2003/08/15

Porque será?

Numa breve ronda pela blogosfera, acabei de fazer uma nova constatação, que tem tanto de lógica como de cretina. Nos blogs ditos "generalistas" (como este), e em que é possível deixar comentários aos posts colocados (como neste), verifico o seguinte:

Em qualquer post que o autor do blog coloque sobre futebol (o que não acontece neste), a adesão dos leitores às caixas de comentários é enorme, enquanto que um hipotético post no mesmo blog sobre, por exemplo, Luiz Pacheco (também ainda não aconteceu neste, mas ainda hei-de escrever algo sobre este meu ilustre e excêntrico vizinho), estará, com um elevado grau de probabilidade, condenado ao mais humilhante desprezo.

Poder-se-á, porventura, extrapolar algo sobre o perfil do leitor médio de blogs a partir desta verificação, ou será um exercício arriscado?

Que inveja!

Alberto Gonçalves informa-nos de que, ao contrário de 9.999.000 conterrâneos seus, que preferiram as calmas e tranquilas praias do Algarve, vai de férias para Vimioso, Trás os Montes.

Ainda há - pelo menos na blogosfera - quem tenha bom gosto!

Desapareçam!

Por toda a blogosfera vejo relatos de tipos que foram ao Sudoeste, "adoraram" estar no meio de uns milhares de bêbedos e vomitado, e, en passant, ainda ouviram umas músicas (aprendam: Beth Gibbons ouve-se no Coliseu - enquanto não tenho possibilidades de a contratar para um concerto privado, com uma dúzia de amigos - e nunca na Zambujeira).

Estes excursionistas gabam-se de se terem perdido "poucas" vezes no caminho, e cheguei até a ler um relato de alguém que dizia que nunca tinha feito uma "viagem tão longa" como a da Zambujeira a Tróia. Para quem não conhece, informo que se faz facilmente em menos de uma hora e meia, e que é incomparavelmente menos stressante do que fazer o IC19 ás 18.30!

Em suma; assumem que não conhecem o caminho, a terra, as gentes, isto é, só descobriram a Zambujeira para o festival, e o resto do ano passam-no no seu querido Algarve, com mais uns milhares (milhões?) de amigos - alguns da Zambujeira, mas "emprestados", daqueles do Sudoeste.

Agora, que eu vou usufruir da Zambujeira, espero que já me tenham todos desamparado a loja!

2003/08/14

Lista de links

Finalmente, e graças à inestimável ajuda da Papoila, já tenho aqui ao lado uma lista de links para alguns dos blogs que mais frequento. A partir de agora poderei partilhar com os meus leitores - principalmente com alguns deles, neófitos nestas andanças - os melhores pedaços de prosa e poesia (e mesmo imagens, e até som...) da blogosfera.

O critério para a escolha destes blogs foi simples; são aqueles que eu leio. A sua arrumação também obedece a uma ordem lógica - a ordem por que eu me fui lembrando deles. Minto, aliás; por uma questão de reconhecimento (e não retribuição), coloquei nos primeiros lugares da lista aqueles blogs que fizeram links para a Serra Mãe, ainda ela era um pequeno morro.

Evidentemente que esta lista está longe de se encontrar completa, mas tem tempo para ir crescendo; até lá, desfrutem-na sem moderação!

Não está certo!

É isso mesmo: não está certo, não é justo...

Gregory Hines

Os famosos também morrem; por vezes tropeçamos em notícias de mortes de actores que nos habituámos a ver nas nossas divagações cinéfilas. No entanto, apesar de lamentarmos, não ficamos normalmente chocados com o facto, dado que se trata, em geral, de pessoas de avançada idade. Não é o caso, contudo, de Gregory Hines. Não era um jovem mas, com 57 anos, também não seria um velho.

G. H. era um bailarino excepcional, e um actor também bastante bom. Nas (poucas) notícias que tenho lido sobre o assunto, são destacadas principalmente as suas participações em filmes como o mediano "Cotton Club", mas não surge nenhuma referência ao mais genial filme por si protagonizado: "O sol da meia-noite", em que brilha ao lado de Mikhail Baryshnikov.

Levou-o o cancro, esse monstro, no Sábado passado, o mesmo dia em que terminou o sofrimento do pequeno Nicolas, espancado até á morte pelos seus familiares. O Céu está mais rico!

"O leão da Estrela"

Aviso-vos cedinho para não terem desculpas: hoje, o DVD que sai com o "Público" é o indicado acima. Completa-se assim uma trilogia imperdível, iniciada com "A canção de Lisboa" e "O Costa do castelo", publicados, respectivamente, há duas semanas e a semana passada. Por acaso ainda não fui buscar o meu, mas no quiosque aqui da aldeia costumam guardar-mo.

O "Público" devia pagar-me uma comissão pelos fregueses que eu lhe tenho arranjado. No entanto, pensando melhor, talvez não sejam assim tantos, pelo menos a julgar pelas visitas e comentários. As férias, o calor, a moleza, têm sido péssimos para este "negócio".

Entretanto, não sei se já repararam mas ultrapassámos esta noite a barreira dos 500 visitantes (as pageviews são mais do triplo), precisamente no dia em que o blog faz um mesinho de vida. Contudo, por este andar, só devemos chegar aos mil lá para a rentré.

Silly season

Estava a guardar o título supra para uma ocasião mais apropriada, mas depois lembrei-me de Robin Williams e do seu "carpe diem" - pode nunca vir a haver "uma ocasião mais apropriada" do que a presente!

Passe o dramatismo, gostava de saber o que se passa para, ultimamente, estar a ter tão poucas visitas e, principalmente, tão poucos comentários nas caixas de feedback.

Será devido à "estação palerma"? Os meus posts estão a perder interesse? Muito calor? Muito trabalho antes das férias? Muito trabalho no regresso das férias? Ou só preguiça...?

2003/08/13

"Marquetingue"

Porque será que, na publicidade às agências funerárias, surge sempre uma fotografia do gerente ou proprietário da casa, às vezes acompanhada de fotografias dos seus antecedentes?

Melhor dizendo, porque é que uma agência funerária precisa de fazer publicidade?

Nostalgia

Quando oiço as canções do meu tempo, do "Rock em Stock", fico melancólico. Ontem à noite, na Radar, estava a passar "Dead Fish" dos New Muzik; é uma linda música, com mais de vinte anos, mas fez-me lembrar uma outra do mesmo grupo que, na altura, foi quase um hino (pelo menos para mim): "World of water", do álbum "From A to B".

O "Rock em Stock", para quem não sabe, era um programa de rádio dos fins da década de 70, princípios da de 80, apresentado por Luís Filipe Barros, que passava diariamente, das 16 às 18 horas, música rock e alternativa (se bem que, naquela altura, não entendessemos ainda bem o conceito de alternativa). E nós ouvíamos religiosamente aquilo!

Bons tempos, como dizem (dizemos?) os velhos...

Porto sentido

Gosto da cidade do Porto, confesso; não a conheço suficientemente bem, mas acho muito bonitas todas as zonas ribeirinhas que conheço, começando pela Ribeira. Tenho vários amigos do Porto, e outros que para lá foram morar, como o Pedro Cid, que está lá há dois anos e já tem imensos amigos (diga-se de passagem que o Pedro, com o seu bom feitio, faria amigos até na Libéria!).

Do que eu não gosto no Porto, é de uma mentalidade provinciana e tacanha, predominante entre uma determinada facção da população, e que encontra o seu expoente máximo de imbecilidade na área futebolística. "Chamando os bois pelos nomes", abomino a mentalidade simplória e arrivista de J.N. Pinto da Costa, e de todos os "pintaínhos" que ele arregimenta. Gente dessa é que faz do Porto uma cidade provinciana!

Admiro a integridade e urbanidade de Rui Rio, que tenta mostrar aos portuenses (não confundir com "portistas") que a parte mais importante da cidade está longe de ser o "Fêquêpê"! E admiro o seu estoicismo ao resisitir ao nojento lobby do futebol, bem como a oportunistas ressabiados, "à boleia" dos grunhos do futebol (leia-se Luis Filipe Menezes). Porventura será uma missão inglória, mas só as verdadeiras gentes do Porto saberão recompensá-la - ou não!

De qualquer forma, tenho dito a várias pessoas que uma cidade que tem as "francesinhas", e para a qual alguém foi capaz de escrever e cantar uma canção tão bonita como o "Porto sentido" (Rui Veloso), não pode ser um mau lugar!

Já sei!

As caixas de feedback estão intermitentes, mas a culpa não é minha (acho...). Vão fazendo refresh de vez em quando e, se for muito urgente (!), enviem e-mail.

2003/08/12

Porquê?

Acabei de ler que, no passado Sábado, o pequeno Nicolas de nove anos foi espancado e torturado até à morte pelos próprios pais e avós. Aconteceu em França.

Queria escrever qualquer coisa sobre isto, mas nada parece fazer sentido...

W.H. Auden

Com uma dedicatória muito especial para a Lu - e também para o Lou que, sem este poema, provavelmente não existiria - partilho com os leitores o poema mais importante das nossas vidas:

Poem No. 9 from "Twelve Songs"
W.H. Auden

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.

Cabidela

Sempre me fascinou a ânsia que as pessoas mostram, principalmente quando se encontram em estados de grande sofrimento, de se agarrar a seja o que for que lhes prometa melhorias na sua vida - sejam essas melhorias em questões de saúde, dinheiro, vícios, amor, sexo, etc., etc.

Só alguma fraqueza de espírito, a par com uma situação de grave debilidade emocional, poderá explicar os transes colectivos de IURDs e quejandos, com um punhado de oportunistas a aproveitarem-se escandalosamente da crendice e ignorância de milhares de pessoas.

Lembrei-me novamente disso ontem, quando soube (atrasado, como sempre) que tinha morrido a Santa da Ladeira, e ao assisitir ao histerismo que acompanhou as suas cerimónias fúnebres; e recordei uma notícia de jornal de há muitos anos, em que se podia ler que, após análises laboratorais, se havia comprovado que o sangue que alegadamente surgia nos crucifixos desta "Santa" provinha afinal de galináceos!

O oportunismo é um fenómeno transversal, sem escrúpulos nem tabus!

Canção

"Train in vain", dos Clash, no álbum "London calling", de longe o melhor álbum rock de sempre!

Ética

Novamente o meta-bloguismo, agora para falar de ética; muita coisa tenho lido a respeito de uma ética tácita na blogosfera mas, mesmo assim, continuo a ter algumas dúvidas sobre os procedimentos a adoptar.

Eu, por exemplo, nunca apago os posts depois de escritos. Confesso que já apaguei um ou outro feedback, mas apenas e exclusivamente porque, por lapso, havia saído repetido; mas agora, com o downgrade que me fizeram da conta, nem isso posso fazer. Também já cheguei a corrigir posts depois de publicados, mas só em situações de "gralha" ou erro, e sem nunca alterar minimamente o sentido dos mesmos. Verifico, no entanto, que há pessoas que apagam amiúde posts anteriormente escritos, sem nenhuma razão para o fazer; alguns assumem-no mesmo como uma situação normal, como é o caso de José Bragança de Miranda, na discussão que há poucos dias o opôs a Alberto Gonçalves. Pergunto: quem tem razão?

Outra questão: há dias, na "Toca do coelho", dizia o autor que "metade" (será uma força de expressão, mas enfim...) das visitas que o seu contador de visitas indicava tinham sido efectuadas pelo próprio. Ora, eu activei no sitemeter uma função que nos permite ignorar até dois IPs. Escolhi o de casa e o do escritório pelo que, quando acedo ao blog a partir desses locais, o contador não regista qualquer visita. De contrário, provavelmente já teria registado também o dobro. Novamente, quem estará certo?

Por fim, Luís Filipe Borges critica acesamente os blogs que, como é o caso da Serra mãe, não fazem uma lista de links para outros blogs. Admito que L.F.B estará correcto, e estou já a tratar disso; só que, por caricato que possa parecer, o meu único impedimento tem a ver com a minha inépcia relativamente a computadores - vontade de fazer isso tenho eu desde o princípio. Mas agora, que a Papoila me resolveu ajudar, acho que isto vai "andar" (a propósito, Papoila; li o teu feedback, e agradeço-te muito, mas o mail ainda não chegou. Vou esperar até amanhã).

2003/08/11

Aljezur

Depois de todo o Centro do país, é agora a vez da linda zona de Aljezur, que eu tão bem conheço, ser pasto de chamas. Aljezur, e a Serra de Monchique, são os últimos redutos de Algarve decente nesta altura - para Sul é só miséria.

Mas o fogo, e os seus autores, não se compadeceram com isso; não vou ao extremo de T.R., que diz que deveriam arder outras coisas piores em vez da nossa floresta (se bem que a ideia de ver arder os estádios do Euro seja sedutora). Mas parece-me injusto que só arda tudo o que é bonito...

O problema do costume

Já se está a tornar um hábito: a Internet do escritório continua em manutenção, há duas semanas, e depois de se ter "corrido" com um "técnico".

Mais conversa, em princípio, só à noite.

Hospitais

Por motivos que, felizmente, já se encontram em fase de resolução, tive que passar grande parte das duas últimas noites no Banco de Urgência do Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

Porventura o que eu vou dizer a seguir será um rematadíssimo cliché, mas a verdade é que, quando estamos algum tempo num lugar desses, tomamos contacto com uma parte do mundo que normalmente escapa aos nossos olhos. Para além de convivermos directamente com toda a sorte de infelicidade alheia, com a qual, contudo, nos sentimos irmanados pelo espaço de umas horas, tendemos a aperceber-nos de reais e efectivas situações de miséria, física e moral.

É evidente que não sou um snob, que pensa que todo o mundo é cor-de-rosa, mas a não convivência sistemática com a realidade torna-nos algo insensíveis, e até pouco solidários com quem realmente sofre; cria uma espécie de cortina sobre o "mundo real".

2003/08/10

Ausência

Amanhã (já é hoje...) não posso postar; vou para um casamento. Que "sorte", não acham?

2003/08/09

A praia

Não, não vou falar do blog homónimo do precoce bloquista - agora mais bloguista - Ivan Nunes, nem tampouco do excelente livro de Alex Garland. Vou falar literalmente de praia, e, mais concretamente, de um artigo que surge no suplemento "Fugas" do jornal "Público" de hoje, intitulado "A praia não é para todos". Tal artigo foi assinado pelo jornalista Luís Maio que, contudo, confessa que bebeu muita da inspiração para o escrever numa outra peça, de Ann Laffeaty.

Tentei há pouco confirmar se este mesmo artigo, a que os responsáveis editoriais conferiram importância suficiente para uma chamada de capa, se encontrava disponível na versão online daquele diário, mas apenas consegui aceder a um conjunto de esotéricos hieróglifos. Por isso, e para contextualizar alguns dos meus leitores que não compraram o jornal, posso dizer que, na peça em questão, L.M. faz uma descrição mais ou menos exaustiva dos diferentes tipos de indivíduos que o incomodam nas suas incursões balneares, e que são: "famílias", "crianças e cães" (assim mesmo, equiparados no mesmo grupo), "casais in love", "melómanos", "jogadores", "surfistas", "pescadores", "telemobilizados", "colunáveis", "exibicionistas", "voyeurs e gigolos", "viciados e maníacos", "topless" e "mete-nojo" - resumindo, todos os ocupantes da praia excepto o Sr. L.M. e, provavelmente, dois ou três amigos escolhidos.

Muitas considerações haveria a fazer sobre este texto, supostamente humorístico, mas ficar-me-ei por duas modestas reflexões:

L.M. considera equivalentes, para efeitos de incómodos causados, "crianças e cães" (nem a autora do texto plagi... - desculpem! - inspirador teve tamanho mau gosto). Presumo que L.M. já tenha sido criança (duvido de que tenha sido cão, mas isso é irrelevante), e posso até crer que, na sua infância, alguém lhe fez o favor de o levar à praia. Partindo então do princípio de que esta premissa é verdadeira, ficamos a saber que L.M., nas suas infantis idas a banhos, nunca incomodou qualquer adulto que se encontrasse por perto (ou até por longe...) - doutra forma, seria difícil arranjar moral para escrever o que escreveu!

Por outro lado, e dando de barato que as descrições que faz dos diversos tipos de banhista abrangem cerca de 99% da população das praias, resta-me perguntar em que grupo se inclui L.M.; ou será que se acha uma excepção? A mim parece-me, realmente, excepcional, mas não direi em que aspecto.

Se se incomodasse tanto com quem está na praia, faria como eu: só ia à praia no Inverno. E também é melhor que este senhor nunca venha a ter filhos, para que não tenha que se envergonhar do que escreveu!

Sudoeste

Leio, em muitos blogs, as mais variadas loas ao Festival Sudoeste, na Zambujeira do Mar; eu também já fui assim, confesso. Em 1997, primeiro ano da "coisa", fiquei entusiasmadíssimo com o cartaz e assisti a todos - todos mesmo - os concertos. Até Marilyn Manson eu vi, acreditem. Valeu, principalmente, pela grande performance dos Suede, apesar de já longe dos tempos de Bernard Butler e do som indie de "Dog man star".

Em 1998 ainda voltei para ver um concerto; o meu principal objectivo era ver os Portishead mas, en passant, vi também os excelentes Placebo e Polly Jean Harvey. Boa malha, se bem que Brian Molko soe melhor nas gravações do que ao vivo. Mas algo se estava já a passar - "aquilo" já não era a Zambujeira!

Nunca mais voltei à Zambujeira do Mar em dias de festival, e digo mais: agora, tal como a maior parte das pessoas que não "descobriram" a terra só por causa do concerto, amaldiçoo a hora em que este evento lá foi parar.

Haverá honrosas excepções, admito, mas este festival não passa de um amontoado de putos bêbedos e "charrados", para os quais tanto faz estar ali a ouvir Brett Anderson ou Jamiroquai, como estar num estádio a ver um jogo de futebol, de preferência com porrada pelo meio. "Dar" Beth Gibbons & Rustin Man a esta gente é como deitar pérolas a porcos!

E, entretanto, a "minha" Zambujeira foi irremediavelmente violada. Egoísta? Sou, sim!

Ajuda

Alguém me poderia fazer o favor de explicar como, neste template, poderei inserir uma lista de links para outros blogs? E imagens (para os posts, mas também para o cabeçalho)?

Respostas em português, por favor. Desde já agradeço.

Tamanho dos posts

Existe um filme, da década de 80, chamado "Os amigos de Alex", realizado por Lawrence Kasdan, que retrata as dúvidas existenciais de um grupo de quarentões, quando percebem que o fim da vida é a morte (Lili Caneças não diria melhor). Em minha opinião, trata-se de um filme "fraquinho", muito american style, mas que conseguiu ir ao encontro dos sentimentos confusos de toda uma geração - a nascida nos anos 50. Essa empatia, e também a presença discreta mas charmosa de Meg Tilly, garantiram-lhe o sucesso e o estatuto de objecto de culto.

Nesse filme participa também Jeff Goldblum, que faz o papel de um jornalista; a certa altura, J.G. diz aos seus amigos - a propósito dos seus critérios editoriais - que "o tamanho médio de um artigo não deve ser superior àquilo que uma pessoa consegue ler durante uma cagada" (cito de memória).

Talvez isso se passe também com os posts deste blog; tenho reparado que existe uma tendência generalizada, por parte dos meus queridos leitores, para escrever feedbacks maioritariamente nos posts mais curtos. Confere, ou será apenas uma impressão minha?

Vá-se lá perceber isto!

Nunca vi coisa tão irregular como o número de visitas deste blog; anteontem foram 33, ontem 37, e hoje 11. Alguém me explica?

2003/08/08

TSF

A chegada de Emídio "Big show" Rangel à TSF já se começa a fazer anunciar; para já serão abolidos os chatérrimos programas "Flashback" e "Grande Júri TSF".

O primeiro será substituído por um novo programa de painel, mas em que as "paineleiras" serão Lili Caneças, Cinha Jardim e a lontra Amália, do Oceanário (para manter o nível intelectual), e em que se falará de temas prementes da actualidade, como o barulho que o gelo faz nos copos, ou a confusão que tem sido a "Casa do Castelo" este ano. Por sua vez, no lugar do "Grande Júri" surgirá um novo programa de entrevistas, mas desta vez conduzidas por Bárbara Guimarães - este programa terá um horário irregular, pois B.G. não abdica da sua make-up prévia para aparecer na rádio, e nunca se sabe quanto tempo demorará tal processo. Na primeira semana, o entrevistado será Pedro Miguel Ramos, e futuramente Bárbara pretende localizar e entrevistar algumas figuras famosas da nossa cultura, tais como Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis ou Bernardo Soares; se não conseguir localizar nenhum destes, talvez opte por Rodrigo Herédia.

Este último parágrafo é invenção minha, claro, mas espero que Rangel nunca visite este blog, pois pode dar-lhe ideias...

The Smiths

Hoje ouvi de novo "Heaven knows I'm miserable now", naquela voz divina de Morrissey.

I was looking for a job
And then I found a job
And heaven knows I'm miserable now


Não é lindo?

Será grave?

Os meus sogros disseram-me agora que o Sérgio Conceição, que era para ir para o Milão, afinal foi para o Sporting, ou coisa parecida. Eu perguntei-lhes quem é o Sérgio Conceição.

Será possível que isto seja uma notícia importante? Estarei eu mal, ou está-lo-ão os restantes 99% da população? Tanta gente não pode estar errada, pelo que devo ser eu o anormal.

Excelente

É o mínimo que posso dizer da carta publicada hoje n'"O Independente", assinada pelo meu amigo João Titta Maurício, e que subscrevo incondicionalmente. Infelizmente, não me parece que a carta esteja disponível no site do jornal, pelo que, quem a quiser conhecer, terá que comprar a versão em papel.

Agora não tenho aqui o jornal - deixei-o no carro - mas sempre vos digo que o assunto é o caso de "senilidade galopante" de Mário Soares, bem como a sua súbita e conveniente perda de memória. Então não é que o Senhor não se lembra de outros "tumores" mais antigos, como, por exemplo, a descolonização "exemplar" pela qual foi responsável, ou a sua declaração (escrita) em que manifestava a sua opinião de que Timor deveria ter sido anexado à Indonésia?

Haja pudor!

2003/08/07

Estamos salvos!

Não desesperem, leitores viciados neste e noutros blogs! O nosso problema já pode ser tratado. Juntemo-nos aos "blogólatras anónimos".

P.S.: A César o que é de César; quem "descobriu" este oásis de salvação das almas foi a minha amiga, blogólatra também, papoila - eu só copiei!

Volta a Portugal em bicicleta

Desde pequenino que me faz confusão a Volta a Portugal em bicicleta; e faz-me confusão, principalmente, por causa da data em que se disputa. Eu via franceses, italianos, e outros países menos inteligentes a organizarem corridas com tempo fresco, mas cá em Portugal era sempre no pino de Verão, com temperaturas como a de agora, que os ciclistas iam para a estrada. Lembro-me de pensar no calor que eles não deviam passar a atravessar o Alentejo, por exemplo!

Com este calor, o simples acto de pensar em bicicletas já me deixa fatigado...

Mas o que é que aconteceu?

Onze horas da noite, e já batemos o record de ontem; foram 33 visitas ontem, e hoje já vamos em 36!

Estou contente com este crescimento, mas, ao mesmo tempo, também começo a ficar um bocadinho como a minha amiga C.: que vergonha, pensar que tanta gente vai ler o que escrevo!

Doentinho

A minha família já está comigo de novo, mas o meu principezinho vem doente; fomos à tarde para o hospital, e o médico diagnosticou-lhe uma gastrenterite, com um princípio de desidratação. Vai ficar bom, eu sei...

Maldito calor!

O erro de Voltaire

Voltaire disse: "o trabalho livra-nos de três grandes males: o tédio, o vício e a pobreza". Comigo, não acertou em nenhuma!

Pena de morte

Como todos já devem saber, foi esta manhã condenado à morte por fuzilamento o indonésio Amrozi, por se ter considerado provado o seu envolvimento no atentado que, há quase um ano, vitimou mais de duzentas pessoas numa discoteca de Bali.

Já aqui disse várias vezes: não concordo com a pena de morte. Contudo, neste caso específico, admito que ela tem uma função pedagógica, pois servirá de exemplo para outros potenciais assassinos fundamentalistas. É triste para o desgraçado que vai morrer - aliás, ele parece não achar, pois sorriu até quando ouviu a sentença - mas decerto outros radicais semelhantes poderão vir a pensar duas vezes.

Bem sei que se diz que os fundamentalistas islâmicos não temem a morte, mas não me parece que essa seja uma característica de todos eles. Se não concordam, tentem recordar a expressão de bicho acossado de Yasser Arafat quando, há algum tempo, os israelitas lhe cercaram o quartel-general. Sou levado a concluir por uma de duas hipóteses: ou as trezentas virgens que esperam os mártires no paraíso não são um argumento suficientemente convincente para Y.A., ou o senhor é adepto do adágio "faz o que eu mando e não o que eu faço"!

"O Costa do castelo"

Já se esqueceram do meu aviso de há uma semana? Corram para o quiosque, pois o DVD que sai hoje com o "Público" traz o filme que dá título a este post. Mais que não seja, para ouvir Milú a cantar "A minha casinha", ou António Silva a dizer "como é diferente o amor em Portugal".

E, até ao fim desta série, ainda vão sair vários títulos excelentes; não tenho o jornal aqui à mão, mas lembro-me que, nas próximas semanas sairão, entre outros, os lindíssimos "O quarto do filho", de e com Nanni Moretti, e "Cyrano de Bérgerac", com a fabulosa interpretação de Gérard Dépardieu.

Ainda em tempo

Ainda antes de "fechar a loja", gostaria de deixar mais duas sugestões de leituras, algo que me foi pedido logo no início deste blog, e que eu tenho andado a descurar.

Os livros que eu hoje recomendo, bem apropriados para férias, são relativamente recentes, e foram ambos escritos pelo mesmo autor: chama-se Magnus Mills, e era (é?) condutor de buses em Londres.

Quanto às obras, são elas "O curral das bestas" e "Nada de novo no Expresso do Oriente"; são duas histórias fantásticas, de um humor non sense como só os ingleses são capazes. Delirantes. Depois de os ler, ainda dava muitas vezes comigo a pensar nas mais caricatas situações dos livros, e a rir sozinho. Imperdíveis, absolutamente!

A "Fraldas"

A "Fraldas" é a minha cadela. Não era justo já ter falado da família toda neste blog, e ainda não ter postado uma palavra sobre a "Fraldas".

É uma simpática - mas teimosa - basset hound, que começou por se chamar "Mafalda". No entanto, descobrimos que há pessoas susceptíveis, que não gostam de partilhar o nome com um cão, e resolvemos fazer umas pequenas adaptações no nome - ficou "Fraldas". Faço qualquer coisa para evitar discussões.

Não percebo essas pessoas, confesso; eu preferiria chamar-me "Bobi" do que "Bobone", por exemplo (duvido que seja socialmente correcto dizer isto, mas o facies da dita Sr.ª Bobone lembra-me um cão - um bulldog, para ser mais preciso).

Mas passemos adiante; a "Fraldas" está aqui a dormir, no chão, aos meus pés. Quero dizer, finge que está a dormir; na realidade, está só à espera que eu me deite e adormeça para trepar para cima da cama. E eu acho que lhe vou fazer a vontade.

2003/08/06

Veneza

Na nossa lua-de-mel fomos a Veneza; era Carnaval. Veneza, como muito bem disse Truman Capote, "é como comer, de uma assentada, uma caixa inteira de bombons com licor".

Não foi a primeira vez que lá fui e, se Deus quiser, não será a última!

Pós-laboral

Como já disse várias vezes, desde há uns dias para cá só consigo postar neste blog à noite; não que me faltem motivos ou vontade. A razão é, infelizmente, mais prosaica: andaram uns "especialistas" a instalar a ADSL lá no escritório, e a reconfigurar a rede em todos os computadores. Resultado: antigamente ainda tinha Internet aos soluços, mas agora, nem isso, nem rede, nem nada! Só para perceberm a dimensão da tragédia, digo-vos que, para imprimir um documento, tenho que o gravar numa disquete e ir ao computador da recepção!

Há um "técnico" que passa lá os dias - literalmente - mas pouco mais consegue fazer do que olhar para os computadores e esperar que o mal seja do calor.

Escusado será dizer que sinto a falta de ir respondendo, quando posso, aos feedbacks que aqui vão sendo colocados. Mais: temo até que, por falta de resposta, algumas pessoas percam a motivação para escrever neste blog!

Mas também há alguns motivos para alegria; depois de uns dias a "meio-gás", e mesmo sem que eu tenha tido acesso ao blog durante todo o dia, hoje, à hora em que escrevo, já tinha sido igualado o anterior record de visitas diárias (31). E ainda faltam mais de duas horas para o fim do dia!

Estou felicíssimo!

A minha família volta amanhã! Se demorassem mais um dia que fosse, acho que morria de saudade...

Vendido!

Eu leio e não acredito!

O realizador mexicano Alfonso Cuarón, que dirigiu os fantásticos "Amores perros" (não me lembro como foi traduzido em português) e "E a tua mãe também", está a realizar o novo filme de Harry Potter.

Não se sentirá o homem envergonhado? Não passará as noites acordado, a ouvir a sua consciência a atazaná-lo? Se não, merecia!

O que os dólares fazem à integridade de uma pessoa...

Quanto aos dois filmes mencionados em cima, se não os viram ainda, corram. São simplesmente divinos, mas brutais como murros no estômago.

2003/08/05

Já pensaram?

"E se este mundo for o Inferno de outro planeta?"
Aldous Huxley

Espionagem

Hoje dediquei parte da noite a indagar do que se vai fazendo de novo, e bom, na blogosfera. Para já, recomendo o "Homem a dias", que ainda não percebi se conta com a colaboração de Eduardo "não-sei-se-diga-mal-se-bem-se-faça-um-só-para mim-ou-se-espere-que-acabem-todos" Prado Coelho, o "Outro, eu", do radialista Carlos Vaz Marques, e ainda o novíssimo "A espuma dos dias" (que título lindo; Boris Vian estaria orgulhoso), presumo que da jornalista Sarah Adamopoulos.

Há ainda o já clássico, mas sempre muito interessante, "Prazer inculto", do escritor Possidónio Cachapa (gostei mais d'"A materna doçura" do que d'"O mar por cima", mas recomendo a leitura de ambos).

Kant para principiantes

"EMMANUEL KANT

O filósofo Emmanuel Kant foi um exemplo de introspecção antes mesmo que Freud tivesse inventado esse curioso método de olhar para dentro. O pai, fabricante de correias, tinha à mão o método mais eficaz de fazer do seu filho um sábio. Por isso Kant passou a vida inteira a estudar e aos sessenta anos escreve o primeiro livro, «Desideratio De Mundo Sensibillis Attque Inteliggibilis Forma et Principiis», (que a Sic, pela mão do Rangel e do Ediberto Lima, pensa adaptar à televisão com o João Baião encarnando o filósofo). Daí para diante, Kant ficou quase tão famoso como o Eusébio ou o José Saramago, sobretudo depois de ter afirmado que «a necessidade apodictiva pode ser descoberta na casualidade». Esta teoria tornou-o talvez tão popular como o seu homónimo, o cantor Emanuel e a sua inteligência era tal que passou a ser considerado como o Manuel Maria Carrilho de Konisberg. E com toda a justiça pois, se não fosse ele, ainda hoje não saberíamos que existimos num sistema apriorístico.

Da sua vida privada pouco se sabe. Apenas se tem a certeza de que era casado, embora ninguém lhe conhecesse a mulher. Dizia-se que ela escutava silenciosamente as teorias do marido enquanto descascava as batatas para o jantar. Mas um dia Kant surpreendeu-a com aquele conceito famoso: «O ego prático possui um imperativo categórico na determinação da sua própria vontade». Então, depois de quarenta e tantos anos de absoluta indiferença pela sabedoria do esposo, ela rompeu num riso histérico e disse:

— Oh! Emmanuel! Essa é mesmo de uma pessoa se mijar a rir!"


Com a devida vénia a José Vilhena.

Recomendado

Nas minhas deambulações pela blogosfera, descobri mais um blog "daqueles" que valem a pena; chama-se "A natureza do mal". Ora fiquem-se lá com este "cheirinho":

"A mulher-a-dias não entende que os livros não são das prateleiras, são dos cantos todos da casa. Todas as terças e quintas feiras tenho de os devolver à circulação."

Só fiquei com pena por as caixas de feedback não funcionarem.

Meta-bloguismo aplicado

Os meus leitores mais atentos decerto terão reparado ultimamente na entrada em cena frequente, nas caixas de feedback, de dois leitores bastante "críticos", se bem que nem sempre coerentes.

Sei que a blogosfera é um espaço livre, e sabia à partida que, tão logo iniciasse este blog, rapidamente iria perder o controle do mesmo. Sei também que, apesar de serem os primeiros, estes dois não serão com certeza as últimas pessoas a estar em desacordo comigo.

O meu blog não é grande; escrevo-o para ser lido - é verdade - mas não tenho veleidades de comparar números de visitas com quem anda nestas "andanças" há vários anos (se bem que já tenha, por várias vezes, brincado com o assunto). Também não nego que, tirando o caso específico das duas criaturas supra mencionadas, as mensagens que me têm sido dirigidas são-no quase sempre em tom empático, e até simpático.

Não sou masoquista, e confesso que me regozijo com a boa receptividade que este blog tem tido entre os (poucos, admito) leitores que o visitam. Isto não quer dizer, no entanto, que não seja capaz de "encaixar" críticas. E é aqui que começa a minha divergência com as duas pessoas a que me referi no início do post.

Um fulano, que, muito apropriadamente se autodenomina "Banano", passa o tempo a visitar este blog para postar as mais diversas inanidades. Quando eu respondo, contudo (e tenho tentado fazê-lo em tom contido), aqui d'el-rei, "que não tenho capacidade para ouvir críticas", subvertendo, muito convenientemente, o sentido da palavra "crítica".

Para que se perceba de que tipo de pessoa estamos a falar, deixo aqui algumas citações dos seus feedbacks, em que me "critica":

"Para quem diz que que nas discotecas se perde o convivio, presumo que quando pediste a tua actual esposa em casamento, estavas bebado, não ?!"

"Já que gostas de touradas, porque não vais substituir o touro?"


Se isto são críticas, vou ali e já venho.

Há ainda um outro sujeito, com ainda maiores problemas de personalidade e carácter, como se pode facilmente confirmar pelas suas sucessivas mudanças de nick, cujo discurso é semelhante, com a nuance, contudo, de me comparar amiúde com os militantes ortodoxos do PCP. Eis o tipo de "crítica" desta segunda personagem:

"Um blog de "rôtos", e ainda para mais nem disfarçam..."

Esta será, definitivamente, a última vez que perco tempo com tais tarados. As críticas neste blog são, e serão sempre bem vindas. Palhaçadas cobardes, a coberto do anonimato que a net permite, não me interessam. Poderão, naturalmente, estes e outros frustrados continuar a escrever neste blog; eu deixarei de os ler, e os leitores realmente interessados no blog decidirão por si.

O novo Carlos Borrego

No melhor pano cai a nódoa; parece que todos os governos estão condenados a ter um ministro assim - que mantém normalmente um reservado low profile, mas que, quando fala, "borra a pintura toda"!

O ministro do ambiente, Amilcar Theias (de quem nem sequer conhecia a cara), visitou ontem algumas regiões onde continuam a arder estes incêndios criminosos, e não se lembrou de nada mais inteligente para dizer do que considerar que a sua autoria (dos incêndios) se poderia dever ao facto de existirem ex-combatentes que guardam material bélico em casa. Ouvi na rádio, ontem à noite, e não queria acreditar!

Esqueceu-se, contudo, de referir que dos aviões particulares que combatem as chamas (e que custam quase três mil euros por hora), também caem engenhos explosivos e incendiários. E que os incêndios são um excelente negócio para esses empresários (nem todos portugueses). Já para não falar em quem comercializa material de incêndio (uma simples mangueira de auto-tanque custa uma pequena fortuna e, regra geral, depois de um incêndio não é reutilizável), ou em quem lucra objectivamente com a destruição das florestas (madeireiros, urbanizadores, entre outros).

Não são só "maluquinhos" inimputáveis que provocam os fogos. Nunca pensei vir a concordar com o Partido da Nova Democracia, mas sou forçado a reconhecer que algo deve ser feito em relação ao quadro penal para incendiários (executantes e mandantes) - e equiparar esse crime a terrorismo parece-me uma excelente ideia. E que sejam punidos exemplarmente os culpados já capturados, nem que para isso alguns deles possam ter que vir a ser transformados em bodes expiatórios. Os potenciais incendiários têm que sentir um medo real.

Voltando ao PND, e ao seu líder, o inconstante Dr. Manuel Monteiro, acabo contudo por ter que discordar de Manuel Falcão num aspecto elementar: os timings. Soa um bocadinho a "abutre" vir, no meio da catástrofe, tentar capitalizar dividendos políticos à custa de tamanha desgraça. Até o "desbocado" Ferro Rodrigues percebeu isso; só M.M., com o seu sui generis sentido de oportunidade, não percebeu que há alturas em que mais vale estar calado.

A correr

Continuo sem Internet no escritório (dizem que hoje fica tudo resolvido, mas não sei...), pelo que, por estes dias, os posts só são escritos à noite, ou numas "escapadinhas" de dia, como esta.

Para além disso, a saudade continua a corroer-me o espírito e a bloquear-me a inspiração; como tal, aceito agradecidamente toda e qualquer sugestão de tema para desenvolver. Já sabem o contacto: ou para aqui, para as famosas caixinhas de feedback (ao princípio houve tanta gente a usá-las, e agora desapareceu tudo - onde é que andam?), ou para o e-mail.

Antecipadamente agradeço.

E para dormir...

"I fought in a war", de Belle & Sebastian:

I fought in a war
and I left my friends behind me

Falha técnica

Peço desculpa se hoje também não postar nada, nem tampouco responder às vossas simpáticas mensagens, mas os computadores lá do escritório estão em greve à Internet, e os técnicos que por lá têm andado não me parecem muito próximos da solução do problema.

Contudo, não se coibam de usar livremente as caixas de feedback e o e-mail; eles foram feitos para vocês, e eu gosto de ler (quase) tudo o que me escrevem.

Um bom dia de trabalho ou de descanso.

Seagull

Não gosto de discotecas e bares; acho que o convívio se perde, e todos nos tornamos uma espécie de alienados nesses espaços. Confesso, contudo, que já tive os meus tempos de "correr todas as capelinhas", em Lisboa e em todo o país.

Mas nenhum desses estabelecimentos me cativou o suficiente para me deixar memórias importantes, boas ou más - nenhum, excepto um: a discoteca "Seagull", em Galapos, na Serra da Arrábida.

Comecei a ir ao Seagull (os de Lisboa diziam " ir à Seagull"), era ainda adolescente, já lá vão 23 anos. Na altura era apenas um barracão palafítico, em cima do mar, mas já dispunha daquela varanda mágica. O tecto era baixíssimo, e facilmente poderíamos retirar as lâmpadas que faziam o ambiente com a mão. O disc-jockey ficava numa cabine, em forma de posto de comando de barco, mesmo no meio da pista de dança. Bons tempos...

O Seagull foi ganhando fama e foi crescendo; do barracão incipiente, passou a armazém sobre o mar, mas sempre com a varanda que o diferenciava de qualquer outro lugar similar neste mundo. Isso, e a música, que só ouvida. O Zé Gato (paz à sua alma), disc-jockey da casa durante muitos anos, gravou-me várias cassettes que eu me deliciava a ouvir no carro: Led Zeppelin, Deep Purple, Fleetwood Mac, e tantas outras músicas que eu hoje não consigo ouvir sem uma ponta de emoção.

As pessoas de outras paragens foram "descobrindo" o Seagull, e havia noites em que se tinha que estacionar a mais de um quilómetro; mas nós sentíamos que aquela casa era especial para nós, era a "nossa" casa desde o princípio.

No Seagull ri, chorei, bebi, dancei, namorei, lutei... - e pedi em casamento a minha mulher, a Lu, no restaurante que lá chegou a existir.

O Seagull ficou completamente destruído numa explosão seguida de incêndio, em 1998, e o Parque Natural da Arrábida, bem como outras entidades competentes, não autorizaram a sua reconstrução no mesmo sítio por considerarem que se tratava de uma zona de alto risco de derrocadas.

Sei que o actual dono não desistiu ainda de o reconstruir, mas duvido que o consiga; e, para além disso, já não seria a "barraca de pau" da minha adolescência e juventude!

2003/08/04

Sem inspiração

A grande vantagem de se ser burro é que, quem o é, raramente tem consciência disso, e vive feliz na sua ignorância. Isto vale, como já devem ter percebido, para algumas pessoas que aqui têm andado a escrever nas caixas de feedback.

Tirando isso, não tenho mais nada a dizer hoje; preocupações no trabalho, uma internet "intermitente" no escritório, este maldito calor, e uma saudade imensa, cortaram-me completamente a inspiração. As minhas sinceras desculpas.

Bom gosto

"Há momentos em que tem que se escolher entre ser humano ou ter bom gosto."
Bertolt Brecht

2003/08/03

Rule Britannia

Acabei de rever, na SIC Radical, mais um episódio de uma das melhores sitcoms inglesas - se não mesmo a melhor - que já passaram pelos nossos ecrãs: "The Royles".

Ao mesmo tempo, o país inteiro deve estar a ver uma série de tipos de calções, algures no Porto, a correr atrás de uma bola de futebol.

Fora do prazo de validade

No melhor estilo "lixaste-o-tacho-à-minha-senhora-agora-vou-tentar-lixar-te", Mário Soares comparou ontem Paulo Portas a "um tumor que deve ser extirpado".

Será que o avôzinho ensandeceu de vez? Ou pensa que goza da inimputabilidade dos velhos malucos e malcriados para dizerem os dislates que lhes vêm à cabeça? Mas esses velhos, que ele tenta imitar, estão no banco de jardim e, por natureza, os seus comentários são inconsequentes. O de M.S., apesar de também inconsequente, torna-se muito mais grave porque público!

Por este andar, qualquer dia arrota e dá traques enquanto está a ser entrevistado; que tristeza...

Gatunos

Se há gente que trabalha em cartel, aproveitando-se do facto de não terem concorrência para nos pedirem pequenas fortunas por coisas com qualidade abaixo de duvidosa, são os concessionários das áreas de serviço das auto-estradas.

Vim agora pela auto-estrada do Norte, e, apesar de ter por sistema não comer nada nesses lugares, acabei por parar para comprar uma garrafa de água; 1,12€!

Se eles não estivessem já lá a fazê-lo, dava vontade de os mandar ir roubar para a estrada!

Já estou de volta!

Pois é; infelizmente, o fim de semana passou a correr, e amanhã tenho que estar de volta ao trabalho. Mas isso não é o pior; o que mais me custa é que a minha família ficou no Norte, com os meus sogros, e eu, sem a minha mulher e o meu filho, não sou ninguém.

Chamem-me piegas, se quiserem, mas há bocado, quando me despedia do meu Lourenço (quem o conhece sabe que ele parece gente com cara de anjo - mas eu acho que ele é um anjo com cara de gente), deixei correr uma lágrima. E só vou estar sem eles até Sexta-feira!

Salvam-se as coisas boas: almocei hoje, mais uma vez, a melhor cabidela do mundo. Fá-la o Sr. Leonel, e temos que a reservar com dois dias de antecedência. Este segredo vou guardá-lo para mim e para os meus, mas sempre vos digo que fica no meio das serras, a menos de uma hora do Porto.

2003/08/02

Volto já!

Caros leitores: devido a uma viagem rápida de fim de semana, só voltarei a postar no Domigo à noite, ou, mais provavelmente, na próxima Segunda-feira, dia 4.

Aproveitem bem este intervalo para descansar.

2003/08/01

Será do calor?

Tanta gente a entrar, e ninguém escreve nada?

Ainda as touradas

Recomendo a leitura do excelente artigo da minha amiga Ana Sofia Fonseca, sobre as touradas, na revista "Grande Reportagem" deste mês. Um exemplo de como se pode escrever imparcialmente sobre um assunto, deixando espaço suficiente nas entrelinhas para todas as opiniões - e, nas entrelinhas também, pode-se até vislumbrar a opinião da autora.

Mas A.S.F., se bem que se confesse indirectamente não apreciadora, não faz juízos de valor sobre quem gosta de touradas; é esse o exemplo que devia ser apreendido por quem não respeita os gostos alheios.

Curiosamente, Ana Sofia, também estive nessa corrida em Badajoz, em que o Enrique Ponce andou mal. Os cavalos e as corridas portuguesas, cheias de "ruído de fundo", não me cativam.

Incêndios

Acabei de ligar para a minha prima M., que mora em Castelo de Vide, e ela disse-me que, de casa dela, consegue ver as chamas já por trás da Capela da Senhora da Penha. O ar está irrespirável em toda a terra.

Eu disse, aqui há tempos, que não concordava com a pena de morte, não disse? Mas dá vontade de pensar duas vezes - lá isso dá!

Quartos de hotel

Gosto muito de quartos de hotel; gosto do seu aspecto asséptico, impessoal, e da sensação que nos proporcionam de repouso absoluto. É, de certa forma, como se fechássemos a porta para o mundo e deixássemos de ter qualquer responsabilidade. Nada nos é pedido num quarto de hotel; somos livres de bisbilhotar o que queremos, fazer quase tudo o que desejamos, e tudo de forma inconsequente.

Na nossa casa também nos isolamos do mundo, é verdade, mas não conseguimos atingir aquela sensação latente de indolência. Em casa há sempre algo para fazer e, mesmo que não o façamos, sentimo-lo na consciência. Num quarto de hotel o tempo pára.

Passe a publicidade, já fiquei em muitos hotéis, mas aquele de que guardo mais belas recordações é o Solverde, na Praia da Granja, em Espinho - e não, não era Verão!

E agora, canção para acordar:

Está bem, eu sei que eles são um bocadinho "a dar para o comuna", mas o que querem? Gosto de os ouvir na mesma.

"Ocean spray", pelos Manic Street Preachers.

Oh, please stay awake
And then we can drink some ocean spray

2003/07/31

Sugestão musical:

E agora, como de costume, a banda sonora para esta noite: "Sleep all day", dos portugueses Plastica.

thinkin' of you
I sleep all day!

Meta-bloguismo do amor

Não me queria aventurar já pelos caminhos ínvios da discussão sobre o meta-bloguismo - do qual, de resto, não sou grande adepto - e menos ainda pelo tema premente noutros blogs (Pacheco Pereira, Francisco José Viegas, Manuel Falcão, só para citar alguns) da possibilidade de existência de amor na blogosfera o que, per se, nao será mais do que uma variante do meta-bloguismo.

Mas hoje deparei com um excelente post, no "Quinto dos Impérios", do qual, com a devida vénia, reproduzo o seguinte trecho:

"As referências amorosas costumam ser discretamente íntimas ou expostas, ridiculamente, em alarde. Se das segundas não temos visto muitas, encontramos, em muitos blogues, posts (inocentes, surreais para quem não entende) que só podem ser mensagens, cartas, de amor. Há quem coloque imagens para alguém, quem escreva poemas para destinatários queridos... e nós, do alto da nossa meta-bloguice, nem percebemos."

Não posso estar mais de acordo; o amor, o verdadeiro amor, corre a rodos nestes milhares de posts aparentemente generalistas que circulam à frente do nosso nariz. Só se atentarmos bem, conseguiremos descortinar em muitos deles mensagens, mais ou menos crípticas, que irão direitinhas ao coração de alguém. Mas, na maior parte das vezes, nós não conseguimos (recusamos?) ver todos esses romances, maioritariamente platónicos, que se passam mesmo debaixo dos nossos olhos.

Já aqui citei uma vez Saint-Exupéry, mas volto a fazê-lo: on ne voit bien qu'avec le couer!

Não há amor na blogosfera? Só para quem não o quiser ver!

Cabala

É pá, tenham cuidado com o que escrevem neste blog, pá, porque ele pode estar sob escuta, pá!

Quando não se tem nada para dizer, fala-se do tempo!

Tive que sair agora, e não é que o meu carro, parado aqui à porta do escritório (roam-se de inveja, lisboetas), marcava 46º? Eu vou dizer outra vez: o meu carro marcava 46º! Quarenta e seis graus Celsius!

Como é que eu posso compreender quem está sempre a desejar o Verão e o tempo "quentinho"?

Gelados

"Tootsie frutti, Ice cream!"
(Groucho Marx in "A day at the races")

Este é imperdível!

Na colecção de DVDs que tem saído à quinta-feira com o "Público" têm aparecido títulos fabulosos; mesmo assim, aceito que nem toda a gente aprecie a genialidade de um "Paris, Texas", de Wim Wenders, ou a exuberância de um "Gato preto, gato branco", de Emir Kusturica.

No entanto, o filme de hoje é imperdível: "A canção de Lisboa", de Cottinelli Telmo, com Vasco Santana, Beatriz Costa e o grande António Silva. O tal do esternocleidomastóideu!

E, já que vão ao quiosque, reservem já os das duas próximas semanas: "O Costa do castelo" e "O leão da Estrela".

Curiosamente, a beleza destes filmes só foi reconhecida muito depois da sua realização - na altura foram muito mal recebidos pela crítica, e foram, de certa forma, flops.

2003/07/30

Lisboa

Hoje estou provocador; apetece-me confessar mais uma heresia.

Detesto Lisboa. Só gosto de Lisboa vista de longe - da esplanada do "Atira-te ao rio" em Cacilhas, por exemplo.

Arquitectura

Que me perdoem os mais puristas, mas parece-me que Frank O. Gehry (o arquitecto imcumbido do projecto do putativo casino de Lisboa, para os mais distraídos), "já deu o que tinha a dar".

O homem fez o Guggenheim de Bilbao, é verdade, mas sabem qual foi a sua intervenção para a criação desse prodígio? Dobrar uns guardanapos no restaurante, fazer uns riscos avulsos depois do almoço, como aqueles que nós fazemos enquanto estamos ao telefone, e pronto. Depois, um batalhão de japoneses e equiparados, apetrechados com milhares de gigas de informação, e outro tanto de inteligência, transformaram os "rabiscos" do mestre em algo consistente, e a obra surge. A sua equipa é que é genial.

É o "mesmo" que se vai passar cá; o velhote é só foclore!

Não percam, brevemente, outro sacrilégio: desmontar o bluff que, para mim, é Álvaro Siza Vieira - e não, não tem nada a ver com ele ser comunista!

Bons arquitectos? Deixo-vos, para já, entre os contemporâneos, com os nomes de Zaha Hadid, Tadao Ando (que é auto-didacta, como Le Corbuisier - nunca estudaram arquitectura numa universidade) ou Manuel Graça Dias.

Não é justo!

Logo agora, que o meu Lourenço aprendeu a pedir o bacio, é que o Governo decidiu baixar o IVA das fraldas! Não poderá ter efeitos retroactivos?

Chopper

-Whose motorcycle is this?
-It´s a chopper, babe!
-Whose chopper is this?
-It´s Zed´s!
-Who´s Zed?
-Zed's dead, babe; Zed's dead!

(Diálogo entre Maria de Medeiros e Bruce Willis no filme "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino)

40º

Está um calor que não se pode. E o Ministro do Ambiente não faz nada!

Vasco Graça Moura

Não sei se me devia penitenciar por isto, mas gosto do estilo rápido e romântico dos romances de V.G.M.. Gostei da caracterização das personagens de "Era de noite, meu amor", e, apesar de um ou outro "deslize" de estilo, gostei d'"O enigma de Zulmira".

Para mim, um bom escritor reconhece-se por saber descrever uma cena de sexo com um mínimo de recurso a clichés, e - mais difícil ainda - sem se tornar pretensioso ou ridículo. E V.G.M. consegue-o.

Para apreciadores

Nem toda a gente apreciará isto, mas eu, que adoro a "minha" Serra Mãe, fiquei felicíssimo. Então não é que o Presidente da Comissão do Círio (romaria) de Azeitão me convidou, a mim e à minha família, para participar na edição do próximo ano, o que significará pernoitar numa das celas do conventinho onde dormiam os frades, há séculos?

Eu, que até nem gosto que o tempo passe depressa, agora estou ansioso por que chegue o próximo ano.

Ovelha negra

As melhores famílias têm sempre alguém que as envergonha: no caso do PSD, chama-se Alberto João Jardim, o mais alarve e boçal político deste jardim.

Não aprecio o estilo truculento, pós-"Público", de Vicente Jorge Silva, mas, por um momento, empatizei com o homem. Quando V.J.S. propôs que se referendasse a independência da Madeira, deu-me um gozo extraordinário ver o ar assustado de Jardim, ao sentir a ameaça do corte da torneira - "pai, dá-me a minha mesada que eu já sou crescido".

O Cavaco é que o sabia pôr a falar fininho...

2003/07/29

Para desanuviar...

Oiçamos "Fuzzy", de Grant Lee Buffalo (reservei o CD de Grant Lee Phillips na FNAC, e não é que, depois de me terem feito esperar uns três meses, os sacanas me escrevem a dizer que estava esgotado?).

Aficcionado

Não nasci a gostar de touradas; foi um gosto adquirido, por motivos que poderei explicar a quem o mereça. Não gosto de caçar, mas respeito os caçadores. Não gosto de futebol, mas não me importo que, à segunda-feira, não se consiga falar de outra coisa. Em suma, respeito toda a gente que tenha gostos e opiniões diferentes da minha, desde que sustentados.

É o que se passa com R.L., com quem iniciei há algum tempo uma saudável discussão noutro blog, e que agora me vem acusar, no seu próprio blog, de me ter sentido "cansado" dessa mesma discussão.

Mea culpa! Senti-me cansado, sim, porque percebi rapidamente que a discussão não iria ser profícua, dado o total antagonismo de posições, e também porque, confesso, luto sempre por aquilo em que acredito, mas tenho pouca capacidade de "evangelização" quando tento convencer o meu próximo da bondade das minhas causas.

Mas, voltando um pouco atrás, há que perceber o que vai na alma de um aficcionado (e atenção, que não estou a falar da "feira de vaidades" do Campo Pequeno, mas da verdadeira fiesta nos pueblos, em Espanha). A luta é desigual? Sê-lo-á, porventura, mas resta saber quem é o mais forte nessa luta; se o toureiro, apetrechado apenas com um pano e a sua inteligência, ou o touro, com 500 quilos de força bruta capazes de matar um homem em segundos.

E muitas vezes o homem tem perdido!

A alegada falta de coerência entre dizer que se gosta do um touro, e depois vê-lo morrer na arena, apenas pode ser sentida - nunca explicada. No entanto, é evidente que ninguém pensa em adoptar o touro como bichinho de estimação. "Gostar de um touro" significa considerar que aquele é um animal nobre, eventualmente de belo porte, criado exclusivamente para a luta da sua vida, ao fim de quatro ou cinco anos de vida livre na lezíria (peço perdão a R.L., mas não discutirei aqui a hipótese por si aventada de o touro, por só conviver com machos, poder desenvolver comportamentos homossexuais).

E não se pense que o touro perde sempre essa luta! Ainda que não sejam frequentes, são diversos os casos em que, atendendo à bravura do animal, a sua vida é poupada para que sirva de semental da raça.

Vejamos agora os argumentos dos detractores das touradas; o mais recorrente equipara os touros a seres humanos, alegando, por exemplo que, se se permitem touradas, também se deveriam voltar a enviar cristãos aos leões, ou outros dislates do género. Ora, é para mim líquido que, enquanto existirem seres humanos com verdadeiras necessidades, todo e qualquer pensamento de privilégio para com animais irracionais (é assim, pelo menos, que a ciência os define), soa a pura hipocrisia.

Como hipocrisia poderá também parecer que estas pessoas, depois de se manifestarem, com evidente falta de respeito para com quem gosta de touradas, se sentem à mesa a comer animais criados e abatidos sabe-se lá em que condições (que me perdoe R.L., que se afirma vegetariano, mas acredite que há muitos dos seus correligionários que se deliciam com uma bela costeleta de novilho).

Como também não me explicam porque não fazem expedições pela província, impedindo a festa da matança do porco, o abate de coelhos com uma pancada na cabeça, a decapitação das galinhas, o afogamento de gatos ou cães recém nascidos, ou, mais prosaicamente, a ida para a panela de caracóis vivos. São todas formas de infligir sofrimento aos animais, não são? Ou será que os fins justificam os meios?

Mas não; as touradas são o seu alvo preferido, por ser o mais fácil. Caro R.L., e restantes leitores: não sou sádico, mas gosto de ver tourada. Não sofrerão mais que o touro, o burro ou o cavalo que, usando a vossa deliciosa equiparação à raça humana, vivem vidas de autêntica escravidão e trabalho para além dos limites?

Não vos peço que gostem de touradas, nem tampouco que as vejam; a única coisa razoável que peço é que respeitem quem gosta, ou então sejam coerentes e tentem, em primeiro lugar, impedir os massacres de seres humanos por esse mundo fora!

Janeiro

Chamem-me depressivo se quiserem - já estou habituado, se bem que preferisse "romântico" - mas prefiro os dias chuvosos de Inverno, em que já é noite às cinco da tarde. Já viram bem a cor do mar nesses dias?

Outra canção

Já não é a primeira vez que isto me acontece; deitar-me a pensar numa canção, e acordar a pensar noutra. A escolha desta manhã vai para "Little Nemo", uma antiguidade dos Genesis (mas não tão antiga que ainda tivesse sido cantada por Peter Gabriel - pertencia ao primeiro álbum pós-Gabriel: "And then there were three..."). Começa assim:

Little Nemo rubbed his eyes and got out of bed
Trying hard to piece together a broken dream


Um bom dia de trabalho ou de férias!

Directamente, sem passar pela casa "Partida"

Directamente para o top, é para onde vai esta pesquisa "fresquinha" num motor de busca: um leitor, de interesses - hum... - invulgares, veio aqui parar inserindo, como palavras chave para a sua pesquisa, a combinação "paulo+portas+independente+amigos+de+cama".

2003/07/28

Mais uma música para dormir:

The Raincoats a cantarem "Babydog".

Por mim, podem ir todos...

Por estes dias só oiço falar de Algarve, Algarve, Algarve; quem ainda não foi, há-de ir, e quem não pode ir, fica com pena. Pobres coitados; não sabem que o Algarve é como o marisco - só começa a ficar bom nos meses com a letra "R" (o melhor mês é Fevereiro, mas não espalhem).

E eu, que não posso ter férias este ano, fico aqui a sonhar com a Galiza e as Rias Altas...

Ganda barraca!

Eu para aqui a dizer, a torto e a direito, que o Swatch Manoel de Oliveira se chamava "Curta metragem", e afinal parece que é "Take one"! Onde é que eu fui buscar esta?

A esquerda mexe-se!

Não há nada que não sirva aos pseudo-detentores da verdade esquerdistas para pedir a demissão do ministro Paulo Portas. Até agora, tem sido - e está para durar - o facto de ele ter sido testemunha no processo da Universidade Moderna. Espero que os meus superiores nunca venham a saber que também eu já testemunhei em processos, ou poderei estar em risco de perder o emprego.

Curiosamente, nunca ouvi essas esclarecidas cabeças pensadoras dizerem uma palavra que fosse sobre o caldo de promiscuidade em que o putativo líder do PS/ Presidente da República/ Presidente da Câmara de Lisboa/ candidato ao Parlamento Europeu (riscar o que não interessa) João Soares andou envolvido enquanto Presidente da Câmara de Lisboa. Ele foram obras da Câmara pagas pela Moderna, obras da Moderna feitas sem licença, e até obras no Colégio Moderno, propriedade dos "Kennedys portugueses" (este pedantismo só para rir), sem licença, nem tampouco projecto. Contudo, neste último caso, Soares júnior teve a amabilidade de nos informar que "a lei foi razoavelmente cumprida", de onde eu infiro, com legitimidade, que, se pagar apenas metade dos meus impostos, estarei a cumprir também "razoavelmente" a lei. É escandalosa - isso sim - a impunidade deste fulano!

Mas, voltando a Paulo Portas, vem agora a nossa intelligentzia canhota pedir a sua demissão, na sequência do pedido de demissão do Chefe do Estado Maior do Exército, General Silva Viegas. Desconhecem, com certeza, todos estes candidatos a crucificadores de Portas, que no nosso Estado de Direito, o poder militar se encontra subjugado ao poder civil - ao contrário, por exemplo, do que sucedia no regime militar do Iraque, até à queda de Saddam Hussein.

Exigir a demissão de P.P. devido à saída intempestiva de Viegas (que, recordo, foi imposto no cargo por Guterres, contra a vontade das altas patentes militares), seria tão caricato como pedir ao dono do restaurante que fechasse o estabelecimento, porque o chefe de mesa se demitiu.

Recado

A rede aqui do escritório hoje teve um colapso e, como resultado, não tenho internet no meu gabinete. Vim só aqui dizer, num instantinho, que, se postar hoje, só deverá ser lá para a noite.

2003/07/27

Notícias relevantes

Há já muito tempo que não compro o "Expresso". Não sou nenhum iluminado, mas já tinha percebido há uns anos o que agora toda a gente vê: que o nível do jornalismo praticado naquela casa está, mais ou menos, ao nível da sarjeta.

Ontem, por exemplo, e ao que sei por vários blogs, e também pela consulta do site (não faço link, porque a consulta do jornal online é paga), a principal chamada de capa refere-se a um juíz que se candidatou ao Supremo, e que ao seu processo de candidatura adicionou dois documentos não obrigatórios: um provando a sua descendência nobre, e outro provando a sua opção homossexual.

Não me interessa aqui discutir se estes dados pessoais do senhor serão indispensáveis para uma boa apreciação do seu processo de candidatura; resisitirei também, por muita curiosidade que me tenha despertado a informação, a especular sobre qual a entidade que estará em condições de passar um documento comprovativo da opção sexual de outrém.

O importante aqui é saber se algum tablóide, do mais sensacionalista que exista, chamaria este assunto para principal destaque da sua edição. O "Expresso", contudo, fê-lo, e - quiçá? - talvez tenha ganho mais um nicho de mercado. A juntar à "Hola" e a uma ou outra revista de decoração avulsa, observo cada vez mais gente a levar também o famoso saco de plástico para casa.

Tenho, aliás, uma teoria para justificar o interesse desmedido do português médio pelo "Expresso", em lugar de semanários com muito melhor qualidade de informação, mas muito menos espessura, como é o caso d'"o Independente". É simples; alguma vez observaram um "portuga" típico num hotel estrangeiro, num pequeno almoço de buffet?

Eu conto-vos: atafulha o seu prato com uma quantidade inverosímil de coisas, a maior parte das quais não comerá. Mas fá-lo, apenas porque entende que se puder recolher mais comida, pagando o mesmo, incrementará a sua relação preço-quantidade. Esquece-se, no entanto, que tal procedimento não melhorará, necessariamente, a relação preço-qualidade.

Adaptem este raciocínio ao tamanho do "Expresso", vejam o que se consegue "espremer" de relevante daqueles "não-sei-quantos" quilos de papel, e depois digam-me qualquer coisa.

Domingo

Eu sei que hoje é dia de descanso, mas eu tenho o dia muito ocupado pelo que, provavelmente, este vai ser o único post que aqui deixo. Vamos lá ver se alguém sente a minha falta.

2003/07/26

John Schlesinger

Morreu ontem o realizador John Schlesinger, que dirigiu um dos filmes mais bonitos que já vi: "O cowboy da meia-noite".

Para além das extraordinárias interpretações de Jon Voight e Dustin Hoffman (acho que ainda houve para ali uns Óscares), recordo especialmente uma música que, por vezes, ainda me baila na cabeça. Não sei quem a cantava nem o seu nome, mas começava assim:

Everybody's talking at me
I don´t hear a word they're saying
Only the echoes of my mind


Alguém se lembra disto?

Casamentos

Hoje já encontrei, seguramente, mais de dez casamentos.

O que é que leva esta gente a achar que o melhor dia para um casamento é no pino do Verão, quando se destila de calor?

Top 3

Com a devida vénia, vôo rasante sobre alguns dos mais belos bytes de prosa recente da blogosfera:

1.º lugar:

Exm.ª Senhora Dona Dor
Largue-me.
Sem outro assunto de momento,
Papoila

por Ana Melo Baptista

2.º lugar:

Gostava que acreditasses. Gostava tanto QUE acreditasses. Só.
por Manuel Falcão

3.º lugar:

"Napoleão com as suas tropas
conquistou muitas nações
mas tu, com os teus olhos,
conquistas muitos corações"
(...)
Que saudades do platonismo!

por Luís Filipe Borges

Menção honrosa:

Sou um gajo discreto, que não faz alarde da sua vida sexual.
por anónimo

Preparem-se; em breve haverá mais.

2003/07/25

Catherine Millet

Esta senhora, que há algum tempo escreveu um livrinho de algibeira em que se entretinha a relatar as suas mais escabrosa proezas sexuais, deu uma entrevista à TSF que foi transmitida hoje.

Não li a totalidade do livro, confesso - melhor dizendo, só li um ou outro bocadinho avulso. Mas li o suficiente para ficar admirado quando a senhora disse, nessa entrevista, que nunca se sentiu muito fascinada com o sexo. Olha se se sentisse...

Publicidade da Optimus

Penso que as grande companhias de comunicação móvel do nosso país devem gastar fortunas obscenas em publicidade aos seus produtos. Mas, nessa disputa titânica, há uma que se destaca especialmente: as campanhas da Optimus são do mais paupérrimo e piroso que pode haver.

Desde spots redundantemente óbvios e cenas de humor mais que forçado, até plágios descarados, de tudo existe um pouco. Lembram-se dum anúncio da Optimus em que diversas personagens, sem falar, mostravam painéis em que estava escrito aquilo que lhes ia, supostamente, na mente? Pois bem, essa campanha foi descaradamente decalcada de uma campanha anterior de promoção do VW Golf IV, e esse plágio provavelmente só não teve mais consequências porque esses publicitários falhos de imaginação tiveram a sorte de essa campanha (a da VW) não ter sido exibida em Portugal (pelo menos que eu me lembre).

Mas é tudo mau nas campanhas da Optimus? Não, respondo eu; há alguém competente ali, um oásis num deserto de ideias. É o tipo que escolhe a música: antes era ao som dos excêntricos e fabulosos Mercury Rev que os figurantes ou o locutor debitavam banalidades. Agora, o som é o dos não menos brilhantes dinamarqueses Mew. Quais Dandy Wahrols, qual quê - música boa é nos anúncios da Optimus!

Destoa ouvir um som de qualidade num anúncio tão fraco, mas é bom de ouvir. Está bem, concedo que há o risco de banalizar músicas lindas, mas, afinal, é só um trechozinho. Temos o resto do CD todo, virgenzinho, não conspurcado, só para nosso deleite, não é?

Quando houver nova campanha da Optimus, vejam-na com ouvidos de ouvir; isto se o tipo que escolhe a música não tiver sido entretanto despedido, por não conseguir manter o nível geral da equipa!

Pesquisa #3

Entre as palavras chave usadas para vir cá parar, nos motores de busca, encontra-se agora no top - destronando o espectacular "labaredas escape" - a expressão de hoje: "como ajudar as birras de bebes dois anos".

Se cá voltar a pessoa que pesquisou, deixo-lhe uma dica - útil ou não, logo decidirá: o meu filho tem dois anos, e eu não sei!

Carros antigos

Reencontrei há dias o meu amigo Luís Paes do Amaral, recém regressado do Brasil onde esteve a viver, e fiquei a babar-me; então não é que ele comprou, para as suas "voltinhas", um impecável Mercedes cabriolet da década de setenta?

Tem tudo, o sacana do carro; para além de estar impecavelmente restaurado, é azul escuro e tem capota branca, e - piéce de resistance - matrícula italiana, de Roma, lugar para onde o Luís vai viver a seguir.

O que mais pode um homem pedir para ser feliz?

Blondie

Casei em Fevereiro de 1998. Uns familiares da minha mulher, imbuídos das melhores intenções, mas desconhecedores da minha patológica aversão a multidões, resolveram oferecer-nos passes permanentes para visitar a Expo 98. A minha mulher ainda lá foi ver aquilo algumas vezes. E eu bem que tentei; fui lá uma vez, com o melhor espírito zen que se pôde arranjar, mas foi um fracasso. A visão daquelas filas enormes e magotes de pessoas depressam começaram a provocar-me suores frios, e não descansei enquanto dali não zarpei. Nunca mais lá voltei durante a feira.

Aliás, minto; voltei algumas noites para ver alguns excelentes concertos na Praça Sony. Lembro-me, por exemplo, de ver excelentes performances dos Foo Fighters, com Dave Grohl, e de ter flutuado com as ambiências etéreas dos Smoke City.

Mas, durante a Expo, não foi nenhum desses o concerto que preferi ver; o melhor concerto foi o de uma banda inglesa, os Gene (não confundir com os "Gene loves Jezebel", esta mais Rock FM), apontados durante algum tempo pela imprensa britânica como a next big thing, mas agora caidos no esquecimento. E é uma pena, pois a sua sonoridade "à Smiths" era deliciosa. Continuo a ouvir os seu álbuns no carro (as viagens de carro servem-me para ordenar as ideias, mas lá voltaremos noutro post), e oiço, com especial ternura, uma cover de "I say a little pray for you", de Burt Bacharach. O meu "pezinho a puxar para o chinelo" a voltar sempre ao kitsch, que adoro sem complexos.

Infelizmente para os Gene - mas felizmente para mim! - o seu concerto na Expo não deve ter contado com uma assistência superior a cem pessoas, a maioria curiosos de passagem.

Voltei à Expo mais tarde, já depois da feira acabar, para ver Blondie; mais valia não ter ido! Teria sido preferível lembrar Debbie Harry como a bela mulher que aparecia a cantar "Heart of glass", e não como a decadente - ainda que esforçada - ruína que cantava "Maria" na Expo. Eu bem fujo do tempo, mas ele anda atrás de mim, a provar que não se esquece de ninguém (tenho mesmo que comprar o Swatch "Curta metragem").

Estava a brincar...

Pensavam mesmo que se viam livres de mim com essa facilidade? Em última instância, resta-me o exercício narcisístico de ler sozinho o que escrevo.

Poucos leitores, mas bons!