2003/09/02

Posts a mais

Tenho cá uma teoria: as pessoas que aqui chegam, com alguma preguiça, dão uma olhadela aos últimos posts publicados - os que se encontram mais acima - e não descem muito mais que isso. Assim, como eu escrevo compulsivamente, alguns dos meus textos arriscam-se a ser ignorados, apesar de recentes, como foi o caso da maravilhosa história que contei anteontem sobre o meu Lou a comprar um Mercedes!

Para comprovar esta teoria, vou fazer um esforço, e tentar não postar nada durante algum tempo - quanto, logo se vê!

A bientôt!

Neura

Nota-se muito que não me está a apetecer fazer nada?

Musical quiz #4

Isto está a ficar renhido; e estas três?

Generation Sex
Respects
The rights
Of girls
Who wanna take their clothes off
As long as we can all watch
That´s OK


e:

Give me back my broken night
My secret room, my secret life
It´s lonely here
There´s no one left to torture


e ainda:

Ring, ring
It´s Seven A.M.
Pull yourself
To go again
Cold water
In the face
Brings you back
To this owful place.

Musical quiz #3

Neste momento, a classificação é a seguinte: jcd, 2 pontos, Elsa TS, 1 ponto. Agora vamos (penso eu) aumentar um bocadinho a dificuldade, e passar já para novo trecho:

I´m happy
I'm feeling fine
I've got sunshine
In a bag
I'm useless
But not for long
The future, is coming on, is coming on...

Musical quiz #2

Bom, vamos então considerar que jcd, dos "Jaquinzinhos", identificou correctamente as canções a que pertenciam os trechos transcritos no post "Musical quiz #1". Dois pontos para ele. Eram elas, para quem ainda não descobriu, respectivamente, "I want you to want me", dos Cheap Trick, e "Don´t stop", dos Fleetwood Mac. Passemos então, sem mais delongas, a novo "bocadinho" de canção:

Corpo de linho
lábios de mosto
meu corpo lindo
meu fogo posto.

Eira de milho
luar de Agosto
quem faz um filho
fá-lo por gosto.


Como se chama, e quem cantava?

Pesquisas

O folclore, nas suas mais diversas variações, continua a ser a chave através da qual mais gente cá vem parar, vindos dos motores de busca. Mas hoje tivémos aqui uma ilustre visita que procurava "criação de caracóis em Espanha".

Musical quiz #1

Sempre com os olhos postos na satisfação dos nossos leitores, a equipa que realiza e produz diariamente este blog vem, mais uma vez, inovar no campo da interacção entre as diversas partes da blogosfera (se isto não vos convencer a escrever comentários, não sei o que convencerá...). Numa iniciativa original, e com todos os contornos de ilegalidade (não li os estatutos do Blogger, confesso, mas calculo que não haja lá enquadramento legal para isto), o "Serra-mãe" lança, a partir de hoje, um concurso com participação restringida aos seus leitores.

A mecânica disto é muito simples: sem periodicidade garantida, irei postando aqui excertos de letras de canções. O leitor(a) que primeiro identificar correctamente a música e o intérprete em causa ganha um ponto. Ao fim de algum tempo - que também ainda não decidi quanto será - faremos as contas e teremos um vencedor, vencedor esse que ganhará um prémio a definir (provavelmente um saco de caramelos "Viuda Solano").

Dúvidas? Escrevam para o endereço de e-mail supra, ou usem as caixas de comentários, se fizerem o favor.

Posto isto, passamos desde já às duas primeiras canções, dois clássicos das noites mágicas do "Seagull":

Feeling all alone without a friend you know it feels like dying
Oh, didn't I, didn't I, didn't I see you cry?


e:

If you wake up and don't want to smile
If it takes just a little while
Open your eyes and look at the day
You'll see things in a different way


Então?

2003/09/01

Ele lá sabe...

Num noticiário da hora de almoço (não me lembro qual o canal) ouvi "de raspão" o dono ou empregado de um café, situado perto do local onde deveriam ser inquiridas algumas das testemunhas do caso Casa Pia, dizer:

"Chegam a estar aqui mais jornalistas do que pessoas!"

Um dia duplamente especial!

Já não bastava a filha do José Carlos Soares fazer dez anos hoje; era preciso aparecer outra aniversariante para iniciar Setembro. Mas o Pedro Cid tratou disso; há bocado enviou-me uma SMS a dizer que esta madrugada, no Porto, nasceu a Joana.

Aos pais babados, os meus parabéns sinceros; vocês merecem!

Requerimento à Dr.ª Maria José Nogueira Pinto

Cara Senhora:

Venho, por este meio, solicitar a V.ª Ex.ª que, na sua qualidade de Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, interceda de forma a que me seja concedido o primeiro prémio no Concurso do Totoloto, no prazo máximo de uma semana.

O motivo desta pretensão prende-se com o facto de eu me encontrar farto de estar aqui, no escritório, e de pretender pegar na minha família e, sem remorsos ou sentimentos de irresponsabilidade, voltar para a Zambujeira do Mar por, pelo menos, mais um mês.

Permito-me ainda chamar especialmente a atenção de V.ª Ex.ª para a informação complementar de que o prémio a atribuir não deverá ser, em caso algum, inferior a um milhão de euros.

Peço deferimento.

Lido no "Alice no País dos matraquilhos"

Puta de merda...

No meu périplo diário pelos blogs alheios, leio, não sei em qual, algo que me deixa à beira de ter um ataque de nervos... Leio que a Paula Bobone, no programa do Herman, disse que a Pastelaria Suiça não era um sítio in por ser muito frequentado por gente de cor. É absolutamente inacreditável ! Mas porque é que uma puta destas (cujo sonho secreto deve ser ser enrabada por um matulão qualquer bem ordinário) tem tempo de antena num programa de televisão? Mas quem é a Paula Bobone? O que fez na vida? Porque é que não a fuzilam, a ela, a todas as mulheres que fazem nuances e se mostram nessas revistas e às sopeiras que as compram? E o idiota do Herman José - que por ter um carro inglês, usar mocassins sem meia, umas camisas muito pirosas e falar sobre o que comeu nos restaurantes no Mónaco, também acha que é do jet set - ? O que lhe disse? Ouviu e calou? Prá puta que os pariu...


Bravo! Nem uma palavra a menos ou a mais!

Crónica estival

Por motivos que me transcendem, as minhas férias deste ano limitaram-se a três fins de semana e mais uma noite passados na Zambujeira do Mar; veremos em breve se a aposta valeu o sacrifício. Mas deu para ver que, infelizmente, a Zambujeira está "na moda", que o outrora pacato "Bar Oceano", do Carlos, parece agora um qualquer bar das Docas ao Sábado à noite, que o bar do Sargo continua bastante aceitável (se bem que muito mais "de plástico" do que o defunto "Monte da Lua Cheia", do mesmo Sargo e da Teresa Albarran), e que o "Clube da Praia" continua moribundo, muito longe dos seus tempos de glória - e tudo isto numa única incursão nocturna!

Mas deu para ver, principalmente, que Setembro, se não o era já, passou definitivamente a ser o melhor mês da terra. Primeiro, porque o aluguer das casas custa metade do preço; segundo, porque já se pode comer uns filetes de peixe aranha decentes no "Sacas" (e os percebes no "Manel da Estibeira"); terceiro, porque já não está tanto calor; quarto, porque a esplanada do "Café Fresco" fica vazia; quinto (e redundante), porque não está lá ninguém; e muitas mais razões haveria. Talvez para o ano...

Conheço um óptimo psiquiatra para essas crises!

O assunto não é novo, e nem sequer sou visado nestas coisas; no entanto, não deixarão nunca de me impressionar os ferozes ataques que a esquerda faz recorrentemente a Paulo Portas. E impressionam-me particularmente porque, para lá das políticas ou ideias do estadista, os detractores de P.P. preocupam-se eminentemente em visar o carácter ou a atitude do homem. Volta a suceder hoje no - adivinhem onde... - País Relativo, claro!

A peça em questão, com uma enviesada dedicatória ao "Quinto dos Impérios" que acusa de roçar "o rasteiro e o insulto do pior gosto", não se coíbe, no entanto, de explorar aspectos tão pessoais de uma pessoa como as suas opções religiosas. Ficamos assim na dúvida sobre os epítetos a aplicar ao texto em causa, sabendo apenas que, por uma questão de coerência, se deverão situar abaixo de "rasteiro"!

Quando tudo o que se tem para dizer de mal sobre uma pessoa se limita a vasculhar no seu passado, na esperança de encontrar algum "esqueleto no armário" (desulpem desiludir-vos, mas parece-me que o facto de P.P. ter sido director d'"O Independente" não será propriamente uma novidade para ninguém), ou a estafadas considerações deturpadas sobre o seu estatuto de testemunha (friso: de testemunha, e não mais do que isso!) num determinado caso judicial - por acaso, o mesmo caso em que um conhecido socialista foi repreendido por não ter esclarecido cabalmente os factos dúbios em que se envolveu - se tudo se limita a isso, dizia, então nada mais nos resta concluir senão que o ataque é pessoal e, por inerência, que a imaginação política da esquerda morreu!

Condição sine qua non

Neste país devia ser liminarmente proibido a qualquer cidadão ser pai, se não fizesse prova de já ter lido pelo menos um texto de Daniel Sampaio!

2003/08/31

Dicionário parental

O meu filho Lou tem dois anos e meio; está na altura de começar a descobrir as vantagens (e desvantagens) de conseguir produzir um conjunto de sons minimamente inteligíveis por quem o rodeia, vulgo a falar. Ele bem se esforça, mas a fonética ainda não é o seu ponto mais forte. No entanto, com algum esforço de compreensão, e doses maciças de amor, é perfeitamente possível perceber tudo o que ele quer dizer. Mesmo um leigo poderá facilmente depreender que "ruia" significa "rua", ou que "Lodendo Miguelo" é o seu próprio nome (Lourenço Miguel). Já será, contudo, necessária mais alguma habituação para descortinar o sentido exacto de, por exemplo, "ôtabadê" ("outra vez").

Como, pelos vistos, sucede a várias crianças nestas idades, uma das suas maiores fixações são os carros e suas marcas; identifica com facilidade as mais diversas marcas, seja de viaturas reais, ou das miniaturas que adora. Desde o "Ópia" (Opel) do pai, ao "Ondabidique" (Honda Civic) da mãe, passando pelos "Moquemaguém" (Volkswagen) de ambos os avôs, ou pelos milhares de viaturas que encontra na rua, todos ele identifica e memoriza.

Esta manhã, na Zambujeira do Mar, quando fui comprar o jornal, o Lou perdeu-se de amores pela miniatura de um Mercedes 300 SL, de 1957, que se encontrava estrategicamente colocada junto aos diários; diga-se, em abono da verdade, que o pai também gostou do modelo (se bem que preferisse o original...) pelo que lhe fez a vontade e o comprou. Mas, para que se concretizasse o negócio, era necessário que o Lou fosse dizer à senhora do balcão que queria o carro. Nada que o incomodasse; sem atrapalhações, aquele "setenta-e-tal-centímetros-de-gente" furou por entre os muitos veraneantes que tentavam pagar os jornais e revistas e, chegado ao balcão, tentou dizer: "Senhora, eu quero um Mercedes!" - só que o que saíu, perante uma série de pessoas em expectativa, foi "Cinôra, quer putedo!".

2003/08/29

Adivinha

"Esta universidade tem 450 anos. A primeira universidade do Brasil foi fundada nos anos 20, no século vinte. Isso mostra que a colonização portuguesa foi muito eficaz no nosso país..."

Pergunta: quem fez estas declarações, em tom irónico e fazendo rir a plateia, enquanto era homenageado numa Universidade peruana? Algumas pistas: usa barba, é brasileiro, a intelligentsia esquerdista cá do burgo idolatra-o, e esteve em Portugal há pouco tempo, acompanhado de generoso séquito; neste pontificava um (ex?) cantor de MPB, agora "promovido" a ministro (paradigma do princípio de Peter), que nos fez o favor de informar que a nossa imagem na Europa não é das melhores.

Outra ajuda: ficou muito ofendido por, no discurso de recepção, o Dr. Mota Amaral ter tecido algumas considerações sobre a exequibilidade das sua propostas políticas para o Brasil.

Se não conseguiu adivinhar, poderá ver a resposta aqui.

Patriotismo

Era suposto sentir orgulho por um tal de Cristiano Reinaldo (que eu só soube que era português e jogava cá há pouco mais de uma semana) ter ido jogar para uma equipa de futebol inglesa?

Não sinto nada, desculpem lá!

Cinema

São engraçadas as empatias que por vezes, sem querer, se geram. Às pessoas que não conhecem, sempre tenho utilizado a expressão "um murro no estômago" para definir o filme "O quarto do filho", de Nanni Moretti. Agora, o "Público", na publicidade que antecipa o próximo lançamento do filme, Quinta-feira que vem, utiliza precisamente essa mesma expressão para designar a citada obra-prima.

Escusado será dizer que este é, novamente, um DVD imperdível, assim como o era o de ontem, "O fabuloso destino de Amélie" (a propósito, na semana passada enganei-me ao dizer que o Café Trois Moulins, onde "trabalhava" Amélie Poulain, se situava no bairro parisiense de Montparnasse, quando na realidade se situa em Montmartre; as minhas desculpas pelo lapso). Não vos avisei ontem, primeiro porque tive pouco tempo para vir aqui, e segundo porque me parece que já não deve ser preciso - quem gosta de bom cinema, já não se deve esquecer.

Aproveitando a embalagem, e como sei que este blog é razoavelmente visto a partir do jornal "Público", aqui aproveito para deixar uma "cunha" para que a "colecção Y" seja prolongada com uma terceira série, e até tenho o atrevimento de sugerir alguns filmes que, na minha modesta opinião, mereceriam publicação:

"Cinema Paraíso", de Giuseppe Tornatore (versão uncut);
"O cowboy da meia noite", de John Schlesinger;
"A mulher do lado", de François Truffaut;
"Trainspotting", de Danny Boyle;
"O carteiro de Pablo Neruda", de Michael Radford;
"Toda a gente diz que te amo", de Woody Allen;
"Agosto", de Jorge Silva Melo;
"Lua de mel, lua de fel", de Roman Polanski;
"Quatro casamentos e um funeral", de Mike Newell;
"E a tua mãe também", de Alfonso Cuarón;
"Saltos altos", de Pedro Almodôvar;
"Corte de cabelo", de Joaquim Sapinho;
"Às segundas ao sol", de Fernando Léon de Aranoa;
"Cães danados", de Quentin Tarantino;
"Noite na terra", de Jim Jarmusch;
"The commitments", de Alan Parker;
"O monstro", de Roberto Benigni;

Bom, vamos ficar por aqui, porque isto é como as cerejas: enquanto escrevo o nome de um, já me estou a lembrar de mais dois ou três, e, por este andar, nunca mais parava! De qualquer forma - e sem nenhuma garantia de que esta sugestão seja seguida pelo "Público" - convido os meus leitores a deixarem, nas caixas de comentários (se elas funcionarem), mais sugestões de filmes que os marcaram, e que gostariam de possuir.

P.S.: Não sei se repararam, mas aquela conversa de sugerir estes filmes ao "Público" serviu apenas como pretexto para este exercício de catarse, de mencionar filmes de que gosto. Quer eles os publiquem ou não, penso vir a adquiri-los a todos, e a muitos outros, ainda que paulatinamente.

BD

A banda desenhada nunca foi propriamente o meu forte, mas, mesmo assim, houve personagens e autores que me marcaram. Lembro-me de comprar o "Tintin" ("revista para os jovens dos 8 aos 88 anos") em fascículos a suivre, e de ler todos os meses, na secção do "correio dos leitores", acesas polémicas sobre a qualidade de Corto Maltese, de Hugo Pratt; havia quem o achasse genial, e quem dissesse que não passava de um embuste, desenhado "às três pancadas". Hesitei na minha apreciação durante anos, e só mais tarde, na faculdade, o Miguel Mira me conseguiu mostrar a genialidade do traço.

Mas havia uma outra personagem, esta dos comics americanos, que sempre me fascinou pela singeleza do traço, pela inovação nas perspectivas e até pela inverosimilhança dos próprios argumentos: refiro-me ao Spirit, de Will Eisner. Por que raio é que eu me fui lembrar disto agora?

2003/08/28

De bestial a besta

Ana Sá Lopes diz-nos que "afinal, o Umbigo é um bronco"; não nos são prestados mais esclarecimentos sobre os motivos que levaram A.S.L. a esta conclusão, mas penso que não andarei muito longe da verdade se presumir que tal se ficou a dever a um deslize para a brejeirice do U., ao sugerir que Filipa Melo deveria levar o seu VW Polo à "oficina camoniana", e aí ser "assistida" pelos respectivos mecânicos.

Também eu fiquei um bocadinho desiludido, confesso, mas daí a achar que o autor (ou autora) daquela prosa é "bronco", ainda vai um passo razoável - e o que fazer a todos os escritos brilhantes que já postou? Compreendo que U., algo deslumbrado com a boa recepção que teve na blogosfera com os seus primeiros posts, tenha sentido a tentação de "esticar um pouco a corda". Mas Pipi há só um - as cópias (e elas também abundam na blogosfera) já não são admissíveis.

Também há outro problema subjacente às estreias fantásticas: é que depois é muito difícil manter o nível. Isto verifica-se frequentemente, por exemplo, na música; por mais álbuns que Grant Lee Buffalo publique (enquanto vos escrevo, estou a ouvir "Copperopolis", que também é excelente) nenhum chega ou chegará aos calcanhares de "Fuzzy", a sua estreia mágica em 1992, se não me engano. E também podem perguntar a Possidónio Cachapa se tal não é verdade; os seus livros recentes são muito bons (ainda há pouco terminei "O mar por cima"), mas parece-me difícil que alguma vez venha a conseguir atingir o nível estratosférico de "A materna doçura"!