemaguém" (Volkswagen) de ambos os avôs, ou pelos milhares de viaturas que encontra na rua, todos ele identifica e memoriza.

Esta manhã, na Zambujeira do Mar, quando fui comprar o jornal, o Lou perdeu-se de amores pela miniatura de um Mercedes 300 SL, de 1957, que se encontrava estrategicamente colocada junto aos diários; diga-se, em abono da verdade, que o pai também gostou do modelo (se bem que preferisse o original...) pelo que lhe fez a vontade e o comprou. Mas, para que se concretizasse o negócio, era necessário que o Lou fosse dizer à senhora do balcão que queria o carro. Nada que o incomodasse; sem atrapalhações, aquele "setenta-e-tal-centímetros-de-gente" furou por entre os muitos veraneantes que tentavam pagar os jornais e revistas e, chegado ao balcão, tentou dizer: "Senhora, eu quero um Mercedes!" - só que o que saíu, perante uma série de pessoas em expectativa, foi "Cinôra, quer putedo!".

2003/08/29

Adivinha

"Esta universidade tem 450 anos. A primeira universidade do Brasil foi fundada nos anos 20, no século vinte. Isso mostra que a colonização portuguesa foi muito eficaz no nosso país..."

Pergunta: quem fez estas declarações, em tom irónico e fazendo rir a plateia, enquanto era homenageado numa Universidade peruana? Algumas pistas: usa barba, é brasileiro, a intelligentsia esquerdista cá do burgo idolatra-o, e esteve em Portugal há pouco tempo, acompanhado de generoso séquito; neste pontificava um (ex?) cantor de MPB, agora "promovido" a ministro (paradigma do princípio de Peter), que nos fez o favor de informar que a nossa imagem na Europa não é das melhores.

Outra ajuda: ficou muito ofendido por, no discurso de recepção, o Dr. Mota Amaral ter tecido algumas considerações sobre a exequibilidade das sua propostas políticas para o Brasil.

Se não conseguiu adivinhar, poderá ver a resposta aqui.

Patriotismo

Era suposto sentir orgulho por um tal de Cristiano Reinaldo (que eu só soube que era português e jogava cá há pouco mais de uma semana) ter ido jogar para uma equipa de futebol inglesa?

Não sinto nada, desculpem lá!