2003/08/19

Nostalgia 2

À medida que os anos vão passando, cada vez sinto mais emoção ao rever objectos da minha infância; isso acontece com lugares, músicas, filmes, livros, mas principalmente com automóveis. Quem me conhece sabe do meu grande gosto por automóveis - mas não como objecto de luxo ou exibição. Nunca me passaria pela cabeça, por mais "totolotos" que me saíssem, comprar um Ferrari ou um Porsche de cinquenta mil contos!

A minha paixão pelos automóveis tem duas nuances, ambas com origem na minha infância e adolescência: por um lado, há o aspecto da competição, que sempre me fascinou e continua a fascinar. Tanto que, apesar de ter quase quarenta anos e um filhote de dois, ainda continuo a participar em ralis, como co-piloto, sempre que as condições mo permitem.

Por outro lado, tenho vindo a criar uma obsessão quase doentia por carros antigos - mas não por qualquer carro! Só aqueles que eram "modernos" à data dos meus "verdes anos", e que constituíam então para mim objectos de culto. Tenho pena de não ter possibilidades de desenvolver mais esta paixão, mas, mesmo assim, já consegui comprar um belíssimo Alfa Romeo 1750, de 1972, que se encontra praticamente restaurado. E, um destes dias, passei mais de uma hora à porta de uma oficina, a esperar que o dono de um maravilhoso Sunbeam Alpine descapotável, de 1966, o viesse buscar para lhe perguntar se o queria vender. Mais: este Domingo, a minha querida Lu (que diz que eu só gosto de "sucata", e provavelmente tem razão) quase teve que me "arrastar" para longe de um simpático Simca 1000, de 1966, com ar de abandonado em Odemira.

Maluquinho? Talvez, mas, se tivesse a possibilidade, o Porsche que eu comprava era um 911 Targa, dos princípios dos anos 70, e no laranja original da marca.

Deus existe?

Vou agora a Lisboa, ao Hospital de São José, fazer algo que preferiria nunca ter que vir a fazer - não por mim, ou pelo acto em si, mas pelos motivos por que o devo fazer.

Às vezes questionamo-nos se tudo isto fará alguma vez sentido...

2003/08/18

Novidades

Há um novo (pelo menos para mim) e excelente blog na praça. Confiram aqui!

Sometimes life is stranger than fiction

Por que motivo é que o mês de Agosto não pode ser tão simples e lindo como o filme homónimo, de Jorge Silva Melo?

Excitações

O PS tem este efeito perverso sobre os independentes que a ele aderem: de discretos e simpáticos cidadãos, ao assinarem a sua ficha de militantes passam rapidamente a ferozes activistas, prontos a atacar tudo e todos, mais que não seja, para ganhar uma duvidosa visibilidade.

Passou-se com Vicente Jorge Silva que, no seu trajecto desde director do "Público" até deputado socialista, perdeu o low profile e o ar circunspecto que lhe eram típicos, para adoptar uma atitude agressiva e desafiadora que não lhe conhecíamos. Até contra os seus correligionários disparou - lembram-se da "tralha ideológica"?

Agora é Ana Gomes, ex-representante dos interesses Nacionais no território Indonésio, que tão boa conta e imagem deu de si durante os conflitos em Timor, que está "a borrar a pintura", ao tentar por-se em bicos de pés ao serviço do seu partido. Dando de barato os recorrentes ataques a Paulo Portas - transversais entre a esquerda, guiada pelo BE - fica o caricato das declarações da senhora sobre o caso do funeral com honras militares proporcionado a Maggiolo Gouveia. A propósito do acto, referiu A.G. que tal cerimónia estaria a servir de pretexto para um alegado aproveitamento político por parte do Governo e, particularmente de P.P.. Hoje, o "Diário de Notícias" (salvo erro), lembrou-nos que tal decisão havia sido tomada por um Governo de Guterres, nomeadamente pela mão do então ministro Rui Pena.

A.G., contudo, não desarmou e hoje já veio afirmar que, se fosse agora, estava certa de que R.P. não tomaria aquela decisão. Só que R.P., pouco cooperante, afirmou esta manhã aos microfones da TSF que, se fosse hoje, faria exactamente o que fez então.

Há dias em que mais valia não sair de casa, deverá estar a pensar Ana Gomes.

Mais lamechice

Podem saltar este post, se não vos agradar o género, mas a verdade é que estou de novo cheio de saudades do Lou; ficou ontem de férias, com a mãe, e só o vou voltar a ver na Sexta-feira, se Deus quiser. Como já escrevi antes, tudo isto porque mudei de emprego, e ainda não posso tirar férias, e blá, blá, blá...

Espero que ele também sinta saudades minhas.

Até que enfim!

Maldito calor, que finalmente parece querer abrandar. Que nunca mais volte!

Estou muito rezingão, não estou? Deve ser da idade. Por este andar, qualquer dia estou ali no banco do jardim a refilar com os pombos.

Se calhar é por isso que ninguém diz nada, apesar de as visitas continuarem em bom ritmo...

Eles existem!

Desenganem-se os que pensavam que o Bloco de Esquerda era apenas composto pelos sizudos Francisco Louçã e Miguel Portas, coadjuvados por algumas encantadoras Barbies que se entretêm - nos intervalos das visitas ao Frágil - a pegarem nos seus Mercedes e irem à Assembleia da República debitar alguns fait-divers mal ensaiados e inconsequentes.

Existe mais gente e - surpresa! - até têm uma sede; quem o confirma é o "Público", que acrescenta ainda que o citado imóvel se situa num andar alugado de um edifício da Avenida Almirante Reis, e sobre o qual, o dirigente bloquista Sérgio Vitorino afirma ser "muito barato" - tanto que a manutenção da sede naquele espaço, dito "provisório", já se mantém há mais de três anos.

No entanto, toda a bela tem um senão; pelos vistos, e para azar da tribo, foram parar a um prédio de reaccionários, que não compreendem a rebeldia própria destas coisas de esquerda, rebeldia essa que se manifesta em pequenos gestos carregados de simbolismo, tais como avariar os elevadores, não pagar o condomínio, ou fazer barulho às horas que mais lhes aprouver.

S.V., no entanto, minimiza as críticas, e contra-ataca: se queixas existem, elas partem do próprio BE que só tem a lamentar-se pelo facto de o senhorio - que lhes leva "couro e cabelo", pelos vistos - não fazer as obras na fracção que os bloquistas pretendiam.

Típico desta esquerda chic: nós temos direitos, os outros têm obrigações!

2003/08/17

Uma lição de vida

O Fernando tem 28 anos e mora em Viseu; seria uma pessoa absolutamente normal, não fosse pela condição de sofrer de distrofia muscular desde que nasceu. Assim, pese embora o facto de ser intelectualmente normal, e de ter os sentimentos normais em qualquer pessoa, vive confinado a uma cadeira de rodas eléctrica, e apenas consegue mexer parcialmente a mão esquerda e a cabeça. Mesmo assim, conseguiu arranjar um emprego, trabalhando com computadores numa instituição de apoio a deficientes.

A Luísa tem 27 anos, e trabalha nessa mesma instituição. Felizmente, é portadora de todas as suas capacidades psíquicas e motoras. Conheceu o Fernando, apaixonou-se por ele, começaram a namorar e, neste momento, vivem juntos. Pouco lhe importa que, fisicamente, o Fernando dependa dela para as suas mais elementares necessidades. Ela ama-o, e isso torna leves todas as tarefas.

São dois heróis dos tempos modernos.

P.S.: O seu a seu dono: vinha ontem no "Público".

2003/08/15

Opinião preconceituosa e snob

...mas assumida:

"Paulo Coelho: não li e não gostei."
(Elsa T.S.)

A Elsa conseguiu sintetizar, de forma sublime, a minha opinião sobre "escritores da moda". Obrigado!

Porque será?

Numa breve ronda pela blogosfera, acabei de fazer uma nova constatação, que tem tanto de lógica como de cretina. Nos blogs ditos "generalistas" (como este), e em que é possível deixar comentários aos posts colocados (como neste), verifico o seguinte:

Em qualquer post que o autor do blog coloque sobre futebol (o que não acontece neste), a adesão dos leitores às caixas de comentários é enorme, enquanto que um hipotético post no mesmo blog sobre, por exemplo, Luiz Pacheco (também ainda não aconteceu neste, mas ainda hei-de escrever algo sobre este meu ilustre e excêntrico vizinho), estará, com um elevado grau de probabilidade, condenado ao mais humilhante desprezo.

Poder-se-á, porventura, extrapolar algo sobre o perfil do leitor médio de blogs a partir desta verificação, ou será um exercício arriscado?

Que inveja!

Alberto Gonçalves informa-nos de que, ao contrário de 9.999.000 conterrâneos seus, que preferiram as calmas e tranquilas praias do Algarve, vai de férias para Vimioso, Trás os Montes.

Ainda há - pelo menos na blogosfera - quem tenha bom gosto!

Desapareçam!

Por toda a blogosfera vejo relatos de tipos que foram ao Sudoeste, "adoraram" estar no meio de uns milhares de bêbedos e vomitado, e, en passant, ainda ouviram umas músicas (aprendam: Beth Gibbons ouve-se no Coliseu - enquanto não tenho possibilidades de a contratar para um concerto privado, com uma dúzia de amigos - e nunca na Zambujeira).

Estes excursionistas gabam-se de se terem perdido "poucas" vezes no caminho, e cheguei até a ler um relato de alguém que dizia que nunca tinha feito uma "viagem tão longa" como a da Zambujeira a Tróia. Para quem não conhece, informo que se faz facilmente em menos de uma hora e meia, e que é incomparavelmente menos stressante do que fazer o IC19 ás 18.30!

Em suma; assumem que não conhecem o caminho, a terra, as gentes, isto é, só descobriram a Zambujeira para o festival, e o resto do ano passam-no no seu querido Algarve, com mais uns milhares (milhões?) de amigos - alguns da Zambujeira, mas "emprestados", daqueles do Sudoeste.

Agora, que eu vou usufruir da Zambujeira, espero que já me tenham todos desamparado a loja!

2003/08/14

Lista de links

Finalmente, e graças à inestimável ajuda da Papoila, já tenho aqui ao lado uma lista de links para alguns dos blogs que mais frequento. A partir de agora poderei partilhar com os meus leitores - principalmente com alguns deles, neófitos nestas andanças - os melhores pedaços de prosa e poesia (e mesmo imagens, e até som...) da blogosfera.

O critério para a escolha destes blogs foi simples; são aqueles que eu leio. A sua arrumação também obedece a uma ordem lógica - a ordem por que eu me fui lembrando deles. Minto, aliás; por uma questão de reconhecimento (e não retribuição), coloquei nos primeiros lugares da lista aqueles blogs que fizeram links para a Serra Mãe, ainda ela era um pequeno morro.

Evidentemente que esta lista está longe de se encontrar completa, mas tem tempo para ir crescendo; até lá, desfrutem-na sem moderação!

Não está certo!

É isso mesmo: não está certo, não é justo...

Gregory Hines

Os famosos também morrem; por vezes tropeçamos em notícias de mortes de actores que nos habituámos a ver nas nossas divagações cinéfilas. No entanto, apesar de lamentarmos, não ficamos normalmente chocados com o facto, dado que se trata, em geral, de pessoas de avançada idade. Não é o caso, contudo, de Gregory Hines. Não era um jovem mas, com 57 anos, também não seria um velho.

G. H. era um bailarino excepcional, e um actor também bastante bom. Nas (poucas) notícias que tenho lido sobre o assunto, são destacadas principalmente as suas participações em filmes como o mediano "Cotton Club", mas não surge nenhuma referência ao mais genial filme por si protagonizado: "O sol da meia-noite", em que brilha ao lado de Mikhail Baryshnikov.

Levou-o o cancro, esse monstro, no Sábado passado, o mesmo dia em que terminou o sofrimento do pequeno Nicolas, espancado até á morte pelos seus familiares. O Céu está mais rico!

"O leão da Estrela"

Aviso-vos cedinho para não terem desculpas: hoje, o DVD que sai com o "Público" é o indicado acima. Completa-se assim uma trilogia imperdível, iniciada com "A canção de Lisboa" e "O Costa do castelo", publicados, respectivamente, há duas semanas e a semana passada. Por acaso ainda não fui buscar o meu, mas no quiosque aqui da aldeia costumam guardar-mo.

O "Público" devia pagar-me uma comissão pelos fregueses que eu lhe tenho arranjado. No entanto, pensando melhor, talvez não sejam assim tantos, pelo menos a julgar pelas visitas e comentários. As férias, o calor, a moleza, têm sido péssimos para este "negócio".

Entretanto, não sei se já repararam mas ultrapassámos esta noite a barreira dos 500 visitantes (as pageviews são mais do triplo), precisamente no dia em que o blog faz um mesinho de vida. Contudo, por este andar, só devemos chegar aos mil lá para a rentré.

Silly season

Estava a guardar o título supra para uma ocasião mais apropriada, mas depois lembrei-me de Robin Williams e do seu "carpe diem" - pode nunca vir a haver "uma ocasião mais apropriada" do que a presente!

Passe o dramatismo, gostava de saber o que se passa para, ultimamente, estar a ter tão poucas visitas e, principalmente, tão poucos comentários nas caixas de feedback.

Será devido à "estação palerma"? Os meus posts estão a perder interesse? Muito calor? Muito trabalho antes das férias? Muito trabalho no regresso das férias? Ou só preguiça...?

2003/08/13

"Marquetingue"

Porque será que, na publicidade às agências funerárias, surge sempre uma fotografia do gerente ou proprietário da casa, às vezes acompanhada de fotografias dos seus antecedentes?

Melhor dizendo, porque é que uma agência funerária precisa de fazer publicidade?

Nostalgia

Quando oiço as canções do meu tempo, do "Rock em Stock", fico melancólico. Ontem à noite, na Radar, estava a passar "Dead Fish" dos New Muzik; é uma linda música, com mais de vinte anos, mas fez-me lembrar uma outra do mesmo grupo que, na altura, foi quase um hino (pelo menos para mim): "World of water", do álbum "From A to B".

O "Rock em Stock", para quem não sabe, era um programa de rádio dos fins da década de 70, princípios da de 80, apresentado por Luís Filipe Barros, que passava diariamente, das 16 às 18 horas, música rock e alternativa (se bem que, naquela altura, não entendessemos ainda bem o conceito de alternativa). E nós ouvíamos religiosamente aquilo!

Bons tempos, como dizem (dizemos?) os velhos...