2003/09/14

Com "amigos" destes, quem precisa de inimigos?

No seu blog, e dando mostras de uma falta de lealdade ao seu partido assinalável, Pacheco Pereira arremete violentamente contra Paulo Portas; contudo, para além de alguns fait-divers puramente demagógicos, J.P.P. pouco mais consegue criticar de objectivo do que o registo do timbre de voz usado por P.P. no seu discurso de ontem!

Que Pacheco Pereira é um erro de casting, e que está no PSD quando devia pertencer a qualquer coisa radicalmente à esquerda, já se sabia. Agora que se deixava levar assim pelo ressabiamento, já é relativa novidade, pelo menos para mim; a "Frente de esquerda" decerto apreciará, à falta de imaginação própria, os delírios deste equivocado da política nacional!

And now for something completely different...

Esta é a segunda vez que pilho a frase do título a John Cleese, mas ele não se deve importar; já pensaram no que me vão oferecer no aniversário?

Fórmula 1

Michael Schumacher acabou de vencer mais uma corrida; mais uma vez, este alemão - que deve ter nascido "com o cu virado para a lua" - beneficiou do azar de um adversário, neste caso o colombiano Juan Pablo Montoya, para obter um bom resultado. Aliás, quem sabe de automóveis consegue ver quem se esforçou mais sem dificuldade: bastava ver os comissários, na volta de desaceleração, a saudarem muito mais efusivamente J.P.M., do que o próprio M.S., apesar de este conduzir um italianíssimo Ferrari, e de a corrida ter sido em Monza.

Só tive dois ídolos na Fórmula 1: Gilles Villeneuve e Ayrton Senna, cuja carreira acompanhei desde 1977, quando veio a Portugal disputar o Campeonato do Mundo de karting, e eu acampei com um amigo (éramos as duas únicas pessoas em toda a área!) em frente ao Autódromo do Estoril. De momento, não tenho nenhum piloto especialmente favorito, mas confesso-me um anti-Schumacher primário. Aliás, em relação a este alemão emproado, só posso dizer, como decerto dirá qualquer apreciador do desportivismo, que se trata de um bluff. M.S. é um piloto de categoria razoável, mas, como ser humano, é abaixo de escroque!

Digo que é um piloto razoável, porque M.S. apenas consegue "aparecer" num contexto de relativa crise de valores na Fórmula 1; agora se ele discutisse posições com génios como Alain Prost, Niki Lauda, Jackie Stewart, Nigell Mansell, ou mesmo com um Jacques Villeneuve (o melhor piloto da Fórmula 1 actual) bem "montado", ou com Damon Hill (um dos mais brilhantes, mais azarados, e mais subestimados pilotos de todos os tempos), se ele discutisse corridas com pilotos desta cêpa, dizia, decerto não teria a vida tão facilitada. E, para além disso, ainda fica por explicar a razão por que, sendo ele um piloto tão "dotado", é o único na moderna Fórmula 1 que obriga os seus companheiros de equipa a ter um estatuto explícito de segundo piloto; se ele é assim tão bom, porque é que teve medo de Eddie Irvine, que não se intimidou (e a quem a Ferrari, numa atitude revanchista inqualificável, "roubou" um Campeonato do Mundo), ou porque é que não sugere que vá para o segundo carro - mas em estatuto de verdadeira igualdade - o jovem Fernando Alonso, que ainda há semanas o humilhou estrondosamente na Hungria? Sabem porquê? Porque depois acabava-se o "ídolo com pés de barro".

E é um escroque, porque não tem a ponta de dignidade ou desportivismo que devia ser inerente a qualquer desportista. Riu-se e festejou a vitória em Imola em 1994, quando Ayrton Senna tinha acabado de morrer (há quem diga que ele perguntou a alguém "how bad is he?", ao que lhe terão respondido "he's dead!", mas M.S. percebeu "he's bad!" - mas, numa hipótese ou noutra, não mandaria a decência alguma contenção?), lançou o seu carro contra o de Damon Hill em Adelaide, contra o de Jacques Villeneuve em Jerez de la Frontera, sempre quando se viu em risco de ser ultrapassado. Querem mais histórias pouco edificantes da personagem? Como dizia Italo Calvino, "se isto é um homem...".

P.S.: Vá lá que Montoya e Raikkonen terminaram perto, para que o Campeonato possa ser decidido até ao fim.

Confissão

Não queria politizar demasiado este blog - apesar de essa ser uma possibilidade destas coisas - mas não posso esconder a evidência: toda a gente se apercebeu já que eu simpatizo fortemente como o CDS/PP. Pois bem, mesmo correndo o risco de afugentar muitos leitores, informo-vos a todos de que sou, há mais de vinte anos, militante da coisa, e também de que, neste momento, desempenho um cargo no dirigismo local. Isto tornar-me-á, necessariamente, suspeito para falar de política, mas não mais do que os autores de muitos outros blogs, quer de esquerda, quer de direita.

Sou do CDS/PP porque acredito que a melhor opção para a nossa sociedade passa por uma concepção conservadora em termos de costumes, liberal no que toca à economia e, principalmente, humanista para as pessoas. Rejeito qualquer epíteto de "radicalismo", tal como toda a esquerda (o Pedro Adão e Silva que me perdoe, mas já há alguns meses que não consigo detectar qualquer diferença entre os discursos do PS, PCP, ou BE - surgidos normalmente por ordem cronológica inversa) gosta de apodar o CDS/PP; na minha já muito longa convivência com a política, nunca encontrei um único skinhead, ou neo-fascista nas fileiras do meu partido, mas encontrei muitos fundamentalistas intratáveis a militar nos partidos da dita esquerda.

Feito este intróito, e a propósito dele, informo-vos de que estive ontem em Aveiro na rentrée política do partido. Mas, como não sou faccioso, confesso a todos ("Frente de esquerda" incluída) que não gostei do modelo adoptado; ainda não li uma única linha sobre o assunto, mas pareceu-me o programa demasiado extenso e complexo, bem como a logística desajustada e subvalorizada para a grande adesão que se veio a verificar. Mas, isto dito, não se infira daqui que não valeu a pena a deslocação; várias e boas surpresas tive ontem. Confesso, no entanto, que preferi assistir a alguns dos painéis e conferências que decorreram durante a tarde, do que propriamente aos discursos de encerramento.

Gostei em particular da performance desse grande pensador que é António Lobo Xavier, mas retive principalmente algo em que já tinha pensado antes, e que foi dito numa das primeiras conferências da tarde por João Marques de Almeida, jornalista d'"O Independente", assumidamente de direita, mas sem qualquer vínculo ao partido. A propósito da festa de rentrée do PCP, vulgarmente designada por "Festa do Avante", e da intolerância e perseguição de que sempre foi e é alvo a direita democrática deste país, disse J.M.A. qualquer coisa parecida com isto: como é possível que na dita festa, decorrida algures no Seixal, se vendessem t-shirts com a efígie de Estaline, autor de crimes contra a humanidade de uma dimensão apenas comparável a Hitler, como se de um ícone se tratasse? O que diria a esquerda (toda, já que não se vislumbram diferenças ideológicas entre os diversos partidos, e isto dando de barato que ainda há alguma réstia de ideologia na tribo), o que diria, dizia eu, se, nos comícios do CDS/PP se vendessem t-shirts com a efígie de Salazar, por exemplo? Provavelmente que nós éramos saudosistas, reaccionários e revisionistas - e di-lo-iam entre duas "passas" no seu charro, sentados numa sombra da Quinta da Atalaia, e ostentando orgulhosamente no peito a "carantonha" de um crápula que matou milhões, em nome de um duvidoso ideal!

Mas não, descansem as mentes mais inquietas - não se vendia ontem em Aveiro nenhum merchandising com inscrições sobre Salazar, Pinochet, ou quaisquer outros ditadores; apenas os jovens da JP vendiam, numa inciativa bem interessante, umas t-shirts que muito poderiam fazer pela cultura política do jovem ortodoxo Bernardino Soares; traziam estas t-shirts, estampados, os nomes de todos as pessoas actualmente detidas na "democrática" Cuba, por delito de opinião!

2003/09/12

A realidade

Passei todo o Verão sem ver, ao vivo, uma chama maior do que a do meu fogão. Sabia que havia incêndios por todo o País, e sentia aquele sentimento misto de frustração e revolta que todos os portugueses deviam sentir. Mas hoje, ao fim da tarde, ao passar pela A8, vi bem as enormes chamas na zona de Mafra e da Malveira - e pensei como o homem pode ser, simultaneamente, grandioso e reles!

P.S.: Também havia umas chamas, mais pequenas, na zona da "casa-mais-famosa-do-país-logo-a-seguir-à-Casa-Pia"; se algum dos bombeiros que andar nessa zona ler isto, gostava de lhe fazer um pedido: não era possível encaminhar esse fogo para a dita casa? Muito agradecido!

Onde é que está o meu prémio?

Devo ter sido o único que passou o dia de ontem sem falar na(s) efeméride(s)!

Ainda há esperança para os feios!

Fossem todas as mulheres como a Charlotte (e como a minha querida Lu, faça-se justiça!), e muitas depressões seriam evitadas (para mais informações, ler post de anteontem, Quarta-feira, intitulado "as listas").

2003/09/11

On the road

Se há coisa que adoro fazer é conduzir; de preferência sozinho. Adoro fazer grandes viagens, pois nelas tenho espaço para ordenar as minhas ideias. Quando conduzo oiço a minha música - alto ou baixo, como me apetecer - fumo as minhas cigarrilhas, canto (não é bonito, garanto-vos), e até faço diálogos (não, não são monólogos) sozinho. Não sou esquizofrénico, mas gosto de me colocar perguntas, em voz alta, e depois responder-lhes. Em que outro lugar o poderia fazer?

Se Jack Kerouac tivesse um carro com ar condicionado e leitor de CDs, teria escrito o dobro dos livros!

Aproveitem agora a última oportunidade, ou então esperem pela próxima!

Nunca se sentiram incomodados por comprar, digamos, uma camisa por determinado preço, porque a senhora da loja disse que aquela não iria para saldos, e uma semana depois passar novamente pela loja e ver que a mesma camisa está a metade do preço?

Pois bem; desde Segunda-feira que um grupo de pessoas está "acampado" (presumo que dormem nos carros) numa bomba de gasolina perto de Coimbra, porque sabiam que hoje, Quinta-feira (!), seriam postos à venda naquele lugar bilhetes para aquela que será a terceira ou quarta "última oportunidade" de ver os Rolling Stones ao vivo (devia ser mais "ao morto", ou talvez "ao embalsamado") em Portugal. Nunca fui grande fã dos tipos e, apesar de ainda ter para aqui uns vinys, dificilmente me apanhariam numa coisa dessas; talvez os quarenta anos me tornem mais "quadradão", e resolva ir vê-los lá para a quinta "última vez" que eles cá vierem!

Portobello Road

Apesar das limitações a que aludi no post anterior, não poderia deixar de vir aqui aconselhar os meus leitores no que a compras cinéfilas diz respeito; como todos sabem, hoje é Quinta-feira, e como todos sabem também - ou deviam saber - é dia de DVD no "Público". Comprei o de hoje, "O Delfim", de Fernando Lopes, e vou vê-lo assim que puder. Confesso, no entanto, que não é dos que mais me fascinará nesta colecção; não aprecio por aí além o estilo "xaroposo" de José Cardoso Pires, bem como o ego (e não só...) inchado de Alexandra Lencastre, ou a polivalência de Rogério Samora - se bem que tenha gostado bastante de ver este último a representar Shakespeare no D. Maria II.

Mas é já do filme da próxima semana que vos quero falar: chama-se "Oito mulheres", ainda não o vi, mas, pelas referências que li e ouvi, deve ser de delírio - e, mesmo que não o seja, tem sempre a mais-valia de podermos observar em acção uma mulher tão bonita como Fanny Ardant.

Por fim, na colecção "concorrente", do "Diário de Notícias", aviso-vos de que vai sair amanhã um DVD que, para mim, é imperdível: "Notting Hill". Sim, eu sei que o filme é para lá de lamechas, que Hugh Grant é um canastrão que só sabe representar bem uma personagem - o próprio Hugh Grant - e que o que disse acima a respeito de Alexandra Lencastre é duplamente válido para Julie Roberts. Mas - bolas! - adoro ouvir o sotaque cockney de H.G. (como o de Tony Blair, e como Herman José tenta desesperadamente imitar), deliro com o sotaque galês do seu companheiro de casa, e, principalmente, fico fascinado ao "revisitar" Portobello Road, onde já tantas vezes me "perdi"!

A sequência em que H.G. caminha por Portobello, enquanto o tempo vai mudando progressivamente, numa metáfora "disneyana" das estações, é, para mim, simplesmente soberba!

Um pouco de paciência...

Venho aqui só para dizer, numa atitude pessoal e de relativa exposição da minha intimidade (espero que apreciem devidamente), que, durante algum tempo, dificilmente postarei mais do que um ou outro comentário rápido e ocasional; isto porque a minha vida profissional deu umas reviravoltas muito rápidas e inesperadas nos últimos dias (para melhor, espero...) e nas próximas semanas poderei andar em formação por sítios tão distantes como Peniche, Braga, Portimão e até Vigo!

Também o concurso sobre identificação de músicas a partir de trechos da respectiva letra acabou! Vocês acertavam tudo, e eu começo a sentir que quem não percebe nada de música sou eu. De qualquer forma, todos os que acertaram, tentaram, ou leram apenas, estão, como calculam, convidados para as famosas tortas e moscatel de Azeitão - temos é que combinar bem a agenda, porque cheira-me que os próximos tempos vão ser frenéticos.

Entretanto, se sentirem a minha falta, aproveitem para fazer algo útil, como pensar numa prenda condigna para o meu aniversário (post: "Ó tempo, volta para trás...", mais abaixo), ou lembrarem-se de alguém - figura pública ou não - que merecesse ter um blog (post: "Pessoas que eu acho que deviam ter um blog:", logo acima daquele). Vou sentir a vossa falta - e vou certamente perder fregueses; que pena, logo agora que o sitemeter ia de vento em popa. Mais, c'est la vie!

Para se entreterem, deixo aqui a última música; vim a ouvir este CD hoje no regresso de Peniche:

I'm a student of just one master
I'm only afraid of one monster
I stand illuminated

All my visions crowd down to one bead of sweat
My whole life bears down on one hour
I stand illuminated


Não se vão todos embora, está bem?

2003/09/10

Difíceis, não é?

Aguentem-se lá com estas duas:

Be in my video,
Darling, every night
I will rent a cage for you
And mi-j-i-nits dressed in white
(teeny-little-tiny-little...)

Twirl around in a lap dissolve
Pretend to sing the words
I'll rent a gleaming limousine;
Release a flock of ber-herna-herna-herna
Herna-her-nerds

Wear a leather collar
And a dagger in your ear
I will make you smell the glove
And try to look sincere, then we'll

Dance the blues
Let's dance the blues
Let's dance the blues
Under the megawatt moonlight

Pretend to be chinese,
(one-hung-low)
I'll make you wear red shoes
There's a cheesy atom bomb explosion
All the big groups use

Atomic light will shine
Through an old venetian blind
Making patterns on your face,
Then it cuts to outer space

With its billions & billions &
Billions & billions and

Be in my video
Darling, every night
Everyone in cable-land
Will say you're 'outa-site'

You can show your legs
While you're getting in the car, then
I will look repulsive
While i mangle my guitar

Reen-toon-teen-toon-teen-toon
Tee-nu-nee-nu-nee,
Moo-ahhhh

Reen-toon-teen-toon-teen-toon
Tee-nu-nee-nu-nee,
Moo-ahhhh

Reen-toon-teen-toon-teen-toon
Tee-nu-nee-nu-nee,
Moo-ahhhh

Tee-nu-nee----moo-ahhhh
Tee-nu-nee----moo-wah-wah-wah-ooo


Esta era fácil, não era? Então, aqui vai a piéce de resistance:

Walk on by
Walk on through
So sad to beseige your love so head on
Stay this time
Stay tonight in a lie
I'm only asking but I...
I think you know
Come on take me away
Come on take me away
Come on take me home
Home again

And if the mountain should crumble
Or disappear into the sea
Not a tear, no not I

Stay in this time
Stay tonight in...
Ever after, this love in time
And if you save your love
Save it all

Don't push me too far
Don't push me too far
Tonight
Tonight
Tonight...

Esta vem mesmo a calhar:

De que música é este bocadinho de canção, cujo título - mas só o título - se pode aplicar ao dia que eu tive hoje, pelo menos até agora?

Just a perfect day
problems all left alone
Weekenders on our own
it's such fun

Just a perfect day
you made me forget myself
I thought I was
someone else, someone good

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
You just keep me hanging on

2003/09/09

Futuristas e Neo-românticos

Não andei com cortes de cabelo "abichanados" - como diria um famoso bloguista - mas também tive a minha fase de fascínio pelos futuristas, confesso. Achava extremamente arrojados todos aqueles adereços, o ar andrógino e o menear sincopado. E gostava das músicas, claro. Vejam lá se se lembram destas duas:

Don't say a word, I know what you're thinking
It's plain to see
I see my opportunities shrinking
In front of me
I know you've made up your mind
But don't say
Although I'm guilty of no crime
It's the same

Guilty, guilty you've found me guilty...


e:

Don't you ever, don't you ever
Stop being dandy, showing me you're handsome
Don't you ever, don't you ever
Stop being dandy, showing me you're handsome

Prince Charming
Prince Charming
Ridicule is nothing to be scared of
Don't you ever, don't you ever
Stop being dandy, showing me you're handsome

Jornal do Incrível

Numa voltinha rápida pela blogosfera, dou com uma mensagem acabadinha de pôr no blog da Charlotte: "liguem depressa para a SIC-notícias!"

Na minha surpresa, pensei que tivesse havido algum golpe de Estado, ou pior; ainda me lembro do dia em que Salazar caíu da cadeira - o que me chateou não ter havido desenhos animados à hora de almoço!

Afinal, estava um tipo esquisitíssimo a falar, um tal de "não-sei-quê" Castelo Branco, a dizer qualquer coisa como: "detesto conduzir (nas férias); deviam fazer umas 'pensõezitas' ao pé dos hotéis para podemos trazer os nossos motoristas!"

A mensagem já lá não está; o humanóide também não. Deve ter sido um sonho...

Pessoas que eu acho que deviam ter um blog:

Pelas melhores razões:

- João Bénard da Costa;
- António Lobo Xavier;
- Miguel Sousa Tavares;
- Daniel Sampaio;
- Sophia de Mello Breyner;
- António Lobo Antunes;
- José Megre;
- Anabela Mota Ribeiro;

Por - como é que hei-de dizer? - outras razões (mas estes com comentários obrigatórios):

- Eduardo Prado Coelho
- Paula Bobone;
- Herman José;
- Margarida Rebelo Pinto;
- Francisco Louçã;
- Amilcar Theias;
- Teresa Guilherme;
- Alberto João Jardim;
- Mário Soares (ou João Soares, me da igual!);

E entre os amigos e relativos:

- Lu;
- Nuno Rodrigues da Silva;
- António Chumbinho;
- Marisa Pinto;
- João Titta Maurício;
- Rita Saldanha;
- Ana Sofia Fonseca;
- João Viegas;
- Paulo Homem;
- Renato Rodrigues;
- José Eduardo Oliveira;
- Mabe Mira;
- Ana Carla Nazaré;

Era para colocar aqui ainda mais uma rubrica, a dos blogs que nem deviam existir, como este, mas não me apetece "comprar" guerras.

Nota: Este post não vai estar nunca encerrado; em qualquer altura poderei fazer updates do mesmo. Para tal, peço também a contribuição dos meus leitores, com sugestões sérias - ou não!

Ó tempo, volta para trás...

Falta pouco mais de um mês para a minha vida mudar; não será uma mudança muito grande em termos práticos, mas para mim - que tenho andado a desenvolver a minha costela negativista - terá reflexos imprevisíveis em termos psicológicos. Eu explico: dia 23 de Outubro, entrarei nos "entas". Ora, dando de barato que não chegarei aos cem, posso dizer que vou entrar na última fase da minha vida, certo?

Nem quero pensar nisso. Entretanto, para a minha legião de fans, deixo aqui uma breve lista com sugestões de presentes que seriam muito apreciados pela gerência. Atenção à especificidade dos artigos - não aceito coisas parecidas (isto é mesmo rabugice dos quarenta, não é?).

1 - Um Porsche 911T ("T" de Targa), versão entre 1971 e 1973, restaurado, e de preferência no laranja original da marca; igual ao do Ric Hochet, alguém se lembra? Em alternativa, também posso aceitar um Morgan, desde que seja em british green.

2 - Uma casa na zona de São Pedro de Moel; não é preciso que seja muito grande, desde que seja perto do mar. E pode ser por mobilar.

3 - Um patrocínio para disputar a edição do próximo ano do Troféu Datsun 1200, organizado por José Megre y sus muchachos. Será um valor à roda dos 20.000€, mas dedutível no IRC por um valor superior (sem "manigâncias"). E olhem que este é um bom investimento: ainda há cinco anos, fui Campeão Nacional de Clássicos (tinha que ser) na minha classe - e não, não era o único!

Deixo-vos já estas sugestões porque sei que precisam de algum tempo para tratar das coisa; mas se tiverem outras opiniões, não se coíbam de as apresentar; estudo tudo (olha, uma cacofonia)!

Entretanto, estou algo desiludido por não terem identificado ainda a música abaixo, de que eu tanto gosto. Vou-vos dar uma ajuda; aqui vai um excerto de outra canção lindíssima do mesmo álbum:

Pretty women out walking with gorillas down my street
From my window I'm staring while my coffee grows cold
Look over there! (Where?)
There's a lady that I used to know
She's married now, or engaged, or something, so I am told

Is she really going out with him?
Is she really gonna take him home tonight?
Is she really going out with him?
'Cause if my eyes don't deceive me,
There's something going wrong around here

Serviço público

Como disse há uns posts atrás, não fumo, exceptuando umas míseras cigarrilhas açorianas ocasionais (uma caixa de 10 dá-me para mais de um mês!), quando conduzo, e sempre sozinho. Isso dá-me o afastamento e a isenção necessários para comentar a notícia que está neste momento a ser alvo de debate na TSF, no "Fórum", sobre a intenção da Comunidade Europeia, de colocar imagens de choque nos maços de tabaco.

Em boa verdade vos digo que não acredito que haja uma simples alma que vá deixar de fumar por o maço de cigarros ostentar uma imagem de uma garganta cancerosa, ou de um pulmão reduzido a cinzas; o que vai acontecer é que aqueles fumadores compulsivos e mal educados, que não conseguem deixar de fumar, mesmo quando partilham um espaço restrito com outras pessoas - fumadoras ou não - vão continuar a fazê-lo, com uma agravante: como seres pouco sensíveis que são, não os incomodarão por aí além as ditas "imagens de choque" dos maços, até pela imunidade que progressivamente adquirirão. Quem se sentirá incomodado serei eu, e outros como eu, que passarão o almoço a olhar para as tétricas fotos de um maço que alguém fará questão de colocar em cima da mesa, junto às chaves do carro e aos dois telemóveis.

Para os fumadores mais sensíveis, que terão pudor de andar com um portfolio de cirurgia oncológica às costas, sugiro uma medida simples e cool: adquiram uma cigarreira bonita e, assim que comprarem um novo maço, procedam ao transbordo de todos os cigarros. De seguida, desfaçam-se rapidamente do maço obsceno - de preferência num contentor apropriado.

Eu, pela minha parte, já decidi: se a medida em questão for extensiva também às bonitas caixas de cigarrilhas, resgatarei uma linda cigarreira de prata que foi oferecida ao meu avô (que não fumava!) pelos seus colegas de emprego, uma semana depois de eu nascer, e que a minha avó me ofereceu na véspera do meu casamento. Era o "Something old" do poema (para quem não sabe, nos casamentos os protagonistas deverão usar: Something old/ something new/ something borrowed/ and something blue).

Não precisam de agradecer este conselho; basta não fumarem em espaços fechados que partilhem comigo ou com os meus.

Mais uma música

Só uma, mas uma especial; faz parte de um primeiro álbum, que deve ter quase 25 anos, e que eu dancei nas famosas garage parties dos anos setenta e oitenta (eu era muito tímido, e para dançar, já tinha tomado umas misturas explosivas, que nem vos vou contar...). Comprei o álbum na altura, e ainda o tenho aqui, apesar de ter andado por tudo quanto era festa, sempre a "rasgar". Gosto tanto da música, e sei-a de cor de tal maneira, que não resisto a transcrevê-la toda:

Come on you people get your dancing shoes on
Reds and yellow and pinks and blues on
Too late, too late
To stay home and sit around

Purple leopard skin and see-through plastic
Whatever you want, but just make it drastic
Too late, too late, to stay home and sit around

What you wanna bet
We ain't started yet
Baby stick around
Baby stick around

Pushin' and shovin' and sweat wet leather
Up and down we go chained together
Too late, too late
To stay home and sit around

Somebody tellin' me the latest scandals
Somebody steppin' on my plastic sandals
Too late, too late
To stay home and sit around

What you wanna bet
We ain't started yet
Baby stick around
Baby stick around

Too late, too late
To stay home and sit around

What you wanna bet
We ain't started yet
Baby stick around
Baby stick around


Quem estiver, como eu, à beira dos quarenta, e conseguir ouvir isto sem sentir nostalgia, está morto!

É por isto que eu às vezes penso em "fechar a loja"!

Anda um tipo a pensar que até dá "uns toques" com a caneta, e depois, de repente, vê textos ao pé dos quais os seus parecem contas de merceeiro. Isto para dizer que dois dos melhores blogs da blogosfera foram hoje actualizados:

O "Umbigo" voltou aos seus melhores dias (para provável satisfação de Ana Sá Lopes), e colocou hoje no seu blog uma rábula deliciosa aos textos de Daniel Sampaio; mesmo um admirador confesso - como eu sou - dos escritos de D.S., não poderia resistir a sorrir ao ler aquilo. Sorrir? Que digo eu? Rir, rir a bandeiras desfraldadas!

Quanto ao outro, é um caso mais complicado. Há um tipo, que eu já mencionei aqui várias vezes, que tem o dom de escrever textos lindos, com a facilidade com que eu bebo um copo de água. Tem um blog, chamado "Encalhado", e desconheço o seu nome (o que não é importante). Ora, acontece que eu publiquei, aqui há dias, um post neste pasquim a dar conta da beleza da coisa, e a aconselhar os meus leitores a fazerem-lhe uma visita; mas este meu amigo, que é um caso evidente de falta de noção do seu valor, resolveu escrever um post no seu blog a agradecer-me a consideração de o ter mencionado, e a retribuir-me - imaginem - o elogio!

Caro amigo: agradeço-lhe muito o agradecimento (que redundante...), mas parece-me que não deveria ocupar espaço do seu blog com tais coisas. Todo o espaço é pouco para publicar as suas maravilhosas histórias (sempre embirrei um bocadinho com o "estórias", que me parece um brasileirismo...). Se muita gente que anda por aí, a vender milhões de livros em Portugal, a escrever em revistas, e até a dar aulas de escrita criativa, se muita dessa gente, dizia, tivesse metade do seu talento, então estaríamos muito melhor servidos!

E fico sinceramente zangado se perder uma linha que seja a agradecer-me. Não se agradecem os actos de justiça!