2003/07/30

40º

Está um calor que não se pode. E o Ministro do Ambiente não faz nada!

Vasco Graça Moura

Não sei se me devia penitenciar por isto, mas gosto do estilo rápido e romântico dos romances de V.G.M.. Gostei da caracterização das personagens de "Era de noite, meu amor", e, apesar de um ou outro "deslize" de estilo, gostei d'"O enigma de Zulmira".

Para mim, um bom escritor reconhece-se por saber descrever uma cena de sexo com um mínimo de recurso a clichés, e - mais difícil ainda - sem se tornar pretensioso ou ridículo. E V.G.M. consegue-o.

Para apreciadores

Nem toda a gente apreciará isto, mas eu, que adoro a "minha" Serra Mãe, fiquei felicíssimo. Então não é que o Presidente da Comissão do Círio (romaria) de Azeitão me convidou, a mim e à minha família, para participar na edição do próximo ano, o que significará pernoitar numa das celas do conventinho onde dormiam os frades, há séculos?

Eu, que até nem gosto que o tempo passe depressa, agora estou ansioso por que chegue o próximo ano.

Ovelha negra

As melhores famílias têm sempre alguém que as envergonha: no caso do PSD, chama-se Alberto João Jardim, o mais alarve e boçal político deste jardim.

Não aprecio o estilo truculento, pós-"Público", de Vicente Jorge Silva, mas, por um momento, empatizei com o homem. Quando V.J.S. propôs que se referendasse a independência da Madeira, deu-me um gozo extraordinário ver o ar assustado de Jardim, ao sentir a ameaça do corte da torneira - "pai, dá-me a minha mesada que eu já sou crescido".

O Cavaco é que o sabia pôr a falar fininho...

2003/07/29

Para desanuviar...

Oiçamos "Fuzzy", de Grant Lee Buffalo (reservei o CD de Grant Lee Phillips na FNAC, e não é que, depois de me terem feito esperar uns três meses, os sacanas me escrevem a dizer que estava esgotado?).

Aficcionado

Não nasci a gostar de touradas; foi um gosto adquirido, por motivos que poderei explicar a quem o mereça. Não gosto de caçar, mas respeito os caçadores. Não gosto de futebol, mas não me importo que, à segunda-feira, não se consiga falar de outra coisa. Em suma, respeito toda a gente que tenha gostos e opiniões diferentes da minha, desde que sustentados.

É o que se passa com R.L., com quem iniciei há algum tempo uma saudável discussão noutro blog, e que agora me vem acusar, no seu próprio blog, de me ter sentido "cansado" dessa mesma discussão.

Mea culpa! Senti-me cansado, sim, porque percebi rapidamente que a discussão não iria ser profícua, dado o total antagonismo de posições, e também porque, confesso, luto sempre por aquilo em que acredito, mas tenho pouca capacidade de "evangelização" quando tento convencer o meu próximo da bondade das minhas causas.

Mas, voltando um pouco atrás, há que perceber o que vai na alma de um aficcionado (e atenção, que não estou a falar da "feira de vaidades" do Campo Pequeno, mas da verdadeira fiesta nos pueblos, em Espanha). A luta é desigual? Sê-lo-á, porventura, mas resta saber quem é o mais forte nessa luta; se o toureiro, apetrechado apenas com um pano e a sua inteligência, ou o touro, com 500 quilos de força bruta capazes de matar um homem em segundos.

E muitas vezes o homem tem perdido!

A alegada falta de coerência entre dizer que se gosta do um touro, e depois vê-lo morrer na arena, apenas pode ser sentida - nunca explicada. No entanto, é evidente que ninguém pensa em adoptar o touro como bichinho de estimação. "Gostar de um touro" significa considerar que aquele é um animal nobre, eventualmente de belo porte, criado exclusivamente para a luta da sua vida, ao fim de quatro ou cinco anos de vida livre na lezíria (peço perdão a R.L., mas não discutirei aqui a hipótese por si aventada de o touro, por só conviver com machos, poder desenvolver comportamentos homossexuais).

E não se pense que o touro perde sempre essa luta! Ainda que não sejam frequentes, são diversos os casos em que, atendendo à bravura do animal, a sua vida é poupada para que sirva de semental da raça.

Vejamos agora os argumentos dos detractores das touradas; o mais recorrente equipara os touros a seres humanos, alegando, por exemplo que, se se permitem touradas, também se deveriam voltar a enviar cristãos aos leões, ou outros dislates do género. Ora, é para mim líquido que, enquanto existirem seres humanos com verdadeiras necessidades, todo e qualquer pensamento de privilégio para com animais irracionais (é assim, pelo menos, que a ciência os define), soa a pura hipocrisia.

Como hipocrisia poderá também parecer que estas pessoas, depois de se manifestarem, com evidente falta de respeito para com quem gosta de touradas, se sentem à mesa a comer animais criados e abatidos sabe-se lá em que condições (que me perdoe R.L., que se afirma vegetariano, mas acredite que há muitos dos seus correligionários que se deliciam com uma bela costeleta de novilho).

Como também não me explicam porque não fazem expedições pela província, impedindo a festa da matança do porco, o abate de coelhos com uma pancada na cabeça, a decapitação das galinhas, o afogamento de gatos ou cães recém nascidos, ou, mais prosaicamente, a ida para a panela de caracóis vivos. São todas formas de infligir sofrimento aos animais, não são? Ou será que os fins justificam os meios?

Mas não; as touradas são o seu alvo preferido, por ser o mais fácil. Caro R.L., e restantes leitores: não sou sádico, mas gosto de ver tourada. Não sofrerão mais que o touro, o burro ou o cavalo que, usando a vossa deliciosa equiparação à raça humana, vivem vidas de autêntica escravidão e trabalho para além dos limites?

Não vos peço que gostem de touradas, nem tampouco que as vejam; a única coisa razoável que peço é que respeitem quem gosta, ou então sejam coerentes e tentem, em primeiro lugar, impedir os massacres de seres humanos por esse mundo fora!

Janeiro

Chamem-me depressivo se quiserem - já estou habituado, se bem que preferisse "romântico" - mas prefiro os dias chuvosos de Inverno, em que já é noite às cinco da tarde. Já viram bem a cor do mar nesses dias?

Outra canção

Já não é a primeira vez que isto me acontece; deitar-me a pensar numa canção, e acordar a pensar noutra. A escolha desta manhã vai para "Little Nemo", uma antiguidade dos Genesis (mas não tão antiga que ainda tivesse sido cantada por Peter Gabriel - pertencia ao primeiro álbum pós-Gabriel: "And then there were three..."). Começa assim:

Little Nemo rubbed his eyes and got out of bed
Trying hard to piece together a broken dream


Um bom dia de trabalho ou de férias!

Directamente, sem passar pela casa "Partida"

Directamente para o top, é para onde vai esta pesquisa "fresquinha" num motor de busca: um leitor, de interesses - hum... - invulgares, veio aqui parar inserindo, como palavras chave para a sua pesquisa, a combinação "paulo+portas+independente+amigos+de+cama".

2003/07/28

Mais uma música para dormir:

The Raincoats a cantarem "Babydog".

Por mim, podem ir todos...

Por estes dias só oiço falar de Algarve, Algarve, Algarve; quem ainda não foi, há-de ir, e quem não pode ir, fica com pena. Pobres coitados; não sabem que o Algarve é como o marisco - só começa a ficar bom nos meses com a letra "R" (o melhor mês é Fevereiro, mas não espalhem).

E eu, que não posso ter férias este ano, fico aqui a sonhar com a Galiza e as Rias Altas...

Ganda barraca!

Eu para aqui a dizer, a torto e a direito, que o Swatch Manoel de Oliveira se chamava "Curta metragem", e afinal parece que é "Take one"! Onde é que eu fui buscar esta?

A esquerda mexe-se!

Não há nada que não sirva aos pseudo-detentores da verdade esquerdistas para pedir a demissão do ministro Paulo Portas. Até agora, tem sido - e está para durar - o facto de ele ter sido testemunha no processo da Universidade Moderna. Espero que os meus superiores nunca venham a saber que também eu já testemunhei em processos, ou poderei estar em risco de perder o emprego.

Curiosamente, nunca ouvi essas esclarecidas cabeças pensadoras dizerem uma palavra que fosse sobre o caldo de promiscuidade em que o putativo líder do PS/ Presidente da República/ Presidente da Câmara de Lisboa/ candidato ao Parlamento Europeu (riscar o que não interessa) João Soares andou envolvido enquanto Presidente da Câmara de Lisboa. Ele foram obras da Câmara pagas pela Moderna, obras da Moderna feitas sem licença, e até obras no Colégio Moderno, propriedade dos "Kennedys portugueses" (este pedantismo só para rir), sem licença, nem tampouco projecto. Contudo, neste último caso, Soares júnior teve a amabilidade de nos informar que "a lei foi razoavelmente cumprida", de onde eu infiro, com legitimidade, que, se pagar apenas metade dos meus impostos, estarei a cumprir também "razoavelmente" a lei. É escandalosa - isso sim - a impunidade deste fulano!

Mas, voltando a Paulo Portas, vem agora a nossa intelligentzia canhota pedir a sua demissão, na sequência do pedido de demissão do Chefe do Estado Maior do Exército, General Silva Viegas. Desconhecem, com certeza, todos estes candidatos a crucificadores de Portas, que no nosso Estado de Direito, o poder militar se encontra subjugado ao poder civil - ao contrário, por exemplo, do que sucedia no regime militar do Iraque, até à queda de Saddam Hussein.

Exigir a demissão de P.P. devido à saída intempestiva de Viegas (que, recordo, foi imposto no cargo por Guterres, contra a vontade das altas patentes militares), seria tão caricato como pedir ao dono do restaurante que fechasse o estabelecimento, porque o chefe de mesa se demitiu.

Recado

A rede aqui do escritório hoje teve um colapso e, como resultado, não tenho internet no meu gabinete. Vim só aqui dizer, num instantinho, que, se postar hoje, só deverá ser lá para a noite.

2003/07/27

Notícias relevantes

Há já muito tempo que não compro o "Expresso". Não sou nenhum iluminado, mas já tinha percebido há uns anos o que agora toda a gente vê: que o nível do jornalismo praticado naquela casa está, mais ou menos, ao nível da sarjeta.

Ontem, por exemplo, e ao que sei por vários blogs, e também pela consulta do site (não faço link, porque a consulta do jornal online é paga), a principal chamada de capa refere-se a um juíz que se candidatou ao Supremo, e que ao seu processo de candidatura adicionou dois documentos não obrigatórios: um provando a sua descendência nobre, e outro provando a sua opção homossexual.

Não me interessa aqui discutir se estes dados pessoais do senhor serão indispensáveis para uma boa apreciação do seu processo de candidatura; resisitirei também, por muita curiosidade que me tenha despertado a informação, a especular sobre qual a entidade que estará em condições de passar um documento comprovativo da opção sexual de outrém.

O importante aqui é saber se algum tablóide, do mais sensacionalista que exista, chamaria este assunto para principal destaque da sua edição. O "Expresso", contudo, fê-lo, e - quiçá? - talvez tenha ganho mais um nicho de mercado. A juntar à "Hola" e a uma ou outra revista de decoração avulsa, observo cada vez mais gente a levar também o famoso saco de plástico para casa.

Tenho, aliás, uma teoria para justificar o interesse desmedido do português médio pelo "Expresso", em lugar de semanários com muito melhor qualidade de informação, mas muito menos espessura, como é o caso d'"o Independente". É simples; alguma vez observaram um "portuga" típico num hotel estrangeiro, num pequeno almoço de buffet?

Eu conto-vos: atafulha o seu prato com uma quantidade inverosímil de coisas, a maior parte das quais não comerá. Mas fá-lo, apenas porque entende que se puder recolher mais comida, pagando o mesmo, incrementará a sua relação preço-quantidade. Esquece-se, no entanto, que tal procedimento não melhorará, necessariamente, a relação preço-qualidade.

Adaptem este raciocínio ao tamanho do "Expresso", vejam o que se consegue "espremer" de relevante daqueles "não-sei-quantos" quilos de papel, e depois digam-me qualquer coisa.

Domingo

Eu sei que hoje é dia de descanso, mas eu tenho o dia muito ocupado pelo que, provavelmente, este vai ser o único post que aqui deixo. Vamos lá ver se alguém sente a minha falta.

2003/07/26

John Schlesinger

Morreu ontem o realizador John Schlesinger, que dirigiu um dos filmes mais bonitos que já vi: "O cowboy da meia-noite".

Para além das extraordinárias interpretações de Jon Voight e Dustin Hoffman (acho que ainda houve para ali uns Óscares), recordo especialmente uma música que, por vezes, ainda me baila na cabeça. Não sei quem a cantava nem o seu nome, mas começava assim:

Everybody's talking at me
I don´t hear a word they're saying
Only the echoes of my mind


Alguém se lembra disto?

Casamentos

Hoje já encontrei, seguramente, mais de dez casamentos.

O que é que leva esta gente a achar que o melhor dia para um casamento é no pino do Verão, quando se destila de calor?

Top 3

Com a devida vénia, vôo rasante sobre alguns dos mais belos bytes de prosa recente da blogosfera:

1.º lugar:

Exm.ª Senhora Dona Dor
Largue-me.
Sem outro assunto de momento,
Papoila

por Ana Melo Baptista

2.º lugar:

Gostava que acreditasses. Gostava tanto QUE acreditasses. Só.
por Manuel Falcão

3.º lugar:

"Napoleão com as suas tropas
conquistou muitas nações
mas tu, com os teus olhos,
conquistas muitos corações"
(...)
Que saudades do platonismo!

por Luís Filipe Borges

Menção honrosa:

Sou um gajo discreto, que não faz alarde da sua vida sexual.
por anónimo

Preparem-se; em breve haverá mais.

2003/07/25

Catherine Millet

Esta senhora, que há algum tempo escreveu um livrinho de algibeira em que se entretinha a relatar as suas mais escabrosa proezas sexuais, deu uma entrevista à TSF que foi transmitida hoje.

Não li a totalidade do livro, confesso - melhor dizendo, só li um ou outro bocadinho avulso. Mas li o suficiente para ficar admirado quando a senhora disse, nessa entrevista, que nunca se sentiu muito fascinada com o sexo. Olha se se sentisse...

Publicidade da Optimus

Penso que as grande companhias de comunicação móvel do nosso país devem gastar fortunas obscenas em publicidade aos seus produtos. Mas, nessa disputa titânica, há uma que se destaca especialmente: as campanhas da Optimus são do mais paupérrimo e piroso que pode haver.

Desde spots redundantemente óbvios e cenas de humor mais que forçado, até plágios descarados, de tudo existe um pouco. Lembram-se dum anúncio da Optimus em que diversas personagens, sem falar, mostravam painéis em que estava escrito aquilo que lhes ia, supostamente, na mente? Pois bem, essa campanha foi descaradamente decalcada de uma campanha anterior de promoção do VW Golf IV, e esse plágio provavelmente só não teve mais consequências porque esses publicitários falhos de imaginação tiveram a sorte de essa campanha (a da VW) não ter sido exibida em Portugal (pelo menos que eu me lembre).

Mas é tudo mau nas campanhas da Optimus? Não, respondo eu; há alguém competente ali, um oásis num deserto de ideias. É o tipo que escolhe a música: antes era ao som dos excêntricos e fabulosos Mercury Rev que os figurantes ou o locutor debitavam banalidades. Agora, o som é o dos não menos brilhantes dinamarqueses Mew. Quais Dandy Wahrols, qual quê - música boa é nos anúncios da Optimus!

Destoa ouvir um som de qualidade num anúncio tão fraco, mas é bom de ouvir. Está bem, concedo que há o risco de banalizar músicas lindas, mas, afinal, é só um trechozinho. Temos o resto do CD todo, virgenzinho, não conspurcado, só para nosso deleite, não é?

Quando houver nova campanha da Optimus, vejam-na com ouvidos de ouvir; isto se o tipo que escolhe a música não tiver sido entretanto despedido, por não conseguir manter o nível geral da equipa!

Pesquisa #3

Entre as palavras chave usadas para vir cá parar, nos motores de busca, encontra-se agora no top - destronando o espectacular "labaredas escape" - a expressão de hoje: "como ajudar as birras de bebes dois anos".

Se cá voltar a pessoa que pesquisou, deixo-lhe uma dica - útil ou não, logo decidirá: o meu filho tem dois anos, e eu não sei!

Carros antigos

Reencontrei há dias o meu amigo Luís Paes do Amaral, recém regressado do Brasil onde esteve a viver, e fiquei a babar-me; então não é que ele comprou, para as suas "voltinhas", um impecável Mercedes cabriolet da década de setenta?

Tem tudo, o sacana do carro; para além de estar impecavelmente restaurado, é azul escuro e tem capota branca, e - piéce de resistance - matrícula italiana, de Roma, lugar para onde o Luís vai viver a seguir.

O que mais pode um homem pedir para ser feliz?

Blondie

Casei em Fevereiro de 1998. Uns familiares da minha mulher, imbuídos das melhores intenções, mas desconhecedores da minha patológica aversão a multidões, resolveram oferecer-nos passes permanentes para visitar a Expo 98. A minha mulher ainda lá foi ver aquilo algumas vezes. E eu bem que tentei; fui lá uma vez, com o melhor espírito zen que se pôde arranjar, mas foi um fracasso. A visão daquelas filas enormes e magotes de pessoas depressam começaram a provocar-me suores frios, e não descansei enquanto dali não zarpei. Nunca mais lá voltei durante a feira.

Aliás, minto; voltei algumas noites para ver alguns excelentes concertos na Praça Sony. Lembro-me, por exemplo, de ver excelentes performances dos Foo Fighters, com Dave Grohl, e de ter flutuado com as ambiências etéreas dos Smoke City.

Mas, durante a Expo, não foi nenhum desses o concerto que preferi ver; o melhor concerto foi o de uma banda inglesa, os Gene (não confundir com os "Gene loves Jezebel", esta mais Rock FM), apontados durante algum tempo pela imprensa britânica como a next big thing, mas agora caidos no esquecimento. E é uma pena, pois a sua sonoridade "à Smiths" era deliciosa. Continuo a ouvir os seu álbuns no carro (as viagens de carro servem-me para ordenar as ideias, mas lá voltaremos noutro post), e oiço, com especial ternura, uma cover de "I say a little pray for you", de Burt Bacharach. O meu "pezinho a puxar para o chinelo" a voltar sempre ao kitsch, que adoro sem complexos.

Infelizmente para os Gene - mas felizmente para mim! - o seu concerto na Expo não deve ter contado com uma assistência superior a cem pessoas, a maioria curiosos de passagem.

Voltei à Expo mais tarde, já depois da feira acabar, para ver Blondie; mais valia não ter ido! Teria sido preferível lembrar Debbie Harry como a bela mulher que aparecia a cantar "Heart of glass", e não como a decadente - ainda que esforçada - ruína que cantava "Maria" na Expo. Eu bem fujo do tempo, mas ele anda atrás de mim, a provar que não se esquece de ninguém (tenho mesmo que comprar o Swatch "Curta metragem").

Estava a brincar...

Pensavam mesmo que se viam livres de mim com essa facilidade? Em última instância, resta-me o exercício narcisístico de ler sozinho o que escrevo.

Poucos leitores, mas bons!

Assim vou à falência!

Praticamente todos os bloguistas dizem que não escrevem para comparar números de leitores, mas acho que todos mentem!

É verdade que, em primeira instância, esta actividade surge como forma de catarse de todas as questões - transcendentes ou mesquinhas - que se acotovelam dentro da nossa cabeça; mas não é menos verdade que, se não esperasse ter leitores, seria preferível escrever um diário secreto!

Mas cada vez vem menos gente aqui; nem e-mails me mandam! Não estou a agradar, é? Tenho falta de originalidade? Digam qualquer coisa. Onde é que andam os vinte e três leitores de segunda-feira? Sabem quantos leitores cá vieram hoje? Nove - foi o dia mais fraco desde que instalei o contador de visitas, sabiam?

Sei que estes números não são nada, por exemplo, quando comparados com os blogs de Pacheco Pereira, o desejo casar, ou mesmo o blog da minha amiga papoila, mas bolas - são os meus leitores, e não os queria perder.

Deixo-vos uma ameaça: se não tiver mais leitores rapidamente, ponho o lugar à disposição!

2003/07/24

Pesquisas #2

Continuando a tentar perceber o que leva uma pessoa, que até podia estar a fazer algo de realmente interessante, a visitar este blog, continuo hoje a analisar as palavras chave introduzidas pelos poucos leitores que cá vêm parar através dos motores de busca.

Entre outros, hoje detectei alguém que aqui veio parar ao fazer uma pesquisa no google com as palavras "anabela+mota+ribeiro+fumar". Excepção feita ao fumo, presumo que deve ser alguém de excelente gosto.

Mas, o que me deu mais gozo na análise dos resultados, foi ver que o meu blog surgia no segundo lugar entre os sete resultados encontrados, enquanto que o famosíssimo pipi tinha que se contentar com um humilhante quarto lugar.

Pierre de Coubertin não tinha razão: que se lixe a participação - eu quero é ganhar!

Rodrigo Leão com Lula Pena

Levantei-me hoje com este bocadinho de música:

Ay, abrazame esta noche
Aún que no tiengas ganas
Prefiero que me mientas

António Lobo Antunes

Aqui há algum tempo a minha amiga Patrícia enviou-me um mail com um poema que tinha achado muito bonito, e que, por isso, queria partilhar com os amigos. Era (é) um poema do nosso putativo Nobel António Lobo Antunes, e chama-se "Todos os homens são maricas quando estão com gripe".

Quando o li, não pude deixar de sorrir; isto porque, apesar de já não o ler ou ouvir há algum tempo, conheço-o de cor. Faz parte de um conjunto que L.A. escreveu propositadamente para musicar um álbum de Vitorino, com cerca de dez anos, chamado "Eu que me comovo por tudo e por nada". Escusado será dizer que esse CD já foi resgatado da estante, e voltou a ser powerplay no meu carro.

Como se sabe, L.A. não é profícuo a escrever poesia; lembro-me até de, na altura em que este álbum surgiu, ter lido que esta era a primeira vez que escrevia poesia, pelo menos para consumo externo.

E é uma pena que não escreva mais, pois "mete no chinelo" muito pseudo-poeta que por aí anda. Podia transcrever aqui o lindíssimo "Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto", mas ficará para outra ocasião. Com a devida vénia, prefiro transcrever este:

Ana

O mar não é tão fundo que me tire a vida
Nem há tão larga rua que me leve a morte
Sabe-me a boca ao sal da despedida
Meu lenço de gaivota ao vento norte

Meus lábios de água, meu limão de amor
Meu corpo de pinhal à ventania
Meu cedro à lua, minha acácia em flor
Minha laranja a arder na noite fria

Swatch

Gosto dos relógios Swatch; não os colecciono, como a minha amiga Maria João, que já tem setenta e tal, mas gosto deles. São práticos, (relativamente) baratos, o que faz com que, se os perdermos ou se se avariarem, não tenhamos demasiada pena, e, principalmente, são divertidos.

Não sou uma fashion victim - longe disso! - mas apercebi-me recentemente de que foi lançado um modelo de homenagem ao realizador Manoel de Oliveira. Achei o modelo muito engraçado - mais engraçado do que o dedicado a Álvaro de Siza Vieira, desenhado pelo próprio. Este - o de M.O. - apresenta na pulseira uma série de fotogramas, ao que me parece de "Aniki Bóbó", porventura o seu mais movimentado filme. Não tive ainda tempo de ver o aparelhómetro de perto. Se não estou em erro, chama-se "Curta metragem".

Só tem um problema; inspirado, como é, em Manoel de Oliveira e na sua produção cinematográfica, deve demorar uma hora a contar o tempo de uma acção que dura cinco minutos. Mas isso nem sempre é uma desvantagem. Há situações que gostaríamos que se eternizassem - para essas alturas, nada melhor do que medir o tempo com um "Curta metragem".

Acho que vou comprar um Swatch desses - a menos que alguém se antecipe e mo ofereça!

2003/07/23

As paixões são assim...

...começam com grande chama, mas depressa estabilizam em velocidade de cruzeiro, isto quando não acabam violentamente.

Serve esta introdução para dizer que, depois de uma fase de grande produção "bloguística", começo a perder um pouco o ritmo; não se aflijam os admiradores, pois continuarei a vir aqui "postar" até que a mão me doa. Mas, realisticamente, assumo que, sozinho, não conseguirei manter muito tempo o ritmo de escrita que apresentei até aqui.

Hoje, por exemplo: vou daqui a pouco para Lisboa (já estou com pele de galinha, só de pensar no trânsito), volto pelo Barreiro, e à noite ainda tenho que me encontrar com uns amigos em Setúbal. O mais certo é nem sequer abrir o computador quando chegar a casa (provavelmente já nem vou ver o meu principezinho acordado...).

Agradeço a todos os que têm vindo aqui (I know who you are!) e prometo fazer os possíveis por manter o nível da coisa. Só vos peço que continuem a usar à vontade as caixas de diálogo e o e-mail - o vosso feed-back é-me essencial.

Obrigado a todos!

Pesquisas

São engraçadas as formas como alguns internautas vêm cá parar. Há dias andou aqui alguém que fez uma pesquisa combinada no Google, com as chaves "zambujeira+radar" - tudo bem até aqui. Mas hoje, surgiu cá alguém que introduziu como palavras chave para a sua pesquisa a improvável combinação "labaredas+escape"; desconfio de que terá ficado desiludido, mas nunca se sabe.

P.S.: Já passámos alegremente a barreira da centena; a próxima meta é o milhar, e depois um milhão, e depois...

Albert Cossery #2

Há dias referi Albert Cossery, escritor egípcio que vive desde 1945 num quarto de hotel em Paris, a propósito de outro assunto; agora, enquanto esperava que um blog abrisse, peguei num seu livro que estava aqui à mão e, na contracapa, li este precioso naco de prosa, alegadamente proferida numa entrevista concedida pela personagem:

"Não compreendo como podem as mulheres suportar os homens, o seu peso, a sua vulgaridade, quer eles sejam quadros, médicos ou outra coisa qualquer. As mulheres não têm nenhuma hipótese, ou melhor, têm uma sobre 10.000, 20.000 de encontrar algum homem interessante."

Confere, meninas?

2003/07/22

Realmente, não se faz!

Pedro Mexia chama-nos a atenção:

"Que tenha havido um golpe de estado em S. Tomé, acho grave. Mas que isso tenha estragado as férias a Bárbara Elias, acho gravíssimo."

Chama-se silly season, o post. Eu não diria melhor.

Morte

Há pouco surgiu a confirmação oficial de que dois dos filhos do ex-ditador Saddam Hussein, Udai e Qusai (acho que é assim que se escreve) foram mortos. Em vida ambos foram déspotas sanguinários, e era bem conhecido o rasto de morte e de terror que deixaram no Iraque. O próprio povo libertado fez questão de festejar exuberantemente a notícia das suas mortes, tão logo a soube.

Mas há algo aqui que não está bem; mesmo para um empedernido conservador e liberal, como eu me assumo, a morte surge sempre como um castigo excessivo. Ninguém, por mais barbáries que tenha cometido, merece morrer. Nem Bin Laden, nem Hussein, nem os algozes do III Reich, nem tampouco estes dois desgraçados.

A morte não está certa - todos o sabemos - e essa é a maior prova da superioridade da cultura ocidental sobre o islamismo!

Ao mesmo tempo, os terroristas da ETA (presume-se que tenham sido eles) voltaram a lançar o terror em Espanha, desta vez em zonas de veraneio (para quem gosta do género). Nenhuma causa, seja no País Basco ou na Tchetchenia, pode sobreviver e assumir-se como justa quando apela ao terrorismo e ao sacrifício de inocentes.

Não aceito a pena de morte mas, ao contrário da esquerda "moderna", advogo o regresso da prisão perpétua. Há que mostrar a esta gente que vivemos num mundo civilizado - ou não vivemos?

O tempo

Ainda estou no meu gabinete, mas não por muito mais tempo. Sairam há pouco daqui dois miúdos que cá estão a estagiar; são dois estudantes, de mais ou menos dezasseis anos, que vão cá estar um mês, ao abrigo de um protocolo de colaboração com a sua escola.

Mas não é que eles, quando se me dirigem, me chamam "senhor engenheiro"? Apetece-me dizer-lhes que não sou tão mais velho, que ainda ontem era como eles... Mas sei que é mentira!

Por onde é que o tempo passou, que eu não o vi passar?

Bébés

Não percebo como há gente que não tem paciência para bébés; ou melhor, percebo um pouco porque - mea culpa! - antes de ser pai, também eu era um pouco intolerante para bébés que choravam em restaurantes, ou que faziam birras enormes em locais públicos.

Não consigo explicar a quem não é pai, a alegria que é ter um filho; nem consigo dizer com que orgulho vê um pai todas as sucessivas manifestações de formação de carácter do seu rebento - o que não quer dizer que aceite pacificamente todas as asneiras do bébé.

Aqui há uns tempos, o colunista João Pereira Coutinho escrevia numa revista que "não percebe que interesse podem ter os bébés, (porque...) não é possível manter uma conversa inteligente com eles" (cito de memória).

Talvez seja improvável que J.P.C. leia isto mas, a ele e a todos os que perfilharem das suas ideias, só tenho uma coisa a dizer: aprendi que é possível termos uma conversa inteligente com um bébé; basta esforçarmo-nos por sermos tão inteligentes quanto ele!

2003/07/21

Só...

"Poder saber pensar! Poder saber sentir!"
Bernardo Soares, in "Livro do Desassossego"

Leitor n.º 100

Pois é; aproximamo-nos a passos largos da centena de leitores. Quem diria que, em quatro dias (desde que instalei o contador), teríamos já 74 visitas? Por este andar, vamos chegar à centena antes de passar uma semana. Vocês são uns leitores fantásticos!

Tenho que pensar num prémio para a centésima pessoa a entrar. Para me ajudar, caro leitor, quando entrar, verifique lá em baixo, no contador de visitas, qual o número que lhe foi atribuido. Se for o cem, diga qualquer coisa - se não for, diga na mesma!

E-mail

Em "Thinks", excelente romance de David Lodge, traduzido em Português como "Pensamentos Secretos" (isso, e uma capa muito "Margarida Rebelo Pinto style"...), a certa altura um do narradores - um tipo chamado Messenger - pergunta à outra narradora - ops, sou péssimo para fixar nomes - com que frequência abre a sua caixa de correio electrónico. Ela, neófita nessas andanças, diz-lhe que o faz de dois em dois dias, ao que ele se ri e lhe diz que, onde trabalha, toda a gente o faz de vinte em vinte minutos.

Lembrei-me disso ao constatar que, a partir das onze, começo a abrir com uma frequência anormal a caixa de correio; e o pior é que fico genuinamente contente com qualquer forward sem importância que me enviem, ainda que prefira, obviamente, uma mensagem personalizada.

Será isto grave? Terá cura?

Outra canção:

Deitei-me ontem a pensar numa canção, e acordei hoje a pensar noutra; ando muito melómano.

Dantes, ouvia-se muito uma canção dos Boomtown Rats, chamada "I don´t like Mondays". Não era uma canção muito gira (excepto se ouvida no Seagull, de preferência depois das 4 da manhã), mas tinha uma mensagem empática...

2003/07/20

Canção para dormir:

"Tom the model", de Beth Gibbons & Rustin Man.

How can I forget
Your tender smile
Moments
That I have shared
with you


(Desculpem, mas não me lembro de mais; o CD está lá em baixo, no carro)

Albert Cossery

Na sua coluna semanal d'"o Independente", "Vida de cão", João Pereira Coutinho (ex-autor da defunta coluna infame e, proximamente, de novo blog), diz-nos que passa diariamente dezoito horas - dezoito! - na cama.

Ao contrário de J.P.N., do Complot, não invejo a criatura. Mas lembrei-me imediatamente de Albert Cossery, escritor egípcio radicado em França, inveterado adepto do descanso, que só escreve um livro de cinco em cinco anos - livros geniais, contudo, temos que admitir!

E, nos seus livros, faz também o elogio da preguiça; se não acreditam, leiam "Mandriões no Vale Fértil". Doentiamente fascinante!

Correcção:

É sempre bom consultarmos outros blogs, mais que não seja, porque podemos corrigir-nos a nós próprios - alguns bloguistas não acham que os seus textos devam, ou possam ser corrigidos, mas isso levar-nos-ia a uma discussão maior, sobre o tamanho do ego e da humildade.

Se bem se lembram os meus leitores, há dias disse-vos que, infelizmente, João Bénard da Costa não havia escrito a sua habitual crónica de sexta feira no "Público". Na altura, ressalvei que esta informação se baseava na consulta da versão online do supra citado diário, pois não havia adquirido a versão impressa. Pensava eu, na minha ingenuidade, que não havia "lápis azul" na transposição do real para o virtual naquela casa!

Puro engano; o blog Campo de afectos, felizmente também atento a estas coisas, informa-nos de que saiu, realmente, mais uma excelente (não li, mas só pode ser excelente) crónica de João Bénard da Costa na versão em papel, desta vez sobre o póstumo "Vai e vem", de João César Monteiro; só que, por critérios editoriais - ou outros, menos óbvios - essa crónica não conheceu o direito a "viajar" para o espaço virtual.

E assim se começa a desmoronar a confiança de anos num jornal...

Lindo

O que é que querem? Gosto destes textos, em que se expõe a alma; quase que me vem uma lágrima ao olho.

Como, por exemplo, este, que L.F. Borges escreveu esta madrugada no celebérrimo desejocasar, sobre o seu putativo casamento.

Fazem falta mais textos assim, límpidos e bonitos, entre os milhares de mensagens crípticas, private jokes, e massagens ao ego que circulam nos blogs.

Bem haja!

Mais um Domingo de sol!

Hordas de "portugas" a correr para as praias, restaurantes apinhados, calor, muito calor. E depois, há esta gente toda contente, a suar as estopinhas. Daqui a bocado estarão de regresso, "entupindo" alegremente as estradas e auto-estradas. E são três meses, pelo menos, deste inferno...

Porque é que não nasci na Irlanda?

Algum dia tinha que ser!

Nas minhas deambulações pela blogosfera, encontro muita coisa; por exemplo, ainda agora, encontrei um blog de uma senhora papoila, que se diz muito indignada com a situação de excepção de que gozam os habitantes de Barrancos, isto no que toca à autorização para matar o touro na arena.

Eu também acho que está mal; essa autorização devia abranger, obviamente, todo o país - a hipocrisia tem limites, irra!

Toda a gente sabe que o touro, nas corridas portuguesas, é abatido à posteriori, já em situação bastante debilitada e, na maioria dos casos, com febres e outros sintomas de grande sofrimento. Mas, para os intolerantes que não apreciam a festa brava, parece que "longe da vista, longe do coração"!

A solução para estas almas, que - ordinariamente - se entretêm a epitetar outros cidadãos, só porque não partilham dos mesmos gostos, de "aburguesados", "marialvas" ou "novos ricos" (cito de cor), a solução, dizia, parece-me óbvia: se não gostam, não vão!

Aproveitem o tempo a comer os vossos franguinhos assados, abatidos com duas semanas de vida, ou uma bela sapateira cozida viva, e afastem-se prudentemente de matadouros e afins, porque - e desculpem-me outro aforismo (ou o mesmo de cima, mas por outras palavras) - "o que os olhos não vêem, o coração não sente"!

Eu, e outros como eu, continuaremos a atravessar a fronteira muitas vezes, para arcarmos sozinhos com a culpa e o remorso de ver morrer na arena animais com 4 ou 5 anos de vida em liberdade.

Não queria ter falado já sobre as touradas, mas irritou-me esta forma maniqueísta de colocar as coisas.

DN

Só tenho pena de não me conseguir habituar a ler o "Diário de Notícias", ao Sábado, por perder uma coisa: as entrevistas de Anabela Mota Ribeiro!

2003/07/19

Não foi plágio, juro!

Agora, ao navegar pela blogosfera, descobri um interessante blog, o tomara-que-caia, cujo subtítulo é uma frase, em inglês, que eu usei há dias como título de um post.

"And now, for something completely different" não é uma simples frase - é uma senha cúmplice. Dizia-a John Cleese, representando um mirabolante pivot de noticiário, no "Monthy Python's flying circus", série desgraçadamente traduzida para Português como "Os malucos do circo"!

A frase não é minha nem do tomara-que-caia, mas sim um património da humanidade - pelo menos, da humanidade que a aprecie!

Galiza

Li hoje uma reportagem sobre as Rias Altas, na Galiza mais escondida, e confirmei as suspeitas que já tinha sobre o sítio: quando lá for, apaixono-me!

Vilamoura? Pobres de espírito...

Mais uma pequena vitória

A maior parte dos meus (sete) leitores deve-se rir disto, mas, para mim, cada etapa da criação deste blog deveria ser festejada com a abertura de uma garrafa de Möet et Chandon. Desta vez consegui incluir no blog um campo para respostas directas aos posts (no fim de cada post, para os distraídos), alimentado pelo site blogextra, a quem desde já peço desculpa por não o conseguir incluir numa lista de links aqui ao lado porque, simplesmente, (ainda) não a possuo. E não a possuo porque ainda não a sei fazer - mas lá havemos de chegar.

Agora, para quem ainda há quinze dias apenas sabia formatar um documento do Word, e essa era a sua maior façanha informática, admitam que não está nada mal...

Por isso, agora quero ver respostas aos posts, de preferência em tempo real; já tinha candidatos, lembram-se?

E, já agora, para as "admiradoras secretas" existe uma funcionalidade que permite que o post só seja lido por mim. É só, lá na janela, marcar a casinha "mark this feedback as private...".

Pensam em tudo, estes tipos!

2003/07/18

And now, for something completely different...

Deixemos então o tom supostamente culto (sim, porque, em boa verdade, não posso competir com quem, por "dá cá aquela palha", cita Wittgenstein e quejandos) deste blog, e voltemos a coisas mais prosaicas.

E com um lugar comum: como toda a gente, tenho perplexidades relativamente ao que se passa na cabecinha de alguns condutores - esses condutores, provavelmente, também não percebem bem o que pensam os outros, mas adiante!

Há um tique, preponderantemente urbano, que me irrita bestialmente: a mania de não fazer sinal de mudança de direcção - vulgo "pisca" - quando se muda efectivamente de direcção. Mas com esse ainda vou lidando, com base numa condução eminentemente defensiva e de "adivinhação".

O que me custa a perceber é o que pretende um fulano que, quando eu vou na auto-estrada a 120km/h (ou a 140, pronto; não sou multado aqui...) a ultrapassar uma viatura mais lenta, se coloca atrás de mim a fazer furiosos sinais de luzes. Aliás, muitas vezes já vem a fazer esses sinais de luzes quando ainda se encontra umas centenas de metros atrás.

O que esperarão essas tristes almas? Que eu aborte a minha ultrapassagem com uma travagem abrupta, e me desvie novamente para trás do putativo veículo a ultrapassar, de forma a não interromper a sua cavalgada feroz? Ou que eu ligue um escondido turbo do meu carro e, instantaneamente, passe de 120 para 220 km/h, de preferência lançando fulgurantes labaredas pelo escape? Talvez assim eles conseguissem manter alegremente o seu ponteiro nos 200, sem as impertinentes interferências da "gentinha" que, infelizmente, também tem direito a usar a estrada.

Bravos "pilotos de café"; com tanta pressa, esqueceram-se da inteligência e do civismo em casa - ou mais longe!

Qual praia, qual quê!

Não devem existir muitas coisas, para mim, que possam superar o prazer de uma manhã fresca, na esplanada do Café Fresco (na Zambujeira do Mar - há dez anos era um segredo bem guardado, mas agora, infelizmente, já não vale a pena...), com um livro, um galão daqueles cheios de espuma, o jazz em fundo e o mar em frente.

Obrigado!

Esta blogosfera é um espanto; então não é que ainda ontem enviei uns mails para a Ana e para a Charlotte, e já tenho respostas. A Ana postou um simpático texto de boas vindas, com link para aqui, e a Charlotte não postou (ainda), mas deu-se ao trabalho de me enviar um simpático mail a dizer que havia apreciado o meu blog.

Quanta gentileza; mas, Ana, não leve a mal eu ter dito que lhe faria um link. Talvez não devesse tê-lo dito da forma que fiz; dá a ideia de retribuição. Mas a verdade é que já há algum tempo ando a tentar colocar aqui no blog alguns links para outros blogs que acho interessantes (isso, e um livro de comentários), mas ainda não domino as funcionalidades da "coisa". Mas, quando conseguir "domar a besta", é óbvio que o seu link estará - por mérito próprio - entre os eleitos.

Ooooh!

Então não é que, depois de vos ter aconselhado a todos a ler as crónicas de sexta feira, no "Público", de João Bénard da Costa, ele hoje não escreve nada? Pelo menos no site não consta nada (não comprei o jornal em papel, porque à sexta sou "Independente-dependente" - engraçada, esta).

Depois de escrever o post de ontem, fiquei a pensar na personagem; sabemos que é um assumido apaixonado da Serra mãe, a que volta sempre, e foi lá que eu tive o grande privilégio de o conhecer - provavelmente ele já não se lembra de mim, mas eu lembro-me bem dele, o que não deixa de fazer sentido.

Era uma daquelas conferências de Verão, no convento (pode-se lá pensar em cenário mais idílico?), e o tema era "A arquitectura, a cidade e o cinema". O curso era comissariado por Bénard da Costa, e eram-nos prometidas as presenças de Almodôvar, Wenders, e Jim Jarmusch (se nunca viram, não percam "Noite na terra"). A babar-me, lá fui.

Os grandes nomes não apareceram. Minto; apareceu Bénard da Costa, maior do que todos eles. E agora, a minha noite de êxtase; num dos dias, era suposto ficar para jantar no convento (roam-se de inveja...), porque haveria projecção a seguir. E onde é que os meus amigos pensam que fiquei? Pois, os deuses mexeram uns "cordelinhos", e sentei-me em frente ao Mestre, himself.

Esmagado pela grandeza do homem, nunca consegui vencer a minha patológica timidez, mas ainda consegui arranjar coragem para lhe relembrar um nome que lhe escapava: então não é que ele não se lembrava que n'"A mulher do lado", de Truffaut, quem contracenava com Gérard Dépardieu era a bela Fanny Ardant?

Tive a gratificante surpresa de saber que um dos meus filmes preferidos, era também um dos filmes preferidos da maior sumidade do cinema em Portugal (ia dizer do mundo, mas depois soava demasiado a "lambe-botas").

Esta história não terá grande interesse para os leitores, presumo, mas são pequenas coisas destas que me vão alimentando o espírito e o ego.

2003/07/17

Como é que se faz?

Pareço um caloiro a tentar ser integrado numa turma de veteranos. Eu bem que gostava de ser lido, mas o site-meter, que instalei esta manhã, não mente: nove visitas, e dezanove page-views. Poucos, mas bons, é o que vale!

Assim, hoje resolvi perder a vergonha; dirigi-me directamente a dois dos blogs que eu costumo ler, e pedi-lhes que me visitassem. O negócio é simples: se gostarem, incluem o meu link nos seus blogs - se não gostarem, devolvo o dinheiro.

Mas, como eu gosto dos blogs delas, deixo já aqui, de borla, os seus links: a Ana Albergaria tem um blog de crónicas matinais, enquanto que a Charlotte se assume como uma bomba inteligente - e deve sê-lo, porque anda a ler o excelente "Como ser bom", de Nick Hornby.

Tudo "pessoal" do Pastilhas, o blog de Miguel Esteves Cardoso que, infelizmente, pouco frequentei. Talvez por isso me falte a pedalada...

Público

O "Público" é um jornal engraçado. Diga-se, em abono da verdade, que é o único jornal diário que eu vou conseguindo ler; é arrumadinho, e tenta ser objectivo quanto baste. É verdade que anda por ali uma "esquerdalha" que, sempre que há nova sessão do julgamento da Universidade Moderna, tenta enfiar o nome (e, se possível, uma foto) de Paulo Portas, mesmo que seja completamente descontextualizado e "a martelo". Saem notícias quase deste género: "hoje, em mais uma sessão do julgamento da Moderna, depôs a D. Palmira, que é prima duma pessoa que é casada com um antigo aluno da Moderna, que teve uma intoxicação alimentar na cantina universitária, no tempo em que Paulo Portas geria a Amostra" (não será assim, mas não anda longe). Se se trata de um processo com tantas testemunhas (qualidade em que Paulo Portas tem participado, strictu sense), porque é que não citam todas elas de cada vez que falam no assunto?

Bom, mas "guerrinhas" à parte, refira-se que o "Público" tem muitos colunistas - bons e maus. E outros que nuns dias são bons, e noutros maus, como Miguel Sousa Tavares que, quando fala das proibições de fumar ou do "fêquêpê", perde a noção do razoável.

Não vou mencionar os maus, porque esses lêem-se uma vez e chega (aliás, nem me lembro do nome deles, mas há um articulista que me parece careca, de óculos - é assim a imagem que o "Público" apresenta dele - cuja coluna é simplesmente execrável). Mas há outros muito bons: estou-me a lembrar de Joaquim Fidalgo, Ana Sá Lopes (que, um pouco como Sousa Tavares, alterna o muito bom, com o... sofrível), e, principalmente, do extraordinário João Bénard da Costa que nos faz sonhar quando o lemos - se puderem, não percam a sua coluna à sexta feira.

Mas o "Público" tem mais motivos de interesse; agora oferece, entre outras coisas interessantes, uma colecção de DVDs, que saem à quinta feira com o jornal, por uma quantia a mais de que agora não me recordo. Já tinha saído uma primeira série, mas desses poucos comprei, já que tinha muita "americanice" pelo meio - salvou-se o "Pulp Fiction", o "Fargo", e pouco mais. Mas, nesta segunda série, são todos, todos, bons!

Há umas semanas saiu "Que fiz eu para merecer isto", um dos mais desconhecidos filmes de Pedro Almodôvar mas, para mim, o melhor - e olhem que eu sou um fã de Almodôvar. E hoje, la cérise sur le gâteau, sai-me o incontornável "Paris, Texas" de Wim Wenders, com aquela guitarra maravilhosa de Ry Cooder, e Nastassja Kinski ainda novinha.

Para quem já viu, não deve ser preciso dizer mais nada; para quem não viu, despachem-se. O quiosque daqui a pouco fecha.

Ainda aí estão?

Orgulho

Já viram bem o fundo deste blog? Não? Então vão lá abaixo, e depois voltem aqui.

Já viram agora? Pois é, já consegui arranjar um contador de visitas. E tudo sozinho, sem ajudas. Nada mau, têm que admitir, para quem, há dois dias atrás, não sabia o que era o HTML code (e ainda não sei bem, mas isso fica para outra ocasião).

Estou impante de orgulho.

Agora vamos lá a visitar a página, para aqueles númerozinhos dispararem!

Insisto!

Para os poucos que aqui vierem: se gostarem digam qualquer coisa e, principalmente, divulguem. Foi fácil criar isto mas, como dizia há dias o meu amigo Vasco, o difícil é dinamizá-lo.

Agora vou trabalhar.

Estes tipos são engraçados!

Começo por pedir desculpa aos meus leitores por algum desfazamento com a actualidade que se possa notar nos meus posts recentes, mas, como o blog é recém-nascido, e há alguns assuntos ligeiramente anteriores ao seu surgimento que eu gostaria de comentar, conto com a compreensão de todos - que, infelizmente, ainda não devem ser muitos; poucos mas bons!

E serve este post para deixar uma questão retórica muito simples: se foram precisos trinta deputados - trinta! - para representar condignamente a Assembleia da República num jogo de futebol em Sevilha (que saudades de Sevilha, das tardes de touros na Real Maestranza e das cañas em Triana ao fim da tarde), quantos não teriam sido para representar o mesmo organismo nos Campeonatos de Atletismo para deficientes, nos quais os nossos representantes tiveram mais uma brilhante participação?

Fossem todos como eu, e os estádios de futebol tinham que fechar por falta de clientes, e nenhum jogador ganharia mais de duzentos contos!

Posso dizer a frase?

Sem dedicatória especial, apetecia-me ouvir "There is a light that never goes out", dos Smiths.

Já agora, por falar em música, alguém sabe se a vocalista dos Mazzy Star é a mesma dos Jesus and Mary Chain? Pareceu-me ouvir isso, ontem, na Radar, e as vozes são muito parecidas.

Ok, já percebi!

No further questions!

Experiência

Vamos lá a ver; se eu quiser fazer um link, por exemplo ao blog do jornalista e poeta Pedro Mexia, isso pode ser feito assim?

2003/07/16

Uma dica

Agora uma dica de leitura, para o público em geral, mas com uma dedicatória muito especial à Ana Carla:

Se apreciam o estilo hiper-realista, com um humor mais que ácido, e um toque de fantástico, não percam "O melhor que pode acontecer a um croissant", do espanhol Pablo Tusset. Tem quase quatrocentas páginas, e eu li-o em menos de uma semana. É preciso dizer mais alguma coisa?

Azelhices

Afinal ainda não domino bem as funcionalidades destas coisas; então não é que, querendo corrigir um post de ontem que tinha uma gralha, fi-lo desaparecer? Já procurei em todo o lado, até debaixo do computador, e nada. Está num limbo.

Mas eu lembro-me mais ou menos do que dizia; que tinha acabado há pouco de ler "A festa do chibo", de Mario Vargas Llosa, e que ainda não tinha recuperado o meu ritmo cardíaco normal. Congratulava-me ainda por ele não ter sido eleito Presidente do Peru, há uns anos, porque, se o tivesse sido, teria decerto menos tempo para nos escrever estas maravilhas!

Não quero que os meus leitores percam informação.

Ralis

Gosto muito de Ralis. Para quem não conhece, explico que são corridas de automóveis, disputadas nas estradas normais - e não em pista - que se encontram, naturalmente fechadas para o efeito. Nestas provas os participantes não competem directamente uns com os outros, mas com o cronómetro. Grosso modo, quem fizer menos tempo, ganha!

De acrescentar que em cada carro vão duas pessoas: o piloto, que "pilota", e o navegador, que não "navega" lá grande coisa, mas dá as indicações sobre a sinuosidade da estrada, para que mais rápido o piloto possa ser.

Como se pode calcular pela natureza da coisa, é uma actividade dispendiosa; tanto que, até hoje, nunca tive possibilidades de participar num, a conduzir.

Mas, há uma nuance; os navegadores, normalmente, não pagam nada, e alguns até são pagos para correr. Estão a pensar o mesmo que eu? Claro! Em 1987 arranjei um piloto e, daí para cá, tenho feito Ralis sem pagar um tostão, com toda a gente que se dispõe a levar-me ao lado.

Modéstia à parte, não é uma função despicienda; muitas vezes vai-se depressa (algumas até demasiado depressa), mas o navegador experimentado tem que manter a calma para, enquanto a paisagem desfila, manter o olhar nas notas de andamento, por forma a optimizar o rendimento da equipa. É daquelas coisas que não dá para descrever - só experimentando! (pois, exactamente como isso que pensaram!)

Porque é que me deu para falar disto hoje? Porque nós, o grupo de "alienados" que gostamos de fazer Ralis, não pensamos bem nos perigos que corremos; e só caímos na realidade quando ouvimos notícias como a de há umas semanas - "morreu Loris Roggia, cinquenta anos, pai de três filhos, navegador de Andrea Aghini, quando o carro que tripulavam se despistou, durante a disputa do Rali Salento, em Itália" - ou a de domingo: "morreram Mark Lovell e Roger Freeman quando o Subaru que tripulavam chocou com uma árvore, durante a disputa de um Rali no Oregon, Estados Unidos".

Mark Lovell era daqueles nomes que, para quem anda "nisto" há muito tempo, não pode deixar de ser familiar; na década de oitenta, chegou a ser Campeão de Inglaterra, mas actualmente tinha uma "reforma dourada" nos Estados Unidos, onde a modalidade ainda não está muito implantada, e ele "aviava" facilmente os azelhas yankees.

A morte assusta-me; pensar em pessoas, mesmo que não as conheça, que há bocado estavam vivas e agora não. Eu posso muito bem estar aqui a escrever e de repente cair morto (cruzes, canhoto).

Então, porque é que faço Ralis? Não sei, e o mais estúpido é que não quero nem ouvir falar em deixar de os fazer.

Não há pachorra!

Depois do período "Calimero" do Eng.º Guterres, e depois de Ferro Rodrigues "y sus muchachos" terem proferido - a propósito da prisão do seu "moço de estoques" (a propósito, um dia destes hei-de falar de touradas) Paulo Pedroso - graves acusações de manipulação da justiça, das quais se inferiria que os tribunais, em sua opinião, seriam ingénuos ou cúmplices, sendo que qualquer uma das hipóteses seria grave, depois de tudo isso, dizia, só nos faltava a Sr.ª Maria Barroso a dizer que existe uma qualquer conspiração contra a família Soares, com vista à sua eliminação (em sentido figurado, admitamos).

Mas estes socialistas não se fartam desta mania da perseguição?

Imagino Ferro Rodrigues, a pedir à mulher que não apague a luz à noite, por medo dos monstros que estão debaixo da cama (agora lembrei-me - não sei bem porquê - de que ainda não li o "Calvin & Hobbs" de hoje).
Que patética, esta família Soares; o pai não consegue conviver com a idade, e passa o tempo a "bicar" o próprio partido. O filho - um pouco como o pai - está permanentemente em bicos de pés, seja para candidato à Câmara, à Presidência da República, a deputado europeu, a líder do seu partido (onde já muitos não o podem nem ver), ou a qualquer outra coisa que lhe dê visibilidade.

E agora, só nos faltava a mãe, a assumir-se como candidata a um lugar de nomeação política, para o qual não haveria, naturalmente, eleições, e para o qual não era, de todo, desejada. E a fazer birra por não lhe terem feito a vontade.

Haja vergonha!

Primeiro "Correio dos Leitores"

A minha amiga Marisa leu o blog - pelos vistos com atenção - e diz-me que, pelo que nele está escrito de exposição pessoal, acha que eu devo ser do signo Caranguejo. Pois é, Marisa, posso-te garantir que não sou Caranguejo; não te posso é, infelizmente, dizer de que signo sou.

Não é que eu acredite muito nessas coisas, mas, que diabo! Toda a gente tem um signo, é uma coisa em que fica sempre bem falar quando a conversa está a morrer, e só eu não tenho nenhum!

Quero dizer, devo ter algum; só que não sei qual. Nasci no dia 23 de Outubro, de há muitos (mais do que eu gostaria) anos atrás. Quando, por curiosidade, vou ver numa qualquer revista a que signo pertenço, o meu dia de aniversário ora pertence a Balança, ora pertence a Escorpião, numa proporção probabilística de, aproximadamente, 50/50.

Conheço, pelo menos, mais duas pessoa que fazem anos no mesmo dia, e ambas comungam desta crise de identidade. Será que não existo? E será que, ao não ser caranguejo e ser como sou, serei desculpável?
Se ajudar alguma coisa, sempre posso dizer que nasci por volta das catorze (e não "quatorze", como escreve várias vezes Miguel Sousa Tavares no seu novo best-seller, "Equador") horas.

Mas, para que este seja um "Correio dos Leitores" justo, não me posso esquecer de ninguém; mandaram-me mensagens de incentivo, para além da já citada Marisa, o meu amigo Zé Eduardo (um grande abraço), bem como as minhas amigas Ana Carla e Xana (um beijinho grande para ambas - pensando melhor, um beijinho grande para cada uma!).

Era fatal!

Depois de uma série de dias a "meio-gás", hoje o trabalho apareceu e, pelos vistos, com efeitos retroactivos. Estou "até às orelhas" com papeis aqui na secretária - tantos, que mal sei onde fica o teclado ou o rato.

Mas tinha uma obrigação a cumprir: tinha que vir aqui, desse lá por onde desse, avisar toda a gente de que já tenho "fregueses".

É verdade; o "Serra-mãe" começa a mexer-se. Alguns leitores - os primeiros - já me enviaram mails de apoio e incentivo. Como são simpáticos e educados, nenhum disse mal do blog, e eu, como sou vaidoso e o meu ego assim mo pede, quero acreditar que eles estão a falar verdade.

Que todos eles sejam meus amigos, e que só tenham cá vindo porque eu lhes mandei um mail a dar conta da existência deste blog, não me parece um factor relevante para o assunto. O que interessa é que (dizem que) gostaram, e que, por isso (e por mais algumas coisas), são os melhores amigos do mundo!

2003/07/15

"Spanish bombs"

Hoje ouvi de novo na rádio esta canção; é triste pensar que, há tão pouco tempo, sabia o "London calling" de cor e salteado, e agora, o Joe Strummer está morto. Não é só triste por ele - é triste por mim, saber que tudo passou tão depressa.

Mas ainda tenho o "London calling", versão vinyl (não tenho é prato para o tocar; será que não há uma versão em CD?).

Aos amigos que possam aparecer:

Não sei se estão familiarizados com a leitura de um blog, mas há uma coisa fundamental para a sua boa compreensão: os posts vão sendo colocados de cima para baixo, por ordem cronológica. Quer dizer que este é o mais recente, até agora, e o lá do fundo o mais antigo.

Se gostarem, divulguem; mais de metade da piada que retiro da escrita é o feed-back que posso ter por parte dos outros.

À espera...

Sabem aquele cliché do jovem formado, que monta o seu consultório e passa o dia a olhar para a porta e para o telefone, a ver quando lhe aparece o primeiro cliente? É como eu me sinto agora, à espera que alguém visite este blog (ou será "blogue"?).

A propósito

Ainda a propósito do post anterior, lembro o grande Saint-Exupéry: on ne voit bien qu'avec le coeur!

Sou gordo!

Sou gordo, é verdade!

Podia usar um eufemismo, como "sou forte", ou até um mais atraente "sou bem constituído", mas não! Quero ser prosaico: sou gordo e acabou - ou melhor, começou. Não tenho nenhum especial gosto, nem sequer orgulho, em ser obeso; mais, acreditem ou não, não faço tanto para o ser como uma rápida olhadela ao meu perfil poderia fazer supôr. Mas sou e, tal como a maioria dos gordos, gostaria de ser mais magro.

Um médico já me diagnosticou uma patologia, qualquer coisa ligada à tiróide, que me faz engordar mais, comendo o mesmo que o tipo do lado.

Habituei-me a viver com isto - mas, com o que eu não me habituo a viver, é com a falta de educação e sensibilidade das pessoas. Qualquer caramelo que não me veja há mais de um mês gosta de chegar ao pé de mim e dizer com ar preocupado: "é pá, tens que fazer uma dieta". Ou então, quando não o dizem, passam o tempo com o olhar a viajar entre a minha cara e a minha massa abdominal.

Acharão estes parvos que isto é educado? Não sei, mas vou começar a cumprimentar as pessoas que conheço com um simpático "estás mais careca", ou um "tens mais rugas", ou ainda - porque não? - um realista "estás mais parvo, ou é só impressão minha?".

Legendas

Onde será que eles arranjam os tipos que escrevem as legendas que passam em rodapé, nos noticiários da televisão?

Deve ser difícil arranjar quem escreva tão mal, pelo que, quem selecciona essas pessoas, tem que ter mérito.

Dúvida

Será que alguém lê isto?

Morar na cidade?

Sempre me fez confusão a fobia que algumas pessoas têm por morar perto "de tudo"!

Há dias ouvia dois amigos meus, que não se viam há muito, a falar. Um perguntava ao outro onde morava agora, e o segundo respondia que morava em tal sítio, que era muito bom, pois descia-se à rua e, logo ali, havia o Banco X, o Supermercado Y, a auto-estrada passava nas traseiras; Enquanto isso, o primeiro ia corroborando, acenando afirmativamente. Mas que mundo é este?

Porque é que toda a gente só está bem no meio da confusão? Ainda hoje fico aterrado, quando penso no que iria na cabecinha de um milhão de almas, que se "ensanduicharam" durante uma noite inteira - a última - na Expo 98. E a fazer o quê? Nada, era só para estar lá no meio.

Outra história: um outro amigo meu tinha uma casa para vender, um andar num sítio espectacular, entre pinheiros, mas relativamente perto da civilização. Um dia apareceu-lhe lá alguém que gostou do andar; só que, no entender dessa pessoa, o mesmo tinha um defeito. Ficava numa zona demasiado calma, e ele acabou por escolher um outro, sito num local em que, segundo as suas palavras, "bastava atravessar a rua e estamos no hipermercado".

Não consigo perceber isto; será preferível morar num "alvéolo" do Parque Expo, só porque é lá que está "quem é quem", em vez de procurar o campo e o sossego?

No outro dia, dizia-me alguém que não conseguia sobreviver sem sentir o "bulício" da cidade; eu, quando vou à cidade, fico "buliçoso"!

Serei eu um doente rústico? Só sei que, se me oferecessem uma casa em Lisboa, apenas lá iria para colocar um letreiro a dizer "vende-se".

2003/07/14

Bom, vou dormir.

Só mais uma coisa: se alguém me quiser ajudar, e enquanto eu não descubro mais funcionalidades desta coisa, desde já aqui fica o meu encarecido agradecimento. No post anterior pensei que tinha publicado um link com o meu endereço de e-mail, mas não saiu nada. Por isso, desde já agradeço penhoradamente todas as ajudas que puderem vir a ser enviadas para serra-mae@iol.pt.

Amanhã volto à carga (desta vez é que é).

Estamos a fazer progressos!

Bom, então é assim: gostava agora de pedir ajuda às almas perdidas que vierem aqui parar, e que, por obséquio, disponham da paciência para me encaminharem. O que eu quero saber é o seguinte: sem pagar, como é que eu posso ter um contador de visitas e um livro de comentários?

Atenção, que as respostas deverão ser dadas em português, e não em "informatiquês" e, de preferência para aqui.

Será pedir demasiado?

Depois eu falo mais sobre mim, e sobre os temas que nos trazem a todos preocupados. Descansem que também me apetece desancar no Expresso, nos taxistas (principalmente nos criminosos do aeroporto), e em toda a panóplia "da moda". Só não contem comigo para falar de futebol; apenas aprecio o meu Vitória de Setúbal que, infelizmente, até anda bem na mó de baixo, mas nem sei o nome de um jogador sequer, acreditem ou não!

A ver se é desta...

Bom, este parto tem estado difícil, mas parece-me que, finalmente, vamos no bom caminho; mas ainda me faltam muitas coisas. Como é que eu faço para ler os (hipotéticos) comentários aos meus posts? E para saber quantas pessoas me viram?
Não liguem; afinal isto até nem é difícil. O difícil vai ser - prevejo-o - alimentar esta "criança".
Boa! Ainda agora comecei, e já não percebo nada disto; porque é que o raio das letras de "emoção" sairam trocadas?

E, se alguém me quiser postar comentários, ou até enviar-me e-mails, como é que faz? E como é que eu faço para os ler, ou até para saber que os recebi?

Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?
O meu primeiro post num blog, a sério; ainda nem sei se vai aparecer alguma coisa mas, mesmo assim, tremo ao bater estas teclas...

Cuidem-se Possidónios, Mexias, MECs, Pachecos, e até Pipis; este blog não é pera doce.

Mas, antes de se cuidarem, dêem-me uma dica: como é que vocês fazem para manterem os blogs sempre tão actualizados, e sempre com imaginação para novos temas?

Vê-se bem que não devem ter muito que fazer durante o dia; pois eu tenho!

Mas não será por isso que hei-de deixar de "blogar" (isto existe?) aqui, ainda que não com a vossa irritante pontualidade.

Cultura? Lamento, mas sou um genuíno produto do povo, com um ligeiro laivo alternativo - ontem vi "O gosto dos outros", e no carro ando a ouvir Mew, alternando com Beth Gibbons, de que nunca me canso.

Leio o razoável, e agora ando a ler "A família Trago", do cabo-verdiano Germano Almeida. E gosto - digo-o sem complexos, como também assumo que já li um livro de Margarida Rebelo Pinto, e chegou.

Gostos? detesto futebol (olha outro subversivo), e adoro automóveis, principalmente de Ralis e antigos.

O que mais hei-de dizer?

A ver se volto amanhã.